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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Falar / Escrever

Não falamos do mesmo modo que escrevemos. Na fala há uma rapidez, um fluir que não há na escrita. Na escrita podemos reparar danos, melhorar, intensificar. Na fala, não. Se bem que o que escrevemos perdura no tempo, tem uma longevidade imensa, o que dizemos esfuma-se rapidamente.
Admiro o livro que ando a ler por o relato dos convidados ter sido transcrito para o papel na sua forma 'falada', tal como lhes saiu vocalmente, pelo que me é dado a ver é nisso que creio.

Descobri mais um trecho do livro que me agradou.

«Dedica-se a fazer (a realizar, a produzir, a promover) aquele que considero ser o mais nobre género cinematográfico, que é aquele que documenta a vida verdadeira das pessoas reais – simultaneamente feia que não se pode e linda de morrer. Que importa a ficção, será a realidade será sempre mais além, infinitamente mais rica de tudo: complexidade, estapafurdice, mistério, poesia, horror?»

In 'Infância, de quando eles eram pequeninos', Sarah Adamopoulos, em referência ao documentarista Serge Tréfaut

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Crónicas

Tenho estado entretida a ler um livro de crónicas: 'Infância, quando eles eram pequeninos' de Sarah Adamopoulos.
É um livro que mostra a infância de várias figuras públicas com as suas vivências e costumes, com um olhar sobre o estado do nosso país noutros tempos.
Mesmo a infância dessas figuras sendo muito diferente da minha, revi-me em algumas frases constantes neste livro. Vou deixar escrito as passagens mais marcantes para mim.

«Eu era uma criança muito sensível. E essa criança ficou dentro de mim, habita-me. Os meus familiares acusam-me por vezes de parecer um 'puto', mas eu considero isso um elogio. Nesses dias sinto uma alegria quase tonta, e sim, mantenho essa curiosidade quase infantil, até porque um artista não pode viver sem essa inquietação.»

Excerto de um dos entrevistados, Carlos do Carmo, fadista.

«Gosta de pensar nos escritores como podendo pertencer a dois grupos distintos: o dos romancistas que prosam ficcionando, engenhosamente inventando personagens e circunstâncias elaboradas pela imaginação, e o dos que prosam relatando, dedicando-se à escrita biográfica, ancorada em vivências pessoais. Pertence ao segundo grupo, este narrador da vida.»

Excerto da autora do livro, retirado da descrição que faz de cada personalidade, neste caso o jornalista e escritor José Couto Nogueira.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Leitura terminada

«‘Escrevendo? É um diário?’
Uma das enfermeiras ao meu lado tentou ver o que eu escrevia no caderno. Minha letra é tão indecifrável, talvez porque eu deteste escrever à mão, que nem me incomodei com a sua curiosidade.
‘Não. É um livro de sonhos.’
‘De sonhos? Que interessante. O senhor sonha muito?’
‘A noite inteira.’»

Terminei mais uma leitura: ‘Diário de um fescenino’, Rubem Fonseca. Este livro foi lido num instante!
Gostei. Gostei muito, muito, muito deste livro.

• Da forma hábil como o autor escreveu a intimidade masculina, tornando um diário num livro agradável, uma vez que os diários correm o sério risco de se tornarem aborrecidos.

• Do drama que o escritor descreve, levando o leitor a perceber que a escrita é indissociável da vida real, ainda que se contem histórias ficcionadas. Os escritores baseiam-se no que observam da vida real, retiram apontamentos de situações e as características dos seus personagens são muito próximas às pessoas que efetivamente conhecem.

Estas questões fizeram-me refletir bastante. Eu já sabia que escrever não é de todo agradável e neste livro percebi que se pode mesmo ser acusado das próprias criações literárias, ainda que se escreva ficção.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Virtude

«... Minha atenção foi despertada por uma mulher atravessando a rua apressadamente, com aquele jeito de alguém se escondendo. Era Virna, ela deve ter-me visto e passou para o outro lado, para não se encontrar comigo. A visão de Virna me deu vontade de foder. Sei que parece uma loucura, uma coisa incoerente, a mulher que está desgraçando a minha vida me despertar esse sentimento de amor e não de ódio, mas o ser humano normal não é coerente, muito menos um escritor, a coerência não é uma virtude literária. A única virtude do escritor é a coragem de falar as coisas que não pode falar.»

'Diário de Fescenino', Rubem Fonseca

Página 160

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sutiã

Uma mulher de sutiã vermelho às bolas brancas passou no átrio. Por cima usa uma blusinha clara e transparente, por isso sei a cor da roupa íntima.
As mulheres são umas exageradas, não é preciso tanta exposição, os homens olham para todas com um interesse desmesurado quer sejam feias, giras, bonitas ou lindas. Todas. Pode inclusive tapar-se tudo... Que eles olham na mesma.

