segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Setembro

Segunda quinzena de Setembro. Há sol. Por enquanto há sol. Já se sente um friozinho. O Verão terminará daqui a poucos dias. Mas há sol. Um sol que muito brilha.


Lisboa - Campo Grande, 16 de Setembro de 2011

Na loja oriental

Duas adolescentes aguardavam a chegada de algum super visionador ou assim daquela loja chinesa. Pareceram-me muito seguras de si, porém, algo apreensivas, o que me levou a pensar que teriam roubado qualquer coisa das prateleiras.
Eu a achar que é uma grande maldade o que faço, a de retirar a roupa dos cabides para a mirar bem e depois não voltar a colocá-la no sítio onde estava. Ou no supermercado, desarrumar as prateleiras do papel higiénico à procura do melhor e mais barato... Bah! Sou uma santinha.

sábado, 17 de setembro de 2011

Aconselhou-me: não inventes histórias, assim és genuína!

Não abandonarei o tom com que escrevo, isso seria morrer para a escrita.

A beleza

Tinha as mãos encarquilhadas da velhice. Era uma senhora vaidosa e exigente. 
Olhe aqui este cabelinho no ar, ponha-o lá no sítio, se faz favor.  
Educada, ao menos.
Creio ser das mais difíceis, a profissão de cabeleireiro, tem de se dizer que está muito bem, muito bonita, a velhas carcaças, esboços-fantasma de outrora. Para mim seria terrível ter de mentir assim.
Não que não existam belas senhoras idosas, há um certo tipo de beleza que só as velhas possuem, mas normalmente está mais ligado ao espírito que ao físico, é a beleza que transparece no rosto, um saber-viver que lhes ilumina o rosto. As novas não têm sabedoria para ostentar tal tipo de beleza... É a vida.
Depois há aquelas como eu, que estão a meia haste, ou bocadinho mais para lá da primeira metade da vida, vá. Não somos novas nem velhas, andamos a aprender a ser velhas e a convencer-nos que ainda estamos aí para as curvas... É a vida.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Antes e depois

Ontem pensava que era algo mais para além do meu blogue. Hoje não tenho a certeza. De certo modo a escrita esconde o que resta de mim.

Às vezes...

… A malta cá de casa troça da minha impetuosa vontade de registar pequenos factos. É comum a pergunta:
«Quê, não me digas que vais fazer um post disto?!»

Aquilo que se diz, de o santo da casa não fazer milagres, é tão verdade...

Pequena descoberta

As pessoas encontram-se mais facilmente quando caminham em direções opostas.

Em vermelho

A dona Luísa mira-me atenciosamente e diz:

«Ficam-lhe tão bem esses óculos vermelhos, Gina! Tão bem, tão bem!»

Está embevecida de tal maneira que por momentos penso que os meus óculos levaram a melhor sobre mim...

Em verde

Lisboa - Rua Francisco Sanches, 15 de Setembro de 2011


De que cor é a fachada do antigo cinema 'Pathé'?
Verde!
Às riscas mas em verde.
As coisas boas são sempre verdes.
Ou por outra:
Tudo o que é verde é bom!

Não posso esperar que as pessoas estejam sempre bem-dispostas mas é miserável não idealizar isso mesmo. Tenho de esperar tudo de bom ou a maldisposta passo a ser eu.

Coisas...

… Que digo:

Não sou mulher de meias medidas, gosto de agarrar as coisas com as duas mãos.

… Que pergunto:

Então a senhora não sabe que a coisa dobrada não entra?

… Que exclamo:

É na bolha!

O cliente ideal e raro

– Quero dez lâmpadas destas assim-assim.
– Só tenho oito...
– Então quero oito lâmpadas destas assim-assim. Quanto é?
- É xis.
- Aqui tem.

Obrigadinha, boa-tarde e até à próxima, meu caro.

E é assim...

- Quero uma trincha boa e barata, se faz favor!

- Hum, não fica bem eu dizer que não tenho nada assim, pois não?


Digo estas coisinhas assim com este jeito para ter montes de piada. E não é que tive mesmo?!

Quem me dera poder prescindir do pensamento...

Cumprimento

Como está?

Primorosa, claro.

Coisa pouca

Uma senhora que traga vestida uma saia branca às bolinhas pretas e uma blusa preta, pode dizer-se que escolheu um traje minimalista. Mas as bolinhas são tantas...

Dias de um ginásio

Correr numa passadeira elétrica também faz vento, tanto que se me seca o suor num instante enquanto corro.

A melhor maneira de saber

O meu colega tem menos uns quantos anos que eu de balcão. Mas não é por isso que deixo de aprender umas coisitas com ele.
Às vezes pedem-nos coisas que não temos, o que leva as pessoas a perguntar se sabemos onde há. E nós, sábios balconistas, de doce índole, informamos. Não raras vezes acontece a pessoa duvidar vivamente da informação, o que ofende a boa vontade de qualquer um. Ora o meu colega arranjou uma frase fantástica e que cala a desdenhosa pergunta:

Então e lá há disso?!

Só há uma maneira de saber...

Já usei a técnica várias vezes. Dá um resultadão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A boa ação

Caro leitor, se chegaste aqui, olhaste rapidamente para os mais recentes posts e pensaste:

«Ena pá, esta escreve que se farta... Não tenho paciência nenhuma para ler tanta coisa!»

Fecha a janela virtual e não voltes. Deixarás duas pessoas extremamente felizes.

Se escrevo tudo o que me apetece? Não.

Escrever é inconveniente, para escrever 'bem' é preciso pôr o dedo na ferida, ninguém lê o blogue (ou os artigos de jornal, ou o livro) duma pessoa que não tem a certeza do que diz, que se refugia, que revele uma pontinha só que seja de insegurança. Eu escrevo para ser lida e ninguém regressará aqui se eu não for objetiva e (ao menos um bocadinho) tenaz, ou até mesmo excêntrica.
Depois fica-se viciado nisto, claro. A ideia de ter uma voz importante para os outros é fantástica. Tão fantástica quanto ilusória, eu sei. Paciência. Não quero saber.

Comecei este post com a ideia de falar do item 'não escrever tudo o que me apetece' mas desviei-me.
Não, não escrevo tudo o que me apetece. Nos últimos dias tive momentos de tristeza profunda e a vontade de escrever revelou-se intensa, quase incontrolável, mas detive-me porque seria demasiado inconveniente, corrosiva, até. Há coisas que têm de ficar cá dentro. A mim já não chega escrever num papel e guardar na gaveta, o que eu quero é ser ouvida. Quero badalar as minhas opiniões e os meus costumes.
Mas não posso usar sempre o badalo na minha vida, assim sendo, aguentei a dor e contornei a coisa. Nos ultimos dias escrevi umas quantas mentiras, uma catrefa de interesses interessantemente interessantes, lembrei a infância, contei do primeiro dia de escola, da minha mãe e da minha avó.

Escrever pode ser sufocante. Existe um fosso, um vácuo, um sítio qualquer sem ar onde por vezes paira o ato de escrever. Não há nenhuma ligação entre a pessoa que escreve num blogue e a pessoa que fala e ri, não se misturam.
É estranho porque sou fiel à minha personalidade, não finjo ser outra quando estou a escrever. Mas sou.
Com o correr dos tempos e de tantas palavras escritas fui deixando de me ralar com esta dualidade. Ao momento sei que nem sequer se trata de uma dualidade mas sim de uma lista imensa de sentimentos que afloram repentinamente e me transformam em alguém que adoro... ou então não. Personalidade múltipla, pode chamar-se. Marimbo. Quando não, transformar-me-ei numa 'fernanda pessoa' ou assim e eu não quero nada disso na minha vida. Eu só quero escrever. Tão simples assim, sim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um post

Há dois dias que me porto muito bem, apresento apenas um post por dia (este é o segundo de hoje mas não conta), e não mostro imagens que só eu admiro.

Um dia isto muda.

