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domingo, 15 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro

Loures, 15 de agosto de 2010


As férias acabaram e o diário delas também. Não estou contente por regressar ao trabalho mas estou contente por mudar os hábitos. Tenho grandes saudades de ver pessoas que não me digam respeito directamente, pessoas do bom-dia, boa-tarde, como vai, bem obrigada. Tenho saudades da passividade, de ver olhos que falam e bocas que dizem. E também  tenho saudades dos gestos e expressões porque são muitas as vezes em que dizem mais que as palavras.
Nos últimos três ou quatro dias tenho sentido um grande entorpecimento de palavras pensadas ou ditas. E até as escritas, estou a notar agora, por isso hoje fico-me por aqui.


Ah, as minhas férias foram fantásticas. Para o ano há mais.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (84)

Loures, 12 de agosto de 2010
É lindo isto aqui!

13:46

Este é o décimo post de hoje. Se calhar era melhor ficar por aqui. Era!

Diário das férias cá dentro

Quando disse que não tinha mais nada que fazer senão lavar cortinas e naperons e toalhas, esqueci-me dos vidros. Não há vidro, vidrinho ou espelho que não tenha levado uma esfrega este mês.
Há sempre novidades, bem vistas as coisas.

Está frio! Ui que frio! Tenho frio! Ai que frio!

O calor abalou. Temos frio por agora. Por mim é bem vindo, assim anda-se e está-se bem melhor.
Hoje na blogosfera o tema vai mudar, toda a gente falará da brusca mudança de temperatura que todos sentimos. Amanhã falar-se-á da sexta-feira treze. Mas eu cá não sei se farei algum post disso, não é bem o meu género, eu é mais acerca do tempo que faz.
É asim... a malta tem é que falar e escrever. E tem de ser sobre alguma coisa actual, não é? Já que águas passadas não movem moinhos...

Diário das férias cá dentro

No Metro entrou uma mulher cega. Tinha sono, estava sempre a bocejar. Dei por mim a pensar que nunca me tinha lembrado que os cegos dormem, se calhar tinha a ideia de que os cegos não dormem por estarem sempre imersos em escuridão.
Aproveitei-me do facto de sabê-la cega para olhar sem receio mas comecei a ficar um bocadinho apreensiva, parecia que a mulher estava a olhar-me directamente nos olhos, que me observava como eu a ela. Foi muito esquisito.
Entretanto, depois de tanto olhar para a mulher tive a certeza que era cega. Saíu do comboio algo titubeante, indecisa, sem rumo. Presumi que não cegou há muito tempo, ou então não está habituada a andar de Metro, ou não costuma andar sozinha. Tudo suposições, claro.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro

Tenho visto filmes. Poucos, apenas três. 'O Diário da Nossa Paixão', 'Procurado' e 'O Véu Pintado'.
O 'Diário da Nossa Paixão' vi-o pela curiosidade de ver um filme baseado num livro que li recentemente. O livro é muito melhor, o filme não mostra aquele amor cândido que o livro deixa transparecer. Não é que não tenha gostado do filme, gostei um bocadinho, vá.
'Procurado' é um filme de acção muito fantasioso, há cenas em balas descrevem curvas e se esborracham uma na outra e também por lá aparece alguém que entra dentro de um carro em alta velocidade. Mas é giro, vale pelo trabalho que deve ter dado fazer as cenas e pela imaginação do realizador. Eu é que não acho assim lá muita piada a este tipo de filme.
'O Véu Pintado' é um filme muito bonito, conta a história de um homem e uma mulher que se casam pelas razões erradas e vão viver para Xangai numa altura de epidemia. Gostei muito deste filme mas tenho pensado porque raio lhe puseram este título... É que em altura nenhuma se menciona ou aparece um véu pintado... Deve ser uma metáfora mas mesmo assim não vejo relação.

