E o Outono chegou... Mas como este ano tardou a chegar, talvez não hajam tantos amarelos, laranjas ou castanhos pelas ruas que costumo percorrer. Queria ter publicado este post há umas duas ou três semanas atrás, mas estive à espera de se ver grandes alterações nas cores das folhas. Por fim lá consegui e assim, aqui deixo o derradeiro post desta série que iniciei em Fevereiro deste ano e à qual dei o nome pouco original de Estações do ano. Se não chamasse Estações do ano a isto, também não sei que chamaria... Seja como for, está tudo aqui.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
O OUTONO DAS MIL CORES!!!
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Calpe, 5 de Setembro de 2006
Hoje, durante aqueles maus momentos, tive uma crise de identidade ou coisa do género. Deve ser coisa do género porque não deixei de saber quem sou. Fiquei foi sem saber que ando cá a fazer. Terá sido para deixar semente, uma vez que já produzi dois filhos? Será para isso que vim cá? Terá sido para tirar o Luís da lama? Para lhe fazer companhia e chamá-lo à razão como é meu costume fazer? Será que foi para dar alegria à minha mãe por ter nascido a menina que ela tanto desejava? Será que não venho cá fazer nada por mim própria? Se sim, que será? Neste momento, neste dia, não tenho resposta para isto... A vida é minha e eu não sei que ando cá a fazer...foto: "sacada" do Google
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Hoje foi assim:
Cliente: - Disseram-me que os senhores montam fechaduras...
Eu: - Montamos, sim senhor!... Quantas quer?
Ai que isto não está nada bom...
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Continuo com a mania que tenho piada... hoje perguntaram-me:
- Posso perguntar-lhe se tem pionaises?
- Podia... já perguntou!...
O que vale é que toda a gente riu. Sou tão engraçadinha...
Há uma senhora...
... de que gosto particularmente. Tem um coração enorme, cabem todos lá dentro. Eu também lá estou e num cantinho especial, eu sei.
Estive com ela há dias. Tinha ido comprar lã de várias cores para fazer xailes para oferecer às crianças que frequentam a mesma Igreja que ela. Sentou-se na minha secretária a fazer malha e foi falando comigo. Contou-me de um casal romeno que anda lá na Igreja com 4 filhos e que vive com dificuldades. Ela vai oferecer aos miúdos aqueles xailes pelo Natal. Também queria que lhe arranjasse um objecto que serve para fazer café para as pessoas que vão à Igreja terem uma coisa quentinha para beber depois do Culto, agora faz tanto frio... e lá não há nada disso. Fui à prateleira e arranjei-lhe o que me pedia com prazer. Falou-me dos netos e perguntou-me pelos meus filhos que também são netos dela... contei-lhe as novidades da escola e essas coisas que as avós gostam de saber. É engraçado eu ter sempre assunto para falar com a minha sogra. Depois perguntou-me:
- Que é que tens, mulher? Parece que 'tás murcha.
- Estou doente...
Contei-lhe que estava tão constipada que não tinha dormido nas últimas duas noites e ela lembrou-se imediatamente de um medicamento que tinha lá em casa e que nunca chegara a usar. No dia seguinte não se esqueceu de o mandar pelo marido.
A minha sogra não se esquece. A minha sogra faz o bem e tem um coração de ouro. Quando chegarem as férias de Natal, os meus filhos irão almoçar lá a casa todos os dias comida feita a pensar no gosto deles.
Este post contradiz os dois anteriores. A minha sogra ainda não foi embora. E ouve-me.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Obrigada por me lerem e por estarem aí. Aquilo já passou. São verdades, conclusões que tiro quando observo a minha vida, pondo-me fora dela. Eu tenho essa capacidade. Mal ou bem, a verdade é que a tenho. Consigo sair de dentro de mim por completo e observar-me a mim própria, ver-me como os outros me vêm. É por isso que sei que sou eu que afasto as pessoas.
Às vezes penso que vocês poderão também ir embora como foram os "outros". E só estarei a repetir-me se disser que por vezes tenho necessidade de escrever o que está cá dentro porque, pelo menos por enquanto, aqui ouvem-me. E eu vou escrevendo... porque aqui ouvem-me.
Já aqui escrevi, creio que mais do que uma vez, que o meu blog é uma forma de eu falar e ser ouvida. Porque na minha realidade não me ouvem.
Uma vez mais, Obrigada!
domingo, 25 de novembro de 2007
Estou só...
Hoje sinto e sei que sou eu que afasto as pessoas da minha vida. Não entendo como faço estas coisas mas a verdade é que elas aparecem feitas.
Aqui, ainda bem que isto é um palco de onde não se pode ver a plateia. Se assim não fosse, eu teria a certeza que toda a gente já foi embora e, por não ver a minha plateia, tenho a dúvida. O que gera a expectativa de que alguém me ouça daqui.
Desejo uma boa semana a quem me estiver a ouvir.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Post em três partes
1ª parte - Poucos post's me têm feito pensar tanto como o último que publiquei. Passei o dia de hoje a pensar no que tinha escrito e (ainda por cima) publicado ontem. Já começo a pensar:
" estou sempre a escrever o mesmo, qualquer dia aborreço quem vem ler o que para aqui escrevo..."
O que me vale é que também penso:
" Gina Maria, deixa-te de merdas e escreve o que te apetece e como te apetece!..."
Obediente que sou a mim mesma, estou novamente a escrever e a publicar o que me apetece e como me apetece.
2ª parte - Ultimamente ando com a mania que tenho piada. Ontem entraram na loja dois senhores que tinham ar de "gajos das obras". Isso não constitui qualquer problema para mim porque estou muito habituada a atender grande parte da diversidade de pessoas que existe neste planeta. Para além disso, quem trabalha atrás de um balcão sabe que se há coisa que não se pode escolher... são os clientes. Não há opções, tudo o que vem à rede é peixe.