A minha mãe

O (re)começo

Esta semana (re)começaram as aulas (só para os mais novos, ainda não é a vez dos ricos filhos) o que me fez recordar o meu primeiro dia de escola. Não foi bonito, foi até um tanto ou quanto traumatizante. Chorei baba e ranho, pensava que a minha mãe me ia abandonar à mercê duma velha austera de bata branca, o que fez com que ela mentisse e me dissesse que ficava ali sentada naquela banco à minha espera, debaixo do pinheiro que ainda hoje lá está, enquanto eu estivesse dentro da sala:
- A mãe não vai embora, a mãe fica aqui sentada, vês?
Acreditei piamente tinha só seis anos, nessa idade o que os pais dizem é a mais pura verdade para nós.
Já não me lembro bem mas lá dentro devem ter-me acalmado dalguma maneira, talvez tenha feito um desenho ou o meu nome em grandes letras.
Nos dias seguintes ainda chorei baba e ranho, que bem me lembro, e como era muito envergonhada não pedia à professora para ir à casa de banho quando me vinha a vontade de fazer chichi. Logo... A minha mãe encontrou-me 'molhada' um dia ou outro e depois dava-me nalgadas, que eu não tinha nada que me mijar, ora o raio da rapariga, vergonha de quê e tal e tal.
Para meu descanso, isto não foi sempre assim. Não demorei muito a mudar radicalmente de opinião, semanas depois adorava a escola e pouco depois disso, olhando demoradamente para o saleiro que estava pendurado na cozinha lá de casa, onde se lia em grandes letras vermelhas 'SAL' exclamei em voz alta e muito senhora de mim:
– Sal!
O que encheu de orgulho a minha progenitora. Durante o resto da minha infância ouvi relatos assim 'a minha Gina três meses depois de andar à escola lia corretamente'.


Passar a esponja

Terminei em grande o texto anterior mas denegri um pouco a imagem da minha mãe. Vou contrariar essa ideia já de seguida.

A minha mãe era linda quando era jovem. A pele branca e sem defeitos, o olhar muito vivo, a boca bem desenhada com os dentes todos alinhados. Era uma cara sem atributos fantásticos mas resplandecente na sua aura de simplicidade.
A minha mãe foi sempre linda, ainda me lembro de os homens lhe mandarem piropos e ela esbaforida levantar a mala e dizer: «Levas com a mala nos cornos que verás, filho dum cabrão!»

Hum, acho que ainda não terminei da melhor maneira... Vou tentar outra vez.

Zanga versus Convivência

Os meus pais estiveram alguns anos zangados com a minha avó paterna e as minha tias (irmãs do meu pai) ao ponto de não falarem com os outros. Durante a infância ouvi zunzuns aqui e ali mas não sei contar o motivo da zanga, presumo que se tenha dado devido a invejas das minhas tias e avó para com a minha mãe. Os atritos próprios de sogra/nora/cunhadas, talvez não tenha passado disso mesmo.
Mas a minha mãe não queria as suas crianças ressentidas por não verem a avó (e as tias) e levava-nos (a mim e ao meu irmão) até à porta da casa onde moravam. Subíamos e ela ficava em baixo à espera, enquanto nós, tomando a atitude que a minha mãe corretamente nos ensinava, visitávamos e estávamos um bocadinho com a aquela parte da família, para que a mesma tivesse a nossa presença ao menos uma meia horita lá de quando em quando.
Era comum a minha avó dar-nos dinheiro no final da visita, até parece que estou a ver a nota de cem escudos a passar-me à frente dos olhos, ela sempre a estendia ao meu irmão, que era o mais velho, (coisas da hierarquia familiar...) mas sempre alertando que a quantia era para dividir pelos dois.

Sensata, a minha mãe... Não falar com a sogra e as cunhadas e mandar lá os meninos e assim. Sensata, sim senhores. Depois queria saber tudo, claro...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Todo um conjunto de interesses

Considerável interesse cultural

Óscar Wilde foi um grande homem das artes no século XIX. Há imensas citações dele neste sítio. Só não sei se ele alguma vez reparou (e escreveu, como estou a fazer) no seguinte:
O papel de espectador é o mais cobarde que há.

Pensamento cheio de interesse

Ter um blogue é super-hiper-mega maravilhoso, o virtual traz a ilusão de que sou um prodígio da natureza e uma pessoa tão importante, mas tão importante e faço tanta falta, mas tanta falta... Que as minhas histórias ou as porcariazitas do meu quotidiano são imprescindíveis à vida de qualquer terrestre.

Simplesmente interessante

Imagina!
Imaginar é comigo mesmo.
Não que seja irmã da Gina,
sou antes a própria.

De elevado interesse

Desde há uns tempos sou Gina no blogue. Uns dias depois nomeei a minha pen, e, apesar de não ser dada a inglesismos, chamei-lhe Gina's Pen. Não tarda chamarei Gina's qualquer coisa (ou então qualquer coisa da Gina) a todos os meus documentos, que eu cá tenho um alter-ego do caraças.

Para lá de interessante









Hiper-interessante

O senhor Juvenal tem uma mala nova. Achou no lixo. Está nova. Fica-lhe bem.

Muito (muito, muito, muito) interessante

Estou sempre muito duvidosa em relação ao sexo da ênfase. Primeiramente acho que é menino, depois chega a dúvida e concluo que é menina.
Entretanto baralho-me e já não sei qual das dúvidas ter, pois se achar que é menina vou pensar que deve mas é menino e se achar que é menino vou pensar que é menina de certezinha.
Para que não hajam dúvidas quanto ao sexo da ênfase, para escrever a primeira frase deste post consultei antecipadamente o senhor Priberam e para escrever esta última olhei de relance para a primeira, que está, seguramente, bem escrita.

Sumamente interessante

Acabaram com o cafezito ali assim. E agora? Perguntei-me donde viria o socorro àquelas três velhinhas que lá passavam as tardes e depressa me chegou a resposta: estão no café mais à frente, safaram-se bem.

Um interesse do caraças

De manhã estive a braços com uma impressora que me cuspia as folhas a um ritmo alucinante. Às vezes a minha vida é uma correria.

Super-interessante

Hoje tive de ver as horas como expliquei há dias. Tirei três fotografias ao meu colo, em modo museu para não se ver o flash. Umas às 14:00, outra às 14:13, e a última às 14:25. Tirei ainda uma outra às 14:54, não fosse eu estar já muito atrasada, onde se vê uma cadeira, uma caixa de parafusos e uma mala com porcas.

Interessante quanto baste, que isto os artistas têm todos a mania

Ouvi na rádio ator brasileiro José Wilker aconselhar as pessoas a insistir, teimar e duvidar, que a dúvida é muito criativa.
Concordo. Mas às vezes é uma chatice tão grande ninguém acreditar naquilo que eu digo...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Segunda-feira

A vida é bela! E hoje é segunda-feira... (grande pausa para dar uma ênfase do caraças). Mas a vida é bela na mesma. Tenho o sol, os passarinhos, as florinhas e as pedras da calçada. Tenho um penteado deslumbrante, um olhar fantástico, um sorriso lindíssimo e, ainda por cima, sou uma pessoa extraordinária. Extraordinariamente boa, claro.

É bom que os leitores não acreditem em nada do que leram neste post, é tudo mentira, só escrevi para 'picar o ponto'. 
Ah... E é altamente recomendável que não acreditem em todo o post.

domingo, 11 de setembro de 2011

Dobrar a roupinha

- André, posso contar ao mundo que tu dobras a roupa deitado? - Pergunto eu ao rico filho.
- Podes. - Responde ele, pouco interessado.

Querido mundo, estimadas pessoas:

O meu filho, um puto de dezassete anos, encontra-se deitado de costas na sua cama, ainda está cansado do jogo de ontem. Tem ao lado um cesto cheio de roupa interior donde vai retirando peça a peça, raramente tira os olhos da televisão, quando o faz é para ver se as meias coincidem na cor, ou se não será alguma das peças que pertencem à mana dobrar. Quando as dobras terminam, levanta-se e desloca-se pela casa a fim de meter a roupa dobrada nas gavetas. Fá-lo sem pressas, que ninguém anda a correr atrás dele como lá no futebol, segurando a roupa com o queixo e a mão esquerda enquanto a direita se encontra digitando smss.

