Que ar tão concentrado que tu tens!
Estava a escrever.
Ah...
Era na minha cabeça, mas estava mesmo a escrever!
Hum, então está bem.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Que loucura
Tenho medo que o escrever me enlouqueça. Diz-se que é comum isso acontecer.
(Olha só a quantidade de escritores que se suicidaram ou vivem infelizes... E muitos morrem cedo!)
Se eu não escrever enlouqueço de vez.
Existirá maior loucura que esta discrepância?!
Desafiante
Gosto de desafios, anotei eu ontem num dado momento do meu escrevinhar bloguista.
Pois gosto.
Mas não gosto do desafio mandatário 'escreve sobre o tema tal, apresenta-te, manifesta o que sabes'.
Não gosto.
Sensual... Ou então não
– Quanto é que esta menina vale?, pergunta a dona Genoveva quando me vê dentro da montra.
– Uns cinco cêntimos, para aí, ó dona Genoveva., respondo, a fazer de conta que me desvalorizo.
Há qualquer coisa de atrativo no fazer das montras. Mostra-se, ou tenta-se mostrar, a alma no seu lado mais belo, puro, genuíno, mas também arrojado, tanto que arrisco dizer que fazer montras roça a sensualidade. Fazer montras é um ato sensual. Fazer montras → ato criativo → alma, despudor → criações são como carícias.
Oh céus! Desenvolver esta temática é terrivelmente difícil. Ora bem, o que eu quero dizer é que a gente pondo a alma no que faz, fica-se sensual. Note bem: sensual não é sexual. A sensualidade é uma espécie de espírito, algo impalpável, portanto, e tudo quanto for espiritual e criativo, apelando ao transeunte, ou a um dado recetor, cativando despudoradamente, é dum arrojo místico... E sensual.
Hum, não estou a ser sensual o suficiente, não tenho (mais) criatividade para escrever acerca da sensualidade que há na execução duma montra. Paro agora. Ou quase...
Mas tarde:
– Então já foi vendida?, pergunta a dona Genoveva, brincalhona.
– Ah, não, Dona Genoveva, ninguém me quer..., respondo, ainda debaixo do desvalor.
Joguinho 'Solitário'
Cheguei-me ao balcão para pagar. O moço viu-me e desculpou-se o melhor que conseguiu:
– Olhe só a senhora a querer pagar e eu a jogar às cartinhas...
– Ah, não se preocupe, eu também uso a hora do trabalho para coisas que não têm nada a ver, só por dizer que eu em vez de jogar, escrevo parvoíces...
O bicho não respondeu. Decididamente, não sei abordar este tema. Isto de anunciar a escrita, de fazer ver a outros a minha atividade criativa, o meu hobby, não vai lá com pequenos lançamentos na esperança que daí advenham perguntinhas 'A sério?! Você escreve?! Ah, que giro... Escreve o quê? Posso ler?'
Gina Maria... Ninguém te liga, muito menos ligarão se falares em 'parvoíces'. Esquece lá isso, vá.
A pintora
Esteve aqui a pintora, diz que vinha cumprir o prometido, mostrar-me as suas pinturas.
Orgulhosa, mostrou-me uma pequena parte do seu portefólio. Centra-se sobretudo na arte sacra, tema que não me diz muito. Referi o tema 'arte sacra' e ela comentou 'é isso mesmo, arte sacra!' com alegria, mas não mencionei o facto de o tema não me agradar. Saímos da arte sacra e entrámos noutros temas mais diversos: fruta, tourada, paisagem, Carnaval, flores. Gostei particularmente duma pintura de flores, eram túlipas, a cor que predominava era o verde, ao olhar o desenho no seu todo senti-me agradada. Gostava de tê-lo, levá-lo para casa, pendurá-lo numa parede... Mas não tive coragem de propor negócio à senhora. Agora arrependo-me bastante.
A pintora é uma senhora muito alegre e solta. Disse-me uma vez mais que os artistas têm de conviver, falar das suas sensibilidades ainda que não coincidam 'a senhora escreve, eu pinto!', dizia ela.
Também acho que tenho de me relacionar... Bolas, pá, eu é que não sei o que raio lhe hei-de dizer!
Ao engano
Às vezes fico aborrecida ou mesmo triste com as atitudes das pessoas. É óbvio que posso estar a entender as ditas atitudes mal, sou demasiado sensível às reações das pessoas com quem lido. Mas não é mau pensar que estou enganada, que não é bem assim, não estou a ver a coisa como ela é e tal... O pior é ser raríssimo estar a 'ver' mal...
Tenho o hábito intrínseco, enraizado, calcado e recalcado, talvez seja uma espécie de dom, sei lá, descubro com (alguma…) facilidade os desígnios das pessoas. Só não leio pensamentos, isso não. Nem quero, adoro surpresas.
Ampolas
Por causa do fígado* toda eu vou ser um jardim. Em cada ampola vou ingerir 'extratos fluídos de sumidades floridas'.
Depois de tudo ingerido conto estar mais bonita.
Sonhar não custa nada. O pensamento também não, ainda por cima pode ser arrebatador. Olha só a natureza proclamando a felicidade... Que maravilha!
A timidez
A propósito de cumprimentos e assim...
O Zé vem ali. Quando nos cruzamos vocalizo um 'olá, boa-tarde' sonante e apressado. Ele mal levanta a mão. É tão tímido, o Zé. Bem mais que eu, nem fala.
Passou bem?
Ouvi na radio que hoje é dia do passou-bem. Os locutores falavam dos vários tipos de aperto, principalmente do frouxo ou do apertado.
O passou-bem é um tipo de cumprimento que uso diariamente, por isso sei que eles têm razão, há por aí uns apertos de mão muito frouxos, provavelmente serão involuntários.
Pus-me a pensar como será o meu... Hum, acho que é intermédio em termos de força mas sobretudo tímido.
Dias de um ginásio
Mudámos de professor de Pilates. Tenho pena e não é pouca. O antigo professor era qualquer coisa de extraordinário, tinha (e tem!) no modo de lidar um misto de sensibilidade e austeridade, combinação que, como se sabe, é bastante invulgar. Tem também um dom que admiro de sobremaneira no ser humano: é cativante, toda gente o quer, ainda que se sofram horrores nas suas mãos...
Acerca do novo professor ainda não tenho muito a dizer. Anda em pé no meio de nós, como é o costume desta atividade, põe a mão na omoplata, no ossinho da anca, no pescocinho... Em cada ajuste de posição cheira-me a bananas. Hum…
Laranjas
Vêm sempre tomar o pequeno-almoço juntos. Consta-se que são amantizados mas a gente diz que são colegas, sempre é mais bonito. A puta come, o cabrão idem, só por dizer que também paga os gastos.
– Que grande laranja!- Disse ela, apontando para o balcão da cafetaria. - É isso mesmo, quero um sumo de laranja!
– Ah, não queres nada! - Diz ele com o seu jeito abrutalhado. - Isso faz-te borbulhas, pá!
O cabrão não quer pagar uma conta mais alta que o costume... Achei-lhe uma graça!
Da loja
O jovem particularmente curioso (e o nome ficou... e fica-lhe bem) gostou das t-shirts que eu havia comprado. Quis saber (cá está a curiosidade imensa) se foi na loja em frente ao café. Disse-lhe que não, tinha sido na loja mesmo ao lado daquela que tem malas e sapatos. Quis saber (eu bem digo...):
– Diga-me uma coisa, foi atendida por uma senhora alta de cabelos compridos e pretos, certo?
– Certíssimo! Também tinha a voz muito grossa mas isso não quer dizer que seja sapatão, normalmente as mulheres altas têm a voz mais grossa que as pequeninas. Já viste o que era uma mulher enorme com uma vozinha fininha?!
Eu sei que às vezes falo demais → sapatão... Quando proferi esta palavrinha estranha ele ficou quieto e calado. Achei por bem ajudar o mancebo, desvirginá-lo, por assim dizer. Era a minha vez de perguntar:
– Sabes o que é um sapatão?
– Não...
– É uma fufa, pá!
Uma fufa ele sabe o que é. O mancebo é virgem... Mas não tanto.
Patronato; 1ª vez
O meu primeiro patrão era muito estranho.
Quando me empreguei pela primeira vez fi-lo numa fábrica de costura numa localidade não muito longe de onde morava. Tinha quinze anos e fui ganhar uma miséria. Naquele tempo havia quem aprendesse de borla, de maneiras que eu ganhar alguma coisa, por pouco que fosse, não era nada mau.
