Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversários. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aniversários. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de julho de 2012

44

Hoje faço anos. 44 (quarenta e quatro). Poder-se-á dizer que estou de parabéns. É justo, hoje há uma batida certeira na minha idade, tenho 44 anos, nem mais nem menos → estou de parabéns.

(Não interessa para nada que este post tenha sido preparado com dias de antecedência, pois não? É que tive 43 anos até ontem à meia-noite... Pois não, não interessa.)

Eu, em 8 de julho de 2012, no Pinheiro de Loures, a terrinha saloia que me viu crescer...

(Assim como não interessa para nada que aquando da foto ainda reinassem na minha vida os tais 43 anos. Pois não, não interessa mesmo nada...)

Tenho 44 anos. Quatro dezenas, quatro unidades. Hoje é quarta-feira, o ano é bissexto, o que acontece de quatro em quatro anos.
Os anos são bissextos → 1968 e 2012, números pares que se dividem facilmente... Em 4.
O dia é 11 → número ímpar, 11 vezes 4 é igual a 44, o número dos meus anos. O mês é 7 → número ímpar e indivisível, ou inclassificável nesta trama numérica que hoje invento. Aqui não há nada a fazer, a não ser dizer que simboliza a diferença, o imprevisível, digamos que é o espírito desta história e não se fala mais disso.
Ena, tantos quatros... Não sou um mero acaso, não. Sou alguém em cuja vida há um dia assim, cheio duma matemática inventada e sobejamente interessante. Eu sabia que um dia ia descobrir porque sou especial; única; preciosíssima. Sou a pessoa que inventa interesses onde não existem e os faz perdurar.
De seguida irei repetir-me, deixo novamente uma frase resultante duma conclusão que tirei há largos meses:

«A vida é matemática e coincidências, só passa daí porque a gente quer.»

Este texto comemorativo do meu quadragésimo quarto aniversário não trata apenas de números – mesmo que em tantos números já tenha deslindado algures uma alma -, quero descrever-me, abandonando o ego, o intimismo e o pessoalóide:

Gosta de dar nas vistas
Sabe dar nas vistas
Nunca quer dar nas vistas
Não gosta de dar nas vistas
Não sabe dar nas vistas
Quer dar nas vistas

Fácil, não?! Eis a minha personalidade e a minha alma e o meu cerne e a minha essência, esses todos.

E agora vou ali trabalhar e divertir-me um bocado, que o dia é especialmente bom e digno.

Ah, um lembrete aos leitores... A não esquecer, portanto:

«A vida é matemática e coincidências, só passa daí porque a gente quer.»

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Hoje o Luís faz anos

Este ano quero dedicar uma canção ao meu amor, que faz anos hoje.
Antes de mais destaco que me esfalfei, queria encontrar canções portuguesas que combinassem com o dia e a pessoa em si mas a busca revelou-se infrutífera. Portanto, voltei-me para os inglesismos e companhia.
Lembrei-me de 'Loving you is a dirty job but somebody's got to do it', Bonnie Taylor, mas depois de pensar melhor na letra achei que poderia parecer mal por meter sujeiras ... porque ele é um homem muito asseado.
Entretanto passei ao 'Born to be alive', Patrick Hernandez, mas o poema não era suficientemente giro ou certeiro, sei lá, não era a canção.
Finalmente decidi-me por uma canção da Britney Spears, 'I was born to make you happy', porque tem tudo a ver com a malta cá de casa. Ora veja-se:

O aniversariante não gosta do estilo da Britney Spears...
O rico filho tanto se lhe dá que a Britney Spears exista ou então não.
A rica filha é capaz de ouvir esta canção vinte vezes seguidas.
E eu... Bem, eu... Devo dizer que este é um dos meus guilty pleasures, sei perfeitamente que a canção não tem muita qualidade, não passa duma lamechice pirosa mas agrada-me bastante ouvi-la. E enquanto ouvia vezes sem conta 'I was born to make you happy' (culpa da rica filha), fez-se luz, é mesmo esta canção que vai figurar no post de aniversário do Luís!


............................................................................