Mudam-se os tempos

Devido a um motivo sem relevância andei de roda dos primórdios deste blogue. Hoje fico confusa com o modo protegido com que escrevia nos primeiros tempos, nem tenho prazer nenhum em reler aqueles textos cheios de 'ses', sempre balançando dum lado para o outro, desejando protagonismo e atenção mas não querendo dar a cara, por assim dizer.
Ao longo do tempo de vida deste espaço, tenho tentado cada vez mais ser clara, concisa e destemida. Encontrei dois textos com espaço de aproximadamente três anos entre eles, onde é notória a 'melhoria'.


Vento outonal
 
Eu recuso-me terminantemente a vestir roupas de Outono! E hoje fui de vestidinho... mas estava muito vento e o vestidinho não se ficava por ali onde é suposto ficar... ora bolas!


Retalhos da vida duma mulher
Vou na rua. A barra da minha saia levanta-se com a ventania revelando aos transeuntes os joelhos e parte das coxas. Com o balanço do meu andar as alças do soutien deslizam nos ombros provocando-me arrepios de desconforto. Isto em simultâneo, digamos. Amanhar a saia e colocar as alças no sítio at the same time é um prodígio exclusivamente feminino. Isto é tanto assim porque os homens não usam saia nem soutien, pois claro.
A vida duma mulher pode ser um suplício... Melhor seria andar despida, em dias ventosos como este.

Citação

De Oscar Wilde:

"Se uma mulher não pode tornar as suas faltas encantadoras é apenas uma fêmea."

Não passei a ferro os lençóis;
A fatia daquela espécie de tarte que fiz para o jantar caíu-me toda em cima da mesa quando a passava para um dos pratos;
'Malta! Venham comer esta mixórdia!', foi como chamei a família para jantar;
Penduro as cuecas nas cadeiras da cozinha para secarem;
Deixei cair o chouriço - que ia pôr (e pus) na sopa - dentro da água de lavar a louça...

Tudo coisinhas encantadoras, não? É indubitável, sou uma fêmea.

Para que conste

O irmão mais velho do primo tal (ver aqui), meu primo, portanto, quis ser meu amigo no Fuçasbuque. Aceitei. Mas sem qualquer paixão ou prazer. A gente no Fuças também temos o senso comum e a hipocrisia a mandar em nós.

Opiniões

Achas?!

Acho.

Eu cá não acho...

Pois eu acho mesmo!

Murteira

Murteira, 10 de Setembro de 2011

A época futebolística da raia miúda já começou há uns dias mas ontem foi a nossa primeira saída em família para ir ver um jogo do rico filho. Estreámo-nos na Murteira, terra que conheço mal, muito embora saiba muito bem onde fica.
Quando andava no Ciclo Preparatório tive montes de colegas daquela pequena e rudimentar (adjetivado pelo rico filho) aldeia. Assim que entrei lembrei logo um parvalhão que um dia me deu um estalo. Murmurei entre dentes:

«Agora era giro ver aquele filho dum cabrão que me deu um estaladão na tromba para me vingar e lhe dar um pontapé nos tintins...»

Passaram trinta anos mas ainda há esperança...

sábado, 10 de setembro de 2011

Comentário

Deixei um comentário num blogue super conhecido na blogosfera e agora 'tou com nervos.

Comezainas não confecionadas como manda o papel

Fiz bolo de banana substituindo o chocolate em pó por cacau. O resultado foi bastante positivo, ficou com um suave gosto acre que me agrada.

Fiz cheesecake substituindo o vulgar leite condensado por aquele que já vem cozido. Depois de pronto deu-me vontade de inovar a cobertura desta doce e colocar por cima raspas de chocolate. Também não se estava mal, não senhores, mas na próxima vez cubro com ganache de chocolate.

O que acabaram de ler foram umas coisinhas do meu sábado. Os sábados são também muito produtivos em posts, tal como me acontece de semana, só por dizer que ao fim de semana a maioria dos meus escritos baila-me na cabeça mas não chega ao blogue...

Indumentária

Fomos ver o jogo de futebol do rico filho. Escolhi muito bem o lugar onde me havia de sentar uma vez que a roupa que levava vestida não era lá muito 'aconchegante' para estar lá no alto da bancada. Enquanto escolhia o lugar, por modo a desculpar-me perante a audiência que tinha parte da visão do jogo interrompida, digo, não muito alto (a culpa é da timidez):

- Desculpem lá mas é que a minha indumentária não permite...

A frase lembra algo à rica filha que salta de lá com ar reprovador, alto e bom som:

- Porque é que as minhas fotos de aniversário se chamam 'indumentárias', mãe?

Hum... OK, vamos lá a responder:

- Porque era o nome das fotos anteriores... Eu estive a tirar fotos aos meus vestidos.

Que divertido...

A rica filha passou um dia desta semana comigo. Diz que já não se lembrava como era estar na loja, que é muito divertido aquilo ali e que lhe dá vontade de falar sozinha porque há coisas giras.

Vai ver a avó mas antes telefona, e enquanto digita o número refere que o sabe de cor desde os quatro anos (já morámos naquela casa, a bem dizer a rica filha nasceu lá).
– Se eu me perdesse saberiam a quem me entregar. Não era uma criança adorável, mãe? - Pergunta ela, brincalhona.
– Eras, claro.

Umas horas depois entra um senhor querendo comprar «ratoeiras para ratos, que aqueles filhos da puta andam por lá a comer, os cabrões». Depois foi ainda um pouquito exaustivo perguntando o preço uma data de vezes, a seguir a cada preço que eu dizia voltava à mesma ladainha: «aqueles filhos da puta andam por lá a comer, os cabrões».
Quando ele sai digo à rica filha:
- Estás a ver porque é que eu tenho sempre coisas para escrever?
- Sim, mãe, estou a ver porque é que tens cento e tal posts por mês...

Almoçámos e depois foi comigo passear.
- Ah, este prédio está tão bonito, mãe!
- Pois está, ainda há pessoas que fazem coisas giras...

Descansámos num banco de jardim.
- Estás a ver aquela janelinha ali com umas grades?
Ela olha na direção em que aponto o dedo.
- Sim.
- Daqui a pouco vais estar a espreitar de lá e a ver isto aqui.
- Sério?!
- Sério.
Caminhámos para lá, tinha de entregar um recibo num cliente. Entrámos no prédio em questão, atravessámos o hall e subimos um lance de escadas:
- Espreita aí.
Dito e feito!

Na livraria percorremos as bancas em busca de nada. Reparei num livro (de que não recordo o nome) que me pareceu muito semelhante à familiar escrita de blogger. Referi isso mesmo não sem uma ponta de inveja na voz, que hoje só não publica a porcaria dum livro quem não quer. Olhem só o conselho:
- Mãe, fazes assim: escreves duas ou três histórias pequenas e envias para algumas editoras, arriscas-te a ouvires ‘nãos’ mas ficam a conhecer a tua escrita, que o que tu fazes bem são crónicas… Mãe, desculpa, não estou a dizer que não escreves bem outras coisas… Mas é que tu és cronista… E depois convidam-te para escreveres para um jornal!

Sim senhora! Eu aqui há dias a dizer que a rapariga não é dada a fantasias e ela tão ingénua, tão sonhadora, afinal…

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Perspetivas

Lisboa - Alameda Dom Afonso Henriques, 9 de Setembro de 2011

Que dizer duma perspetiva?

Aura de mistério

Existe um misticismo em redor do escritor (escrevente, blogger, etc.), uma ideia pré-concebida que, quer queiramos quer não, montamos na nossa mente, e que o conhecimento pessoal pode desmoronar por completo, mudar a nossa opinião e esfriar, ou até eliminar, o prazer em ler.
É horrível que seja assim, esta ideia… Chateia-me. Aborrece-me. E entristece-me de sobremaneira.

