quinta-feira, 10 de março de 2011

Paixão

A julgar pela quantidade de taquicardias que sinto, só posso estar apaixonada. E muito.

A caixinha

Era uma vez um senhor com 86 anos a quem morreu a mulher há uns 6, para aí. Esse senhor é órfão, situação mais que óbvia, e ao longo da sua vida morreram-lhe os sogros e uma data de familiares.
Esse senhor, um dia em que se falou numa determinda funerária, disse com muita propriedade que já é cliente deles há muitos anos... E eu digo, mas somente na blogosfera:

'A tua vez há-de chegar, espera e (não) verás!'

Post à portuguesa

Em Portugal é natural haver portugueses, tudo o que salte para fora desta afirmação é inatural.

Catarse

Li algures a palavra 'catarse'. Não sabendo grande coisa do que signifcia, pesquisei.

É meu costume dizer que escrevo para purgar o sofrimento, como se estivesse infectada com um grande mal e precisasse de um dreno para expelir todo o pus. O dreno é a escrita. Entretanto percebi que escrevo por catarse. Catarse é a palavra elaborada, embelezada para dizer aquilo que disse no parágrafo acima...
Por outro lado, e para terminar este post de uma forma divertida, verifique-se que catarse também se diz das descagas intestinais, o que dá total razão de existir ao vocábulo 'verborreia'.


Catarse (z)
(grego kátharsis, -eós, purificação)
substantivo feminino

1. Filos. Palavra pela qual Aristóteles designa a “purificação” sentida pelos espectadores!espetadores durante e após uma representação dramática.

2. Método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas.

3. Libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão.

4. Evacuação dos intestinos.


Verborreia (verbo + -reia)
substantivo feminino

1. Deprec. Fluxo palavroso. = loquacidade, verbosidade

2. Deprec. Eloquência abundante e estéril. = verbosidade

3. Psiquiatr. Necessidade excessiva de falar, comum em certos doentes mentais.


Fonte: priberam.pt

quarta-feira, 9 de março de 2011

Elas

A louca come os neurónios à sã, alimenta-se dela. A sã definha, a louca ganha força. A sã já não é o que era mas está a fazer mais do que na verdade consegue. Empurra a louca, dá-lhe pontapés e bofetadas, grita 'sai daqui!'. A louca sai por uns dias, vai-se recompor da pancada. Depois volta, revigorada, mais forte que nunca. A sã surpreende-se, julgava-a extinta...
A louca come os neurónios à sã, alimenta-se dela. A sã definha, a louca ganha força. A sã já não é o que era mas está a fazer mais do que na verdade consegue...

Lisboa, 9 de Março de 2010

Passou um ano sobre o dia da segunda bronca. Não sei se estou melhor mas estou certamente diferente. Sinto-me cansada de um modo que nunca julguei ser possível, quero desistir, eliminar coisas da minha vida, cortar amarras. Não sendo possível desistir, então quero morrer. O mundo não me importa, as pessoas não me importam, nada me importa porque estou enfiada num buraco escuro de onde não posso escapulir. Nada me importa, nada. Nem o sorriso alegre da rica filha ou o olhar maravilhoso do rico filho me arranca desta apatia. É essa a minha maior dor.

terça-feira, 8 de março de 2011

Vamos brindar!

Não aprecio por aí além a cantora Pink. Acho a sua postura exaustiva, excessiva, estilo mais do mesmo, a menina má que até quer ser boa mas foi traída e que por isso resolveu dar porrada no namorado até o matar.
Evito colocar aqui letras de canções estrangeiras, não é que não entenda o que dizem, é antes porque entendo quase tudo do que dizem, este quase faz-me diferença. E é, também, porque prezo a língua materna, a poesia portuguesa pesa mais na minha sensibilidade.
Mas gosto desta canção da Pink, pelo poema e pela alegria que a música em si me transmite.


Raise Your Glass, Pink

Right right, turn off the lights,
We're gonna lose our minds tonight,
What's the deal yo?

I love when it's all too much,
5am turn the radio up
Where's the rock and roll?

Party Crasher,
Panty Snatcher,
Call me up if you a gangsta
Don't be fancy, just get dancy
Why so serious?

