sábado, 12 de dezembro de 2009

Ainda acerca de lençóis


Este post serve para informar os meus vizinhos de cima, já que eu tenho a certeza de que lêem o meu blogue, e mais: vão perceber rapidamente quem é a Gigi, como ia dizendo, informo os caríssimos vizinhos que eu já vi bem os lençóis que têm estendidos desde o início da semana. Muito obrigada por me deixarem apreciá-los, há-de ser por isso com certeza que os deixam lá pendurados tanto tempo. Mas eu já vi, obrigada. Têm padrões originais e lindíssimos, têm sim. E também estão encardidos, pois é. Agora tirem-me lá aquilo da frente que eu gosto de ver as vistas da minha varanda, vá.

Gigi

(Aquela malta deve lavar os lençóis juntamente com o fato macaco...)

Lençóis


A vida passa rapidamente. O frio está mesmo apertar está na altura de mudar para lençóis de flanela. A vida passa rapidamente. Os lençóis da rica filha têm ursinhos mimosos, os do rico filho são do Pokemon. Ainda são do tempo das criancices... A vida passa rapidamente.

Porque sim


O ser só é uma das características da minha natureza e creio firmemente que todas as pessoas se sentem sós num ou noutro momento. Isto porque lidamos directamente com a nossa individualidade, o tal ego, sermos o centro do mundo, ou do nosso mundo dá-nos a sensação de que estamos sós, é inevitável.

Há largos meses que escrevi o texto acima. O texto foi ficando ali nos meus rascunhos sem razão definida até hoje, que me chegou a vontade de o publicar, vontade essa também ela sem razão definida.
Escrevi o texto quando descobri a inevitabilidade da solidão e que esta é inerente ao ser humano. Quer faça, diga ou seja, a verdade é que estou sempre sozinha.


Meio dia


Ao meio dia na minha varanda cheirava a Inverno quente. Agora, às cinco e meia, cheira só a Inverno.

5 manias das minhas


Fui desafia pela Vera a divulgar 5 manias das minhas.
Entretanto, depois de lhe dizer: «sim senhora, respondo», lembrei-me que já em tempos idos respondi a este desafio. Com o tempo passando muita coisa pode acontecer e muito se pode alterar na maneira como nos vemos, achei que seria interessante fazer isto de novo nomeando 5 manias e só depois ir ver o que respondi há tempos para comparar e saber se continuo a e na mesma. Então lá vai:


Tenho a mania...


(1) ... Que sou parva, gira, gorda e engraçada.

(2) ... De cheirar o que vou comer.

(3) ... De pendurar os cabides todos para o mesmo lado.

(4) ... De colocar o papel higiénico sempre na mesma posição.

(5) ... De olhar para o cimo dos prédios, bem como de querer lá ir, ainda que as alturas sejam uma coisa que me aflige em muito.


E agora vamos lá ver se estou diferente neste post que curiosamente faz precisamente hoje três anos que foi publicado. Diz que não há coincidências mas eu acho que as há. É assim mais ou menos como as bruxas...


Adenda em letra pequenina para ver se ninguém dá por ela

A(s) mania(s) número 1, talvez não sejam manias, talvez sejam a pura verdade...

Psicotécnico...


Será assim que isto se escreve?!

Há dias em que me apercebo de uma realidade suave: ainda bem que não tenho muitos leitores ou já teria sido banida daqui por tão maltratar a língua mãe devido às palavras que desconheço...


«Não foram encontrados erros ortográficos» diz o senhor Blogspot em relação a este post. Menos mal... O pior é que corrector ortográfico não contempla o título. Paciência...

Ouvidos


(cliente desconfiada)
- Então quer dizer que isto dá mesmo?

(vendedora inabalável na sua convicção)
- Dá, sim. Pode levar à confiança.

(cliente consternada e também muito esperançada)
- Deus a ouça…

(vendedora pensativa, fingindo-se repleta de sabedoria)
- Hum... acho que Ele deve estar a ouvir...


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Abuso


Eu escrevo no horário de expediente. A maioria dos leitores já sabe isto mas como andam aqui leitores novos eu repito: trabalho numa loja e escrevo de porta aberta, gasto o tempo que alguém me paga para trabalhar, trabalhando e... escrevendo. Esta possibilidade que tenho para além de muito agradável e bem-vinda é também o principal motivo pelo qual escrevo tanto. E agora é assim:

Entrou uma senhora para tirar uma fotocópia e eu, estando a meio de um pensamento espectacular que queria tanto, mas tanto escrever, tenho o desplante de dizer à cliente:
- Enquanto a senhora vai tirando o documento de dentro da mala eu vou só aqui acabar de escrever uma coisa, está bem?

Vocação


- Ah, eu quando andava a estudar fiz testes psicotécnicos e deu-me para psicologia.
- Eu...
- E ainda fiz uma data deles!
- Ah...
- Mas depois decidi-me pela engenharia.
- Eu...
- Mas gosto...
- ...
- Gosto mesmo de ouvir o que as pessoas têm a dizer.
- ...


Gostas, gostas! Então não gostas!

Luz


O senhor Comandante comprou-me uma lâmpada de 150 velas, daquelas que já não se usam nem ninguém, excepto o próprio, deseja comprar por tão obsoletas serem. Diz ele que é para iluminar a sala na noite de Natal, para se ver bem o que estão a comer.
Depois disto fiquei com a ideia que este homem não vê o que come em todos os outros dias do ano e que a época natalícia é mesmo muito especial para alguns.