A esplanada

Um senhor queria o meu colega ausente em serviço, porém, atrasado. Telefonei-lhe:

Olha lá, demoras muito?
Mais uma meia horinha.
Uma meia horinha é para aí um quarto de hora, não?
É, para aí...

Clique, desliga-se a conversa e peço ao senhor paciência mas que ainda demora um bocadinho e tal. Ele não se mostra lá muito paciente e deixo de o ver duma maneira que não sei contar porque não lhe notei a falta.

Toca o telemóvel, é o meu caro colega:

Já vou a caminho.
Ah, está bem. Já viste, está aqui uma pessoa à espera a manhã toda e depois é isto? Porque é que não vêem quando tu estás aqui?!
Quem era, sabes?
Era um senhor já velho, eu conheço o homem mas não sei explicar quem é.
Então deixa lá que logo vejo…
Hum, acho que o homem está aqui sentado na esplanada à tua espera… Será que ele me ouviu?! Eu não disse nada de mal pois não? Eu só disse que era um senhor velho, assim muito respeitosamente, não foi?

O acordar súbito

O rico filho é moço para ter montes de piada. Anda apaixonado e a coisa ainda ferve um bocado porque a paixão é recente. Às vezes vai ter com a namorada muito cedo e pede para o acordarmos. Chegada a hora levanta-se de um pulo, a bem dizer já está de pé e ainda dorme, o que contrasta em muito com o acordar para ir à escola...

A espera

A senhora professora queria umas coisinhas mas toca-lhe o telemóvel e ela vai lá fora falar. Ao depois da conversa acabada vem e faz-se o negócio sem grande dificuldade:

- Era o meu filho tenho de lhe dar atenção agora senão ele depois não me telefona e diz que quando quer falar comigo eu não posso ai credo isto é tão caro mas é preciso para pôr entre a cozinha e o hall a ver se não me entram as poeiras da areia do gato que é um malandro e põe-se a arranhar e assim rasga-me tudo e eu depois tenho de comprar outra coisa destas e agora tenho que me ir embora que os alunos estão na sala à espera e eu aqui.

Fraca qualidade

Eu não devia denegrir os meus artigos mas é que a transparência daquele balde ali está-me a dar que falar... mal. Estou certa de que não vale um caracol.

Uma confusão

Ando eu a troçar das pessoas por causa do modo errado como falam e vai daí pergunto sem rodeios a uma senhora se ela não está confudida...

Dias de um ginásio

Na passada terça-feira, 6 de Setembro de 2011, através de terceiros, tomei conhecimento do seguinte: as luvas de boxe cheiram a chulé.

Aviso



E mais nada!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Síntese

Aqui estou eu, no lugar que não suporto, fazendo por estar alegre. Fazendo tanto, com a cabeça tão ocupada em esquecer algumas causas, que esqueço o verdadeiro propósito de me encontrar aqui. E escrevo. Vou escrevendo dia afora. Desconheço outra maneira de viver feliz.

Intensidade

Tenho que me deixar destas merdas de olhar com muito sentido para as pessoas, apenas lhes aguço a ideia de que espiolho os podres das suas vidas com malévolo interesse.

Atenta nisto e mete na tua cabeça: ninguém gosta de se saber observado tão avidamente como tu fazes, fingir desatenção é o melhor.

Meia dúzia

Ia na avenida quando vi três cavalheiros cumprimentar deferentemente duas senhoras, aparentemente mãe e filha.
– Boa tarde, senhoras doutoras! - Disseram todos quase em coro.

São mesmo mãe filha, conheço-as há anos. Um dia vendi à filha meia dúzia de escovinhas daquelas para retirar os restos de comida da louça. 

...

...

Pois, eu sei… É estranho, é.

2 em 1

Pedi uma fatia de bolo ao senhor do café. Não contente em simplificar a vida do pobre homem, pedi-lhe a fatia mais gorda que estava na prateleira e que fizesse o favor de a cortar longitudinalmente. Uma fatia. Um só corte. Duas fatias. Pedi, nada de súplicas. Ele serviu-me atenciosamente e eu acrescentei: «Gosto das fatias assim: gordas. Há alguma coisa melhor que uma boa gorda? Não,

Continuo um poço de sensualidade.

Variedade de assuntos

Blogosfericamente falando, sou uma mulher observadora e cheia de assunto, não sentindo qualquer necessidade de ir buscar 'o tempo' para depositar aqui umas coisitas.
Sou a maior, portanto.
Estava um frio do caraças, ai este Verão não é Verão nem é nada!
O sol voltou, ai que horror está um calor que não se pode!
Não. Eu não. Eu cá... Parafraseando parcialmente esse moço que agora anda na boca de toda a gente, o Guedes, é assim: o tempo é uma porra que não me assiste.

Sensualidade

Se eu sou sensual? Sim, também, e talvez a par com a espiritualidade (ver post anterior). Sou bastante sensual. Mesmo. Sai-me p'los poros a toda a hora. Em forma líquida que é para ser bebida. Até escorre. Sou sensual, pois. Olha só:

Não compro iogurtes simples já açucarados porque gosto de ser eu a mexer nas minhas coisas.

Espiritualidade

Sou uma pessoa muito espiritual e assim. Hoje escrevi um recado:

A senhora daqui pede as orações porque vai ser operada na sexta-feira.

SSSSpray

Tem cá spray?

Claro que sim.
Herbicida,
inseticida,
ambientador perfumado,
laca,
desodorizante,
verniz,
primário,
tira-gorduras,
anti-calcário,
lubrificante,
óleo de cedro...
ou tira-nódoas?

Não, nada disso! Spray de tinta.


Ah, esse não tenho.

Faz anos

A rica filha lembrou que faz hoje 19 anos que começou a andar. Não que ela se lembre mas esse facto é real – deu os primeiros passinhos quando passaram três dias do seu primeiro aniversário.

Dias de um ginásio

Duas tias falavam despreocupadamente sobre jantares e afins.

Ai eu dou uns jantares e mais não sei quê,
ai eu também, de vez em quando,
ai eu faço umas coisinhas simples,
ai eu cá apresento uns pasteis, um bacalhau seco
(?!) ou uma merda qualquer.

Ora bem, o que se passa é o seguinte: nos lares das senhoras de bem existe uma certa displicênia em termos de bom trato para com os convidados... Come-se uma merda qualquer. É a crise, meus caros.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dias de um ginásio

Chega uma mulher cheirosa e planta-se a pedalar ao meu lado. Cheira bem, a bicha. Dois minutos depois estou enjoada do cheiro e dói-me a cabeça.
Passam alguns minutos sob este tormento, pelo canto do olho avisto um homem falando sozinho, gestos largos com as mãos e trejeitos com a boca e os olhos. Muito expressivo, portanto.
Estou bem ladeada, estou. Dum lado agonia, doutro um espelho de mim mesma. Há dias em que estar no ginásio é um verdadeiro calvário.

A casa

Lisboa, 6 de Setembro de 2011


Estamos na marquise da dona Maria do Céu, sita numa rua lisboeta que nada tem de singular. O meu colega parte o que resta dos vidros para colocar de seguida os pedaços inteiros e cortados à medida. Eu tiro fotografias às traseiras, que de singular tem a novidade - nunca tinha estado ali. A dona Maria do Céu observa-nos atentamente. É justo, há vida naquela casa hoje. Vai deitando o olho ao que estou a fazer e mandando uns bitates para não se manter calada. Ao depois do lixo feito eu varro o chão, a dona Maria do Céu é muito velha e agradece-me o gesto.
A vizinha de cima aparece na escada de serviço, pergunta se ela quer abóbora, que chegou ontem da terra com o carro apinhado de frutas e legumes, que a abóbora é clarinha mas muito saborosa, que é da horta do tio. E pêras, quererá, estão rijinhas, aguentam muito. Então e doce de figo, tenho ali tanto figo, dona Maria do Céu, já tive de fazer doce...
A dona Maria do Céu diz que o doce não pode aceitar, é diabética. Mas a abóbora e as pêras, sim senhora, venham de lá.