So raise your glass if you are wrong,
In all the right ways,
All my underdogs,
We will never be never be anything but loud
And nitty gritty dirty little freaks
Won't you come on and come on and raise your glass,
Just come on and come on and raise your glass

Slam slam, oh hot damn
What part of party don't you understand,
Wish you'd just freak out (freak out already)
Can't stop, coming in hot,
I should be locked up right on the spot
It's so on right now (so fuckin on right now)

Party Crasher,
Panty Snatcher,
Call me up if you a gangsta
Don't be fancy, just get dancy
Why so serious?

So raise your glass if you are wrong,
In all the right ways,
All my underdogs,
We will never be never be anything but loud
And nitty gritty dirty little freaks
Won't you come on and come on and raise your glass,
Just come on and come on and raise your glass
Won't you come on and come on and raise your glass,
Just come on and come on and raise your glass

(Oh shit my glass is empty, that sucks)

So if you're too school for cool,
And you're treated like a fool,
You can choose to let it go
We can always, we can always,
Party on our own

(So raise your) So raise your glass if you are wrong,
In all the right ways,
All my underdogs,
We will never be never be anything but loud
And nitty gritty, dirty little freaks
So raise your glass if you are wrong,
In all the right ways,
All my underdogs,
We will never be never be anything but loud
And nitty gritty, dirty little freaks
Won't you come on and come on and raise your glass,
Just come on and come on and raise your glass
Won't you come on and come on and raise your glass,(for me)
Just come on and come on and raise your glass (for me)


Fonte: vagalume.br

Loures, 8 de Março de 2011

O meu penteado

Devo dizer que o meu penteado novo tem como principal função proporcionar algum espaço às pestanas. Depois, também se pode dizer que funciona como mostra de sebo. O comum mortal que comigo se cruza terá a honra de ver em todo o seu esplendor uma borbulha que tenho entre as sobrancelhas.

O Dia da Mulher

O dia em que o dia da mulher seja para não lavar a gordura do fogão, raspar o sarro da sanita, ou retirar os pentelhos do bidé... Vai ser o verdadeiro dia da mulher para mim.
Sei que é uma visão demasiado egocêntrica, uma vez que o dia da mulher foi instituido no sentido de dar igualdade de oportunidades para homens e mulheres, mas minhas senhoras e meus senhores: isto é um blogue. Um blogue pessoal, intimista, que tem uma autora muito individualista, muito virada para dentro. Assim sendo, continuem lá as vossas lutas, vá, que eu por mim, duvidarei para todo o sempre da vossa vitória porque as lutas dividem as pessoas. Divisão e igualdade?! Ná...

O Entrudo


O Entrudo serve para haver feriado, logo, descanso. Digo eu, que tive de sair de casa para receber uma factura... Sou tão trabalhadora, não sou?

Nebulosidade

Andar de óculos escuros - postos na cara; assentes na cana do nariz; repousando nas orelhas... - na rua com este tempo tão cinzento só pode ser para dar estilo. Estilo mau, claro.

As conversas

Casalinhos de Alfaiata, 20 de Fevereiro de 2011
Não sei conversar, por assim dizer. Sei fazer perguntas, isso é que eu sei fazer mesmo bem... Perguntas às quais a maioria das pessoas não está para responder. As minhas perguntas são tiradas abruptas, são como flechas, se acerto em cheio mato a conversa. Se não acerto, se passo ao lado, é certo que a pessoa não deixará de se sentir invadida e abala de ao pé de mim no minuto a seguir completamente aterrorizada com a minha prosa, já para não dizer que vai com a certeza de que não tenho os cinco bem medidos.
Poucos assuntos há que interessem a mim e aos outros em simultâneo. Difícil encontrar alguém que esteja na disposição de me aturar. É como estar desajustada num mundo de iguais, num mundo que é sempre da mesma maneira, num mundo onde só mudam as horas e a intensidade da luz.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Lisboa, 7 de Março de 1994



Faz hoje 17 anos que cheguei ao balcão, estou quase a ser uma balconista (ah, como eu gosto desta palavra!) adulta.
Não sei se vou continuar balconista por muitos mais anos, por isso decidi registar o aniversário antes que não haja oportunidade disso. Sempre que passa este dia, 7 de Março, lembro o aniversário. Nunca o tinha mencionado aqui, e sei porquê, mas não vou especificar o(s) motivo(s), se o fizer corro o risco de este post ficar seriamente mau e desinteressante.
À parte todas as coisas (más) que envolvem a minha vida profissional, é com agrado que verifico ser através do balcão e afins que guardo tantas histórias, transformando-as depois em textos que publico no blogue. Não é a primeira vez que toco no assunto balcão / desgosto / prazer, esta é uma relação amor – ódio, pode dizer-se.

