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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Resquícios de Natal

Lisboa, 27 de Dezembro de 2011

Hoje é dia de ouvir perguntar se o Natal foi bom. É dia de ver as pessoas ostentando os casacos/sapatos/botas/malas novos que compraram com o subsídio ou receberam de presente. Dia de perguntar das prendas no sapatinho. Dia de perguntar se gostei, se não gostei, se tive muitas, se tive poucas. Dia de falar acerca do almejo de saúde para todos. Dia de dizer que isso é o mais importante. Dia de responder repetidamente.

Dia de novidades, também. Novidades diferentes doutros dias. O senhor Tomé disse-me que este Natal já passou e que agora espera o próximo. Achei um dito invulgar.

Diferença

Um cliente pensou que não era comigo que tinha falado noutro dia. Estava, inclusivamente, convencidíssimo disso. Ripostei que só poderia ter sido atendido por mim, uma vez que sou única no pedaço (às vezes brinco dizendo que sou a empregada mais exemplar deste balcão mas achei melhor deixar as matracas fechadas e não dizer baboseiras, que o homem era um bocado sério).
Já me esqueci onde ia...
Adiante, que já me lembrei.
Pus-me a imaginar que diferença terei hoje em comparação com o outro dia...
Terei engordado com as iguarias natalícias?!
O meu penteado estará ainda mais informe?!
Terei mais rugas, cãs ou outras coisinhas do género?!
Oh céus!

Resquícios de Natal

Este ano apenas recebi um email a desejar as boas festas. Eu própria não enviei nenhum email do género, a não ser a retribuição àquele, que ainda por cima veio pelo via profissional. Se bem me lembro, costumo mandar uma 'coisinha' mais ou menos personalizada a alguns dos meus contactos. Mas este ano não, limitei-me a desejar as boas festas aos leitores nos próprios blogues e quer à família quer aos (supostos) amigos... nada. Não sei que raio se passou comigo. - E também não sei que raio se passou com a família e os (supostos) amigos -. Não quero desculpar-me com a falta de tempo, a gente sempre o arranja em querendo. Não quero pensar que foi a demência que me apagou o ato de boa vontade da memória. Mas se calhar foi. Não chegarei a tanto, presumo, isto de ser demente tem muito que se lhe diga. Também não quero nada parecer (ou pensar que sou) alguém buscando a solidão inconscientemente.

domingo, 25 de dezembro de 2011

A excelência do Natal

Loures, 25 de Dezembro de 2011

O símbolo, a luz e as goluseimas no aconchego do lar.

Oferta de Natal

Não é meu costume vir para aqui listar as ofertas de Natal (ou mesmo de aniversário) que recebo. Mas desta vez vou registar uma prenda que recebi porque é verdadeiramente fantástica: um livro - 'O Dicionário dos Sabores', Niki Segnit.
Trata-se de uma prenda recebida das mãos dos meus ricos filhos. A ideia de comprar esta prenda para os pais partiu da rica filha, se bem que o rico filho tenha aprovado e participado na aquisição da mesma.
Adoro este livro, pelo que já li até agora. Foca-se sobretudo na junção de sabores, possui um apelo ao paladar muito forte, em todos os parágrafos. E tem receitas, inclusive. Em suma, ensina a cozinhar, instrui o leitor no sentido de entender os alimentos, fazendo-o conhecer as suas origens.
Passo a transcrever um pedaço da introdução:

Só me apercebi da profunda dependência dos livros de culinária quando reparei que o meu exemplar do 'French Provincial Cooking', de Elizabeth David, tinha marcas das minhas unhas a sublinhar as palavras.
Esta insistência em agarrar-me a um conjunto de instruções, tal como a um corrimão no escuro, era a prova conclusiva da minha timidez quando, na verdade, depois de 20 anos a cozinhar eu deveria ser suficientemente experiente nas receitas básicas para relaxar e confiar no meu instinto. Será que alguma vez aprendera mesmo a cozinhar? Ou era apenas razoavelmente competente no que toca a seguir instruções? (...)
Sendo uma simples cozinheira de família, embora ligeiramente obcessiva, não tinha o equipamento ou os meios para pesquisar essas ligações. Precisava de um manual, uma cartilha para me ajudar a compreender como e porquê um sabor fica bem com outro, as suas semelhanças e diferenças. Qualquer coisa como um dicionário de sabores. Mas um tal livro não existia e por isso, com aquilo que olhando em retrospetiva acabou por ser um ingenuidade quase comovente, pensei que podia tentar escrevê-lo eu própria. (...)
Escrever o 'Dicionário dos Sabores' ensinou-me muitas coisas. Uma das mais importantes foi a ter uma mente mais aberta às combinações que outros cozinheiros, de outras culturas, consideram evidentes. Mas sendo uma pessoas desorganizada, estou sempre à procura de padrões, uma forma de impor ordem a uma realidade sem regras. Em parte, esperava que este livro servisse essa função e se revelasse como uma Grande Teoria Unificadora dos Sabores, capaz de reconciliar a ciência com a poesia e com as opiniões da minha mãe sobre compotas.
Não fui bem-sucedida. Ou pelo menos não completamente. Aprendi alguns princípios genericamente aplicáveis. Por exemplo, como usar um sabor para disfarçar, reforçar, temperar ou alegrar outro. E também estou muito mais alerta para a importância de equilibrar o sabor - salgado, doce, azedo, amargo e
umami - e para tirar o maior partido de texturas e temperaturas contrastantes. No final o 'Dicionário de Sabores' acaba por ser um conjunto de factos, ligações, impressões e lembranças, que não pretende dar-lhe instruções exatas, mas sim fornecer-lhe a inspiração para fazer a sua própria receita ou adaptação. Em resumo, existe para dar asas à sua imaginação.

