quarta-feira, 4 de julho de 2012

Parafusos

Fui comprar miolo de noz à loja do senhor Adeodato. Estava lá um senhor fazendo uma espécie de visita, às vezes há pessoas que curtem estar nos espaços comerciais, em particular aqueles que nada têm para fazer, como é o caso deste andante. Conhecemo-nos mutuamente de sobeja. Ao depois do meu singelo pedido, o homem diz, um pouco como que a fazer-se de engraçado:
– Ó Adeodato, aqui não vendes parafusos, pois não?
Respondo sem pensar que a pergunta não é para mim:
– Não. Mas miolo de nozes vende!

Eu vendo parafusos, é o que é.
Há pessoas que se julgam engraçadas, é o que é.

Post Scriptum


 Gracioso recado deixado aos leitores que esbarrem neste post, pois o mesmo deixou de existir na sua forma original.


Caro leitor, simples curioso, viajante casual: daqui te saúdo.

Este post já não é o que era, não. Se chegaste aqui vindo do blogue 'Fábrica de Letras' porque gostaste do título da minha participação sobre o tema 'Metamorfose', tenho a dizer-te que escolheste a altura errada, esse texto agora figura num livro de pequenos contos intitulado 'Corda Bamba', editado pela Pastelaria Studios Editora. Podes comprá-lo, se quiseres. Caso queiras, deixa mensagem. Desculpa lá qualquer coisinha mas obrigadinha na mesma.

Nota: post acerca d' A minha historinha



terça-feira, 3 de julho de 2012

Papel Cavalinho

Lá vem ela outra vez, desta feita com uma pintura na mão. Quer oferecer-ma. Eu havia elogiado uma vez mais o desenho das túlipas e ela veio-mo trazer, alegre como só ela sabe estar. Senti-me um bocado culpada, dei lugar àquela mesquinhez de quando a gente transforma os bons intentos em ruindades, o meu medo era que com o elogio pejado de efusividade que fiz ao seu desenho, ela pensasse que eu queria era a oferta do mesmo. Diz de rajada que não senhora, ora essa, deixe lá esse pensamento, eu sei que a Gina não me estava a pedir nada.
Agora tenho uma pintura a óleo num pedaço de papel cavalinho a caminho duma das paredes da minha casa.
A vida é boa, escrever é bom. Escrever enaltece certos sentimentos, conhecem-se pessoas, vivem-se momentos prazerosos. O difícil é a gente receber amabilidades e simpatias doutras pessoas se não nos dermos a essas pessoas, apenas recebemos depois de darmos. Dar para receber... Este é um dos melhores ensinamentos que o ato de escrever me trouxe.

Amizade

Não tenho amigas, é uma realidade. Tenho amigos, o que nem sempre é real ou sentido na minha vida.
Não sei aproveitar as amizades. (Não vou desenvolver esta parte, é aborrecida e faz-me sofrer.)
Os amigos não são sempre amigos. Não há amigo nenhum que tenha (sempre) a paciência necessária para ouvir uma mulher com ares de mãe perguntando coisinhas com pouco espaço de tempo entre perguntas.
Porém, nos últimos dias tenho sentido os amigos mais próximos, é uma questão de os aproveitar...

Curius

É Curius, a partir de hoje chamarei este nome ao jovem particularmente curioso.

Curius diz que não gosta da foto de apresentação - ou de perfil, ou como chamam àquilo – que tenho na minha página do Fuçasbuque. Diz que estou muito séria, que tenho expressões mais giras. Pergunto-lhe sem rodeios se não estou bem assim. Imita-me a postura e responde - sem rodeios - que não, não gosta.
Mas que raio pá, então a gente tem de andar sempre de ventas arreganhadas a fingir felicidade, é?! Ora…



P.S.
Até nem estou assim tão séria, pois não?!


Poemas?!

Até hoje, dentre todas as vezes que o meu gosto pela escrita veio à baila nas conversas que mantenho com algumas pessoas, que não são muitas vezes, acrescento, a principal questão é:

«Escreves o quê? Poemas?»

E eu que estou sempre tão longe da poesia...

Indo ela

Vai ali uma lésbica de mamas a abanar, sem sutiã. As lésbicas são maioritariamente feministas, há uma onda muito forte entre elas no sentido de lutarem pelo direito à igualdade dos sexos, o que me desorienta. Isso de andar sem sutiã é mais uma causa rebelde que outra coisa. Mas lá que não as entendo, ah isso não.

Tenho de escrever assim, diretamente, sem medos. Tenho de dizer que é uma lésbica. Tenho de dizer que não tem sutiã. Tenho de dizer... O que não sei, cheia de saber. com uma certeza e uma calma que não possuo.
Dificilmente terá interesse alguém escrever saltitando entre opiniões.

Piropo

Ouvi (recebi?!) um piropo em indiano, algo ali entre o meu 'oh céus!' (tão marcadamente feminino, bem sei) mas em macho e indiano.
Não se entende nada...?
Ora bem:
O homem exclamou um pedido de socorro a uma entidade espiritual, assim como que muito devotadamente, na sua língua materna, que por um mero acaso não coincidade com a minha, quando vislumbrou a beleza estonteante desta que escreve.
Como é que eu sei tudo isto...?
Ora bem...
Dentre vários dotes, tenho um que se destaca particularmente: o de entender entoações e linguagem corporal. Subliminares, portanto. Sou muito boa nisso.

Real

Se contar a realidade dos meus dias, se não os ficcionar, não se entenderão as minhas atitudes, sequer se concordará.
(Sim senhora, fizeste bem, é assim mesmo)
Não.
(Ah, eu acho que não era preciso aquilo tudo, coitada da senhora. Bolas, tu...)

Nota: post acerca d' A minha historinha

O vendedor

Esteve cá o senhor António. Vinha outra vez algo cabisbaixo, deve andar cansado de calcorrear a cidade e vender poucochinho. Ou mesmo nada.
Ao momento da sua aparição eu atendia um outro vendedor, desfolhava um catálogo grossíssimo, logo, despachar-me-ia daí a muitos minutos. É prática comum entre esta malta dos catálogos não se manterem no mesmo espaço, com o mesmo cliente, ao mesmo tempo, é uma questão de ética profissional, creio. Mas o senhor António ficou ali, fazendo pouco caso da ética. Este é daqueles que gosta realmente de aqui estar. Eu sei que já escrevi isto algures no blogue. Às vezes digo-lhe isso de ele gostar mesmo de estar aqui, não me desmente e sorri-me de volta. Tem um sorriso triste, ultimamente.

Indumentária de aniversariante

Combinar saia
fluorescente
fosforescente
com t-shirt
blusinha
patxau!

Lembrança

Estive num lugar onde vi a cara de um homem que me lembrou imediatamente alguém. Ora, eu sou boa de caras, mas devido ao balcão e suas inerências já não sou tão boa como dantes, de maneiras que a minha cabeça deu voltas e voltas pesquisando na memória donde raio eu conhecia aquela aparência. Era uma cara forte, decidida, peculiar. Isto da peculiaridade já não estou tão certa, que as pessoas para mim são todas especiais, mas lá que fazia lembrar alguém e com quem eu tinha a certeza de já ter lidado ao menos uma vez, ah isso tinha!
No dia seguinte acordei com um mau jeito que dei às costas, mal me conseguia virar na cama, tive de me levantar que não tinha condições de estar deitada em posição nenhuma. Vai daí... Lembrei-me de onde conhecia o homem, ah pois! É favor clicar aqui.

Corte e lavagem

Vai haver um dia na tua vida em que tens de ir cortar as guedelhas, pois o cabelo cair-te-á para os olhos, e o pior nem é isso, é que ficará muito seco nas pontas. Deslocas-te ao cabeleireiro na esperança de que a tua aparência melhore e que, por indução ou isso, a tua vida também fique maravilhosa.
Chegado o grande dia, ficas linda. E a tua vida também, claro que sim.
Depois, vem outro dia, aquele em que tens de desmanchar todo o aparato capilar que um par de mãos habilidosas produziu nos teus cabelos. Esse dia chegou. Oh... Quanto lamentas!
Olhas-te ao espelho e perguntas: mas que merda de penteado é este?

