terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cabeleira


Tenho de ir tratar da cabeleira. A bem da verdade já fui marcar a consulta. 
Chegada lá disse ao Mimi: 'quero que me faça o mesmo da outra vez que eu pago'.
 
Às vezes não enceto as conversas lá muito bem... Adiante.

 
 

Tenho de ir tratar da cabeleira.
O meu colega colou o cartão de visita do meu cabeleireiro no espelho do estamine, subtilmente...
A moça que me depilou as sobrancelhas teve de pôr um ganchinho a segurar a longa franja...
A minha mãe disse-me: 'Gina, olha que os cabelos agora usam-se curtos, filha!'

Dias

Dia 1: Perguntei as horas à menina do café e expliquei que não tinha telemóvel por lhe ter acabado a bateria e estava meio perdida em termos de tempo. 

Dia 2: Perguntei as horas à menina do café, que se espantou por eu ainda não ter posto o telemóvel à carga. Disse-lhe que normalmente me esqueço de pôr o telemóvel a carregar porque não é habitual alguém me ligar. 

Dia 3: A menina do café pergunta-me se quero saber as horas. Digo que não, que já tenho o telemóvel a funcionar muito embora ninguém me ligue, a não ser a menina que sempre me dá alguma atenção. Ela não se apercebe da minha última afirmação, queda-se na primeira e volta-se com a velha questão: 'e a senhora, liga a alguém?'

Os seres


Um ser desvaloriza o outro em prol de si mesmo.

Tenho para mim que sou especialmente bela e tenho maneiras manifestamente requintadas.

Os restantes seres... Não.

A encalhada

Esmeraldina encalhou na pilha de vasos à entrada. Ralhou consigo:
– Ai, Esmeraldina, então? Eu não te disse que te portasses bem antes de sairmos de casa?!
Fiquei num impasse, já me aconteceram cenas tão diversas - nomeadamente uma senhora falando entusiasticamente para uma parede - que fiquei muda e verdadeiramente expectante. Depois reconheci a bem-disposta senhora - afinal estava só bem-disposta - pregou-me um beijo em cada face e cumprimentou-me com 'a paz do senhor, como vai a irmã?'. 

Se calhar a Esmeraldina até nem tem assim lá muito juízo, não...

Mafalda

Tem meias finas com florinhas. Verde-escuro, as meias. Rosa, as florinhas. 

Acho que sim. Acho que sim porque não acho mais nada nas meias da Mafalda.

Ódio

A sogra não gosta do genro.
Ele mete a mão nas partes e cheira de seguida, limpa as unhas com a ponta da faca e chupa os intervalos dos dentes. Asqueroso, mesmo.
O genro não gosta da sogra.
Ela é refilona e frontal, diz-lhe tudo o que não aprecia. Temperamental, fá-lo sentir imundo e má pessoa. Manienta, mesmo.
Mas o genro não é má pessoa, eu sei que não, a atitude mais rebelde que consegue ter é dançar desajeitadamente a canção 'Like a Virgin' da Madonna numa festa de anos daquelas familiares...

17



Era dia 17 de Janeiro,
terça-feira.

É dia 17 de Janeiro,
terça-feira.


Há coincidências,
lá de quando em quando.

Fotografia em papel mas posterizada para a internet

Lisboa, 5 de Setembro de 1992*


As sobrinhas queixaram-se-me: 
– Ó tia, a gente quase não tem fotografias de infância, as poucas que há, a minha mãe cortava-nos as cabeças... Se um dia tu puderes tratar de nos arranjar das tuas... 
Fiz-lhes a vontade, aos poucos fui compondo uma pasta com imagens dum passado familiar em pedacinhos. Enquanto isso, ia recordando outros tempos, que a minha vida não teve sempre a forma d' hoje.

*Na foto, da esquerda para a direita: Débora, Ana Cláudia, Ana Sofia. São primas mas não todas umas das outras. A do meio é a rica filha que é prima das outras duas. As das pontas são as minhas sobrinhas e são irmãs. Todas três na festa do primeiro aniversário da rica filha.

Dias de um ginásio

O meu professor de Pilates diz que estou fantástica. Oh céus...

Pode não parecer mas nesta foto está uma gaja boa...

Albernoa, 15 de Janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um bom blogue, ou um blogue bom

Envio de Mensagem: 

Nome: Gina  
Website: http://verdeagua2.blogspot.com  
Mensagem: Olá, boa noite. Deixo dados para inscrever o meu blogue nesta iniciativa (que descobri agora mesmo) na categoria 'Diários de Bordo / diários íntimos e pessoais' Cumprimentos... e muito agradecida (claro!) pela oportunidade de divulgar o meu blogue.

No mesmo dia em que recebi o destaque de que falei há dias, sem querer, encontrei um site - Aventar - promovendo um concurso onde se elegeria o melhor blogue do ano 2011 em diversas categorias. Num gesto impulsivo inscrevi o meu... Não estou totalmente arrependida mas para lá caminho. Neste momento o calor esfriou e tenho uma grande dificuldade em acreditar que este 'Verde Água' é um bom blogue por várias razões, sendo que a principal é a minha total falta de aptidão para captar a atenção dos leitores durante muito tempo. É imprescindível fazer com que as pessoas regressem e, principalmente, se acomodem ou se habituem ao meu estilo, creio eu. A mim falta-me esse saber, a minha experiência diz-me que raros são os que ficam, duma forma ou doutra eu espanto a caça toda... E não estou, de modo nenhum, a queixar-me. É apenas uma constatação. O leitor querendo aceder a este site e votar, faça favor. Mas não vou pedir que vote no meu blogue, antes peço para votar no que achar melhor. 

Votar aqui .

Filme

Andou um homem de câmara de filmar sofisticada filmando a minha rua. Mais logo, este pedacinho lisboeta aparecerá na TV, presumo. Este pedacinho com tão pouco para ver, este pedacinho tão solitário e triste. Pedacinho abandonado, até.

