sexta-feira, 18 de novembro de 2011

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Vai ali assim e grita: o melhor da sexta-feira é o caminho para casa!

(Tal como o melhor de todos os dias...)

Atchim!

Milena espirrou. Outra vez. Uma e outra, ainda. Inundou o peito de pingos, a blusa ficou manchada. Os homens olhavam-na com gula, aquela humidade ali punha-os doidos... ui. Bem que eles não queriam ver mas o olhar fugia-lhes direito àquele brilho. Tudo quanto é manancial está-lhes intrínseco.
Milena tinha a cara vermelha e os olhos vítreos, uma expressão calorosa. Mas não era emoção, foram os espirros. Os homens, porém, toca de voltar as cabecinhas na sua direção, como se ela ululasse alto e bom som, louca de desejo.

Boca apertada

Ela ia folheando e folheando e folheando.
Bem sei o fascínio que há em vasculhar páginas, abrir livros aqui e ali, penetrar em mundos tão diferentes do meu, conhecer outros pensamentos, assuntos, abordagens.
Ela tinha a boca muito apertada, como se quisesse fechá-la a um alimento insuportável ou assim, e ia escolhendo livros absortamente.
Às vezes, eu, tenho uma espécie de ruindade. Ruindade não, estou a pensar, não é ruindade, é um tipo de curiosidade que normalmente é levada a mal, por isso me é tão fácil pensar que é ruim.
Esqueci a ruindade e olhei a mulher sem pudor, queria ver quanto tempo lhe duraria a boca assim tão apertada. Não cronometrei mas o intenso olhar deve ter durado meio minuto, para aí. Ela viu-me, eu desviei rapidamente o olhar, ela idem, voltei à carga e olhei, ela havia desfeito um pouco o aperto e ficou a fazer beicinho. Passado mais meio minuto das nossas vidas, a mulher estava tal e qual como no início. E eu parti para outra.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Viver escrevendo



Escrever não custa... Custa é saber escrever.

Alter-ego

O mundo é pequeno para mim quando tenho muito para escrever, quando a coisa não se compõe na minha cabeça.
Devia ser exatamente ao contrário, não o mundo ser pequeno, como se não me servisse. Eu deveria, isso sim, arranjar uma espécie de humildade, que até podia ser inventada, pouco importava, e achar o mundo grande demais para a minha inteligência. Eu pequenina, o mundo imenso. Eu poucochinho, o tempo interminável. Minutos sobrando, e eu átomo. A memória curta, esta minha memória curta, e a vida constante, intensa.

Mas não. Tudo é pequeno para a minha existência e, principalmente, para o meu pensamento...

O fantástico

Tive uma ideia fantástica. Fantástica de fantasia, mesmo. Vou passar a dizer às pessoas que gosto de observar porque ando a escrever um livro. A maioria ficará surpreendida pela positiva, e ainda levo rótulo de artista, o que me leva ao fantástico novamente. Terei uma desculpa plausível - mesmo muito plausível - para o rol habitual de perguntas. E, neste caso, o de andar a escrever um livro, as perguntas sugerirão às pessoas que poderei eventualmente usar a sua vida fabulosa e a sua personalidade absolutamente invulgar para escrever e serão automatimente induzidas a comentar desta maneira, mais coisa menos coisa:

Um livro?! Ai que giro... Eu bem te vejo aí toda entretida a olhar e tal... A fazer perguntas que não lembram a ninguém. Ah! Espera lá... É por isso que estás sempre a escrever no computador e nos papelinhos? Isso é porque andas a escrever um livro? Um livro?! Ai que giro... Depois convida-me para o lannçamento, ok? Não te esqueças! Olha que eu quero um exemplar autografado, ouviste?

Segue pedido

Caso a eventualidade de algum dos meus clientes ler previamente este blogue (ou mais concretamente este post) se torne efetiva, esse(s) cliente(s)/leitor(es) faça(m)-me o favor de não me perguntar(em) como estou, pois a menos que seja(is) cego(s), a posição que ocupo é flagrante: estou de pé. Obrigadinha.