Uma fotografia por dia que bem iria... (84)

Loures, 11 de agosto de 2010

Estou estupefacta! O meu molotof, além de aquecer de sobremaneira  minha cozinha, cresceu e manteve o tamanho. Viva, está lindo, nem apetece desmanchar para comer. Assim já tenho fotografia para um dia em que ainda não saí nem para despejar o lixo.

Diário das férias cá dentro

Na camoineta viajava uma mulher sardenta de leque na mão. Fechava e abria o leque sem cadência e abanava-o no entremeio. Agradável, o som do leque a fechar, é assim como dizer muitos érres: trrrrrrrrrrr!
O som do leque misturava-se com a música vinda do rádio, quando lhe prestei atenção era a Fafá de Belém a berrar o Amor Cigano:

Vida minha, vida minha
Meu coração cigano
Como posso me enganar
Fingir que não te amo
Vida minha, vida minha
Não me deixe agora Logo quando eu mais preciso de você
Diz pra mim que não deixou de me querer


Depois veio a Sandy e o Júnior, cantando a Lenda da Paixão:

Se a lenda dessa paixão
Faz sorrir ou faz chorar
O coração é quem sabe
Se a lua toca no mar
Ela pode nos tocar
Pra dizer que o amor não se acabe!


Esta última canção é um dos meus guilty pleasures porque a canção não vale um chavo e eu gosto de a ouvir. Enfim...

Fonte dos trechos das canções: vagalume.com.br

Diário das férias cá dentro (e também) Dias de um ginásio

Para tornar os meus dias ainda mais parecidos, estava o mesmo carro, no mesmo parque de estacionamento, com o mesmo rapaz lá dentro. No ginásio calhou-me o mesmo cacifo, a mesma toalha rota. Bem, se era a mesma toalha não sei mas lá que estava rota como a do dia anterior estava.
Para variar apenas, vi um homem todo nu no duche na zona da sauna e banho turco. Senhor utente, ali é a zona mista e a zona onde se pode tomar banho à vista de todos, compreendo, mas a moralidade deste país não permite que se ande nu em sítios públicos, é um atentado ao pudor. Mas valeu pela diferença entre dias que se parecem em muito.

O mesmo homem veio depois sentar-se no mesmo espaço em que eu estava apontando num papel estas coisas engraçadas que acabei de escrever. Sorriu-me. Fiquei abismada nem sei bem porquê e não consegui retribuir o sorriso. Continuei na minha escrita cheia de interesse e escrevi mais uma série de parvoíces que hão-de ser publicadas ainda hoje, assim espero.
Fui fazer os meus exercícios. De seguida entrei na sala de stretching... e lá estava ele, o mesmo homem. Além de sorrir novamente ainda me diz um olá amistoso. Não fui capaz de não sorrir... Ok, ok, os dias são diferentes. Oh, se são!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro

Posso dizer que estou cansada das férias. 
Não tenho nada que fazer a não ser limpar e arrumar armários, lavar cortinas e naperons e toalhas, almoço, jantar, bolos, lavar roupa, estender e apanhar e engomar e dobrar e arrumar a roupa, ir ao ginásio e ao pão e à fruta.
Não tenho companhia, não tenho carro, não há condições atmosféricas, é-me difícil andar por aí à torreira e tal é uma tormenta desnecessária.
Estou cansada principalmente porque me falta o assunto. Adoro escrever, não saindo daqui já se vê, não há sobre o que escrever. E depois, como estou aborrecida, mesmo este assunto que agora escrevo não tem viço, é forçado. Isto das férias cá dentro já perdeu fulgor porque os dias são, não iguais, mas muito parecidos.
E agora vou sair, ao ginásio.

Diário das férias lá fora


Em viagem, destino Lar Doce Lar, 2 de agosto de 2010


E pronto, acabou-se o diário das férias lá fora... Chegámos, muitas saudades, muito gosto em rever as nossas coisas e muito, muito cansados. Tudo em muito. As férias continuariam mas cá dentro como, aliás, se tem visto neste blogue.