Dias de um ginásio

Há uma nova modalidade no ginásio. Não sei como se chama mas isso é o de menos. Trata-se de uns lençóis presos em vigas onde os praticantes se balançam e/ou esticam a musculatura, o que proporciona uma estranha visão a quem observa.
Duas 'meninas' brincavam com os ditos lençóis, fazendo de baloiço, quais donzelas repletas de jovialidade e candura, de faces rosadas e cabelos ao vento, o que me provocou uma espécie de inveja...

Marina

Marina, uma rebelde e atiradiça jovenzinha de 16 anos, não está virgem e orgulha-se disso. Tem namorado, este é o quinto. Tem namorado, ou uma espécie disso. Uma colega mais velha e experiente das coisas da vida diz-lhe:
–    És uma desmiolada e uma desavergonhada, vais com todos!
Ela não quer saber, deixa-se estar, assim é que está bem. Depois de há um ano atrás ter visto a sua primeira paixão completamente destruída pelo namorado, esse vil e intruja, e a sua vida avassalada por uma dor atroz, nunca mais vai deixar que a magoem, a partir de agora será sempre ela a terminar os namoros, já sofreu bastante e nunca mais será destratada por homem nenhum.

Beleza


Tomélia é linda, tem a perna boa. Os homens olham-na com gula, os porcos. Até as mulheres, essas cabras invejosas, a comem com os olhos.

Oh céus, não se pode ser bela!

Frio

Albernoa, 15 de Janeiro de 2012

– Se estamos no Alentejo porque está tanto frio?!

Pergunta a rica filha para o ar, enregelada.

– Porque estamos no interior! Nunca deste geografia na escola?!

Espanta-se o rico filho, esse jovem que não percebe apenas de futebol...

Caixinha(s)

Tenho um outro homem cá em casa, cada vez estou mais convicta disso. Alguém com características normais de macho, ainda que bastante jovem e recém-chegado ao estatuto.
Noutro dia comprei umas caixinhas coloridas para guardar as mercearias na despensa. E sendo que nos últimos meses tenho enchido a despensa com caixinhas de todas as cores e feitios para armazenar as mais diversas coisas, o rico filho, quando lhe mostrei orgulhosamente a minha mais recente aquisição, ainda por cima toda amaricada...

–    Mais caixas, mãe?!

Pergunta ele, rente ao gozo. Masculinidade e arrumações coloridas não combinam. De todo.

A rica filha que escreve

sábado, 14 de janeiro de 2012

Destaque



Há dois dias tive uma grande (e alegre) surpresa ao verificar que o meu blogue foi destacado pela Olinda do blogue A Casa do Alfaiate como 'Blogue Escritor do Ano de 2011'. Fiquei tão surpreendida que me atarantei toda...

Já agradeci, claro, e agora faço o post, um tanto ou quanto atrasado, mas faço. Faço para agradecer publicamente o destaque. E também faço porque estou vaidosa por alguém destacar a minha escrita e o meu modo de escrever.

Nota: a imagem foi retirada do blogue A Casa do Alfaiate.

O bom da vida...


 ... O expoente máximo, é que eu ainda não aprendi ou sequer vivi tudo. Supra-maravilha.

Registo

Quando contei as histórias dos meus avós maternos e paternos não usei nomes fictícios. Já todos morreram e alterar algo tão marcante e detentor de identidade como é o nome de alguém não fazia sentido. No entanto, quero registar que o nome da minha avó paterna não era bem assim como escrevi. O segundo nome dela era Aurélio e não Aurélia. Ora acontece que eu, o meu irmão e os meus primos sempre lhe chamámos avó Aurélia e não avó Mariana, que era, a bem dizer, o seu nome próprio.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Instintivamente

O instinto dizia-me que não me metesse no meio deles. Que passasse ao largo. Que me iam fazer coisas. O instinto levou-me a passar mesmo ao centro, desafiá-los ou assim, eles dum lado e doutro, eu ali, passando sem pressa, a cabeça levantada, fingindo calmaria.

Ai, o instinto... Esse impróprio e malvado...

Um dia achei que podia ter uma secretária gira, quiçá invulgar...




Lisboa, 13 de Janeiro de 2012

Facto real

Lisboa, 13 de Janeiro de 2012
A minha vida tem sido simplement fantastique nos últimos dias: já tenho tempo para tirar fotografias...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Avós

Contei a história dos meus avós maternos e a dos meus avós paternos. Esta última é mais extensa porque é deveras dramática. Ambas são histórias resumidas e cruas. Posso ter escrito desse modo por uma questão de feitio meu, que não sei como ser amorosa e romântica, ou pode ser a vida que é mesmo assim. Não sei.

Amores da aldeia

Lisboa, 6 de Janeiro de 2012

Mariana Aurélia e Francisco João conheceram-se e juntaram os trapinhos como mandava a lei.
A vida em conjunto foi curta e feliz quanto baste.
Tiveram alguns filhos mas nem todos ficaram para semente. Noutro tempo era assim, não havia meios para combater algumas doenças, morria muita criança. Uma das meninas, moribunda, contava Mariana Aurélia, não se calou até soltar o último suspiro. Diz que não via: 'ó mãe eu já não vejo, ai mãe que eu já não vejo!'
Ainda assim, a vida correu-lhes menos mal. Ou menos bem, depende do ponto de vista. A fome existia, as necessidades básicas não eram totalmente supridas.
Um dia, Francisco João, ainda jovem, espetou um prego no pé. Apanhou tétano, a temível doença que ceifava as gentes nos anos 30 do século passado. Não escapou, morreu. Trinta e tal anos... Trinta e quatro anos, a Mariana Aurélia.
Depois foi o luto, Mariana Aurélia nunca mais largou o negrume na sua indumentária até lhe terminarem os dias.
Os filhos famintos, a casa paupérrima, o desgosto. A falta de trabalho para uma ainda jovem viúva, noutro tempo era assim...
Filhos criados, casados e despachados. Netos, bisnetos. Afazeres e família. Companhia, enfim. Mas Mariana Aurélia tornou-se ruim, invejosa, intempestiva. A viuvez era um cargo que não abandonaria jamais, noutro tempo era assim...
Depois de meia vida de solidão matrimonial, de castigo e ruindades de várias espécies, bem como dalgumas coisas boas, Mariana Aurélia morreu no táxi que a levava ao hospital. Tinha os dedos negros e encarquilhados por causa da aflição. Ao tempo que o coração andava fraco...
Fim.

