segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Valor monetário

Foi grande a volta que uma nota de duzentos euros deu ali num espaço de meia hora. É um bocado de papel amarelado e assustador, até parece amarelo-fogo, ninguém queria a coitada. Ui que medo!...
Se eu fosse uma nota queria ser das de vinte. Não valem muito mas dá-se-lhes importância, guardam-se na carteira e nos cofres com carinho, faz-se de tudo para não as trocar... por miúdos.

Narcisismo

Eu, eu e eu. Antes de mais sou eu.

O blogue, diz que sim

Diz que está muito bem, que está giro. Não me serve, é poucochinho. Eu queria que fosse arrebatador. Não me esforço nesse sentido, bem vistas as coisas. Não me esforço para deslumbrar os leitores, não ficam com falta de ar quando cá não vêm 'ver-me'. O meu maior esforço enquanto escrevente é o de ser verdadeira no que escrevo e no momento em que escrevo. E é só.
Mas não estou satisfeita, eu queria deslumbrar, fazer falta, provocar saudades difíceis de suportar. Eu... deslumbrar... deixa-me rir.
Este não é um mau desejo, antes ao contrário. Se eu me contentasse com o que tenho o poucochinho era eu.

Vou escrever duma coisa inédita neste blogue:

Adoro andar de óculos escuros na rua em alturas de sol - impiedoso no pino do Verão ou reconfortante por estas alturas de Outono - e detesto conversar com alguém que tenha os óculos escuros postos na cara. É uma relação amor-ódio. Gosto de ver o espelho da alma das pessoas. Sou tímida mas gosto do contacto visual.

Irremediavelmente

É incrível o tempo que me fazem perder com a simples questão da cor das pastilhas para pôr no urinol. Se são brancas ou cor-de-rosa.
E também, estou agora a lembrar-me, a simples questão da cor do encaixe da esfregona - tinha de ser azul para condizer com o balde.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (125)

Loures, 17 de Outubro de 2010

O meu Domingo foi muito florido.

Paredes da casa

Desenhar flores nas paredes a rosa com o olhinho a azul...

Eu cozinho, tu cozinhas

Uma vizinha queixou-se de ontem ter passado todo o dia de roda dos tachos. Que até fez um bolo. Que devia estar maluca, até fez um bolo. Queixou-se.
E eu? E eu que fiz uma carrada de coisas doces ontem? Será que eu estava a jogar com o baralho todo? Será que eu tenho os cinco bem medidos?
Senti-me uma coisa inexistente.

Língua


Os ricos filhos falam numa língua estranha:

Mãe: - Então gostam das flores que eu colei no roupeiro?

Rico filho: - Whatever...

Rica filha: - Weird...

sábado, 16 de outubro de 2010

Ao Sábado

A fotgrafia não prima pela qualidade e está longe de fazer jus ao paladar dos doces apresentados.

Este Sábado foi igual ao anterior. Fiz bolos e doces:

Delícia de Maçã e Chocolate, Doce de Bolacha Maria, Musse de Chocolate, Cheesecake de ameixa…

Estou a escrever com a boca doce e a t-shirt manchada de chocolate, doce de ameixa e mel. E estou feliz. Apenas acho que no próximo Sábado não vou poder portar-me da mesma maneira… Sempre tenho outros interesses.
Interesses, é bom chamar-lhes interesses.

Números e Letras

Inclino mais para letras que para números. Apesar de a minha relação com números não ser apenas profissional, porque sou capaz de algumas proezas com números:

A rica filha tem 19 anos, o rico filho tem 16. Têm, portanto, 3 anos de diferença… Ah, isto não serve.

Nasci em 1968, em 1986 fiz 18 anos… Não, também não é grande proeza.

A minha mãe tinha 35 anos quando eu nasci, o meu pai tinha 36 e estávamos em 1968…

Hum… hoje não conseguirei proeza nenhuma em números, seguramente. Nem em palavras, possivelmente. Mas vou deixar um poema que recebi por mail – no qual não consta autor - acerca de matemática que considero assaz interessante.

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então, que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser Moralidade
Como aliás, em qualquer Sociedade.

Verde Água

Já não tenho a pretensão de escrever um livro. Há uns anos, quando iniciei a actividade de bloguer, queria muito inventar uma história e escrevê-la, achava que precisava apenas deixar passar uns anos para amadurecer a minha personalidade e experienciar uma série de coisas de modo a obter mais conhecimento. Com a minha muito simples escrita de bloguer percebi rapidamente que não se escreve acerca daquilo que se desconhece, pode inventar-se mas... mesmo inventando estamos a fazer uma aprendizagem, buscando saber e conhecimento, e eu queria aprender muito mais da vida antes de me lançar à feitura de um livro.
Hoje sei que não sou capaz de escrever um livro como inicialmente previra, entretanto comecei a habituar-me a este modo que uso para escrever, sou uma contadora de histórias, pensamentos pessoais e assuntos superficiais. E, de certa maneira, o meu blogue é como um livro. Agarrei-me a esta ideia. Este é o meu livro.
Mas tenho um sonho: o de ver o meu 'livro' publicado em suporte de papel. Uma coisa palpável, para eu mexer e folhear e cheirar também. Um livro de papel para pôr nas prateleiras - depois de lido... - das casas dos leitores, amarelecendo com o tempo, esquecido no meio de outros iguais. Apanhando pó e teias de aranha. E depois... ser lembrado e relido, tal e qual como acontece a todos os livros. Quero que o meu livro seja excepcional, só porque é meu, e de certo modo quero-o igual aos outros.
Pela internet já dei de caras com alguns sítios onde imprimem e promovem a publicação de livros, independentemente da qualidade literária dos mesmos. Isso significa que está ao meu alcance ver e ter o meu livro. É uma óptima ideia! Bastar-me-ia pesquisar e escolher o que queria publicar, mandar fazer e esperar para ver feito. E folhear. E ler, claro.
Tenho visto muitos livros expostos em livrarias de nome que são - ou eram - blogues. É sem modéstia que digo não me sentir menos escrevente que a maioria dos autores desses livros, a escrita deles não é melhor que a minha. É bem possível que tenham tido o mesmo sonho que eu e foram mais longe: já o concretizaram.
Mas eu tenho um problema: tenho uma personalidade evasiva, tenho medo das críticas, então não me dou importância nenhuma. Isso é notório em praticamente toda a extensão do meu blogue... Dificilmente prendo a atenção a alguém porque não sei promover-me. As pessoas abririam as páginas do meu livro e leriam textos auto-destrutivos, queixas e opiniões, todos expostos em modo lacónico e subtil para não magoar ninguém.
E depois não restava mais nada. As pessoas não ficavam, eu sei que não.
Mas eu hei-de publicar este livro...