Com tanta oferta comecei a sentir-me a mais. É uma sensação estranha, que existe sem razão, observar oferendas diante dos olhos e elas não serem para mim. A vizinha da dona Maria do Céu desceu com os saquinhos na mão, depositou-os na mão da idosa senhora e voltou a subir. Lá se descoseu e foi buscar um frasquinho de doce de figo que hei-de partilhar com o meu colega em dias vindouros. O frasquinho vinha a ferver e com o bocal para baixo. É para ficar hermético, diz ela. Bolas, estava a ver que não nos calhava nada, cochicho eu para o meu colega.

O doce já se deixou comer. É bom, é. Obrigadinha.

Bajuladora

Não sou de bajular mas lá que bajulo... bajulo. Um dia achei por bem chamar uma cliente pelo nome: dona Julieta. Era urgente amaciá-la. Foi tiro e queda. Deu um resultadão.

Dias de um ginásio

Anda lá um homem que parece um touro prestes a investir sobre toda e qualquer pessoa (ou coisa) que se lhe atravesse à frente. Mesmo a sério, baixa os cornos e tudo. O marrão acha que aquela postura agrada ao mulherio... E não se engana, gosto de o ver, há algo nele que me atrai, talvez me faça sentir menos bovina.

Devia ter dito

Esteve aqui um senhor a fazer-me um inquérito. Como fui prestável e atenciosa, a cada piadinha das minhas o homem ria-se imenso, tentando retribuir o meu gesto. Um queriduxo...
Quando as perguntas findaram falámos mais um pouco, que eu quando quero sou uma jóia de pessoa.
Vieram à baila assuntos não muito variados, andámos ali à volta da estranheza que é a vida no geral e de cenas curtidas mais em concreto, uma vez que ele anda sempre na rua e eu viajo muito atrás dum balcão. Quis contar-me uma vez que viu num dos jardins mais frequentados de Lisboa uma senhora idosa aflitíssima para urinar, levantar a saia e pimba, fez ali assim, apenas resguardada por um banco às ripas. Depois pediu-me, rente à súplica, que lhe contasse uma das minhas cenas de balcão. Contei-lhe uma recente, um post que escrevi ontem.
Devia ter aproveitado o ensejo e revelado ao homem que escrevo imensas histórias de balcão num blogue, ele que as viesse aqui ler, seria tão mais fácil e prazeiroso. Mas não. Nada. A minha boca não se abriu para falar desta importante questão na minha vida: a escrita. Perdi uma oportunidade de resgatar um (possível) leitor. Outra vez.

A crioula

Tem mê-dêcine pó barata?!

Hum-hum, tenho pois! Em grande variedade: pó, spray, gel e casinhas. Aqui somos pelo social, não queremos baratas sem-abrigo ou sequer descontentes.

Soda cáustica

Pediram-me 'sódia causta', o que achei invulgar mas sobretudo hilariante. Já que tinha que passar pelo teclado para retirar a dita da prateleira aproveitei para digitar rapidamente a asneira que havia ouvido. O momento era um cadito tenso, porque a bem dizer eu estava no meio de um atendimento - que pouca-vergonha! Enquanto isto se dá, inexplicavelmente, cai-me uma fita métrica em cima das mãos e o drama acontece: dou um salto do caraças e vejo-me e desejo-me para reprimir um grito, o que me faz duvidar da hilariedade que possa haver na 'sódia causta'...

No supermercado

Tenho um novo sítio onde ver as horas quando tiver o telemóvel descarregado...
Quero ver as horas?
Tenho o telemóvel sem bateria?
Saco da máquina, tiro uma foto e vejo as horas. Muito simples.

Um dia, no supermercado, o moço que pesa a fruta olhou com demora para a etiqueta que havia colocado na minha alface. Perguntei se havia algum problema e ele diz que estava só a ver as horas. Depois contei-lhe em resumo a minha recente descoberta de como ficar a saber as horas. Ele, como é muito sorridente, sorriu com mais vontade. É um prazer ver pessoas assim, um simples prazer.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A explicação que ninguém pediu

Ontem, 5 de Setembro, foi o dia de anos da rica filha. E foi também o fatídico dia de regressar ao trabalho.
Porque não quero tirar protagonismo à rica filha e à festa, ontem não publiquei todos os disparates que escrevi. Hoje tenho os disparates de dois dias. Deixo-os agora. Creio ser sempre divertido ler disparates, muito embora creia firmemente que é mais divertido escrevê-los, e espero com redobrado fervor que os leitores se divirtam a ler os meus.

Como fazer?

Sou muito desorganizada mentalmente, não me concentro em praticamente nada, ando sempre aérea, não me dou com métodozinhos; disciplinazinhas; regrazinhas. Que fazer para fixar na minha cabeça uma coisinha chatinha que já estou fartinha de tentar fixar? Escrever, claro. Se no blogue, tanto melhor.
Então é assim:

Aquilo assim-assim e tal e coiso que eu tenho de fazer, impreterivelmente, em dias alternados, é para fazer...

nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares... nos dias pares

Eh pá, ó pá, ai pá... Que coisa boa!

Isto não são só parvalhões machistas que tenho de convencer que sei vender e para que serve. Não. Para que conste:

«A senhora tem um traquejo muito agradável, sabe vender e estou a ver que domina por completo o espaço.»

Galanteio? Quero lá saber...

A venda

Um cliente bastante jovem queria uma peça para o seu velho autoclismo. Uma vez que não lhe pude satisfazer o pedido, rematei dizendo:
– Eu vendo-lhe um autoclismo novo... Assim o senhor queira comprar!

Uma massada!

Um senhor queria comprar uma massa para fendas que pudesse estar à chuva. Apresentei-lhe a embalagem apropriada, mas pressentido alguma desconfiança li-lhe a descrição em voz alta: é um produto que pode apanhar água e é perfeito para as intempéries.
Que não, não queria nada disso, queria uma coisa que pudesse estar à chuva!
Hum... Muni-me de paciência, que por ter estado de férias tem os níveis elevados, logo, não precisei de grande esforço, e expliquei ao senhor que era mesmo aquilo e blás. Convenci-o. A persuasão, característica que se mostra sempre tão ténue, também parece estar com uns níveis que sim senhor...

Encontraram-se os dois

Hoje, o dia de regresso ao trabalho, vi o Clóvis. Sempre bem-diposto, o bicho. Com o à-vontade do costume, falou do modo de vestir que o sô Ventura ultimamente apresenta, referiu a vestimenta casual e até os ténis All Star (ou imitação pirosa). Olhei para os pés do sô Ventura e fiquei horrorizada.

(Credo, que horror, oh céus, como pode ser...?)

Há uns tempos vi o Clóvis, um sujeito atarracado e com muitos quilos a mais, de camisinha aos quadrados grandes em cores primárias, calças de ganga e uns ténis vermelhos da All Star (ou imitação pirosa). Depois idealizei um post que nunca cheguei a escrever. Era algo assim:

Ó Clóvis, amiguxo, não sejas ridículo, pá. Essa figurinha de boneco sempre-em-pé a juntar ao teu ar de cinquentão não combina nada com essa indumentária jovial. A sério, vai lá tirar isso, vá... Cinge-te ao clássico casaco de gola e bandas e às camisas de riscas fininhas.

Post Scriptum

Às vezes a vida duma escrevente é tão complicada!
O sô Ventura é cinquentão, neste dia envergava uma indumentária jovial e, ainda que não possua uma forma muito bojuda ao nível da cintura, hoje foi dia para me mostrar a barriga e tudo, diz que está gordo e que não abotoa o botão das calças. E é verdade, eu vi. Vi barriga, umbigo, pêlos e umas calças que não apertam o cós. Quem manda mostrar?