O cão

Entrou um cão por aqui adentro. Num lugar público entra toda a espécie de gente... E cães também. Ficou a olhar-me, num ar tão complacente que me baixei instintivamente para lhe fazer umas festinhas no pelo. Estacou, cheio de prazer. Continuei, cheia de amor. Hum, amor não, algo assim que venha do carinho, eu estava era carinhosa.
O cão continuou em pé, eu continuei as carícias no pelo, completamente enternecida pelo prazer que o bicho demonstrava.
O dono chegou e ralhou com ele. Não me disse nada, só ralhou com o cão, não tinha nada de ter entrado ali, chamou-lhe 'cão estúpido'. Custou-me tanto...
Não é nada, este cão não é nada disso, um cão estúpido é o parvalhão que está no pátio e me ladra sem razão. Esse é que é estúpido.

Diz que os animais conhecem as pessoas, não se deixam enganar, nunca são submissos com pessoas cheias de falsidade ou malvadez. Eu não posso concordar com esta ideia, há animais que me adoram e outros nem por isso.

Lembrete

Não esquecer de levar para casa 'aquela cena' para limpar os ténis. Pedido do rico filho.

O penteado

Ia subindo a avenida, em direção ao homem dos meus sonhos... Que dizer de um congénere masculino que me põe gira?! (leia-se cabeleireiro macho, simpático, afável e atencioso)
Ora bem, ia andando e discutindo interiormente comigo mesma:
'Gina Maria, agora quando lá chegares já sabes, nada de te pores a dizer que aquela vestimenta estranha que ele te põe por cima te faz lembrar as batas das parturientes, ouviste?'
Já se está a ver, né? É claro que foi isso mesmo o que eu comentei, é o costume, é tão costumeiro que já nem tem graça.

Havia personagens engraçadas no salão.

Um homem com ar de machão moderno, ia arranjar os pés. Mantinha uma conversa de motas com o Mimi (o meu cabeleireiro), que este tinha feito mal em vender a sua, que agora quando lhe sair o euro milhões é que ele vai ver e coiso. Ainda falaram de futebol e do Cristiano Ronaldo. Tinha uma voz poderosa mas brincalhona, não lhe vi as feições, não podia virar a cabeça senão o Mimi ainda me cortava as madeixas erradamente. Pus-me a imaginar como seria a cara dele... Tinha de ter bigode, pu-lo com bigode na minha imaginação, um bigode farfalhudo. Fica sempre bem num machão, mesmo nos machões com queda para a brincadeira.

Uma mulher via revistas cor-de-rosa, comentando tudo e todos, opinando, evidenciando os seus pontos de vista. Que esta é gira, aquela é muito bonita, ai que vestido tão lindo. Que este homem é o máximo, aquele é gordo e baixinho, credo, que horror, ela detesta homens assim, não tem nada contra os gordos e baixinhos, simplesmente não faz o seu género.

Deu-me uma vontade imensa de rir, o Mimi não é gordo, nem por sombras, mas é baixinho. Não tive como fazer esta observação de modo a que só ele ouvisse, o que lamento. Seria qualquer coisa como: ó Mimi, hã, que alívio para si, ela não gosta dos pequenininhos...

Depois o arranjo capilar continuou. A tesoura findou o seu trabalho, o pincel lançou mãos à obra. Tempo de espera, aqui ia adormecendo, que nesse dia tinha um sono do caraças. Hora de suavizar, para meu horror voltei a perguntar 'isso quer dizer que é para me levantar daqui?' Finalmente fiquei pronta. E gira, pois.





Infância

As crianças são duma leveza espantosa. Há dias estive com um menino de uns cinco anos, senti-me bem, desanuviada, a sinceridade infantil agrada-me.
Eu tinha ido com o meu colega fazer um trabalho a casa duns clientes já fora d' horas, e o menino era filho deles. Ficou super interessado nas ferramentas, no mecanismo da fechadura, em todas as peças soltas que haviam de ser montadas nos seus lugares. Daí não advém surpresa, bem sei, as crianças são muito curiosas, na verdade até os adultos são...
Eu estava quieta, a um canto, nestas 'saídas' é este o meu papel, quando muito, a pedido do meu colega, coloco-lhe nas mãos uma ferramenta ou outra, uns parafusos ou um espelhinho, seguro aqui ou ali. A dada altura o petiz olha para mim muito sério, como se ainda não houvesse reparado na minha presença ali.
– O que é que a senhora está aqui a fazer?
Respondi com um toque de fantasia:
– Estou à espera da minha boleia...
– É ajudante dele?
– Não, só que tenho de vir com ele, para ir para casa preciso da boleia dele.
– Ah, então a senhora não tem carro?
– Tenho.
– ?!
– O meu carro é o mesmo que o dele, nós moramos juntos.
Largou-me. Não lhe interessou. Imagino que uma caixa cheia de peças metálicas dos mais diversos formatos seja muito mais apelativa que uma adulta sem grande conversa, pois logo a seguir dirigiu-se ao meu colega com um raciocínio e um palvreado invulgares para a idade:
– Tu vais utilizar estas peças todas?






Local e data das fotos:

Lisboa . Campo de Santa Clara, 29 de junho de 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Saudosa

Tenho saudades de escrever. Do meu tom, do meu estilo. Por um lado sinto ímpetos de registar tudo quanto é concernente ao meu conto, ao lançamento, possuo em extremo a ânsia de partilhar, por outro lado está a fazer-me muita falta escrever noutro contexto.

Valha-me o lugar da musa!

...

Não valeu. Hoje não há mais nada.

Ricos filhos

Lisboa, 30 de junho de 2012


Hum, é só mais uma coisita da minha historinha, ok? Mais concretamente acerca do lançamento da obra. Uma coisita, não, várias coisitas mas todas com os ricos filhos em papel principal.

O rico filho disse aos amigos que ia a uma ‘cena’ da mãe.

A rica filha comenta com o mano que íamos àquele lugar creepy.

Para eles aquele lugar ('Fábrica do Braço de Prata') é um lugar antigo, fantástico, no sentido de fantasia, tem muitos recantos, o ambiente é obscuro, se o visitarmos de noite, que foi o que fizemos aquando da primeira visita, e ainda sugere os maçons, que é uma estirpe que desagrada em especial à rica filha, por um motivo qualquer que nem sei desenvolver...

A rica filha já leu o conto. Diz que é giro. Logo a seguir pergunta de rajada quem é a merceeira...
O rico filha ainda não leu, talvez por não ter a paixão que a mana tem pela escrita não se lhe chega a curiosidade de ver o que a mãe é capaz de fazer em matéria literária. Tenho de insistir um bocado...

Desde sábado à noite que ao deitar me despeço deles assim: 'Até amanhã, ricos filhos! Digam assim: até amanhã, mãe escritora!'
Não sei se a esta onda ainda terá lugar esta noite, que se me está a acabar o inchaço do ego e o caraças...

A minha historinha

Ainda cá volto. Afinal ainda há tanto a dizer... A saga da minha historinha não pode esmorecer já, tenho questões a revelar, expor, tratar.
De repente passei a ter um tipo de atenção totalmente diferente, as pessoas querem saber se vou escrever mais, se tenho outro projeto, ou se me meto na feitura dum livro.

Meto, um dia desses meto-me na feitura dum livro só meu. A bem dizer já ando nessas lides.

Já agora, acrescento aqui neste espacinho onde não ia figurar nada, que a minha historinha está intacta. Ou seja, não foi alterada, foi publicada totalmente virgem. Esse era um dos meus maiores receios, a editora quis que as várias histórias surgissem com a essência dos autores. Que bom.

A minha historinha

Ora bem, não tarda os leitores ficarão livres deste tema, garanto. É que eu tenho ainda de fazer uns registos que mais são para memória futura que outra coisa. Mas podem ler, claro, tenho um prazer desmesurado em ser lida.