Uma fotografia por dia que bem iria... (124)

Lisboa, 15 de Julho de 2010
Um dia... há já tanto tempo, escrevi assim:


O livro 'Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa' é bom e interessante, vi-o todo de uma ponta à outra e li-o em parte. Mas tem um senão, um dos jardins que eu conheço muito bem e onde vou muitas vezes passear e que consta no livro é o Jardim Fernando Pessa, que fica por trás da Avenida de Roma e da Avenida João XXI. Por erro de alguém o livro diz ser o Jardim Fernando Pessoa... Mas não é. É Jardim Fernando Pessa e pronto!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Diferenças entre desiguais

Acho muito bem que as pessoas diminuídas fisicamente tenham certos comodismos e regalias. Acho mesmo. Afinal não somos todos iguais, há pessoas que têm as suas dificuldades principalmente ao nível da locomoção. Mas há sempre o reverso da medalha, exagerando obtém-se sempre o oposto. É como fazermos um bolo e pôr açúcar em demasia, o que acontece é que fica amargo...
Numa das minhas viagens semanais em transportes públicos, foi com desagrado que vi uma senhora idosa e dizendo-se doente ser arrogante para com uma jovem que estava sentada nos bancos que dão primazia aos deficientes e velhos de bengala. É tão incorrecta e despropositada a arrogância desta senhora como o eventual egoísmo da jovem. Digo eventual porque não se lhe viu nenhum desprezo no olhar. Já na senhora presumivelmente doente o desprezo era bem visível no seu olhar, bem como nos gestos.

E se de repente um desconhecido lhe oferecer...?

Este post é para agradecer a um cavalheiro simpatiquíssimo que me ofereceu um café. Já passaram dois dias mas ainda vai a tempo, este agradecimento.
Eu estava na fila atrás de um senhor anafado e bem-disposto que distribuía - generosamente, diga-se - cafés pelos seus acompanhantes e que já havia pago previamente. Quando ele percebeu que um dos amigos recusava peremptoriamente a oferta, olha... virou-se para mim e perguntou se eu ia beber café. Respondi que sim já antevendo a cena e não me enganei na minha previsão, queria oferecer-me o cafezinho que era para o amigo. Não me fiz de esquisita, seria demasiado falsa se tenho feito papel de 'para mim?... ah deixe estar e tal e coiso'. Aceitei e agradeci educadamente, não sem me sentir toda eu corar.
Então é assim:

Ao gentil cavalheiro que estava na Livraria Barata (Lisboa) há dois dias e que me ofereceu um café... Obrigadinha, pá! Sem rubor, agora...

Nota: é talvez demasiado esperar que o homem leia este post mas lá que era giro, era.

Namoro

Diz ele assim:
- Lembras-te daquela vez que eu ia contigo até ao trabalho e tinha as calças do pijama a sair por baixo das calças?

Lembrava-me, claro. Depois ri a bom rir. Ai se eu ri! E ele ria comigo. Foi numa vez em que éramos namorados e ele ia romanticamente comigo até ao trabalho cheio de cuidados com a pombinha. Como estava frio ele havia deixado as calças do pijama por baixo .

Digo eu assim:
- Ó Luís posso fazer um post disso?
- Podes. - Encolhe os ombros.

Está feito.

Bolo de Manteiga


Afinal o outro Bolo de Manteiga sempre valeu a pena. Eis a receita:

Ligue o forno a 180º e barre uma forma com margarina.
Numa tigela bata 200 gr de margarina e 200 gr açúcar até ficar uma mistura lisa.
Junte 4 ovos um a um batendo sempre.
Adicione depois a raspa de 1 laranja, 200 gr de farinha, e 1 colher de chá de fermento em pó e bata tudo muito bem.
Verta a mistura para a forma e leve ao forno durante 40 minutos.
Verifique a cozedura com um palito, retire, desenforme e deixe arrefecer.

Prepare a cobertura: bata 250 gr de manteiga amolecida até duplicar de volume e junte-lhe 1 lata de leite condensado em fio, batendo sempre até ficar um creme liso.

Cubra todo o bolo com o creme. Decore com 100 gr de miolo de amêndoa laminada.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O sonho

Sabes quando tu tens um sonho, um sonho de difícil concretização, assim como quando queres muito uma coisa... e depois isso acontece?, ouvi já nem sei muito bem onde.
Não, respondi eu alto muito embora a conversa não fosse comigo. Quem estava ao meu lado ficou curioso:
- Qual é o teu sonho?
Não precisei mais do que três segundos para responder, apresentei não um mas dois sonhos:
- Trabalhar numa livraria. Ir a Nova Iorque.

Estatísticas

O senhor Blogspot agora tem estatísticas para a gente cuscar a ver quem anda aqui. E a fazer o quê. Dá para perceber quem nos clica nas fotografias e eventualmente nos copia os textos. Não tenho a certeza da fiabilidade dos factos registados pelo senhor Blogspot, mas gosto de ir lá ver como param as modas.
A página que mais vezes é buscada pelo Google é a deste post. Trata-se de um texto escrito em francês pela rica filha já lá vão quase três anos. Na altura não usei de originalidade e chamei ao post muito simplesmente 'Texto em francês'. E, ao que parece, as pessoas que navegam nas ondas da internete precisam de textos em francês como o caraças! Bolas, é às quinze e às vintes buscas diárias! Os meus posts são também rebuscados através de frases e palavras interessantes: 'pila de homem' e 'putas'...
Por outro lado estão registadas coisas agradáveis, e eu folgo que assim seja, a Dona- Redonda e o Manuel acedem ao meu blogue umas duas ou três vezes por semana. Daqui agradeço aos dois, é sempre bom verificar que há quem cá venha 'ver-me'. Obrigada e obrigada!
Há ainda outros, os que me provocam uns arrepiozinhos de espinha devido à enorme curiosidade de saber quem realmente lê, ou então não... quem gosta, ou quem desdenha... em silêncio. Há alguém (ou será mais que um?) que acede praticamente todos os dias através das palavras: 'blog verde agua'. É seguramente alguém que sabe que um blogue chamado Verde Água existe...

Indumentária

Eu hoje subi a avenida indubitavelmente bem vestida, toda eu era graça e encanto, direi mesmo: esplendor. Não ponho aqui uma fotografia da minha pessoa ao estilo: 'Uma fotografia por dia que bem iria...(?)' porque choveriam na minha caixa de comentários frases e poemas estrondosamente elogiosos e depois eu não me aguentava com tanta atenção. Há que ver que eu sou uma mulher pacata e recatada, não cabe em mim nenhum tipo de idolatria.
Mas ia eu dizendo, as pessoas que se me chegavam ao pé (principalmente aqueles cavalheiros dos papelinhos publicitários) eram tantas que já decidi, vou fazer um cartaz com letras garrafais dizendo o seguinte:

EH PÁ, TIRA-ME A MERDA DO PAPEL DA FRENTE, OK?!

Já está. Acabei com o encanto e o esplendor em menos de nada.

Chamar o gregório na rua

Levantei-me da cadeira à pressa porque fiquei de repente muito mal disposta. A cor tinha-se-me esvaído das faces, senti-me esfriar por dentro e por fora, toda eu tremia e a boca enchia-se-me de saliva. Um suplício...

'Ai que eu vou vomitar... ai que vai tudo fora... no meio dos carros, que horror... logo aqui na minha rua... à minha porta... ai... ai que é agora...'

... é mentira. Aquilo foi sol de pouca dura. A verdade deste post está apenas no primeiro parágrafo. Cinco minutos depois do início daquele tormento estava boa.

...

Tenho um médico que me pergunta carinhosamente se quero que ele me tape. Não é o máximo?

Amargar

Um cliente mostrava-se muito aborrecido com o preço. Os gestos eram tão descontrolados que até deixou cair os óculos. Baixou-se rapidamente e apanhou-os, aborrecido e descontente.
O balcão não tem só a sabedoria dos velhinhos e a pureza dos jovens. O balcão tem coisas amargas. Como a vida.

Ai o amorrrr...

Las Chapas Espanha), 30 de Julho de 2010

Vi há tempos um título num livro que dizia qualquer coisa deste género: 'Como mudar o seu marido até sexta-feira'.
Fiquei felicíssima! Aquilo não tem nada a ver comigo. Eu não quero nem preciso mudar o meu marido; não tenho essa vontade ou sequer acho que precise.
Aquele é um livro para mulheres infelizes ou sem inteligência, que acreditam em histórias fantásticas e em regras miraculosas, que esperam com fervor transformar um sapo num príncipe encantado.
Isso não existe, queridas. Deixai-vos de massas castanhas, não percais tempo... Os príncipes, e principalmente o seu encanto, são como um sol radioso em Janeiro, brilha intensamente mas é um ai enquanto se nos escapa.

Mas agora a sério: mudar o quê e para quê?! Oh como sou feliz!

Saídas invulgares na faculdade

Mãe, eu ainda não me habituei a isto! As pessoas saem a meio da aula para ir à casa-de-banho, mãe... A sério, levantam-se e nem pedem licença nem nada, os professores nem olham para eles! Eu ainda não me habituei...

Mesmo no meio

Uma vez por semana, aos dias de educação física, costumamos deixar o rico filho num 'meio' ao invés de na escola. Essa disciplina decorre no pavilhão Paz e Amizade ou no quartel dos Bombeiros de Loures. Não sei bem porquê, é provável que seja por falta de atenção, o rico filho nunca sabe onde é a aula. O motorista da casa, sempre enérgico apesar de serem oito e meia da manhã (enérgico no modo de falar, no modo de falar...) pergunta:
- A aula hoje é onde, André?
- Não sei, deixa-me no meio.
E é assim que o rico filho é largado semanalmente no 'meio' da rua Augusto Marques Raso, em Loures, sendo que de um lado se encontra o quartel e no outro o pavilhão.
Bem se diz que no meio está a virtude.

Diálogos

Diálogo enquanto cliente

Balconista - A senhora quer um saco daqueles para os congelados?
Cliente - Sim, se faz favor, são melhores para pôr o lixo.

Diálogo enquanto balconista

Cliente - É um e vinte?
Balconista - Sim, um e vinte.
Cliente - Pois, eu sei que é um e vinte.

Chuva

Hoje disseram-me assim:
- Olha, podes ir passear à vontade na tua hora de almoço. Vai descansada que só chove a partir das cinco, eu li no Borda d' Água.
Ora bem, devo dizer que te enganaste, caríssimo interlocutor. Tu e mais o Borda d' Água. Eram quatro e trinta e tal chovia imenso. Nada que se chegasse para os cães beberem água de pé (?), mas, e ainda assim, chovia.

À cor

O Clóvis não suporta a cor verde. É do Benfica... Logo, não pode saber que eu tenho um blogue. Caso soubesse deixava-me ali um comentário assim:

Que é esta merda, pá?! Verde Água?! Estás parva, queres levar com um pano encharcado nas trombas?! Hã? Verde Água?! VERDE?!... Foda-se!

Uma fotografia por dia que bem iria... (123)

Lisboa, 12 de Outubro de 2010

- Ó ti Manel, qualquer dia nem pode entrar em 'casa'! - Brinquei eu com o velhinho lá de baixo. De há uns tempos para cá ali o sítio está cada vez mais atravancado, há dias em que nem consigo passar.
O ti Manel, triste e cabisbaixo, diz que não faz mal, que lhe morreu a mulher há quinze dias, que agora vai deixar aquilo, nada mais lhe importa, vai tirar todas as suas coisas dali e deixar o barraco vago.
Passaram uns dias desde esta conversa, ao que parece foi a última vez que conversei com o velhinho Manel que tem (tinha) um barraco lá em baixo, nunca mais o vi. Em jeito de despedida e numa espécie de homenagem a uma pessoa muito simples mas também muito inteligente e sábio, deixo aqui uns linques onde ele figura, umas vezes com nome e outras não...

Nêsperas

Burro velho não se assusta

Não se pode deixá-los adiantar!

Cor de castanha

Lisboa - Praça de Londres, 13 de Outubro de 2010
O senhor que assa, e vende, castanhas na Praça de Londres já chegou. Agora toda aquela área exala o apelativo aroma das castanhas assadas. A mim ainda não apleou o suficiente que ainda não me passaram pelo estreito este ano.

Assunto destes dias

mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenosmineiros chilenos mineiros chilenos mineiros chilenos 

Mas nada contra os mesmos, acho-os bravos e corajosos, muito embora este tipo de bravura se assemelhe em muito a um parto difícil: não há modo de desistir...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (122)

Lisboa - Rua Brito Aranha, 13 de Outubro de 2010

E pronto! Os brilhos outonais desta tarde tão soalheira.
A senhora que passeia na minha fotografia não faz ideia do tipo de passeio que está a dar mas eu também não lhe vou dizer nada...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Encontro com os ricos filhos

Tomar, 27 de Junho de 2008

Isto de ter os filhos crescidos tem destas coisas: encontrarmo-nos na rua inesperadamente.
Vinham os dois lado a lado.
Ela conversava animadamente como é seu costume, minorca ao lado do irmão, despreocupada, leve, sorridente. Tão jovem…
Ele calado a ouvi-la, desembaraçado no andar, com aqueles olhos que se percebem enormes mesmo á distância, parecendo sempre tão ausente mas com um mundo de emoções bailando no olhar. Eu é que sei…
São os meus filhos. Que prazer em encontrar-me com eles!

Cheiros e livros

Há uns dias que não ia ali. Assim que entrei senti o cheiro dos livros misturado com o aroma do café. Hum… tão bom.
Uma jovem funcionária recolhia uma pilha enorme de livros. Vi-a agarrar com cuidado, ocupando todo o comprimento dos braços com páginas e páginas...
Fiquei com inveja, queria ser eu. Eu carrego e encho os braços com toda a sorte de produtos químicos, baldes e escovaria... Antes livros!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (121)

Lisboa - Praça de Londres, 11 de Outubro de 2010

Qual escrever qual carapuça! A bem dizer estive todo o dia em transe, até me esquiecia de onde estava. Um cliente apanhou-me muito ausente, de mãos apoiadas na cabeça e olhando em frente... Também quem manda abraçar o transe e ausentar-me nem sei para onde e pôr-me ali mesmo à frente?!

A fotografia: obriguei-me a tirá-la. Pensei:
'Gina Maria senta-te aí e tira uma fotografia a este céu e a este sítio já! Olha só que lindo é tudo isto! Já viste que depois vais poder guardar esta paisagem maravilhosa, vê-la sempre que quiseres?'

E pronto. Eu acho que a fotografia está muito bem... A escrita é que se foi. Não é a primeira vez e é costume voltar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Passeio

Bucelas, 10 de Outubro de 2010

Estive a dar uma vista de olhos mais pormenorizada às fotografias que tirei hoje em Bucelas e acho que esta é a melhor.

Assassinato


Matei uma dúzia de moscas este fim de semana. Enquanto cozinhava, pois. Uma das moscas ia aterrando dentro das claras em castelo. Agora se caiu ou não...
Ainda bem que a ASAE não fiscaliza as donas de casa. E as casas delas.

Uma fotografia por dia que bem iria... (120)

Bucelas, 10 de Outubro de 2010

Passeio de hoje: Bucelas.
Um gato com ar doente desansava no caixote do lixo. Só faltava estar um sol abrasador e a sombra do sinal de trânsito repousar em cima do gato, para esta ser uma fotografia fenomenal. Assim está só espectacular.

Post de Sábado e Domingo


Sábado

Ontem passei o dia a fazer comida. Há uns dias, ou semanas, que me apetece fazer doces e bolos. Montes deles. Resmas. O que me apetecia era ficar empanturrada, com uma barriga enorme, cheia que nem um ovo! E feliz... E doce também.
Bem... Não fiz resmas de iguarias mas experimentei algumas receitas novas: bolo de manteiga, doce bicolor, carne assada com arroz de pingo.
O bolo de manteiga era bom mas não o suficiente, o doce bicolor (que na verdade era tricolor, o clássico doce da casa) também não, por isso não figurarão aqui. Já a carne assada mais o arroz de pingo é um manjar estupendo. É aquela carne que a gente põe a assar na grelha do forno estando já previamente temperada em vinha d'alhos enquanto o arroz fica na parte de baixo, cozendo e recebendo o pingo da carne.

Domingo

Enquanto andava de roda das receitas, descobri uma outra receita de bolo de manteiga, este um pouquinho mais elaborado. Não aguentei, fi-lo e está neste momento no forno. Se valer a pena depois hei-de pôr aqui a fotografia e a receita. Se não... é para esquecer.
Ah! O jantar é também uma receita nova: costeletas Dreux. Ao que parece é da cozinha francesa. Hum... Eu depois digo qualquer coisa. Se valer a pena, claro.

Golo!


No futebol de hoje o rico filho jogou a defesa esquerda e marcou um golo. Diz quem percebe destas lides que é uma posição pouco favorável a golear mas olha... o miúdo safou-se!

Branca

É em momentos como o que vivi no post anterior ao escrevê-lo que fico incerta em relação à minha capacidade descritiva, bem como do que ando aqui a fazer...

Brilhos

Loures, 9 de Outubro de 2010
Eu noutro dia a falar aqui de brilhos outonais e ontem reparei em mais um: os brancos das casas.
Os brancos das casas neste tempo cinzento sobressaem imenso e ganham uma intensidade tamanha.

...

Ok... Agora era aquela parte em que eu desenvolvia a ideia dos brancos e dos cinzentos e dos brilhos que... patxau*! Ainda por cima não tenho nenhuma fotografia... As que tirei aos brilhos patxau ficaram muito aquém do que os meus olhos viam.
No entanto este não será um post sem imagem...

*Em caso de dúvida ver aqui por favor.

Falas

Então está tudo bem?

Sim... Quer dizer, estou cheia de sono mas imagino que isso não interesse para nada.

Hum...

...?!

Não.

Então está tudo bem, obrigada.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (119)

Lisboa, 8 de Outubro de 2010

Chovia à farta. Pingos grossos e com pouco espaço entre si. A rua ficou rapidamente encharcada. Uma neblina espessa cobria os carros, os toldos. As árvores pendiam devido à força do vento. Dos algerozes caíam cascatas de água enraivecidas, ralhavam com os pingos e a neblina, queriam ser mais que eles. E eram.
Um careca queixou-se muito simplesmente da chuva:
- Bolas! Logo hoje que eu não trouxe o cabelo!

Desafio

Tarde invernosa e eu de verniz fresco nas unhas dos pés. Cor: vermelho patxau*. Vermelho desafiador, neste caso. Lá está tempo para andar de vermelho patxau nas unhas?
Isto melhora, oh se melhora. Segunda-feira, ou lá que é, haverá sol reconfortante e depois vamos todos faltar ao trabalho para fazer piqueniques e dar mergulhos na praia, socializando amigavelmente como convém às pessoas de boa (?) índole.

*Patxau não existe. Patxau usa-se no caso de querer dizer que uma coisa dá nas vistas largamente.

A chata

Hoje estive num cabeleireiro. Enquanto esperava a minha vez, uma senhora era penteada ao estilo da primeira-dama dos EUA. Era altiva e exigente, a moça que a arranjava gaguejava explicando os porquês inquiridos pela presumida cliente.
Lembrei-me que as cabeleireiras não podem fazer caretas nem suspirar baixinho em busca da paciência que suporta gente mal-humorada, estão rodeadas de espelhos.
Eu ao menos posso. Faço caretas e outras coisas que não digo aqui nem por nada.

Pressas e companhia

Saí apressada, o creme ainda me molhava a cara, a escova deslizara rapidamente pelos cabelos e os brincos iam na mão, pô-los-ia quando chegasse ao carro.
Olhei-me no espelho do elevador. O penteado parecia o do Paul MacCartney nos idos anos 60, com a franja grossa e redonda. A cara luzia intensamente debaixo de tanta luz de halogéneo. Credo! Há dias que não suporto os reflexos da minha pessoa... Se calhar, em pondo os brincos...

Aquela pessoa

Há aquela pessoa que te vê ao longe e põe-se a fazer psst! menina! Tu ouves aquilo e faz-te impressão. A pessoa repete psst! menina! Que insistente, pensas tu. Instintivamente reages, não aguentas mais e olhas naquela direcção. Reconheces imediatamente a pessoa. Ah... pois é, já devias saber que era ele. Arrepia-se-te a nuca ao pensar que aquilo é contigo, levantas os ombros em sinal de tensão e fazes esgares todos contorcidos, tal é o incómodo. O homem é maluquinho e está-se a meter contigo só para te acenar com a mão. Tu tens a mania de ser simpática lá no tasco, ficas atrás do balcão a dar atenção, achas piada a todas as pessoas e depois olha... é isto! Aguenta-te!

Uma coisa

Uma coisa que está agora a dar uma dinheirama do caraças - uma pipa de massa, quero eu dizer - é não ser funcionário público.

Avó

Rica filha - A avó quer um gato.

Mãe - Ah é verdade, foste almoçar à avó?

Rica filha - Fui. A avó quer um gato.

Capacidades

Sou dada a reparar em pormenores, disse eu. Mas não tenho manias, não acho que faça reparo ao que ninguém mais vê. Tenho uma enorme capacidade de observação, tenho pois, mas sei que há quem a tenha maior. Há, também, quem note coisas diferentes das que eu noto. Isso é muito bom, aprende-se. Também sou dada à aprendizagem.
Sou dada a um par coisas, ao que parece.

À vontade

Um dia o sô Ventura precisou de um papelinho para acentar umas coisas que eu lhe estava a pedir e jogou a mão à caixinha onde guardo a espécie de post-its que uso para rascunhar. Reparei imediatamente que não pedira licença ou autorização, jogou a mão e pronto, aviou-se. Hum... Logo o sô Ventura que é um homem cheio de formalidades. Mas fiquei contente com a atitude desenvolta, por dentro sorri com o à-vontade demonstrado. Olha, é sinal que se sente à vontade comigo, pensei.
Pouco depois, não sei porquê, talvez tenha detectado algo nos meus gestos e ficado consciente da 'falta', o sô Ventura ficou acabrunhado. Largou totalmente o à-vontade e enrubesceu. Hesitante, perguntou de papelinho ainda na mão:
- Posso?
Fiquei toda triste. Ora bolas, lá se foi o giro disto tudo, assim não tem graça...

Dá-me um enorme prazer verificar que deixo as pessoas soltas. Gosto de notar à-vontade em pequenos gestos, sou dada a reparar em pormenores.
Há poucas coisas de que goste tanto como de espontaneidade. Se as pessoas encolherem os movimentos ficam tensas e calculistas. O resultado é que, como nos imitamos todos uns aos outros, fico também eu encolhida no meu canto fazendo cálculos.

As hesitações dos clientes

Cliente: - Olhe, eu quero...

Eu: - Ácido muriático?

Cliente: - Bom-dia, eu queria daquela...

Eu: - Fita de pintor?

Eu não devia saber estas coisas, ao sério que não. Eh pá, venham cá comprar e contem-me histórias. Histórias especiais, assim em maneiras de eu ao depois já não me lembrar de vocês da próxima vez que os vir, e já não fizer ideia de que compram sempre a mesmíssima coisa, está bem?

(A repetição repete-se.)

Dejà vu

Inauguração:
Vendi o primeiro saco de água quente da época!

Repetição:
O ano passado registei esta primeira venda num post.

Uma outra repetição:
Esta manhã ao sacudir a toalha não espreitei a ver se passava alguém porque em passando seria de chapéu de chuva aberto. Já em tempos publiquei qualquer coisita com esta ideia.

Conclusão
A vida é repetitiva. Chamem-lhe cíclica, previsível. Eu cá acho-a repetitiva, como se todas as noites fosse ver o mesmo espectáculo e soubesse as falas de cor. Não gosto.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Conversas alheias e doces

Falavam de gulodices, de bolos. Depois veio o caril e a mostarda.
Estava a gostar de os ouvir mas o que eu queria mesmo era participar na conversa. Dizer-lhes das minhas receitas, da minha súbita ideia de escrever um livro com as minhas receitas a que chamaria: 'Na cozinha comigo'.
Um título apelativo. Sensual, até. A comida é sensual, a comida anda de mãos dadas com o sexo, o amor, a glória.

...

A glória? A comida anda de mãos dadas com a glória?

Anda. A glória pressupõe conquista. As pessoas conquistam-se através do estômago.
Voltando atrás, sempre quis escrever à mão num caderno as receitas que elejo como especiais. Sobretudo escrever dos bolos e dos doces, que eu sou mais doceira que cozinheira.
É para não ser tão amarga que gosto de fazer doçarias. Fazer bolos e doces adoça mesmo a vida. O leitor experimente e verá que tenho razão.

Uma fotografia por dia que bem iria... (118)

Lisboa - Calçada dos Barbadinhos, 7 de Outubro de 2010

Não estava um sol tão especial na Calçada dos Barbadinhos em Lisboa?

Livros; Biblioteca

Ia de passagem e ao longe vislumbrei a biblioteca de Loures. Deu-me logo vontade de entrar. Há tanto tempo que lá não vou, pensei eu. Refreei a vontade, afinal de contas tenho em casa uma data de livros que ainda não li. O melhor é despachá-los primeiro e depois vir aqui. Mas os livros são meus, podem esperar, ia pensando. Nisto, a vontade tornou-se impossível de contornar. Entrei.
Dei umas voltas, olhando os títulos mais que os autores, não sou muito de seguir este ou aquele autor, a bem dizer sou medíocre na área literária. Escolho um livro porque primeiramente o título me atrai, depois leio as primeiras linhas, leio umas frases na diagonal e nunca leio o final. Se tudo o que leio me atrai, então estou diante dum livro bom.
Escolhi 'Cinco quartos de laranja' de Joanne Harris, uma autora francesa de que tenho cá em casa uma obra: 'A praia roubada' e que nunca terminei de ler, enfadou-me. É dos princípios do meu desligamento das leituras por falta de concentração.
Seja como for, trouxe o livro 'Cinco quartos de laranja' porque me agradou muito o pouco que li. Transcrevo agora o último parágrafo do primeiro capítulo.

Eu sei o que é que estão a pensar. Gostariam que eu continuasse com a história. É apenas a história sobre os velhos tempos que agora vos interessa; o único fio desta minha bandeira em trapos que ainda capta luz. Querem ouvir falar do Tomas Leibniz. Querem tudo claro, categorizado, terminado. Pois, mas não é assim tão fácil. Como no álbum da minha mãe, as páginas não têm números. Não há princípio e o fim está tão mal acabado como uma saia com a bainha por fazer. Mas eu estou velha – e faço as coisas à minha maneira. Além disso, há tantas coisas que necessitam de perceber. A razão pela qual a minha mãe fez o que fez. A razão pela qual escondemos a verdade durante tanto tempo. E por que razão escolhi contar a minha história agora, a estranhos, a pessoas que acham que uma vida pode ser condensada em duas páginas de um suplemento de domingo, com um par de fotografias, um parágrafo, uma citação de Dostoievski. Vira-se a página e chega-se ao fim. Não. Desta vez não. Vão ter de digerir cada palavra. Não os posso obrigar a publicá-la, claro, mas, por Deus, terão de ouvir. Vou obrigá-los.

Livros; Leitura

Não gosto de criticar nenhuma obra literária porque acho que qualquer livro - bom, mau, assim-assim e outras coisas - dá muito trabalho a escrever. Mas não estava a gostar daquele livro que andava a ler. Não estava, não. A rica filha até se mostrou horrorizada com a minha escolha lá da biblioteca:
- Mãe, tu andas a ler essas lamechices americanas?!

Pois é...

E agora…

E agora vou escrever de livros. Nos dois posts seguintes…

Quer dizer, nos dois posts seguintes se o leitor fizer uma leitura cronológica do blogue, porque se assim não for o leitor vai ler isto aqui depois dos dois posts seguintes. E dos outros a seguir também. Como se sabe, aqui na blogosfera anda-se ao contrário, os últimos na verdade são os primeiros.

Chapéu de chuva


A chuva chegou. Não me entristece, não me deprime nem sufoca. Eu gosto. A paisagem não fica baça nem cinzenta com a humidade no ar, não senhor! A paisagem até adquire um certo brilho. Pena tenho eu de não ter tirado fotografias às lindas árvores que vi, muito compostas nos seus tons amarelos, larajas e dourados, ao invés desta que ilustra o post.

506 meses e alguns dias

Envelheci alguns anos noutros tantos meses. As costas curvaram mais ainda, há rugas novas e mais uma data de cãs, os pesos da consciência triplicaram.
Coisas da vida, dir-se-á. É o que se diz quando não há remédio…

Significado

Enga...

s. f.
1. Pop. Pasto; cevadeira; parasitismo.
ir ou andar na enga: ir comer a casa alheia; dar-se por convidado.


Não tem nada a ver… No post anterior, o que eu queria dizer com ‘enga’ era ir na onda, na molhada, ou seja, continuar debaixo do mesmo assunto.
Fica tudo como está, não quero saber! Uma pessoa tem de ser inventiva.

Fonte: priberam.pt

Enga

Indo na enga de esposa dedicada - ver post anterior -, quero aqui deixar um conselho aos homens de todo o planeta:

Homens de todo o planeta: não esperem mais do que dedicação das vossas esposas. Não esperem amor e fidelidade. No matrimónio a dedicação abrange tudo o que há de bom e camufla todas as ruindades. Contentem-se - e mais: regozijem-se - com a dedicação delas, caríssimos congéneres.

Formas

Comprei um pão em forma de genital masculino...
Ia dizer que com uma apresentação destas até parece que me falta qualquer coisinha - ia dizer e disse -...
O melhor é parar por aqui para não estragar a minha reputação de bloguer ajuizada, mãe de família (im)perfeita e esposa dedicada.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A falta

Quando eu morrer vão sentir a minha falta. Agora não. Vão chorar, babar-se. As lágrimas serão um rio, a baba num fio corrido. Tudo junto a molhar o peito, se não pararem com as lamúrias ainda apanham uma bronquite.
Vai ser assim, ficarão todos com pena de já não poderem dizer-me o quanto gostam de mim nem fazer-me festinhas na cabeça
Quando eu morrer vai ser assim. Aproveitem-me agora, vá.

Passividade

A vida corre frente ao meu olhar baço e ondulante. Muito raramente pertenço a esta vida.
A vassoura caíu, o pano de limpeza cheira mal, a louça do almoço continua em cima da mesa, há cabelos no chão e pilhas de roupa aqui e ali. E eu não me mexo. Agora é assim. Um dia será diferente.

Indumentária


Ele foi ciganas de malas e carteiras giríssimas nas mãos, tudo querendo vender. Ele foi senhores e senhoras daqueles qye pedem para instituições, tudo querendo agarrar. Ele foi delinquantes e companhia, tudo querendo cravar.
Assim, sim! Tenho a certeza que hoje estou bem vestida.

Em suspenso

Estranhamente não me amedronta a ideia de ver bichos ferozes e coisas macabras e caras disformes. Penso-as e não me assustam. É como se estivesse suspensa num balão imaginário, as coisas estão lá em baixo. As coisas e o medo. As pessoas e outros sentimentos também. Assim não sofro. Fantástico...

Protecção

Já em tempos reparei que ela esconde os polegares com os outros dedos das mãos, instintivamente. Como uma mãe que puxa manta do filho adormecido e dá um beijo de boa-noite.
Ela vai falando e convivendo e vai escondendo uma parte pequenina de si. É como se protegesse a si própria de algo que a apavora. Algo ou alguém.
Dei por mim fazendo o mesmo gesto, enrolo os dedos da mão nos polegares, os dois, escondo-os, numa atitude defensiva. Foi assim que percebi que este pequeno gesto, que eu e ela fazemos, é um gesto defensivo, e bem longe de ser protector.

Peneiras

Uma cliente comprou um bacio alto e fez-me tapá-lo todo com sacos para que não se visse nem pontinha do bacio quando fosse na rua. Tinha vergonha, ainda ia ali à Caixa.
Se as peneiras fossem merda... No caso desta senhora as peneiras são mesmo de merda.

Futuro

Quando eu for velha não vou dar trabalho nenhum a comprar um balde com espremedor e esfregona porque já sei o quanto foi difícil vendê-los.
Em chegando essa altura da minha vida, os jovens não queiram que eu lhes pague na mesma moeda em que vendi.

Uma fotografia por dia que bem iria... (117)

Lisboa, 6 de Outubro de 2010

Um caderno não, O Caderno

Qual será a loucura que envolve toda a existência dos cadernos Moleskine? Alguém me explica?

A vida mudou

Dantes não se podia dizer 'raios te partam!' nem 'ai o caraças!'. Agora pode-se.
Em justa verdade a vida mudou consideravelmente.

Ruídos

Não há motivo nenhum para me sentir tão solitária. Há passos e risos de criança por cima da minha cabeça e há pios de passarinhos, assobios de vento e buzinadelas lá fora.

Dias de um ginásio

Sou uma mulher tão gorda que o ponteiro da balança estanca alguns centímetros demasiadamente à direita.
Sou uma mulher tão magra que não suporto o cabo do chapéu de chuva em cima da clavícula...
Ao que parece sou uma raridade, bem mais rara do que aparento. Um case study. Sou um case study porque eu também sou coisas giras e importantes lá de quando em quando.
Horrivelmente gorda, esqueleticamente magra. Posto isto, vou estar alguns meses sem ligar à porra da balança. Ela não me dará tréguas, sou muito desiquilibrada.
Vou aproveitar isto de ser um case study e abraçar vigorosa e carinhosamente esta preciosidade que é ser um case study, esquecendo de vez aquela inimiga dum raio.

A lua

A lua atrai-me. Não no sentido místico da coisa. Atrai-me porque é bela e luminosa...
Basicamente é assim: tudo quanto mexe, ilumina... ou tem mamas, chama a atenção.

E eu que comecei a escrever cheia de pensamentos poéticos e românticos, termino daquela maneira... Oh vida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (116)

Loures, 5 de Outubro de 2010

Andamos em pinturas. Eu, droguista sem gema e inventiva, decidi corar uma lata de tinta com corante laranja das tintas Raposa. Pensei: a tinta é à base de água, o corante é para dissolver em água... é bem capaz de dar resultado. Não deu. A tinta não corou. Levou largos minutos a dissolver de vez. Ia-se pintando e iam aparecendo bolhinhas de corante por desfazer. Enfim... Mas as paredes pintaram-se na mesma e não foi às bolinhas que ficaram.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Indumentária

Uma mulher sabe que está mal vestida quando ao percorrer a Avenida Guerra Junqueiro nenhum delinquente se acerca dela pedinchando.

Note-se

De notar é o facto de hoje ser o Dia Mundial de todas as Alimárias (inclui bestas).

Nominado

Fiquei boquiaberta com o seguinte: o cão deste senhor (clicar no linque e ler alínea 3 do post, por favor) chama-se Assis.

Era...

Era suposto haver pouco trabalho neste dia devido à ponte. Era...
Ao que parece ficou tudo em casa e com disposição para a bricolage. Bolas... Deixem-me escrever!

domingo, 3 de outubro de 2010

Disparidade

O facto de os dois últimos posts mostrarem assuntos tão díspares, só quer dizer que eu escrevo aquilo que bem me apetece.

Ó mãe!

- Ó mãe do André! - Ouvi eu chamar. Não dei grande importância.
- Ó mãe do André! – Continuou a voz, chamando. Eh pá, espera aí que isto é capaz de ser para mim, eu sou mãe de um André…, pensei. Estaquei e olhei para trás. Era, era comigo mesmo. Um colega de futebol do rico filho reconheceu-me e chamou-me. Como eu não o reconhecesse logo, apresentou-se e então lembrei-me do miúdo.
- Eu sou aquele rapaz a quem os senhores deram boleia noutro dia…
- Ah! Estás bom?
Não estava, havia lesionado um dos tornozelos mas felizmente estava tudo caminhando favoravelmente.

E é assim… às vezes sou simplesmente a mãe do André… Não que seja mau, não, antes pelo contrário.

Acreditar

Ele disse que só acredita naquilo que quer. Eu achei a sua convicção cheia de profunda sabedoria… Só acredita quem quer, naquilo que quer. Como é que nunca me lembrei disto?
Se, por exemplo, o meu vizinho do lado me vier dizer que a mulher dele tem três mamas, eu só acredito se quiser.

Herbie

Pinheiro de Loures, 3 de Outubro de 2010
Sim, gosto do Herbie, é um filme divertido, faz rir e chorar e ainda tem a particularidade de não fazer pensar muito…
De repente, tudo quanto não tenha o dom de fazer pensar, tudo quanto aconteça sem que me mexa, é muito bem-vindo. Que lazeira…
Chuva?!
Não, não é a chuva que traz este estado de espírito, este acomodamento, é mesmo de mim e da minha cabeça oca. A lazeira aos miolos pertence.

Uma fotografia por dia que bem iria... (115)


Era umas sete da tarde do passado dia 1 de Outubro quando a minha máquina deu o último suspiro. Profundo, não sei, mas suspirou uma última vez e avariou. Aqui fica em memória o derradeiro clique e a ausência de nitidez da dita.
O local (muito!) desfocado são as traseiras do Rua Barão de Sabrosa, em Lisboa. Eu sou uma sortuda, tenho o privilégio, a graça de andar constantemente metida na casa das pessoas. De clientes, para ser mais exacta. Quando há confiança, e neste caso havia, tiro fotografias à vontade e até não peço licença. Quando não há confiança... Também tiro fotografias, claro...

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (114)

Loures, 16 de Novembro de 2008

Hoje esteve um lindo dia de Outono! Não tenho fotografias do Outono de hoje...