Comprei-lhe um manjerico.
Quando era puto a tia Matilde oferecia-lhe um manjerico no dia do seu aniversário, costume que durou até à adolescência.
Ontem comprei-lhe um manjerico.
Durante muitos anos senti-me como que invasora de espaços e costumes alheios, olha eu a oferecer-lhe um manjerico quando a sua tia Matilde já tinha essa ideia desde tempos tão remotos!
Depois passou-me...
Ontem tirei fotografias ao manjerico.





quarta-feira, 7 de março de 2012

80

Castro Verde, 7 de agosto de 2011

Não é meu costume assinalar no blogue outros aniversários para além dos quatro cá de casa. Não sei porquê nem me interessa aprofundar.
Porém, hoje há um aniversariante, já de si especial, que hoje completa uma idade redondinha → o meu pai. Oitenta, são os anos de vida dele. Parabéns, pai.

O meu pai pode não figurar em termos de aniversário mas consta em muitos posts. Querendo ler, é só escrever 'o meu pai' ali em cima no espacinho para pesquisar e pumba! Chegarão muitos itens mostrando o meu  pai, a pessoa que ele é e o que significa para mim. Ou então para ser mais fácil e certeiro, o leitor clique aqui...

sábado, 1 de outubro de 2011

Todos os meses

Eram sete horas e cinquenta e oito minutos

Todos os meses porque todos os meses acordo no mesmo sítio...
Agora, ao primeiro dia de cada mês é dia de fotografar a vista da minha varanda. O céu ditará as diferenças. A vegetação idem. Logo se vê o que sairá daqui. Ideias não me faltam, o que muito me apraz. Se são boas ou não é que já não sei.
Por pura coincidência, faz hoje quinze anos que passei a habitar oficialmente esta morada, o que não deixa de ser engraçado.

Hoje estava uma manhã fresca e clara. Um nevoeiro pouco denso dava mostras de se dissipar completamente não tardaria nada. O cheiro do ar pressagiava um dia muito quente. Tal e qual. Que calor!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A rica filha; Parabéns; Parecenças

Este ano quero escrever um pouco acerca da rica filha, (tal como já fiz com o mano). Ou melhor, quero escrever o que reconheço de mim mesma na sua personalidade. Antes pensava que ela não se parecia nada comigo, em criança foi sempre muito diferente de mim mas quando a vi chegada à idade adulta fui notando várias coisas.
Gosta de escrever... (olha eu!) Ah pois!
Tem o bichinho da escrita desde miúda, há dois anos quae anda a escrever uma história e tudo. É profundamente analítica, muito observadora, instintiva até mais não – pontos favoráveis à escrita.
Não sente qualquer temor da ruindade que há no mundo e nas pessoas, reconhece-os e enfrenta-os, aliás(olha eu!). Porque não teme os males da vida nem se embaraça em os descrever, consegue dissecar a vida duma maneira extremamente racional (olha eu!), talvez demasiado para a idade. Não possui aquela paixão (olha eu!)própria da juventude, achando que é tudo maravilhoso e que vai conseguir mudar o mundo. Não. É dotada duma frieza que me gela os ossos quando me reconheço nela... Tanto que sabe não ser ainda suficientemente madura para escrever um livro a sério, acha-se aquém em termos de vivências, tem noção que a experiência de vida é pouca para escrever livros.
Tem um humor subtil (olha eu!) e algo calculista. De vez em quando confessa-me que ninguém entende as suas piadas (olha eu!), estendo-lhe a mão e digo na brincadeira: «Dá cá mais cinco, rica filha! Sei como é...».

«Quem sai aos seus... Não degenera.»

Achega:
Apesar da aprente frieza e tranquilidade com que leva a vida (olha eu!), parecendo não se importar com nada (olha eu!) é uma rapariga feliz e bem disposta, o que me agrada profundamente.

A rica filha


A rica filha hoje faz anos: 20!


segunda-feira, 25 de julho de 2011

17 luzinhas


Parabéns ao rico filho!


O ano passado, quando a rica filha fez anos, comprei um pacote de velas que continha 36. Usei 19 no bolo da rica filha.
- Olha mãe, sobram 17, para o ano já tens velas para o bolo do mano. - Disse ela.

E já está a zeros.

18:00

Fazer um cheesecake cor-de-rosa parece-me bem.

O rico filho é rapaz mas pronto...

As folhas de gelatina eram coloridas, que fazer?

Cheesecake cor-de-rosa, claro.


Cheesecake, o bolo maravilha!

Ingredientes da massa: 200 gramas de bolacha maria moída, 100 gramas de manteiga amolecida.

Ingredientes do recheio: 400 mililitros de natas geladas, uma lata de leite condensado, 250 gramas de queijo mascarpone, 6 folhas de gelatina.