O meu primeiro patrão era muito estranho. Mesmo.
A sala onde estavam dispostas as máquinas de costura era imensa, havia também uma mesa enormíssima onde se fazia o corte e as únicas pessoas que andavam em pé eram as senhoras do corte e as chefes de linha que davam apoio às costureiras ou simplesmente as mandavam calar e trabalhar. O barulho era ensurdecedor, essa é uma das recordações mais presentes que tenho da altura.
Eu trabalhava sentada num cantinho a cortar as pontas das costuras que vinham das minhas colegas costureiras. Para esse serviço tinha que ter uma boa tesoura, então, um dia ou dois depois do dia primeiro, a minha mãe deu-me dinheiro para comprar uma tesoura que ainda hoje conservo. É muito boa, já foi tantas vezes afiada que está bem menor no comprimento. Também abria as ditas costuras a ferro. Um dia houve uma empreitada tão grande de fardas azuis escuras (tenho para mim que era para a Polícia mas não estou certa disso) que várias colegas trouxeram os ferros de casa para as aprendizas darem despacho ao trabalho.
O meu primeiro patrão era mesmo muito estranho. A sério que sim.
Colocava-se na escadaria (a fábrica funcionava numa espécie de cave) a observar soturnamente as suas subalternas. Tinha um ar de mau que só visto. Ou então era eu que debaixo da minha timidez e inexperiência o via assim: ruim e inacessível. Nunca o víamos de perto, nem no dia de pagamento, quem nos estendia o envelope com as notas era a chefe mais chefe que as outras chefes. Um dia, as notas começaram a escassear. A mim ficaram-me a dever o último ordenado, alegando que havia estragado o ferro de engomar duma das colegas costureiras. Efetivamente o ferro estragou-se mas não por minha culpa, era um ferro a vapor doméstico, inadequado para trabalhar horas a fio. E eu é que o paguei. E a minha colega deve ter ficado sem um ferro de engomar, provavelmente.
O meu primeiro patrão era deficiente.
Debaixo da postura austera havia um homem sofredor, era deficiente. Segundo me lembro, a sua deficiência era sobretudo nos braços mas desconheço se era de nascença ou por acidente. Nos largos minutos em que se mantinha no cimo das escadas observando-nos, dava um balanço esquisito ao corpo e mandava os braços para trás das costas. Dois pêndulos mortos eram balanceados duas ou três vezes e tumba!, braços atrás das costas, mãos sobrepostas e agarradas uma à outra para os pêndulos sem vida não escorregarem e ficarem inertes ao longo do corpo.
O meu primeiro patrão era muito estranho, eu bem que aviso desde o início do texto...
Olissipófilo
É olissipófilo! Alguém que ama desmesuradamente a nossa capital → Lisboa, tanto que sabe tudinho acerca dela.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Abolir o pensamento(?)
«Não penses, escreve.» Disse Forrester há dias num filme que passou na TV. Escrever sem pensar, que exercício difícil... É este o princípio básico da escrita. A dele, claro. Eu sofro imenso se proceder assim. Preciso prepará-la, dar-lhe uma certa forma. Mas gosto de exercícios, desafios. Por isso, agora vou brincar aos escritores.
Olha eu a escrever sem pensar:
Desnecessário
Não preciso de ninguém para absolutamente coisa nenhuma. Nada. Tenho a internet. Tempos modernos, chamem-lhe assim, se o preferirem.
Internet → Google, Sapo. IOL. Cliques. Saber. Disciplina.
Pesquiso. Flutuo. Ou navego, caso prefiram. Aprendo. Fixo. Divulgo.
Fantástico.
Pessoas para quê? Desapareçam, vá. A solidão tem um lado obscuro que me diverte. Ou ausência de conflitos. É esta a melhor parte. Sou uma excelente pessoa sempre que ando sozinha por aí.
Olha eu a pensar e a escrever:
Lugares sentados
Ela.
Dois cafés?
Eu e ele.
(Que disparate, se nem nos conhecemos bem...)
Sorrisos.
Ela.
Tem lugares, não tem?
Ele.
Tem, sim.
(Há uma mesinha vaga com apenas uma das duas cadeiras que lhe pertence e um dos sofás negros está disponível. Sentei-me na mesinha, não ia ler por já não ter tempo.)
Afinal, ó 'migo... Afinal você ficou em pé?! Sente-se ali, vá. Eu deixei o sofázinho disponível para si, não seja assim. Você gosta de ler, vejo-o todos os dias, absorto na leitura. Ó homem, vá-se lá sentar no sofá, porra!
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Vamos brincar outra vez? 'Bora lá!
Olha eu a escrever sem pensar:
Tópicos
Parei a marcha e sentei-me num muro baixinho a escrevinhar.
O senhor doutor
Sono
Fígado
Vísceras
Ódio visceral
Tudo a ver...
Olha eu a pensar e a escrever:
O verão a chegar
Estão vinte e poucos graus. Tenho frio. Logo à noite começa o verão, daí este frio ser descomunal em relação ao dia e ao mês corrente.
Estou muito sonolenta. Demasiadamente sonolenta, a cabeça pende a cada paragem de movimentos. O senhor doutor diz que tenho o fígado sujo, por isso tenho sono, diz ele que é uma reação do corpo quando algo não está bem. Receitou-me umas ampolas para fazer a limpeza do órgão vital. Vou ficar com um fígado tão limpinho como quando tinha cinco anos, mais coisa menos coisa.
É natural que tenha as vísceras atoladas em imundície, lido com variadas coisas e variados casos tão insuportáveis que lhes tenho um ódio visceral. O fígado adoeceu. O fígado e eu, por acréscimo.
Estão vinte e poucos graus. Tenho frio. Logo à noite começa o verão, daí este frio ser descomunal em relação ao dia e ao mês corrente.
Estou muito sonolenta. Demasiadamente sonolenta, a cabeça pende a cada paragem de movimentos. O senhor doutor diz que tenho o fígado sujo, por isso tenho sono, diz ele que é uma reação do corpo quando algo não está bem. Receitou-me umas ampolas para fazer a limpeza do órgão vital. Vou ficar com um fígado tão limpinho como quando tinha cinco anos, mais coisa menos coisa.
É natural que tenha as vísceras atoladas em imundície, lido com variadas coisas e variados casos tão insuportáveis que lhes tenho um ódio visceral. O fígado adoeceu. O fígado e eu, por acréscimo.
Coisinhas fofas
Esteve aqui um casal de paneleiros... Ai, perdão.
Esteve aqui um casal de homossexuais mandando duplicar chaves. Um deles, o que ia pagar, quando soube o preço manifestou-se achando o serviço caro. No entanto, logo de seguida, cheio duma graça particularmente inteligente referiu que não sabendo executar semelhante ofício limita-se a mandar fazer e pagar pelos préstimos.
Agradeci imenso tamanho discernimento, pois não é toda a gente que tem essa visão tão lúcida e pragmática, economicamente falando.
Sempre há umas pessoinhas fixes no meu balcão...
Abandono
Já retiraram a placa maior àquele consultório de análises e exames. Vão sair dali. A bem dizer já todos saíram.
Vá, retirem lá as placas menores, as letras garrafais do 'Consultório' e o imenso número da porta, a ver se o prédio fica limpinho. Já agora voltem ao tempo antigo, em que o prédio apresentava a tinta gasta e escamada em várias partes e rios de humidade desciam do algeroz, tanto que formavam margens de musgo verde. Verdinho, verdinho.
«Recordar é viver.»
É?! E se eu não puder afirmar a realidade que apresento como sendo a mais verdadeira? Eu sei lá se escorria água do algeroz... E o musgo, haveria? De que cor era o prédio antes da reforma?
Agora dava jeito conhecer um(a) daquele(a)s senhore(a)s adoradore(a)s de tudo quanto é alusivo à cidade de Lisboa (eu sei que há uma palavra que designa este gostar tanto de Lisboa mas não a descobri...) para perguntar; 'Olhe lá, como se apresentava o número xis da rua tal em tempos idos?
Agora dava jeito conhecer um(a) daquele(a)s senhore(a)s adoradore(a)s de tudo quanto é alusivo à cidade de Lisboa (eu sei que há uma palavra que designa este gostar tanto de Lisboa mas não a descobri...) para perguntar; 'Olhe lá, como se apresentava o número xis da rua tal em tempos idos?
Cliques
Andou aí um a clicar direito aos prédios e portas do comércio, flaches daqui e dali. Depois entreteve-se falando com a velha guarda aqui do estamine, que o conhece de pirralho.
