sexta-feira, 25 de maio de 2007

A VIZINHA GRACINDA

Quando a conheci, a vizinha Gracinda era uma jovem mãe de um bebé chamado João Paulo. O Paulinho, nome carinhoso com que era tratado, era rechonchudo e moreno como a mãe.


Naquela altura passava em Portugal, pela primeira vez, uma telenovel vinda do Brasil, a famosa "Gabriela Cravo e Canela". A minha mãe comentava que a vizinha Gracinda era muito parecida com a "Gabriela" e de facto, era verdade. Era muito bonita, alta, morena, elegante e tinha os cabelos escuros, ondulados e compridos, tal como a "Gabriela".


A memória mais antiga que tenho da vizinha Gracinda é vê-la lavar a roupa do bebé num tanque que ela tinha no quintal. Também me lembro de a ver tirar as peles e os caroços das uvas para o Paulinho comer. Hoje sei que aquela atitude revelava cuidado e que o principal objectivo da vizinha Gracinda era evitar que o bebé se engasgasse. Mas eu, que naquela altura era ainda uma criança, ficava admirada de a ver fazer aquilo. Que estranho alguém descascar uvas... porque raio é que o bebé não comeria as uvas como eu?!


A vizinha Gracinda morava por cima de quem morava por cima de mim. Para se chegar à casa dela, entrava-se por uma porta e subia-se uma escadaria de uns vinte degraus, a casa propriamente dita era lá em cima.


Comecei a gostar verdadeiramente da vizinha Gracinda. Era muito simpática e às vezes convidava-me para ir lá a casa brincar com o Paulinho. E ele tinha tantos brinquedos, tão giros e tão coloridos...


No quarto dela, em cima da cómoda, havia um objecto que me fascinava. Era um frasco de perfume que tinha um tubo com uma bomba na extremidade, tudo forrado com um tecido na côr grenat. Quando pressionada, essa bomba libertava o perfume em borrifos. Não me lembro com exactidão, mas creio que ela me explicou o que era aquilo e como funcionava. Era mesmo próprio dela ter paciência para explicar e compreender o meu fascínio infantil por determinados objectos. Eu, por minha vez, sabia que não a aborrecia, ela achava normais as minhas infantilidades, eu podia sempre contar com a sua compreensão.


Foi ela que me ensinou que os iogurtes naturais saberiam melhor se esperássemos que o açúcar derretesse e só depois comêssemos. Ainda hoje, quando como iogurtes naturais, deixo derreter o açúcar e lembro-me sempre da vizinha Gracinda.


Foi na casa dela que vi, pela primeira vez na minha vida, um gira-discos pelo qual também manifestei fascínio. E ela punha-o a tocar só por minha causa.


Os sogros da vizinha Gracinda tinham uma quinta muito perto das nossas casas. Sou péssima a calcular áreas, mas sei que na quinta havia espaço suficiente para haver hortas e pomares, onde tinham semeados e convenientemente tratados, vários tipos de legumes e várias espécies de árvores de fruto. Havia ainda espaço para animais - vacas, porcos, galinhas e coelhos. Os sogros da vizinha Gracinda viviam do que a quinta produzia e rendia e ela própria era daí que tirava o seu sustento.

Eu cresci e cheguei à adolescência. No tempo em que já não andava na escola e ainda era demasiado nova para trabalhar, a vizinha Gracinda foi muito minha amiga.

Com o crescimento a minha mentalidade mudou, mas a vizinha Gracinda com a sua amabilidade e a sua simpatia naturais adaptou-se a mim e à minha faixa etária. Continuava a ter sempre uma palavra agradável quando conversávamos e adquiriu um jeito especial para entender nas entrelinhas o que eu não dizia.

Sabia como eu me sentia só porque passava o dia inteiro sózinha em casa e convidava-me para ir com ela a vários sítios. Um desses sítios era uma fábrica onde se faziam bolachas Cream Cracker. A vizinha Gracinda ia lá para comprar os restos de massa que sobravam do fabrico das famosas bolachas. Essa massa servia para alimentar os porcos que ela tinha na quinta. E eu, enquanto ela negociava, passava o tempo a observar a fábrica por dentro e achava montes de piada às grandes máquinas nas quais via as bolachas, ainda cruas e pequeninas, a viajar nos tapetes rolantes que as levariam ao forno enorme. Havia farinha e bocadinhos de bolacha espalhados por todo o chão da fábrica. E ainda hoje me lembro que haia lá um rapaz que percorria a fábrica executando as suas tarefas e quando passava por mim fazia-me "olhinhos"... enfim!.. Coisas de adolescente!... É claro que a vizinha Gracinda se apercebeu muito bem. Mas também aí ela actuava com naturalidade, sabendo e aceitando que na idade em que eu estava estas coisas são perfeitamente normais.

Passeei por mais sítios com a vizinha Gracinda. Ela levou-me ao Carnaval de Loures, à praia do Lizandro, ao Centro Comercial Oceano em Odivelas e também ia muitas vezes com o Paulinho para a quinta andar de bicicleta e o Tobi atrás de nós.

A história da vizinha Gracinda não termina bem. O Paulinho morreu de acidente de viação há cerca de uma dezena de anos atrás. Nunca mais falei com ela pelas circunstâncias da vida, elça mudou de casa e eu também, mas imagino que ela não seja mesma. No entanto, eu quis escrever acerca da vizinha Gracinda porque para mim ela foi alguém muito importante. Posso, inclusivé, escrever que foi valiosa sem estar a exagerar nada. A vizinha Gracinda foi e é alguém que eu não quero esquecer nunca. E ao escrever acerca dela, estou de certo a perpetuar a sua lembrança na minha memória. Tanto é


sábado, 19 de maio de 2007

"Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo" Venâncio

Concordo com este pensamento. Parece-me que quanto mais vasto fôr o vocabulário de uma pessoa maior e melhor será o seu raciocínio. Portanto, mais alargado será o seu mundo porque melhor pensará e melhor falará. Onde acaba a linguagem acaba o pensamento. Não podemos pensar sem palavras e se existirem muitas na nossa cabeça saberemos exprimir as nossas opiniões e o que sentimos com fluidez, não ficaremos estagnados. É esta a minha opinião.
Em conversa com o Luís acerca desta frase, ele discordou totalmente, dizendo que um dos maiores poetas portugueses - António Aleixo - era de baixa cultura, um homem do povo e no entanto, era um poeta extraordinário. Ele acha que o nosso mundo só é limitado pela imaginação e saber, o que nada tem a ver com cultura. Segundo ele, se assim fosse os políticos conseguiriam o que queriam, ser donos do Mundo e senhores dos seus habitantes. É esta a opinião do Luís.

E tu? Sim... tu que estás a ler este texto, qual é a tua opinião acerca deste pensamento de Venâncio?

