segunda-feira, 30 de abril de 2007

O último dia de férias

Há coisas que tenho que ultrapassar sózinha. Já aprendi que tenho que reprimir certas queixas, mas não consigo isso sempre, às vezes ainda me descuido e lá começo a queixar-me... infelizmente não tenho dois ouvidinhos imparciais para escutar "aquelas" minhas queixas...
Neste momento estou totalmente sózinha em casa. E estou em casa neste dia e a esta hora porque estou de férias. Desde o passado dia 25 que estou em casa. Tirei estes dias porque precisava fazer uma boa limpeza cá em casa. Mal ou bem, a dita limpeza está feita.
Tenho aproveitado bem o tempo: a limpeza, ver blog's, o trabalho que tenho que fazer para o R.V.C.C., etc. Mas hoje que é o último dia, não estou a conseguir. Hoje estou aborrecida... Acho que estou aborrecida exactamente por isso, porque é o último dia de férias...
E agora vou desligar a porra do PC, vou comprar qualquer coisa para o jantar, vou beber um belo de um cafézito e vou distraír-me um pouco porque estou a ficar demasiado pensativa para quem está de férias!!!

foto: Lisboa - Rua Morais Soares, numa tarde de Domingo. Por isso tem tão pouco movimento.

domingo, 29 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (três)

Nesta altura da minha vida e cada vez melhor, sei o que quero, o que me agrada, o que preciso, o que pretendo...

- Eh pá! Que tal increverem-se e frequentarem assiduamente a porra de um Ginásio e mexerem esse cu?

Imagino que o facto de gostar de escrever não significa que a vontade de o fazer tenha que estar sempre ao mesmo nível.

A minha vida é feita de cenas deste género... às vezes tem montes de piada, outras vezes... nem por isso...

Se eu me excluir da minha vida, se sair de dentro da minha pessoa, consigo ver-me como sou vista e isso ajuda-me a compreender quão feliz eu sou.

Quando aprofundo mais esta questão acerca do que andarei por cá a fazer vem-me ao pensamento que o papel principal e quiçá fundamental da minha existência é ser o elemento apaziguador das hostilidades domésticas...

foto: Albernoa, 25 de Abril de 2007

sábado, 28 de abril de 2007

Restauro

"Depois de passearmos à beira-mar foste dar um mergulho e eu não quis ir contigo. Disse-te que a água estava demasiado fria para o meu gosto. Virei costas ao mar e rumei para a toalha. Depois de lá chegar, sentei-me ao lado dos miúdos a descansar. Ri e brinquei com eles ao mesmo tempo que te observava. Tens um grande à-vontade dentro de água, adoraria ter a facilidade que tens.
Enquanto olhava e não olhava, dei por ti sentado à beira-mar. Lá estavas tu, sentadinho a contemplar o mar. Tive vontade, mas não fui ter contigo. Achei melhor deixar-te sózinho a curtir esse momento. Senti que precisavas estar sózinho e dei-te espaço.
Enquanto te observava, pensei que o que estava a ver daria uma bela foto, tu a olhar para o mar e sendo invadido por aquela calma que sentimos quando observamos algo grandioso, algo maior que nós.
Desejei profundamente que aquele momento servisse para restaurar o que quer que fosse que te andava a apoquentar há dias.
Mais tarde, a caminho de casa... disseste-me que aquele momento te tinha feito muito bem..."

Às vezes chateio-me comigo própria, por achar que sou observadora e intuitiva em excesso. Mas também há momentos na minha vida em que é um regalo possuir essas características. O texto em cima é uma prova disso mesmo.
foto: Costa da Caparica

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (dois)

Apercebi-me naquele momento que ela de gostava de mim a valer.

Não acho que seja uma pessoa hipócrita, mas acho que aprendi a sê-lo com a minha profissão, porque tenho mesmo que ser e não me agrada nem um pouco.

Antes de sequer saber da existência de blog's, não me tinha apercebido que existe tanta gente com vontade de escrever.

Acabei agora mesmo de ler todo o meu primeiro blog, hoje deu-me para isto. Há coisas que já não me lembrava de ter escito. Concluí que tenho cada vez menos assunto para escrever. Espero rápidas melhoras...

Assim que soube, não quis deixar escapar a oportunidade nem quis deixar arrefecer a ideia e tratei logo de começar o mais rapidamente possível. Já lá estou.