«Para que uma mulher se sinta bem, são mais importantes os olhares dos homens do que as calorias e os medicamentos.»

Françoise Sagan in 'A Oficina dos Escritores' de Francis Amalfi

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Os tracinhos dos diálogos

No livro que ando a ler (Diário de um Fescenino, Rubem Fonseca) consta que o escritor medíocre se apoia nos diálogos para disfarçar a falta de criatividade na escrita.
Fiquei a pensar que sou mesmo boa a escrever, custa-me horrores reproduzir diálogos, a bem da verdade nem gosto de os escrever.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nova leitura

Agora leio o livro 'Diário de um Fescenino' de Rubem Fonseca. Quando comprei este livro fiz post (ver aqui).
Ora bem, devo dizer que o livro é invulgarmente interessante. Olhando apenas para o título intui-se que é um livro cheio de intimidades masculinas. E é, só aí estão resmas de interesse, sou mulher. Mas acho que é sobretudo um livro sexual, nada sensual, o que me surpreende deveras. Estou praticamente convencida que a sensualidade pertence (quase) exclusivamente às mulheres.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Terminus

Lisboa, 10 de maio de 2012

Já terminei a leitura d' O Apicultor', de Maxence Fermine. É uma obra belíssima! Adorei toda a história, desde o drama à quimera, está tudo lá. Que nunca se deixe de sonhar... Foi principalmente isso o que aprendi com este livro.


«- Vais retomar a exploração?
Aurélien ficou um momento em silêncio antes de responder.
– Sim. Mas à minha maneira. Quero voltar a ser apicultor.
– Depois de tudo o que se passou? Mas é uma loucura!
– Na primeira vez eunão sabia o caminho a seguir. Agora sei. Venho de África e chamo-me Aurélien Rochefer. Então deixa-me fazer e, depois, compreenderás. O importante é que voltei para cumprir coisas grandes.
Aurélien, com o olhar perdido no vazio, virou-se para o velho e acrescentou:
– Sabes o que vou fazer aqui?
– Não.
– Qualquer coisa de belo.»

Páginas 128/129

terça-feira, 8 de maio de 2012

A película

Vi o filme 'Meia-noite em Paris' e devo dizer que me impressionou positivamente. Passa-se no imaginário do personagem principal, um escritor, nas suas rebuscas ao passado, absolutamente deslumbrado com uma época em especial, os anos '20. Através do seu imaginário conhece escritores e pintores hoje célebres. Um desses escritores famosos, Ernest Hemingway, em certa altura aconselha o dito personagem / escritor a ser mais louco ainda, escrevendo sem medo, sem reservas, completamente desprovido de amarras, pois só assim se escreve... Só assim se escreve bem.

«Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.»

Ernest Hemingway

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Nova leitura

Ora bem, acabado um livro é certo que outro virá. Desta feita virei-me para um que já havia começado a ler: 'O Apicultor', Maxence Fermine.

«Aurélien refletiu e disse:
– Acreditas que se possa viver sete vidas?
O iemenita olhou-o com um ar estranho. Este jovem europeu falava como um velho sábio.
– Não sei. Talvez certas almas tenham necessidade de se construir com o tempo.
– Sete. É um bom número. A sétima vida vale ouro.
– Sim – disse o iemenita. - É também a última para finalmente a enriquecer.
Houve um grande silêncio, apenas perturbado pela música do vento.
– Então – disse Aurélien levantando-se -, é preciso continuar a caminhar mais e mais.
– Não estás cansado?
O apicultor passou a língua nos lábios secos pela sede.
– Não. Eu não estou cansado de viver.

Nessa noite, ao caminhar no deserto, Aurélien teve a intuição de uma coisa que chega na hora da morte: a vida prende-se unicamente à solidez de um fio. Um fio de ouro urdido por dias em que se compreende que a necessidade de sobreviver será sempre mais bela do que o prazer de morrer.
E desejou, com todas as suas forças, continuar agarrado a esse fio.»

Páginas 74, 75

Fim de leitura

Terminei de ler o livro 'Cinderela de saia justa' de Chris Linnares.
Não gostei. Gostei.
Farei figurar primeiro a parte negativa por modo a perdurar a parte positiva na memória do leitor.