Assim de repente...

(sim, novamente, que isto um dito leva a outro e por aí fora)

… Tenho para mim que o meu blogue há-de ser mais apelativo a tudo quanto tiver instinto másculo. Eu passo a vida rodeada de homens também no virtual. Curiosamente...

Assim de repente...

… Tenho a dizer que este blogue está cheio de cenas de gaja, puras e agrestes, ou polidas e interessantes. Querendo dar um espreitadela por aí abaixo... Não incomodo mais.

A casa

Era um pátio.
Era uma casa.
Era a porta da rua suja de pingos de cimento e poeiras de vários anos.
Era a bilha de gás na entrada, com os tubos e as abraçadeiras engordurados.
Era cerca duma dezena de meias de vidro postas a enxugar ao calhas na porta da cozinha.
Era os tapetes revoltos e desfiados. E sujos.
Era o fogão sem pontinha nenhuma limpa.
Era cacos sujos em qualquer lugar para onde se olhasse.
Era fósforos usados espalhados no fogão, no lava-louça, no chão.
Era um saco de lixo meio cheio de restos de comida.
Era, sumamente: papelada, cotão, pó, gordura, louça suja, imundície.
Era ela a arranjar-me um banquinho para eu me sentar.
Era ela, convicta da aparência assaz descuidada e imunda da sua casa, dizendo que podia sentar-me ali, que estava limpinho. E estava...
Era eu pousando a mala no banquinho para tirar cachecol e luvas.
Era ela insistindo, que me sentasse.
Era eu agarrando na mala, cachecol, luvas.
Era eu sentada num banquinho, naquele raro pedacinho asseado...

Da cabeça

Tirando as coisas que nos põem na cabeça sem que o queiramos, vulgo par de cornos, tudo o mais somos nós os responsáveis pelo que anda cá dentro a fervilhar ou em repouso.
Eu tenho uma cabeça algo doente e a culpa é minha.

E agora pergunta o leitor: então e par de cornos, tens?

E eu respondo: isso querias tu saber!

Mas o que é que se passa com esta gente?!

Há aí um que gagueja com o frio. Tirita, por assim dizer. Depois fala e não se percebe nada. Então vejo-me forçada a dizer-lhe:
– Olha, se é para te perceber vais ter que repetir.
– Ah, então vou falar sem gaguejar, diz ele.

Falou, está percebido, adeusinho e passa bem.

Tem a sua piada, tem, que eu sei que tem.

O chinês da cara quadrada logo à noite vai sonhar comigo. Concluiu que eu tenho muito jeito para a coisa...

Primariamente ninguém dá nada por mim. Ah, isto é uma parva que para aí anda, não sabe nada e nem sequer sabe falar. Depois há um dia, o feliz dia, em que são postos diante da minha inteligência, abre-se-lhes os olhos e deixam de me ver como estúpida e lenta. Eu torno-me extensamente inteligente, muito aquém de básica e vulgar.

É isso mesmo, 'migos, eu sou uma mulher inteligente. Adorem-me e bajulem-me, vá.

Para sempre

Ó Perpétua, deixa-te dessas merdas de pensar que vais viver eternamente!

Interessadamente

Não obter resposta leva-me a sentir que escrevo sem interesse.
Não obter resposta leva-me a escrever desinteressantemente.
Não obter resposta não significa... porra nenhuma. E este é um dos males de quem escreve.

Post com um título tão parvo quanto o post

Uma perguntinha ao homem das camisinhas:
Sabes que eu reparo sempre num homem que veste camisinhas cor-de-rosa?
Duas perguntinhas ao homem das camisinhas:
Sabes como se chama o padrão da tua camisinha?

Línguas

É filha de diplomatas e tem quinze anos. Vai às festas todas. Encontra-se com jovens de vários países, filhos de diplomatas como ela. Também há gente adulta, uns mais novos que outros. Uns daqui, outros dali. O mundo inteiro nas festas. Comunicativa que é, a menina põe-se a falar, a falar, a falar. Quando se dá conta verbaliza uma miscelânea de sílabas informe, resultado da confusão em que está a sua cabeça. Não se entende nada!

A massa

Introdução necessária:
Neste mercado de consumíveis domésticos e industriais há uma massa vedante cujo nome técnico é 'vedante de perfil' ou 'massa vedante para carroçarias' e serve para vedar (como o nome já é disso indicativo), tendo a particularidade de nunca secar. Por qualquer motivo alguém se lembrou de chamar 'massa caralhuda' fazendo jus à vulgar linguagem de oficina.
Pequena achega: o meu colega – que tem medo de palavras obscenas – chama-lhe massa guedelhuda.

O meu colega vem de lá com um cliente e diz-me que o senhor queria 'aquela massa com o nome feio'.
Faz-se o negócio e tal e entretanto o homem revela uma grande curiosidade em saber o nome da massa.
Ah vá lá, diga lá e coiso, pede ele.
E eu, que não tenho medo da maioria das palavras, disse.
Ah, logo vi que tinha de ser alguma começada por cê..., diz ele.

Ciências

A rica filha (também) comentou esta imagem. Adorou-a, diz que é a parte gira das ciências.

E ainda por cima é verde, cor que adora, digo eu.


Lisboa, 6 de Janeiro de 2012

Haja luz

É bom que se faça luz, que eu já tenho falta de vista.


Lisboa, 12 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Agora já tenho tempo para tirar fotografias...



Lisboa, 11 de Janeiro de 2012

O segredo

Ele queria, porque queria, porque queira, que lhe fizesse uma chave mas estava duvidoso relativamente à minha competência.
Olhe lá, esta chave tem algum segredo?
E eu...
Tem pois, tem os segredos que não me convém que o senhor saiba.