A crise e as oferendas de Natal

Milena espreita à janela do quarto de longe a longe. O lixo é menos volumoso este ano, conclui.

Neste dia de Natal...

Loures, 25 de Dezembro de 2011

... Poema de Pablo Neruda, 'Livro das Perguntas'*

XVII

Já reparaste que o Outono
é como uma vaca amarela?

E como a besta outonal
é logo um escuro esqueleto?

E como o Inverno acumula
tantos azuis lineares?

E quem pediu À Primavera
a sua monarquia transparente?


* Página 23

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!



E pronto! Vou-me 'calar', por agora. Existem milhentas coisas para preparar e às quais é preciso dar toda a atenção. Coisas essas que são – quase, quase, quase... - tão prazeirosas quanto escrever. Trata-se da espécie de boda que vou preparar para os comensais mais fantásticos do universo: marido estremoso e ricos filhos. Ajudada p'los mesmos, claro está.

Eu e os ditos comensais, desejamos a todos os leitores, visitantes e/ou passeantes deste blogue um Felicíssimo Natal! Felicíssimo, pois, que eu cá é tudo em grande...

Lisboa – Galerias Acqua Roma, 23 de Dezembro de 2011

Comprei um livro: 'Diário de um fescenino', Rubem Fonseca.
Não que seja uma prenda de Natal para mim própria, comprei o livro longe disso. Andei por ali assim vendo capas, prescrutando títulos, revirando páginas, quando um parágrafo me chamou a atenção:

”O bom diarista”, disse Virginia Woolf, “é aquele que escreve para si apenas ou para a posteridade tão distante que pode sem risco ouvir qualquer segredo e correctamente avaliar cada motivo. Para esse público não há necessidade de afectação ou restrição.”
Não me imporei restrições, porém sei que estarei sendo influenciado de várias maneiras, ao considerar a hipótese de ser lido pelos meus contemporâneos. Os autores de diários, qualquer que seja a sua natureza, íntima ou anedótica, sempre escrevem para ser lidos, mesmo quando fingem que ele é secreto. (…) Nesse género literário, o autor fala sozinho, numa espécie de solilóquio.

Donativo

E pronto, 
lá vai mais um... 
Depois de lhe dar a moedinha 
o homem diz-me 
que eu podia 
escolher um prospeto. 
E eu escolhi este... 

É fofinho, pois é?

Todos os anos

Lisboa, 23 de Dezembro de 2011

Este é o terceiro ano consecutivo que apresento a iluminação deste lisboeta. Acho a decoração algo sui generis, posta ali ao acaso, ah é Natal e eu vou enrolar umas mangueiras luminosas na varanda e está feito!
Este ano, porém, o homem fez um upgrade, colocou uma estrela. Calhando é para contrariar a crise...

Bom Natal!

Indo na enga do primeiro post de hoje, devo dizer que as pessoas me perguntam vezes sem conta se estou aberta amanhã mas não é que venham cá comprar alguma coisa, é porque assim dizem já o Feliz/Bom Natal e Boas Festas.

Visitação

Uns enceram o chão, outros limpam as pratas. Estes clientes terão visitas no Natal, é notório.
Não que se me tenha esgotado o stock, o que lamento, mas tenho vendido ceras e limpa pratas p'ra caraças!

12:30

É meio-dia e meia. Hoje é o dia de desejar as Boas Festas. Para quem abala hoje para a terra ou os que já não me vêm amanhã.
Ao momento o número de pessoas que por aqui passaram e manifestaram esses desejos deve estar arrimado à dezena.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

(Escandalosamente?)

Os últimos posts são um tanto ou quanto... indecorosos, vá. Estamos no Natal, é altura de as pessoas fingirem ainda mais que é bem e é tudo bom e da paz e do amor.
Eu também abraço a hipocrisia nesta altura, dou umas esmolazitas, desejo uns 'bom-natal!' e 'tudo de bom!' querendo antes mandar à merda. Só que às vezes já não consigo fingir porra nenhuma... E salta de lá a minha veia (ou que raio é) escrevedora de textos... que não sei classificar, o leitor que classifique, em querendo.

A dívida

O bombeiro queria levar um certo artigo e perguntou se podia ficar a dever.
«Pode, sim senhor, leve lá que depois paga.»
«Se eu não pagar, e você me veja aí na rua dê-me nos cornos!»

(Hum, ok, senhor bombeiro. Mas agora estamos no Natal, cornos só nas renas, que a gente tem de se portar bem para receber os presentes...)

A prenda

«Ó menina, não se importa de guardar aí este saquinho? 
Tem livros, são para a filha da rapariga do café. 
É que se eu levo isto para casa, 
o meu filho e a minha nora vão pensar que estou a nadar em dinheiro...»

«Está bem, 
dona Marília, 
deixe cá ver que eu guardo aqui.»

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

Lisboa, 20 de Dezembro de 2011

Não é que não venha cá antes do Natal mas assim ficam já os votos para alguém... Que já não venha cá antes do Natal, é isso. Então Bom Natal!

Votos

Um cliente votou da seguinte maneira:

'Tenha um bom dia de Natal e não coma muito.'

OK, senhor cliente, assim farei. A menos que me chegue apetite voraz... comerei poucochinho, pode crer.