O meu blogue está cheio de acontecimentos, ideias, conclusões que nascem da relação cliente/balconista. Mas este blogue não tem nem um terço do tempo que tenho de balcão. O leitor poderá questionar:
– Então e antes do blogue, escrevias acerca do teu balcão? Do que presenciavas, das ideias que te transmistiam? Do que as pessoas te faziam concluir? Escrevias?

– Não, não escrevia. Escrevo agora.

A primeira coisa que me pediram foi cré. Fiquei apavorada, bolas..., ao menos pedissem qualquer coisa que eu conhecesse. Felizmente havia quem me ensinasse, claro.
Outra coisa gira foi logo nos primeiro dias vender uma bilha de gás vazia. Devo dizer que o cliente estava tão atento quanto eu, só reparou quando chegou a casa e reparou que a bilha não deitava gás...
'Olha que vendeste uma bilha vazia!' disseram-me. Ui, que pouca vergonha...
Passaram muito anos, fiz muitas asneiras e continuo a fazê-las: parto lâmpadas, vidros, estrago alguns materiais por distração, vendo coisas abaixo do preço porque confio na tola, esqueço-me de mandar vir isto ou aquilo pelo mesmo motivo. Sou humana. Falível, portanto. Mas sei que o cré é utilizado na construção civil e nunca mais vendi nenhuma bilha vazia...

Nos primeiros anos aprendi logo duas coisas acerca das pessoas:

'Não duvidar do que dizem...'

Por mais que custe convém deixar as pessoas falar, pode ser que escorreguem e se deixem cair, quem sabe...

'… nem as julgar pelo aspecto.'

Isto porque há grandes, grandes surpresas.

Quiçá, chegou a hora de o leitor me questionar outra vez:
– Então... Por onde andava o teu humor antes de teres criado o blogue?

Andou sempre aqui, na minha cabeça. Fui toda a vida espontânea e sempre tive o tipo de humor que tenho hoje, só não estava registado num blogue, nem eu própria era tão comunicativa como agora. A vida passa... Tudo se revela.

Já muitas coisas se passaram nesta vida de balconista: fui maltratada, ofenderam-me chamando nomes, mandaram-me a 'lugares' pouco ortodoxos, ameaçaram-me fisicamente.
Mas, e felizmente que assim é, também há coisas boas: se estou doente as pessoas sentem a minha falta, algumas sentem saudades, até, e mandam beijinhos, quando retorno sou bem recebida, reconhecem o meu trabalho e esforço, admiram-me pela simpatia, pelo apreço que lhes demonstro, pelo tempo que lhes dedico e pelo bem que as sei ouvir. Também recebo pequenas lembranças no Natal e toda a classe de mimos durante o ano inteiro: flores,  fruta, legumes, peixe, filhós, bolos, açúcar...


É a vida, é o mundo, são as pessoas. Se tudo faz parte, um balcão nunca poderá ser à parte disso.

E ponto final.

domingo, 6 de março de 2011

...



Estou doente. Já não tenho uma força do tamanho do mundo. E o mundo, esse, já pouco me importa.

Que bom...

De certo modo - um modo egoísta e preguiçoso, devo dizer - é alivioso quando as pessoas não gostam de mim. Libera-me da obrigação de gostar delas.

Promoção

Loures, 6 de Março de 2011


Muito próximo ao sítio onde foram tiradas estas fotografias existe um edifício que foi outrora a escola primária de Loures, os ricos filhos andaram lá...
Hoje o edifício está destinado ao ensino superior, foi todo recuperado e numa das paredes lê-se em letras gordas: Pólo da Universidade Sénior do Concelho de Loures.

sábado, 5 de março de 2011

Momentos cheios de doçuras


FB e fotografias

Ele pôs uma fotografia no Facebook mostrando aos colegas que são atletas, alguns de alta competição, o choriço, o queijo de Nisa e o pão que comeu ontem ao jantar. Até o copo com um vinho maravilhoso apareceu na dita fotografia. Ri-me, ele gosta do Facebook...
Disse-lhe que de certeza iria receber muitos comentários dos colegas atletas, possivelmente indignados com o seu menu de degustação. Disse-lhe que se fosse eu, mesmo escrevendo no Facebook, que é uma rede social tão movimentada, certamente não arrancaria comentário nenhum.

FB

Vou ali escrever qualquer coisinha no meu Facebook e já cá venho.