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Markting

Hoje passei um bom bocado a passear na baixa lisboeta. Precisava ir buscar material e para fazer tempo até o estabelecimento abrir, andei por ali a passar o tempo. A certa altura apeteceu-me um café e passando por um que se encontrava vazio, entrei. Pedi um café e um copo de água e fiquei à espera. Enquanto esperava fui observando o local. Era simples, sem luxos, tinha uma área pequena e tinha o balcão em forma de "U". Entretanto houve uma coisa que me chamou a atenção: nos cantos do balcão haviam garrafas expostas, garrafas de vários tipos de bebidas e por isso de diversos tamanhos, feitios e cores, todas em cima umas das outras mas de forma harmoniosa dando um efeito muito engraçado. A minha "veia comercial" despertou... achei aquilo interessante e fora do vulgar. Sei perfeitamente como é importante em qualquer tipo de comércio dar nas vistas. Aquele sistema de dar nas vistas é um tanto ou quanto rudimentar, mas é barato e é bem capaz de dar milhões... Não contive um comentário:
- O senhor tem um balcão muito engraçado. Mas é capaz de ser atractivo para os larápios, não? - a minha "veia comercial" descobriu imediatamente um senão para artigos expostos daquela maneira.
O senhor respondeu-me que não, nem por isso, não costuma dar por nada e tal, só quem é cliente habitual é que pega no que precisa tendo pago previamente... conversa de vendedor que a minha "veia comercial" tão habituada está a ouvir e por isso tão facilmente identifica... Eu própria tenho conversa de vendedora... ora nem mais!
Conclusão: além do café me ter sabido extraordinariamente bem ainda tive oportunidade de ver um estabelecimento decorado de uma forma invulgar, o que me faz pensar que ás vezes não é preciso gastar rios de dinheiro em publicidade para chamar a atenção de presumíveis clientes.
A necessidade é a mãe de todas as invenções e quando não há cão caça-se com gato...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Busca


Isto hoje não está grande coisa... esta busca incessante de algo que eu nem sei o que é põe-me doida! Então não era sensato deixar-me estar descansadinha ao sabor da vida? Mas porque raio é que eu não me deixo destas merdas?!
A vida não é para ser passada desta maneira... em busca de algo. É para ser passada gozando cada bocadinho, cada segundo, porque cada segundo é único.
Será que preciso levar uma pedrada na cabeça para acordar? Deve ser isso...
Isto hoje não está grande coisa... nem hoje nem quase nunca, porque eu nunca estou contente comigo própria, com o que digo ou faço. E isto revela uma auto-estima muito baixinha, eu sei...
foto: Albernoa, 25 de Abril de 2007
autoria: Luís

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Monólogo

"Mãe!... eia!... nem sabes!... hoje baldei-me às aulas!... mas não te preocupes!... tão justificadas porque fui ao torneio de vólei com a minha turma!... houve uma altura q' era a minha vez de volar e eu fiz mêmo assim... com esta parte da mão... olha mãe assim tipo... e a bola foi mêmo assim mãe... mêmo mêmo bem... os meus colegas até ficaram assim tipo... ficou tudo a olhar!... jogámos dois jogos... ganhámos o primeiro e perdemos o segundo... e depois tive a ensaiar a apresentação de amanhã com a Catarina e a Nádia... nunca na minha vida tive tanto tempo a ensaiar... mãe... achas que o pai me pode ir levar à Pontinha para ver o jogo de futebol dos meus colegas?... André!... 'bora ver os meus colegas à Pontinha?... pai!... depois no Sábado podes-nos ir levar à Pontinha que eu queria ir ver os meus colegas?... ahhh!... tive toda a tarde a ensaiar aquilo...Martin Luther King nasceu a 4 de Abril de 1968... bolas!... já tou a trocar as datas!... esse foi o dia em que ele morreu... nem quero ver amanhã... eu até disse à Nádia para pôr o telemovel dela a gravar p'a gente parecer que távamos mêmo a falar..."

Texto confuso este... eu sei... mas muito agradável de ouvir...

E...

... é pá... prontus... tou gira!...

sábado, 12 de maio de 2007

Lembro-me de Deus

Às vezes lembro-me de Deus.
Lembro-me de um modo de estar e ser que deixei para trás há alguns anos por pura casualidade da vida.
Lembro-me de Deus mas não por estar triste, deprimida ou com algum problema ou doença.
Lembro-me de Deus porque sim.
Lembro-me de Deus porque sei que Ele existe.
Lembro-me de Deus porque Ele está em todo o lugar.
Lembro-me de Deus porque Ele está aqui comigo.
Lembro-me de Deus porque Ele é tão grande que não cabe no Mundo inteiro e ao mesmo tempo consegue ser tão pequenino que cabe no meu coração...
Deveria lembrar-me sempre de Deus.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Fui tirar fotografias...

... e lembrei-me do post que escrevi no passado Domingo, onde relato uma ida ao fotógrafo quando tinha 5 anos. Tal como daquela vez, também hoje o fotógrafo endireitou-me as costas, rodou-me o rosto, mandou-me sorrir e inclinou-me até me fazer parecer deslocada de mim mesma. Também hoje foi aliviante voltar à minha posição natural. Ainda assim espero ter ficado com um ar natural. A ver vamos. Eu depois digo qualquer coisa.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Festa de anos

Ontem fui a uma festa de anos um tiquinho estranha. O aniversariante fazia 13 anos e não tinha o pai fisicamente ao pé dele, uma vez que se encontra noutro país, mas ouvia-o através de um telemovel em alta-voz. O pai do miúdo acabou por "assistir" à festa através de um telemovel. Toda a família falava com ele como se ele estivesse ali presente.
Achei aquela situação invulgar, talvez porque nunca tenha assistido a nada parecido. A família em si também era interessante:
- Avós maternos: caladinhos mas felizes por se encontrarem ali.
- Tios: um pouco mais faladores, mas pouco mais. Apenas o necessário e moderadamente.
- Primos: muito faladores, muito entusiastas, muito adultos e muito p'ra frentex.
- Mãe e padrasto: principalmente preocupados em servir e proporcionar o bem-estar dos convidados.
- Aniversariante: com o olhar sombrio, mas na boa...
- A minha própria família: o Luís conversava com todos criando um bom ambiente. A Ana Cláudia conversava com todos e cativava a atenção dos adultos expondo com prontidão a sua opinião adolescente, à qual geralmente toda a gente acha piada, inclusivé eu. O André... na boa... tal como o aniversariante.
- E eu...
:-)

domingo, 6 de maio de 2007

A minha mãe

Decorria o ano de 1973, o meu irmão já andava na escola, o meu pai estava a trabalhar no que seria a barragem Cabora Bassa em Moçambique e a minha mãe tomava conta de nós, da casa e do seu próprio trabalho. Uma das suas actividades era costurar. E fazia-me vestidos, muitos vestidos. Cheguei a ter 22 vestidos todos feitos por ela. Com qualquer bocadinho de tecido ela fazia um vestido para mim, era por isso que eu tinha tantos. Um dos vestidos era cor-de-rosa, tinha um feitio simples e sem mangas, a direito até à cintura de onde saíam pregas vincadas e tinha umas florzinhas brancas aplicadas no peito e no decote.
No dia em que fiz 5 anos, a minha mãe vestiu-me esse vestido, calçou-me meias brancas e sapatos de verniz pretos e foi comigo ao fotógrafo para registar a minha fisionomia com 5 anitos.
O fotógrafo mandou-me subir para uma espécie de mesa, que era tão alta para mim que tiveram que me ajudar a subir. Seguidamente o fotógrafo endireitou-me as costas e rodou-me o rosto para um dos lados. Ajeitou-me o vestido, pôs-me as mãos abertas em cima da mesa e disse-me para trocar as pernas. Recomendou-me que ficasse sossegada até ele tirar a fotografia. A minha mãe observava tudo e mantinha-se calada deixando o fotógrafo executar o seu trabalho. A mim estava a custar-me horrores estar naquela posição que parecia que não era a minha.
- Olha para o meu dedo... (e eu olhava) sorri... (e eu sorria)só mais um bocadinho... (e eu sorria)aguenta só mais um bocadinho... (e eu a aguentar) já está!... (ufa!!! que alívio!!!)
Voltei de novo à minha posição normal, desci da mesa (ou que raio era aquilo) e saímos para a rua, para longe daquele cheiro característico das lojas de fotografia.
- Gostas da mãe?
- Sim - respondi simplesmente.
- Muito ou pouco? - a minha mãe nunca está satisfeita... olhei para o céu, pensei, pensei e lembrei-me que o meu pai estava longe em trabalho.
- Como daqui a Moçambique! - a minha mãe riu-se da minha espontaneidade e durante anos ouvi-a contar este episódio várias vezes.
A minha mãe é uma batalhadora. Alentejana de origem e também de alma e coração, veio com o meu pai e o meu irmão em 1965 para Lisboa tentar uma vida melhor. E, à custa de muito esforço, conseguiram mesmo uma vida melhor. A minha mãe sempre trabalhou, nunca ficou de braços cruzados à espera que as coisas aparecessem.
A minha mãe tem pouca instrução, mas nunca deixou de ir a lado nenhum por isso. Se era preciso tratar de algum assunto ou ir a algum sítio que nunca tivesse ido, mesmo mal sabendo ler, lá ia ela à descoberta e sem medo nenhum do que iria enfrentar.
À minha mãe eu devo muito, talvez quase tudo, do que sei e do que sou hoje. A melhor mãe do mundo é a minha...