Às vezes questiono-me: para que me servirá a perspicácia e a intuição que possuo? Há momentos em que acho que só me atrapalha.

Durante o meu passeio, entrei numa livraria. Tive vontade de comprar todos os livros que folheei, mas não comprei nenhum...

Já fiz a árvore de Natal e enfeitei a casinha toda. Viva o Natal!!!

Eu sou diferente, gosto de avançar no meu percurso habitual, ir andando independentemente de estar a chover ou a fazer sol.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Desiquilíbrios e contra-sensos

Acho que a personalidade de qualquer ser humano é composta de opostos, criando um desiquilíbrio que gera equilíbrio. Estranho? Sim, muito... Tive a ideia de descrever perfis e descobri isto, porque até aí nunca me tinha apercebido de tal... E entretanto comecei a observar e a aprofundar ainda mais a minha própria personalidade. Toda eu sou desiquilibrios e contra-sensos... eu que até achava que era toda equilibradinha, sensatazinha, ajuizadazinha e assim... Bah!...Treta!...
A minha individualidade é muito individual, sou individualista... (esta frase não tem jeito nenhum mas resolvi deixá-la aqui na mesma porque me dá vontade de rir...)
Nos últimos anos a minha personalidade sofreu uma grande reviravolta. Eu já não sou quem era. Não sou melhor nem sou pior. Sou diferente. Sou eu. (e este último parágrafo? Espectáculo!!!)
foto: eu mesma, com um resultado um pouco estranho depois de tanto explorar um programa que a rica filha carregou no PC

terça-feira, 24 de abril de 2007

Retoma...

Já há algum tempo que não escrevo acerca do R.V.C.C. Existe um motivo para isso. Conforme já aqui escrevi, neste processo é tido em conta o que eu sei, por isso, não ensinam nada. E eu ando a ver se aprendo a fazer um trabalho no PC... sózinha e sem ajuda de ninguém. E isto está difícil...
Ontem à hora do almoço, enchi-me de coragem, arranquei de esticão e fui lá ter com o Técnico. Disse-lhe que não me esqueci (tenho um prazo de 3 anos para concluir o processo), mas tenho andado a ver se aprendo a fazer bem o trabalho e que a minha maior dificuldade é o Excel, que é dificílimo de aprender a trabalhar sem ajuda de ninguém. Em relação ao Word e ao Power Point a "coisa" está mais ou menos até porque não é tão difícil assim de descobrir sózinha como funcionam esses programas. Mas agora o Excel... é o Ecxel não é verdade?
Bom... fiquei de retomar no próximo dia 3 de Maio e até lá tenho que ter tempo e paciência para progredir. Vamos ver se consigo. Quero ver se sim...
:-)

domingo, 22 de abril de 2007

Os ricos filhos na actualidade

Aqui temos a menina do sorriso lindo!


E aqui temos o menino do olhar lindo!

Assim são os meus filhos hoje.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

GU GU - DÁ DÁ

Há certas coisas que ainda não esqueci. Refiro-me aos "projectos" de palavras produzidos pelos meus filhos quando ainda não falavam tão bem como hoje...
Começo pelos sons da menina que tem o sorriso mais lindo do mundo:
kilontros - kilómetros
fiforifico - frigorífico
bábanho - tomar banho
óvolante - volante
pondiója - côr-de-rosa
udepois - depois

E acabo com os sons do menino que tem o olhar mais lindo do mundo:

mame!... mame!... - quero comer
um té - não quero
um té iii - não quero ir
adecaxão - arrecadação
Pindôxe - Pingo Doce
pacagaio - papagaio
os Augustos - o Magusto

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (um)

O meu blog fez um ano no passado dia 14. Pensei num modo de registar isso e tive a ideia de escrever frases que já escrevi e que têm um significado especial para mim. Hoje vou só escrever algumas mas mais virão.

Gosto de ir, dá-me uma sensação de liberdade.

Não consigo concluir se era mais feliz naquela altura.

E pensar que é o futuro, o que há-de vir, que nos move.

Luto contra os meus defeitos que são os defeitos que toda a gente tem.

Provavelmente ainda ninguém leu o meu blog. Qaundo penso nisso fico dividida entre dois pensamentos: o querer e o não querer que leiam.

Sinto-me pequenina no saber... Às vezes queria ser outro alguém...

Tenho, inclusivé, que me rir do que me está a magoar.