Favores em cadeia

Há uns dias pedi um favor a um dos meus vendedores. Depois ele chegou-me aqui sem o favor materializado. Não me fiz de vítima - ah como sou infeliz e insignificante, que ninguém me liga -, não senhores. Sem demoras, disse-lhe que sei o motivo pelo qual ainda não me tinha satisfeito o (quiçá abusivo) pedido: não havia meio de acontecer uma encomenda da minha parte, o que acho justo. É que eu também sou vendedora, caro senhor, logo... conheço os meandros do negócio.

14

As jovens de 14 anos riem muito e falam alto, despreocupadas. Se eu sorrir para elas, numa atitude condescendente e benévola, não compreenderão a cota aqui - rirão muito; falarão alto. As jovens de 14 anos nada mais sabem fazer além disso aí.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O perfume

Há pessoas simples que não sabem exprimir-se. E depois são agressivas, estão habituadas a ser maltratadas devido à sua fraca condição.
- Olhe lá, tem cá perfume para a gente pôr assim na roupa? Sabe o que é um perfume, não sabe? A senhora sabe o que é um perfume, não sabe? Sabe, ou não sabe?!

Hum, ok. A vida é bela, ainda assim, que eu sei que é. Há flores cheirosas, passarinhos cantantes e crianças expeditas. Rios de prata, montanhas gigantescas, campos coloridos dos mais belos tons, linhas de horizonte desafiadoras o suficiente para que se pense em lá chegar daqui a nada.
Ademais, eu sei o que é um perfume. Sei, pois.

Ah, quem me dera (saber) escrever...
Está tudo um tanto ou quanto confuso.
Há muito para escrever.
Falta a clareza.

No lugar da musa

Ele lê. Bebe o café. Chupa o pau de canela. Folheia um livro grosso. Tem muito a ler, portanto. Já o café... é curto.

A esposa graciosa

A dona Marília perguntou ao meu colega pela sua graciosa esposa. Aquilo fez-me espécie, que eu conheço-a mais ou menos bem e acho que de graciosa a bicha não tem nada.

Obra de caridade

Esteve aqui uma senhora – a quem não conheço lá muito bem - que quer uma fechadura nova lá em casa porque lhe andam a mexer nos pertences e mais não sei o quê. Quer efetuar o pagamento faseado e quer que a gente aprove o seu pedido, diz que precisa que lhe façamos caridade.
Não, não estou a brincar. E a senhora também não, foi até bem clara: 'preciso de um pouquinho de caridade'.

Glicerina; glicemia... Doçuras

Qualquer reles droguista sabe que a glicerina é o elemento doce dos químicos. E eu, gente ainda abaixo desse reles grupo, corroboro: a glicerina é doce, é. Mas não queirais comer os sabonetes de glicerina, pois não é lá grande coisa. Deixai-vos disso...

Faz-me festas

Lisboa, 10 de Janeiro de 2012

Este rádio precisa que lhe toque no botão. Ligo-o e não diz nada. Tenho de lhe tocar mesmo, com a mão, suave, ao de leve para não ferir sensibilidades. Depois solta-se o som, rugoso e agreste, mas que não fura tímpanos, não senhores. Para parar precisa da minha mão outra vez. Faz-me festas, diz ele...

Limpezas com alguma profundidade

Lisboa, 7 de Janeiro de 2012

Terminaram oficialmente as limpezas pouco profundas que levei a cabo nas últimas três semanas e picos. Nesta data os leitores livram-se de posts com cheirinho a lixívia e outros detergentes, e duma saga que afinal até nem teve assim tantos percalços, eu é que exagero sempre, com descrições deveras desinteressantes acerca dos episódios muito aquém de mirabolantes que vivo.
Finalmente!, suspiram os respeitosos leitores, porventura aliviados com tão boa nova.

Atenção: não ler este post caso possua uma mente sensível

Não tenho fome. Tenho-me alimentado dos escarros que não consigo deitar fora.

Não é que goste por aí além de pedir desculpas, gosto é mais que muito de escrever...

Ora bem,

Assim de repente devo dizer que estou farta da convalescença. Bem sei que é falta de hábito, que sou uma mulher saudável. Isto passa e blás. Ou passará e rebéubéu. Estou melhor, obrigadinha.

Agradeço especialmente a quem me deixou as melhoras no post anterior: 
Obrigada, Redonda...
Obrigada, Paula ...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

10:45; 4º dia da convalescença; ponto da situação

As coisas boas são sempre aos pares...

O ranho é amarelo, espesso e abundante.
Tusso amiúde.
Espirro lá de quando em quando.
Assoo-me a cada quarto de hora.
A dor de cabeça e garganta é intensa.
O peito tem uma ninhada de ratos querendo escapar.
Estou mole como as papas, cheia de tremeliques e quente à brava.

(Dizem que hoje está um frio de rachar.
Eh pá... Sério?!)

Adenda
Já tomei umas porcarias análgicas e febrífugas a ver se melhoro. Tomara já cá as benditas melhoras, que eu preciso de viver para escrever... Bem como o contrário.

Post Scriptum
Ah, é verdade, a imagem é só para enganar...

Nota
Imagem tratada a partir duma fotografia que tirei hoje, 9 de Janeiro de 2012.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desilusão

Lisboa - Alameda Dom Afonso Henriques, 7 de Janeiro de 2012

A rica filha diz que esta imagem é uma grande desilusão - olhando de repente parece que se vai ver um grande sol... E afinal é só um prédio lá ao fundo...

Receitas 2 em 1

Este é um post duplo, há duas receitas em atraso para apresentar. Não tem havido grande disponibilidade para compôr este post. Mas hoje houve, que é Domingo.

A primeira receita é 'Tarte de maçã com marmelada e vinho do Porto'. Retirei-a do blogue 'Come chocolates, pequena; come chocolates!' que conjuga textos e culinária. Um blogue muito bom, por sinal.
Devo confessar agora que:
saltei a etapa da base de tarte, comprei uma massa quebrada já preparada;
usei pêros amarelos e não maçã reineta;
acrescentei raspa de laranja.

Apresentarei a receita conforme a confecionei.