Não gostei duma cena dramática e pouco explorada, pareceu-me novelesca demais, irreal. Percebo que a ideia da autora seria eventualmente o leitor não se debruçar muito sobre a tragédia, mas ficou esquisito.
Não gostei da ideia de que para sermos felizes nos temos de concentrar somente no presente, não podemos (devemos) lembrar o passado, sob o estigma do aprisionamento, não podemos (devemos) questionar o futuro. Preocupemo-nos com o presente, apenas, assim viveremos felizes e despreocupados.
Posso dizer que compreendo este ponto de vista, vá, mas chateia-me, eu que gosto tanto de recordar e questionar...

Gostei do facto de ser um livro de autoajuda que contém uma história ao redor dos ensinamentos de bem viver. Gostei da analogia com a história da Cinderela, acho que foi bem conseguida, é realmente uma forma de encararmos a vida real, mesmo que nos baseemos em fantasias.


A forra do livro...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

No lugar da musa

Hoje é o Dia Mundial do Livro, como já se percebeu no post anterior. No lugar da musa vai haver uma sessão de esclarecimento acerca de como publicar um livro, com base num site: 'Sítio do Livro'. É das 17 às 19 horas que alguém esclarecerá os presumíveis autores. Mas qual é a alminha trabalhadeira que pode estar liberada das lides a essa hora?! Ora!
Queria ir à sessão.
Quero publicar um livro.
Espero que a diferença entre as duas frases esteja minimamente perceptível.

Dia Mundial do Livro

Neste dia especial quero anunciar o livro que estou a ler: 'Cinderela de Saia Justa', Chris Linnares. Não escolhi comprar este livro, foi-me aconselhado, por assim dizer.
No verão passado, saindo da estação de metro do Cais do Sodré (Lisboa), visitei um espaço com bancas de livros. Rondei, rondei, peguei no livro em questão e a senhora que estava na caixa, lá ao fundo, disse para eu o levar, que era muito bom. E agora é que o estou a ler. Devo dizer que saltei estrondosamente em estilo, se comparar ao livro que li anteriormente (Se numa noite de inverno um viajante, Italo Calvino). Este é um livro de autoajuda, estilo de que não gosto, mas não sabia que o livro era assim, até nem fui eu que o escolhi, como já referi, simplesmente segui um conselho. No entanto, quero registar que o livro conta uma história e que a autoajuda lá inserida nem se nota. Estou a gostar. Um livro é sempre um livro, haja o que houver.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Terminus

Terminei de ler o livro 'Se numa noite de inverno um viajante' de Italo Calvino. A meio da leitura deixei um post onde referia um certo aborrecimento com a leitura. Entretanto esse aborrecimento desvaneceu-se, felizmente. Comecei a ficar empolgada com a(s) história(s), entusiasmada com o enredo que se formou, desejosa de conhecer o final. Terminei de ler o livro. Adorei lê-lo.

«(Começar. Foste tu que o disseste, Leitora. Mas, como fixar o momento exato em que começa uma história? Tudo começou sempre antes, a primeira linha da primeira página de todos os romances remete para algo que já aconteceu fora do livro. Ou a verdadeira história é a que começa dez ou cem páginas mais à frente e tudo aquiloq ue vem antes é apenas o prólogo. As vidas dos indivíduos da espécie humana formam um entrecho contínuo, no qual cada tentativa de isolar um pedaço vivido que tenha um sentido separado do resto – por exemplo, o encontro de duas pessoas que se tornará decisivo para ambas – deve ter em conta que cada um dos dois leva consigo um tecido de factos, ambientes, outras pessoas, e que do encontro derivarão por seu turno outras histórias que se irão separar da sua história comum).

Página 143

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O mal

Não há mal nenhum em inventar histórias, se as passar para o papel tornar-se-ão verdadeiras. Digo eu.


«A ficção é a verdade dentro da mentira.» Stephen King, in 'A Oficina dos Escritores', de Francis Amalif

sexta-feira, 30 de março de 2012

Casaquinho obediente

Não é tão gracioso um casaquinho de malha leve repousar muito quieto em cima do peito do manequim daquela loja ali? Uma fileira de botões verdes em cima da mama esquerda, outra fileira de casas verdes em cima da mama direita... Topezinho por baixo exibindo pregas amarelas perpendiculares às fileiras verdes... Pormenores coloridos mas imóveis, meros objetos sem vontade, não há brisa que desfaça a pose, é só um manequim dentro duma montra. Ai se fosse na rua, como esvoaçariam todos estes pedacinhos de roupa...

É melhor parar por aqui, há cavalheiros que deitam o olho ao blogue, ainda me vão julgar sensual, e disso não sei nada. Dum modo geral os homens temem as mulheres destemidas, em particular as que escrevem despudoradamente. (Tenho a mania que sou uma dessas.)


