quarta-feira, 11 de abril de 2012

O estendal

Lá vinha o senhor doutor subindo a avenida, com um semblante confuso, aéreo, desprovido daquela sensatez que nos move no dia-a-dia. Este homem não consegue essa harmonia, não.
Um dia o meu colega foi lá a casa montar um estendal. Na hora ficou tudo bem, o senhor doutor gostou muito do trabalho dele e mais não sei o quê. Porém, uns dias depois, veio queixar-se que as cuecas e as meias iam ficando todas enroladas sobre si mesmas conforme se avançasse o estendal. O meu colega, cheio daquela paciência comercial, explicou ao senhor doutor usando levemente os termos mais pragmáticos da lógica da batata. O cabo de aço roda sobre si quando movido na roldana, logo, a roupa miúda e leve roda por sua vez pois não se sustém, não tem peso. Fácil, não? Não, este senhor é doutor da psique... Pragmatismos, não, por favor.

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