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Fragmentos do meu blog (quatro e último)



Imagino que o facto de gostar de escrever não significa que a vontade de o fazer tenha que estar sempre ao mesmo nível.

Para ser sincera, ainda não percebi em que "sítio" mais gosto de escrever, se no PC, se no caderno de capa colorida que está à cabeceira da minha cama...

- Eh pá! Que tal increverem-se e frequentarem assiduamente a porra de um Ginásio e mexerem esse cu?

Talvez um dia eu venha a ser uma velhota...

Há vários dias que não escrevo aqui nada... de momento, tudo o que anda na minha cabeça é impublicável...

Nos últimos dias tem crescido a sensação de que há determinada área da minha vida que é uma grandessíssima... pouca de Chica Maroca*.

Se eu fosse o meu blog acharia que a Gina usa a subtileza até para escrever...

- Mãe... não morras, está bem?
- Se eu pudesse não morreria nunca... - disse eu. De seguida pensei: " Só para não ficares triste..."



Os meus filhos têm qualidades que eu própria gostaria de ter e eu revejo-me e regojizo-me no que observo nas suas vidas.



*merda

foto: Santo António dos Cavaleiros, Fevereiro de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Hoje estou felicíssima...


... e muito aliviada!... Concluí, finalmente, o trabalho de T.I.C. Estava um pouco nervosa e algo apreensiva porque tinha receio de não conseguir fazer o trabalho lá, ao pé do Técnico. Mas consegui!... O tabalho do Word, o trabalho do PowerPoint, o trabalho do Excel e tudo...
É muito bom quando nos propomos fazer algo e conseguimos, dá um enorme ânimo.
Agora só falta o resto, que não é tão pouco como isso. A próxima sessão será para decidir a estratégia para o grande dia em que terei que explicar perante um Juiz porque é que eu acho que mereço ter o 9º ano.
Vamos a isso!
foto: Jardim Fernando Pessa - Lisboa, Abril de 2007

terça-feira, 1 de maio de 2007

EU...

Eu quero: ser feliz
Eu tenho: uma família
Eu acho: que vou conseguir
Eu odeio: a hipocrisia
Eu sinto saudades: de ser criança
Eu escuto: os meus filhos
Eu cheiro: tudo...
Eu imploro: que me escutes
Eu procuro: a paz
Eu me pergunto: que se passa comigo?
Eu me arrependo: do mal que já fiz
Eu amo: a minha família
Eu sinto dor: quando vejo desdém
Eu sinto falta: de amigos
Eu me importo: com tudo
Eu sempre: escuto
Eu não fico: sentada no sofá
Eu acredito: que vai ser melhor
Eu danço: quando estou feliz
Eu canto: pouco
Eu choro: quando estou triste
Eu falho: quando é preciso acertar
Eu luto: por um objectivo
Eu escrevo: o que me ocorre no momento
Eu ganho: com a leitura
Eu perco: tempo
Eu nunca: ...digo nunca...
Eu me confundo: com os meus pensamentos
Eu estou: em casa ou no trabalho
Eu sou: a Gina
Eu fico feliz quando: me escutas
Eu tenho esperança: que o Mundo melhore
Eu preciso: de companhia
Eu deveria: melhorar o meu mundo
Tirei esta ideia daqui. Se alguém quiser fazer um texto semelhante... que esteja à vontade para o fazer.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O último dia de férias

Há coisas que tenho que ultrapassar sózinha. Já aprendi que tenho que reprimir certas queixas, mas não consigo isso sempre, às vezes ainda me descuido e lá começo a queixar-me... infelizmente não tenho dois ouvidinhos imparciais para escutar "aquelas" minhas queixas...
Neste momento estou totalmente sózinha em casa. E estou em casa neste dia e a esta hora porque estou de férias. Desde o passado dia 25 que estou em casa. Tirei estes dias porque precisava fazer uma boa limpeza cá em casa. Mal ou bem, a dita limpeza está feita.
Tenho aproveitado bem o tempo: a limpeza, ver blog's, o trabalho que tenho que fazer para o R.V.C.C., etc. Mas hoje que é o último dia, não estou a conseguir. Hoje estou aborrecida... Acho que estou aborrecida exactamente por isso, porque é o último dia de férias...
E agora vou desligar a porra do PC, vou comprar qualquer coisa para o jantar, vou beber um belo de um cafézito e vou distraír-me um pouco porque estou a ficar demasiado pensativa para quem está de férias!!!

foto: Lisboa - Rua Morais Soares, numa tarde de Domingo. Por isso tem tão pouco movimento.

domingo, 29 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (três)

Nesta altura da minha vida e cada vez melhor, sei o que quero, o que me agrada, o que preciso, o que pretendo...

- Eh pá! Que tal increverem-se e frequentarem assiduamente a porra de um Ginásio e mexerem esse cu?

Imagino que o facto de gostar de escrever não significa que a vontade de o fazer tenha que estar sempre ao mesmo nível.

A minha vida é feita de cenas deste género... às vezes tem montes de piada, outras vezes... nem por isso...

Se eu me excluir da minha vida, se sair de dentro da minha pessoa, consigo ver-me como sou vista e isso ajuda-me a compreender quão feliz eu sou.

Quando aprofundo mais esta questão acerca do que andarei por cá a fazer vem-me ao pensamento que o papel principal e quiçá fundamental da minha existência é ser o elemento apaziguador das hostilidades domésticas...

foto: Albernoa, 25 de Abril de 2007

sábado, 28 de abril de 2007

Restauro

"Depois de passearmos à beira-mar foste dar um mergulho e eu não quis ir contigo. Disse-te que a água estava demasiado fria para o meu gosto. Virei costas ao mar e rumei para a toalha. Depois de lá chegar, sentei-me ao lado dos miúdos a descansar. Ri e brinquei com eles ao mesmo tempo que te observava. Tens um grande à-vontade dentro de água, adoraria ter a facilidade que tens.
Enquanto olhava e não olhava, dei por ti sentado à beira-mar. Lá estavas tu, sentadinho a contemplar o mar. Tive vontade, mas não fui ter contigo. Achei melhor deixar-te sózinho a curtir esse momento. Senti que precisavas estar sózinho e dei-te espaço.
Enquanto te observava, pensei que o que estava a ver daria uma bela foto, tu a olhar para o mar e sendo invadido por aquela calma que sentimos quando observamos algo grandioso, algo maior que nós.
Desejei profundamente que aquele momento servisse para restaurar o que quer que fosse que te andava a apoquentar há dias.
Mais tarde, a caminho de casa... disseste-me que aquele momento te tinha feito muito bem..."

Às vezes chateio-me comigo própria, por achar que sou observadora e intuitiva em excesso. Mas também há momentos na minha vida em que é um regalo possuir essas características. O texto em cima é uma prova disso mesmo.
foto: Costa da Caparica

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (dois)

Apercebi-me naquele momento que ela de gostava de mim a valer.

Não acho que seja uma pessoa hipócrita, mas acho que aprendi a sê-lo com a minha profissão, porque tenho mesmo que ser e não me agrada nem um pouco.

Antes de sequer saber da existência de blog's, não me tinha apercebido que existe tanta gente com vontade de escrever.

Acabei agora mesmo de ler todo o meu primeiro blog, hoje deu-me para isto. Há coisas que já não me lembrava de ter escito. Concluí que tenho cada vez menos assunto para escrever. Espero rápidas melhoras...

Assim que soube, não quis deixar escapar a oportunidade nem quis deixar arrefecer a ideia e tratei logo de começar o mais rapidamente possível. Já lá estou.

Às vezes questiono-me: para que me servirá a perspicácia e a intuição que possuo? Há momentos em que acho que só me atrapalha.

Durante o meu passeio, entrei numa livraria. Tive vontade de comprar todos os livros que folheei, mas não comprei nenhum...

Já fiz a árvore de Natal e enfeitei a casinha toda. Viva o Natal!!!

Eu sou diferente, gosto de avançar no meu percurso habitual, ir andando independentemente de estar a chover ou a fazer sol.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Desiquilíbrios e contra-sensos

Acho que a personalidade de qualquer ser humano é composta de opostos, criando um desiquilíbrio que gera equilíbrio. Estranho? Sim, muito... Tive a ideia de descrever perfis e descobri isto, porque até aí nunca me tinha apercebido de tal... E entretanto comecei a observar e a aprofundar ainda mais a minha própria personalidade. Toda eu sou desiquilibrios e contra-sensos... eu que até achava que era toda equilibradinha, sensatazinha, ajuizadazinha e assim... Bah!...Treta!...
A minha individualidade é muito individual, sou individualista... (esta frase não tem jeito nenhum mas resolvi deixá-la aqui na mesma porque me dá vontade de rir...)
Nos últimos anos a minha personalidade sofreu uma grande reviravolta. Eu já não sou quem era. Não sou melhor nem sou pior. Sou diferente. Sou eu. (e este último parágrafo? Espectáculo!!!)
foto: eu mesma, com um resultado um pouco estranho depois de tanto explorar um programa que a rica filha carregou no PC

terça-feira, 24 de abril de 2007

Retoma...

Já há algum tempo que não escrevo acerca do R.V.C.C. Existe um motivo para isso. Conforme já aqui escrevi, neste processo é tido em conta o que eu sei, por isso, não ensinam nada. E eu ando a ver se aprendo a fazer um trabalho no PC... sózinha e sem ajuda de ninguém. E isto está difícil...
Ontem à hora do almoço, enchi-me de coragem, arranquei de esticão e fui lá ter com o Técnico. Disse-lhe que não me esqueci (tenho um prazo de 3 anos para concluir o processo), mas tenho andado a ver se aprendo a fazer bem o trabalho e que a minha maior dificuldade é o Excel, que é dificílimo de aprender a trabalhar sem ajuda de ninguém. Em relação ao Word e ao Power Point a "coisa" está mais ou menos até porque não é tão difícil assim de descobrir sózinha como funcionam esses programas. Mas agora o Excel... é o Ecxel não é verdade?
Bom... fiquei de retomar no próximo dia 3 de Maio e até lá tenho que ter tempo e paciência para progredir. Vamos ver se consigo. Quero ver se sim...
:-)

domingo, 22 de abril de 2007

Os ricos filhos na actualidade

Aqui temos a menina do sorriso lindo!


E aqui temos o menino do olhar lindo!

Assim são os meus filhos hoje.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

GU GU - DÁ DÁ

Há certas coisas que ainda não esqueci. Refiro-me aos "projectos" de palavras produzidos pelos meus filhos quando ainda não falavam tão bem como hoje...
Começo pelos sons da menina que tem o sorriso mais lindo do mundo:
kilontros - kilómetros
fiforifico - frigorífico
bábanho - tomar banho
óvolante - volante
pondiója - côr-de-rosa
udepois - depois

E acabo com os sons do menino que tem o olhar mais lindo do mundo:

mame!... mame!... - quero comer
um té - não quero
um té iii - não quero ir
adecaxão - arrecadação
Pindôxe - Pingo Doce
pacagaio - papagaio
os Augustos - o Magusto

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Fragmentos do meu blog (um)

O meu blog fez um ano no passado dia 14. Pensei num modo de registar isso e tive a ideia de escrever frases que já escrevi e que têm um significado especial para mim. Hoje vou só escrever algumas mas mais virão.

Gosto de ir, dá-me uma sensação de liberdade.

Não consigo concluir se era mais feliz naquela altura.

E pensar que é o futuro, o que há-de vir, que nos move.

Luto contra os meus defeitos que são os defeitos que toda a gente tem.

Provavelmente ainda ninguém leu o meu blog. Qaundo penso nisso fico dividida entre dois pensamentos: o querer e o não querer que leiam.

Sinto-me pequenina no saber... Às vezes queria ser outro alguém...

Tenho, inclusivé, que me rir do que me está a magoar.

Isto de ter um dia livre e não saber o que fazer com ele é lixado.

E voltando uma vez mais à Lua, ela está magnífica hoje; enorme, branca e brilhante.

Quem me dera ter um ouvinte como eu sou para os outros.


foto: A Primavera a despontar em Castro Cola, Fevereiro de 2007

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O meu amigo Bento

PERFIL Nº 4
O Bento é alguém especial. Escrevo mais: o Bento é muito especial.
Revela-se pouco, mas como o conheço há muitos anos parece-me que já tenho matéria suficiente acerca da sua personalidade para descrever o seu perfil segundo o meu modo de o ver.
É pouco falador, ou por outra, não é falador. No entanto, esse facto não se deve a timidez, mas sim porque gosta de observar e analisar. E ele sabe que observa e analisa melhor se falar pouco ou apenas o necessário.
O Bento vende e fornece a loja onde trabalho. É o único vendedor que eu... digamos que... gosto de "aturar". Costumo dizer-lhe isso mesmo e ele responde-me em tom de brincadeira:
- Ah... muito obrigado pela parte que me toca.
Aquando das suas visita à loja, aparece sempre de fato, camisa e gravata. É comum os vendedores apresentarem-se vestidos desta maneira e o Bento não é excepção.
Eu também sou observadora e analisadora e o que se segue não tem, de modo nenhum, o intuito de depreciar o que o Bento escolhe para vestir, antes pelo contrário. Eu adoro "trapos" e o Bento, apesar de ter um estilo sóbrio e clássico, pontilha a sua aparência com pormenores que a mim não me escapam e normalmente não contenho um comentário. Por exemplo: tem uma camisa côr-de-rosa giríssima e um casaco cinzento com botões brancos e prateados ao estilo navy que é espectacular. Acerca da camisa digo-lhe que tenho lá em casa um verniz de unhas da mesma côr e do casaco pergunto-lhe onde foi ele arranjar aquele casaco com uns botões tão interessantes... Tem também um outro casaco preto que foge ao comum porque tem gola à oficial que é simplesmente o máximo! Acerca deste, não me lembro de alguma vez lhe ter dito alguma coisa...
Muitas vezes assiste ao atendimento que faço aos clientes e não interfere, a não ser que eu lhe solicite um conselho ou uma opinião, ao contrário de outros vendedores, fornecedores ou mesmo clientes que falam, falam, falam... quando deviam estar calados...
O Bento é metódico e disciplinado, todo o trabalho que ele executa tem uma ordem ou um seguimento do qual dificilmente se desvia, para ser produtivo e se sentir confortável. Escrevi confortável porque creio que esta característica se tenha acentuado devido ao facto de ele trabalhar sózinho há alguns anos. É patrão de si mesmo, por isso no local de trabalho não há confrontos com ninguém. Só conta consigo próprio e, quanto a mim, esta posição acaba por ser confortável para quem trabalha assim.
O gosto musical do Bento é notável... porque é bizarro, ouve músicas estranhíssimas... Enumeraria aqui algumas, mas infelizmente só me lembro de um grupo chamado "Cebola Mole" que tem uma canção cuja letra é algo deste género:
"Bobi, traz o osso ao dono
Bobi Bobi Bobi Bobi Bobi
Ah... meu ganda maluco!...
Bobi, traz o osso ao dono"
E agora mudando de assunto, acho muito interessante a maneira como ele encara a vida; contrabalança o metodismo, a disciplina e alguma inflexibilidade, com uma tranquilidade, uma naturalidade e afabilidade genuínas, o que faz com que seja alguém de muito fácil lidação. Estes são os opostos que eu considero mais marcantes na personalidade do Bento.
Mas ainda há mais... uma vez disse-me que é um "organizado-desorganizado". Segundo ele, a sua secretária está sempre desarrumada, com papéis (e não só) ao monte, mas ele sabe sempre onde deixou o que precisa. Ou seja, é desorganizado porque tem a papelada amontoada e é organizado porque sabe sempre onde está o que procura. Parece-me que neste parágrafo dá para perceber o método, a disciplina, a tranquilidade e a naturalidade do Bento.
A afabilidade que eu acho que lhe é característica é demonstrada através da espontaneidade, clareza e precisão com que me explica algo acerca dos artigos que vende. Quando não entendo alguma coisa, ou simplesmente não conheço, os artigos que vende, é notória a facilidade com que ele explica. É notório também, o prazer que tem em ensinar. Ou não soubesse eu que ele já foi professor...
Às vezes almoça connosco e numa dessas vezes, a conversa foi parar ao seu feitio e à sua personalidade. Em dada altura ele disse que gostaria de fazer um furo numa das orelhas. Eu ri-me e perguntei-lhe:
- A sério?... Quer vir a ser um cinquentão atirado p'rá frentex, é?
- Mas eu já sou todo atirado p'rá frentex. Se vocês me vissem ao fim de semana não me reconheceriam, porque eu sou muito diferente de como me apresento aqui. Para começar, isto fica no armário - aponta para o casaco e para a gravata - ao fim de semana ando de bermudas, t'shirt garrida... boné...
Creio que fiz uma expressão de surpresa porque me é muito difícil imaginar o Bento com tal indumentária. Mas entretanto lembrei-me: " Ah pois é!... Houve um dia que ele veio entregar mercadoria vestido assim porque ia de férias da parte da tarde. Até vinha com aquele sorriso e aquela boa disposição que só se consegue ter quando se está de férias..."
- O Bento faz bodyboard - disse o Luís que entretando se tinha sentado à mesa connosco.
- Pois... eu sou especial - continuou ele. E eu tive imediatamente vontade de dizer algo mas contive-me. Não por muito tempo, pois logo a seguir disse mesmo o que tinha na vontade:
- O Bento é tão especial que eu já comecei a delinear o seu perfil e não consigo escever mais nada - nesse momento passou na rua alguém
cujo perfil eu já descrevi aqui e lembrei-me quão fácil e rápido tinha sido para mim escrever o que escrevi acerca dela - ainda há bocado estive a olhar para o texto mas não sai mais nada. Não sei... falta-me qualquer coisa...
Ele ficou surpreso e curioso com a minha ideia de descrever o seu perfil psicológico. Muito mais surpreso e curioso do que eu alguma vez ousaria sequer supôr. Está desejoso de ler o que eu estou para aqui a escrever... quem diria?

domingo, 15 de abril de 2007

O Pai... dos meus filhos...


Pai (falando acerca da filha)
- O raio da miúda, no dia seguir a fazer asneira, tem sempre uma disposição espectacular!... Já reparaste?
Mãe (muito séria)
- Sabes a quem é que ela sai, ou queres que te diga?
Pai (sorrindo)
- Pois...
Pai (ralhando com o filho e gesticulando furiosamente)
- És sempre a mesma coisa, André! Estive 20 minutos à tua espera!... Não podes simplesmente despachar-te?... És sempre o último a sair...
Mãe (num murmúrio, porque o caso não estava para brincadeiras)
- Tem bem a quem sair...
Resumo: quem sai aos seus... não degenera...

domingo, 8 de abril de 2007

A MINHA VIDA É BELA!!!

Porque vivemos em sociedade sei que é impossível viver sem regras, costumes ou normas. Isso pode tornar-se monótono e gerar uma rotina difícil de aguentar, mas normalmente não me abalo com a rotina do meu dia-a-dia, porque não considero o meu quotidiano rotineiro ou monótono. Porquê? Porque me lembro de parar para desfrutar cada bocadinho de vida. Cada momento é único e não tem retorno.
Observo as coisas, as pessoas, as paisagens, as situações, enfim... tudo o que compõe o mundo, analizo tudo e tento reter o bem. Aceito que a vida é assim, com diferenças e é nessas diferenças que eu encontro a harmonia, é nas diferenças que quebro a rotina. A harmonia e a felicidade começa dentro de mim e só de mim depende.
A vida é bela e quanto mais dias de vida eu tenho, melhor me apercebo disso e melhor sei viver.
Nem sempre a minha vida é assim tão bela quanto estou a escrever agora, mas seja como fôr e de uma maneira geral a minha vida é mesmo bela!!!
Filhos saudáveis, com defeitos e virtudes (é verdade), mas que eu não deixo de admirar, afinal de contas são meus filhos e outra coisa não seria de esperar. Os meus filhos têm qualidades que eu própria gostaria de ter e eu revejo-me e regojizo-me no que observo nas suas vidas.
O maridão não poderia ser melhor, ainda que também tenha defeitos e virtudes, mas... tal como alguém me dizia há tempo: "Tu estás casada com a pessoa certa, não poderia haver melhor marido para ti." Quando ouvi isto concordei pelnamente e até hoje ainda não mudei de ideias.
A minha casa é linda, maravilhosa e espectacular. Pronto... às vezes não tenho muita paciência para as lides domésticas, mas lá a vou mantendo limpinha e arrumada o melhor que consigo.
A única e grande lacuna na minha vida é... a área profissional, pela qual não sinto "aquela" paixão, nem "aquela" vontade de executar as tarefas que me competem. Foi essa tristeza e esses pensamentos que me fizeram escrever o que escrevi uns post´s atrás. Mas, a minha profissão também tem coisas interessantes e agradáveis e também já referi em vários post's pequenos episódios passados no meu local de trabalho.
Por tudo isto que acabei de escrever eu acho mesmo que a minha vida é bela e que eu sou muito feliz!
P.S. Obrigada pelo apoio e carinho que têm demonstrado com os vossos comentários, ok? Beijos para todos e votos de uma boa semana.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

"Só para não ficares triste..."


Lá fora a noite estava invulgarmente fria para o mês de Março. Mas, dentro de casa estava uma atmosfera agradável e desanuviada. Reinava aquela calma que só sinto em noites de Domingo, sou invadida por aquele sentimento que antecede uma semana de trabalho e parece-me ser absolutamente necessário aproveitar o que resta de tempo livre de obrigações. Era uma daquelas noites em que o tempo pára e nem sequer o relógio existe. O tempo e o relógio não ficam à espera que eu me lembre deles, mesmo eu esquecendo-me deles, eles não páram, não...
Sentada na minha cama, vasculhava uma caixa onde guardo cadernos e folhas cheios de frases escritas que contam o que me passa pela cabeça. Algumas dessas frases são demasiado íntimas para publicar, mas nem todas. Por isso, andava em busca de algo que pudesse publicar no meu blog.
Também sentada e de costas para mim, estava a minha filha a teclar no P.C. A certa altura olha para mim e vê-me rodeada de papeis e cadernos. Sabendo muito bem o que é aquilo, diz com um ar maroto e carregadinho de curiosidade:
- Quando morreres vou ler isso tudo...
- Não me fará diferença nenhuma, não vou estar cá para ver - respondo de imediato sorrindo-lhe de volta. Tomei consciência das palavras que eu própria dissera porque de repente o olhar dela assumiu laivos de tristeza. Presumiu que vai haver um dia em que eu já não vou estar presente na vida dela.
- Mãe... não morras, está bem?
- Se eu pudesse não morreria nunca... - disse eu. De seguida pensei: " Só para não ficares triste..."
foto: eu e a rica filha

domingo, 1 de abril de 2007

OLÁ PRIMAVERA!!!