Tarte de maçã com marmelada e vinho do Porto

1 embalagem de massa quebrada de compra
1 kg de pêros amarelos descascados e descaroçados
200g de marmelada
60ml de vinho do porto
4 colheres de sopa de farinha sem fermento
2 colheres de sopa de açúcar
raspa de 1 limão
raspa de uma laranja
1 colher de chá de canela
1 gema de ovo + 1 colher de sopa de água para pincelar

Pré-aqueça o forno a 180º. Bata a marmelada com o vinho do porto até obter um creme liquefeito. Reserve. Misture a farinha, com o açúcar, a canela, a raspa de limão e de laranja. Reserve. Unte uma forma de aro com manteiga. Estenda 2/3 da massa e forre a forma, tendo o cuidado de deixar massa para além do limite da forma para depois enrolar. Corte os pêros em fatias finas. Disponha no fundo uma camada de pêro, depois uma de marmelada e termine polvilhando com a mistura de farinha. Repita o processo até esgotar os ingredientes. Estenda a restante massa e cubra a tarte. Pincele com a mistura de ovo e água e faça alguns golpes no topo.
Leve ao forno até a massa estar dourada. Pode ser servida morna ou fria.

E agora a segunda receita: 'Biscoitos de baunilha com farinha Custard', retirada do blogue 'A casa da Gigis' Uma homónima, portanto...



Biscoitos de baunilha com farinha Custard

250 g de farinha de trigo
50 g de farinha custard
1 colher de chá de fermento em pó
100 g de açúcar
180 g de margarina
1 ovo
1 pitada de sal

Ligue o Forno a 200ºC. Junte o ovo com o açúcar e bata bem. Acrescente o sal.
Derreta a margarina e envolva-a no preparado anterior.
Peneire a farinha de trigo aos poucos e junte ao preparado anterior, mexendo. Por fim peneire e farinha custard e o fermento em pó e mexa bem.
Estenda a massa numa bancada enfarinhada com a ajuda dum rolo também enfarinhado e corte círculos com a ajuda dum utensílio próprio. Leve a meio do forno. Retire quando os biscoitos se apresentarem louros, uns quinze minutos depois.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Não sei se dá para perceber...

… Estou doente.

Na imagem ao lado
aparece juventude,
vigor e
sensualidade.
Ao escolhê-la
criei contraste
com o modo como me sinto agora:
febril.

A palavra

Vem cá, não tenhas medo da loucura. Ela arranja-te uma palavra para tu dizeres sempre que te sentires fraca. É como uma bengala em que te apoias para não te excluires da realidade. Vais dizendo, dizendo, dizendo... Não temas, um dia passa.

Amores da aldeia

Lisboa, 6 de Janeiro de 2012

Francisca Júlia e José Joaquim conheceram-se e amaram-se. Casaram assim que puderam, sempre em conformidade com os desígnios dos aldeões.
Não viveram felizes para sempre.
Tiveram muitos filhos. Muita fome, pouca esperança em melhorias. Ervas aromáticas: quanto baste. Pão, linguiças, azeite e alhos: parcos. Carne, peixe e legumes: parquíssimos. Restantes itens da roda de alimentos: inexistentes.
Francisca Júlia lavava quilos de roupa na ribeira, fazia a comida e arranjava a casa. José Joaquim trabalhava na monda e finda a jorna embebedava-se. Todas as noites.
Os filhos cresceram debaixo de temor, José Joaquim tinha mau vinho, porrada nos cornos todos os dias, numa ânsia egoísta. Esposa inclusa no descarrego das suas básicas frustrações.
Chegados à idade adulta, os filhos casaram, geraram netos que fizeram algumas delícias a estes avós incultos e brutos que nem cerros. Poucas delícias, que não eram pessoas com jeito para essas coisas, portanto.
A vida passou-lhes por cima. Francisca Júlia e José Joaquim: míseros e infelizes, é o que eram. Triste ilação...
A morte chegou. Bem-vinda, talvez.
Fim.

Obituário

Afoguei um cachorrinho - com dono e sem abandono - numa poça pouco profunda. Eu, alta e possante para o bicho, enraivecida, agarrei-o pelo pescoço e pumba, fui apertando. Ele estrebuchou e morreu.

(Matei o meu amor, já não uso aquele anel.)

Agora sofro eu, é a mim que dói. Dói que se farta mas não vou ruir, que sou possante.

(Afinal de contas... Ando sempre a inventar.)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aos futuros clientes:

Bostik não é uma massa e já está. Não. Bostik é uma marca de colas e vedantes (dentre outros artigos, creio) tão vasta e variada como a parte psicológica que constitui esta pessoa espetacular que daqui escreve.

A encomenda

Nas duas últimas semanas do ano passado um senhor andou a comprar roldanas às mijinhas, ou seja, ao ritmo a que se partiam lá em casa, até que se me esgotou o stock e num dia ele saiu daqui de mãos vazias.
Fim de ano chegado: balanços, inventários, pausa na produção e no envio de encomendas.
Entretanto o novo ano chegou, bem como as roldanas...

Vi vir lá ao fundo da avenida o senhor das roldanas. Ponderei a situação, se o interpelaria, se me identificaria, se lhe anunciaria que o meu stock havia sido reposto finalmente...
Começou a dar-me vontade de rir por qualquer motivo que não discorri na hora, ou sequer discorro ao momento. Desisti. O nível de interesse ou pilhéria que eu acho a determinadas casualidades não costuma ser o mesmo da outra gente.

Como é que é?!

Vou até ao lugar da musa. Deixo-me estar. Escrevo. Chego aqui e descubro que trago de lá uns apontamentos que não descodifico.

Há coisas do caraças!

