quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O troco

O senhor Albano também tem umas tiradas do caraças. Desculpei-me pela falta de dinheiro trocado para pagar o pão. E ele respondeu-me:
– Mas tem com o que trocar, não tem? Se tem não há problema!

Não te queixes da prisão...

Lisboa, 23 de Novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Jantarinho

De repente vi-me sentada a uma mesa de jantar. A cadeira até era confortável mas não havia prato de comida para mim. O cheiro a peixe cozido não era agradável de todo. Deviam tê-lo cozido com meia dúzia de grãos de pimenta, uma folhinha de louro e um fio de azeite. Mas o jantar não era meu, ainda que eu estivesse sentada à mesa, não era com o intuito de comer. Nem falar. Bastava-me estar.

Dar nas vistas

Ela dá nas vistas por razões apelidadas de 'diferentes'. Tem o cabelo curtíssimo, as feições são grosseironas, tem um andar masculino, fuma com o charme de um homem, o olhar é impudico, objetivo e francamente distante da mescla contraditória que é a envolvência dum olhar feminino... E... E...

Tem aquilo a que se chama um belo par de mamas. É uma mulher muito 'diferente', indubitavelmente.

Veios assustadores

Aqueles veios grossos da planta que sai do vão da escada assustam-me. Imagino os veios grossos percorrendo o chão até mim, enrolando-se-me nas pernas, prendendo-me para sempre naquele lugar que entretanto a minha cabeça já transformou em masmorra.
Imaginação minha, bem sei. Ademais, é uma imagem produzida por indução, vê-se tanta coisa na TV...

Giro, giro é isto assim:


Isto é que é imaginação. Eu bem sei que a tenho.

Dias de um ginásio

18:23

Daqui a pouco vou lá chegar. Vai dar-me uma raiva grande e espumosa. Vou correr. Veloz. Corre, corre, corre. Descansa, então. Vai ser assim.

…

…

23:29

Fui, pois!

Meia hora

Estive meia hora a ouvir falar de pilas. Literalmente. Ou então não. Próstatas e assim.
Ele era agulhas inseridas dentro daquilo.
Ele era quimioterapia por causa daquilo.
Ele era valores, a que juntavam o alívio:
'Olha que esse valor está bem, ouviste?'
Ou então a gratidão:
'Ah, graças a Deus, eu, ainda assim, com estes valores não estou mal de todo...'
Ele era o comprimido azul. Hum... Será aquele comprimido azul?! Será? Quiçá...

Entretanto bazei, houve uma brecha, escapuli-me, dei de frosques. Afinal de contas já tinha material suficiente para este post.

Voltei alguns minutos depois.

Encontrei a conversa rodando pelos ouvidos, cervical, agulhas (outra vez?!) e outras coisas espetadas (?!) na cabeça.
Desliguei. Quando não, serei contagiada não tarda nada.

Como te chamas?!

Há uma senhora... senhora, não, há uma rapariga da minha idade, vá, que este post tem de ser jovem e isso.
Recomeçando: há uma rapariga da minha idade com quem me encontro frequentemente no supermercado, ela e o macho dela e eu e o meu amor (não sei se deu para perceber a subtil diferença...?). Há dias, por um motivo completamente desinteressante para plantar aqui, houve necessidade de trocarmos números de telefone. Entretanto, por muito estranho que pareça, e muito embora a gente se conheça há anos, deparámo-nos com a ideia de que não sabemos os nomes uma da outra. Depois de ouvir o meu nome, diz ela assim:
– Hum... Gina...
Como quem lembra algo sugestivo ou assim, talvez tenha lembrado o ginecologista ou então, para não diferir da maioria das pessoas lembrou a famosa revista 'Gina'... Vai daí, diz-me o nome dela:
– Ah, eu sou Tânia!
Deu-me vontade de responder:
«Hum... Tânia...»

Se bem me lembro também havia uma revista Tânia dentro da mesma voga...

domingo, 20 de novembro de 2011

Blogger, eu?!


Só se por força das circunstâncias... É que o epíteto não me assenta que nem uma luva nem me fica a matar...

Cenas duma cozinha



Provocação gera reação... Deitar batatas cruas, frias e húmidas em óleo a ferver pode ser provocativo. Tal advém da junção dos dois elementos nas condições já descritas, vai daí... dá-se a reação.