Santo António dos Cavaleiros - Loures
Rua Brito Aranha - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Jardim Fernando Pessa - Lisboa

Alameda D. Afonso Henriques - Lisboa

Ora então cá estão os mesmos locais mais ou menos retratados sob a mesma prespectiva. Só que agora é Primavera e está tudo a ficar verdinho, florido e brilhante.
Esta semana ouvi alguém comentar em relação à chegada da Primavera: " Esta explosão de vida e de côr é espectacular!"
Eu acho que ele tem toda a razão, a Primavera é um grande espectáculo. É a vida a renascer.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Olá...



Pelo estado da minha mesinha-de-cabeceira, acho que dá para notar que estou com uma valente constipação...
:'(
foto: é mesmo... a minha mesinha-de-cabeceira

terça-feira, 27 de março de 2007

Pensamentos impublicáveis

Há vários dias que não escrevo aqui nada... de momento, tudo o que anda na minha cabeça é impublicável...
A minha vida é muito complicada. Escrevi que a minha vida é complicada consciente de que há vidas muitíssimo mais complicadas que a minha. Eu nem devia queixar-me da minha vida. Afinal de contas tenho casa, comida, trabalho, saúde, amor... mas... também estou consciente de que este é o meu blog e que escrevo aqui o que eu quiser e como eu quiser... tenho esse direito porque este espaço é meu.
Estou tão cansada, que quando fecho os olhos sinto tudo a girar à minha volta. E estou tão triste, frustrada e insatisfeita comigo mesma e com a minha vida, que sinto frio...
Mas tenho que continuar. Existe muita coisa dependente de mim. Faço falta. Tenho que continuar. Tem que ser.

quarta-feira, 21 de março de 2007

O Meu Pai

Andávamos nos preparativos para a partida do meu pai em trabalho para a Arábia Saudita. Estávamos em Abril de 1979 e em minha casa reinava um ambiente tenso e triste.
Apesar de ser uma criança naquela altura, apercebia-me muito bem do que me rodeava. Também eu sentia já saudades do meu pai antes de ele partir, sabia que iria sentir a sua falta à mesa quando chegasse a hora do jantar, sabia que não poderia contar com ele para me esclarecer eventuais dúvidas que tivesse na escola e sabia que a minha mãe e o meu irmão iriam andar tristes e deprimidos. Isso entristecia-me a mim também e causava-me uma sensação de impotência porque não havia nada que eu pudesse fazer para minimizar o desconforto que todos sentíamos.
O meu desejo mais íntimo era poder ir com o meu pai, por não querer estar longe dele e por sentir uma curiosidade imensa acerca do sítio para onde ele ia trabalhar - Arábia Saudita.
No meio de toda aquela azáfama tive uma ideia - já que eu não podia ir com ele, enviaria algo que viajasse com ele. Fui buscar um saquinho de pano que eu própria tinha feito, algures durante as férias de Verão, dos restos de tecido da minha mãe e arranjei uma pedrinha branca, redonda e lisa. Não podia ser uma pedra qualquer, tive o cuidado de escolher uma pedra perfeita. Achei que seria giríssimo depois, quando o meu pai regressasse, eu ter na mão algo que já estivesse estado na Arábia Saudita, um lugar que eu nem fazia ideia onde seria. Pus a pedrinha dentro do saco e fui ter com o meu pai.
- Pai, eu queria que levasses isto contigo para a Arábia - não foram precisas grandes explicações, o meu pai entendeu o meu gesto na mesma hora. Ainda hoje recordo a sua expressão calma e ponderada, ele sabia perfeitamente que o que eu queria era mandar algo que o fizesse lembrar de mim enquanto estivesse fora. Algo que fosse e viesse com ele e que tivesse estado onde ele ia estar.
- Está bem, filha. O pai leva e traz este saquinho com a pedrinha. Vou pô-lo aqui dentro da mala, vês? Depois quando eu cá chegar mostro-to.
Hoje, adulta e mãe que sou, sei que não era preciso eu ter dado um saquinho ao meu pai para que ele não me esquecesse enquanto estivesse fora, o meu pai iria estar sempre com a família no pensamento. Mas a mentalidade infantil é isso mesmo - infantil - está em formação. O meu pai sabia que aquilo era importante para mim, não desdenhou da minha infantilidade e fez-me a vontade.
Quando regressou, cinco meses depois, mostrou-me o saquinho com a pedrinha lá dentro.
- Lembras-te de me teres dado isto? Toma, está aqui. Foi e veio comigo.
Segurei no saquinho e pensei: " Que giro! Isto esteve tão longe!... E agora está aqui comigo!..."
O Dia do Pai já passou. Só hoje tive tempo de escrever que já se andava a formar na minha cabeça há algum tempo. E esta é a minha homenagem ao meu pai, que é e sempre foi, um homem muito inteligente, calmo, sensato e com uma personalidade muito interessante. Já escrevi acerca do meu pai noutro
post e agora vou repetir o seguinte: quando envelhecer quero ser como o meu pai.

sábado, 17 de março de 2007

O que se segue é apenas um breve instante da minha imaginação:


Nos últimos dias tem crescido a sensação de que há determinada área da minha vida que é uma grandessíssima... pouca de Chica Maroca*.
Se eu pudesse, partiria aquilo tudinho aos bocadinhos pequenininhos. Desmantelava aquilo devagarinho, com convicção e muito prazer. Ficaria suada, cansada e cheiinha de pó, mas não faria mal nenhum, isso apenas significaria prazer a dobrar. Em seguida, contrataria uma daquelas empresas que tratam de colocar resíduos no seu devido lugar, os funcionários da empresa executariam o trabalho rápida e eficazmente, sob o meu comando, evidentemente, e depois... eu viveria feliz para sempre!!!
Isto aconteceria se eu pudesse, mas não posso... estou de pés e mãos atados e isso atrofia-me tanto, mas tanto, que me parece ter também o pensamento atado, estou cheia de nós, vivo preocupada e em constante tensão.

As perguntas surgem em rajada, sem que eu tenha tempo de responder. Ainda assim, espera-se que eu responda a tudo rapidamente. Pensam... pensam que sabem a minha vida, os meus gostos, o que faço, como faço, o que quero... pensam que sabem porque não me ouvem.
Quando questiono, quando me exalto, nunca é o que eu estava a pensar, percebi mal... até nem era nada daquilo e tal... eu é que tenho paranóias e assim...
O que faço nunca está no ponto certo, ou é demais ou de menos, os meus empenhos são desmontados à frente dos meus olhos. Não há um incentivo, um elogio, nada... aliás, há alguma coisa... há sempre a desconfiança da minha competência, da minha eficiência e da minha experiência. Tudo isto é questionado todos os dias, várias vezes ao dia e quem questiona não espera pela resposta... porque não me ouvem?
Já lá vão tantos anos... e eu ainda não aprendi a lidar com isto... o que faço é pensar para mim própria:
" Deixa andar... molda-te tu à situação, não há como evitá-la, tens que dar um desconto, não há volta a dar-lhe, tens que aguentar... "- até quando?
Está tudo bem à minha volta, estão todos bem, menos eu... e o pior é que eu e a minha vida não interessam para nada a quase ninguém... ninguém me pergunta como estou querendo mesmo saber... e penso:
" Abre-te, abre o teu coração, deixa entrar..." - e eu deixo, mas magoam-me. E penso:
" Liberta-te, solta-te, deixa sair o que está aí dentro, vá lá... não custa nada..." – e eu vou atrás do meu pensamento, mas não páram para me ouvir nem compreendem nada do que digo.
Estou num buraco fundo e negro, não vejo nada, onde está a saída? Não vejo. Não vejo porque não existe saída. Mesmo assim tenho que continuar. Até quando? Até um dia... esse dia existe, eu só não sei quando será...