Mas continuando e antes que me perca, quando eu estava a finalizar o atendimento aos senhores, um deles perguntou-me:
- Sabe dizer-me onde se pode comer bem por aqui?
Ao que eu muito prontamente respondi:
- Aqui ao lado come-se bem. Eu costumo comer lá todos os dias e acho que tenho muito bom aspecto!...
Assim que acabei de dizer a frase perdi toda a espontaneidade porque vi o constrangimento dos dois. Compreendi-os, não ficava bem concordar ou discordar da minha afirmação e daí veio o constragimento.
- " Bolas!... - pensei eu - Já disse asneira... e agora?... Como é que eu vou reparar isto?"
Ora bem, ainda sorridente e espontânea de novo, reparei da seguinte maneira:
- Pelo menos eu acho que tenho boas cores...
Não resultou, continuaram tão constrangidos como antes. Se há coisa que constrange os homens são as mulheres espontâneas... Por isso achei melhor fechar as matracas.
Ah... eles foram mesmo almoçar onde lhes sugeri.
3ª parte - Sou constantemente agredida com choques eléctricos dados pelos carrinhos de compras dos supermercados. E eu queria saber se sou só eu ou se há por aí mais alguém com esta particularidade.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Hoje foi um daqueles dias em que andei bastante por algumas das ruas de Lisboa mas com um propósito diferente do habitual. Tinha que ir entregar uma papelada a um dos últimos números ímpares da Avenida 5 de Outubro. Agarrei nas perninhas e lá fui eu.
Iniciei a minha caminhada numa das ruazitas da zona de Arroios e orientei-me de maneira que fosse o mais a direito possível até ao meu destino. Subi a Avenida Guerra Junqueiro, passei a Praça de Londres, atravessei a Avenida João XXI, entrei na Avenida de Roma e virei na Avenida Óscar Monteiro Torres. Tentei ao máximo entreter-me com a paisagem para não pensar em nada. Às vezes faço este exercício mental porque preciso de descansar e assumir, mesmo que seja só por uns momentos, outros valores ou outros pensamentos.
Há vários dias que só penso coisas do tipo: "não estou a conseguir livrar-me disto...raios partam este feitio de caca que eu tenho!..." Assim sendo, achei por bem dar valor à paisagem que creio ser algo que pode ser paradoxal por ser tão importante e tão banal ao mesmo tempo. A paisagem e a atmosfera têm tanto valor e eu quase me sinto parvinha por passar o tempo a reparar nas cores do Outono, nos sons dos passarinhos, nas pessoas entretidas nos seus afazeres ou nos seus pensamentos, na luminosidade deste sol outonal que faz o vermelho da Praça de Toiros do Campo Pequeno parecer tão vivo, passar numa rua chamada Chaby Pinheiro e pensar que não faço ideia quem terá sido, na Avenida da República parecer tão imensamente larga por eu estar apeada, no barulho dos comboios ao passar na estação de Entre-Campos e, por fim, quando já me encontrava na Avenida 5 de Outubro, o frio que estava e eu quentinha de tanto andar. Isto são banalidades importantes. Pelo menos, hoje foram...
Mesmo assim... tanta coisa, tanta coisa... e não me livrei daquilo... o que eu queria era não pensar em nada e hoje não consegui.
Cheguei ao meu destino, fiz o que tinha a fazer e voltei para o meu local de trabalho pelo mesmo caminho e pelo mesmo meio - a pé. Assim que pude escrevi este texto que agora publico.
Há meses, para não dizer anos, que carrego um peso e quando dou por mim, estou a pensar nele e a escrever acerca dele.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Disse ao rico filho que as cenouras são um alimento próprio para quem iniciou a prática de Futsal recentemente. E mais, para quem vai treinar às Segundas e às Quintas é absolutamente imprescindível comer cenouras para um bom funcionamento ao nível físico.
Ele não acreditou! É normal, estas histórias da mamã só resultaram até aos 5 anos...
domingo, 18 de novembro de 2007
masculinidade
homem poder músculos liderança atlético odor maturidade sabedoria cuidado virilidade paternidade força segurança
Fui fazer um estudo de mercado acerca de fragâncias masculinas. No início, a dirigente da reunião escreveu no quadro a palavra "masculinidade" e foi pedido às participantes - onde eu me incluía - que dissessem palavras que aquela lhes fazia lembrar.
Eu fui a primeira:
- Homem.
Alguém disse:
- Poder.
Outro alguém disse:
- Músculos.
Mais outro alguém:
- Liderança.
E ainda um alguém:
- Atlético.
Eu novamente:
- Odor.
Alguém disse:
- Maturidade.
Outro alguém disse:
- Sabedoria.
E ainda um alguém:
- Cuidado.
Eu pela última vez:
- Virilidade.
Alguém disse:
- Paternidade.
Outro alguém disse:
- Força.
E ainda um alguém:
- Segurança.
Depois disto fiquei a saber que o meu conceito de masculinidade é meramente (ou estupidamente) básico... se calhar nestas coisas sou primata ou irracional ou selvagem ou assim...
sábado, 17 de novembro de 2007
Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências - Nível secundário
Terça-feira passada fui a uma sessão de esclarecimento acerca do processo R.V.C.C. para o nível secundário. No final de toda a explicação houve uns minutos dedicados às eventuais dúvidas da assistência. Tive dúvidas mas não precisei de as expor porque eram semelhantes às dos meus "colegas". Por isso limitei-me a ouvir.
Está esclarecido que tenho que ter um perfil adequado para o processo ser bem sucedido o que implica ter tido uma vida muito experiente em vários aspectos por forma a ser certificado que tenho competências ao nível do 12º ano. Para tal, tenho que elaborar um portefólio que inclua toda a história da minha vida sob as vertentes consideradas importantes para o processo. Tenho que demonstrar e provar competências sem que nada me seja ensinado. É assim que funciona este processo e isso não é novidade para mim. Afinal de contas foi através do R.V.C.C. que adquiri a equivalência ao 9º ano. (para o caso de quereres ler, está tudo explicado aqui)
Deixei a minha inscrição feita e agora só me resta deixar de pensar que não sei nada, que não sei fazer nada e que na minha vida não há nada que tenha o mínimo interesse ou valor para que eu seja possuidora do perfil desejável para este processo.
Always Look On The Bright Side of Life...
Hoje comprei umas botas. Cheguei a casa e orgulhosamente, mostrei-as à rica filha que imediatamente exclamou:
- Lharrc!!! Que horror mãe, detesto essas botas!!!
E eu, tão rápida quanto ela, respondi:
- Óptimo!!! É da maneira que não as vais buscar para as usar!...
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
O meu humor está sempre vulnerável...
O humor não deveria ser, por si só, forte e consistente? Eu acho que sim. O humor deveria ser sempre bom humor. Mas o meu está sempre por um fiozinho... sem força ou consistência, a cair para o lado do mau humor...
Aguardo melhoras, sem ansiedade. Quando elas chegarem, muito agradecida lhes darei as boas-vindas.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
EU TENHO QUE PUBLICAR ISTO!!
terça-feira, 13 de novembro de 2007
"É fácil fazer-te rir simplesmente porque me amas.Tens-me amor e isso equivale a achares-me montes de piada.
Ris-te para mim e eu retribuo com um sorriso porque também te amo. Também me fazes rir com facilidade porque te amo."
É difícil descrever o amor. Ao tentar descrevê-lo quase me sinto mesquinha por ser desnecessário. Afinal, porque carga de água tenho que definir o amor? Por carga de água nenhuma. O que acontece é que hoje apetece-me ondular ao sabor deste tema.
A primeira coisa que me vem ao pensamento é: fazes-me sentir bem, proporcionas-me felicidade. Amo-te pelo que tu és, assim como és e assim como estás. Vês-me e olhas-me, escutas-me e ouves-me, falas e conversas comigo.
Se eu pintasse o amor seria em tons de vermelho e laranja. Porque sinto o amor como algo quente e sumarento.
P.S. A foto é antiga mas por ser cómica, foi a melhor que encontrei para ilustrar este post.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
PORTA-CHAVES --->>> diferenças
Através das diferenças que existem entre estes quatro molhos de chaves dá para perceber que a malta cá de casa é diversa na sua maneira de estar e, para além disso, existem vários aspectos que fazem com que estas diferenças existam e se acentuem:
Nº 1 -> O rico filho apenas precisa da chave de entrada da porta do prédio e da porta da nossa casa. Além do mais, não quer porta-chaves nenhum porque diz que só serve para o atrapalhar na hora de abrir as portas.
Nº 2 -> O Luís já tem que transportar um maior número de chaves. E gajo que é gajo (leia-se macho que é macho) não usa porta-chaves amaricados nem chaves coloridas, nem anda com tretas que não fazem falta nenhuma, não se vá ele sentir-se lesado na sua virilidade (homens!!!). Uma argola grande serve muito bem!
Nº 3 -> Eu... nunca me dei ao trabalho de pesar o molho de chaves com que sou obrigada a andar (qualquer dia trato disso). O meu molho inclui as mesmas que o meu gajo (macho) e ainda tenho que andar com a chave suplente do carro e as chaves de duas lojas, aquela onde trabalho e a do meu gajo (macho), que são as duas fechadas a sete chaves. Por andar com tantas chaves nem tenho vontade de ter um porta-chaves amaricado...
Nº 4 -> Já a rica filha tem três porta-chaves muitíssimo amaricados e um emaranhado de argolas que na foto nem dá para ver. Para além das chaves das portas, anda também com as chaves da arrecadação sem necessidade nenhuma disso. Quando falámos acerca disso, disse-me que gosta de andar com muitas chaves. Parece que é fashion...
domingo, 11 de novembro de 2007
Os meus ténis - pela segunda vez
Ainda não sei bem porquê mas os meus ténis continuam a dar nas vistas!... Que hei-de eu fazer? Nada... limito-me a manifestar espontaneamente um ar surpreso a que se segue uma vontade de rir que sinto crescer e me contenho para não se transformar em intensas e sonoras gargalhadas porque considero algo tão insólito esta "coisa" com os meus ténis que me faz rir. Então desta vez foi assim:
Eu estava - tal como da outra vez - na fase final do treino, sentadinha a alongar os musculozinhos todos e a sola dos meus ténis estava, inevitavelmente, à vista... E ouvi, mas desta vez de um professor diferente:
- Eu estava ali e de repente reparei nos seus ténis. Têm uma sola espectacular!... - a seguir a ouvir isto demonstrei o tal ar surpreso que já descrevi dois parágrafos acima e respondi:
- A sério?... Mas porquê?... O que é que têm de especial?
- Não sei... - respondeu ele - essa sola é muito fora do comum... eu nunca tinha visto nenhuns ténis assim...
De repente, senti necessidade de explicar ao moço o porquê de tanto espanto da minha parte:
- Sabe o que é?... É que eu estou assim espantada porque quase toda a gente por aqui se encanta com os meus ténis... todos vocês os elogiam e eu não sei porquê...
- Pois... é porque esses ténis são realmente fora do comum. Está visto que os comprou para dar nas vistas... - brincou o professor.
- Nã...
- Eu estou a brincar... - cortou ele.
- Ok. Pode brincar à vontade - disse eu com um sorriso de orelha a orelha.