O post do caraças

Era uma vez um casal que foi a uma igreja onde nunca tinha estado, que é o mesmo que dizer serem completamente desconhecidos no pedaço.
Quando entraram, o grupo de louvor entoava cânticos lentos, o que propícia introspeção e promove uma congregação reverente e voltada para as coisas espirituais. Tanto que nem deram pela entrada do casal atrasado, que entretanto já se instalara numa fila não muito lá para a frente.
Aos últimos compassos o líder agarra no microfone e entra em cena cantarolando baixinho e mantendo a mesma postura que os consortes. Enquanto cumprimenta os presentes a música finda, e, quando já só se ouve a sua voz, numa de gracejo, elogia a congregação dizendo que estão todos bonitos e que são pessoas fantásticas. E é aqui que se dá um clique em duas ou três filas de pessoas, olham para trás em sintonia e observam com vivo interesse o bonito e fantástico casal...
A mulher não aguentou e cochichou qualquer no ouvido do homem:
«Já viste como somos fantásticos? Desculpa lá mas isto vai ser um post do caraças...»

Reverência? O que é isso?!

A mota

Ele anda doido com as motas, quer (porque quer e porque quer e porque quer) comprar uma daquelas baratuxas. E eu, sei lá porquê, não tenho tido vontade de escrever deste assunto. Se calhar é porque ele não pode ver uma mota e eu também não mas por motivos opostos. Ou seja, ele empolga-se com o assunto, bastando para isso ouvir um simples ronco e blá blá blá, não se cala, e eu já não o posso ouvir a ele ou aos roncos da porra das motas. Isso tira-me a vontade de escrever.

Ou então não, tenho muita vontade de escrever sobre este assunto de roncos, cilindradas e curvas. Estou a rebentar de desejo, estou é a guardar segredo. Um dia, quando finalmente a gente tiver uma mota fofinha e gira (e... baratuxa), eu poder fazer um post lindo e todo xis-pê-tê-ó, mostrando ao mundo inteiro uma foto comigo montada na mota, envergando um fato de pele preta justinho ao corpo, mãos no volante (é voltante que diz, ou será guiador como nas bicicletas?), as nalgas espetadas, toda sensual e mais não sei quê.
Deslindei o caso e estraguei a surpresa.

Iú Túbes e canais de vídeo

Já que escrevo muitas vezes impregnada até aos ossos de bom humor, lembrei-me de criar um canal no YouTube e publicar vídeos dizendo as minhas parvoíces. Parvoíces essas que não passariam de cómicos disparates uma vez que as palavras ditas não têm o mesmo peso que as escritas, tudo fica tão mais leve se for dito ao invés de escrito...
Depois, bem vistas as coisas, descobri que aqui há tempos, no Gmail, tinha clicado algures e criado um canal no YouTube. Agora já posso editar vídeos e escarrapachá-los no YouTube, em querendo.
Portanto, caríssimos leitores, eu tenho um canal onde posso publicar vídeos meus. Algum leitor se prontifica a ver e ouvir esta blogger?!

Coisitas que ficaram das férias...

… Mas que quero publicar mesmo já estando a trabalhar há que tempos. Isto porque... E bem vistas as coisas... No trabalho tenho mais tempo (concentração, inspiração, método, disciplina) para escrever.

Entrei naquela loja porque vi chocolates, cafés, chás, bolos, quem sabe não encontraria coisas boas e diferentes para os meus doces.
A loja não diferia da do senhor Salvador, só por dizer que na rua Garret (Lisboa) o público é diferente e a exposição dos artigos está mais direcionada para os turistas estrangeiros, é uma loja muito mais bonita, composta por artigos finos e delicados, mas também impessoal, não tem aquele cunho próprio do comércio tradicional.
O balconista empertigou-se todo para me atender. Fiquei sem jeito porque na verdade eu nem queria comprar nada, eu queria era uma loja com chocolates de vários tipos para fazer bolos... «Que raio vou eu agora pedir ao homem?!»
Pedi café para cafeiteira e procurei-lhe um certo auxílio uma vez que não conheço profundamente este tipo de café. O homem mostrou-se impaciente enquanto me mostrava os três tipos de café que comercializa.
Escolhi o café, paguei e despedi-me. Portei-me bem. Mas fiquei muito desapontada com este episódio. Talvez tenha ficado mais desapontada porque sou comerciante e, ainda que os meus dias não sejam sempre repletos de boa disposição, esforço-me bastante por atender as pessoas respeitosa e pacientemente. E não sendo o que ali vi...

Um dia desses aí sonhei com a vizinha Gracinda. Cheguei à sua antiga morada e depois de subir as escadas íngremes que me conduziriam à casa, deparei-me com uma festarola daquelas. Havia muitas pessoas por aqui e ali, de copo na mão, petiscando, conversando e rindo em pequenos grupos.
Procurei pela vizinha Gracinda e alguém me disse que se encontrava na cama, doente. Uma festa lá em casa e ela assim tão abandonada?!
Fui apressadamente ter com ela, encontrei-a deitada de bruços, chorosa e infeliz, ainda não se tinha curado do desgosto de ter perdido o único filho.
Ao contrário do que me acontece na vida real, não fiquei perdida com a triste cena. Falei-lhe delicadamente, aconselhei-a a ter esperança e a tentar viver o mais normalmente possível. Ela levantou a cabeça mas não chegou a sair da cama, sequer se sentou, ficou só a ouvir-me.
Quando os sonhos são pertubadores, como este, não os esqueço e tenho de os escrever. O que retiro deste é que no sonho fui uma pessoa diferente, capaz de falar e aconselhar, que é um ponto onde sou medíocre. Acontece, porém, que não se lhe vê nenhum final feliz, o sonho acaba ali. É uma pena a minha cabeça não ter inventado um final feliz para a vizinha Gracinda.

Passei segunda vez pela rua da Escola Politécnica em Lisboa. O meu fornecedor de pratexes, lá de dentro, olhou para mim cá fora. Eu, cá de fora, olhei para ele lá dentro. E ele olhou-me lá de dentro. E eu olhei-o cá de fora. E isto foi acontecendo enquanto percorria os dois ou três metros que mede o espaço entre a porta e a montra. Depois desapareci-lhe da vista. Foi giro. Assim só já foi muito giro.
Se calhar querias que interrompesse as minha férias para te pedir uma dúzia de frascos, não?!

Vi o senhor Godinho, um dos meus mais carismáticos vendedores. Quero dizer, não se pode dizer que tenha dado de caras com ele, logo... vislumbrei o senhor Godinho.Na rua, no meio da rua. Quem manda a mim andar por estes sítios, pá?!
Com a dona Genoveva foi mais ou menos o mesmo. Só por dizer que corri um risco muito maior de ser descoberta, o senhor Godinho caminha sempre de cabeça baixa mas ela não, é altiva, mantém uma postura de desafiadora, como achando que o mundo está todos os dias e a todas as horas contra ela.
Lá me safei dos dois...

O meu colega ligou-me para casa. Sim, eu estava de férias. Não, não era saudades que ele tinha.
Olha lá, qual é a palavra-passe do computador daqui?
DODISJD, ****
Já agora sabes o preço do betume assim-assim?
Doze euros e noventa, o código é cento e vinte quatro, zero, sessenta e quatro.
Obrigadinho, linda.
É um querido, o meu colega, é sim senhores. Chamou-me linda... E eu também sou uma espécie de querida: atendo telefonemas donde vão sair conversas de trabalho quando estou de férias, tenho na cabeça números que ao momento não interessam para nada.
Acho que qualquer entidade patronal, sabendo das minhas invulgares aptidões e do profundo saber que retenho na memória, me ia querer empregar. Caso eu andasse à procura de novo patrão, claro. Pois é, não ando, não. Nem tentem...

Estive três dias doente. Mas assim mesmo... doente. Agora é que me aprecebo como estava doente. Doente, doente, doente.
Já chega de queixas!

