Mãe, para que é que levas a máquina? É para tirar fotografias às flores?






Mãe, cheia de orgulho:
Que tal, rico filho?

Ainda conversei um bocadinho com o senhor acerca do mau que está o negócio e que esta vida é um stress. Despedi-me e agradeci e pus-me a caminho da baixa. Andei por ali a ver coisas e a distrair-me, espantando os medos sem precedentes que agora tanto me acompanham. Comprei um tecido, não resisti...
Na Avenida da Liberdade vi vir de lá um cego com a bengala tiquetaqueando aqui e ali. Vinha na direção do engraxador. O mesmo não faz mais nada: agarra no banco onde os clientes pôem o pé e o sapato a engraxar e larga com ele, desviando-o do cego, ao invés de o orientar de modo a não esbarrar nos seus pertences. Achei aquilo tão bizarro... Ainda eu acho que estou maluca!
Depois subi, subi, de metro. Praça de Londres, entrei num departamento público, precisava saber umas coisas e tirar umas certas dúvidas, não das existenciais, antes de outra índole.
E depois de tudo esclarecido toca de deambular no pedaço, articulando sílabas sem nexo, e vendo e apreciando mais coisas giras, experimentar até, assim sempre esquecia as sílabas deconexas, mas nada de compras que isto está mau.
Às 15:50 almocei um galão escuro e um croissant cheio de sementes, macrobiótico ou que raio é aquilo, com manteiga. Sentadinha numa mesa de um restaurante que existe nas Galerias Via Venetto, observando as velhinhas sempre tão exageradamente maquilhadas e tendo como som de fundo a bem audível, desagradável e estridente voz da Júlia Pinheiro na TV.
Entretanto, desmoendo tanta comida encontrei isto na Tavessa das Freiras a Arroios que é qualquer coisa de peculiar:
