quarta-feira, 2 de junho de 2010

Aniversário


Hoje faço anos, anunciou ele assim que entrou. Não posso cumprimentar a senhora, diz como que a desculpar-se. O mau cheiro já me havia invadido as narinas e vi-lhe as mãos negras de tão sujas. Pode, disse eu. Não tive coragem de dizer não, apesar da nenhuma vontade. Ele leu qualquer coisa no meu olhar, tenho a certeza, e acabou por não me estender a mão. Interiormente agradeci, não sem um sentimento de culpa e compaixão, tudo à mistura.
O senhor Rodrigues assistia a tudo isto, o homem vira-se para ele e estende-lhe a mão. O senhor Rodrigues respondeu que não cumprimenta desconhecidos e o homem diz: olha, olha, eu conheço-o a si! O senhor Rodrigues deve ter tido a mesma mistura de sentimentos que eu, deu-lhe uma palmadinha nas costas e saiu porta fora. Não havendo mais nada a fazer ali, só resta pedir: ó senhor Joaquim, dê-me cinquenta cêntimos! O senhor o ano passado deu-me...
O senhor Joaquim deu-lhe uma moeda e o homem saiu levando com ele o cheiro mau e as mãos negras.


Uma fotografia por dia que bem iria... (48)




- Lá está ela a mirar tudo! Ai que observadora...
- Hum-hum! Estava a ver o vinte e cinco da alameda lá ao fundo.

Lisboa, 2 de junho de 2010

Temperaturas


Ontem

As pessoas andavam todas esbaforidas, vermelhas e brilhantes de suor, inchadas, lentas e despidas. Tudo por causa do calor.

Hoje

Bem melhor andarmos pela sombra, agora. Que frescor!


Contas


Eu que não sou mulher de números descobri que dois mais dois e dois vezes dois obtêm um resultado igual.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (47)




Eu não escrevo porque tenho tendência a ter uma escrita down, diz ele.
Isso trabalha-se, meu amigo, isso trabalha-se.
Existe realmente a grande tentação da auto-comiseração quando se escreve mas isso trabalha-se. Até porque quem escreve, a dada altura tem necessidade de mudar de rumo e de se renovar, pode chamar-se evolução, vá, que fica tudo dito.

A relação entre o texto acima e a fotografia é que foram ambos executados na mesma hora, mais coisa menos coisa. Não sei que piada é que isto tem mas é assim.
Sofro de falta de assunto em certos momentos da minha vida e já que vivemos na época dos direitos: sou pessoa para ter direito a escrever (mais) umas parvoíces de vez em quando. Mal não faz.

Loures, 1 de Junho de 2010


2 em 1





«No mundo só existe uma criança linda... E cada mãe tem uma.»*

O modo de resolver isto, uma vez que tenho duas crianças, é o seguinte: as minhas crianças são as duas lindas numa só.

*Ouvido numa estação de radio qualquer, numa dia qualquer, num momento qualquer e escrito ou pensado por uma qualquer pessoa...


Acerca das fotografias: Espanha - Mijas Costa, setembro de 2002


:)


Um menino de dois anos fugiu de ao pé da mãe e entrou por ali adentro. Maravilhado com o local, estacou. Adorei ver o ar tão atento com que mirava tudo de narizinho no ar e a boquinha entreaberta, completamente embasbacado com tudo o que via.
Gostava de conseguir imitá-lo no sentir, ao sério que sim.


Repetição*


O Clóvis chama cagalhão às criancinhas. De uma forma carinhosa, claro está. De uma forma que só ele, pronto.

*O Clóvis não é má pessoa, que não se pense que é. Pense-se antes: é o Clóvis! Será suficiente.


Dia Mundial da Criança


As crianças são um apelo à vista porque têm o mundo nos olhos e nos gestos. Não sei como fazem, já fui criança mas já esqueci, nessa parte não tenho como alongar-me. Só sei que as crianças possuem umas coisitas imensas que lhes dão poder. Elas tão poderosas e nós adultos sempre a dar-lhes tão pouca importância...
Já não tenho crianças mas já tive. Às vezes tenho saudades das minhas crianças, é por isso que gosto de assinalar este dia. Não sendo muito dada a falar do dia disto ou do dia daquilo, este é um dia que eu gosto de registar. De seguida publicarei alguns posts acerca de crianças.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

!!!


Gina Maria, tu não penses que sabes tudo e que conheces as pessoas, ouviste?! Não é por te entrar um guedelhudo na loja que vais vender um frasco de champô, ok?!


Dias de um ginásio


A próxima vez que vender sacos pretos para o lixo vou, assim como não querendo saber, perguntar se é para fazer algum casaco. Tenho que usar de grande engenho nas palavras, mais ou menos como no caso da campainha*, vá.
E vou perguntar porquê? Ora bem, vou perguntar porque eu hoje vi uma rapariga no ginásio com um casaco feito daquele material. É por isso que eu vou perguntar.

*Ver dois ou três posts atrás ou lá que é.


O negócio


O dono de uma loja chinesa - um chinês, portanto - perguntou-me como ia o negócio, se eu estava a vender bem e assim. Aparentemente não está a vender nada e o bicho não quer estar sozinho no declive. A tal da crise já os atingiu, pobrezitos.


Campainha


Eh pá, a gente ter que perguntar ao cliente se porventura não estará um pouquito surdo e tal e se será por isso que não ouve bem o toque e coiso... É uma treta do caraças!


domingo, 30 de maio de 2010

Summertime


Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin', and the cotton is high
Your Daddy's rich and your Mama is good lookin'
So, hush, little baby don't you cry

One of these mornings you're gonna rise up singin'
You're gonna spread your wings and take to the sky, take to the sky
But until that mornin' there's nothin' that can harm you
With Daddy and Mommy standin' by

Summertime
Yes, it's the time, I'm talking about summertime
And the livin', summer living, and the living is so fine
Fish are jumpin', and the cotton is high
Your Daddy's rich, he's rich, your Daddy's filthy rich
And your Mama, hot Mama, your Mama's so good lookin'
So, hush, little baby don't you cry

Summertime and the livin' is easy
Fish are jumpin', and the cotton is high
Your Daddy's rich and your Mama is good lookin'
So, hush, little baby don't you cry




Ouvi dizer na Radio que é a canção mais perfeita que existe.
Eu só sei ouvir que é uma canção muito bonita e ponto final: .

Fonte: vagalume.br

Sonho


Sonhei que um blogger tinha escrito um post dizendo todo o mal possível do meu blogue.
Hum...
...
...
Já houve tempo em que achava que dava nas vistas. Hoje estou desenganada. Também sei que o bom de dar nas vistas é independente de se dizer bem ou mal. E que o 'não se dar por mim' por vezes é para lá de bom. É conforme.
Por ora aproveito isto de 'não se dar por mim' e ando aqui a ver se me habituo a retratar pessoas, o que normalmente dispenso. Mas ando aqui a ver se me habituo.

Lisboa, 28 de maio de 2010







sábado, 29 de maio de 2010

O suspiro de uma mãe


Vai pá terra agora... Diz ela vendo o carro afastar-se, orgulhosa do feito da filha que já conduz e se desembaraça mas sentindo uma saudade antecipada pela partida. Depois supera e oferece-me uma visão de soberba felicidade estampada nas faces rosadas: A gente tamém imos mais logo à tarde!


Diminuto


O homem do tambor tem os olhos pequeninos. Pousado no nariz tem um par de óculos cujas lentes parecem o fundo de um copo de três e lhe diminuem os olhos. E por falar em copo de três, o bicho gosta da pinga!
Mas era dos olhos pequeninos que eu queria escrever, a pinga hoje interessa pouco.
Ele senta-se na esplanada, bengala em cima da mesa não vá cair e depois não há ligeireza para a apanhar, chapéu nos chamiços por causa do tempo, cigarro nos queixos que o vício é grande. E depois há os olhos... Os olhos dele perdem-se em nenhures, não vêem nada nem ninguém, como se estivesse frente à cortina corrida no fim de um espectáculo e sentado na sala quando todos já foram embora.
Eu queria ter uns olhos daqueles que não vêem, ver é amar sofrendo. Os meus olhos não andam atrás de lentes grossas, são enormes e ainda por cima falam...


Morreu tudo, pá! Porra! Só cá estou eu... Chiça! Eh pá... Só cá estou eu... Ai ai, ai ai!


Ele morre lentamente e eu assisto num misto de lamento e prazer.
Este meu sentir é vergonhosamente mórbido e crú, só que eu queria registá-lo. Este meu querer embala a vergonha e adormece-a. Ficam a morbidez e a crueza e com essas posso eu muito bem.
O senhor Rodrigues morre não tarda nada...

Noutro dia contou-me que foi à médica. Ao olhar as análises esta disse-lhe que ele tem uma coisa, uma única coisa, que não se pode curar: é alérgico à vida, não deseja viver. A mulher ia chorando, diz. E ele sabe disso, da alergia, do não-viver. E eu assisto-lhe a solidão: morreu tudo, pá! Porra! Só cá estou eu... Chiça! Eh pá... Só cá estou eu... Ai ai, ai ai!


Uma fotografia por dia que bem iria... (46)




Lá estava eu no banco da minha rua preferida. Páro ali sem motivo, páro ali porque sim, é isso.
Distraída como de costume, senti o banco estremecer. Olhei para ver quem era e vi uma senhora já velha apoiar-se. Diz-me que tem que abrir a mala para tirar os óculos escuros, que o sol abriu. Sorri e disse-lhe umas quaisquer palavras de 'sim senhora pois que isto não se pode descuidar'. Vi-a afastar-se e lembrei-me: olha... podia tirar uma fotografia, deixa lá ver se vou a tempo. E fui, a mulher era lenta, muito lenta, tão lenta que tive que fazer tempo até ela ficar de bom tamanho.

Lisboa, 10 de maio de 2010


Pecado


Como é possível alguém chamar pecado a um pastel de nata?!



Hum...



Oh...



Um dia compro uma grosa deles!


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (45)




Dois adolescentes - muito adolescentes ainda - vinham conversando quando a páginas tantas um deles exclama todo contente:
- Olha uma chave igual à minha!
O que exclamara levantou a chave e alinhou-a com a imagem. Juntaram as cabeças para ver.
- Ya, é mesmo igual! - Diz o outro completamente vidrado com a descoberta do colega.
O primeiro dos dois ficou ainda mais feliz. Depois foi a minha vez...

Lisboa, 28 de maio de 2010


Sonho




Sonhei que andava num prédio devoluto de máquina na mão clicando aqui e ali. E andava encantada, claro. Vi e admirei coisas lindas. Que pena ser tudo um sonho... Mas trouxe esta fotografia. Do sonho, pois!

Lisboa, 28 de maio de 2010


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Imagem


Há imagens que me sabem bem ver. É como admirar um quadro, só que não estou em nenhum museu mas sim na vida real, aquela que mexe e gira.
Por exemplo: a imagem de uma senhora com o cabelo solto e desgrenhado em bicos de pés para chegar à campainha da cabeleireira é uma dessas imagens que sabem bem, que me vivificam...


Dias de um ginásio


Dois monitores (um monitor e uma monitora) apalpavam-se mutuamente. Ela mostrava os glúteos redondos e empinados e ele os bíceps altos e bem definidos. E apalpavam-se, literalmente. Sem malícia, creio, pois não lha notei nos rostos. Isto da malícia está na cabeça das pessoas e, posso dizer, ao momento dos toques a minha cabeça estava cheia dela...


terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (44)




O ti Manel cortava umas pontinhas da pequena árvore que se encontra no pátio da minha vida.
- Não se pode deixá-los adiantar! - Exclama ele quando me avista - Era o que o Salazar dizia quando as pessoas começavam a levantar cabelo. Não se pode deixá-los adiantar!
Parei para o ouvir e fiquei ali vendo-o podar a árvore. Depois, à laia de desculpa, ele continua:
- Esta árvore trouxe eu ali da alameda. Quando chega a este tempo tenho que a cortar a ver se ela cresce a direito.
Lá que está crescida, está, pensei eu. Mas está um bocado acachapada... O ti Manel tem que ver melhor aquilo...

Lisboa, 5 de maio de 2010


Telefonema


Ligaram perguntando se eu sabia a cor da tubagem das águas pluviais. Ainda pensei que era daquele tipo de telefonemas que se faziam antigamente mangando das pessoas que atendiam. Mas não. Só a cor, disseram. Ok, a cor não sei não senhor, respondi eu a medo, ainda pensando nos tais telefonemas de outros tempos. Ok, obrigadinho e adeus. Ok, de nada e boa tarde.
Nada de gozo. Nada de nada. Até tive pena... Se o gozo tem existido este post teria piada.


Faces nada ocultas


Alguém que diga àquela senhora de pele branquinha que o pó de arroz não se coloca tão próximo ao nariz, nem se escolhe um tom tão gritante, por favor. É que eu não tenho coragem...


Adenda ao post anterior


Não me apetece escrever. Eu é que não me estou a lembrar disso.

?!


Lá em Angola a dona Lurdes comia limão com sal.

Claro está que desta frase pouco se percebe. Se eu disser que a frase é (talvez) curta porque o leitor não conhece a dona Lurdes, que se a conhecesse faria logo todo o filme que esta simples frase envolve, creio ser feio e desonesto para com ele. Eu que esmiúce o assunto que é para isso que aqui estou!
Mas, e já que agora estou com o egoísmo em alta, o que eu quero é que os leitores façam aquilo a que habitualmente se chama: ‘ler nas entrelinhas’. Quero é despejar a frase e esperar que entendam sem ter o trabalho de explicar.
Os leitores entendem (me)?!


domingo, 23 de maio de 2010

Domingo, 23 de maio de 2010


O fim de semana tão preenchido que tive acabou-se. Mas como não há nada melhor que um dia a seguir ao outro...


De um encontro na escola


Rica filha:
- André, hoje vi-te a jogar matrecos!

Rico filho:
- Ya, eu ouvi-te a dizer que um dia vais casar com o Matías*. Nem precisei de olhar, vi logo que eras tu!

*Ver post anterior.


Fã




A rica filha é fã incondicional do Matías Fernandez, jogador de futebol do Sporting e da selecção do Chile. Sabe tudo sobre ele, quando não sabe pesquisa na internet. E entretanto acabou por aprender alguns factos históricos do Chile, até já tem feito boa figura na aula de História, não sem dizer à stora que sabe o que sabe devido às pesquisas que faz por causa do jogador, que a rapariga é para lá de sincera e não se coíbe de dizer as verdades.
Um dia perguntei-lhe se podia escrever no blogue acerca deste seu interesse desmesurado. Disse que sim e até indicou a imagem que o ilustra.

Nota: imagem retirada da internet.


Comandar




Macho que é, o rico filho adora fazer zapping e ter o comando à mão. Aliás, esta é uma prática comum entre os machos desta casa.

No provador





Rica filha: - Eu cá não gosto nada de folhos, mãe!

Mãe: - Ah, eu gosto.

Rica filha: - Eu não, eu não gosto nada de folhos, sabes...

Mãe: - Pois, mas eu adoro folhos e folharecos.

Rica filha: - Eu não!

Mãe: - Eu sim.



Falta


O rico filho faltou a um teste porque adormeceu.
Hum...
...
...
Ora bem, não inventou patranha nenhuma para se desculpar e foi rápido e conciso aquando da informação: ‘Mãe, eu faltei ao teste de História porque adormeci’. Aliás, na justificação escreveu à letra porque tinha faltado: ‘Adormeci’. Rápido e conciso novamente…
...
...
Nada mais a acrescentar.
...
...


Uma fotografia por dia que bem iria... (43)




Hoje foi um dia mixado: houve trabalho, convívio e mergulhos. Caso ainda não se saiba eu convivo com alguns clientes mas ao domingo é que ainda não tinha acontecido...
Na fotografia são flores que descansam na varanda da senhora com o mar em pano de fundo.

Oeiras, 23 de maio de 2010

Rock in Rio - Lisboa 2010









































Eu fui e gostei à farta!

Lisboa - Parque da Bela vista, 22 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (42)




Está um tórrido dia de primavera.
A esta hora, 10 da manhã, as papoilas ainda estão viçosas. Logo à tarde estarão murchas. Foi o que disse uma senhora que passou quando eu tirava as fotografias. E eu sei que é assim, todos os anos nascem papoilas aqui, disse-lhe eu.

Loures, 22 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A lista


Uma senhora pediu-me emprestada a lista telefónica e quando houve necessidade de apontar o número perguntou:
- A senhora quer ter a amabilidade de me arranjar um papelinho?

Hum, e se eu dissesse que não? É que na verdade eu até nem queria...


O preço


'Ah pois não é dado!' foi a resposta de um cliente depois de eu lhe fazer saber o preço de um artigo.
'Ah pois não é dado!' diz ele... Devia ser?!
Gostava de estudar a mente humana para descortinar certas coisas que ouço as pessoas dizerem. Era um gosto que eu tinha!


Grau


Tenho o grau de parvoíce cada vez mais elevado. Está no auge não tarda. Ainda hei-de rebentar com a escala.


Post com falta de título


O Sipipú é um gajo nada amigo da malta, nem sequer me mostra os dentes. Estou desejando que abale de cá.


...




Um dia fujo.


Local e data da fotografia: Lisboa - Avenida Almirante Reis, 10 de maio de 2010

Aquela pessoa


Há aquela mulher que foi à baixa e veio de metro para cima. Viajas frente a frente com ela e olha-la com curiosidade. Tem pousado no colo sacos de grandes casas, de lojas antigas. Lojas do tempo em que se chamava casas às grandes lojas. Nos sacos estão impressas as datas 1860 e 1923. Hum, casas muito antigas, sim...
O ar compenetrado que ela apresenta é o de uma mulher que quer ser uma senhora, olha para o chão com altivez. Olhar para o chão com altivez é um contra-senso porque olhar para o chão revela timidez, pensas. Tu achas que cada mulher é uma senhora e vice-versa, não compreendes este querer parecer. Já doutros quereres entendes tu.
«Din-don» soa a coluna de som do metro chamando à razão quem quiser sair na «Próxima Estação». A mulher/senhora/mulher levanta-se debaixo do mesmo olhar altivo, agora fita o vazio em frente. É que se aquela mulher/senhora/mulher não quer ir de encontro às coisas e arranjar nódoas negras é melhor levantar a cabeça, ao menos.
Saíu. Oh que pena, nada mais há de interessante para veres.


Surpresa!


A vida para mim é uma constante surpresa: não sei para que lado vou cair, não sei quando me livrarei disto e também nunca sei o que vou almoçar.
Há mais, eu agora é que não me lembro...


Uma fotografia por dia que bem iria... (41)




Há um certo tipo de solidão que se extingue com a aparição de um qualquer ser vivo. Aqui foi o que aconteceu muito embora o gato não saiba que me fez companhia. Olha-me num misto de curiosidade e espanto, parece-me.

Pinheiro de Loures, 9 de maio de 2010

Atraso


O que vou escrever de seguida só irá entender mesmo bem quem trabalhe numa loja de bairro como eu. De maneiras que vou dirigir-me aos meus colegas balconistas.

Sabes aquelas pessoas que têm montes de tempo, que a cada frase tua respondem logo 'ai deixe estar que eu tenho tempo'? São as que mais te empatam...

«Eh pá, é que é mesmo!»
É a resposta dos meus colegas, certamente. Os outros não terão tanta certeza, creio eu.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

O momento


O momento alto do dia foi aquele em que um mancebo me chamou senhora fantástica por existir cola epóxica nas minhas prateleiras prontinha a vender, ele que já tinha corrido tudo e não havia meio de encontrar.
Claro que eu preferiria ser chamada de fantástica por causa de outras coisas... Mas ok! Está-se bem na mesma.


O plano


O plano de austeridade apareceu para relembrar o salazarismo aos mais velhos. Por conseguinte estes farão saber aos mais novos como se vivia antigamente. No tempo deles, portanto. Toda a minha gente ficará acagaçada, porque segundo se consta vivia-se mal e com medo, e vão todos portar-se muito bem a ver se a gente se livra da austeridade, ai que horror. Depois viveremos, finalmente, num país sem crises. Fome e dívidas serão extintas. E outras coisas más também desaparecerão.
E o Sócrates passará a herói, estou agora a lembrar-me. Era giro...


Uma fototgrafia por dia que bem iria... (40)




Qualquer dia chove mas por ora andamos nisto: sol!

Ponte de Frielas, 19 de maio de 2010


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dias de um ginásio


Temos uma balança nova no balneário o que significa que o meu peso aumentou súbita e substancialmente devido ao curiosíssimo facto de que a antiga balança era uma querida e uma fofa e uma amiguinha das gentes nutridas em demasia.


Marcas


Os velhos são o grupo etário que mais atrai o meu olhar, talvez venha daí o facto de notar neles uma reciprocidade que não existe noutras idades. Os velhos têm sempre marcas profundas, boas ou más.
Sempre vejo e retrato a vida cruamente, nem sequer consigo escrever de outra forma que não seja esta. Se as marcas são boas ou más, não interessa. É a vida, é sempre a vida que faz as marcas. A vida, marcando visivelmente as pessoas, torna fácil o reparo que habitulamente lhes faço.

Nota:
Neste post, noutros já publicados e noutros que talvez venham a existir, escrevo velho no sentido literal da palavra, a minha ideia não é desprezar a velhice. Velho(a) é uma pessoa de idade avançada, só e simplesmente isso.


Entretanto


Por escrever o post anterior percebi que não devo comer alho para não piorar a visão da dona Adelina dos bolos e da mulher que vende caracóis na praça.


Alho


Pus-me a pensar que se a dona Adelina dos bolos e a mulher que vende caracóis na praça soubessem que eu como um alho cru partido aos bocadinhos todas as manhãs iam deixar de me ver com tão bons olhos.


Balcão


Falava-se de atendimento ao balcão, isto em termos das diferenças entre as diversas etnias, quando de repente e com convicção ela diz:
- Os pretos são tão fáceis de atender!
E eu, tão pronta como ela:
- Isso é porque nunca te apareceu um com umas narinas deste tamanho - faço um círculo com o polegar e o indicador - cheias de macacos toda à volta e com mais trinta centímetros que tu, para apreciares bem o espectáculo!


Fumo num filme


Por causa do fumo do post anterior lembrei-me de uma cena do filme 'Kiss me'que vi há tempos cuja fala é:

«Quando não souberes o que hás-de dizer a um homem, olha-o fixamente nos olhos e depois... Sopras-lhe o fumo para a cara. E isso, na cabeça dele, há-de querer dizer qualquer coisa. Mesmo que na tua cabeça só te queira dizer que lhe estás a baralhar completamente os cornos...»


Fumo


O homem do tambor descai um pouco a cada dia. Lá estava ele sentado à mesa de uma esplanada, as mãos ocupadas com o copo de vinho, o cigarro e a bengala, o olhar fitando o nada.
Calhou ele estar no meio de uma conversa entre mim e a rapariga da porta ao lado. Ela fumava e queixava-se do frio e veio-me à cabeça perguntar-lhe se o cigarro não a aquecia. O homem do tambor meteu-se e diz numa voz rouca pelos anos de fumo:
- A mim não me aquece nem me arrefece!
Inclui-o na conversa, eu que sou uma boa alma, e para prolongar o debate perguntei-lhe se lhe sabe sempre bem o fumo e aquela coisa toda que o fumar envolve.
- É fumadora?
- Não.
Ante a minha resposta o bicho remata com desdém:
- Então fume e assim fica a saber!
OK, homem do tambor, queres matar a conversa à nascença porque és parvo. O que eu agora devia fazer era pedir à rapariga da porta ao lado para te mandar o fumo direito às ventas!


Diferença


Hoje aprendi que quinze minutos e um quarto de hora não é bem, bem a mesma coisa.


terça-feira, 18 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A cabeça


A cabeça humana tem defeito, decididamente. Se fosse eu a criadora das cabeças humanas hoje andaria arrependidíssima de não ter usado de maior empenho e esmero.
É assim: há um dia na minha vida que é passado no modo mais espectacular, em deleites desmesurados porque a felicidade é imensa. Falo, cativo, ouço e, surpresa das surpresas, obtenho atenção e resposta. No dia seguinte tudo desmorona, como se o que se passou no dia anterior não prestasse e me atirasse para o buraco negro, no lugar mais fundo que este tem.
Está mal, não tem de ser assim! Porque raio é que não me contento, porque não deixo que a ideia de ter passado um dia bom me sustente lá em cima, no lugar onde ontem eu estava?! Porque me sinto culpada por estar feliz, qual é a lógica?! Defeito de fabrico, claro. Só pode. As cabeças humanas estão mal programadas. Se eu pudesse fazer uma cabeça, fá-la-ia sem defeitos, garanto.


Certeza


Ontem disseram-me que tenho alma de escritora. Concordei plena e destemidamente. Deixei de lado a ideia de que sou - só - escrevente para não exaltar as minhas capacidades, e abracei a ideia de que realmente - até - sei que sou escritora.
Depois a pessoa quis justificar-se:
- Sabes porquê?
Fiquei expectante. Ela continuou:
- Porque eu tenho a certeza que todas as pessoas presentes te veêm aqui sentada e ninguém faz ideia daquilo que tu és nem do que és capaz de escrever.
Por outras palavras ela queria dizer que sou muito observadora e que me escondo atrás para ninguém reparar no que vejo, imagino. Voltei a concordar com a ideia justificada, foi um miminho em que me deleitei demoradamente. Eu também sei que sou assim e gosto de ser assim. Se bem que esta coisa da invisibilidade nem sempre é por mim apetecida ou agradável, às vezes o que eu queria era agitar tudo e todos e fazer-me notada. Adiante, apesar de tudo.
Ontem foi bom mas hoje... Hoje é daqueles dias em que me questiono se andarei aqui a fazer alguma coisa de valor porque tenho sentido acentuar-se uma certeza: não sei nada sobre escrever.


Em português


Ao longo do meu tempo de escrita instituí o meu próprio acordo ortográfico. Aos poucos tenho abdicado das palavras escritas em inglês e adapto-as ao português. Às vezes até deixo de lado o itálico e as aspas porque sinto que devo tomar a liberdade, ainda que ilusória, de escrever como me apraz ao momento.
Falta a palavra post... O post escrito à letra fica qualquer coisa como poueste ou, mais elaborado, pouesse-te. Hum, parece um verbo. Não fica nada bem...


Jogar


- Bem, este rapaz vai pôr o Euromilhões! - Diz o senhor Rodrigues debaixo da sua firmeza habitual. É que é preciso muita firmeza para se chamar de rapaz quando se deixou de o ser há largas décadas, como é o caso.
Dou por mim a perguntar:
- Porque é que joga, senhor Rodrigues?
Ele faz aquele ar algo cómico, levanta o sobrolho direito formando um arco muito pronunciado e detém-se por escassos segundos. Depois, numa tentativa deliberada de me espicaçar, investe:
- Dá-me uma razão para não jogar.
O sobrolho arqueado, imóvel. Eu que sou muitas vezes lenta nas respostas mas também sou, e talvez na mesma medida, espontânea, prossigo:
- A sua idade avançada e o facto de não precisar de dinheiro.
Dei-lhe duas razões válidas que ele aceitou rapidamente. Rapidamente demais para o seu costume.
- Sabes, filha... Jogo porque sim... - O sobrolho descontraiu e a expressão assumiu tristeza e solidão. Compreendi que jogar para ele é só uma maneira de gastar o tempo com qualquer coisa que o faça esquecer as agruras da vida.
- O senhor joga porque gosta da expectativa, não é?
- É... - Suspirou ele.
Talvez eu esteja mais atenta que o costume mas o facto é que noto o senhor Rodrigues um tudo-nada diferente, menos reivindicativo e bem mais acessível. Isto a mim dá muito que pensar...


?!


Acho muito estranho que um brasileiro me venha perguntar se sei onde fica a papelaria Rio de Janeiro. Acho muito estranho mesmo...


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Qual é a sua graça?


A dona Palmira sai do escritório em seu passo rápido mas curtinho.
- Chamei-lhe Palmira porque acho que ela tem mesmo cara de Palmira. Achas que lhe fica bem?
- Hum, não sei... - Diz ele indeciso.
- 'Bora perguntar-lhe como se chama?
- ...?
Fiquei envergonhada com o ar expectante dele:
- Pergunta tu.
- Não, pergunta tu. Tu é que queres saber como se chama, ora!
Entretanto a dona Palmira alcançou o sítio onde nos encontrávamos. Lancei-me:
- Estávamos aqui a pensar que não sabemos o seu nome...
Ela estaca, algo atónita.
- Qual é a sua graça? - Prossigo eu contente com a reacção que provoquei e já esquecida da vergonha.
Sem desmanchar a surpresa que tinha estampada no rosto, diz:
- Isabel...

E agora: será que a dona Palmira se chama Isabel? Mistério...


Aquela pessoa


Há aquela senhora com um ar incrivelmente hispânico, de andaluza, vá, que assim de repente parece-te que só lhe falta as castanholas que os folharecos já existem em certos dias. Outros dirão que é cigana mas tu acha-la andaluza e pronto.
Gostavas de ser como ela. Até podia ser com essa cara, esses olhos, esse corpo. Mas ser como ela, que passeia sem pressa, passeia de cabeça erguida. Tu não, tu olhas para o chão. Não tens vergonha das pessoas, tens é vergonha de ti.


Uma fotografia por dia quie bem iria... (39)





Gostava de distribuir correspondência, de ser carteira. Gosto da liberdade de andar na rua. Gosto de andar a pé. Gosto de saber o nome das ruas, avenidas, praças, lotes. Gosto de ver muita gente sem me misturar. Gosto de focar os pontos de interesse nas gentes. Gosto de andar a pé... Ah, já disse!

Lisboa, 13 de maio de 2010


Dias de um ginásio


Diz que este ano já faz 50, olaré! Que está muito bem, que há muita gente com metade da idade e um terço do ginete, ou nenhum pobrezitos disto já não há, que faz e acontece porque ainda tem muito vigor, que vai para aqui e para ali e está sempre pronta e faz tudo bem-disposta e afins. Qualquer pontinha de conversa e lá está ela, ah pois que este ano já faço 50!
Porra! Raios partam a mulher, pá!


Eles e elas


Conheço-a há muitos anos, diz-se que é fufa. Se julgar pela aparência ela quer ser um deles, pelo menos. É monitora ou coisa assim de meninos em idade pré-escolar.
Noutro dia observei-a num jardim trabalhando a brincar, ou brincando a trabalhar, com um grupo de crianças. Efectivamente, nota-se-lhe um grande à-vontade com elas mas isso não é nada que eu já não soubesse, já lhe tenho vendido coisas que ela de repente vê e leva para os meninos, vejo o carinho com que o faz. A mulher é fufa, é o que aparenta, mas é capaz de sentimentos maternais. Maternais ou paternais?! Bem, adiante.
Hoje ainda não tenho a certeza se concorde ou não com possibilidade de os casais homossexuais adoptarem crianças órfãs e/ou maltratadas. Não sei.
Se a probabilidade de os filhos saírem aos pais é forte, se os filhos de bandidos em bandidos dão, se as filhas das putas em putas dão, então deixem-se de merdas porque o mais é certo é as crianças adoptadas e educadas por fufas e paneleiros em paneleiros e fufas darem...
O mundo está tão baralhado, já não se sabe onde mora o bem e qual o mal que havemos de deixar de lado, que qualquer dia quem está 'fora do sítio' são os casais e as famílias ditas normais. Uma família assim como a minha: homem, mulher, filhos, cão, gato, periquito, tartaruga, casa e recheio, carro para a gente passear...
Mas não, não concordo com isso da adopção. Faz-me muita impressãozinha.


Usando o mesmo argumento do post anterior:


Também não conheço ninguém que confesse ter votado no Sócrates e toda a gente diz mal do bicho. Mas ele foi eleito, caraças!


Visita papal (3)


Dá-me a ideia que conheço muita gente, que vou na rua e digos dúzias de bons-dias, boas-tardes, olás e tudo-bens, que conheço tanta, mas tanta gente, que não me deixam andar na rua sossegada. E afinal não conheço ninguém que tenha ido ver o Papa!


De bruços


O senhor doutor notou-me pioras e ficou confuso. De seguida disse-me que ia ter que se debruçar sobre o meu organismo.
Ora bem... Eu assenti, é o remédio!


Almofadas


Um dia alguém se lembrou de fabricar tampos de sanita almofadados e ao que parece fez um grande sucesso.


Traseira


Há qualquer coisa na minha parte de trás facilmente reconhecível, voltaram a identificar-me pela traseira. Não sei se ache piada a isto...


Questão


Primeiro que nada queria saber se já alguém desligou o computador querendo ligar a impressora para que eu não me sinta sozinha. Andava eu aqui de roda das minhas internetes, janelas abertas, música a tocar e tudo, precisei da impressora e toca de desligar o computador...

Então, sim ou não?


Escrever


Contrariamente ao que pensava não sou uma criadora. Reinvento a realidade, é mais isso.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Olhares


Devo ter ar de professora. Noto um olhar desafiante nas meninas do secundário. Só nas meninas, sim, que isto é coisa de fêmea.
Não sei o porquê do desafio, ou até sei: não me conhecem, não sabem de onde venho, o que sou. Se soubessem e se eu fosse stora, os meus alunos adorar-me-iam, tenho a certeza. E também me admirariam, sou gente boa. Gente daquela moldável às faixas etárias e às situações. Moldável em muito.
Tenho a profissão errada, cada vez tenho esta certeza mais vincada.
Ou então não é nada disto. Eu tenho é um ar marcadamente materno e as meninas vêem as mães em mim. Devem achar que vou ralhar com elas por andarem a fumar e a fazer banzé pelas ruas.
Um dia vão deixar-se destes olhares, quando forem elas as olhadas ao desafio.