Ora aqui está! Os meus ténis são pretexto para que falem comigo e me dêem atenção. Nos últimos meses tenho ouvido com frequência coisas do género:
- Então, tudo bem por aqui? Com esses ténis que parecem vir da guerra das estrelas...
- Ai esses ténis... qualquer dia roubo-lhos...
- A sério, esse verde aí dá um toque excelente!
- Não consigo deixar de olhar para os seus ténis...
E depois há os olhares que lançam - aos ténis, pois está claro! - de profunda e sincera admiração que complementam com palavras manifestando agrado tanto pela parte estética como pela parte funcional. Ou seja: tudo naqueles ténis é maravilhoso para eles e eles, são pessoas habituadas há anos a ver todo o tipo de equipamento desportivo!...
Na foto são os meus ténis que com tantos elogios bem merecem uma publicaçãozinha. Mereciam também uma foto de melhor qualidade mas com o tempo que tenho para o meu blog, é o que se arranja...
sábado, 10 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Acabei de ler no blog Dona-Redonda, mais precisamente aqui, que há pessoas que escrevem por necessidade e outras como passatempo. Segundo ela ouviu no curso de escrita que frequenta, os primeiros são escritores.
E eu pus-me a pensar para tentar descobrir se serei uma escritora. Não consigo concluir que verdadeiramente escreva por necessidade por me parecer que às vezes a vontade de escrever é sentida como um hábito que se tornou, sem eu querer, viciante. E eu não sei se não será daí que vem a necessidade de escrever; estou viciada.
É verdade que às vezes tenho mesmo necessidade de escrever, faz-me falta. Uma prova disso é o post que escrevi há dias atrás, ou mesmo tantos outros que andam pelo meu blog ou pelos meus cadernos dos desabafos. É verdade também, que sinto outras frases e palavras que escrevo como um vício. Por exemplo, quando assisto a algo interessante - mau ou bom - ou há uma paisagem que me transmite qualquer coisa - mau ou bom - eu formo imediatamente um texto na minha cabeça e não sei se não será por ter adquirido o hábito, ou vício, de escrever. Infelizmente nem sempre posso escrever imediatamente o que me vai na cabeça - na realidade é quase nunca...
Por vezes, quando leio o que já escrevi, acho que falta qualquer coisa às minhas palavras. Falta uma coisa ou muitas. Falta profundidade e objectividade, é o que me parece. No entanto, não me parece que falte sinceridade, clareza e idoneidade em relação ao que escrevo, uma vez que escrevo quase sempre acerca de mim e das minhas coisas. Se calhar devia ir buscar temas mais apelativos, direi mesmo polémicos e assim atingir mais profundamente e mais objectivamente os assuntos. Mas assim não sentiria como minhas as palavras porque habitualmente sou uma pessoa reservada e as discussões aborrecem-me imenso.
Enfim (grande suspiro)... vou deixar a flutuar na blogosfera:
Serei uma escritora? Dás-me a tua opinião?
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Loures, 19 de Outubro de 2007
As futilidades dão prazer, muito mais prazer do que as utilidades. O porquê eu não sei clarificar mas posso tentar - talvez seja pelo prazer do que está mal, porque o que está mal tem sempre um intenso sabor. Sabe a caril, pimenta ou açafrão das Índias.... ou canela, porque o mal também alicia pelo doce...
Por falar em futilidades e utilidades, porque não se medirão duas coisas opostas da mesma maneira? Porque é que não dá um prazer igual comprar um perfume ou esfregar e "lamber" uma cozinha em cada centímetro da sua área? Pois se em ambos os casos é exalado um odor agradável... esta é que eu já não sei responder...
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Quem é que me dá uma esmolinha?
Em tempos escrevi aqui o seguinte:
Alguém fica à porta e numa voz forte pergunta:
- Quem é que me dá uma esmolinha, por favor?- Tiro uma moeda da caixa registadora (espero que não haja nenhum fiscal das Finanças a ler o meu blog), dirijo-me à pessoa, dou-lhe a moeda e digo:
- Boa tarde.
- Boa tarde. Obrigadinho e bom negócio.
- Obrigada - respondo eu. Nesta altura, tenho sempre que reprimir um "igualmente". Será que pareceria assim muito mal desejar-lhe um bom negócio para ele também? É que no fundo, ele também anda a fazer o seu trabalho. Portanto, nada mais natural do que fazer votos para que o negócio dele prospere."
"Quarta-feira, 26 de Julho de 2006
Alguém fica à porta e numa voz forte pergunta:
- Quem é que me dá uma esmolinha, por favor?- Tiro uma moeda da caixa registadora (espero que não haja nenhum fiscal das Finanças a ler o meu blog), dirijo-me à pessoa, dou-lhe a moeda e digo:
- Boa tarde.
- Boa tarde. Obrigadinho e bom negócio.
- Obrigada - respondo eu. Nesta altura, tenho sempre que reprimir um "igualmente". Será que pareceria assim muito mal desejar-lhe um bom negócio para ele também? É que no fundo, ele também anda a fazer o seu trabalho. Portanto, nada mais natural do que fazer votos para que o negócio dele prospere."
Posso dizer que hoje em dia já não reprimo coisa nenhuma e desejo-lhe um "igualmente" sonoro e com boa dicção sempre que há uma "transação" desta natureza. Afinal de contas o homem anda mesmo a trabalhar, coitado... a ganhar o pão de cada dia... muito esforçado... farta-se de andar... eh pá... ainda por cima é coxo... que pouca sorte a dele... ter que calcorrear tantos quilómetros para ao fim do dia ter ganho o quê? Uma miséria!... Pobrezinho...