Vamos às bolachas. Tenho a dizer que as feiinhas são as primeiras a ser comidas... E a melhor cai ao chão...

O leite e o cacau só se misturam em estando quentes...

Imagens de três lugares saloios, em 20 de Novembro de 2011

Mafra




Cheleiros



Morelena

Novo penteado

Tenho um novo penteado.

Mas não é que tenha ido ao cabeleireiro,

é antes porque há meses

e meses

e meses

que lá não vou...

Penteado

Eu estava no cabeleireiro. Depois do tempo passado sobre a aplicação de um produto nos cabelos a Carla tirou a toalha e... Surpresa! O meu cabelo tinha crescido imenso, estava volumoso, brilhante, lindo.
Tudo isto não passa de um sonho, eu estava a sonhar... Oh, desventura!
Acordei para a comum realidade dos meus dias: tenho um cabelo curto e absolutamente normal.
Pus-me a pensar, aqui já bem acordada, que podia tratar-se do cabelo na forma contrária à que a natureza ordena: a gente ia ao cabeleireiro estender o cabelo. Depois, com o passar do tempo ele encolhia. Quando achássemos que já estava demasiado curto... pimba! Mandávamo-lo estender de novo.
Podia ser assim.
Mas não é.
Tenho que ir cortar o cabelo...

Nota:
Este texto é a minha participação para o tema deste mês 'Sonhos' no blogue 'Fábrica de letras'. E já vem daqui...

Bananas

Este fim de semana andei de roda das bananas. Em matéria de doces experimentei dois: 'Queques de Banana' e 'Bolo de Aveia e Casca de Banana'.
Bem sei que este último é estranho mas é muito bom. Ambas as receitas são um pouco ao estilo dietético, a primeira retirei do programam televisivo 'Barefoot Contessa' e a segunda deste blogue, muito embora tenha modificado um pouquinho, por não ter farinha integral substitui por farelo de trigo. Aqui no blogue vou divulgar a receita como a confecionei.
Acerca do bolo de casca de banana, tenho ainda a dizer que não disse aos ricos filhos que o bolo tinha as cascas da banana... Tudo leva a crer que tal não seria bem tolerado...




Queques de Banana

Misturar 1 iogurte natural e 1 chávena de chá de farelo de trigo e deixar amolecer.
Entretanto bater 1/4 de chávena de chá de açúcar mascavado e 50 gramas de manteiga. Juntar 2 ovos (um de cada vez) e bater. Nesta altura é normal a mistura coalhar, ainda assim... prosseguir.
Juntar 3/4 de chávena de chá de melaço, raspa de 1 laranja, 1/2 colher de chá de essência de baunilha e a mistura do farelo com iogurte. Bater um pouco.
Peneirar 1 1/2 chávena de chá de farinha, 1 colher de chá de fermento em pó, 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio e juntar à mistura anterior. Mexer bem.
Finalmente adicionar 1 chávena de chá de passas, 1 banana cortada aos pedacinhos, 1/2 chávena de chá de nozes picadas.
Vai ao forno em formas de queque. Esta receita dá para 12 queques, mais ou menos.

Bolo de Aveia e Casca de Banana

100 gramas de farelo de trigo
110 gramas de farinha
80 gramas de flocos de aveia
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de canela
¼ colher de chá de sal
Casca de 2 bananas (cerca de 80 gramas)
120 ml de água
2 ovos
1 iogurte
50 ml de azeite
200 gramas de açúcar amarelo

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga e polvilhe com farinha uma forma de bolo com buraco.

Peneire as farinhas, a aveia, o fermento, o bicarbonato, a canela e o sal para uma taça e reserve.

Lave muito bem as cascas de banana e triture-as com a água.
Bata-as com os ovos, o iogurte, o azeite e o açúcar até obter uma massa homogénea.
Depois envolva a mistura de farinhas.

Deite a massa na forma preparada e leve ao forno a 180ºC por aproximadamente 30 minutos.

sábado, 19 de novembro de 2011

Baú



Ando por aí gravando os meus documentos antigos e depois deparo-me com imagens assim. Uma imagem que não me lembrava que tinha mas que me lembro de captar.
Fotografia tirada de dentro da viatura, rolando na IC 17, em direção a Lisboa-Oriente. Regsitei o voo não muito livre dos pombos, numa manhã de Abril do ano 2009.

Nota: a fotografia não está em bruto, pus-lhe uma moldura com a ajuda do piknik.com.