Diário das férias lá fora

Albernoa, 1 de agosto de 2010

Então não tiras uma fotografia além ao moinho, perguntou o meu pai. Tirei, clique.
O meu pai é criativo nos moinhos que faz.



Uma mulher colocava um produto qualquer num pedaço de cimento à entrada de casa. Enquanto me embrenhava nos cliques, senti uma cotovelada. Era o Luís, olha aí, diz ele. Ao meu lado, bem escondido pelos arbustos, estava um homem sentado num banco a olhar para mim. Afinal eu tirava fotografias a uma mulher numa pose que no mínimo era estranha. Fingi que não vi e tal e continuei o meu caminho. Mais à frente olhei para trás, o homem aproximara-se do meu modelo fotográfico e falava-lhe. Ela olhou para mim o que me levou a imaginar que o homem lhe terá dito: 'já viste aquela magana dum cabrão a tirar-te fotografias ao cú?!'



Fomos à Herdade da Malhadinha comprar vinho. É um lugar lindíssimo! Só visto.



As fofas servem para fazer chá. Trouxe um bocadinho mas ainda não fiz o chá. Está muito calor para chás...




Estes são os palitos da casa. Lá em casa ainda se chamam 'escarafunchas' aos palitos. Estes são aproveitados dos fósforos usados. Há que reciclar, se bem que eu acho que o meu pai tem a paciência de cortar as cabeças de fósforo e de afiar a extremidade oposta numa de poupança e não numa de recilcagem.



O pôr-do-sol no Alentejo é simplesmente arrebatador...



Esta é uma estrada que o meu pai ajudou a contruir na sua juventude.



Em Beja também há espaço para o amor escrito nas paredes.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro

Ontem andei às voltas para lembrar factos interessantes (?!) que pudesse relatar neste meu diário que caduca não tarda nada. Não encontrei mais nada para além do que escrevi. E hoje já me lembrei de montes de coisas que ao longo do dia vivi e pensava e me lembrava logo a seguir: 'tenho que fazer um post disto, tenho que fazer um post daquilo, ah e tenho que fazer um post assim-assim'.
Esta vida de bloguer é por vezes muito cansativa, quero escrever tudo e na hora não me lembro de nada.
Sei que está a fazer-me falta sair e ver pessoas. De momento estou naquela fase em que não me ocorrem as palavras para escrever o que quero dizer. A musa abandonou-me ou então está de férias como eu.
Estou cansada, preciso sair daqui e ver pessoas, ouvi-las, mirá-las bem e depois despejar aqui as minhas pobres e cruas opiniões.
Mas, e ainda assim, ainda com todo o amor que tenho e dedico à escrita, ainda que saiba que é forçoso sair do ninho para ter o que escrever, se pudesse nunca mais sairia daqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro (e também) Uma fotografia por dia que bem iria... (82)

Mafra, 8 de agosto de 2010

De manhã fui a Mafra, localidade que conheço bem mas que sempre gosto de visitar. Já que ando sempre de mala tirei esta fotografia e mais não sei quantas. Nem sei quantas vezes terei já tirado fotografias a esta escada.
A pastelaria onde tomei o pequeno almoço tinha na montra umas parras enormes. Na próxima vez que la for trago uma e tiro-lhe uma fotografia! Antes de ser comida, claro. É que são mesmo grandes...

Ah, o Senhor Blogspot modificou umas coisitas no modo de publicar o texto e as imagens. A partir de agora o local e data das fotografias aparecerão logo por baixo da imagem, quanto mais não seja para mudar um bocadinho as coisas por aqui.

Diário das férias cá dentro

Gostas de amoras?
Vou dizer ao teu pai que já namoras!
É dia oito do oito e já choveu. É tradicional chover em agosto. Eu por mim andei à chuva apanhando amoras

Desculpa lá...