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
A quem deixou o seu comentário aqui, o meu muito obrigada. Às vezes tenho necessidade de escrever alguns dos pensamentos que tenho de modo a deixarem de ter importância. Escrevi que ninguém vem ler nem ninguém me vem dar conselhos sem querer menosprezar quem vem aqui ler o que escrevo... referia-me principalmente a quem me conhece pessoalmente.
A minha vida é complicada, e talvez eu a devesse descomplicar mas por enquanto nada posso fazer. É por isso que me sinto tão encurralada, sem saída. E esta prisão torna-me uma pessoa solitária porque me vejo forçada a isolar-me para me manter o mais sã possível.
Enfim... nada como um dia atrás do outro e eu a aproveitá-los todos muito bem, pois está claro!!!
E agora vamos ao que interessa:
Ainda ando de sandálias!!!!
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
O rico filho faz um ar malandreco quando eu o abraço... só porque é maior que eu! E por isso fica uma sensação estanha. Ainda não me habituei mas não vou deixar de abraçá-lo sempre que me apetecer. Até porque o mais certo é ele ainda crescer um bom bocado mais. Para além disso ele ainda gosta que o abrace. Continuemos então, filho.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Eu a pensar (outra vez)
Nestes últimos dias a minha disposição tem sido afectada pela culpa. Não me consigo livrar disto. Estou terrivelmente só e triste. É muito difícil engolir as emoções e há necessidade de recalcá-las cá para o fundo... E se a conversa vai ter a isto ou aquilo forço-me a refundir qualquer vestígio de sentimento... A minha vontade é dizer exactamente o que penso e como penso e acabar de uma vez com tudo isto. É horrível não poder contar nada de nada a ninguém. Nem sequer me posso queixar e dizer que estou triste. Quem iria entender? Presumo que ninguém... Mas, bolas!... Eu tenho que extravasar de alguma maneira isto que sinto!... E estou a fazer isso aqui!... Ninguém vem ler, ninguém me ajuda nem me dá conselhos mas eu escrevo e assim de alguma maneira sai de dentro para fora. Não é arrancado, fica a ecoar na minha cabeça porque não verbalizo mas sai em forma de letras. Sai. E por agora é o que me interessa. Terapia surda e muda porque não ouço nem falo. Mas não cega ou insensível porque eu vejo e sinto tudo.
Está a dar-me vontade de rir à gargalhada. Quando começo a achar piada à minha própria vida e aos meus próprios pensamentos, compreendo que sou capaz de não estar assim tão mal. E agora estou a rir de mim mesma porque sou uma mulher com piada. Uma mãe de família aparentemente saudável psicologicamente e que afinal... (quase) só pensa em merdas que não valem um cú... dá vontade de rir. Hipócrita e dissimuladora... cruel... perversa... também dá vontade de rir. Muita.
Relaxa mulher!... Amanhã é outro dia. Vou lembrar-me de o aproveitar.
Está a dar-me vontade de rir à gargalhada. Quando começo a achar piada à minha própria vida e aos meus próprios pensamentos, compreendo que sou capaz de não estar assim tão mal. E agora estou a rir de mim mesma porque sou uma mulher com piada. Uma mãe de família aparentemente saudável psicologicamente e que afinal... (quase) só pensa em merdas que não valem um cú... dá vontade de rir. Hipócrita e dissimuladora... cruel... perversa... também dá vontade de rir. Muita.
Relaxa mulher!... Amanhã é outro dia. Vou lembrar-me de o aproveitar.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
"Isto" sou eu a pensar:
Há uma imagem na minha cabeça quase desde sempre. Imagino-me a espreitar algo sem que me vejam, como se não fizesse parte do mundo em que vivo, como se não pudesse fazer parte dele por tudo me estar vedado e interdito. Porque me imagino só a espreitar o mundo e a não fazer parte dele? Suponho que seja porque ainda o vejo como algo inatingível, como se tudo o que me dá prazer seja, só por isso, mau. Não tenho espaço para deleites. Não posso desfrutar das coisas verdadeiramente boas porque as coisas boas são proibidas e ilícitas. A conclusão que tiro é que este sentimento é uma espécie de culpa por me sentir bem, uma culpa que não deveria sequer existir porque não tem razão de ser.
E pergunto-me se isto em que me transformei será bom. Ou por outra, se isto será transformação pelas experiências vividas ou simples revelação daquilo que realmente sou. Talvez tenha atingido um grau de maturação ideal para este dia e hoje não tenho vergonha do que sou e do que sinto. Ou então eu sempre fui assim mas não me tinha revelado. Poderá ser isso.
Demasiados avisos e demasiadas reprimendas: "não mexas aqui", "não brinques com fulano", "não digas", "não chores", "não sejas assim", "não faças", não sintas dessa maneira", "não está bem", "cala-te", "não podes"... Adquiri o hábito de achar que estou sempre errada. Estou convencida de que está sempre tudo mal em mim. Sempre fora de tom, de compasso e de contexto. A minha maneira de ser e de sentir não deveria ser esta e nunca estou alinhada com nada nem com ninguém. Sou sempre questionável e estou sempre à parte. E agora dei nisto.
Hoje estou liberta de ideias concebidas por outras cabeças. Estou por minha conta e não tenho máscaras. E então em que é que fico? É bom ou é mau? Não querendo repetir-me mas repetindo-me na mesma: estou optimamente mal assim como estou... é isso.
É bom. Muito, muito bom.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Uma das sensações mais desagradáveis que sinto por vezes, é a de que não sei educar os meus filhos...
Passou pouco mais de um mês deste novo ano lectivo e... o rico filho já tem, no mínimo, meia dúzia de recados de professores queixosos da falta de trabalho e a rica filha uma ameaça de falta disciplinar. O André é preguiçoso e a Ana Cláudia é implusiva. O André tem aquela meia dúzia de recados e a Ana Cláudia tem aquela quase falta disciplinar por causa daqueles defeitos que eles têm e que eu tão bem conheço. Infelizmente, estas situações não são primárias, desde há alguns anos a esta parte tenho vindo a habituar-me a receber chamadas telefónicas dos respectivos directores de turma.