Foi criado nesta rua. Contou ao meu colega duma paixão assolapada que teve por uma das senhoras que ainda hoje mora na área. Clicou, inclusive, com o meu colega na mira, dentro da sua loja. Ao que parece, depois ia pôr no Fuçasbuque. Publicidade, ou assim. É fixe.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Visão: ricos filhos
Um jovem particularmente curioso (do qual já escrevi duas ou três vezes mas não lembro qual o nome que lhe pus, de maneiras que fica jovem particularmente curioso e pronto) perguntou-me sem medos se as fotografias dos ricos filhos estão ali há muito tempo, pois só agora reparou nelas. Respondo no meu ar... Nem sei qual era o meu ar, para ser sincera, às vezes é uma canseira andar a definir-me, outros que vejam, abordem, refiram. Eu tinha um ar qualquer, lá isso tinha, há sempre uma expressão no rosto.
Adiante.
Disse ao moço que os ricos filhos estão aqui especados, congelados num dado segundo das suas vidas, ao alcance de muitos olhares, assim as cabeças se virem nesta direção, desde o Natal, altura em que fiz na loja umas 'limpezas com alguma profundidade'.
Nessa altura, aqui no blogue fiz um grande alarido dessa atividade solitária e inglória, criei montes de posts sobre essa temática, que poucos devem ter lido. Mas foi bom escrever essas ninharias. Necessário, quiçá. Tenho necessidade de acompanhamento, se imaginário tanto me faz, um blogue é extraordinário nesse campo.
Proximidade
Os dois sofás pretos estavam próximos um do outro, virados entre si, como se tivessem albergado duas pessoas que queriam estar frente-a-frente numa conversa salutar e íntima. Supus que aquelas duas velhinhas do costume já se tivessem encontrado de manhã. Assim sendo poderia sentar-me neste lado, de que gosto bem mais, o ar circula, há espaço, há luz suficiente para ler. Sou amável o bastante para ver uma das duas senhoras à espera da outra, e sabendo de antemão que juntam os sofás para se ouvirem mutuamente e estarem mais juntinhas, deixo-lhes o espaço onde estão os dois sofás vagos para tagarelarem à vontade e dirijo-me ao outro lado.
Se for verdade que o encontro de terceira idade já ocorreu, então resta-me uma conclusão: as ditas senhoras não arrumam o que desarrumam. Ai estas senhoras da avenida...
O regador
Diz o cliente:
- Se o regador que lhe estou a comprar me durar tanto como o último que comprei já não lhe compro mais nenhum!
Começo logo a pensar:
«Hum, este já me vai chatear a tola... E porque é caro, e porque é fraco, e porque se vai partir facilmente...»
Afinal não era nada disso, o homem sorriu e diz que a última vez que comprou um regador foi há trinta e um anos, ora tendo sessenta, só precisará doutro quando tiver noventa e um, dificilmente estará vivo. Refiro que não senhor, ora essa, o senhor pode estar vivo ainda, quem sabe, não é impossível!
Mas ele achou que não. Não, não, não. Calei-me, o homem tem razão. Ademais, quantas pessoas de noventa e um anos precisam dum regador?!
A bengala
Puseram uns aparelhos de ginástica na alameda. Agora é ver as pessoinhas a mexer os músculos. Até lá vai um senhor que anda na rua de bengala. O meu colega diz que ele não precisa da bengala para se apoiar e sim para se equilibrar. Concordo, o homem anda como se fosse um pêndulo, o andar é fixo naquele ponto exato e ele balança o corpo usando a bengala como pendor.
Estavam aqui todos malucos com o raio do velho, a fazer-se de moço forte e saudável, de roda dos aparelhos de ginástica.
O balcão saloio
Fui às lojas da saloiada, um destes dias. Duas lojas. Por causa das minhas costuras e dos meus trapos.
Na primeira loja, uma retrosaria, entrei para comprar dois fechos de vinte e cinco centímetros, um amarelo vivo, outro rosa chocante. A funcionária diz que não tinha essas cores no comprimento que eu desejava. Fiquei consternada, ora bolas e agora, como é que eu vou fazer as saias daquele modelo com cós alto... Devo ter aparentado um desalento tão grande que a senhora, não primando nada pela simpatia, devo dizer (já conheço, sei do que falo), mostra-me um sorriso forçado e explica à laia de desculpa que nessas cores pouco comuns não costuma comercializar essa medida de fechos... Hum, 'essas cores pouco comuns', é?! Ó 'miga, você modernize-se, olhe lá isso!
Na segunda loja, uma papelaria, entrei porque precisava de papel vegetal para sacar os moldes para as minhas roupinhas. Cheguei à hora exata da abertura, 9:30. Observei a funcionária levantando a grade, acendendo as luzes, pousando a mala, tirando o casaco... Conheço estes trâmites mas ao contrário. Se conheço! Enquanto ela tratava de se aprontar para iniciar a jorna, ia pousando o olhar nas flores da minha mala. As mulheres daqui são destemidamente observadoras, o que se pode confundir com inveja. A minha mala é muito gira, não é?, tive vontade de perguntar mas deixei-me disso. Depois, no atendimento, passou-lhe a onda da observação intensa, recebi uns sorrisos apagados, já sou meio conhecida de quando ia lá comprar os livros escolares dos ricos filhos, eventualmente será por isso, porque ali também não impera a simpatia.
Eu, empregada de balcão, funcionária briosa e cativante… Ná, estou a exagerar, olha lá o ego.
Estavam a fugir-me os dedos para a verdade, não era exagero nenhum, podia ser o ego, sim senhores, mas um ego pequenino, contido, razoável. Eu ia dizer somente que o atendimento saloio é muito diferente do que se pratica na capital, na saloiada as pessoas não têm uma necessidade tão premente de se mostrarem prestáveis e simpáticas, não precisam de agarrar o cliente como na capital, digamos que os saloios, ou as pessoas que vivem em meios pequenos, não podem fugir dali, ir a outro lado, outra loja, não há muito por onde escolher. Para mim isto é notório porque sou balconista…
Levanto a grade;
acendo as luzes;
pouso a mala;
tiro o casaco.
Notícias do Europeu de Futebol
Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.
Pois é verdade, sou tão desprendida do futebol que ontem esqueci completamente de referir a nacionalidade dos adversários dos nossos jogadores no três jogos já realizados. Agora, dando voltas e mais voltas ao miolo, não me lembro, nem por sombras, devo dizer, quem foram os outros onze homens que andaram aos pontapés à bola durante uma hora e meia. Vou ligar ao rico filho, o meu informador particular de tudo quanto move o futebol.
…...............................................................
Já está. Eis as informações:
Alemanha – Portugal... 2-1 vitória da Alemanha
Dinamarca – Portugal... 3-2 vitória de Portugal
Holanda – Portugal... 2-1 vitória de Portugal
As equipas são apresentadas nas partidas deste género por ordem alfabética...
Não sei, a mim dá-me essa impressão. O rico filho diz que sim.
Os resultados finais ou o que o marcador apresenta a dado momento do jogo é verbalizado por ordem decrescente...
Eu acho que sim. O rico filho diz que não é necessariamente assim.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Tu e tu
És tu
Não sei quem me alenta, quem me faz sorrir. Sequer conheço quem me faz escrever. Não sei quem tu és. Conta-me tu. De ti e dos outros, vá.
Tu és
Tu não és diferente, és especial. A igualdade entre os seres impera, é o que se promove, não é? Sendo assim sou igual a ti... Já se vê, sou também especial. Ah pois é!
A fotografia de sábado passado
![]() |
| Loures, 16 de junho de 2012 |
Todos os anos, em junho, este pedaço de terra apresenta este aspeto, ervas e flores como que alvoroçadas, altas e amarelas. Sempre quis fotografar este reboliço, agrada-me bastante ver que a natureza é sempre rebelde, mas infelizmente todos os anos deixo passar o tempo, pois daqui a nada alguém cortará rente toda esta vegetação selvagem. No sábado foi o dia 'D'. Já está.
Por falar em televisão e companhia...
Não vejo muita TV. A sério que não. Note bem: eu não disse que não vejo TV, e sim que vejo TV durante curtos espaços de tempo (Não vejo muita TV). Não sou de me plantar frente ao ecrã horas a fio vivendo vidas cheias de interesse, umas mais interessantes que outras, pois claro.
No entanto sei muitas coisas.
Há a história do escritor que anda com uma agente federal resolvendo casos bicudos, crimes e companhia, sendo que a sua ideia principal é observar a vida desta gente, refiro-me a polícias e ladrões, por dentro e por fora.