Isto de ter um dia livre e não saber o que fazer com ele é lixado.

E voltando uma vez mais à Lua, ela está magnífica hoje; enorme, branca e brilhante.

Quem me dera ter um ouvinte como eu sou para os outros.


foto: A Primavera a despontar em Castro Cola, Fevereiro de 2007

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O meu amigo Bento

PERFIL Nº 4
O Bento é alguém especial. Escrevo mais: o Bento é muito especial.
Revela-se pouco, mas como o conheço há muitos anos parece-me que já tenho matéria suficiente acerca da sua personalidade para descrever o seu perfil segundo o meu modo de o ver.
É pouco falador, ou por outra, não é falador. No entanto, esse facto não se deve a timidez, mas sim porque gosta de observar e analisar. E ele sabe que observa e analisa melhor se falar pouco ou apenas o necessário.
O Bento vende e fornece a loja onde trabalho. É o único vendedor que eu... digamos que... gosto de "aturar". Costumo dizer-lhe isso mesmo e ele responde-me em tom de brincadeira:
- Ah... muito obrigado pela parte que me toca.
Aquando das suas visita à loja, aparece sempre de fato, camisa e gravata. É comum os vendedores apresentarem-se vestidos desta maneira e o Bento não é excepção.
Eu também sou observadora e analisadora e o que se segue não tem, de modo nenhum, o intuito de depreciar o que o Bento escolhe para vestir, antes pelo contrário. Eu adoro "trapos" e o Bento, apesar de ter um estilo sóbrio e clássico, pontilha a sua aparência com pormenores que a mim não me escapam e normalmente não contenho um comentário. Por exemplo: tem uma camisa côr-de-rosa giríssima e um casaco cinzento com botões brancos e prateados ao estilo navy que é espectacular. Acerca da camisa digo-lhe que tenho lá em casa um verniz de unhas da mesma côr e do casaco pergunto-lhe onde foi ele arranjar aquele casaco com uns botões tão interessantes... Tem também um outro casaco preto que foge ao comum porque tem gola à oficial que é simplesmente o máximo! Acerca deste, não me lembro de alguma vez lhe ter dito alguma coisa...
Muitas vezes assiste ao atendimento que faço aos clientes e não interfere, a não ser que eu lhe solicite um conselho ou uma opinião, ao contrário de outros vendedores, fornecedores ou mesmo clientes que falam, falam, falam... quando deviam estar calados...
O Bento é metódico e disciplinado, todo o trabalho que ele executa tem uma ordem ou um seguimento do qual dificilmente se desvia, para ser produtivo e se sentir confortável. Escrevi confortável porque creio que esta característica se tenha acentuado devido ao facto de ele trabalhar sózinho há alguns anos. É patrão de si mesmo, por isso no local de trabalho não há confrontos com ninguém. Só conta consigo próprio e, quanto a mim, esta posição acaba por ser confortável para quem trabalha assim.
O gosto musical do Bento é notável... porque é bizarro, ouve músicas estranhíssimas... Enumeraria aqui algumas, mas infelizmente só me lembro de um grupo chamado "Cebola Mole" que tem uma canção cuja letra é algo deste género:
"Bobi, traz o osso ao dono
Bobi Bobi Bobi Bobi Bobi
Ah... meu ganda maluco!...
Bobi, traz o osso ao dono"
E agora mudando de assunto, acho muito interessante a maneira como ele encara a vida; contrabalança o metodismo, a disciplina e alguma inflexibilidade, com uma tranquilidade, uma naturalidade e afabilidade genuínas, o que faz com que seja alguém de muito fácil lidação. Estes são os opostos que eu considero mais marcantes na personalidade do Bento.
Mas ainda há mais... uma vez disse-me que é um "organizado-desorganizado". Segundo ele, a sua secretária está sempre desarrumada, com papéis (e não só) ao monte, mas ele sabe sempre onde deixou o que precisa. Ou seja, é desorganizado porque tem a papelada amontoada e é organizado porque sabe sempre onde está o que procura. Parece-me que neste parágrafo dá para perceber o método, a disciplina, a tranquilidade e a naturalidade do Bento.
A afabilidade que eu acho que lhe é característica é demonstrada através da espontaneidade, clareza e precisão com que me explica algo acerca dos artigos que vende. Quando não entendo alguma coisa, ou simplesmente não conheço, os artigos que vende, é notória a facilidade com que ele explica. É notório também, o prazer que tem em ensinar. Ou não soubesse eu que ele já foi professor...
Às vezes almoça connosco e numa dessas vezes, a conversa foi parar ao seu feitio e à sua personalidade. Em dada altura ele disse que gostaria de fazer um furo numa das orelhas. Eu ri-me e perguntei-lhe:
- A sério?... Quer vir a ser um cinquentão atirado p'rá frentex, é?
- Mas eu já sou todo atirado p'rá frentex. Se vocês me vissem ao fim de semana não me reconheceriam, porque eu sou muito diferente de como me apresento aqui. Para começar, isto fica no armário - aponta para o casaco e para a gravata - ao fim de semana ando de bermudas, t'shirt garrida... boné...
Creio que fiz uma expressão de surpresa porque me é muito difícil imaginar o Bento com tal indumentária. Mas entretanto lembrei-me: " Ah pois é!... Houve um dia que ele veio entregar mercadoria vestido assim porque ia de férias da parte da tarde. Até vinha com aquele sorriso e aquela boa disposição que só se consegue ter quando se está de férias..."
- O Bento faz bodyboard - disse o Luís que entretando se tinha sentado à mesa connosco.
- Pois... eu sou especial - continuou ele. E eu tive imediatamente vontade de dizer algo mas contive-me. Não por muito tempo, pois logo a seguir disse mesmo o que tinha na vontade:
- O Bento é tão especial que eu já comecei a delinear o seu perfil e não consigo escever mais nada - nesse momento passou na rua alguém
cujo perfil eu já descrevi aqui e lembrei-me quão fácil e rápido tinha sido para mim escrever o que escrevi acerca dela - ainda há bocado estive a olhar para o texto mas não sai mais nada. Não sei... falta-me qualquer coisa...
Ele ficou surpreso e curioso com a minha ideia de descrever o seu perfil psicológico. Muito mais surpreso e curioso do que eu alguma vez ousaria sequer supôr. Está desejoso de ler o que eu estou para aqui a escrever... quem diria?