Encantamento simplex

Guiomar encanta os homens.
Encheu as peles, dizem eles.
Tem mamas e tudo, digo eu...

Que bela visão, também sou eu que digo, mas aqui falando por eles.

O simplex deve-se ao facto bem presente de os homens terem uma vida muito simplificada...

Palitos

Comprei uma caixinha de palitos. Bem sei que alguém mos podia oferecer... Um par deles, ao menos, quero eu dizer. Mas eu, feita parva, fui comprá-los...

Contrariamente

Num mundo ao contrário o dia estaria lunar e a noite soalheira. E hoje, 17 de Novembro, Dia Mundial do Não Fumador, eu fumaria um cigarro. Um não, dois. Só para contrariar.

Dias de um ginásio

Cá de baixo ia observando o homem no andar de cima. É gordo que nem um porco e sua que nem um cavalo, pensei eu.
É então que me vejo aflita entre contagens de repetições e o querer memorizar tudo o que me passava pela cabeça. Claro que não fiz tudo como queria...

Mudança

O quadro que diz 'liga para casa' mudou de lugar e deixou de contender com a minha presença do modo habitual.

A dor do desconforto

Uma senhora não quis comprar o tapete de banheira...

... Diz que lhe ia fazer doer os pés...

Língua portuguesa

Eu amo a minha língua. Mais que isso, venero-a. Não tenho a mania que sei tudo, sou humilde o suficiente para certificar-me do significado duma palavra, mesmo estando quase certa de saber - às vezes dá para perceber significados através do contexto do que estou a ler.
O meu colega troça de mim e tudo:
«Vá, vai lá ao teu amigo (priberam.pt), ele que te diga.»
O meu caro colega não tem este amor todo que eu tenho à nossa língua, não... E tem a mania que sabe das coisas. Ele não sabe... inventa! Eu não. Eu cá não gosto disso. Humilho-me e vou ao meu amigo priberam.pt. Quero lá saber se dou parte de fraca!
Recentemente li/descobri três palavras: extático, histriónico e elanguescer.

Extático
(adjetivo)


1. Enlevado em êxtase.
2. Arrebatado; absorto.


Histriónico (adjetivo)


1. Relativo a histrião; próprio de histrião.
2. Que representa ou demonstra sentimentos com exagero.


Elanguescer (verbo)


1. Tornar(-se) lânguido.
2. Viver em langor.
3. Fazer perder ou perder as forças.
4. [Figurado] Diminuir de zelo ou ardor.

EU


Olha! Eu às vezes armada em coitadinha que ninguém sabe o meu nome e mais não sei quê e afinal...

– Olá, Gina, tudo bem?!

Eh pá! Até fiquei a bater mal... Ainda por cima desconheço completamente o nome da mulher, não pude corresponder com lealdade...

Dias de um ginásio

Descobri porque relaciono toda a conjuntura vivencial do ginásio com sexo. Encontrava-me de roda duma máquina de pesos e dei por mim pensando que tudo no ginásio é um constante vaivém; para cima e para baixo; para lá e para cá.
Se bem que escrever e/ou pensar não traga resposta a coisa nenhuma, é bem verdade que por vezes concluo umas quantas coisas enquanto escrevente...

A ladra de cargos alheios

Tenho contado a amigos e conhecidos algo sui generis que ocorreu na minha pacata vidinha. Contando a novidade a algumas pessoas com quem me relaciono, a minha ideia era extravasar verbalmente e assim não correr para aqui e contar ao mundo 'isto que me aconteceu' através do blogue.
Inicialmente tinha posto a ideia de partilhar blogosfericamente porque explicar semelhante acontecimento daria um trabalho do caraças. Mas, mesmo assim, vou escrever. Não dá para contornar, tem de ser, a coisa tem de virar post. Vou apregoar da melhor maneira que conheço: escrevendo no blogue.