Há as C.S.I.'s referentes a todas as cidades norte americanas e mais alguma. Aí também se resolvem crimes e seus enigmas, com peripécias levadas da breca.
Há a Bones, grande cientista, forense, ou lá que é, que possui uma racionalidade deveras hilariante, racionalidade essa que é absolutamente invulgar numa mulher, há que dizê-lo. A esta personagem magnífica ainda vem agregada uma paixoneta muito reprimida pelo seu colega mais chegado. Se bem que me parece que eles agora já são casados mas não tenho a certeza... Nesta série televisiva também se move um jovem psicólogo que por vezes anda às aranhas com todos.
Há o mentalista, aquele que descortina tudo através da sua inteligência emocional que é qualquer coisa de espetacular.
Há mais... Eu é que não me apetece escrever...
Este post serve principalmente para dizer que não é preciso ver muita televisão para saber o que vai lá dentro. É mais ou menos como a gente ir à janela só para sacudir os tapetes ou a toalha de mesa e acabamos por saber grande parte da vida dos vizinhos. Não é que me interesse pela vida dos outros... Mas também.
Notícias do Europeu de Futebol
Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.
Há dois anos publiquei no blogue as 'Notícias do Mundial'. A dada altura estava cansada do assunto, em particular quando Portugal saiu de cena.
Acerca deste Europeu que agora decorre, publiquei um postzinho há dias e entretanto não tenho tido grande oportunidade de escrever mais e também tenho um certo receio de me cansar do tema, tal como aconteceu no Mundial. No entanto, vou esquecer tudo isso já a seguir.
- No dia do primeiro jogo de Portugal entraram-me pela casa adentro dezasseis jovens dentro da idade do rico filho (17). Éramos um total de vinte pessoas lá em casa, todos a ver o jogo com grande entusiasmo e atenção. Excetuando a minha pessoa... Eu estive a ver umas coisas no computador, não tenho lá muita paciência para ver futebol.
- Hoje em dia os jovens têm uma autonomia fantástica. Veja-se: na minha mesa havia pizas, salgados, batatas fritas de pacote, rebuçados, sumos, colas, uma grade de minis e... Água. Tudo organizado e comprado por eles. Quem efetuou a compra das minis foi um dos moços mais velhos, que o homem do supermercado dizia que não podia vender álcool a menores.
- Devo dizer que o rico filho havia pedido autorização para levar lá uns colegas para verem o jogo e se podiam comer umas pizas e tal mas confesso que nunca me passou pela cabeça que fossem tantos rapazes e raparigas. Quando tocaram à campainha e se abriu a porta eu só via era miúdos bem mais altos que eu a passar por mim, dando as boas-tardes e apresentando-se a eles mesmos. Fiquei deveras impressionada.
- A seguir fiquei impressionada com a capacidade que algumas pessoas têm para fazer contas futebolísticas. Se este perder com aquele passo o outros mas se empatarem já não vai ser assim aí vem outro tomar o seu lugar... Oh céus! Como é que alguém entende a matemática do futebol?!
- Entretanto ocorreu outro jogo de Portugal do qual não tenho qualquer memória.
- E ontem Portugal lá passou, hã? O jogo a decorrer e eu de roda do computador a tratar das minhas coisinhas...Ouço gritar lá fora: 'Golo!' mas cá em casa tudo calado. Ou seja, alguém recebe o sinal por cabo antes de nós, então vou direita à sala onde está reunida a família e anuncio: 'Vai ser golo.' Aconteceu assim duas vezes. Dois golos, duas antevisões. Não é que tenha feito diferença, até poque aquela malta está tão encegueirada pela TV que nem me ouve. Mas é giro, isto assim. O futebol é divertido, afinal. Eu, que não gosto de futebol, acabo por saber antecipadamente acerca dos golos e o caraças...
- E hoje, segunda-feira, depois de passadas as horas de aflição mas ainda em fase de rescaldo, pois como se sabe isto do futebol é vivido ao rubro... Eis que: disputar taças ou títulos a nível internacional tem o condão de vivificar o patriotismo que todos possuímos. Esta introdução serve para reforçar o seguinte: uma senhora passeia na rua envergando umas calças vermelhas e um casaco verde. Verde bandeira, pois é. Só fazia falta o escudo em amarelo. Provavelmente ela não terá tido tempo de o arranjar. Em forma de cinto, já se vê.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
O Universo no Singular
![]() | |
| Lisboa - Rua dos Douradores, 24 de maio de 2012 |
Confesso que não sei como ligar os dois textos que apresento abaixo, a ligação paira na minha cabeça mas deve estar no abstrato do meu intelecto ou algo assim, às vezes acho que as palavras não têm peso nenhum, não se mantêm quietas para eu as apanhar e lhes dar forma.
A ideia inicial era mostrar o quanto desprezo dar opiniões no geral, apreciando antes pontilhar e incidir, encontrando assim muitos motes - e/ou fórmulas - para escrever. Isto relativamente ao primeiro texto.
Em relação ao segundo texto, apenas queria fazer referência ao facto de no profundo do nosso ser sermos todos iguais, o que contraria completamente o primeiro texto, daí a minha grande confusão.
Ora bem, e agora digo: eu, bloguista exausta e absolutamente perdida, me confessei.
Ah, a foto está completamente excluída de tudo quanto escrevo neste post. Apresento-a aqui e agora só porque sim. Ou então porque estou cansada de a ver nos meus ficheiros sem saber que destino dar-lhe, cansada de esperar que um dia a concilie com frases fantásticas.
Vamos aos textos.
…..............................
Não aprecio aquela onda do generalizado: o mundo é assim, somos todos iguais, com defeitos e virtudes, temos de nos aturar, suportar-nos mutuamente e blás.
Não aprecio observar massas e opinar num todo, a bem dizer os grupinhos aborrecem-me. Sei lá, não me ajeito em conjunto, existem sempre diferenças, sou adepta ferrenha do chavão 'cada caso é um caso'.
Não aprecio mesmo nada escrever debaixo da ideia ‘nós isto ou nós aquilo’. Gosto do eu, do tu, do ele/ela. E gosto de pormenores, infimidades e até futilidades. Ou me detenho na cor do chapéu da senhora tal e na camisa amarrotada do homem da padaria e faço uma história, ou me deixo estar sossegadinha e não digo (leia-se escrevo) nada.
Poucochinho de cada vez, vá, senão distraio-me. Tem de ser.
…..............................
Buscamos o bem para nós mesmos, dizemos mal do próximo sem piedade, desprezamos a ajuda de quem nos quer bem, assim como a amizade, o carinho, o amor. Adoramos contrariar e desdizer, bem como tudo o que se aproxime da negação. Somos todos egoístas, ruins mas também uns excelentes seres humanos porque sabemos amar e respeitar e conhecemos profundamente as regras do bem-viver.
Talvez as pessoas não sejam assim tão interessantes, afinal... Se todos forem assim, iguais, então não mais buscarei interesse nas pessoas pois já de antemão sei o que vou encontar. Consequentemente abandonarei a escrita, ideia que me horroriza de sobremaneira.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A louquinha
Ia a falar sozinha: 'Eles querem é sacudir a água do capote!', dizia ela. Fazia gestos amplos e vigorosos, como se estivesse muito zangada.
Não é a primeira vez que a vejo neste estado meio louco, sei que é uma senhora com uma personalidade estranha, fala sozinha e esbraceja para ninguém no meio da rua sem embaraços de qualquer espécie.
É artista, descobri noutro dia. Pertence-nos uma certa dose de loucura, bem sei, mas os artistas têm-na e mostram-na despudoradamente.
Toques
Há quem me toque sem pudor, num roçar de pele ingénuo, numa carícia pura. Admiro quem o faz. Falando para mim e tocando-me, como que para enaltecer o que diz, demonstrando um sentimento bem longe da malícia. Admiro esta forma de carinho e não é pouco.
Tenho um amigo...
Tenho um amigo que é meu amigo, avisa-me dos perigos.
'Ó Gina, amanha aí o espelho que daqui vejo-te e mexer nas notas.'
Pensei que ele ia dizer que estava a ver o ecrã do computador e a ler o que eu estava a escrever e afinal... Ainda lhe disse isso mesmo mas ele não se entusiasmou nada.