* termo vulgarmente utilizado pela minha mãe e que substitui muito simplesmente a palavra: merda


foto: eu...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Escola

Sempre que vou à Escola onde andam os meus filhos (que já foi minha, ainda que noutras instalações) e fico no corredor à espera de concretizar o propósito que me levou até lá, reconheço os móveis dos meus tempos de estudante, expondo os trabalhos manuais que os alunos executaram. Os móveis contém:
- Uma velha máquina de escrever
- Troféus de várias modalidades desportivas (o rico filho teve parte nalgumas delas)
- Bonecos com trajes tipicamente saloios
- Réplicas de lucernas, lanternas, candeias e candeeiros
- Alguns tipos de tecidos
- Trabalhos escritos ou desenhados
Sou invadida pela nostalgia e fico orgulhosa da minha cidade e de ter pertencido a esta Escola. Uma Escola que não centra a atenção somente na matemática e no português. Nesta Escola existem actividades extra-curriculares, é um local onde se aprende de tudo um pouco, aprende-se que a vida não é só escola, há outras coisas para desenvolver e aprender.

terça-feira, 13 de março de 2007

Pois bem...

... e agora que, provavelmente, já ninguém escreverá acerca do Dia Internacional da Mulher, escrevo eu. Não é por nada, é só porque me foi totalmente impossível escrever aqui nesse dia. Assim sendo, escrevo hoje.
Concordo que se comemore este dia, mas parece-me que hoje em dia, tanto se comemora, que se acaba por promover a desigualdade. Sim... porque eu que sou mulher tenho um dia dedicado a mim e os homens não têm. Aí eu vejo uma diferença.
Durante a semana que passou, num gabinete de estética, manifestei esta minha opinião e "caíram-me" todas em cima (lol) dizendo que somos especiais, que o dia dos homens é todos os dias, blá blá blá...
Sim, sou especial porque sou mulher. Quem carregou os meus filhos na minha barriga e quem sofreu as dores de parto fui eu. Mas... alguém teve que participar activamente para que isso acontecesse, não??? Ora bolas!... Então os homens também são importantes e eu ia adorar que eles também tivessem um dia dedicado somente a eles.
E pronto! Não vou escrever mais acerca disto até porque gostei muito da flor que recebi da mão de uma menina quando entrei e outra quando saí nas Galerias Aqua Roma no dia 7... sim, no dia 7. Começaram a comemorar mais cedo e tudo...
Gosto de ser mulher, gosto dos homens e gosto principalmente das diferenças existentes entre homens e mulheres.
Bom resto de semana!!!

sábado, 10 de março de 2007

SE EU FOSSE O MEU BLOG...


Se eu fosse o meu blog acharia que a Gina usa a subtileza até para escrever...

Se eu fosse o meu blog ansiaria que Gina escrevesse espontâneamente e não mantivesse tanto tempo os textos em rascunho...

Se eu fosse o meu blog pediria à Gina que arranjasse maneira de ter Internet no local de trabalho para assim ela dar largas à imaginação e usar bem melhor a espontaniedade que possui...

Se eu fosse o meu blog queria ter voz para dizer à Gina que deixe de esperar que quem a conhece pessoalmente visite ou comente este espaço...

Se eu fosse o meu blog aconselharia a Gina a esforçar-se por se concentrar mais quando está a escrever e não deixar a frase formar-se no seu pensamento antes de ter tempo de a escrever...

Se eu fosse o meu blog acharia que falta aqui qualquer coisa... falta tempo...

Falta-me tempo para manter este espaço como gostaria...
autora da foto: Ana Cláudia

quarta-feira, 7 de março de 2007

Desafio

7 coisas que faço bem:


1 - comer

2 - andar a pé

3 - arrumar prateleiras

4 - convencer o meu marido e/ou os ricos filhos a fazer algo

5 - bolos e doces

6 - ...

7 - bolas... está difícil... é muito mais fácil descobrir o que não sei fazer bem...


7 coisas que não sei fazer bem


1 - explicar a um cliente como funcionam os cadeados com segredo, cada vez que tenho que vender aquilo é um problema

2 - perceber e trabalhar com o programa Excel... :'(

3 - andar devagar, para mim é horrível porque me cansa bastante

4 - abrir objectos, por exemplo o telemóvel quando é preciso retirar a bateria ou um aparelho a que tenham acabado as pilhas, ou seja, tudo o que possua aquele género de fecho

5 - segurar com naturalidade em objectos delicados e quebráveis, porque receio deixar cair, então... lá se vai a naturalidade e acho que vou partir tudo...

6 - aplicar o eyeliner direitinho e fininho

7 - enfeitar uma jarra com flores, fica sempre assim... tudo ao molho e sem alma


7 expressões que uso habitualmente


1 - Hi there!

2 - Na-na-ni-na-não!

3 - Então ó nosso, está tudo bem ou quê?

4 - Quem me dera ser rica!...

5 - Pois... assim parece...

6 - Larilolela

7 - Arióp'sss


7 celebridades


1 - A minha Mãe e o meu Pai (porque não? Para mim são célebres)

2 - Tina Turner

3 - Simone de Oliveira

4 - Kevin Kostner

5 - Jennifer Lopez

6 - Beyoncé

7 - Cindy Lauper


E agora passo o desafio a quem sinta vontade de responder.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Viajar à moda antiga

Hoje vim de transporte público para casa, o que raramente acontece.
Foi giro... tem-se uma outra prespectiva do regresso a casa. As pessoas não deixam de andar apressadas, mas... andam apeadas e não dentro de carros a buzinar ou a gesticular, furiosas com o trânsito. É aí que está a diferença.
Foi giro... a camenéte* - é assim que se pronuncia por aqui, em terras saloias - até tinha cobrador e tudo. O Senhor Cobrador fez um corte oblíquo de modo a apanhar o valor do bilhete, fez dois furinhos, um no dia e outro no mês correspondente ao dia de hoje e... enganou-se no troco!... (lol)
Foi giro... tudo à moda antiga...

BOM FIM DE SEMANA!!!

