quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma série de lâmpadas

O ano passado contei aqui a história do Filipe, o jovem adulto com ares de criança.
Este ano fui novamente abordada:
'Olhe, eu queria saber se ainda tem daquelas lâmpadas de Natal que eu comprei há muito tempo...'
'Tenho. Tenho, pois. Ou devo ter...'
Fui buscar a caixa e vasculhei-a. Havia as tais lâmpadas, sim senhores.
Fazendo jus à questão do rapaz - que este é um artigo em desuso – fui-lhe dizendo:
'Estás a ver esta letra bonita? Ainda é do tempo em que eu fazia a letra redonda...'
Ele, armado em cavalheiro sem paleio, diz que não acredita. Este cavalheiro desacredita que com o rodar dos tempos eu tenha deixado de parte a caligrafia bem apresentada.
Reforcei a ideia:
'Olha que sim, a pressa é o principal motivo...'
'Ah, não acredito.'
Torna a dizer o jovem e simplório cavalheiro. É mesmo jovem, este. Não me concebe fazendo letras desproporcionais, nem nada que seja sequer minimamente negativo... Ai, ai.

Não sei o que mais querem...

Eu sou bem-disposta. Eu trabalho. Eu simplifico os problemas. Eu enxoto a tristeza para as profundezas. Eu afasto as arrelias. Eu rio. Eu falo. Eu não me queixo. Eu ando. Eu converso. Eu tolero. Eu mexo-me. Eu convivo. Eu comprazo-me com o constante pulsar da vida.

O blogue antigo

Devido a dois motivos (que porventura não interessarão ao leitor) tenho andado a rever os meus escritos.

(Eh pá. Bolas. Ca ganda seca. Haja paciência. A mulher é uma chata. Chiça.)

Mas nos entretantos descobri que em Agosto de 2009 já eu sabia que não me acho diferente de ninguém. Estava desconfiada que tinha descoberto isso há poucos meses e afinal...

Recadinho



O primeiro recado que fiz à minha mãe foi para comprar dois peros encarnados e duas carcaças. Tinha seis anos.
– Agora a minha filha vai ao senhor Horácio e diz: quero dois peros encarnados e duas carcaças. Olha, escuta lá... Cuidado com os carros! A minha filha vai sempre rentinho ao passeio, sempre rentinho ao passeio.
E eu fui, toda importante, já sabia fazer recados. Sempre rentinho ao passeio, sempre rentinho ao passeio. O trajeto não carecia de travessias de estrada, calhando foi por isso que a minha mãe me mandou fazer um recado tão jovem ainda.
Chegada à mercearia entrei pela primeira porta (naquele tempo a mercearia tinha duas entradas), a porta que tinha o expositor com os peros encarnados e outras frutas, se bem me lembro. Fiz o meu pedido e fui cordialmente atendida, que o senhor Horácio, a bem da verdade, sempre foi um merceeiro educado.
Da transação monetária é que não tenho qualquer memória, mas o mais certo é ter ficado assente na conta corrente...

A imagem não corresponde ao texto em termos de cores mas é o que se arranja...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A pergunta

Um senhor que nem sempre é a luz dos meus olhos ou as cores da minha vida hoje perguntou-me:
«Então, Gina, que contas?»
Respondi-lhe que conto das árvores ali assim, sempre vão mudando de figura, daqui a um mês ou isso hão-de estar completamente despidas, sei disto porque tenho fotografias de todas as fases destas árvores. Acrescentei ainda que viver é uma coisa fixe.

Saída

Loures, 12 de Dezembro de 2011

Andei por aí. Fui até ao Loureshoping, mais concretamente. Sozinha, como da outra vez, mas desta feita de carro. Demorei muito menos tempo, claro.
O centro comercial estava cheio. Eram três da tarde e o centro comercial cheio de gente. Comprando, convivendo, passeando. É Natal...
A foto é da parte de fora do centro, que eu cá gosto muito do cafezinho dali assim mas ainda gosto mais de apanhar o ar puro que aqui - ainda - se respira.

Unhas

Se tenho as unhas com boa apresentação é porque não faço a ponta dum corno.
Se tenho o verniz velho é porque sou desleixada e tenho a mania que sou rebelde.
Se tiro o verniz fico com os restos agarrados à pele.
Se pinto para disfarçar tem de ser com a mesma cor.
Se pinto com uma cor diferente fica tão feio.
Se deixo andar assim é porque... 

...

Não sei, esgotou-se-me o assunto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

É Natal!

Loures, 11 de Dezembro de 2011

Agora é que já é Natal cá em casa. E na cabeça dos ricos filhos também, não tiram os barretes de Pai Natal da cabeça...