A pintora – uma senhora de quem tenho falado num post ou noutro - foi à apresentação do livro, o que me deixou completamente boquiaberta, nunca pensei que ela quisesse de facto ir. Adorou o evento, diz que a minha história está gira e tal, que não tenho erros de gramática nem nada (?!).
Antes, estivemos as duas a conversar da arte de pintar e da escrita. Diz ela que conhece o escrever, já em tempos escreveu poemas, tem-nos lá em casa encadernados rudemente, com agrafos e assim, a fingir um livrinho, que o preço das publicações literárias está pela hora da morte... Fez-me saber que não se sente nada ansiosa se não agarrar nos pincéis durante dias ou mesmo uma semana ou duas, ao contrário do ato de escrever, em que temos de registar imediatamente o que vem à memória ou então escapa-se-nos entre as brumas do pensamento (atenção, que esta poesia é minha, ok?), a pintura e o desenho não é nada assim, parece que a inspiração está lá, esperando, não foge nem nada.
Acerca doutro convidado também tenho um registo a fazer, pois foi alguém que me surpreendeu bastante pelo empenho em aparecer. Chegou já perto do fim, quando pôde, mas chegou, esteve presente, acarinhou, quis um livro...
Depois houve mais familiares e amigos presentes, claro que sim. Também quiseram o livro, o que foi duma glória terrestre que só visto! Destes últimos amigos guardo a recordação de serem eles as primeiras 'vítimas' de um autógrafo meu. Perguntei se podia ser criativa na dedicatória, se me aguentariam... Claro que sim!, responderam. Hum, então lá vai...
E agora aproxima-se o momento da confissão. Guardei para o fim do texto, as grandes questões apresentam-se no final, num esforço por alcançar o supremo, o apogeu.
Os familiares presentes (além dos ricos filhos e marido) foram os meus sogros. Para quem não sabe... Hum, eu confesso, vá, o meu patrão é o meu sogro (não é a primeira vez que faço esta referência assim tão clara mas quando a fiz foi lá muito atrás no tempo, duas ou três vezes), o homem que me deixa escrever na sua loja, no seu computador e até no seu tempo. Quando escrevi a dedicatória referi os meus sogros como amigos, porque estou convicta de que o são, e exprimi o facto de escrever num computador e num tempo que não me pertencem e se eu não tivesse essa hipótese a minha historinha dificilmente existiria... E ele gostou. Lá se gostou da historinha é que é outra... história.

Notícias do Europeu de Futebol

Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.

  • Grande final!

  • Espanha: 4; Itália... 0!

  • Festa imensa! Dos espanhóis, claro.

  • E findou... 2014, será a nível mundial, lá vamos nós!

  • Está despachadinha, a coisa.

domingo, 1 de julho de 2012

A minha historinha

Lisboa, 30 de junho de 2012

Pois é, já aconteceu! É oficial, a minha história está em papel, no meio de uma data de outras histórias, é verdade, mas a minha está lá, para aí a meio do livro, que o meu nome é Gina e a letra 'G' fica a meio do alfabeto, mais coisa menos coisa.
Dei autógrafos e tudo. Surpreendeu-me dar autógrafos, é um sentimento estranho mas bom, fica ali entre o deslumbramento e a total surpresa, por isso sorrio, como se vê foto. Também sorrio porque adorei a experiência, tive a presença de amigos e familiares. Que mais quero eu, né?

Novo semestre

Loures, 1 de julho de 2012


Dormi mal p'ra caraças, por isso a foto dos dias '1' tirada tão cedo, eram 7:57.
Hoje é domingo... Era suposto eu descansar e tal...
Acerca do estado do tempo, ora bem, é verão! Está tudo dito!

Tarte caramelizada




Ingredientes

Base:
1 embalagem de massa quebrada congelada

Recheio:
150 g de manteiga amolecida
150 g de açúcar amarelo
150 g de amêndoa moída sem pele
3 ovos

Cobertura:
125 g de avelãs
300 g de açúcar branco
2 dl de natas batidas

Preparação

Aqueça o forno a 180º. Unte uma tarteira com manteiga e polvilhe-a de farinha. Forre com a massa quebrada e apare o excesso; reserve.

Faça o recheio. Bata a manteiga com o açúcar. Junte os ovos um a um, a amêndoa e mexa bem. Verta na forma e leve ao forno por 35 minutos. Deixe arrefecer e desenforme.

Espalhe as avelãs num tabuleiro e leve ao forno até torrarem. Coloque-as num pano de cozinha e esfregue-as de forma a retirar-lhes a pele. Leve o açúcar ao lume com uns pingos de água, até atingir um caramelo claro. Junte as natas batidas e mexa até ligar bem; retire, junte as avelãs, envolva e deixe arrefecer um pouco. Espalhe sobre a tarte.

Nota: receita fotocopiada da revista TV 7 Dias da Carminho, a minha esteticista...


sábado, 30 de junho de 2012

Uma historinha...

Era uma vez uma mulher que tinha um blogue porque gostava imenso de escrever, sentia-se feliz relatando pequenos acontecimentos, ou mesmo histórias, ou ainda pensamentos, desejos, ilusões, assim como características das pessoas com quem convivia ou simplesmente se cruzavam com ela.
Um belo dia enviou um desses textos para uma editora que pedia histórias reais para publicar um compêndio. Ela pensou:
«Olha, histórias reais é comigo!»
Pegou numa história já escrita e... Blás.

É hoje! É hoje! É hoje!
O lançamento do livro é hoje, vou até lá e já cá venho.

Medos

«Tens medo de escrever e publicitar os teus escritos?

Sim. Escrevo o que não se espera, suscitando a surpresa desagradável ou simplesmente incomodativa; sem prazer, portanto - não gratifica as almas nem envolve o espírito deliciosamente ou acaricia o ego.
Também escrevo o desinteressante, o que me desconsola de sobremaneira e piora bastante a autoestima.»

Eu tinha escrito o texto acima ontem, garanto que sim. Publico-o hoje, um dia em que li um comentário a um determinado post que eu escrevi. Comentário esse pouco elogioso, antes pelo contrário. Não o publiquei, não quero que no meu blogue perdurem palavras que me desagradem quando estas não são minhas. Só quero frisar o seguinte:

  • os comentários pouco dignigicantes provêm sempre de um anónimo que não assina por baixo... Incrivelmente.

  • não fazia ideia que havia tanta gente perfeita... O que me surpreende deveras. Mas eu adoro surpresas!

  • lamento que só as questões negativas suscitem comentários.

Seis meses

30 de junho é uma data que eu gosto, representa o meio ano. Não sou dada a balanços de vida ou essas coisas mas gosto de notar o meio ano, talvez por estar próximo ao meu aniversário.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A minha historinha

É do ego, muito, muito ego, esta minha historinha, bem sei, aguentem-me, vá.
Se o ego já é algo não se aparta duma pessoa altruísta ou benemérita, ou outra coisa qualquer virada para o próximo, que se me estão a escassear adjetivos, imagine-se o meu sofrimento caso quisesse exterminar o ego, eu que sou narcisista e ególatra por demais. É só mais um bocadinho, não custa nada.

Esta noite sonhei com o lançamento do livro. Havia uma multidão ansiosa e barulhenta enchendo a sala e uma oradora que punha mão naquilo com grande saber linguista. Tinha um canudo comprido - de papelão ou que raio era aquilo - na mão que emitia um feixe de luz, escolheria à sorte uma pessoa dentre os autores para discursar, apontando para a multidão – pois é, ao que parece os autores estavam entre a multidão e não agrupados algures, que isto dos sonhos é assim, escapam-se pormenores importantes -, em cima de quem incidisse o feixe de luz... Já se sabe: discurso. Acho que fui a escolhida mas não tenho presente mais nada do sonho, o que lamento, havendo mais sonho na memória, seria essa a melhor parte da trama, tenho a certeza.

A minha historinha

O meu colega é o meu empresário, por assim dizer. Creio que nunca tinha mencionado este facto no blogue. Mas é isso mesmo. O meu colega é que divulga o livro, insistiu que eu fosse convidar a pintora. E eu fui.
Isto de eu ter um tipo de trabalho que me permite andar de casa em casa ajudou bastante, sei perfeitamente onde mora a senhora.
Há dias fui lá, cheia de um intento um tanto ou quanto falso em matéria de coragem e determinação. Olhei para a porta do prédio e não me aguentando abalei dali, cheia de medo. Três ou quatro metros à frente estaquei e ordenei a mim mesma que me portasse como deve ser, como uma pessoa adulta e tornasse ao local de onde havia fugido. Voltei a ficar junto à entrada e toquei no botão do primeiro andar ainda meio a medo. Sinceramente a minha vontade era que a senhora não me atendesse porque eu estava cheia de vergonha, não é fácil ir a casa de alguém sem que estejam à nossa espera, se ainda por cima não temos muito à-vontade ou confiança, como é o caso. Não atendeu. Vim embora, num misto de alívio com deceção.
Ontem fui lá outra vez, desta feita com uma dose de coragem um tudo-nada mais elevada. A senhora estava em casa, recebeu-me com muita cortesia, agradeceu o convite, referiu que não prometia ir mas fará por isso, mostrou-me mais dois dos seus quadros, um deles bem bonito, por sinal... E pronto, já está, não custou nada nem nada.