Preparação da massa: misture aos dois ingredientes com as mãos até ficar pastosa. Forre um forma de fundo amovível e leve ao frigorífico. Entretanto...

Preparação do recheio: batas as natas, acrescente o leite condensado, o queijo e por fim as folhas de gelatina previamente derretidas num pouco de água em banho-maria.
Quando pronto deite por cima da massa de bolacha e manteiga e leve ao frio durante pelo menos três horas. Decore com geleia de amora ou morango.

17:55

Loures, 25 de Julho de 2011
É verdade, hoje o rico filho faz anos e eu tive assim como que tipo um dia de férias... Sozinha.
Agora apetece-me escrever e vou fazê-lo. O post dos parabéns ao rico filho vai ficar lá para baixo, o mais certo é ninguém o ler... Parabéns rico filho. Este dia é teu. E o blogue é meu.

O rico filho

O rico filho hoje faz anos: 17! Que crescido está o meu mais novo...
Parabéns, que sejas muito feliz por muitos mais anos.

Ter um filho parecido comigo, rever nele algumas das minhas caraterísticas é maravilhoso, os filhos são o nosso maior legado.
O André é muito parecido comigo, tem uma cara larga e grandes olhos, come com os mesmos gestos e tem algo sério no olhar que se confunde não raras vezes com tristeza ou aborrecimento.
Por alturas da adolescência a minha mãe perguntava-me amiúde:
«Gina, estás aborrecida, filha?».
Agora é o rico filho que engana o pai:
«Que é que tens, filho?»
A mim o rico filho não engana, sei como é... eu (ainda hoje) sou assim.
É um rapaz muito seguro, não vai atrás de confusões, marimba para quem não concorda com ele, qual é o problema de não pensar como este ou aquele? Nenhum. O rapaz não gosta de confrontos. Eu também sou assim.
Exprime-se com timidez mas responde sem receio quando o questionam, seja qual for a espécie da questão não se coíbe, fala, responde sem reservas. Às vezes é numa tentativa de que o deixem em paz, não quer falar do assunto e atira a crua verdade. Perguntaste, toma lá e agora cala-te. Sei como é, rico filho, a tua mãe faz igual. Igual, igual.
Mas é mesmo assim, não é? Quem sai aos seus não degenera.


sábado, 16 de julho de 2011

22

Lisboa, 11 de Julho de 2011

São 22, os anos de casados. Temos alguns defeitos, muitas virtudes, 2 filhos e outras coisas que hoje não pertencem aqui. Caminhamos lado a lado, será essa a maior virtude que possuímos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aniversário ao minuto

0:05

Já é dia 11!, digo eu. Parabéns, diz o rico filho. Parabéns, linda, diz o Luís. A rica filha estava ausente mas assim que se fez presente: parabéns, mãe!

8:28

Primeiro SMS do dia, os parabéns dum ginásio que frequentei há anos e que ainda me tem nos registos...

9:35

Um parabéns envergonhado, outro parabéns baixinho: parabéns.
Acho que este último pensa que eu me preocupo com a idade. Para o livrar dessa ideia levantei um braço e disse alto (realço que estávamos na rua): Ei, eu hoje faço anos! Iééé!

10 e não sei quê

Eu de novo na rua. Eu e outros. Um senhor passou por nós e fungou ruidosamente. Disse 'bom proveito' convencida que o homem não me ouviria. Mal pensado, Gina Maria... O homem virou a cabeça e jogou-me cá uns olhos... Tenho que deixar de pensar que ninguém me ouve.

11 e tal

Novo SMS, desta feita da Acessorize. Querem dar-me 20% de desconto num artigo que não esteja em promoção. Que generosos...

12:32

Os meus pais ainda não me ligaram...

12:38

A única diferença que esta segunda-feira tem das demais é que eu hoje faço anos.

(Parabéns!)

Obrigadinha...

Ah, e também tenho um vestido novo. Fui eu que fiz.

(É lindo...)

Eu sei, pá!

12:39

Tenho fome.

12:41

Passou uma senhora na rua. Bem se vê que as pessoas andam todas na rua ou eu não estaria a escrever tretas a cada minuto...
Mas indo à senhora: é chata, tem a mania, é alérgica. Diz que quando está aqui tem muita comichão na garganta, que a despache rápido para se lhe acabar o sofrimento. Depois de despachada fica-se, relatando coisas e loisas da sua vida. Há tanta gente assim...