Dias de um ginásio
Saímos da aula de Pilates com o vagar do costume, depois do exercício não se tem muito fôlego. Uma 'colega' toca-me no braço e pergunta-me se vou para o balneário. Meia confusa digo que sim. Vai daí ela pede-me que lhe leve a toalhinha e a ponha no contentor de roupa suja, que assim saía já para a rua, não precisando portanto de se deslocar ao balneário que fica a alguns metros de distância. Confusa por completo agarro na porra da toalha, talvez suada e suja, e nem me dou conta que faço de criada desta senhora capaz do maior desplante.
Eu devo mesmo ter cara de serviçal. É por causa da profissão, só pode. A gente do balcão gosta de ajudar e depois é isto, tem-se um certo ar disponível.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Hoje o Luís faz anos
Este ano quero dedicar uma canção ao meu amor, que faz anos hoje.
Antes de mais destaco que me esfalfei, queria encontrar canções portuguesas que combinassem com o dia e a pessoa em si mas a busca revelou-se infrutífera. Portanto, voltei-me para os inglesismos e companhia.
Lembrei-me de 'Loving you is a dirty job but somebody's got to do it', Bonnie Taylor, mas depois de pensar melhor na letra achei que poderia parecer mal por meter sujeiras ... porque ele é um homem muito asseado.
Entretanto passei ao 'Born to be alive', Patrick Hernandez, mas o poema não era suficientemente giro ou certeiro, sei lá, não era a canção.
Finalmente decidi-me por uma canção da Britney Spears, 'I was born to make you happy', porque tem tudo a ver com a malta cá de casa. Ora veja-se:
O aniversariante não gosta do estilo da Britney Spears...
O rico filho tanto se lhe dá que a Britney Spears exista ou então não.
A rica filha é capaz de ouvir esta canção vinte vezes seguidas.
E eu... Bem, eu... Devo dizer que este é um dos meus guilty pleasures, sei perfeitamente que a canção não tem muita qualidade, não passa duma lamechice pirosa mas agrada-me bastante ouvi-la. E enquanto ouvia vezes sem conta 'I was born to make you happy' (culpa da rica filha), fez-se luz, é mesmo esta canção que vai figurar no post de aniversário do Luís!
............................................................................
Comprei-lhe um manjerico.
Quando era puto a tia Matilde oferecia-lhe um manjerico no dia do seu aniversário, costume que durou até à adolescência.
Ontem comprei-lhe um manjerico.
Durante muitos anos senti-me como que invasora de espaços e costumes alheios, olha eu a oferecer-lhe um manjerico quando a sua tia Matilde já tinha essa ideia desde tempos tão remotos!
Depois passou-me...
Ontem tirei fotografias ao manjerico.


terça-feira, 12 de junho de 2012
Impaciência
Mala de cartão
Podia ter esperado pelo mês de agosto, aquele que é caracterizado pela presença dos emigrantes, e então usar esta foto para aludir à famosa canção da Linda de Suza. Mas não espero.
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| Lisboa, 12 de junho de 2012 |
Um Português (mala de Cartão), Linda de Suza
Duas malas de cartão numa terra de França
Um Português deixou assim seu Portugal
Como tantos outros, ele não perdeu a esperança
O Português que deixou seu Portugal
Aqui, a noite junto aos seus amigos
Ele procura viver
Lembrando, a sua mulher e seus filhos
Ele canta p'ra esquecer
Ele canta fados tristes e tradicionais
O Português que deixou seu Portugal
E como aqui a chuva p'ra ele é demais
Ele vai pensando ao sol do seu país natal
Enquanto, sua mulher escreve dia a dia
Ele vai pensando em voltar
P'ra ele, a sua melhor alegria
Era seus filhos beijar
Duas malas de cartão numa terra de França
Um Português regressa ao seu país natal
Levando com ele, carinho, amor e esperança
O Português que entra enfim ao Portugal (bis)
Lai Lai Lai Lai Lai...
Fonte: vagalume.com.br
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Sujeira
Enquanto escrevia, um inseto minúsculo pousou no papel. Fui eu, cruel criatura, quem o esmagou, tumba! Devido ao golpe fatídico risquei o dedo com a caneta e os restos mortais do pobre bicho sujaram o papel onde eu rabiscava. Aflita... Quero dizer, não muito aflita, coisa pouca, vá, quis limpar a tinta do dedo, humedeci-o com a língua e soube-me a cadáver. De inseto. Esmagado. Porém, a tinta não saíu.
Quando acabou esta cena levantei o olhar e vi que uma senhora me mirava atentamente. Lá mais ao fundo outro par de olhos também me dava primazia. Rodei a cabeça um pouco para o lado e vejo uma moça vivamente interessada na minha pessoa... Hum, há dias assim, dou nas vistas e o caraças.
A minha historinha
Sonhei com o lançamento da coletânea. Tinha o livro na mão e perscrutava a minha historinha no seu interior, cheia de curiosidade. Verifiquei que tinham retirado umas quantas frases do início, colocando em sua vez umas imagens difusas que não sei descrever, talvez por serem tão difusas como o próprio sonho. E depois, a minha história, estava apresentada em letras garrafais com o intuito de ocupar muitas páginas, uma vez que tenho a impressão de que é curta.
Este sonho foi quase um pesadelo, oh céus!
11
De hoje a um mês faço anos → 11 de julho. De maneiras que o 11 de junho sempre me confundiu um bocadinho, que eu não me dou nada bem com números.
A soneira imensa duma bloguista fantástica
Tenho muito sono. Tenho mesmo muito sono. Sei o motivo deste estado que me semicerra os olhos e entaramela as lamúrias, um estado pastoso ou assim. Blhá... Blhá... Blhá...
Apetece-me revelar esse motivo mas não posso. Apetece-me mesmo muito escrever tudo. Tudinho.
Não escrevo tudo o que me apetece, embora escreva tudo o que quero. Este é o lema principal, debaixo do qual sobrevive este blogue.
A pilha
Na passada sexta-feira o meu pai foi intervencionado. Há uns anos foi-lhe implantado o pacemaker e chegou a hora de mudar 'a pilha', como nós lhe chamamos.
Com este texto não pretendo lamentar-me, a mim ou ao meu pai, ele está ótimo, muito bem-disposto e tão conversador como de costume. Quero apenas salientar que enquanto ele contava acerca dum gosto particular, nomeadamente o de ficar com a recordação da antiga 'pilha' que lhe andou dentro do corpo e bem junto ao coração durante anos, eu revia-me no seu relato. Eu seria capaz de fazer igual a ele, eu seria pessoa para fazer este pedido invulgar aos senhores doutores. Ao sério. Sou tão parecida com o meu pai que até me faz impressão...
Quem tem sorte ao amor
Ferreira do Alentejo. Meio-dia e não sei quê. A calma costumeira dum domingo primaveril e fresco invadia toda a vila. Ou então a localidade alentejana é assim todos os dias da semana, quiçá.
Entrámos numa espécie de taberna. 'É favor não ler jornais ao balcão', li eu num pedaço de papel tosco, não muito arejado, não muito à vista, posto ao monte, junto aos copos. O aviso é justo, o jornal ocupa imenso espaço e o balcão não é muito comprido.
O Luís queria um canivete, diz que leu num livro que ali assim se joga à sorte e se podem ganhar boas lâminas. Num grande cartaz estão expostos os canivetes e outros prémios menos valiosos. 8, 7, 5. Foram os números dentro das bolinhas transparentes. Ele jogou mas não lhe saíu o canivete que tanto desejava. Oh... Tem sorte ao amor, lá isso tem.
• 8 → Ah e tal, tenho um baralho de cartas
• 7 → Ah e tal, tenho uma caneta camuflada
• 5 → Ah e tal, tenho um lápis da bandeira portuguesa
Dias de um ginásio
Em vez de estar estiraçada num colchão fininho, compondo o físico, fazendo jus ao quotidiano, à rotina... Pois não senhores! Andei perdida por aí.
Lisboa é tão diferente às sete e tal da tarde... As pessoas movimentam-se descontraidamente, há esplanadas cheias, combinações telefónicas, ouço as vozes animadas, há um burburinho pacífico no ar, um ambiente festivo; animado.
Era sexta-feira...
sexta-feira, 8 de junho de 2012
6701
Acabou a saga de posts... Ia escrever posts parvos mas é melhor não o fazer, pois quando não, estaria a chamar burros aos leitores que leem as minhas coisinhas, mesmo que o facto de existirem leitores seja apenas uma miragem, mero acaso, ou eventualidade.