EGO

Sim, ainda tenho aquela coisa do ego em mim, hoje ainda dura, muito viva e sentida. Apresento agora um olhar meu, com uma franja novinha, aparada, tratada e luzidia, muito saudável... OK, já chega.

…

Não consegui retratar o esplendor do meu penteado novo nem o olhar maravilhoso que consigo ter.

Normas

Naquelas normas todas de ontem e mais não sei o quê, esqueci-me de várias, ainda assim esqueci-me. Uma delas é tão imprescindível que não me aguento sem a plantar aqui:

• Não contestes as minhas afirmações. Não contestes as minhas afirmações. Não contestes as minhas afirmações. Não contestes as minhas afirmações. Não contestes as minhas afirmações. Não contestes as minhas afirmações.

«Mas ninguém gosta de ser contestado!», poderá ser essa a exclamação que assola o teu coraçãozinho neste momento. Pois é... Já estás a contestar-me, vês?!

Bloguista(s)

Se eu tivesse um blogue de gaja, um blogue daqueles onde pairam os grupinhos femininos inseridos no mesmo meio e costumes, que deixam comentários a dizer que sim senhoras, é assim mesmo, tens toda a razão, 'bora lá, estou contigo e o caraças, agora escrevia um post do mais gaja que pode haver contando uma parvoíce tamanha que ontem proferi mas como sendo outra maria qualquer a dizê-la, e pondo-me a mim como vítima, invertendo os papéis, portanto. Vai daí, acontecia que... Isso mesmo! Sim senhoras, é assim mesmo, tens toda a razão, estou contigo e o caraças...

Mas não, fui eu mesma. Eu, eu, eu. O pior é o seguinte: depois da cena fiquei aborrecida comigo, não tinha nada de dar vazão, dormi mal p'ra caraças e hoje de manhã descobri que ninguém havia ouvido o que eu vociferei com tamanha raiva.
Oh céus! Desculpas para quê?! Ninguém ouviu! E assim todos ficaram a saber...

Transparências

Como ontem anunciei no blogue, esteve aqui a dona Lurdes, essa senhora que de vez em quando se detém uma boa meia hora para pôr a escrita em dia com esta que escreve. Eu eu às vezes escrevo... Nessa meia horita os clientes vão entrando, já se sabe. A uma cliente coube o seguinte comentário da dona Lurdes:
- Ah, esta menina tem uma daquelas blusinhas de renda! Eu não consigo, tenho vergonha de usar...
Era mais um elogio que outra coisa mas a moça pergunta meio assustada, como se tivesse sido flagrada:
– É ordinário?
Eu socorro-a, perentória, decidida:
– Não! Se se sente bem, é o que interessa.
Às vezes sou tão fingida.

Crónicas

Tenho estado entretida a ler um livro de crónicas: 'Infância, quando eles eram pequeninos' de Sarah Adamopoulos.
É um livro que mostra a infância de várias figuras públicas com as suas vivências e costumes, com um olhar sobre o estado do nosso país noutros tempos.
Mesmo a infância dessas figuras sendo muito diferente da minha, revi-me em algumas frases constantes neste livro. Vou deixar escrito as passagens mais marcantes para mim.

«Eu era uma criança muito sensível. E essa criança ficou dentro de mim, habita-me. Os meus familiares acusam-me por vezes de parecer um 'puto', mas eu considero isso um elogio. Nesses dias sinto uma alegria quase tonta, e sim, mantenho essa curiosidade quase infantil, até porque um artista não pode viver sem essa inquietação.»

Excerto de um dos entrevistados, Carlos do Carmo, fadista.

«Gosta de pensar nos escritores como podendo pertencer a dois grupos distintos: o dos romancistas que prosam ficcionando, engenhosamente inventando personagens e circunstâncias elaboradas pela imaginação, e o dos que prosam relatando, dedicando-se à escrita biográfica, ancorada em vivências pessoais. Pertence ao segundo grupo, este narrador da vida.»

Excerto da autora do livro, retirado da descrição que faz de cada personalidade, neste caso o jornalista e escritor José Couto Nogueira.

Notícias do Europeu de Futebol

Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.

  • Começo o dia de escrita bloguista com o menos importante: futebol. Despacho já a coisa, que tenho mais que fazer.
  • Grande final: Espanha – Itália ou então Itália – Espanha, não sei. Só sei que a taça vai ficar entre os latinos e isso não é nada mau.
  • Era giro a Espanha ganhar porque nos ganhou a nós... Eu vejo a coisa ao contrário, ensinou-me um amigo que adora futebol: não cedamos à raiva de quem nos ganhou, antes aplaudamos, ganhe quem não conseguimos eliminar, porque esses ganhando, neste caso a Itália, ganharão os que não eliminámos, assim será apenas uma equipa melhor que os portugueses, os Quinas. Assim sendo... Eu torço pelos espanhóis.
  • Resta ainda anunciar… Senhoras e senhores… O árbitro da final é português!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Literatura reles

Tive uma ideia estupenda, escrever normas no sentido de ensinar as pessoas a lidar comigo apelando a esse sentimento que é a amizade para sermos todos muito amigos e coiso. Vocês e eu.

• Lidação normativa

1. Deixa-me falar. Deixa-me falar. Deixa-me falar. Deixa-me falar. Deixa-me falar. (Deixa-me falar porque ouvir-me eu sei que é impossível – não, não sou muda -, então deixa-me falar e pronto)

2. Lê o meu blogue. Lê o meu blogue. Lê o meu blogue. Lê o meu blogue. (Necessito de leitores, eu escrevo para ser lida por outrem, não escrevo - só - para mim)

3. Diz-me que escrevo maravilhosamente bem. Diz-me que escrevo espetacularmente bem. Diz-me que escrevo imensamente, fantasticamente, esplendorosamente, magnanimamente, rejubilosamente bem! (Culpa do ego, a malta gosta de saber-se apreciada, havendo elogios – podem ser hipócritas, para o caso não interessa nada – há um estímulo do caraças na escrita)

4. Ri-te das minhas piadas. Ri-te das minhas piadas. (É muito fixe acharem-me engraçada, ademais o riso é algo contagiante)

5. Elogia-me a beleza, a sensualidade e a aura especial. (Nem todos os dias estou certa de possuir estes pontos reluzentes, dizes uma vez e chega, não mexas mais senão estragas, não quero nada ser convencida)

É facílimo ser meu amigo, pois é? Vá, vem daí.

A maluqueira

A dona Lurdes espantou-se imenso com o preço das coisinhas que comprou. Como há confiança, perguntou debaixo dum espanto que só visto:
– Quanto, Gina?! Tu estás maluca?!
– Ó dona Lurdes, eu maluca estou, mas sei fazer contas...

Ajuntamento

Hoje juntaram-se-me as visitas todas de manhã. A dona Lurdes, a dona Adelina e aquele homem que me impede a criatividade literária. Devo dizer que fiquei toda contente ao vislumbrar esta última figura tão cedo no estamine, significava que já não me ia empatar a escrita mais tarde...
As duas senhoras já se encontraram algumas vezes aqui, fiz essa referência. Falaram da hora do chá, que era o que parecia por se encontrarem de vez em quando. E logo discordaram, discórdia que não é de todo invulgar no caso destas duas. Uma não gosta de chá neste tempo, que está muito calor e a outra diz que não senhor, bebe cházinho seja lá a que horas for e estejam lá os graus que estiverem. Não se prolongou muito mais a conversa, não... A dona Adelina saiu. O outro bicharoco já tinha abandonado o barco há uns minutos, também ele, era só fêmeas no espaço o que atordoa de sobremaneira por mais pacato que um homem seja. Adeus aos dois, vá. Fica aqui a dona Lurdes que eu já percebi que isto hoje vai demorar um bocado.

Diz que disse

Soube de uma cliente que abordou outra cliente, lá fora, na rua, dizendo-lhe para vir aqui, que eu sou muito querida.
Contou-me a primeira cliente.
A segunda cliente veio cá e depois foi dizer à outra que sim senhora eu sou muito querida.
Contou-me a primeira cliente.
Também.
Sou muito querida, sou. Depende do instante...

A minha historinha

Ontem vi a parva da merceeira, quando me avistou pôs as mãos na testa em forma de pala, como que cumprimentando quem não via há muito tempo e estivesse a ter uma espécie de vislumbre à minha aparição.
Hoje de manhã vi a parva da merceeira mas apenas de passagem e à tardinha vi-a na rua mas não a cumprimentei porque, primeiro: ela só me cumprimenta quando lhe dá nos cornos... Ai perdão, na cabecinha linda e amável, segundo: ela estava ocupada falando com uma cliente que escolhia as frutas nos cestos que estão cá fora.
Há meses que não nos víamos, minha querida, é verdade. Saudades, né? Pois, imagino que sim. Caríssima, isto de a gente agora se ver tão amiúde só pode ser um bom presságio de que o dia do evento me vai correr muito bem.
Eu explico.
A parva da merceeira é a personagem principal da minha historinha... Espero sinceramente que os revisores do texto não tenho retirado nem um pouquinho só da parvoíce desta merceeira... Se assim for vou ficar muito triste.

Tenho um amigo...
(e)
A minha historinha
(à mistura)

Tenho um amigo que me perguntou se estou nervosa por causa do lançamento do livro. Levei tempo a responder.
Eh pá... Um bocadinho. Muito ansiosa, talvez. Bastante, mesmo.
Este meu amigo continuou no tema.
Vais discursar?
Não, ou pelo menos penso que não.
Então, se tivesses de discursar é que tinhas de estar nervosa!
Diz este meu amigo, como se eu não tivesse nada que estar preocupada com o evento, que aquilo não tem segredo nenhum, que é isso de estar nervosa, ora essa, não estejas, vai correr bem, vais ver.

Vou ver, vou. Eu ia lá deixar escapar uma oportunidade destas?

A minha historinha

Está quase... Faltam quarenta e oito horas!
Estás preparada para o grande dia?
Não.
Ó mulher, tu prepara-te!
Sim, já lá vou.

Conversação

Entra na sala, onde já estão duas pessoas e diz boa-noite. As duas pessoas respondem condignamente:
– Boa-noite, Fingi16.
Entra na sala onde já correm três cognomes na lista e diz boa-noite. Três pessoas respondem:
– Boa-noite, Munhe31.
Entra na sala, quatro pessoas, entidades, formas virtuais, para aí uma coisa dessas, e dá as boas-noites, as quatro 'coisas' respondem:
– Boa-noite, Viral69.
Está tudo calado, as pessoas ou formas virtuais apenas portajam uma sala que não tem paredes, respondendo a estímulos meramente formais.

O texto acima foi idealizado, imaginei um espaço virtual onde só acedessem pessoas extremamente tímidas, lembrei-me do jovem particularmente curioso (este moço figura em vários posts aí para baixo, não muito longe desta linha) a quem recentemente adicionei nos meus contactos do Fuçasbuque e constatei que a sua página é como ele, acanhada, curta, sem expansão. Ele é assim, é um jovem curioso mas não se mostra muito, encolhe-se, não se divulga nem se envolve em nada, apenas questiona, cheio de curiosidade. Só que ali, no Fuças, a timidez impera, não 'conhece' ninguém.
A vida real e a virtualidade das redes sociais, principalmente a blogosfera, que é a que conheço melhor, ensinaram-me que as pessoas não são nada diferentes num meio ou noutro, a essência sempre se revela.

Ora bem...

Tenho de achar o ponto. A vida é cíclica, tão cíclica como o que escrevo, os temas que abordo, os sentires. Se estou na fase do ego, é dar vazão, que faz bem, conquanto se não prejudique ninguém.
Logo virá o tempo em que centro a atenção nos outros, sei como é, ou por outra, o meu escrevinhar costuma ser assim: cíclico, como a vida.
Espero que esse tempo, o dos outros, chegue hoje, que estou cansada...

Dia de...

Ouvi na Radio que hoje é o dia de celebrarmos a existência dos óculos escuros. E lá vou eu buscar uma foto de domingo passado...

São Julião, 24 de junho de 2012

Recadinho


Que atencioso é este jovem! Combinação após a hora de deitar dos pais dá num recadinho assim. Que primor...

Notícias do Europeu de Futebol

Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.

Ontem diziam para a gente se vestir de vermelho e verde, para animar o país. Ainda me lembrei: cor-de-laranja, serve? Os meus óculos são vermelhos, será que anima o pessoal?

Pois é, perdemos. Tenho pena, não ligo ao futebol mas ligo ao patriotismo, o qual cresce imenso quando se vivem estes campeonatos, por acréscimo, indução, pouco me importa.

Perdemos. Não sei o resultado, não vou ligar ao rico filho para saber, perdemos e pronto.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Síntese

Nos últimos dias tenho-me portado como uma pessoa adulta em todas as frentes menos aqui no blogue. Este é um lugar de desabafos, o caudal de lamentações corre em grande força, ao momento é assim. Chamemos purga ou catarse ao ato de escrever estados de alma, tanto me faz, o blogue é meu, escrevo o que eu quiser. Ou quase. Este 'quase' dá-me cabo da cabeça...

Leitura

Gosta de ler?

Não sei se responda o clássico e previsível 'sim...' ou o flexível e estonteante 'pois!' Ambas são respostas afirmativas mas estou indecisa.

Eu tenho um livro aberto nas mãos, estou de cabeça inclinada, lendo...

Sou mulher para o 'pois!', é mais o meu género, mas depois lá vai a malta toda embora daqui, fugindo desesperada, com medo ou receio ou outra porra qualquer... Vivo afugentando as pessoinhas.

Distração

Alguém fungou ruidosamente. Ela olhou para mim.
Não fui eu 'miga. Eu estou só a chupar o pau de canela.
Alguém vociferou um «ah, 'tava a ver!» Ela olhou para mim.
Não fui eu 'miga, eu estou simplesmente bebericando o cafezinho bem bom.
Depois existiu na minha vida, uma vez mais, o términus da pausa. Abri a bolsinha do telemóvel para me certificar das horas (barulho de velcro, por sinal gritante), retirei os óculos de ver ao perto e coloquei-os na caixinha (barulho de clique, pequenino e inocente mas audível), abri a caixa dos óculos escuros, esta sim, enorme, quando foi fechada fez um barulho imenso porque a mola é nova e tem muita força... Ela não olhou mais para mim, estava distraída...

Boas ondas, quem dera que fossem...

Tenho uma t-shirt com folharecos retorcidos que me fazem cócegas nos braços...
Hum, não sei se escreva antes 'produzem cócegas'... Ficará melhor? Ficará simplesmente bem? Bem melhor?
Isto de escrever cansa-me a cabeça por demais, oh céus! Mas porque raio é que eu como hobby não me dedico antes ao surf?! Agora até está bom tempo!

Oferenda

Oferecer os escritos de raspão é porreiro. Vê lá se consegues dizer alguma coisa. Não consegues, pois não?

Passeio

Agora vou passear ao sol. Se estivesse a chover ia passear à chuva. Posto isto, passeio conforme. Mas o passeio é sempre o mesmo.

Tópico

Não tenho uma só leve sombra de medo de dizer que tenho medo.

Tópico

Tenho medo de publicar os meus escritos.

Olha lá!

Quando te perguntarem se está tudo bem, diz que sim, mesmo sabendo que não passa de uma reles farsa. Não cries ondas nem sopres brisas, por mais leves que sejam. Deixa-te estar, não contes das aflições e tristezas. Sequer das alegrias e prazeres. Mantém-te sossegadinha que é o melhor. Dizes só que está tudo bem e pronto. Ninguém realmente gosta ou admira alguém diferente. Primariamente pode haver uma atração manifestamente agradável, culpa dos opostos, eles acham-te um piadão, o que te reconforta, mas olha que é uma paixão balofa, estéril, sem forma ou consistência, dissipa-se num instante. Não tardará que passes a... diferente, aí não servirás para mais nada.

Não sou a única

Toda a gente observa e conclui.
Como eu.
A diferença é esta,
quiçá:
registo as minhas observações e conclusões,
o que as faz perdurar.

Aquela pessoa

Há aquela pessoa que invejas. Sabe o que diz, diz o que sabe. Ouve-se, olha-se, atenta-se. Que inveja.
Mas não lhe queres mal, não consegues, aquela pessoa é uma boa pessoa...

Apetites

Isso de as pessoas tão depressa se mostrarem ríspidas como comunicativas chateia-me e entristece-me.
Para me aliviar posso pensar que é uma questão de extremos, desigualdades, contrabalanços, tanto faz. E se eu gosto de pessoas surpreendentes ou desconcertantes! Se gosto!
Contraditório?! Pois é, eu sei.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tópico

Tenho medo de escrever.

Tópico

Não escrevo essas palavras bonitas que todos gostam de ler.

Cliente de fino trato, que é como quem diz:
Cliente de sonho

Boa tarde minha senhora...
Vai ser...
Muito obrigado.
E vai ser...
Muito obrigado.
E vai ser também...
Muito obrigado.
Hum, desculpe se estou a ser inconveniente... Mas é que estou um pouco desorientado devido ao calor. Afinal não vou levar isto. Se houver problema diga que eu levo.

Ó 'migo, há agora problema! Você acha que toda a gente me trata assim com tanta honra?!

Inquérito doutros tempos e doutras vontades

Quando eu tinha uns onze ou doze anos e se findou o ano letivo, houve na escola um inquérito entre as raparigas que andou de mão em mão. Tratava-se de umas perguntinhas cujo único sentido era ficarem as respostas para a posteridade nas mãos da perguntadora, tudo em forma escrita. Apesar da pouca idade, uma das perguntas estava relacionada com sexo que eu bem me lembro (para ser sincera é a única de que me lembro), a perguntadora queria saber se eu achava o sexo bom. Respondi com todas as letras:

«Não sei, nunca fiz. Mas deve ser, pois até os bichinhos gostam!»

Portanto, caros leitores, afinal há um certo arrojo e um tudo-nada de criatividade que já vêm de longe, muito embora eu sempre tenha pensado que nem por isso...
Ah, para que conste: a frase 'até os bichinhos gostam' não é da minha autoria, tinha-a ouvido algures, captei-a e fixei-a por a achar muito engraçada.

Lidação a quanto obrigas

Não devia existir nada pejorativo em não saber lidar com os outros principalmente porque os outros também não sabem lidar comigo. Vivamos assim, 'migos. É justo.

Cores

Queria tinta da cor do ovo. Digo que
Tenho branco, cinza, azul...
Oh, azul?! Cor d'ovo não é nada disso!
Verde, vermelho, preto... Cor de ovo não há.
Ó menina, olhe que lá na minha terra o merceeiro nunca diz que não há!
Pois, por isso é que eu enumerei as cores todas. Quem sabe o senhor não se tenha apercebido que o branco não tem nada a ver com o azul...

(Eu estava era cheia de esperança que o homem percebesse que a cor de ovo é uma coisa que não existe nas minhas prateleiras.)

Caloraça

É hora de almoço. A cabeça escalda e lateja mas a fuga... Como é que se diz? Hum... Como é que é aquela palavra? Ai, este léxico, pá!

É a fuga. É imprescindível e incontornável. É mister.

Expressão consoladora

«Ah!»
Fez ela com profundo prazer quando se sentou no sofá de pele.

«Esteja no céu quem fez o descanso!»
Disse ele, complementando a exclamação dela.

Caloraça

O homem passa para cima e eu digo para mim mesma:

«Ó céus! Como é possível alguém andar de gravata com um dia destes!»

O homem passa para baixo e eu pergunto para o ar:

«Como é que alguém consegue andar de gravata com este calor?!!»

Caloraça

De manhã houve logo um parvalhão que ligou para a Radio dizendo que ia dar um saltinho à praia, que o trabalho hoje não ia apertar e o caraças... Homessa! E as pessoinhas com montes de inveja do meu emprego...

Chá

Pois é, tenho de encher o frasco de chá de tília para os nervos que se me está a esvaziar rapidamente. Fui comprar. Na loja do senhor Adeodato, claro, que sou lá freguesa habitual.
Quando entrei ele aviava uma velhinha surda e chatinha. Notei-lhe uma ligeira expressão de aborrecimento e impaciência, que a velha perguntava tudo umas três ou quatro vezes. Eu sei como é, senhor Adeodato...
Quando o avio da velha senhora foi concluído e ela se foi embora, pedi o chá para os nervos e deu-me vontade de lho receitar, que acalma, traz o sono e manda embora as perturbações mais ligeiras. Mas mantive-me caladinha. Às vezes consigo.

Hum-hum

O senhor Adeodato tem uma expressão talvez pouco entendível na escrita que é: hum-hum. Não é uma concordância com o que ouve nem é um suspiro de prazer ou cansaço atirado para o ar. Não. É uma espécie de risinho nervoso, de quando está como que atrapalhado, não sabe o que dizer-me, ou assim. Solta o 'hum-hum' e está tudo dito.

Dias de um ginásio

Vou falar de gaijas. Boas, que as gaijas são todas boas, primordialmente falando – e eu estou a falar.
Vou falar do balneário feminino, um assunto deveras interessante.
Vou falar da vergonha, do embaraço, do desnorteio.

Uma rapariga vestia as cuecas meio escondida, de toalha enrolada no corpo, como se tivesse muita vergonha de se mostrar. E tinha. Precisava abrir o meu cacifo e a bicha estava junto ao mesmo. Fiz-me ao piso, pedi licença. Ela deixou-me passar, relutante, atarantada, o rosto afogueado. Moveu-se rapidamente e foi esconder-se numa ombreira, atrapalhada com a questão da toalha poder escorregar e o caraças, e lá continuou os intentos: vestir as cuecas sem retirar a toalha que que lhe envolvia metade do corpo.
Fiquei atónita com tamanho embaraço, principalmente por vir de uma jovem mulher. À partida pensa-se que o pudor não reside nas camadas mais jovens mas isso é um engano, as que caminham todas nuas em direção ao chuveiro são sempre as mais velhas.

Notícias do Europeu de Futebol

Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.

• Portugal - Espanha, quem sairá vencedor? Amanhã saber-se-á.

• Em pesquisa pelo meu blogue descobri que foi a Espanha quem eliminou Portugal no último Mundial, se bem que me parece que não nesta fase (meias-finais) e sim lá mais atrás.

• Lembrei-me duma espécie de hino que pode muito bem servir para este jogo decisivo, ou ilustrá-lo, por assim dizer, 'Perdoname' do espanhol Pablo Alborán e a portuguesa Carminho, sendo que se ouvem vezes sem conta o 'perdoname' e uma outra frase que tem tudo a ver. Aliás, pensando bem, o poema inteiro tem a ver…


Vídeo 'Perdoname', Pablo Alborán e Carminho aqui.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Perguntinhas da treta e questiúnculas do meu coração

Tenho uma perguntinha (não concernente a algo nobre, antes ao ego, essa essência tão benfazeja quanto destruidora) que gostaria de deixar aos leitores. Trata-se da indumentária que hei-de levar no dia da grande festa que vai haver. (ver aqui)

Hipótese 1
Vestido azul e preto, todo justinho e o caraças mas bastante clássico e formal, bastante apropriado para um evento desta natureza.

Hipótese 2
Vestido dum modelo maravilhoso e esvoaçante em cor vermelho paixão arrebatadora, realça as formas com a subtileza que me caracteriza.

Ninguém vai ouvir, já sei como é, não me dou com perguntinhas aqui no blogue. O que até é fixe, o desinteresse dos outros tem o seu quê de agradável e a solidão tem um lado soturno que me apraz e não é pouco. Assim posso escrever qualquer coisinha que me lembre - frivolidades, inutilidades, disparates - pois as minhas afirmações e conclusões não serão desmentidas ou contestadas. A bem da verdade este post tem lugar no blogue exatamente por esse motivo, nunca poria um assunto como este ao alcance de multidões. Ademais, no dia do evento envergarei o vestido que eu quiser.

A propósito

Fui marcar os cabelos com o Mimi. Quando me digno a explanar o motivo da minha visita inesperada e passageira faço-o com uma frase espetacular:

'Venho marcar a recauchutagem.'