E agora os livros. Comprei dois: 'Cinderela de saia justa', de Chris Linnares e 'Memórias da Rosa' de Consuela Saint-Exupéry. E no desafio de escrita ganhei outros dois: 'Da janela do meu (a)Mar' de José Luís Outono e 'Pela berma da estrada' de Gabriel de Mariz, ambos livros de poemas.
Transcrevo agora dois desses poemas:

Diálogo
 
… mar... porque vens sempre abraçar a minha areia?
… porque gosto muito de ti... sinto-me bem na tua carícia!
… mesmo que te roube alguns grãos...
… não importa... leva os que quiseres...
… posso?
… claro... eu roubo-te sempre os teus beijos
… eu sabia... malvada... a espuma devolvida era menor
… não penses assim... na próxima maré...
… já sei... sulco-te praia minha...
… fico à espera... depois penetro-te mar adentro... meu!

In
'Da janela do meu (a)Mar' de José Luís Outono

Apatia
 
Surpreender um vestíbulo aberto
E não entrar
Sentir que o sol já não aquece
E por ali ficar
Ouvir ao longe
O som de uma guitarra
E não se aproximar
Ver um pássaro a fazer o ninho
E não pensar
Desencadear tempestades de sentimentos
E abrigar-se.
Depois deitar-se
E adormecer.

In
'Pela berma da estrada' de Gabriel de Mariz

A listinha

Para me contrariar, já que odeio programações pormenorizadas, criei uma lista de afazeres para as férias que agora revelo e junto o que realmente aconteceu.

Limpar / lavar toda e qualquer superfície da casa, bem como os seus ornamentos: tapetes, cortinas, bonecada

Ora bem, se levar em conta a totalidade de superfícies e ornamentos que existem na minha casa e comparar com o número das ditas mais os objetos onde passei (passámos: eu e os ricos filhos) o pano... acho que não será uma diferença díspare.

Pintar a porta da sala de cor-de-laranja e a mesinha-de-cabeceira da rica filha com velatura

Nop! Totalmente ao lado, nem tentei...

Forrar os armários da despensa com papel colorido

Yap! Já está. Ver aqui.

Acabar de vez com a roupa por passar a ferro

Hum... OK... Quase, vá. Ficaram umas pecinhas sem importância.

Fazer todos os outros vestidos, casacos, blusas, saias

Nem todos, fiquei muito aquém do que pretendia. Mas fiz umas coistas que se podem ver aqui.

Comprar tecido preto para fazer umas calças para o Inverno

Feito! Agora é só fazer as calças, claro.

Descobrir aquela loja de chocolates no Bairro Alto

Não existe, afinal. Ou então não procurei no sítio certo. Mas serviu para passear duas tardes no Príncipe Real e Bairro Alto. Ver uma dessas tardes neste post .

Fazer novas receitas de bolos e doces

Oh, yes! Bolo de chocolate e musse de manga com raspas de limão e folhas de manjericão.
Receita do bolo aqui. Receita da musse não há, ficará para uma outra ocasião.

Visitar a vizinha Gracinda

Fui. Bati com o nariz na porta. Descrição neste post.

Organizar as fotografias de papel e as de suporte digital

As digitais estão todas muito bem organizadas em pastas nomeadas com nomes originais e giríssimos, claro. Eu gosto de (achar que estou a) ser criativa em toda e qualquer palavra que chute para o ar na forma escrita. Já as de papel, ainda não foi desta. Para as organizar preciso comprar uma espécie de envelopes e como não é só o governo que está em crise...

Ir ao ginásio, impreterivelmente

Sim, fui. Cheia duma vontade fingida.
Quando é assim, quando saio de casa para ir ao ginásio, o caminho é diferente, dou um passeio curto mas prazeiroso ao lado do Tejo. Naquele bocadinho tudo é agradável, até o cheiro.

Visitar e tirar fotografias ao Pinheiro de Loures

Hum-hum! Também se fez. Foi talvez o meu melhor dia de férias.

Ir ver a família, já que a família não me vem ver

Lá fui eu. E a família continua sem me vir ver... Mas gostei, mal de mim se assim não fosse.

Facebook

Ainda cá vou à entrevista. No próprio dia publiquei o vídeo no meu mural do Fuças. Uns dias depois reparei que nem sequer me tinha lembrado de colocar um linque para o blogue, a convidar e tal, se bem que no próprio vídeo esteja expresso verbalmente o endereço - eu gaguejo um bocadinho a dizer mas dá para perceber... - e um espacinho para aceder.
É instintivo, sei porque não tive a lembrança de expôr o blogue explicitamente. No Fuças estão amigos e conhecidos, a maioria não faz ideia que escrevo, está a minha família, a chegada e a menos chegada, e é muito mais difícil escrever se estiver presente a ideia que eles vão ler.
Imagine-se o primo tal ler aqui e agora que eu me faz imensa impressão dizer às pessoas (nestes três últimos dias) que a minha sogra foi operada ao olho e que correu tudo muito bem, obrigada... Mas qual olho, hein?!
Ou então alguma das minhas cunhadas, essas cabras do monte, lerem esta frase que acaba já a seguir ao próximo ponto de interrogação?

... Não dá.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A rica filha; Parabéns; Parecenças

Este ano quero escrever um pouco acerca da rica filha, (tal como já fiz com o mano). Ou melhor, quero escrever o que reconheço de mim mesma na sua personalidade. Antes pensava que ela não se parecia nada comigo, em criança foi sempre muito diferente de mim mas quando a vi chegada à idade adulta fui notando várias coisas.
Gosta de escrever... (olha eu!) Ah pois!
Tem o bichinho da escrita desde miúda, há dois anos quae anda a escrever uma história e tudo. É profundamente analítica, muito observadora, instintiva até mais não – pontos favoráveis à escrita.
Não sente qualquer temor da ruindade que há no mundo e nas pessoas, reconhece-os e enfrenta-os, aliás(olha eu!). Porque não teme os males da vida nem se embaraça em os descrever, consegue dissecar a vida duma maneira extremamente racional (olha eu!), talvez demasiado para a idade. Não possui aquela paixão (olha eu!)própria da juventude, achando que é tudo maravilhoso e que vai conseguir mudar o mundo. Não. É dotada duma frieza que me gela os ossos quando me reconheço nela... Tanto que sabe não ser ainda suficientemente madura para escrever um livro a sério, acha-se aquém em termos de vivências, tem noção que a experiência de vida é pouca para escrever livros.
Tem um humor subtil (olha eu!) e algo calculista. De vez em quando confessa-me que ninguém entende as suas piadas (olha eu!), estendo-lhe a mão e digo na brincadeira: «Dá cá mais cinco, rica filha! Sei como é...».

«Quem sai aos seus... Não degenera.»

Achega:
Apesar da aprente frieza e tranquilidade com que leva a vida (olha eu!), parecendo não se importar com nada (olha eu!) é uma rapariga feliz e bem disposta, o que me agrada profundamente.

A rica filha


A rica filha hoje faz anos: 20!


sábado, 3 de setembro de 2011

Gina, a mulher que tem um blogue

Lagariça, 2 de Setembro de 2011

Escrever pode ser sufocante. Existe um fosso, um vácuo, um sítio qualquer sem ar onde por vezes paira o ato de escrever. Não há qualquer ligação entre a pessoa que escreve num blogue e a pessoa que fala e ri, não se misturam.