Ela entrou, eu disse imediatamente bom-dia, ela nem respondeu. Não retribuiu, vinha de cara fechada, o que não é costume. Esperei pacientemente que desembuchasse, muito embora já soubesse o que a trazia ali. Pediu-me desculpa por não me ter respondido mas tinha recebido uma notícia ruim momentos antes. Pensei: 'menos mal' e respondi que deixasse estar, não fazia mal. Fizemos o que tínhamos a fazer. Blá blá blá, pardais ao ninho. A transação ficou a meio, de repente ela largou a mala e a carteira, ambas escancaradas em cima do balcão, e saíu a correr para se sentar numa cadeira da espalanada aqui do lado, pousando a cabeça nas mãos como se estivesse a chorar. Eu fiquei num impasse terrível, cheia de dúvidas:
Vou ter com ela?
Deixo tudo escarrapachado em cima do balcão?
E se entra alguém e a rouba?
E se lhe dá para pensar que eu a roubei?
Fico aqui ou vou para ali?
Que faço?!

O meu impasse terminou quando ela regressou para dentro. Tinha o semblante tenso mas sem lágrimas. Perguntei-lhe se estava a sentir-se mal, se queria sentar, eu arranjava-lhe um banquinho. Não, não queira nada. Põe a mão na boca e corre lá para fora outra vez.

Ai o caraças, que é que eu faço à puta da minha vida com esta gaja?!

Quando voltou percebi que o que ela não queria mesmo era que eu (ou alguém) a visse chorar, fugia para se controlar, para não deixar cair as lágrimas à vista de outrém.

Melhor seria deixar-se estar e chorar. Acho eu.

Insatisfação

Momentaneamente,
sim.

Normalmente,
não.

Condição humana,
talvez.

Livro primeiro deste ano 2012

Comprei um livro – 'O Apicultor', Maxence Fermine.
Ao tempo que andava a namorá-lo...
A capa é linda e deveras apelativa mas não foi por isso que o comprei. Este escritor tem uma magia profunda na expressão, o que me atrai e envolve; o tema apicultura é novidade para mim.

Para Aurélien, a vida era uma curiosa abelha de ouro que brilha ao longe, voa, embriaga-se de perfume em perfume, embate nos vitrais do sol e procura, na imensidão do céu, o néctar da sua própria flor. (…)


As abelhas podem morrer de amor por uma flor.
As abelhas podem morrer de amor.
As abelhas podem.
Na verdade, nada sabemos sobre o poder das abelhas.

Vocabulário

Entrou aqui um senhor (pedreiro ou algo do género) que diz muito depressa:
– Quero um balde e uma esfregona baratos que é para usar uma vez e deitar fora!
– Se é para usar uma vez acho que o senhor não vai gostar do preço...

Ando cá com um comércio no palavreado mais eficiente... O que vale é que o cliente era um homem obstinado. Queria e comprou. Está o negócio feito.

Escapadinha

Uma mulher jovem estava numa mesa de café em conversa com os colegas. Toca o telemóvel. Ela atende. Depois de uns quantos monossílabos ouço-a dizer:
– Ah, eu fui só à casa-de-banho, já vou para aí!

Ah pois é, pois é...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ai ai!

Esqueci-me que não estava sozinha e soltei um suspiro profundíssimo. A cliente comentou:
– Mas que grande suspiro!
Queixei-me de frio, realmente era o que me estava a apoquentar. A senhora disse:
– Pois, está aí parada...
– Às vezes ando aí aos pulos para aquecer mas depois as pessoas que passam lá fora vêm-me e chamam-me maluca...
Ela sorriu, cúmplice. Sempre há quem aguente as minhas tiradas, afinal. O contacto pontual e/ou esporádico tem esta benesse.

Pois é, estou realmente muito parada, a clientela anda escassa. A malfadada crise existe, não é invenção dos pessimistas ou dos comerciantes avarentos. Uma prova disso é o número de posts que consigo escrever numa tarde.

Texto remetido para o blogue Fábrica de Letras à posteriori.

O moçoilo, no lugar da musa

Estava um jovem sentado num sofá. O outro estava livre. De chávena de café na mão pedi licença para me sentar. Ele olhou-me algo sério e eu tive vontade de fugir. Mas eu não sou constituída de medos e receios apenas, reforcei o pedido:
– Não se importa, pois não?
– Não, faça favor!
Descansei. Pronto, ainda há jovens assim como que educados, felizmente. Comecei por retirar o invólucro da bolachinha que habitualmente acompanha o café. Fiz muito barulho, senti-me inserida numa plateia de óperas ou assim, em que as pessoas normalmente são sisudas e bastante sossegadas, e portanto intolerantes ao mínimo distúrbio. Tive receio novamente que o moço se incomodasse com a minha presença. Depois deixei-me disso. Comi a bolachinha. Beberiquei o café. Pousei a chávena. Tudo com gestos normais e barulhos q.b. Do moço nem sinal. Lia. Cusquei o título do livro, não consegui enxergá-lo. Dediquei-me também eu à leitura. Não fui capaz, ando outra vez um bocado dispersa e muito desconcentrada. Ele não. Ele lia atentamente, ausente, absorto. De repente, enquanto eu observava as senhoras do post anterior, bazou.
– Com licença!

É mesmo educadinho...

Impotência

No lugar da musa estavam duas senhoras perscrutando livros e autores. De repente uma delas fica muito entusiasmada com determinado livro / escritor, não cheguei a ouvir exatamente o que dizia mas os gestos eram efusivos, era claramente um escritor que havia captado a atenção dos leitores e estava bem lançado publicamente.

Eu quero escrever um livro... Por momentos tive uma sensação de impotência tão aterradora que me chegaram as lágrimas aos olhos. A parte de 'escrever o livro' é o de menos, o pior é o resto: e se ninguém quiser ler?!

(Alguém que traga a caixinha dos lenços aqui para ao pé de mim, por favor. Acho que vou chorar outra vez...)

É favor ponderar!

Ponderar o que escrevo é aborrecido e desgastante.

Loisas

Anúncio:
… tenho frieiras.

Extensão do anúncio:
… tenho muitas frieiras.

Queixa:
… dói-me a garganta.

Extensão da queixa:
… dói-me muito a garganta.