domingo, 15 de abril de 2007

O Pai... dos meus filhos...


Pai (falando acerca da filha)
- O raio da miúda, no dia seguir a fazer asneira, tem sempre uma disposição espectacular!... Já reparaste?
Mãe (muito séria)
- Sabes a quem é que ela sai, ou queres que te diga?
Pai (sorrindo)
- Pois...
Pai (ralhando com o filho e gesticulando furiosamente)
- És sempre a mesma coisa, André! Estive 20 minutos à tua espera!... Não podes simplesmente despachar-te?... És sempre o último a sair...
Mãe (num murmúrio, porque o caso não estava para brincadeiras)
- Tem bem a quem sair...
Resumo: quem sai aos seus... não degenera...

domingo, 8 de abril de 2007

A MINHA VIDA É BELA!!!

Porque vivemos em sociedade sei que é impossível viver sem regras, costumes ou normas. Isso pode tornar-se monótono e gerar uma rotina difícil de aguentar, mas normalmente não me abalo com a rotina do meu dia-a-dia, porque não considero o meu quotidiano rotineiro ou monótono. Porquê? Porque me lembro de parar para desfrutar cada bocadinho de vida. Cada momento é único e não tem retorno.
Observo as coisas, as pessoas, as paisagens, as situações, enfim... tudo o que compõe o mundo, analizo tudo e tento reter o bem. Aceito que a vida é assim, com diferenças e é nessas diferenças que eu encontro a harmonia, é nas diferenças que quebro a rotina. A harmonia e a felicidade começa dentro de mim e só de mim depende.
A vida é bela e quanto mais dias de vida eu tenho, melhor me apercebo disso e melhor sei viver.
Nem sempre a minha vida é assim tão bela quanto estou a escrever agora, mas seja como fôr e de uma maneira geral a minha vida é mesmo bela!!!
Filhos saudáveis, com defeitos e virtudes (é verdade), mas que eu não deixo de admirar, afinal de contas são meus filhos e outra coisa não seria de esperar. Os meus filhos têm qualidades que eu própria gostaria de ter e eu revejo-me e regojizo-me no que observo nas suas vidas.
O maridão não poderia ser melhor, ainda que também tenha defeitos e virtudes, mas... tal como alguém me dizia há tempo: "Tu estás casada com a pessoa certa, não poderia haver melhor marido para ti." Quando ouvi isto concordei pelnamente e até hoje ainda não mudei de ideias.
A minha casa é linda, maravilhosa e espectacular. Pronto... às vezes não tenho muita paciência para as lides domésticas, mas lá a vou mantendo limpinha e arrumada o melhor que consigo.
A única e grande lacuna na minha vida é... a área profissional, pela qual não sinto "aquela" paixão, nem "aquela" vontade de executar as tarefas que me competem. Foi essa tristeza e esses pensamentos que me fizeram escrever o que escrevi uns post´s atrás. Mas, a minha profissão também tem coisas interessantes e agradáveis e também já referi em vários post's pequenos episódios passados no meu local de trabalho.
Por tudo isto que acabei de escrever eu acho mesmo que a minha vida é bela e que eu sou muito feliz!
P.S. Obrigada pelo apoio e carinho que têm demonstrado com os vossos comentários, ok? Beijos para todos e votos de uma boa semana.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