Aboli o nick de blogger, a partir de hoje assino os posts como Gina. Nunca procurei o anonimato mas sempre permaneci na penumbra, o que não é de admirar já que não me mostro muito. Com este último acontecimento (A entrevista!) percebi que nunca estive tão à mostra como agora, da Gina conhece-se o rosto, a voz, o riso, o olhar... até se sabe o sobrenome! Acabou, aboli a Gigi! Há anos que queria deixá-la.
Tenho para mim que esta será a última vez que deixo a entrevista em destaque no blogue, receio ser monótona e egocêntrica, escrevendo sempre do mesmo, olha para esta armada em estrela e mais não sei quê. Com tantos posts dedicados ao mesmo assunto demonstro uma alegria semelhante àquela que os adeptos do Sporting sentem quando a equipa deles ganha um jogo. Coitadinhos, tão famintos de vitórias e atenção, qualquer coisita é motivo para festejar...
Mas nem tudo são rosas, sinto pudor da exposição, há um desfasamento enorme entre o que imaginamos ser um blogger e o momento em que ele se materializa, isso asusta-me um bocado, creio ser sempre algo chocante. O pudor leva-me a querer troçar de mim mesma e esforço-me ao máximo por não 'ver' os pontos maus da entrevista, tanto que já me deu vontade de escrever acerca dos podres uma carrada de vezes. Contive-me, porém, há sempre uma voz que diz:
«Gina Maria, deixa-te dessas merdas! Depois as pessoas não te querem ver nem ouvir, já viste que estás sempre a dizer mal de ti mesma? As pessoas que tirem as suas próprias conclusões, não achas?! Não tens nada que as ajudar nesse sentido!»
Vá lá, vou só comentar a voz fanhosa que eu, uma pessoa inteligente e tímida mas extremamente constipada, apresento:  
«Credo, que voz nasalada, que horror, oh céus! Tu cala-te, mulher...»
Não obstante, por modo a salientar pontos positivos,  e para deixar no ar a ideia de que estou permanentemente envolta num manto de glória (terrestre!) vou registar o que mais gostei de ver na entrevista: o meu olhar é fantástico, quando falo da escrita os meus olhos brilham intensamente, desconhecia completamente que esse brilho existe em mim. Foi esta a melhor parte.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Indumentárias e coiso

Eu sei que não parece mas isto...



E isto...



Ambos deslumbrantes e cheios de classe!

Item

Fazendo jus à minha listinha, com o passeio de hoje pretendia incluir uma visita especial: a vizinha Gracinda.
Fui entrando na quinta e dei com um rebanho (ia escrever grupo, oh chéus, que horror!) de ovelhas vindo do pasto. Fiquei contente por me parecer ser indício de que estava ali alguém. As ovelhas recolheram onde deviam, aparentemente sozinhas, e eu continuei a minha incursão amigável. Galinhas e gatos também havia por ali, todos fugiram. Um dos gatos, pequenino ainda, quando fugiu fê-lo tão depressa que escorregou e estatelou-se no chão. Ri-me e falei com ele, tentando acalmá-lo, mas acho que o bicho não deixou de ter medo de mim, ficou afastado observando.
Vi a casa nova, o anexo e a casa velha. Debaixo dum simples telhado encontrava-se o trator velhinho que recordo. É tão velho que parece uma peça de museu, ali pousado para ser alvo de olhares curiosos como o meu.
Bati na porta do anexo por me parecer o lugar mais concorrido da quinta, havia muitos vestígios de vida ali. Bati várias vezes. Nada. Continuei, fui descendo. Havia uma carrinha grande estacionada ao lado da casa maior, depois avistei um cão e fiquei apreensiva o suficiente para parar a incursão por ali. Enquanto voltava para trás lembrei-me que deixaria um bilhete avisando que tinha lá estado. Bati novamente na porta do anexo. Uma vez mais ninguém respondeu. E esqueci por completo o bilhete porque me entretive a tirar montes de fotografias... 


Pinheiro de Loures, 2 de Setembro de 2011

E pronto! Não foi desta que vi a vizinha Gracinda.

Passeio d' hoje

Coisas que já não existem:

O cabeleireiro da Arminda não existe, a Arminda cabeleireira é que já não sei...
Foi-se a cabine telefónica onde eu ia falar com alguém imaginário. Era amarela com letras vermelhas e tinha muitos vidrinhos, o telefone era pesadíssimo...
A minha Escola Primária agora é Centro de Convívio para idosos. Grande pulo, não? Tão grande que pularam até ao oposto...
A retrosaria da Adélia também desapareceu. A bem dizer, ali assim há várias casitas que foram demolidas e aquela porta ali talvez fosse a dela mas não estou certa disso...
A estância...
O Zé do talho...
A casa da Maria Pinguitas...
A padaria da dona Aida e do senhor Miguel, que era cego e gostava de mexer-me na cara e nas mãos para se certificar do meu crescimento. Isto nos tempos de hoje daria azo a muita especulação, naquele tempo foi visto com a maior naturalidade e ainda bem...

Coisas que não sei se ainda existem:

'A Parreirinha'...
'O Cantinho'...
O 'Colégio de Santa Teresinha'...

Coisas que ainda existem:

A mercearia do senhor Horácio. Grande negociante, a minha mãe dizia que ele era cigano porque enganava as pessoas. A mim, passados tantos anos, parece-me que ele era (e é!) apenas um bom caixeiro. 'Quem não sabe ser caixeiro fecha a loja...'
A farmácia. Mas sem o Jaime da farmácia...
A bomba Galp...

Coisas que agora existem e antes não:

Centro de Convívio para idosos...
Agência Funerária...
Escola de Condução...
Loja de roupas...
Tabacaria...
Prédios altos...
Churrasqueira...
Stand de automóveis...


Chuva

É uma e picos.
As pessoas almoçam.
Chove à farta.
É bom estar de férias.



É bom estar em casa com uma caneca de café na mão.

Bolo de Chocolate



Peneirar:

1, 3/4 chávenas* de farinha
2 chávenas de açúcar
3/4 chávena de cacau
1 colher** de bicarbonato de sódio
2 colheres de fermento em pó
1 colher de sal fino

Misturar

1 chávena de leite
1/2 chávena de óleo
2 ovos
1 colher de essência de baunilha

Juntar os ingredientes peneirados à mistura prévia e levemente batida.
Mexer bem até ligar tudo.
Por fim juntar 1 chávena de café quente e voltar a mexer.
Vai ao forno médio.

Retirei esta receita do programa de Tv 'Barefoot Contessa', canal Food Network. A cobertura que usei foi diferente da apresentada no programa. Fiz ganache de chocolate: 200 mililitros de natas com 150 gramas de chocolate que vai a banho-maria até derreter.

*chá
**chá

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A entrevista! (2)

Assim de repente... Só me vem à cabeça que estou no YouTube. E que a notoriedade é algo aprazível.
Este post serve para dizer isso do prazer que sinto em ser notada mas não só. Serve também para deixar aqui em cima, para ser o último post e assim dar mais um destaquezinho à minha entrevista, ao meu blogue, à minha pessoa... E à autora do site 'Palavras Maquilhadas' que promoveu tudo isto e me proporcionou momentos agradáveis.


Um facto

Um facto muito presente na minha vida é que o anonimato e o desacompanhamento andam de mãos dadas com a criatividade, são amissíssimos os três.

Como escrever...

... Um texto interessante com um acontecimento super - hiper - mega desinteressante?

Assim:

Fui à depilação. A magana dum corno arrancou-me um pêlo do nariz. Chorei. Limpei as lágrimas. Assoei-me. Puta dum cabrão a fazer-me chorar, já viste?

Então, que tal? Muito interesante, certo?

Um dia, quando eu for uma escritora muito popular e, preferencialmente, muito apreciada neste país, não vou poder escrever as obscenidades que constam nos parágrafos acima...

Dias de um ginásio

O dói-dói. Ele tem um dói-dói na mão. Pergunta ao mestre de artes marciais o que acha, se será boa ideia treinar. O mestre responde que se calhar e tal não deve treinar. Vira-se para mim:
'Se calhar é melhor fazer stretching, não?'
Sou sucinta e peremtória:
'É!'
Depois, não contente com as prespostas, ainda vai lá abaixo falar com o professor de boxe e mostrar o dói-dói invisível e falar do mesmo. O professor diz que não, vejo nos gestos.
Algum tempo depois vejo-o entrar na sala de stretching. Lá se rendeu. E nem mostrou o dói-dói à professora. Grande homem!