Acabou. Hoje é sexta-feira, provavelmente regressarei na próxima segunda-feira, à mesma hora. Caso o leitor lhe apeteça ler mais é favor ir lendo por aí abaixo, há um total de seis mil e setecentos posts. Uns mais interessantes que outros, é certo, mas aviso que este interessa pouquíssimo porque acaba aqui.
Não tens graça nenhuma!
Li numa revista cor-de-rosa uma crítica dirigida ao Bruno Nogueira.
Dizia a pessoa que o humorista não tem nada que andar a gozar com os deficientes e mais não sei o quê, ele que se dedique a falar das figuras tristes dos políticos e tal, que assim só revela falta de criatividade e o caraças.
E agora falo eu.
É assim mesmo 'miga. O humor é assim. Umas vezes fala-se duns, outras fala-se doutros. O pior é quando nos tocam nas feridas, essa é que é essa, as nossas fragilidades doem muito. O humorista vale-se de grupos, de tendências, hobbys e lóbis, exagerando nos pormenores, doutro modo não terá a mínima piada, garantidamente.
Não há outra maneira. Sou uma mera e insignificante bloguista, que não ganha a vida a escrever, mas sei há vários anos como funciona, a gente tem de dar gozo aos grupinhos com esta ou aquela particularidade.
Não há outra maneira. Uma vez vi um espetáculo humorístico ao vivo em que o artista se fartou de gozar com os bloguistas... Em particular com o meu tipo de blogue / escrita, intimista e repleto de pormenores que só ao próprio interessam. O que fiz foi engolir um sapo. Custou um bocadinho mas depois passou.
Sexta-feira
Hoje é sexta-feira. O meu telemóvel diz que a sexta-feira é sex. No meu telemóvel há sex em cada semana.
Mentiras
As mulheres mentem mais que os homens, disse ele. Concordei imediatamente:
'Eu sei. Sou mulher.'
A seguir o bicho fugiu, levando-me a pensar que, dentre outras questões menos pueris, as mulheres mentem mais porque os homens não aguentam ouvir verdades.
Vácuo
Às vezes falta-me o ar na válvula da psique. É fraquinha, a minha. São fraquinhas, quero eu dizer, a válvula e a psique.
Tinta
Tenho as unhas dos pés pintadas de branco.
Hum, ok.
Gostas?
Oh!
Não gostas?!
Gosto, gosto.
Ah...
Hum, ok.
Gostas?
Oh!
Não gostas?!
Gosto, gosto.
Ah...
Cognome
Palha Minúscula ouve música aos berros. Tem os auscultadores nos ouvidos mas eu consigo ouvir as batidas. Quando dá as boas tardes tem uma voz forte que em nada se parece com a sua figura franzina.
Palha Minúscula é antipática, porém, bem-educada. As boas-tardes saem-lhe categoricamente, fora de tom, parece um trovão zangado, troveja como quem diz: olha lá, ó estúpida, eu estou-te a dizer boa-tarde, ouviste bem?'
Fuçasbuque
Já me disseram que viram as fotos daquele evento do qual escrevi um post há dias. (ver aqui)
Fiquei um tudo-nada aborrecida, coisa pouca, já passou e tudo. Vá, tenho de ser forte, não estar para aqui a derramar lamúrias. A pessoa viu as fotos, até viu a sainha de folhos cor-de-rosa que eu tinha vestida, mas não leu o texto que roubei do blogue e publiquei lá.
O Fuças não é para mim, é um facto provado.
Tristezas à parte
Ontem li duma bloguista acerca do quanto se sentia abalada com os comentários dalgumas pessoas, revelavam-se invejosas da sua vida pacata e feliz. Esta bloguista, ao que parece, é positiva e demonstra isso no seu blogue, nunca escrevendo aborrecimentos por menores que sejam, ou tristezas de espécie nenhuma.
Gostava de ser uma bloguista destas mas não sou. Escrevo ao sabor do que me acontece ou do que sinto, penso, faço. Não me acontecem somente coisas boas, logo... Blás.
Não gosto de ser tão seletiva assim. Quero chegar a todos os temas, descrever todos os sentimentos ou situações. Se bem que em certos momentos sinto que devia ser seletiva.
O tempo
Estou triste. Diz que o tempo influencia o estado de espírito. Deitar 'culpas a alguém' pelo modo como me sinto não é para mim, sou adversa a essa ideia. Seria mais fácil, reconheço. Estou triste, a culpa é do tempo, diria a maioria, ficamos como que ilibados. A culpa não é do tempo, não, bem sei. A culpa é da solidão.
Notícias do Europeu de Futebol
• Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.
(Fogo; afogueada; labareda; chispa flamejante)
Está uma senhora de cabeleira ruiva inspecionando os cofres que estão na montra. É tão viva a cor do cabelo da mulher que uma dúvida me assalta o espírito:
Pertencerá à equipa holandesa?
Vestidos
A rica filha é uma jovem mulher frontal e direta. O que é agradável...
Mãe, que vestido tão giro!
Ou então não...
Mãe, que raio de vestido é esse? Tens uma saia do mesmo padrão por baixo?!
Mãe, que vestido tão giro!
Ou então não...
Mãe, que raio de vestido é esse? Tens uma saia do mesmo padrão por baixo?!
12:11
Não vou criar mais nenhum post com as horas a fazer de título. As horas têm pouco a ver com o que escrevo, quando muito faz uma espécie de sequência cronológica (ou cronologia sequencial, também fica bem) e pouco mais. A ideia inicial era livrar-me de criar títulos, o que detesto fazer, nada mais.
A meu ver os títulos são uma condensação do que se quer explanar, e eu só gosto dessa parte, a que explana, desenvolver ideias escrevendo.
12:03
Uma senhora amorosa ofereceu-me uma caixinha com divisórias para colocar saquinhos de chá.
Uma senhora bondosa tem-me oferecido caixas (duas!) de 20 saquinhos de chá preto.
Daqui se depreende que sou fofinha e queriducha, oferecem-me coisinhas bonitas e/ou úteis.
Mais se depreende, ainda: há, pelo menos, três boas senhoras à face da terra.
11:33
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| Lisboa, 8 de junho de 2012 |
Eu bem disse que 'rosa fluorescente, azul gritante e amarelo luminoso' parecia uma boa mistura....
11:28
Há pouco fui ali assim algures (não interessa onde, era o que faltava estar para aqui a escrever coisas nas quais ninguém está interessado) e disse ao meu colega:
'Agora vou tirar fotografias a um porco!'
Ele espantou-se muito. Tanto que o descansei:
'Eu já te mostro!'
Mostro também aos leitores...
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| Lisboa, 8 de junho de 2012 |
11:26
Aproveitar o tempinho para escrever parece-me bem. Não o tempinho livre, que isso não sei o que é, antes o tempinho, aquele tempinho que costumo usar para escrever... Esse mesmo.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Sem motivo
Desmotivada, é o termo exato. Define o estado atual desta que escreve.
Para me incentivar, e de certo modo para me ajudar a viver, tenho feito listinhas de fim-de-semana com os vários afazeres e comprinhas que não sejam muito habituais adquirir nos dias de descanso. Amanhã é feriado, a listinha está feita.
Não tenho apresentado essas listas no blogue porque creio ser aborrecido para o comum leitor dar de caras com posts desses, são imensamente desinteressantes e absolutamente estéreis, nem a minha mãe teria paciência para ouvir a listinhas da sua filhinha querida e adorada.
Não tenho apresentado essas listas no blogue porque creio ser aborrecido para o comum leitor dar de caras com posts desses, são imensamente desinteressantes e absolutamente estéreis, nem a minha mãe teria paciência para ouvir a listinhas da sua filhinha querida e adorada.
Acrescento agora que a enga das listinhas nada tem a ver comigo, odeio programações prévias quando assim não tem de ser, para mim tem de haver novidades, imprevisibilidades, é fundamental ser desconhecedora de infinitas questões, preciso de balanceio e não muito cadenciado, que é para ser variado. Mas quero muito viver bem, ou bem-viver, mais concretamente, daí as listinhas e o caraças.
Estou desmotivada... Oh céus!
Falta-me uma certa poesia para escrever. Sem pretensiosismos de espécie nenhuma, estou segura de que às vezes possuo essa poesia. Estou a sentir-lhe a falta.
A propósito de cafés e isso...