"Só para não ficares triste..."


Lá fora a noite estava invulgarmente fria para o mês de Março. Mas, dentro de casa estava uma atmosfera agradável e desanuviada. Reinava aquela calma que só sinto em noites de Domingo, sou invadida por aquele sentimento que antecede uma semana de trabalho e parece-me ser absolutamente necessário aproveitar o que resta de tempo livre de obrigações. Era uma daquelas noites em que o tempo pára e nem sequer o relógio existe. O tempo e o relógio não ficam à espera que eu me lembre deles, mesmo eu esquecendo-me deles, eles não páram, não...
Sentada na minha cama, vasculhava uma caixa onde guardo cadernos e folhas cheios de frases escritas que contam o que me passa pela cabeça. Algumas dessas frases são demasiado íntimas para publicar, mas nem todas. Por isso, andava em busca de algo que pudesse publicar no meu blog.
Também sentada e de costas para mim, estava a minha filha a teclar no P.C. A certa altura olha para mim e vê-me rodeada de papeis e cadernos. Sabendo muito bem o que é aquilo, diz com um ar maroto e carregadinho de curiosidade:
- Quando morreres vou ler isso tudo...
- Não me fará diferença nenhuma, não vou estar cá para ver - respondo de imediato sorrindo-lhe de volta. Tomei consciência das palavras que eu própria dissera porque de repente o olhar dela assumiu laivos de tristeza. Presumiu que vai haver um dia em que eu já não vou estar presente na vida dela.
- Mãe... não morras, está bem?
- Se eu pudesse não morreria nunca... - disse eu. De seguida pensei: " Só para não ficares triste..."
foto: eu e a rica filha

domingo, 1 de abril de 2007

OLÁ PRIMAVERA!!!

Santo António dos Cavaleiros - Loures
Rua Brito Aranha - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Alameda D. Afonso Henriques - Lisboa

Ora então cá estão os mesmos locais mais ou menos retratados sob a mesma prespectiva. Só que agora é Primavera e está tudo a ficar verdinho, florido e brilhante.
Esta semana ouvi alguém comentar em relação à chegada da Primavera: " Esta explosão de vida e de côr é espectacular!"
Eu acho que ele tem toda a razão, a Primavera é um grande espectáculo. É a vida a renascer.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Olá...



Pelo estado da minha mesinha-de-cabeceira, acho que dá para notar que estou com uma valente constipação...
:'(
foto: é mesmo... a minha mesinha-de-cabeceira

terça-feira, 27 de março de 2007

Pensamentos impublicáveis

Há vários dias que não escrevo aqui nada... de momento, tudo o que anda na minha cabeça é impublicável...
A minha vida é muito complicada. Escrevi que a minha vida é complicada consciente de que há vidas muitíssimo mais complicadas que a minha. Eu nem devia queixar-me da minha vida. Afinal de contas tenho casa, comida, trabalho, saúde, amor... mas... também estou consciente de que este é o meu blog e que escrevo aqui o que eu quiser e como eu quiser... tenho esse direito porque este espaço é meu.
Estou tão cansada, que quando fecho os olhos sinto tudo a girar à minha volta. E estou tão triste, frustrada e insatisfeita comigo mesma e com a minha vida, que sinto frio...
Mas tenho que continuar. Existe muita coisa dependente de mim. Faço falta. Tenho que continuar. Tem que ser.