12:51

O meu colega disse-me que nunca teve uma colega com 43 anos...
Hum, faço eu, amuada.
Então, é verdade!, riposta o bicho ruim.

13:22

Tenho à minha frente o almejado almoço. Há horas felizes.

14 e alguns minutos

A Henriqueta pinta-me as unhas num rosa fluorescente.

16:31

Como eu mostrasse dificuldade em ler as letras miúdas que revelam as intruções de uma cola poderosa e o cliente revelasse que também já não vê nada de jeito, um outro cliente que estava à espera de vez prontificou-se a ler-nos as letrinhas. Não foi cavalheirismo, antes exibicionismo. Bem-vindo, no entanto, esse exibicionismo, caro senhor.

16 e... não sei

Um amigo entrou para me dar os parabéns e diz que aproveitava, já agora e tal, e comprava um emboque de sanita. Parabéns, diz ele baixinho. Mau maria, outra vez em surdina? Mas o que é que esta malta pensa? Que me acho velha?
São quarenta e..., quer ele saber. Três, digo eu prontamente e reprimo uma resposta maliciosa: «voltei a ter os três...»

16:35

A J. Lo canta o floor e o floor e o floor. Também quero...

16:55

Vou ao pão ou à fruta. Vou ali. Vou dar um volta. Interrogo-me se seria boa altura para comprar aquele recipiente de vidro com tampa de plástico para guardar as linguíças.
Nesse estabelecimento, um menino já grande contorce-se e diz à mãe que tem muita vontade de fazer chichi. A mãe, em tom de ralhete manda-o ficar calado e juntinho a ela. Fiquei a pensar se o miúdo estando estático aliviará a mijaneira...
Depois, às 17:30, para aí, passam os dois por mim, mãe e filho. O miúdo vem descontraído, pergunto baixinho (este não me ouviu, não) «então, já fizeste chichi?»

18:00

Começo a ficar inqueita, os ricos filhos não há meio de chegarem. Vamos sair...

18:21

Ah, chegaram. Olá, olá. Beijinho, beijinho. Parabéns, mãe, outra vez.

19 e picos

Estamos numa oficina. O meu carro vai lá ficar uns dias para reparar a pintura.
É indubitável: um homem dá um jeito do caraças na vida de uma mulher. Se eu tivesse que tratar de oficinas, seguros e franquias...

19...?

Tenho fome. Tenho sono.

20 e...

Estamos a comer. O post que deixei ontem programado não está longe da verdade... Há também pudim de manga, camarões e aquela massa saborosa.

21:25 (talvez)

Casino. A rica filha acha que não vai poder entrar porque está de ténis... Ela e o mano.
Jogar, joguei, mas não ganhei nada... Chiuf, chiuf...

21:59

Ligam-me de novo para o telemóvel. Não são os meus pais... Espanto-me, é o sô Ventura. Diz que o computador dele havia apitado avisando-o de que faço anos. Hum... Espanto outra vez. O seu computador apita, pergunto eu. Diz que sim. Pi-pi, pi-pi, tenho vontade de perguntar mas deixo-me disso, limito-me a agradecer e agradecer e agradecer, só porque, tirando o pi-pi, pi-pi do computador do sô Ventura não se me chega mais nada para dizer.

22...?

Ligo o meu computador, que não está programado para apitar em dia nenhum, vejo os mails e os dois comentários existentes no meu blogue a desejar os parabéns. É o Waterfall e a Redonda. Obrigada e obrigada.


Não sei que horas são. Tenho sono. Os meus pais não me ligaram. Os miúdos de cima ainda brincam, alegres. Tenho sono...

Anos

1, não me lembro mas a minha mãe diz que eu apaguei a vela com uma colher.

2, … 3, … 4, …

5, posei num fotógrafo. Achei-me forçadamente empertigada até ao clique, quieta em demasia, ai que sofrimento. O desenvolvimento deste episódio consta aquia.
Estávamos em Albernoa. A minha mãe ensinou-me a minha nova idade: agora, a minha filha diz que tem 5 anos, a minha filha já não tem 4, tem 5 anos. Desenvolvimento neste post.
Creio que foi nesta estadia que revelei um grande espanto por a minha mãe ter ela própria uma mãe. Não me lembro, a minha mãe é que conta.

6, … 7, … 8, …

9, veio muita gente à minha festa. Ofereceram-me um livro, o qual já escrevi aqui.