Era uma vez uma senhora que trabalhava numa loja. Era uma vez uma outra senhora que trabalhava na mesma loja. E era uma vez uma loja, pois claro. Um dia, a primeira senhora despediu-se e foi embora. A segunda senhora ficou.
Anos depois, um carola qualquer destas andanças cibernéticas inventou o Fuçasbuque, uma página virtual onde a gente se expõe, mostra os dentes, figura em fotos sensuais (ou então não), dá a ver o que gosta de fazer e ainda se declara antigo aluno da escola tal, no sítio assim-assim e/ou trabalhador desta ou daquela profissão e que faz parte desta ou daquela empresa.
Então, basicamente é isto: a minha ex-colega roubou-me o cargo profissional que ocupo na empresa onde já não trabalha desde aqueles tempos imemoráveis em que nem existia Fuçasbuque. Cargo esse que ocupo com distinção, uma vez que não existe sequer termo de comparação...

Esta post não é tanto para ser lido, é mais um desabafo parvo que outra coisa qualquer, é por isso que é o primeiro de hoje, fica cá para baixo, onde provavelmente ninguém chegará...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Do bélico

Tomélia é uma mulher de armas. Literalmente. Tem uma fisga que herdou do irmão mais velho, guarda-a numa caixa de sapatos no sótão lá de casa.
De vez em quando dá com aquilo, a arma do mano velho, a borracha cor de lacre toda resequida pelos anos. Mas ainda se aproveita o pau, é por isso que Tomélia guarda o objeto, sempre pode dar jeito. Quem sabe em dias sós...
Oh, não é nada disso! Eu é que já estou para aqui a inventar com a mania de meter tudo em pratos sexuais... Tomélia guarda a fisga do irmão porque a faz recordar a infância, esses dias inconscientemente deleitosos. E pronto.

Mas há mais.

Nas paredes da sala estão expostas espadas e bestas, que Tomélia (afinal parece que) adora tudo quanto é bélico e/ou lembra guerra e combate.
Tomélia é uma mulher de armas. Literalmente. Uma mulher que foi menina e teve um irmão que tinha uma fisga que ela veio a herdar porque a consciência da infância dá-se na idade adulta…

O papel

Nota prévia: este mês há imensos posts com o titulo 'O papel', a ver se sou mais criativa...

Existe um pedaço de papel na minha vida ao qual não sei que destino dar. Anda aqui aos rebolões dentro da mala, introduzido entre a capa e a folha muda do livro que ando a ler.
Se por um lado, o destino viável do papel é como se desse a mão ao inconveniente, por outro, se lhe dou o destino, é ficar de braços cruzados quando o que eu queria era atirar uma pedra ao charco. Que bizarrice, esta...

A grande loja

Gosto de vir aqui porque ninguém me chateia a tola. Mexo, retorço, desarrumo... e deixo ficar. Uma delícia para a minha alma faminta de pequenos delitos.
É um espaço amplo o suficiente para passar o tempo que é preciso, o tempo de que eu preciso. É assim todos os dias, sistematicamente, ou loucamente cíclico, como escrevi há dias.

Vejo muitas cenas. Invento e assim.

Tinha pela frente uma escadaria imensa quando o vejo. A gente ia-se cruzar, não havia espaço, um teria de esperar pelo outro. O bicho em causa era paneleiro, só pode.
Primeiro: não me deu primazia na passagem.
Segundo: estava deslumbrado com as árvores de Natal.
Terceiro: comentava entusiasticamente as corzinhas e as luzinhas e respetivos brilhos natalícios.
Quarto: a custo continha saltos de alegria e palmas de satisfação.
Quinto: encontrava-se sozinho...
Eram emoções e emoções à flor da pele, umas atrás das outras. Tão fofinho... Tão queriduxo...