quarta-feira, 21 de março de 2007

O Meu Pai

Andávamos nos preparativos para a partida do meu pai em trabalho para a Arábia Saudita. Estávamos em Abril de 1979 e em minha casa reinava um ambiente tenso e triste.
Apesar de ser uma criança naquela altura, apercebia-me muito bem do que me rodeava. Também eu sentia já saudades do meu pai antes de ele partir, sabia que iria sentir a sua falta à mesa quando chegasse a hora do jantar, sabia que não poderia contar com ele para me esclarecer eventuais dúvidas que tivesse na escola e sabia que a minha mãe e o meu irmão iriam andar tristes e deprimidos. Isso entristecia-me a mim também e causava-me uma sensação de impotência porque não havia nada que eu pudesse fazer para minimizar o desconforto que todos sentíamos.
O meu desejo mais íntimo era poder ir com o meu pai, por não querer estar longe dele e por sentir uma curiosidade imensa acerca do sítio para onde ele ia trabalhar - Arábia Saudita.
No meio de toda aquela azáfama tive uma ideia - já que eu não podia ir com ele, enviaria algo que viajasse com ele. Fui buscar um saquinho de pano que eu própria tinha feito, algures durante as férias de Verão, dos restos de tecido da minha mãe e arranjei uma pedrinha branca, redonda e lisa. Não podia ser uma pedra qualquer, tive o cuidado de escolher uma pedra perfeita. Achei que seria giríssimo depois, quando o meu pai regressasse, eu ter na mão algo que já estivesse estado na Arábia Saudita, um lugar que eu nem fazia ideia onde seria. Pus a pedrinha dentro do saco e fui ter com o meu pai.
- Pai, eu queria que levasses isto contigo para a Arábia - não foram precisas grandes explicações, o meu pai entendeu o meu gesto na mesma hora. Ainda hoje recordo a sua expressão calma e ponderada, ele sabia perfeitamente que o que eu queria era mandar algo que o fizesse lembrar de mim enquanto estivesse fora. Algo que fosse e viesse com ele e que tivesse estado onde ele ia estar.
- Está bem, filha. O pai leva e traz este saquinho com a pedrinha. Vou pô-lo aqui dentro da mala, vês? Depois quando eu cá chegar mostro-to.
Hoje, adulta e mãe que sou, sei que não era preciso eu ter dado um saquinho ao meu pai para que ele não me esquecesse enquanto estivesse fora, o meu pai iria estar sempre com a família no pensamento. Mas a mentalidade infantil é isso mesmo - infantil - está em formação. O meu pai sabia que aquilo era importante para mim, não desdenhou da minha infantilidade e fez-me a vontade.
Quando regressou, cinco meses depois, mostrou-me o saquinho com a pedrinha lá dentro.
- Lembras-te de me teres dado isto? Toma, está aqui. Foi e veio comigo.
Segurei no saquinho e pensei: " Que giro! Isto esteve tão longe!... E agora está aqui comigo!..."
O Dia do Pai já passou. Só hoje tive tempo de escrever que já se andava a formar na minha cabeça há algum tempo. E esta é a minha homenagem ao meu pai, que é e sempre foi, um homem muito inteligente, calmo, sensato e com uma personalidade muito interessante. Já escrevi acerca do meu pai noutro
post e agora vou repetir o seguinte: quando envelhecer quero ser como o meu pai.

sábado, 17 de março de 2007

O que se segue é apenas um breve instante da minha imaginação:


Nos últimos dias tem crescido a sensação de que há determinada área da minha vida que é uma grandessíssima... pouca de Chica Maroca*.
Se eu pudesse, partiria aquilo tudinho aos bocadinhos pequenininhos. Desmantelava aquilo devagarinho, com convicção e muito prazer. Ficaria suada, cansada e cheiinha de pó, mas não faria mal nenhum, isso apenas significaria prazer a dobrar. Em seguida, contrataria uma daquelas empresas que tratam de colocar resíduos no seu devido lugar, os funcionários da empresa executariam o trabalho rápida e eficazmente, sob o meu comando, evidentemente, e depois... eu viveria feliz para sempre!!!
Isto aconteceria se eu pudesse, mas não posso... estou de pés e mãos atados e isso atrofia-me tanto, mas tanto, que me parece ter também o pensamento atado, estou cheia de nós, vivo preocupada e em constante tensão.