Dentre os quatro ou cinco funcionários de camisa azulão com lista branca no lado esquerdo, houve um que a meu pedido me serviu um queque com umas maminhas espetacularmente apetecíveis. Ele pôs o queque num pratinho e ao lado deste pousou um talher de sobremesa. Ainda me lembrei de lhe dizer: 'ó homem, deixe lá estar a louça, suje o indispensável', mas fiquei calada. Quebrei as maminhas todas com as mãos, pus esses pedacinhos crocantes aos pares dentro da boca, também me joguei com vontade ao meio e base do bolo, alternando com golinhos de café. Os sólidos estavam nivelados, já o café nem por isso... Foi tão bom, tão bom, que me apeteceu mais café. Porém, contive o ímpeto.
Há dois ou três meses que frequento este local. Sou sempre bem recebida, quase como se os funcionários me conhecessem há anos ou assim, arrisco dizer que me sinto acarinhada. Estranho o desvelo, sai fora do comum atendimento de cafetaria. Mas também me comprazo no tratamento especial, pois claro, é sempre bom ver agradabilidades noutros seres que vivem ao balcão. Agora me lembro: será que estes senhores me tratam extremamente bem por me perceberem 'colega' deles?!
Eu vendo drogas, 'migos, tenham cuidado comigo... Nada do que vendo é para a gente comer.
Letras
Face; Café
Têm as mesmas letras. Sobra o acento do café, que se lhe há-de fazer? Colocá-lo na fáce?
Têm as mesmas letras. Sobra o acento do café, que se lhe há-de fazer? Colocá-lo na fáce?
Viagens múltiplas
Nos últimos dias tenho andado várias vezes de metro. Numa das primeiras viagens reparei que na planta das linhas, junto à estação da Bela Vista está uma palavrinha manuscrita a vermelho que não consegui decifrar mas imagino que seja algo alusivo ao Rock in Rio. Em todas as outras viagens que efetuei andei a ver se viajava na mesma carruagem, que eu tenho a mania de cometer estas estranhezas.
Tenho a mania (outra, já se vê) de me sentar em maneiras de ser sugada em direção às minhas traseiras e não o contrário. Na estação de São Sebastião forma-se a linha do Oriente, quando o metro inicia a marcha circula ao contrário durante algumas centenas de metros, o que me retira o prazer de andar para trás.
Cúmulo (mas poucochinho...)
«Take one more dance» é a frase que consta na t-shirt daquela senhora de canadiana que vem coxeando. Ela vem ter comigo, só por dizer que não sabe ao que vem.
Ai... As pobres, coitadas e desventuras pessoinhas que já constam neste blogue sem o saberem... São centenas, talvez chegue ao milhar.
Ah e tal...
A desculpa dalguns clientes dizendo que não levam isto e aquilo por não terem dinheiro na carteira atordoa-me p' ra caraças! Que raio, pá! Mas esta malta não sabe que para comprar é preciso ter dinheiro?!
Dias de um ginásio
Há dias fui a um evento promovido pelo ginásio. Primeiro malhei e malhei e malhei durante cerca duas horas:
Ginástica localizada;
Bicicleta;
Ritmos;
TRX;
Step;
Stretching
Nota: a equipa na qual estava inserida ganhou o prémio de originalidade. Foi fixe.
Depois houve manjar. Bolinhos, acepipes, saladas de verduras, laranjada e sangria, bacalhau com espinafres; carne de porco assada e seus acompanhantes, frutas maravilhosas (há anos e naos que não comia umas cerejas tão boas) e arroz-doce.
Segue-se o sorteio de prémios. E é principalmente por causa dos prémios que este post existe. Ganhei, pois ganhei! Tenho uma massagem e uma hidratação a fazer no SPA do ginásio. Mas não são completamente grátis, o que lamento. Mas caramba, só o gostinho de ouvir este meu nome pomposo, levantar o 'sim senhor' da cadeira e trazer um envelope com prémios... É prazeroso. Obrigadinha, meus caros. Um dia destes ver-me-eis, serei massajada e hidratada e ficarei ainda mais maravilhosa.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Comunicação especial
e / ou
ilegível
Mentalidades
Há dias dei com um livro que ensina a sermos doentes mentais. Dei uma olhadela, está lá tudo, primeiro até achei piada ao conceito mas umas páginas à frente deixei de me rir, é doloroso, revivi a brincar o que sinto muito a sério. Não curti.
Fui ao senhor doutor
Fui ao senhor doutor do trabalho. Diz que tenho uns pulmões e uma tensão arterial normalíssimos e não senti nenhuma dor nauseante quando ele me pressionou o fígado. Ah, e o meu coração bate muito certinho. Palavras dele.
O coração a bater certinho... Homessa, eu que vivo apaixonada!
Há uns anos atrás este senhor doutor queria queixas, 'vá, menina, queixe-se!', dizia ele. Nunca lhe fiz a vontade, tenho queixas, e até tenho doenças, na sua maioria profissionais, mas nunca lhas divulguei na totalidade, apenas as doenças e queixas 'normais' estão nos registos deste senhor.
Receituário também não há, o que não será de estranhar.
Este tipo de consulta, a que vou de dois em dois anos, faz-me lembrar as idas ao pediatra, aquando da infância dos ricos filhos. A gente ia lá para lhes ser medido o comprimento, ou a altura, dependendo da idade das crianças, o perímetro cefálico e o peso. Também lhes era apalpado o fígado e auscultado o coraçãozinho. Estava sempre tudo normal, salvo raríssimas exceções. A única diferença será talvez o facto de essas consultas ser eu a pagá-las, enquanto esta minha... Não.
Este tipo de consulta, a que vou de dois em dois anos, faz-me lembrar as idas ao pediatra, aquando da infância dos ricos filhos. A gente ia lá para lhes ser medido o comprimento, ou a altura, dependendo da idade das crianças, o perímetro cefálico e o peso. Também lhes era apalpado o fígado e auscultado o coraçãozinho. Estava sempre tudo normal, salvo raríssimas exceções. A única diferença será talvez o facto de essas consultas ser eu a pagá-las, enquanto esta minha... Não.
Ao canto
Nenhum desconhecido me virá perguntar porque estou encolhida e chorosa. Repelo os desconhecidos também.
Duas vezes
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| Lisboa, 5 de junho de 2012 |
Ainda há bocado aqui estive. Uma hora atrás, para aí. Regresso agora por motivos sem jeito nenhum.
Há pouco deu-me vontade de tirar montes de fotografias à base da árvore mais grossa que está no jardim do outro lado. Agora tirei esta foto toda torta e o caraças... Dizer que a foto está oblíqua é mais bonito, ao que parece a obliquidade deve-se à perspetiva, que não é a melhor.
Depois levantei-me dali, o sistema de rega havia sido acionado automaticamente. Podia ficar sentada a ver a água sendo aspergida, claro, assim eu quisesse ser regada. Um senhor riu-se para mim e eu comentei que se me tinha acabado o recreio...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
A minha historinha
Este é o post – ou mais um post - da minha estreia como participante numa coletânea de histórias, um livro que vai ser lançado no próximo dia 30 de junho pelas 19 horas na Fábrica Braço de Prata, situada na rua Fábrica de Material de Guerra, nº 8, 1950-128, em Lisboa.
Este é o post em que convido vossas excelências, os prezados leitores - sim, tu que estás a ler... - a virem assistir ao lançamento do livro 'Na Corda Bamba', livro esse que contém 91 histórias de 91 autores, sendo que uma das histórias é minha e um(a) dos(as) autores(as) sou eu. Apareçam, vai ser giro. Falo a sério, creio que será uma experiência fantástica, para mim e para vós.
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| Imagem descaradamente roubada algures... |
Contacto: pastelariaestudios@gmail.com
O video de apresentação figura aqui...
O site da editora é este...
Uma casualidade e um apetite
Viagem
Dantes ia de metro até ao Parque das Nações (Lisboa). Lá chegada, comia um gelado exótico, uma combinação de manga e leite cremoso e adocicado. Entretanto olhava o esplendor do rio Tejo, pensando na vida estranha que tinha, fantasiando largamente, pousando o pensamento em lugares idílicos. E pessoas, também havia pessoas. Conversava com as pessoas mentalmente, agora me lembro.
No fim dos vários prazeres tinha boca lambuzada por fora e fresca por dentro, os pulmões limpos, os olhos cheios de azul e prata e o vendaval interior amainado.
Hoje não existe nada disso, esses dias são recordações longínquas. Mas concretas.
Hum, talvez ainda existam os diálogos imaginários, sempre há pessoas na minha cabeça. Não me acho diferente por isso, sei que somos todos assim.
'Palmar um rajá'
Está muito calor, o que não me transtorna, convictamente o digo. Apetece comer gelados e beber líquidos frescos. Quando eu era criança, em dias destes, lembro-me que a minha mãe gostava de palmar um rajá. Era assim que ela dizia.