* camioneta

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

A Velhota


À hora de almoço estava a cair uma chuvinha miudinha tão chatinha que resolvi ir ao Vasco da Gama passar o tempo. Andei por lá vagueando, vendo montras e expositores com artigos lindérrimos, desejando poder comprar tudo e não podendo comprar nada... enfim... nem o Rio Tejo fui ver por causa da dita chuva. Bebi o meu cafezito no sítio do costume, paguei os 65 cêntimos do costume e rumei direita ao trabalho que me aguardava pacientemente.
Entrei na carruagem do Metro e sentei-me. Mesmo à minha frente sentou-se uma senhora idosa com um ar muito simples. Não pude deixar de reparar que ela estava muito inquieta e ansiosa com algo, não parava sossegada. Vinha carregada de sacos e queria pô-los todos no colo, o que era, obviamente, impossível. Assim que os nossos olhos se encontraram, talvez com medo que eu desviasse o olhar, perguntou-me imediatamente:
- Este Metro passa na Bela Vista não passa, menina?
- Passa, sim - achei enternecedor ela chamar-me menina. Provavelmente terá o dobro da minha idade, por isso lhe pareceu que eu sou uma menina.
- Depois a menina diz-me quando for?
- Sim, eu aviso-a.
- Obrigada, menina.
Através do altifalante uma voz anunciou a próxima estação - Cabo Ruivo.
- É a seguir, menina?
- Não, ainda falta um bocadinho - confesso que pensei que ia ouvir a mesma pergunta em todas as estações. E não me enganei...
Entretanto ela ia falando. Consegui perceber que tem medo de andar de Metro, que gosta mais de andar de autocarro porque se vê onde se vai e ali não (sinceramente fez-me lembrar a minha sogra que diz exactamente o mesmo acerca das viagens de Metro...lol), que quando saísse dali ia apanhar o autocarro para não andar muito a pé, que é só duas paragens mas não faz mal, que tem passe e por isso não paga mais, blá blá blá... e eu ia sorrindo e abanando a cabeça porque nestes casos não é preciso falar muito, sei muito bem como é, àquela velhota bastava-lhe que eu olhasse para ela e a ouvisse.
De novo a voz do altifalante anunciou mais uma estação - Chelas. O Metro parou para tomada e largada de passageiros e arrancou para continuar o seu percurso. E a velhota não parava sossegada com o raio dos sacos... e tagarelava, tagarelava, tagarelava... e eu ouvia e sorria, ouvia e sorria, ouvia e sorria...
- É já na próxima, menina?
- Não, é só na outra a seguir
- É já a seguir, menina?
- Não, a seguir é Olivais. É só na outra a seguir.
Mesmo assim ela levantou-se para sair, não compreendeu o que eu lhe tinha dito. Agarrou nos sacos e levantou-se com a intenção de sair. Toquei-lhe no braço e disse-lhe:
- Não é nesta, é só na outra a seguir.
- Ai é só na outra? - era notória a vontade que ela tinha de sair dali. A muito custo conseguia esconder o pavor que sentia por estar ali debaixo do chão. Às vezes também a mim me acontece ter pensamentos do género: " É pá... e se esta porra descarrila, que é que eu faço? Então e se agora acontecesse um terramoto?" Sinto um sufoco, mas é num ápice que afasto estes pensamentos, porque não vale a pena estar a imaginar coisas.
Finalmente chegámos à estação tão desejada - Bela Vista. A velhota despediu-se de mim e educadamente agradeceu-me a ajuda que lhe tinha dado.
Estou muito habituada a lidar directamente com pessoas, muitas delas já velhas. E sei que quando se é velho os medos e os receios são muito mais difíceis de suportar porque se perdem capacidades com o passar do tempo. Enquanto eu consigo com facilidade enxotar pensamentos negativos tais como: descarrilamentos e terramotos, outros há que nem por isso... e há que ter paciência, saber explicar e saber ouvir.
Talvez um dia eu venha a ser uma velhota...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Sozinha


Pela primeira vez na minha vida fiz uma grande viagem de carro sózinha. Para eu ter os dias de férias de que falei nos últimos post's, os meus pais vieram cá para casa para ficar com os ricos filhos, que já tinham escola. Assim sendo, fui levar os velhotes a casa que fica no Alentejo.
Para lá tive a companhia deles mas para cá vim sózinha. Soube-me muito bem, tem assim um gostinho a aventura, faz-me sentir desperta e independente.
É claro que tive que lidar com o nervosismo da minha mãe e a apreensão do meu pai, mas correu tudo bem e foi óptimo!


Adoro conduzir o meu popózinho lindo da mamã!...

Adenda: esta foto já tem mais de um ano, na altura o meu popózinho era muito recente. Aquela "caramela" sou eu em paragens alentejanas, aquando de uma visita que fizémos aos meus pais.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

UPS!!! Desculpai-me...

Deveria ter descrito as fotos que publiquei no post anterior, ? Então vamos lá:
A foto de cima foi tirada em Castro Cola, que se situa no Baixo Alentejo. A foto é da minha autoria e naquele dia estava um sol tão lindo, tão primaveril... que eu fiz o que pude para captar. Levando em conta o que eu percebo de fotografia e o equipamento fotográfico que possuo, acho que até nem está nada mal.
Em relação à foto de baixo, pois... sou eu e o Luís na praia de Albufeira sendo contemplados com um solinho espectacular, a brisa marítima e aquele cheirinho a maresia de que já tínhamos saudades. A autoria desta foto é do Luís que pôs a máquina a trabalhar sózinha... :-)

Estive de férias


Soube que nem ginjas estes dias de férias. Mesmo, mesmo bem passados. Ele foi gelados, ele foi piscina (sim, sim leram bem), ele foi passeios pela vila e pela praia, ele foi jantar à beira-mar, ele foi descoberta de novas paragens, ele foi conversar até mais não... :-) E o melhor de tudo é que fomos sempre contemplados com dias soalheiros.
As fotos são prova disso mesmo. :-)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Vou ali beber água ao carro e já venho...

Sei de um senhor, do qual não conheço o nome, mas que tem a particularidade de sair de casa para... ir beber água ao carro.
Soa muito estranho, eu sei, mas é mesmo assim - eu conheço alguém que sai de casa, abre a porta da mala do carro, tira de lá uma garrafa e bebe uns golos. De seguida, volta a colocar a garrafa no sítio de onde a tirou, tranca o carro e vai para casa.
É extraordinário existir alguém que tenha a preocupação de manter água no carro com o intuito de matar a sede sempre que lhe apetecer. Sente sede e sai de casa para beber a água que tem no carro... pronto!...
Estará o mundo perdido? Será tudo gente marada da carola?
Não, o mundo não está perdido e esta gente marada da carola torna o mundo interessante e divertido. O interesse que a vida tem está nas diferenças entre as pessoas. Eu por mim, divirto-me a escrever essas mesmas diferenças.
Se o homem sai de casa só para ir ao carro beber água... deixá-lo ir...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Morir Demain

Il y a ceux qui prenderaient un avion
D'autres qui s'enfermeraient chez eux les yeux fermés
Toi, qu'est-ce que tu ferais?
Il y en a qui voudrait revoir la mer
D'autres qui voudraient encore faire l'amour
Une derniére fois
Toi, tu ferais quoi?... et toi, tu ferais quoi?

Si on devait mourir demain
Qu'est-ce qu'on ferait de plus ,
Qu'est-ce qu'on ferait de moins
Si on devait mourir demain
Moi, je t'amerai... moi, je t'amerais

Il y en a qui referaient leur passé
Certains qui voudraient boire et faire la fête
Jusqu'au matin
D'autres qui prieraient...
Ceux qui s'en fichent et se donneraient du plaisir
Et d'autres qui voudraient encore partir
Avant la fin
Toi, qu'est-ce que tu ferais?... et toi qu'est-ce que tu ferais?

Si on devait morir demain
Qu'est-ce qu'on ferait de plus
Qu'est-ce qu'on ferait de moins
Si on devait mourir demain
Moi, je t'amerai... moi, je t'amerai... je t'amerai

Et toi, dis moi, est ce que tu m'aimeras
Jusq'à demain et tout les jours d'aprés
Que rien, non rien, ne s'arrêtera jamais
Si on devait mourir demain
Moi, je t'amerai... moi, je t'amerai
Est-ce qu'on ferait du mal, du bien
Si on avait jusqu'à demain
Pour vivre tout ce qu'on a rêvé
Si on devait mourir demain
Moi, je t'amerai... moi, je t'amerai

Natasha St Pier et Pascal Obispo

E vocês, que fariam se morressem amanhã?