Teria sido bastante oportuno deixar-me estar calada e cingir-me à linguagem gestual, por exemplo... Ó mê guê! Às vezes acho que tenho um certo ar de Bridjet Jones, só falta tropeçar no fio do secador ou engasgar-me por aspirar um cabelo que ande no ar...

Cabeça

Laurinda vai ao cabeleireiro do costume. Tem champô cativo.
Ele pergunta-lhe como que para se certificar
'Tem cá champô, dona Laurinda?'
Ela responde muito indignada
'Tenho! E o frasco está cheio!'
Depois ele procede à lavagem. A água escorre, a espuma faz-se e desfaz-se. Duas vezes. Em cada processo o frasco é invertido e despejado uma quantidade enorme de champô. Ele tem nova questão
'É três vezes, dona Laurinda?'
Ela
'Claro que é três vezes! Eu gosto assim, comigo tem de ser três!'
Ele sorri, malicioso... (Esta dona Laurinda devia ser fresca!) Ela gargalha feliz... (Ai, quando eu era nova...)

Observo melhor esta derradeira vez. De novo o frasco é invertido e um líquido viscoso escorrega para uma mão ágil. Pela terceira vez. Champô em abundância, massagem, espuma, água em torrente. Três vezes. Não admira que se gaste um frasco num ápice. O que será porventura aborrecido ou despropositado, é a certeza da dona Laurinda de que terá aquele frasco cheio para sempre.

A minha historinha

Fui arranjar as mãos, agora tenho as unhas coloridas num lindo tom coral. Ainda me falta toda uma série de embelezamentos mas hoje quedei nas mãozinhas.
Disse à Carminho que o dia 30 vai ser especial, por isso este frenesim imenso em volta da aparência. Ela quis saber a que se devia o dia especial. Revelei-lhe tudo, tentando desenvencilhar-me da timidez mas debaixo dalgum pudor. Fez espanto, coisa pouca, e também fez perguntas. Curiosamente teve a reação que dum modo geral mais desejo nas pessoas: quer ler a minha história. Aproveitando o interesse demonstrado, convidei-a. Venha, vai ser giro, o espaço é agradável e mais não sei o quê.
Imaginei-a lá no evento, eu apresentando-a aos amigos e familiares, 'esta é a Carminho' e fazendo os possíveis por omitir aquela parte 'é a minha esteticista'.
Porque omito, ou omitiria essa parte?!
Porque estamos deslocadas do meio, é por isso.

Dias de um ginásio

Sim, vou ao ginásio, gasto dinheiro, canso-me, perco um tempo precioso. Sim, sim.
Sim, tu estás no sofá, não fazes nada, descansas, guardas o dinheiro na carteira, passas tempo com a família. (Passas?!)
Sim, adoeço, tenho dores e mal-estar.
Sim, tu ficas doente, como eu, dói-te o esqueleto, sentes-te mal.
Sim, eu sou igualzinha a ti, é isso mesmo. Mas quando me vires gira e bem-disposta não me venhas moer os cornos a perguntar como é que faço para andar assim tão contente, ouviste?!
Chatos, pá!

Calor

Os pombos arrulhavam loucamente numa janela lisboeta. Esta agitação toda dever-se-á ao súbito calor?
Deixo mais uma foto da praia de ontem, que ontem não estava nada este calor assim, não.


São Julião, 24 de junho de 2012

Perfeitamente

Perfeição é qualquer coisa que não existe. Existem os perfecionistas, isso sim. São controladíssimos e a bem da verdade querem controlar os seus arredores e as outras pessoas.
Não se desviam, odeiam surpresas, têm um propósito bem vincado e presente montado num sistema inflexível, imutável, igual que não abolem das suas vidas nem por nada. Um tédio...

Nota: texto criado para o blogue Fábrica de Letras sobre o tema 'Perfeição'

Olá, boa noite...

Hoje é dia 4 de julho de 2012, são onze e tal da noite e estou a fazer um adenda a este post.
Que me lembre nunca dei tanto nas vistas virtualmente como no textozinho acima. Devo dizer que:

Que me lembre nunca dei tanto nas vistas virtualmente como no post em questão. Devo dizer que:

  • Desconhecia haver tanta gente perfeita
  • Este texto é uma produção pouco esmerada e sem profundidade
  • Não sou perfeita, logo, não produzo textos perfeitos
  • Tento aperfeiçoar-me sabendo de antemão que jamais serei perfeita
  • Os perfecionistas são aborrecidos porque são previsíveis
  • Quis referir-me aos perfecionistas em extremo, nunca às pessoas que, como eu, buscam pegar em algo e fazê-lo perfeitamente, nunca às pessoas que, como eu, mantêm uma ordem de trabalho
  • Abomino a previsibilidade, venha ela donde vier, tome a forma que tomar, chateia-me; aborrece-me
  • No ponto anterior estou a ser extremista, também posso, não me acho diferente de ninguém
  • Se a previsibilidade não existisse sentir-lhe-ia a falta, indubitavelmente
  • Se os perfecionistas não existissem o mundo estaria mais pobre 
  • Se não existissem pessoas que buscam a perfeição, independentemente da sua não-existência, o mundo estaria muito mais desleixado
  • Sou um ser humano único e especial, como já referi: não sou diferente de ninguém
  • Gosto de escrever; preciso de escrever; enlouquecerei se não puder escrever

Eh pá... Eu gosto é de escrever, ora que porra! Não venham para aqui mostrar-se ofendidinhos(as) por serem perfeitinhos(as), ok?!


Nota de rodapé: eliminei todos os comentários deixados neste post para não se conhecerem nomes.

O papelinho

O jovem particularmente curioso achou que o cognome Fuçasbuque era engraçado. Fiz-lhe ver que fui eu que inventei e que não se escreve de qualquer maneira, não senhores, é à portuguesa: Fuçasbuque, é assim, escrevi num papelinho rudimentar. Quis saber (ai que curioso...) quando é que eu tinha inventado o vocábulo. Para aí há uns dois ou três anos, disse eu, acrescentei a data no papelinho e ainda rubriquei por baixo de tudo. Depois sugeri-lhe que digitalizasse o importante documento e o publicasse no próprio Fuças, eu não me importava. Estou certa de que vontade disso tem ele, ou ainda lembrança, mas estou convencida de que não o fará. Olhe que eu ponho, ameaçou ele.
É parecido comigo, este moço. Nalguns pontos, claro. Por um lado possui a infantilidade que lhe advém da curiosidade excessiva (como eu), por outro, é tão jovem que ainda possui uma certa candura que eu já não sustenho em mim - sou madura, conheço a vida melhor que ele, já estou desenganada, sei que não há heróis nem fadas.

Telefonema

Vi no visor do fax que o número donde ligavam iriam querer saber se havia falta duma certa e determinada coisa que não me apetece divulgar qual é. A minha vontade foi levantar o auscultador e sem deixar o recetor falar:

– Eh pá, não sei se a merda do **** faz falta ou não! Ligue a outra hora! Porque raio é que você liga sempre a esta hora?! Ora que porra! Não percebeu ainda que tem de mudar os seus hábitos?! Ligue mais tarde! Mas mais tarde mesmo! Bem mais tarde!

A senhora de saia às tiras a esvoaçar...

Pois é, a senhora de saia às tiras a esvoaçar é simplesmente a senhora que ia passando na rua de saia às tiras a esvoaçar. Está tudo dito.
Não está nada.
Era uma saia esquisita, com uma espécie de forro branco e depois tiras de tecido em bordado inglês também em branco. Formava uma visão estranha, aquelas tiras finas de tecido ondulando ao vento que soprava não muito forte.

A minha historinha

Noutro dia queria lembrar-me duma palavrinha e não conseguia, só me aparecia a 'anuência', a 'anuência', a 'anuência'. Mas era a 'referência' que eu queria achar na memória. Por fim lá consegui.
Logo o meu colega se volta mangando da minha humilde pessoa, que agora sou escritora e nem sei encontrar as palavras ou explicar-me bem.
(Sei que era a brincar)
Tenho medo de ser escritora, é duma responsabilidade enorme, além de me sentir pequenina perante os demais escritores, ou os escritores propriamente ditos, a gente nem se pode enganar nem nada, que logo tudo nos cai em cima.
Há semanas que me preparo psicologicamente para passar a dizer 'eu sou escritora', considero que um(a) escritor(a) é alguém que escreve e publica e/ou publica o que escreve através duma editora, e sendo que é isso o que vai acontecer... Mas tenho para mim que não serei capaz de assumir o epíteto.