Dias de um ginásio

Sou uma mulher muito importante. Treino juntinho de figuras públicas, algumas até muito públicas:

David Beckham
Owen Wilson

Julia Roberts
Nicolas Cage
Vin Diesel
Jack Nicholson
Matthew McConaughey

São cópias; clones; sósias de figuras públicas. Alguns são tão parecidos que até faz impressão. São certamente menos importantes que as figuras públicas com as quais são muito parecidos mas serão eventualmente bem mais importantes que eu, já que eu não sou sósia de ninguém famoso.

Nota: imagens retiradas da internet.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (113)

Atouguia da Baleia, 12 de Setembro de 2010
Estou completamente arrasada! A minha máquina fotográfica avariou... Oh... E agora como é que eu vou tirar fotografias?! Procurando a máquina velha, claro... Clicando aqui e ali, claro... Com a máquina velha, aquela máquina que tem a tampa do compartimento das pilhas partido.

Parentesco

Tia é algo que me chamam há mais de vinte anos. Hoje é algo que me chamam raramente, não vejo muitas vezes nenhum dos meus sobrinhos.
Apesar de ser raro ouvir 'tia', ou então por isso mesmo, por ser raro, gosto imenso de ouvir 'tia' isto ou 'tia' aquilo. Sente-se um carinho muito especial na voz deles, sabe tão bem ouvir...

Reclamação

É tão giro ver alguém que mal sabe ler ou escrever, ou sequer falar, pedir o livro de reclamações!
Era tudo a fingir, afinal. Era só para assustar, fazia cara feia e tudo!

E eu com problemas! Bah!

Vou com frequência beber um café num sítio de livros. O sítio tem muito a ver comigo - letras, livros, palavras. Já as pessoas que o frequentam nem por isso - professores, doutores, escriturários daqueles bem apresentados.
Para meu mal, sinto-me algo deslocada dali, como não fazendo parte. Depois fico com vontade de desistir de lá ir. Mas já me deixei disso, o café é fantástico, o atendimento é afável e as pessoas que lá vão são pessoas como eu… Acho que até já se habituaram a ver-me escrever e tudo.
Às vezes custa-me horrores fazer parte. Numa primeira instância acho o fazer parte, seja daquilo que for, muito desconfortável. No entanto não há como fugir, faço parte de um todo que é o mundo. Se eu estivesse cá sozinha seria uma pessoa melhor mas brutalmente infeliz.

Melhoras

Foram embora a astenia e a ansiedade. Agora tenho uns nervos bons, ou lá que é. Devem ser de aço.

Uma questão de peso /ou/ A lei do mais forte /ou/ Viagem

Eu viajava de costas, como gosto, e ia entretida observando, como também gosto.
A carreira parou numa paragem e vejo entrar uma gorda muito gorda. Sentou-se junto de uma outra gorda menos gorda e com ares de condessa de Bucelas. Esta, irritada por ir apertada, olhava a outra de soslaio, fazendo duplo queixo, a boca num biquinho, pronta a disparar qualquer coisa desagradável mas com classe, que com isto de ser condessa de Bucelas sempre se aprende a dizer as coisas com estilo.
Próxima paragem: Póvoa de Santo Adrião. A primeira mulher gorda levanta-se na disposição de se apear. A outra faz uns ares de alívio, a boca num biquinho outra vez, querendo soprar.
Entretanto havia entrado uma outra gorda ainda mais gorda que as outras duas, tanto que ficara em pé, plantara-se junto à porta de saída da camioneta. Quando esta vê que a primeira gorda desta história faz gestos de quem quer sair... - devia ter-lhes posto nomes, credo, que confusão - encolhe-se sem qualquer sucesso. E é muito engraçado ver a dificuldade que duas gordas muito gordas têm em se cruzar numa simples saída de camionete.
Enfim, à partida este post era para mostrar o desplante de algumas pessoas, os ares senhoris de outras, e o giro que é duas pessoas grandes passarem uma pela outra numa passagem (para elas) apertada. Acabei por fazer um post complicado...

À partida

A primeira impressão que tenho das pessoas em geral pode ser certeira... Ou então não.
Não sei se por feitio, se por (de)formação profissional, habituei-me a nunca confiar no retrato que tiro às pessoas aquando do primeiro contacto ou de um simples olhar*. Pode ser feitio porque sou insegura, tenho medo de tirar conclusões erradas e de ser objectiva em campos que ainda não conheço. Por outro lado, a profissão que tenho ensinou-me que as aparências iludem, sendo que por vezes iludem mesmo muito, para o melhor e para o pior.
Há pessoas extremamente simpáticas para camuflar o cinismo. Há pessoas extremamente arrogantes para disfarçar uma grande timidez.
Posto isto, como confiar nas primeiras impressões? Eu cá não...

*Tive uma fase em que fazia análises superficiais e abruptas através de um simples olhar e depois escrevia. Ver aqui a catrefa de simples olhares meus.

O Clóvis e aquelas coisas

Homossexualidade

Eu: - Eia, ó Clóvis, olha ali aquele!
Ele: - Que é aquilo, pá?! Que paneleiro... Gosta que lhe empurem o cagalhão... Foda-se!


Mulheres giras e não só

Eu: - Ena, ó Clóvis olha ali, pá!
Ele: - Quê, aquilo... Foda-se!


Comida:

Ele: - Eh pá, comi um coelhinho frito ao almoço que estava mesmo bom! Gosto mesmo daquela merda!
Eu: - Sério?!
Ele: - Foda-se!


Motas:

Ele: - Sabes o que quer dizer F A M E L?
Eu: - Hum... Não.
Ele: - Foda-se! A Mota É Linda!


Há que tempos não escrevia do Clóvis! Não sei se alguém se lembra do Clóvis, se não eu recordo: o Clóvis é um homem desempoeirado e espontâneo, o que me diverte. Digamos que o Clóvis é assim mais ou menos como se lê... E mais não digo.

Hoje

Hoje, assim de repente, comecei a achar graça ao espanto no olhar de um senhor quando me viu com quatro amaciadores nas mãos, furar as folhas ao contrário, e ao nome de uma empresa de desinfestações (higimosca). Houve algo que voltou ou então estalou um clique na minha cabeça, não sei bem. E depois escrevi uma data de coisas e isso.

Já é Outubro

Esta sou eu no auge da criatividade:


Ele olhou para ela e disse:
- Olha, anda cá.
E depois pronto.



(Acho que vou escrever um livro...)