10, só está na lembrança o aperceber-me que doravante escreveria a minha idade com dois números (hoje diria dígitos) e que nunca mais deixaria de ser assim a menos que chegasse aos 100. Esta menina já pensava em cada coisa...

11, … 12, …

13, chorei baba e ranho, não queria deixar de ser criança.

14, era domingo. Choveu, fui ao café com a Leonarda e a minha afilhada Carla. Não bebia café nem aceitava nada para beber ou comer, ia só porque sim, porque era assim, porque não havia mais nada para fazer.

15, era segunda-feira, lavei a louça sem protestar ou lembrar à minha mãe que devia ser poupada neste dia especial. Recordo que alguém me elogiou o desempenho mas não sei quem foi.

16, dava uma canção na Radio, 'Pequena Amante' da qual não recordo o intérprete, que falava duma rapariga de 16 anos que encantara um homem mais velho. A minha mente ainda jovem não conseguia alcançar em pleno o verdadeiro significado do poema, apenas me derretia com a ideia de ter a mesma idade de alguém tão especial.

17, eu é que era aniversariante mas as atenções não recaíam sobre mim.

18, eu, linda e jovem. A minha mãe comprou-me um fio de prata na Ericeira. Eu, bela e fresca, esperando na rua que viesse a camioneta de substituição, uma vez que aquela onde viajava avariara na descida da Freixeira. Já tens uma coisa para recordar do dia em que fizeste 18 anos, vês?, disse a minha mãe. Vá-se lá saber com que intuito queria ela algo de inesquecível neste dia...
Foi nesta altura que deixei de me achar desengraçada. Neste dia não me importei da viragem que ocorria, o ser adulta, achei-me igual... só que gira.

19, …

20, era segunda-feira, estava toda dorida nas pernas porque no dia anterior tinha andado a jogar à bola.

21, saí do trabalho e apanhei o autocarro nº 12 para me ir encontrar com o meu noivo. Estava um dia embrulhado e eu suava no meio daquela gente amontoada. Tinha uma blusa branca às bolinhas vermelhas e uma saia dum vermelho vivo, ambas confecionadas por mim. Estava um bocado apreensiva com o grande passo que daria daí a cinco dias: casamento.

22,...

23, estive numa aula de preparação para o parto – a rica filha andava cá dentro aos rebolões. Perguntaram a idade a todas as grávidas. Quando chegou a minha vez: «faço 23, hoje» Recebi muitos parabéns duma vez. Esse coro de parabéns foi único, nunca tinha ocorrido nada semelhante na minha vida e nunca mais ocorreu.

24, a rica filha mordeu a colher da papa. A colher a fazer de cachimbo e o lábio inferior tão levantado... Assemelhava-se ao Popeye.

25, …

26, tinha um barrigão enorme. Junto da rapariga da mercearia lamentei que o rico filho não escolhesse este dia para nascer... Seria engraçado.

27, quantos fazes, perguntou o Vitinhas quando soube que eu era aniversariante.

28, a rica filha estava pela primeira vez num acampamento de Verão. Apaguei as velas cá com umas saudades das suas ladaínhas... O rico filho estava comigo, segurei-lhe a mão porque ele queria jogar-se às velas. Sempre tão sossegadinho, meu querido menino...

29, andei por Loures e pensei que o 29 é um número muito alto, comecei a sentir algum peso na idade.

30, estive em Vila Franca de Xira visitando um centro comercial que abrira há pouco tempo. O meu marido comprou-me um fio e uma medalha com 'G' de Gina. Algum tempo depois perdi a medalha. Lamento até hoje, foi um presente muito especial.

31, era domingo. Choveu. Uma morrinha chata que só visto.
Agora é que vais ver o trinta e um onde te meteste!, disseram.

32, fui jantar a um restaurante chinês em Telheiras (Lisboa). Nessa altura era ainda invulgar ver restaurantes orientais por aí.

33, apenas me lembro de me ser tirada uma fotografia, a qual referi aqui.

34, passeei sozinha por Lisboa. Uma certa nostalgia que não sei explicar. A idade, talvez. Mais um ano. Sempre a somar, sempre a somar.
A partir daqui posso fazer batota, tenho registos escritos de algumas vivências.

35, tive a tarde livre, fui ao Odivelasparque com algumas familiares. Só mulheres. Diverti-me, tive prendas e tudo.
Esta idade sempre foi um marco para mim, quando eu nasci a minha mãe tinha 35 anos.