Aquela pessoa


Há aquele homem que vende antiguidades. Sim, o mesmo que foi falado no post anterior desta nova leva de posts que criei.
O homem lava o chão da loja a um quarto para as três da tarde e tu mira-lo da montra. Ficas ali tanto tempo a ver os galos que os esqueces por momentos para ver o homem trabalhar. A esfregona deixou de o ser e não há balde. A esfregona deixou de ser esfregona porque não tem cabelagem, ou porque se gastou com os anos, ou porque o homem a cortou rente ficando um coto com que ele esfrega o chão lentamente, cantinho a cantinho. Depois refastela-se na cadeira, cansado de esfregar. E nos minutos que se seguem passa pelas brasas.
O homem é velho e tem a loja à venda. De uma maneira ou de outra, irás deixar de o ver em breve.


Na cadeira laranja


Adoro estar aqui, o lugar de espectador é o melhor que há.
Daqui vejo uma senhora observando-se no espelho, analisando os modelitos que está a provar. Dá voltas e mais voltas, mira-se e remira-se. Também faz trejeitos e encolhe a barriga quando se olha de lado. É uma coisa que as mulheres têm, isto de encolherem a barriga quando se viram de lado para o espelho. A figura fica ilusória. Mesmo ilusória.


Chegada


Ela veio dos EUA para me atazanar a cachimónia, só pode. Que quer uma pá do lixo cor de tijolo. Que quer um caixote do lixo que se chama limpinho. Que quer um produto qualquer que se vende nos EUA e em toda a Europa menos em Portugal.
Aparentemente ela governa-se bem melhor lá. Que volte!


A Natureza


O passarinho ensaiou o seu primeiro voo e entrou na loja. Fraquinho, por ali se ficou. De vez em quando piava, perdido e aflito.
Umas horas depois chegou outro passarinho. Era a mãe, notou-se porque saltitava a cada piar do filhote, ansiosa por encontrá-lo. O passarinho tanto piou que foi encontrado! Abriu imediatamente o bico, tinha fome. Não parecia querer acompanhar a mãe, abria o bico insistentemente. A mãe voou porta fora. Sei que foi buscar comida porque voltou, deu de comer ao filhote e depois desapareceram os dois, cheios da mais terna felicidade.


Visita papal (2)


Os autocarros da Carris andam com bandeirinhas no tejadilho anunciando a visita papal que agora decorre. Daqui a poucos dias os mesmos autocarros ostentarão as bandeiras de Portugal para lembrar um acontecimento igualmente grandioso que irá decorrer, arrisco-me até a dizer que é uma religião diferente: o campeonato do mundo de futebol.


Visita papal (1)


Grande introdução

Para não estar sempre a falar de mim vou falar do Papa. Ah pois, que este blogue não serena perante um acontecimento tão grandioso.

Pequeno post

Tenho uma dúvida: o Papa não estará já farto de tanto português aos berros de roda dele?


41





Ainda na cena do 41 e numa de apresentar a outra foto que tinha tirado para ilustrar o post anterior, venho dizer que há mais uma curiosidade disto de estar entrada nos entas. É que agora, não sei porquê, dizem-me frequentemente que tenho muito boa aparência, que sou muito gira e mais não sei quê.
Que me lembre, quando era nova ninguém me lançava tamanhos elogios. Noutro dia até fui cumprimentada por um cavalheiro com dois beijinhos porque, disse ele, não perderia por nada a oportunidade de cumprimentar uma mulher bonita...

Sim, o meu homem estava junto a mim ao momento.


terça-feira, 11 de maio de 2010

41




Já tenho idade para muitas coisas. Para ter juízo, por exemplo. Mas não é de neurónios que quero escrever.
Não se é pão nem bolo nesta idade, não sou velha mas já não possuo viço.
Agora tenho idade para me chamarem 'velha' ou dizerem 'ainda é nova'.
Também tenho idade para me chamarem 'menina' e 'minha senhora', menina Gina ou então Dona Gina.
Há qualquer coisa de equilíbrio nesta minha idade, de meio-termo, de saber sem ter a certeza.


Aquela pessoa


Há aquele homem que vende antiguidades. Na montra tem galos de Barcelos com campainha, daqueles de chamar a criada.
Há muito tempo que tu queres um galo de Barcelos, e uma criada também já agora, mas concentras-te no galo e ficas ali a vê-lo como se isso fizesse com que o galo te viesse parar às mãos. Há umas ondas positivas que fazem as coisas acontecer, ouviste dizer... Mas chateias-te e deixas de pensar nisso. Se queres o galo é comprá-lo! Sem criada, claro.


Andar, andar












Dei um passeio enorme em Lisboa. Atravessei uma avenida no Campo Grande numa daquelas passagens aéreas e dei com isto nos muros. Vive, ama e sorri. É a fórmula da felicidade.


Melhoria


Isto sempre está melhor, agora já pouso o pensamento no tens de ir. Antes o não quero ir preenchia-me totalmente.
Um dia fico bem. E boa também.


USB


- Então quer dizer que tu andas sempre com uma pen na carteira? - Pergunta o Clóvis debaixo de grande espanto.
- É verdade. - Respondo eu - E não tenho nenhuma entrada USB...


Merda


Eu bem digo que a vida é uma merda. É só o que se ouve!

Despacha-te lá com essa merda, queres ver que eu tenho que partir esta merda, que é essa merda, oh que grande merda.

Continuando sem fugir à temática, a minha vida é uma merda porque tenho a merda de um trabalho que me prende e atrofia. E porque a minha vida é geralmente uma merda criei este post para avacalhar o assunto e sentir alívio. Bem ou mal, é assim que a coisa funciona: despejam-se frustrações num blogue porque ele está sempre aqui prontinho a ouvir.
E agora o melhor que tenho a fazer é deixar-me de merdas e escrever mais posts de merda, outros com algum decoro, outros com muito, outros com uma pinta do caraças.