As perguntas surgem em rajada, sem que eu tenha tempo de responder. Ainda assim, espera-se que eu responda a tudo rapidamente. Pensam... pensam que sabem a minha vida, os meus gostos, o que faço, como faço, o que quero... pensam que sabem porque não me ouvem.
Quando questiono, quando me exalto, nunca é o que eu estava a pensar, percebi mal... até nem era nada daquilo e tal... eu é que tenho paranóias e assim...
O que faço nunca está no ponto certo, ou é demais ou de menos, os meus empenhos são desmontados à frente dos meus olhos. Não há um incentivo, um elogio, nada... aliás, há alguma coisa... há sempre a desconfiança da minha competência, da minha eficiência e da minha experiência. Tudo isto é questionado todos os dias, várias vezes ao dia e quem questiona não espera pela resposta... porque não me ouvem?
Já lá vão tantos anos... e eu ainda não aprendi a lidar com isto... o que faço é pensar para mim própria:
" Deixa andar... molda-te tu à situação, não há como evitá-la, tens que dar um desconto, não há volta a dar-lhe, tens que aguentar... "- até quando?
Está tudo bem à minha volta, estão todos bem, menos eu... e o pior é que eu e a minha vida não interessam para nada a quase ninguém... ninguém me pergunta como estou querendo mesmo saber... e penso:
" Abre-te, abre o teu coração, deixa entrar..." - e eu deixo, mas magoam-me. E penso:
" Liberta-te, solta-te, deixa sair o que está aí dentro, vá lá... não custa nada..." – e eu vou atrás do meu pensamento, mas não páram para me ouvir nem compreendem nada do que digo.
Estou num buraco fundo e negro, não vejo nada, onde está a saída? Não vejo. Não vejo porque não existe saída. Mesmo assim tenho que continuar. Até quando? Até um dia... esse dia existe, eu só não sei quando será...





* termo vulgarmente utilizado pela minha mãe e que substitui muito simplesmente a palavra: merda


foto: eu...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Escola

Sempre que vou à Escola onde andam os meus filhos (que já foi minha, ainda que noutras instalações) e fico no corredor à espera de concretizar o propósito que me levou até lá, reconheço os móveis dos meus tempos de estudante, expondo os trabalhos manuais que os alunos executaram. Os móveis contém:
- Uma velha máquina de escrever
- Troféus de várias modalidades desportivas (o rico filho teve parte nalgumas delas)
- Bonecos com trajes tipicamente saloios
- Réplicas de lucernas, lanternas, candeias e candeeiros
- Alguns tipos de tecidos
- Trabalhos escritos ou desenhados
Sou invadida pela nostalgia e fico orgulhosa da minha cidade e de ter pertencido a esta Escola. Uma Escola que não centra a atenção somente na matemática e no português. Nesta Escola existem actividades extra-curriculares, é um local onde se aprende de tudo um pouco, aprende-se que a vida não é só escola, há outras coisas para desenvolver e aprender.

terça-feira, 13 de março de 2007

Pois bem...

... e agora que, provavelmente, já ninguém escreverá acerca do Dia Internacional da Mulher, escrevo eu. Não é por nada, é só porque me foi totalmente impossível escrever aqui nesse dia. Assim sendo, escrevo hoje.
Concordo que se comemore este dia, mas parece-me que hoje em dia, tanto se comemora, que se acaba por promover a desigualdade. Sim... porque eu que sou mulher tenho um dia dedicado a mim e os homens não têm. Aí eu vejo uma diferença.
Durante a semana que passou, num gabinete de estética, manifestei esta minha opinião e "caíram-me" todas em cima (lol) dizendo que somos especiais, que o dia dos homens é todos os dias, blá blá blá...
Sim, sou especial porque sou mulher. Quem carregou os meus filhos na minha barriga e quem sofreu as dores de parto fui eu. Mas... alguém teve que participar activamente para que isso acontecesse, não??? Ora bolas!... Então os homens também são importantes e eu ia adorar que eles também tivessem um dia dedicado somente a eles.
E pronto! Não vou escrever mais acerca disto até porque gostei muito da flor que recebi da mão de uma menina quando entrei e outra quando saí nas Galerias Aqua Roma no dia 7... sim, no dia 7. Começaram a comemorar mais cedo e tudo...
Gosto de ser mulher, gosto dos homens e gosto principalmente das diferenças existentes entre homens e mulheres.
Bom resto de semana!!!