Questiono-me muitas vezes se andarei a fazer algo de errado na educação que lhes dou. Serei demasiado liberal e aberta? Terei que deixar de ser uma mãe jovial e bem disposta e passar a educá-los com rigor militar? Deverei tornar-me inflexível e rígida não dando espaço a risos e brincadeiras? Sinceramente não acho que deva mudar coisa nenhuma mas às vezes não consigo deixar de me sentir um pouco culpada porque os meus filhos não apresentam os mesmos resultados escolares que há uns anos atrás apresentavam... e então vem-me à ideia de que eu é que tenho que mudar, eu é que tenho que fazer alguma coisa.
Seja como for, os ricos filhos continuam a ser as coisas melhoresmelhores e mais lindas do mundo. O que eu sei é que os meus filhos são educados, pontuais e assíduos. Do contrário nunca eu recebi queixas nenhumas. Continuo a achar possível que os meu filhos venham a ser adultos responsáveis, trabalhadores, empenhados e batalhadores pela vida fora.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
domingo, 21 de outubro de 2007
Fui cortar o cabelo e arranjar e pintar as unhas. Tinha algum tempo livre, dinheiro na carteira e vontade de mudar de aspecto. Quando assim é - refiro-me à vontade de mudar - é sempre prazeiroso ver o resultado final. Quando saí para a rua sentia-me fresca e leve. A frescura devia-se ao facto de já não ter cabelos a tapar-me o pescoço e a leveza por já não carregar comigo o que ficou no chão do salão de cabeleireiro. É bom. Não sei se é porque tem sabor a excentricidade. Porquê? Talvez seja porque, lá muito no fundo - mas é assim mesmo, mesmo, mesmo... lá no fundo - eu poderia agarrar na tesoura que tenho na gaveta da máquina de costura, pôr-me em frente ao espelho da minha casa-de-banho, cortar eu própria o cabelo e depois deitar os despojos no meu caixote do lixo. E também, lá muito no fundo - mesmo, mesmo, mesmo... - poderia eu própria pintar as unhas cá em casa. Pois podia...
É melhor de deixar de escrever estas parvoíces porque a esta hora já deves estar a pensar: "Que horror!... Onde é que eu vim parar!... A autora deste blog é completamente doida!..."
Não duvides que sou saudavelmente insane. Já há muito tempo que sou sensata e desiquilibrada em silmuntâneo. E não pretendo mudar. Para já, estou optimamente mal assim.
sábado, 20 de outubro de 2007
Loures, 20 de Outubro de 2007
Estive há pouco a ver fotografias muito antigas, o primeiro álbum de fotografias que comecei a construir depois de casar e antes de terem nascido os meus filhos. Não foi grande coisa ver algumas pessoas lá retratadas, trouxe-me más recordações e chorei de raiva, tristeza e decepção, porque desconheço a razão de me quererem mal. Esta incógnita é o pior de tudo.
Há uma célebre frase de Fernando Pessoa que diz: "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."
Eu não sei guardar as pedras que encontro no meu caminho. Não sei se por imposição de mim mesma ou se por falta de maturidade, a verdade é que eu não quero construir porra de castelo nenhum!... Ainda que compreenda que as más - ou tristes - experiências sirvam para que eu cresça e fique com a personalidade mais forte e robusta, eu não tenho vontade de guardar as minhas pedras. Mas se não as guardar estarei sempre a tropeçar nelas...
Tenho mesmo que construir um castelo...
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
G I N A
- Como se chama? - perguntou-me o senhor da transportadora para cumprir as regras habituais. A pergunta foi feita porque tem que ficar o registo de quem recebeu a encomenda. E eu respondi:
- Gina - passou imediatamente algo pelo meu pensamento. Passou tão rápido que nem sei descrever. O senhor sorriu, agradeceu e despediu-se.
Por coincidência, no dia seguinte havia outra encomenda da mesma transportadora. Curiosamente quem a veio entregar foi o mesmo senhor. Novamente ouvi a pergunta:
- Como se chama?
- Gina - disse eu sorrindo e olhando bem para ele, ao mesmo tempo que tentava adivinhar o seu pensamento, ou se calhar adivinhando-o mesmo.... Desta vez, o que me passou pelo pensamento eu sei descrever.
Possivelmente o homem sorriu maliciosamente porque se lembrou da revista "Gina" e eu correspondi ao sorriso com cumplicidade e algum sentimento de resignação porque naquele momento tive a certeza do que ele estava a pensar. Não fiz, nem costumo fazer, nenhum tipo de comentário quando assisto a cenas deste género. Apenas me preparo de armas e bagagens para o que quer que venha a ouvir...
Ao longo da minha vida tenho reparado que algumas vezes o meu nome dá nas vistas particularmente aos elementos do sexo masculino por causa da tal revista. Na adolescência era algo do género: "Chamas-te Gina? Como aquela revista das mulheres nuas?" Naquela altura, esta questão era feita com um misto de surpresa e entusiasmo pelo que o nome "Gina" os fazia lembrar. Confesso que comecei a ouvir estas perguntas antes mesmo de saber da existência da famosa revista, até que um dia a vi exposta num quiosque. Na capa só se via uma mulher da cintura para cima de mamas ao léu. Lembro-me de achar piada ao facto de existir uma revista com o meu nome, mesmo que fosse uma revista pornográfica. Não fazia mal nenhum... até era giro...