Cenas de gaja

Ela contou-me, cheia de nervos, o bizarro acontecimento. Era um parvalhão qualquer que lhe andava a telefonar para casa, a dizer-lhe o quanto era linda e sensual mais o que lhe faria se pudesse.
Dizia-me ela, como que envolta numa mistura de pudor e deleite:
«Então perguntei, Como tu terias peguntado, coisa mais natural, quem fala?»
E continua no mesmo tom:
«Perguntei, como tu terias perguntado, coisa mais natural, quem és?»
E vai daí, que ainda há mais:
«Perguntei, como tu terias perguntado, coisa mais natural, que queres?»

Não é fantástica a maneira como algumas pessoas me colocam nas suas histórias?!

Uma espécie de ausência

Lisboa, 5 de Janeiro de 2012

Não tenho fotos, o que lamento. Mas tenho foto... Uma só.

Agora podia dar uma de bloguista famosa e deixar aqui uma perguntinha: 
'Ah, e tal, que é isto que se vê na foto e coiso?' 
Mas eu sou um dessas bloguistas a quem ninguém responde. Logo... Nada de perguntinhas.

Telefonema

O meu patrão ligou-me. Se calhar é ele que está com saudades minhas... No fim da conversa, em jeito de remate, diz-me assim:
– Terça-feira, já aí estou para te aturar!

Não sei se o leitor percebeu o trocadilho... Que desta vez não é meu, garanto.

Não vejo nada...

Ai, a menina é das poucas pessoas a quem eu gosto de ver de óculos! São assim... grandes, ficam-lhe a matar!

Obrigada, dona Marília. Mas olhe que os meus óculos não são grandes...

Não?! Ai eu ando com estes escuros... É por causa da claridade! Não vejo nada, menina...

(Pois é, dona Marília, não deve ver nada, não!)

E a mudança, será que existe?!

Foi em Junho de 2007 mas é ainda tão atual...

«Tenho lá culpa que a merda da naftalina já não se venda ao preço dos anos sessenta?! Não querendo pagar quinhentos paus por meia dúzia de bolas sugiro que mate as traças à pedrada! Que tal? É de certeza mais barato!
Se alguém ler este texto não vai entrar em nenhuma drogaria em Lisboa nos tempos mais próximos. Eu posso estar atrás do balcão, impaciente e amarela... Ná, estava a brincar, eu até sou simpática.»

«Não tenho jeitinho nenhum para a coisa. Tenho um feitio de caca. Tenho a mania. Tenho frio. Tenho que escrever para esquecer. Tenho que escrever para não me esquecer. Tenho a certeza. Tenho dúvidas. Tenho palavras sem sentido.»

Cabras da cidade

Fui com o meu colega almoçar. Comemos um Kebab ali em baixo, aos Anjos (Lisboa). É mesmo bom! Recomendo vivamente.
Almoçados, subimos a avenida. Tínhamos de ir dar um orçamento numa dependência pública, um desses lugares em que o escritório está atulhado de secretárias, telefones, computadores, impressoras, papéis, pastas e... Escriturárias. Quando saímos de lá perguntei:
– Olha lá, achas-te capaz de montar prateleiras com um monte de cabras a olharem para ti e para tudo o que tu fazes?

Ele, sem ponta de pejo, diz que sim...

Em branco

Uma folha de papel em branco é um estímulo para a criatividade.
Ou então não.
Também me acontecem estas coisas...

Tenho estado mais ou menos em branco. A cabeça, não vazia, antes desordenada.
Às vezes lá me acontecem estas coisas...

Ontem, já que não havia inspiração, lembrei-me de escrever acerca do tempo – o tema preferido de quem não tem assuntos a debitar -, que está uma maravilha. Mas entretanto nem isso me apeteceu escrever, como se verifica caso se pesquise posts no dia 4 de Janeiro de 2012.

Escrevo hoje acerca do tempo, são três e picos, está na hora.

Tem estado um tempo gratificante ou assim. Ele é sol devido a um céu livre de qualquer neblina, ele é calor em demasia para o mês em que estamos. Estamos em Janeiro e temos o tempo de Março. 'Março, marçagão, de manhã Inverno, à tarde Verão.

Enfim, uma alegria! Uma alegria calorosa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pinguim

O Gualter é um homem divertido. Eu curto o bicho. Mesmo. Logo calhou ele estar aqui quando entrou um freira que queria uma esfregona de tiras. Ao meu pensamento veio imediatamente uma anedota em que se compara as freiras a pinguins. O Gualter olhou para mim, eu olhei para o Gualter. Tive a certeza imediata que tivera o mesmo pensamento que eu. Não olhei mais para ele para não me desmanchar a rir. Depois da distinta senhora atendida, tive a certeza que sim, o Gualter tinha pensado exatamente como eu.
Este Gualter é tão parecido comigo que até me faz impressão... E não estou a brincar. Eu em vez de ser 'parecida' com uma mulher logo me vou 'parecer' com um gajo... Tenho o meu lado masculino demasiado desenvolvido... O emocional, claro.

Adenda ao post anterior

Assim como ninguém me pergunta o que escrevo. Já tenho encontrado estranheza em alguns olhares mas nunca curiosidade.

A diarista reaparecida

Esta semana tem passado aqui uma rapariga que conheço de vista. Ao tempo que não a via. Uma vez esteve cá para se lhe arranjar uma chave para o diário, havia-a perdido algures e tinha medo que lhe fossem cuscar os escritos.
Isto aconteceu há largos anos, nessa altura já eu escrevia desenfreadamente no meu próprio diário. Lembro-me do receio que ela demonstrou caso não se conseguisse resolver o 'problema' ao desabafar:
«Pois, se eu não fecho o diário...»
Também me lembro, está bastante claro na minha memória, inclusive, do que lhe respondi:
«Mas ninguém quer saber o que dizem os diários...»

É essa a minha experiência. Nunca vi alguém cá de casa interessado em ler as minhas histórias secretas. Acredito que sejam chatas p'ra caraças. Para mim, são.