Os leitores desculpem a catrefa de posts que tenho publicado desde que cheguei de férias (segunda-feira passada) mas é que sou uma bloguer impaciente porque sou uma mulher muito imapciente. Para começar não costuma andar por aqui muita gente, o que me faz perder um pouco mais (ainda) a paciência. Esse facto faz-me pensar que é inútil publicar um postzinho de cada vez e tal para dar tempo às pessoas a ver se lêem e coiso... Mas há mais, há a vontade que (sempre) tenho de escrever e que também me impacienta um bom bocado e quero escrever tudo, tudo, tudo e enquanto não escrevo e publico tudo e tudo e tudo não descanso!

Desculpem lá, sim?

sábado, 7 de agosto de 2010

Diário das férias cá dentro


Agosto, calor, apaziguamento... Férias, claro está! Pois a malta vai falar e escrever de quê se é o que se vive agora? É um pouco como falar dalgum terramoto ou dum tsunami quando ocorrem. Tudo tem alguma coisa a dizer, a acrescentar ou até a criticar, pois claro. É assim também neste mês, fala-se das férias porque estamos em agosto e metade do país está parado, a torrar ao sol, a fazer churrascos, piqueniques, a beber canecos e bejecas, a comer que nem uns abades, em suma: neste mês metade do país não faz a ponta dum corno.
Eu cá falo e escrevo de férias sem medos!

Há pouco tocaram à campainha. Hum, quem será, pensei eu, será alguma visita para mim, pobre e abandonada criatura terrestre?
Não era. Era um casal que vinha de visita aos meus vizinhos de cima, tinham-se enganado no andar. O homem trazia um alguidar tapado com folha de alumínio e a mulher trazia um tacho e um saco cheio de géneros alimentícios, só podia ser. Fiquei toda tremeliques, já estou de férias há tanto tempo que nem me lembro como é estar e falar com pessoas - como se algum dia tivesse sabido...
Depois de lhes dizer que as pessoas que procuravam certamente estariam no andar de cima fiquei com pena de, numa de quebrar o gelo, não lhes ter dito para seguirem caminho mas deixarr aqui o tacho... Eles iam rir por simpatia mas deixar o tacho é que não. E eu não ia sentir tremer-me as varetas porque teria dito uma piada. Sem interesse mas seria uma piada.
De vez em quando, outras vezes amiúde, os meus vizinhos de cima recebem visitas e uma das pessoas ri-se muito alto. Logo a seguir ouvi lá em cima um riso estridente já meu conhecido. Hum, acho que a mulher do tacho é aquela a quem eu chamo a vaca que ri...


Livros



Levei três livros para ler nas férias lá fora.

  • 'A mulher que partiu' de Josephine Cox

  • 'Querido, estás a ouvir-me? ... Então repete o que acabo de dizer.' de Nicole de Buron

  • 'Não tenho culpa de ter nascido tão sexy' de Eduardo Mendicutti


Não porque os lesse todos, sabia de antemão que tal não aconteceria, mas antes porque se levasse vários sempre teria hipótese de escolha caso não gostasse de algum. Óptima ideia, o primeiro dos três que já levava daqui iniciado não me estava a agradar, continha uma prosa cheia de prevesibilidades. Vi logo, não o final, mas sim o enredo. Desisti da leitura. Abomino prevesibilidades, acho que tira todo o gosto à leitura e a todas as coisas, até porque o melhor da vida são as surpresas.
Optei pelo terceiro da lista acima. Conta a história de um transexual que no auge da glória se decide pela vida santa um vez que a velhice e tudo a que ela corresponde está-lhe bem próxima, já passou um bocado dos quarenta. Cai em si e decide tornar-se santa, empreendendo uma grande viagem com estadia em igrejas, templos e mosteiros, acompanhada de um homenzarrão com o mesmo desejo.
É um livro muito engraçado e interesante, a personagem possui características próprias de um ser transexual: profano, extravagante, espampanante. Para além disto, o cenário do livro é na região onde estava de férias. Esse facto acabou por pesar na continuação da leitura.
Ainda o estou a ler, não leio rapidamente.


Nota: o segundo livro da lista fica para depois.

Fotografia: Marbella - Parque Comercial La Cañada, 27 de julho de 2010