O meu nome é também frequentemente ligado à prostituição. Ou seja... (desculpa lá mas vai mesmo a seco) é nome de puta. E para além disso faz lembrar vagina e tal... e isso também não faz mal nenhum... quero lá saber! Até é giro... e sugestivo e tal...
Mas continuando, passaram alguns anos e a pergunta manteve-se mas muito mais esporadicamente. Hoje em dia ainda ouço: "Gina? Não é..." Normalmente não deixo acabar a frase e atiro logo um sério e pausado:"Sim... como a revista..."
Com a vida aprende-se (e eu aprendi muito bem, diga-se) a aceitar as situações que não se podem modificar. Aprendi a aceitar e esperar o impacto que o meu nome causa aos homens por causa da revista "Gina" e não só. Em vez de baixar o olhar pelo constrangimento que me causa ver a malícia nos olhares masculinos, ou ainda, algumas palavras libidinosas, dou a volta à situação e enfrento-os com o meu destemido e aguerrido olhar que quando eu quero, deixa transparecer algo assim:
- Q ' é q ' foi ó borrego?... Dói-te alguma coisinha?...
Enfim... o meu nome é G I N A!!!... OK???... Algum problema?... Não, pois não?... Bem me parecia...
Volta sempre.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
terça-feira, 16 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Sexo tântrico é...
('tou a ver se me vem à cabeça uma frase que consiga exprimir a conclusão a que cheguei hoje ao ouvir um programa de rádio) ... é uma queca insípida... incompleta...
Se calhar até nem tem gracinha nenhuma. Não sei... digo eu que pouco sei...
domingo, 14 de outubro de 2007
Tenho o PC, as mãos, os olhos e o tempo à minha disposição mas não sei que hei-de escrever, faltam as palavras. E as palavras são o que não pode faltar para escrever... Se calhar tenho a cabeça "varrida" porque acordei há pouco mais de uma hora... não chega ideia nenhuma porque não tenho todos os sentidos despertos.
(pausa para café e procura de algo que já anteriormente tenha escrito no caderno dos desabafos)
Encontrei isto:
" Lisboa, 10 de Outubro de 2007
Ora aqui estou eu no Ginásio à espera do Luís.
Tenho que escrever no blog algumas coisas referentes ao post publicado ontem. Tenho que lá escrever que há coisas na minha profissão de que eu até gosto mas que, de uma maneira geral, não gosto da minha profissão. Também tenho que escrever lá que sei perfeitamente que todas as profissões têm tarefas que não dão prazer. Eu escrevi e publiquei aquele post para tornar mais leve a minha vida profissional, tentei dar uma ideia de como pode ser divertida e se calhar não foi essa a ideia que transmiti...
O "tal" professor anda aqui a arrumar as máquinas e pondo os pesos no sítio uma vez que o Ginásio está quase a fechar. Acho que reparou e se admirou de me ver a escrever. Por acaso este moçoilo tem montes de piada... ainda bem que não sabe que eu já escrevi acerca dele e que ainda por cima publiquei na Internet um texto onde faço menção à sua pessoa.
Mais pessoas reparam que estou a escrever: o recepcionista, outros professores e alguns utentes do Ginásio. Quase todos eles fazem um esgar de surpresa ao verificar que escrevo. Será que sabem que estou a escrever ao acaso, que escrevo o que me passa pela cabeça num diário? Se calhar pensam que isto é um rascunho porque sou jornalista ou professora. Nesse caso seria muito pobrezinha, sem PC portátil e escrevendo à mão num caderno...
Possivelmente pensarão: "ui... um diário... contém segredos, recantos escondidos... onde ela escreve intimidades vividas ilicitamente... ui... os seus mais íntimos desejos..."
E eu penso que alguns dos meus desejos são ocultos até para mim... ui..."
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
O rico filho esteve doente e ao ser auscultado pelo médico este perguntou-lhe:
- Então o que é que tu fazes? Jogas à bola?- Sim, jogo futebol - respondeu o André com a sua voz grave que parece que vem de todo o lado e de lado nenhum ao mesmo tempo, qual ribombar de trovão.
- Nota-se. Tens o batimento cardíaco característico dos jogadores de futebol.
OK... já aprendi mais uma. Não fazia ideia de que era possível identificar desta forma uma actividade desportiva. Com a continuação da conversa fiquei a saber que o André tem capacidade física e grande potencial para médio esquerdo, uma vez que é canhoto a chutar e que esta particularidade é invulgar.
É uma pena que o André jogue num clube onde não lhe dão sequer hipótese de jogar nesta posição e o ponham como defesa esquerdo. E ainda tenho mais pena de o ver frustrado e triste com o treinador...
Foto: o André a fazer o pino dentro de água durante as férias deste ano
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Loures, 18 de Agosto de 2005
"Estive sentada num dos bancos da Praça de Londres a pensar na minha vida. Estive a pensar no que já fiz, no que faria e no que farei em vários aspectos da minha vida. Os mais importantes são, sem dúvida, a maternidade e o casamento. Claro que também pensei noutros aspectos, os menos importantes, que compõem a minha vida. Não posso dizer que tenha sido proveitoso, não cheguei a nenhuma conclusão. Eu quero sempre respostas para tudo e gosto de saber sempre os porquês das coisas. Por isso sou tão ansiosa. Gosto de saber porque é que me aconteceu isto ou aquilo, porque é que sinto as coisas de determinada maneira. E não obtenho sempre as respostas. Isto deixa-me num estado de ansiedade tremendo, por vezes."
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Durante esta semana perguntaram-me:
- Então e as férias, foram boas? - fiquei parada e pasmada mas depois de recuperar o ar respondi:
- As férias já foram há tanto tempo que já nem me lembro que as tive...