... deixa lá isso!


Diz ele muito entusiasmado que se ingerirmos três colheres de sopa de carvão em pó logo seguido de veneno para matar ratos, que não morremos pois o carvão absorve todo o veneno.
Bem... eu acho que não vou experimentar para ver se ele fala verdade. Fico na dúvida, preferencialmente.

Em dia de chuva...


... Numa das estações de Metro por onde passei, havia uma escada de acesso cortada, aborrecendo a malta com a volta a dar. A desculpa grafada em cartaz visível era que o piso se encontrava escorregadio.
Muito medo tem esta gente de escorregadelas. Se fosse das quedas ou dos membros partidos eu ainda compreendia. Agora escorregar? Escorregar nunca é cair!

Azedas de Terça-feira


Eis a azeda de que falei neste post. A bem dizer são várias azedas no mesmo pé. É isso o que achei tão fantástico e queria mostrar. Vá, agora já podes desmentir-me, leitor(a): esta foto está fantástica, não está?



Gelo


Quero mandar o frio p'ra porra! Dizer-lhe que já me chega de cieiro, de dores e de frieiras.

Mas o frio faz a malta falar e hoje ouvi duas frases que considero engraçadas ou não figurariam aqui e proferidas pela mesma pessoa, curiosamente:

'Eh! Anda tudo com a língua nas orelhas!'

'Brrrr! Até se me cola o cabelinho, pá!'

Causa


É por causa disto que as pessoas têm vontade de morrer: parece que está tudo bem mas não está. Não há uma só coisa que preste, que alegre. Uma só, não há. E depois, a tristeza é tão imensa e mesmo imensa não se vê. Está tudo mal e parece que está tudo bem e é por isso mesmo que as pessoas querem morrer.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Legitimidade


É legítimo, penso eu, sentir-me triste. Mesmo enlaçada e protegida pelo amor, assistida pela sorte, contemplada com a saúde, é legítimo sentir-me triste.
Tanto não quero sentir tristeza que acrescento a esta uma outra tristeza muito maior: a de que não sou digna de me sentir triste por não ter nada de que me queixar. Porque na minha vida é tudo bom e tudo maravilhoso e tudo sim senhor e assim sendo não tenho nada que estar triste porque sou uma privilegiada e uma sortuda e mais não sei quê.
E assim, tenho duas tristezas para superar: a tristeza propriamente dita e a tristeza por ser indigna de sentir tristeza.
E assim me sinto duas vezes triste quando uma bastava.
Estou triste.

Livros & café


Subi a avenida e atravessei a praça sentindo os pés entesarem e picos nas pontas dos dedos das mãos, isto por causa do frio.
Entrei na Livraria Barata e fiquei por lá admirando aquilo. Estava quentinho ali.
Sentei-me para beber o café. Agora é moda os livros mais os cafés serem apreciados em conjunto, e eu, gostando de ambos, estou feliz com essa união.
A seguir ao café voltei de novo aos livros e por lá fiquei até as mãos se me aquecerem tanto que latejavam.
Se hoje às duas da tarde alguém andou ali, fique sabendo que esteve no mesmo espaço físico que eu. Estava lá uma mulher de olhar triste e ausente. Era eu.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O banco de trás


De manhã saímos todos, os quatro. À vinda para cá deixámos o rico filho em determinado sítio e continuámos viagem. Assim que ele saíu a rica filha disse:
- Ainda bem que eu tenho um irmão! Já viram o que era ter este banco todo só para mim?!
Parecia que estava a sentir um arrepio, teve a percepção da solidão que seria não ter um irmão e essa ideia desagradou-lhe. A rica filha é uma jovem adulta com uma sensibilidade peculiar. E isto talvez seja o meu coração de mãe vendo e sentindo mas não faz mal nenhum ficar aqui registado este pequeno episódio. Já que há blogue para registar coisas, até posso acrescentar que esta coisa está muito bem vista. Por mim, claro. Mas o tributo é da rica filha, ela é que me fez escrever este post.


Jantar II


Não mostro os scones nem a canjinha. Aquilo não ficou nada bem.
Os scones: pareciam nem sei o quê, talvez o chão de Marte mas em amarelo, não em vermelho, cheio de altos e baixos e rachas, formando um quadriculado ao jeito de pied de poule, para aí.
A
canjinha: achei que nem precisaria seguir a receita por pensar tê-la de cor na mioleira, mas acontece que me esqueci das cenouras, não quis pôr o pão, o caldo era de carne, não havia hortelã no frigirífico mas pus-lhe baguinhos de arroz carolino e miúdos de frango e os ovos. Estes são o único igrediente em comum com a tal receita...
Aquilo não ficou nada bem mas só à vista, porque comer, comeu-se. E comeu-se sabendo bem.

Adenda

O rico filho perguntou se alguém queria os insides dele porque ele não gosta. Quando questionado acerca do queria ele dizer com os insides respondeu: - Atão! Eu só gosto das partes de fora do frango!

Continuação


Continuo igualinha, igualinha ao uso do costume. A escrita, a minha escrita quero eu dizer, continua igualinha, igualinha. Meia dúzia a dúzia de posts diariamente e sempre tanto por dizer.