A fotografia no meio é para contrabalançar com o escrito acima dela. Fica aqui mesmo bem! Para já porque a fotografia é fantástica e depois porque sou uma alma sensata e equilibrada, hábil o suficiente para saber dar uma no cravo e outra na ferradurra e capaz de grandes feitos como este terminus originalíssimo.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Messenger


Noutro dia falei com uma familiar via Messenger. Ela contou-me que joga no farmeville e que é muito giro e muito bom. E é tanto, tanto que me encorajou a jogar. Desculpei-me dizendo que não tenho lá muita paciência para jogos e pensei que o tempo que gasto na internet é basicamente tratando dos meus blogues e lendo os de outros bloggers. De repente fiquei desejosa que ela não me perguntasse com que me entretenho na internet.
É disto que não gosto no facto de ser escritora de blogues. Dificilmente se consegue manter um blogue fiel à personalidade se a maioria dos leitores fizerem parte da família ou do círculo de amigos. Falo por mim, claro, e falo pela experiência que tenho disto, mas creio firmemente que blogue que é blogue é para ser lido por quem não nos conhece.


Aquela pessoa


Há aquele homem que está dentro de um quiosque a vender gelados. O quiosque ostenta imagens de como era aquela zona lisboeta nos anos 60 e tu abrandas o passo para ver melhor. Curiosa, quase páras. Depois ouves o homem fazer psst mas tu continuas o teu caminho. A seguir cresce-te uma vontade de voltar atrás e perguntar 'Olhe, tem gelados?'. Mal ele respondesse que 'Sim' tu dizias-lhe 'Obrigada, era só para saber'.


A nuvem





Tem andado por aí uma nuvem fantástica. Fantástica no sentido de suscitar o interesse geral e fazer falar as pessoas ou então não. Uns ficam alarmados com os pós da nuvem e acham que o tempo andar assim todo maluco - frio, vento e chuva em demasia para esta altura do ano - é por culpa dela. Outros, cépticos, nem sequer reparam no tempo nem nos pós nem em nada. Não lhes apetece e tal, credo que coisa tão parva isso da nuvem. Na verdade, estes desdenham dos primeiros. E depois sou e estou eu: não querendo saber da nuvem nem da opinião geral, é com estas coisinhas (des)interessantes que me delicio.


Memória (2)


Ontem dei um passeio solitário pela minha terra e tirei algumas fotografias. Eis uma delas, abaixo. Retrata um pedaço de terra onde brinquei algumas vezes e me aconteceu um incidente aflitivo com trevo forrageiro.



Conto o incidente neste endereço:

http://verdeagua2.blogspot.com/2008/06/e-antes-da-despedida-formal-da.html

Os leitores que me desculpem o modo elementar como apresento o linque mas é que ultimamente este blogue não se quer com linques apresentáveis.



Memória (1)




É o terceiro ano consecutivo que chegada a primavera me lembro de brincadeiras que tinha com as plantas e as flores.
A planta que aparece na fotografia também tem história na minha infância mas não na primavera, porque na primavera apresenta-se ainda verde. Esta é uma planta que no fim do verão aparece por aí totalmente seca. Pois bem, quando eu encontrava destas coisinhas já secas abri-as e lá dentro encontrava uma sementinha que trincava... Com gosto e vontade, segundo me lembro.


O clube




Ontem, o presidente do clube onde joga o rico filho discursou sobre a época que termina no domingo que vem. Salientou os factos que achou importantes e fez os devidos agradecimentos. Em certa altura revelou que lhe morreu um filho adolescente há uns anos e emocionou-se. Quando recuperou a fala comentou connosco que um dos maiores prazeres que o cargo lhe proporciona é o facto de estar a formar homens, uma vez que o seu filho não chegou à idade adulta.
Não consigo, ou sequer quero, imaginar a dor de perder um filho. Mas fiquei contente, o meu filho contribui para a alegria de quem sabe o tamanho dessa dor. E desanuvia essa dor, inclusive. Esta é uma boa partilha.


Tenho fome!




A rica filha gosta de azedas. Gosta ainda mais das do Pinheiro de Loures. Enquanto víamos o jogo do mano, anunciou que tinha fome e toca de comer azedas que, segundo ela, são gordas e mesmo boas para matar a fome.


domingo, 9 de maio de 2010

Uma fotografia por dia que bem iria... (38)




Olha o colesterol!
Enfim, sempre hão-se os piores alimentos os que melhor sabem...

Pinheiro de Loures, 9 de maio de 2010

Sem reacção


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Hum... Cheira-me que esta miniaplicação do senhor Blogspot não é para mim.

sábado, 8 de maio de 2010

Diário


Acordei sozinha. Não sendo comum fez-me impressão. Andei baralhada e atarefada à mesma como em qualquer sábado. Fiz um arroz-doce um bocado estranho, até me esqueci de lhe pôr as gemas... Depois fui às compras. É sempre a mesma coisa, a gente carrega para casa e depois carrega para o lixo o que excede.
Terei feito ou pensado algo interessante hoje? Interessará a alguém o grande feito que hoje alcancei lavando e estendendo uns 50 quilos de roupa? E que lavei e arrumei uns 20 kg de louça, para aí, interessará? Então e os metros cúbicos de pó que eliminei da minha casa, terá interesse? Não creio.
Hoje foi um dia e pronto. Sem fotos, sem posts, cheio mas tão normal que o sinto vazio.
Queria ter feito e visto coisas bonitas para escrever coisas bonitas. Não estou aborrecida por isso. Sei que as coisas bonitas e o escrever coisas bonitas virão. E que parecerão bem mais bonitas se houver dias destes assim.