Dizer das fotos que são minhas e mais não sei quê

Ao tempo que não faço um post destes... Lá de quando em quando é bom falar de direitos autorais. Está na hora de anunciar que as fotos e imagens que apresento no blogue são minhas, ou seja, são de procedência caseira.

Porto, 3 de Outubro de 2011

São minhas, são. É raríssimo plantar criações que não sejam ditadas pela minha cabeça. Com exceção duma ou outra, como esta aqui em cima, esta não foi ditada pela minha cabeça, muito embora o gesto da foto seja meu.

...

Alguém poderia observar-me, assim como que pela primeira vez, ou seja, aplicando o olhar virgem, e escrever. Só para eu ter acesso a um mundo ao contrário...
Isto é o alter-ego a escrever novamente, que eu cá, a bem da verdade, não sei escrever.

O monstro

«No entanto, irritava-a ter dentro de si aquele monstro brutal a agitar-se! Ouvir ramos a estalar e o peso dos cascos nas profundezas daquela floresta densa, a alma; nunca se sentir completamente satisfeita, ou completamente segura, pois a qualquer momento a criatura poderia mover-se; aquele ódio, que, sobretudo desde a sua doença, tinha o poder de a fazer sentir-se arranhada, ferida na espinha; infligia-lhe uma dor física, e todo o prazer que sentia na beleza, na amizade, no bem-estar, em ser amada e transformar o seu lar num lugar encantador, estremecia, vacilava, e ruía como se na verdade houvesse um monstro a puxar pelas suas raízes, como se toda a panóplia da satisfação não passasse de amor-póprio! Aquele ódio!
Disparate, disparate!, gritou para si mesma, empurrando as portas giratórias dos floristas Mulberry.»

In
'Mrs. Dalloway', Virginia Woolf (página 22/23)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Foto duma fotografia



A senhora que aparece nesta imagem é uma das mais importantes da minha vida.
Vou deixar a imagem numa espécie de enigma porque não vou especificar quem é (ou quem foi) esta senhora. Nem que me peçam. Mesmo que o pedido seja feito de joelhos. Implorando e tudo o mais. Não digo!

A desregra dos três complicados

– Olhe, tem uma fechadura destas?

O cliente aviado olha atentamente para a dita como se fosse expert na matéria. Aproveitando tempo viro-me para outra cliente que espera vez.

– Quero uma lata de Supergel.

Vou buscar. No caminho:

– Quanto custa?

Não tenho na memória. Vou ver.

– Então e o tubo?

O cliente da fechadura reclama que não é igual. Chega outra cliente.

– Olhe, menina, tem cá varões?

Anuncio o preço da lata e do tubo. A última torna.

– Varões assim daqueles que se esticam...

O cliente da fechadura já só está a ocupar espaço, não é igual, não é igual, não é igual. A última cliente, outra vez.

– É daqueles com ventosa.

O da fechadura.

– Esta fechadura não é igual. Tenho que ir a outro lado?

O senhor é que sabe, respondo. A da lata admira-se um cadito.

– Ai, credo, tão caro!

O da fechadura marra de novo.

– Tenho que ir a outro lado, ou não?

O senhor é que sabe... E lá vem a do varão.

– Aquilo que medidas tem? Aqueles varões com ventosa, sabe?

A do Supergel lá se decide, após minuciosa observação do mesmo produto em tamanhos diferentes.

– Levo a lata, sempre compensa o preço. Quanto é?!

Faço as contas, trago o troco. A que quer o varão manifesta-se.

– Daqueles assim com ventosa. Que medidas tem?

Venho com uma moeda na mão, é o troco da do Supergel. O da fechadura está aborrecido. A do varão diz, ainda, algo que não deve ter diferença do que disse até então. E eu… Verbalizo, finalmente, não o que tenho vontade de dizer, e sim o que deve ser dito a esta última:

- A senhora tem de esperar um pouco, por favor. Eu consigo atender duas pessoas ao mesmo tempo, três é que já não dá…

O da fechadura vem de lá com a mesma lengalenga, deve estar engasgado. A do varão diz que já cá vem e vai-se embora. A do Supergel sorri e fica. O da fechadura repete-se. Olho para a minha mão e percebo porque ainda ali estava a senhora que queria uma lata de Supergel… O troco, a senhora queria o troco. Ah…

É muito preenchida, a minha vidinha, bem sei.