«Estás a ler ou a fantasiar? As confabulações de um grafómano exercem assim tantas sugestões sobre ti?»

'Se numa noite de inverno um viajante', Italo Calvino
páginas 119, 120

Histórias

«Estou a contar demasiadas histórias à volta desta porque aquilo que quero é que em volta da narrativa se sinta uma saturação de outras histórias que poderei contar e que talvez contarei ou que talvez tenha já contado noutra ocasião, um espaço cheio de histórias que quem sabe não são outra coisa senão o tempo da minha vida, onde me possa mover em todas as direções como no espaço encontrando sempre histórias que para contar seria preciso primeiro contar outras, de tal modo que partindo de um qualquer momento ou lugar se encontra a mesma densidade de material para contar. Melhor, olhando perspetivadamente tudo aquilo que deixo fora da narrativa principal, vejo como que uma floresta que se estende por todos os lados e não deixa passar a luz tão densa que é, enfim, um material muito mais rico do que aquele que escolhi para colocar em primeiro plano desta vez, de forma que não está excluído que quem segue a minha narrativa se sinta pouco defraudado vendo que a corrente se perde em tantos regatos e que dos fatos essenciais lhe chegam só os últimos ecos e reflexos, mas também não está excluído que precisamente este seja o efeito que me propunha atingir pondo-me a contar, ou digamos um expediente da arte de contar que estou a procurar adotar, uma norma de descrição que consiste em manter-me um pouco abaixo das possibilidades de contar de que disponho.
O que depois se verá é o sinal de uma verdadeira riqueza sólida e profusa, no sentido em que eu, se por hipótese tivesse só uma história para contar, andaria descoordenadamente à volta dessa história e acabaria por queimá-la com a mania de lhe dar o devido valor, enquanto que tendo de parte um depósito praticamente ilimitado de substância narrável estou em posição de manejá-la com distanciação e concedendo-me o luxo de me alongar em episódios secundários e em pormenores insignificantes.»

'Se numa noite de inverno um viajante', Italo Calvino

Página 105

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia da Poesia

Ouvi no rádio que é dia da poesia. Não sou poeta mas às vezes tenho umas horas poéticas - se é que se pode chamar assim, credo, até me sinto a profanar os antros do poema...
Passaram vários anos sobre a primeira vez que me deu um baque do género, ainda não existiam diários e muito menos blogues na minha vida. Atravessava um momento difícil e por obra dum impulso que não sei explicar pus em pequenos versos o que sentia. Foi libertador.
Passo a publicar um poema de Florbela Espanca, 'Vaidade', que hoje ouvi declamar no rádio.



Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...

E não sou nada!...


Florbela Espanca


Fonte: Projeto Releituras


Leitura(s)

Não tenho coragem de dizer que não gosto ou gostei deste ou daquele livro. Reverencio tanto (tanto, tanto, tanto) a arte de escrever...
Mas a verdade é que não estou a gostar do livro 'Se numa noite de inverno um viajante' de Italo Calvino. Ler está a ser um sacrifício. O motivo é simples: é demasiado complexo, ora estamos numa história ora noutra, o autor pulula ao sabor da sua criatividade, compreendo, isso pode ter uma componente de génio, não duvido, mas desorienta-me. Não desisto da leitura porque sou teimosa, mas também porque sou curiosa e quero saber onde vai desembocar a história.
Não obstante, agradam-me alguns trechos, como o seguinte:

«O professor está ali à sua secretária; no cone da luz de um candeeiro de mesa sobressaem as suas mãos suspensas ou pousadas ao de leve no volume fechado, como que numa carícia triste.
– Ler, - diz ele,- é sempre isto: está uma coisa à nossa frente, uma coisa feita de escrita, um objeto sólido, material, que não se pode mudar, e através dessa coisa que faz parte do mundo imaterial, invisível, porque apenas é pensável, imaginável, ou porque existiu e já não existe, passado, perdido, inalcançável no mundo dos mortos...
– … Ou que não está presente porque não existe ainda qualquer coisa de desejado, de temido, de possível ou impossível,- diz Ludmilla,- ler é ir contra qualquer coisa que vai ser e que ainda ninguém sabe o que será... (…) O livro que agora desejarias ler é um romance em que se sinta a história que aparece, como um trovão ainda confuso, a história histórica juntamente com o destino das pessoas, um romance que dê a sensação de se estar a viver um turbilhão, que ainda não tem nome, não tomou forma...»

'Se numa noite de inverno um viajante', Italo Calvino

Páginas 74, 75