Passeio p' la urbe rural






Loures, 11 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

III ATOS

I ATO

Onda vaivem

Não é nada a minha onda andar a inventar para escrever. Tenho tentado, ao sério que sim, aí para baixo há uns quantos episódios inventados. Mas não é a minha onda, não é o que me motiva, não me desperta, antes pelo contrário, abafa-me a escrita. Básica e primariamente sou pela observação pura da vida e pelo escrever impulsionado por essa observação.
Não sei bem, mas talvez venere este impulso, sinto-lhe uma espécie de arrebatamento, uma intensidade qualquer que não sei classificar.

II ATO

Murro; pontapé; arranhão

Matias é bandido e dorme na rua. Hoje apresentou-se ao serviço de cara arranhada. Andou à pancada, certamente.
Ou então, caíu.
...
Não caíu nada, andou à pancada. Sei-o pelo modo como me olhou de soslaio, com medo das minhas questões, ele que é sempre tão aberto à conversa.
Não questionei. Fico, portanto, com as minhas certezas. Daí não vacilarei.
Agora me lembro: não questionar traz mais certezas...


III ATO

Cargo de chefia

Tomélia tem um chefe ignóbil. Desconfiado e velho, também. Mal sabe o bicho que ela anda a escrever um livro... E que escreve às escondidas lá no computador...
Segunda a Sexta, das nove às cinco – é o horário. Ela lá se amanha para escrever, aproveitando os bocadinhos todos. O chefe aproxima-se, Tomélia fecha o documento. O chefe trabalha, Tomélia abre o documento. O chefe levanta-se, Tomélia acaba rapidamente a frase e grava. O chefe olha para a papelada, Tomélia retorna à escrita. Vai escrevendo e desenvolvendo a trama da sua história. Aos pouquinhos, aos pulinhos, pequenos soluços do seu viver. É no seu viver que se baseia para escrever, ninguém é capaz de escrever daquilo que desconhece.

A imagem

Uma menina estranhou a imagem presente no quadro e disse para a mãe:
– Oh, olha ali tão mal feito, mãe!
A mãe explicou à menina que não era mal feito, era uma arte, há uns senhores que fazem umas coisas que parecem esquisitas mas é mesmo assim.
E eu ali, por baixo do quadro. Queria ver qual a estranheza que havia despoletado a reação na menina. E eu ali, por baixo do quadro, como que prisioneira duma circunstância. Podia olhar para trás mas isso ia dar-me cabo do pescoço, por causa da camada de roupa que trazia vestida.
Passado um tempo vejo aproximar-se uma senhora toda pimpona. Sapatinho alto, casacão cheio de pêlos fofinhos e quentes, beiças escarlate. Uma presença fria, nada atrativa. Olhou com grande interesse para o dito quadro. Séria, no entanto. Seriíssima. Ar de entendida. Ar de desdém.
Afinal parece que o quadro não presta, pensei eu.
E eu ali, por baixo do quadro.
Quando me levantar daqui tenho de não me esquecer de mirar o quadro, pensei eu.
Seria mais um par de olhos. Mais um olhar crítico e prescrutador.
O tempo passou. Por acaso ia-me esquecendo de olhar para trás. É 'alguém' que tem um par de pernas e pés que não tocam no chão, a cabeça no lugar das ancas e depois mais nada de corpo. Na cabeça tem um chapéu-de-chuva em duas perspetivas, o rosto encontra-se de perfil, o nariz está desfasado mas o olho, porém, olha-nos de frente.
É uma imagem muito estranha, a menina tem toda a razão. O melhor do mundo deve mesmo ser as crianças...

A folha

Eu estava à porta aproveitando o sol. Tinha a cabeça baixa e podia dizer que era por causa do sol nos olhos mas não era, tinha a cabeça baixa porque não me apetecia ver ninguém. Chega-se uma senhora e dá-me uma folha com uns dizeres espirituais, dogmas e sábias doutrinas. Diz que era para eu ler enquanto estivesse ali sem fazer nada...
Guardei o papelinho na minha mala até ao dia de escrever este texto. Religiosamente, portanto.

O bolo

Assim que entrei o homem do café anunciou-me que hoje já havia aprendido alguma coisa. Era acerca do bolo mil-folhas, a dita aprendizagem. Uma senhora (querida, querida, querida!) tinha-o ensinado a comer esse bolo sem que o creme se cole nos dentes: basta comê-lo ao contrário, ou seja, com o creme para baixo.
Diz que assim, os comedores desse mítico bolo, não mais terão a árdua e embaraçosa tarefa de descolar o creme pegajoso dos dentes. Se tal acontecer é só usar a língua no sentido ascendente, ninguém notará.

Ainda não experimentei, não sou comedora do mítico bolo.