Sozinho

Tenho-o visto sozinho desde há vários meses, acho que a sua senhora já morreu. Dantes vinham aqui os dois, muito cordiais e atenciosos. Menina isto, menina aquilo. Os dois da mesma estatura, faixa etária. Modos, repentes, gestos, trejeitos... Particularmente semelhantes. Menina isto, menina aquilo.
Caminhavam juntos, subindo a avenida de braço dado, paravam para falar com alguém conhecido, tal e qual como falavam comigo na loja.
Mas ele agora anda sempre sozinho, cabisbaixo. Se está sentado no banco da avenida a cabeça pende, o olhar é tão triste que dá dó. Acho que já não me reconhece, a tristeza desvanece a memória. Não lhe digo nada, raras são as vezes em que sei o que hei-de dizer.

A carregar

Anda aí um que carrega nos érres quando está nervoso. Já sei como é, se ele fala  e faz rrrrrrrr está que não pode com tantos nervos. Muito sofre esta malta.

Conversa estupidamente interessante

«Olhe, não sei se é nesta rua... Havia um senhor que tinha fechaduras...»

Disse ao homem que estava no lugar certo, era aqui mesmo, querendo fechaduras falasse comigo, olaré. Fui toda sorrisos e queridezas. Mas ele salta de lá com um receio qualquer:

«Não, deixe estar, eu devo estar a fazer confusão.»

Oh céus, ninguém me quer...

Atenção!

Hoje, muitas das vezes em que queria escrever 'ano' escrevia 'não'. Sou uma mulher de negas...

Musa

Chegada ao local da musa dou de caras com o monsieur Dupond (ou será Dupont?!), que não via desde o ano passado.

?!

Diz que não veio logo cá pagar porque desde as sete da manhã andava a correr, à hora do almoço estava exausta, tomou o comprimido para a ansiedade e foi fazer a sesta porque já não se podia suster.

Palavra que não sei que raio tenho eu na cabeça para ter vergonha de falar das minhas ansiedades e dos meus comprimidos...

Limpezas com alguma profundidade

Lisboa, 3 de Janeiro de 2012

Não, não acabaram ainda as limpezas. Mas este é um trabalho tão inglório... Acho que só se nota limpo o telefone, que ainda por cima é um objeto mal-amado, deveras útil e no entanto ninguém lhe põe a vista em cima. Foi por isso que o multipliquei antes de o colocar aqui. Decerto se notará a sua presença.

Limpezas com alguma profundidade

Se o balde estiver cheio de água e detergente...

Se uma caixa estiver vazia e leve, mesmo à beirinha do balcão...

Se houver pouco espaço para grandes movimentos...

A caixinha das válvulas das panelas de pressão caíu na água das lavagens ficando a boiar por breves instantes porém suficientes para a danificar. Fantástico.

Sobre – tudo

O Clóvis tem um sobretudo enorme, dá-lhe pela barriga das pernas. O pobre nem lhe passa pela cabeça que fica ainda mais raquítico. Enfim...
É herança do pai, que morreu há pouco. Só pode. Ou então terá sido o menino jesus, que sempre se compadece de quem muito se queixa.

Mudanças

Ao que parece o senhor Blogspot anda a preparar-nos a ver se nos habituamos a blogues diferentes 'cá por dentro'.
Não é a primeira vez, este senhor já mudou de cara uma data de vezes, nem sempre para melhor, quanto a mim. Mas é o que tem de ser, ele anda a avisar há que tempos, vem aí o dia em que anunciará:
«Ou mudas para a nossa nova interface e clicas nos oqueis que a gente te vai indicando, ou podes dizer adeusinho ao teu adorado blogue!»

E eu vou clicar. Obedientemente. Eu cá quero o meu blogue à vista.

Dias de um ginásio

Pois é, regressei ao ginásio. Deixei-me de mariquices e fiz tudo como dantes. Custou um bocadinho, digamos que já não estava lá muito habituada àquelas andanças.

Oh céus, ai credo, alguém que me valha... Mas o que é que eu estou aqui a fazer?!

Foi o que mais pensei. Mas fiz tudo como dantes. E agora 'tou aqui que não posso.

Resoluções

Eu, que me chateia essa coisa das resoluções, ontem dei comigo a pensar em duas.

1) Cortar o cabelo. Este ano tem de ser. Restam 363 dias para o fazer. Tenho de levar a cabo este intento. É impreterível.

2) É segredo, não quero revelar. Não que seja supersticiosa, mas tenho a sensação que contando esta segunda resolução ela deixará de ser valiosa. Um segredo é algo que valorizo. É por aí. Portanto, caros leitores, esta segunda resolução de ano novo vou guardá-la comigo até que a efetue.

Considerações do Ano Novo

Tive um casal cá em casa a passar os anos. Ele tem uma filha, ela tem um filho, não conjuntamente. Assim que passou a meia noite ele lembrou imediatamente que a pirralha a quem ainda há pouco tempo mudava as fraldas cagadas 
'já vai fazer 12 anos'
Ela, não querendo ficar atrás, respondeu rapidamente que tem um filho que 
'já fode'.

Achei um piadão à cena...

Sonho

Sonhei com o meu patrão. Cá para mim isto é saudades...
No sonho explicava as 'pequenas mudanças' que fiz. Coisa pouca, nada comparável à outra vez...

Os cimentos e os gessos em sacos de cinco quilos mudaram para onde estavam dantes as ceras e os abrilhantadores de um litro.
Estes e aquelas mudaram para cima...
… Porque entretanto o sabão azul&branco, o sabão clarim e as molas de roupa foram parar longe.

E é isto. Poucochinho, poucochinho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O dia primeiro, ao dia segundo

Loures, 1 de Janeiro de 2012

É a vista da minha varanda, outra vez. O dia estava nublado, farrusco. Ou embrulhado, como diz a minha mãe. Eram nove horas e nove minutos da manhã.
Em Outubro propus-me esta saga de tirar fotografias aos dias 1 de cada mês, a ver se haveria diferenças. Não sei se as há. Porém, habita uma diferença no seguinte: hoje é dia 2...
Ontem foi dia de repasto e de 'refasto'. Quis fazer pouco, quis fazer quase nada, quis deixar de lado textos, fotos, blogue. Contei com a folga de hoje para publicar a dita foto e escrever um texto apressado.

Nota: esta é a primeira piscadela fotográfica de 2012.