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| Praia da Consolação, 3 de junho de 2012 |
A foto acima é uma casualidade da vida que pode ilustrar dois textos já anteriormente publicados no blogue. É um complemento, por assim dizer. Achei que devia republicar esses dois textos, pu-los acima da foto.
«Olha só os antiquários, como estão caladinhos...»
À hora de almoço falava-se de dependências bancárias, sex shops e olhares lascivos duns transeuntes para outros, no feminino e no masculino. Estava uma boa mixórdia, portanto. Não me aguentei e escrevi um recadinho ao colega que almoçava comigo:
«Olha só os antiquários, como estão caladinhos...»
Tenho um amigo...
Tenho um amigo que diz achar muito estranho as pessoas dizerem que são amigas desta ou daquela iguaria gastronómica, que se fôssemos amigos da comida não a comeríamos, uma vez que não comemos os amigos. A mulher deste amigo – também minha amiga – ouvindo esta conversa vira-se para ele e diz:
– Olha lá, eu sou tua amiga e tu comes-me!
O vestidinho maravilhoso
Mulher gorda diz para marido:
– Este vestido é daqueles que a gente pode comer à farta que depois nem se nota a pança!
Marido barrigudo riposta para mulher gorda:
– Então tens de fazer um vestido desses para mim!
Nota:
Hoje estou um tudo-nada amante de listinhas. Escrever listando não é muito criativo, acho eu, mas é o que se arranja.
Visão de comerciante
Sei duma praça em Lisboa onde se pode comprar malas Louis Vuitton. Suponho que sejam da candonga, mas lá que as apregoam, apregoam. Não sou mais específica relativamente ao local porque...
Não quero fazer publicidade a vendedores sem pejo.
Não quero promover a venda clandestina.
Não quero que futuros clientes de lojas com pés e cabeça se marimbem para os donos das mesmas.
No casamento
Fui a um casamento saloio – muito saloio, diga-se - no dia a seguir à noite de núpcias. Um daqueles casamentos de aldeia, que duram dias e dias.
Ouvi um jovem perguntando à noiva num tom muito malandraço: - Então dormiste bem? E gostaste de dormir?
Ela respondeu afirmativamente às duas questões... Menos mal, portanto.
Comi o bolo da Gina, a mãe do noivo. São uns bolinhos que se fazem nas vésperas do casório e se oferecem aos vizinhos num saquinho. O giro é que eu este fim-de-semana não fiz bolo nenhum, o que é raríssimo acontecer, e acabei por comer bolo da Gina à mesma.
Um senhor idoso perguntou-me se sou filha da Rosária. Ora bem, sou pois, só por dizer que estou muito distante da aldeia onde vivem os meus pais... É que não tem nada a ver. Mesmo.
O Luís ficou a conhecer a menina para quem foi a caminha dele de bebé. Outrora bebé... Hoje uma gaja boa! Ai a vida, essa trama que entontece...
Maridos e outras
Aquela canção dos maridos das outras anda-me a cansar. Então o moço que a canta não tem outras cantigas?
Um dia já fiz referência a esta canção gira (aqui) mas hoje tenho algo a acrescentar. O marido das outras é...
… Um marido não-fumador. (não sendo imperativo, dá um jeito do caraças)
… Um marido que não bebe álcool em demasia. (nada mau quando assim é)
… Um marido fiel. (ui, imprescindível!)
… Um marido que não desconfia. (um descanso!)
… Um marido que cozinha bem e arruma as coisinhas todas. (importante)
… Um marido que fode o cônjuge. (importantíssimo!)
Um marido assim é sempre o marido que apenas existe no casamento das outras.
domingo, 3 de junho de 2012
Praias
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| Praia de Santa Rita, 3 de junho de 2012 |
Está inaugurada a época balnear de 2012. Começou-se bem: hoje visitámos três praias: Santa Rita, Areia Branca e Consolação. Ali pelo meio houve polvo frito em azeite e alho mais uns bivalves saborosos, na ponta de cá do dia houve casamento para o qual não havíamos sido convidados. A vida é gira.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Mulher - Musa
Move-se com graça por entre prateleiras cheias de livros. Tem o semblante calmo e feliz. Usa um vestido azul-escuro de alças fininhas e um xaile leve e transparente que escorregou num dos ombros.
Noto-lhe uma aura muito interessante, há algo apelativo que dela emana, tanto que retiro o bloquinho rudimentar e ponho-me a escrever o parágrafo acima. De repente vejo-a rondar a mesa onde eu estava sentada, fiquei receosa que ela lesse o que eu escrevia, o que seria descabido, àquela distância ninguém conseguiria ler os meus rabiscos, são minúsculos e dispersos. Mesmo assim não consegui continuar e guardei o bloquinho na mala, na disposição de me agarrar ao livro que havia desprezado quando fora atraída por aquela figura envolvente. Para meu espanto, ela estaca à minha frente e pergunta se pode sentar-se. Com certeza, faça favor, digo. Ela senta-se muito direita e começa a declamar um poema, num sussurro, só para mim. Completamente extasiada fixo o meu olhar no dela, enquanto absorvo o momento especial. Não fiquei na memória senão com uma simples frase do poema: 'poema pequenino'. Ela sorri muito enquanto declama, vê-se a emoção nos olhos e é extremamente agradável ouvir a sua voz limpa. No fim deseja-me um 'feliz dia da criança' e estende-me um pequeno cartão (o da imagem) com a informação das várias atividades que irão decorrer no lugar da musa.
Depois percebi que fui vítima das 'Leituras pop-up', um jogo surpresa para quem visitar a livraria Barata.
Sou muito solitária no mundo das letras, não conheço praticamente ninguém deste meio, mas de vez em quando acontecem-me umas coisas tão boas...
A minha historinha
(De)escrever acontecimentos reais com pessoas reais, para mim é o melhor que há. Escolhi a pior forma de escrita, bem sei, a responsabilidade é muito pesada. Está eliminada aquela hipótese salvadora de consciências que dita que qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos da vida real é mera coincidência, não possuo tal álibi.
Incrivelmente, a minha historinha é uma realidade dos meus dias, não inventei nada, foi até escrita debaixo duma raiva contida. E agora vai sair num livro... Hum, dá que pensar.
'Palmar um rajá'
Está muito calor, o que não me transtorna, convictamente o digo. Apetece comer gelados e beber líquidos frescos. Quando eu era criança, em dias destes, lembro-me que a minha mãe gostava de palmar um rajá. Era assim que ela dizia.
Ricos Filhos
É Dia Mundial da Criança. Note bem: os ricos filhos já não são crianças. Ainda assim, note muito, muito bem: vão ter post neste dia especial porque foram as minhas crianças.
Um dia desses o meu casalinho de filhos foi apresentado a um velho senhor que assim que os olhou logo comentou que tinham ambos um ar árabe. Justa observação, há que dizê-lo, mais de metade da sua ascendência é moura, muito moura mesmo.
De se lhe tirar o chapéu (leia-se levantar as saias)
Há muito tempo que não sentia o abalo de andar preocupada com uma saia rodada por causa do vendaval que há em cada entardecer desta Lisboa quente...
Vende-se
• Máquina de cortar couves para fazer caldo verde. Alumínio martelado, três lâminas afiadíssimas, boa apresentação.
• Cadeado para bicicleta. Corrente forrada a plástico de cor alegre, duas chaves, canhãozinho de qualidade razoável, sessenta centímetros de comprimento.
Quem quiser comprar que se chegue à frente.
Questões à barda!
Hoje é o dia da criancinha, portanto a gente pode portar-se como tal. Eu tenho uma infantilidade a que dou vazão de quando em quando:
perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar, perguntar perguntar, perguntar, perguntar, perguntar...
Depois vejo as pessoinhas aflitas com o massacre mas isso são outras histórias.
Tenho um amigo...
Tenho um amigo que não lhe interessa saber coisinhas. Viu no youtube umas cenas muita giras com... Faz o gesto de quem toca violoncelo. Eu, esta criatura amorosa, ajudei-o: 'violoncelo'. Ele volta de lá com um: 'não sei como se chama' e toca de fazer o gesto. Eu repito: 'violoncelo'. E ele tumba, na mesma tecla: 'não sei como se chama'.
Ele não quer saber. Quando digo saber, é de conhecimento. Podia aprender comigo. Sim, eu mesma, este colosso de virtudes em forma humana. Mas absolutamente despretensiosa.
1 de junho
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