O empregado

Está aqui um antigo empregado. Foi marçano nesta drogaria há quarenta anos, cargo desusual nos nossos dias. Haver antigos empregados de visita ao espaço não é cena nova para mim, só por dizer que eu nunca tinha feito aparecer nenhum no blogue.
Este é um cromo do caraças... Mas que grande encomenda! Anda só a perguntar se aqui ainda se trabalha da maneira antiga, a que ele se lembra.
Diz que era um ganda sacrasta.
Serviu petróleo ali, na torneira da esquerda, antigamente era assim, avulso.
Quer lâmpadas... Mas não é nada do que há.
Quer limpar o casaco de lã... de chachemé.
Diz que eu 'tou só a olhar para ele...
Esta última afirmação quase me fez desistir da feitura deste post. A sorte dele, a do cromo, é que eu estou a escrever em direto, que é para mim - quiçá? - a maneira mais fixe de escrever.

Como consigo escrever assim?
Isso agora...

Girar

Lisboa, 9 de Dezembro de 2011

Para mim foi fácil ver a natureza trabalhando no seu melhor, as plantas querem luz, sol, calor, vida. Eu vi a cena em direto e ao natural.
Tirei uma foto e esperei que se fizesse justiça ao meu olhar. Verifiquei que afinal a imagem não tem nada de especial.
Entretando modifiquei umas coisitas com a fraca tecnologia que me assiste.
Eu queria captar uma imagem em que saltasse à vista como as plantas se mexem e vivem, como buscam a liberdade ou o prazer.
Lá se consegui ou não... os leitores que digam.

Nomes

Abri o livro – 'Livro das Perguntas', Pablo Neruda – na página adolescente – 15 – e encontrei o seguinte:

IX

(…)
Onde estão aqueles nomes
de outrora, doces como tortas?

O que é feito das Donaldas,
das Clorindas, das Edviges?

Não resisti ao impulso, comprei o dito livro.

(Não desmarque... Por favor.
Não é preciso saco – obrigada! - deixe estar.
Pode dizer-me as horas com facilidade? É que o meu telemóvel está aqui para dentro da mala...)

Considero o livro invulgar, mostra-me outro modo de ver o mundo: perguntando.
Ler os versos que transcrevi (ver acima, por favor) lembrou-me a saga que por vezes enfrento quando tenho de achar nomes diferentes para as minhas histórias. Em tempos baseei-me num site cheio de nomes portugueses que havia descoberto por aí. Entretanto perdi-o... A ver se o encontro de novo.

Tatu

Ele disse-me o que escrever:

«Escreve assim a dizer: Olha-me este a querer que eu faça um post acerca da tatuagem dele… Bah, olha p'ra este, armado em importante! Diz que eu... Ai, como é... Diz que eu 'tou com uma crise de meia-idade!


Mas se não quiseres escrever não escrevas nada, está bem?



E se quiseres escrever diferente do que eu disse também podes...»


Hum, vou pensar. Depois digo-te como fiz. Ou se não fiz.


«Aquilo não dói muito, é como se estivessem a cortar a pele!»

Hum, ok, senhor Luís... Tanto que a ferida punge, esta manhã tinhas o desenho estampado no avesso do pijama...

Mais tarde mostrou à mãe e ao pai, todo orgulhoso.
À mãe saíu-lhe:

- Foste fazer isso?! Ah, malvado!

E ao pai:

- Vai lavar isso com sabão azul e branco, pá!

Boca

Lisboa, 9 de Dezembro de 2011

Colocar um gole de água na boca quando a tenho parcialmente seca.
Ah, que prazer!

(Mesmo com este frio?!)

Sim, mesmo com este frio.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Uma alameda em dia feriado...

Uma alameda linda. Linda, três vezes linda.

Lisboa - Alameda Dom Afonso Henriques, 8 de Dezembro de 2011

Cantoria de Natal


Há um mês ou dois (ou três, sei lá eu!) que não há elevador cá no prédio. Moro num terceiro andar, sou uma mulher cheia de saúde e vigor, logo, não é de transtorno que venho falar agora.
É que deu-me para cantar enquanto subia as escadas. Cantei a plenos pulmões uma canção de Natal.
É Natal. Sobretudo, é Natal.
A minha cantoria ouviu-se até lá em cima, tenho a certeza, as escadas têm uma acústica do caraças. Fico com vozeirão e tudo.
É Natal.
Ainda receei que viesse algum vizinho ver o que se passava com tanto grito mas ninguém me ligou. A não ser a rica filha, assim que entrei em casa vi-lhe a expressão de choque «Que é isto, a minha mãe endoideceu?!»
Sempre provoco reações, afinal.
Afinal é Natal.

Nota:
A imagem é do ano passado mas as luzinhas são do ano corrente. Há que inovar, nada de apresentar pratos requentados aos meua leitores. 
Eu queria ter posto aqui uma imagem da linda árvore de Natal que hei-de fazer. Pois é, é isso mesmo, ainda hei-de fazer a árvore de Natal deste ano.