36, era domingo. Recebi um ramo de flores em casa, prenda do maridão. Grande ideia, amiguinho.

37, manicure francesa, calças brancas e uma t-shirt laranja vivo, são como espectros desse dia. Já uma queda (vulgo bate-cú) que dei ao sair da cabeleireira é uma imagem bem real.

38, cuscus com queijo feta é um espectro deste ano ou do anterior?... Não sei, os anos já são muitos, baralho-me.

39, o derradeiro 'inta', estás nos 'entas' não tarda.

40, trabalho... nada. Há qu' anos não trabalho a 11 de Julho....

41, passeio a Albernoa. Fotos, fotos, fotos.

42, passeio pela saloiada. Fotos, fotos, fotos.

43, é uma questão de ler os posts deste dia.

Post mesmo muito programado

São nove da noite.
Estou feliz.
Encontro-me num restaurante.
Vou escolher algo especial para comer.
Como sushi, banana frita e bróculos salteados.
Estou feliz.
A família está a fazer-me rir.
Estão a dar-me a toda a hora motes para escrever.
Depois não os escrevo.
Pode ser por falta de memória que chegue para tanto.
Pode ser por necessidade de viver os momentos simplesmente.
Estou feliz.
A felicidade escreve-se mas primeiro vive-se.

Alto do Cachaporra, 11 de Julho de 1968

E eis que dum casal alentejano nasce Gina, uma bebé de produção saloia.

Lagariça - Alto do Cachaporra, 9 de Julho de 2011

A vida

Não sei se pode ser mas eu não queria morrer já. Não para já, pelo menos. É que tenho tanto que fazer... Conhecer lugares de que ainda só ouvi falar, revisitar outros que adorei, aprender mais receitas de bolos, doces e outras iguarias, ler os livros que estão nas minha prateleiras, ser (ainda mais supreendida) pelas gentes. Falo de surpresa em geral, o mau também é surpreendente, não tenho medo de pessoas más nem de sentimentos maus. Ah, e quero ser avó, também não sinto qualquer temor nesse campo.

A capicua fingida

Estou aqui que não posso de tão alegre. Pela primeira vez na minha vida o meu dia de anos forma uma capicua!

11 – 7 – 11

É a primeira vez e a última, não creio que esteja viva em 3011.

43 coisas

cêntimos no chão
supresa
sonolência
olhar lindo
bom-dia!
escrever rios de posts
nasci
quarenta e três anos
mil novecentos e sessenta e oito
sete
onze
parabéns
palpite
é assim a vida
sonhos
histórias
sentimentos
sol
mar
fotografia
zoom
computador
recadinhos
frigorífico
chocolate
bolo de bolacha
arroz de atum
ó mãe, posso comer isto?
satisfação
inadaptados
sai daí!
TV
vestidos
agulhas
linhas
botões
filhos
marido
amor
coisa
uma coisa
como assim?
digo o quê?

Acordei com o acordo

Nos últimos meses tenho pensado seriamente em me ligar ao novo acordo ortográfico. Começo hoje, que é um dia especial. Para já só vou abolir as consoantes mudas, não vou escrever estações do ano e meses com letra pequena, não consigo, considero-os importantes o suficiente para continuarem assim. Espero não me esquecer de esquecer as consoantes mudas...

A minha vida dava um filme... boring!

Dava, pois.
Uma longa metragem de 150 minutos com dois intervalos de 7 (como no cinema) em cada 50.

Primeira parte:
Fantásticas aventuras de infância: enfiar flores no nariz, longos passeios com o Tobi e incursões lá abaixo ao rio para apanhar agriões que nasciam nas margens ao deus-dará, bem como brejeirices da adolescência: bailaricos e rapazes astutos, pequenas fugas com um único fim em vista - divertimento juvenil.
Segunda parte:
Situação profissional, namoro, casamento, nascimento da progenitura. Pouca clareza em termos de pormenores, férias aqui e ali, desenvolvimento profissional e controvérsia mudança de rumo nesse campo.
Terceira parte:
Filhos menos dependentes, adolescência dos mesmos... digamos que não muito problemática, férias, férias, férias, visita a outros países, internet e outros saberes multimédia, a maturidade a fazer-se sentir e, sobretudo, grande desenvolvimento da escrita bem como prazer e paixão pela mesma.