Basquetebol

Por um motivo que não recordo lá muito bem, acho que foi ao visionar um filme qualquer, lembrei-me da grande contrariedade que sentia sempre que tinha de jogar basquetebol na escola. Mas que grande aborrecimento! A bola vinha na minha direção e eu sem saber a quem a passar! Ó mê guê! Nunca entendi regras nem fixei costumes, limitava-me a imitar os outros, de onde ainda assim se denota alguma inteligência, 'se não os podes vencer junta-te a eles'.
Nunca gostei de jogos de espécie nenhuma, nem com pés, nem com mãos, nem com cabeça. Nada. Bah!

Conselho; aviso; ou para aí uma coisa dessas... Mas gira!

Minha senhora, olhe lá, a ponta da sua saia vai presa na cinta. Está-se a ver o pernão... Sei como funciona essa coisa de a gente gostar de mostrar a pele e dar nas vistas nem que seja só um pouquinho mas olhe que vai mostrando mais acima do que a senhora quer...

(Giro, giro é a gente não poder dizer as coisas que apetece mas escrevê-las.)

Mudanças de poisos

Adquiri uma nova prateleira que foi capazmente colocada numa parede da cozinha e fiz umas mudançazitas nos armários. Ora bem, normalmente são os ricos filhos quem arruma as louças e devo dizer que durante o fim-de-semana fui dar com tudo trocado, ou seja, ao modo antigo, ou ainda encafuado onde dava mais jeito. É melhor ajudar os jovenzinhos, vá lá.

Ricos filhos, é assim:

Na prateleira nova estão os tachos e as panelas. As chávenas de leite e de café bem como os pratinhos que lhes pertencem fugiram para o lugar dos tachos e as taças de plástico para o lugar das panelas. No sítio das canecas encontramos agora as taças de vidro.
O sítio das taças de plástico e das de vidro está vazio, ao momento. Um dia a mãe terá tempo para o encher, garanto, não quero que vos falte nada.

domingo, 24 de junho de 2012

Na praia...

Agora chamam Salvador, Tomé e Afonso às criancinhas. Não tarda regressarão os Adéritos e os Teodoros.

A rica filha diz que o meu vestido lhe faz lembrar um filme qualquer (ela sabe qual é, nomeou-o inclusive, eu é que não me lembro), deve ser por causa do cor-de-laranja. A lembrança dela, quero eu dizer.

É assim a vida... Praia. Um dia vamos de férias! Daqui a dois meses, mais concretamente. Até lá temos muito verão a viver. Muita praia, muita onda, calor. Sardinhas, entremeada, pimentos. Caracóis, cerveja. Livros, leitura, escrita. É assim a vida.









São Julião, 24 de junho de 2012

Arroz-doce

Loures, 23 de junho de 2012

Estava simplesmente divinal, o que não me surpreendeu, o meu arroz-doce é o melhor do mundo.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Olha lá, tu tens vergonha ou sentes pudor?

O leitor faça-me o favor de não me devolver a ímpar questão que consta no título, pois eu perguntei primeiro.

Opções doces, docinhas e boas, para o fim-de-semana

Arroz doce. Tenho saudades de sentir aquele cremezinho doce e acre na boca e das cócegas da canela na garganta.

Bolo de Amêndoa moída do blogue 'Come chocolates, pequena'; aproveitar as claras do arroz doce. Ora bem... No aproveitar há ganho.

Cheesecake com os morangos lá dentro, à mistura. Deve ser bom. Nem anuncio a ideia aos ricos filhos, eles devem gostar na mesma. Não esquecer de deixar os morangos macerar uns bons minutos num pouco de açúcar antes de proceder à mistura.

Nota importante: Comprar morangos. Imprescindível.

Esqueci-me!

Esqueci-me da pen em casa. Que grande chatice! Tinha apontado umas coisitas para depois desenvolver e não me lembro mesmo o que escrevinhei...
Liguei para a rica filha. Ela introduziu a pen no pc, abriu a pasta, o documento e ditou-me os tópicos que eu digitara ontem à noite num acesso de memória repentina. Foi giro ouvir a rapariga vocalizando aquelas palavras com pouco nexo para os demais, fartei-me de rir. Ouvi os meus tópicos lidos por alguém que me conhece bastante bem mas não lê o que escrevo nem conhece os trâmites que uso para escrever. Posso dizer que foi mesmo muito engraçado.
Esses tópicos, não estando de modo nenhum despegados do meu pensamento, o certo é que não figurarão no blogue na sua forma original. Não me convém desvendá-los em estado puro e, a bem dizer, irreal.

Cativação

Para se cativar alguém é preciso fazer e dizer o que as pessoas esperam, não indignar ou sequer surpreender. Às vezes parece-me que é esse o meu 'mal', não cativo porque tenho a mania de dizer o que não devo e ainda acho que tenho montes de piada. Mas não tenho. Ou por outra, tenho piada mas só eu é que me rio.

São Sebastião

No metro uma senhora mirava o meu calçado com manifesta curiosidade. E eu, contente porque agora já sei como sentar-me em maneiras de viajar ao contrário - ser sugada pela velocidade, ai o que eu gosto disto! - fingi que não me apercebi do olhar atento e detive o interesse no ponto em que o comboio iria mudar de linha, a curva sendo descrita e blás.

Bambolear

Ia uma mulher jeitosa lá a frente. Tinha um vestido curtinho num estampado de flores imensas, não muito justo mas moldava-lhe o corpo. O andar era seguro e a presença imponente. Um regalo para a vista... Um homem estacou a mirá-la, o que não me surpreendeu. Logo vem uma invejosa conhecida dele e põe-se a dizer que as mulheres usam fio dental para andarem com as nalgas soltas...

Clique que não me apetece nomear ou classificar

Lisboa, 22 de junho de 2012

Uma foto assim como que para o fraquinho em termos de assunto e simplória em termos de visualização mas suficientemente gira para ocupar espaço no blogue...

Lisboa, 22 de junho de 2012

Notícias do Europeu de Futebol

Não é que sejam propriamente notícias do europeu. É mais um ponto de vista de alguém que não percebe nada do assunto e ademais está completamente fora dessa área mas gosta de escrever umas coisinhas que a seu ver estarão relacionadas com essa imensa temática que é o futebol.

Ontem...

• São quatro e tal da tarde. Não há clientes. Não há clientes, repito, para ficar percebido. É incrível como o futebol para um país.

• São seis e picos, a tarde vai longa neste dia maior do ano; solestício de verão. Não há clientes, estou petrificada com a situação.

• Fim de expediente. Não houve um único cliente em toda a tarde. Só se viam grupinhos de pessoas claramente a caminho do lugar de onde veriam o jogo e ouvia-se um burburinho ansioso pela cidade inteira.

• Portugal ganhou à República Checa: 1 - 0. Vá lá, vá lá. Ao menos isso.

• Como já referi num post anterior, o sinal por cabo chega primeiro à casa dos meus vizinhos. Quando foi aquele primeiro golo (anulado por fora de jogo) a malta lá de baixo gritou à farta. Chego-me ao pé da família e anuncio que vai ser golo, vai ser golo, vai ser golo... Foi anulado, o que deitou por terra a alegria imensa da malta. Logo a rica filha se lembrou que enquanto a gente festejava o golo os vizinhos já sabiam da anulação e que isso não tinha graça nenhuma...

Hoje...

• Depois de dois (acho que foram dois) remates aos postes da baliza adversária o Cristiano Ronaldo lá enfiou a bola, marcou. Hoje é um herói, o mundo inteiro fala deste homem. É português, viram só quanto valemos?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

De interesse

Se sou uma pessoa que considera extremamente interessante toda e qualquer coisa que componha este mundo ou que este mundo contenha, se me interesso dum modo tão desmesurado quanto desnorteado, então só posso ser imensamente interessante. Tenho o excesso (interesse desmesurado) e a piada (interesse desnorteado).
Claro que (eu sei, eu sei, eu sei) só uma pessoa como eu vai concordar comigo. Difícil encontrá-la...