Depois fiquei a matutar e como as conversas são como as cerejas e os pensamentos são mais cerejas ainda (!!!), tanto pensei que fui dar à questão que já algumas vezes aqui abordei - não morro de amores pela minha profissão e pela maior parte das funções que desempenho. Fiz uma retrospectiva e achei que é tempo perdido o que passo a lamuriar a minha infelicidade. Então olha lá:
- Estar num sítio onde aparece um menino de uns 8 anos com um corrimão que tinha acabado de partir, aflito à procura de um produto que solucionasse aquele problema tão "grave" antes que a mãe descobrisse...
- Duas amigas octagenárias discutirem, enquanto as atendo, acerca de quando uma delas não ouve a campaínha...
- Ocupar-me do transporte de um pacote de Skip de 900 gr para o meu local de almoço para entregar posteriormente à cliente porque ela ainda queria ir a um sítio e não queria andar carregada...
- Observar pelo canto do olho um par de namorados trocando carinhos, digamos que intensos, enquanto eu estava atrás do computador registando a compra que eles efectuaram... acho que é melhor eu pensar que eles não sabiam que eu os conseguia ver de onde estava... porque se calhar até sabiam...
- Uma senhora dizer-me que não queria uma esfregona com um pau (!!!) tão comprido... enfim, nem todas gostamos do mesmo...
- Uma outra senhora muito, mas mesmo, mesmo muito castiça, perguntar-me se por o meu vizinho se ter atrasado a abrir a porta depois do almoço, lhe teria dado alguma caganeira fora de horas...
- Ah... então e um senhor que me entrou loja dentro só para me dizer que o fio de nylon não dá para fazer nós... também aqui fiquei a pensar: "Não... isto não me está acontecer..."
- E por último, pasma-te, hoje perguntaram-me se eu tinha dióchéne (é claro que não está bem escrito, como pode estar bem escrita uma palavra que não existe?)
Mas eu traduzo: Vieux-Chaine. O mais engraçado é que a cliente em questão tem um canudo altíssimo... e há mais deste género aqui se quiseres ler.
Eu devia era exultar de alegria, regozijar-me e deleitar-me de prazer pelo privilégio que tenho em desempenhar esta bela profissão... não achas?
domingo, 7 de outubro de 2007
Apetece-me comer gafanhotos e sair daqui aos saltos... Estou frágil. Outra vez. Sinto culpa sem razão aparente. Sinto culpa por sentir culpa. É um ciclo viciado, vicioso e viciante. Que vai crescendo, ganhando peso... e qualquer dia não posso com isto de tão pesado que está. Sinto-me só porque não há como partilhar a carga.
Mas:
- Amanhã é outro dia e parece-me que vai estar soalheiro
- Poder desabafar daqui para o mundo é muito bom
Esfera - Pedro Khima
Se algum dia aqui chegares, vais sentir que isto é para ti. Este poema enquadra-se perfeitamente no que sinto agora:
Esfera (Pedro Khima)
Por sinal, essa esfera que me tentava sem me olhar,
Nada mais era do que um som
Que me levava a tentar fugir de ti… sair de ti…
Uma vez mais, sem saber porquê,
Uma vez mais, sem saber porquê,
Desisti para te dizer:
Não dá mais, quero mais…
Se não for assim,
Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais!
Mais, mais…Quero mais…Mais, mais…
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,
Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,
Que me deixes ir,
Que me libertes de ti, que não me faças sentir,
E eu não quero cair, não me posso entregar
Sem que percebas que não podes julgar,
E eu quero tentar, poder acreditar
Que o aperto cá dentro
Um dia vai acabar,
E o monstro em mim, não irá sucumbir,
Não desfalece por não conseguir
Que olhes para mim, que me faças existir,
Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Mais, mais...
Mais, mais...
sábado, 6 de outubro de 2007
Continuação:
Com o comentário da Redonda lembrei-me que esta história merece que eu conte mais um pouco porque, efectivamente, há mais para contar:
Quando eu vi aquela cena eram 9 horas da manhã aproximadamente e ia a caminho do meu local de trabalho. Passado um bocado, quando estava na altura da minha pausa habitual para tomar café encontrei os pais da menina sentados numa mesa do café do Jorge. E não pude deixar de ouvir que comentavam em que estado de espírito a menina tinha ficado na escolinha. Ouvi a mãe:
- Ela ficou bem, não achas?
E o pai respondeu:
- Sim... ela ficou bem...
Era notório o estado de ansiedade em que se encontravam e eu compreendi-os tão bem que sorri para os dois. O meu sorriso foi correspondido e ficou no ar algo semelhante a cumplicidade porque eu sei quanto custa ter que deixar os filhos "voar" sozinhos.
A ida para a escola é talvez o primeiro vôo que os filhos fazem na vida. Quanto a mim, foi aí que eu percebi que as dores do crescimento existem mesmo, não só para quem cresce mas também para quem vê crescer quem é carne da sua carne. É por isso que acho essencial aproveitar todas as fases e idades dos meus filhos. Ainda hoje ouvi alguém dizer na série de TV "CSI Miami" que ser pai ou mãe não é um direito mas sim uma dádiva. Concordei. Plenamente. Assim intensifico este sentimento de que tenho que ser feliz com todas as fases da vida dos meus filhos. Tento não ficar saudosa do tempo em que ficavam no berço a palrar ou do tempo em que era tão fácil distraí-los para não chorarem e aproveito para me alegrar porque sabem ir sozinhos para a escola ou sabem confeccionar coisas simples para comerem se eu me atrasar a chegar a casa.
Ser mãe é uma dádiva e eu aproveito-a.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Há tanto tempo que não ia ao "Vasco da Gama"...
Há tanto tempo que não via as pessoas tão absortas nos seus pensamentos...
Há tanto tempo que não andava ao sabor do balanço de um comboio...
Há tanto tempo que não via pessoas ao monte e andando desgovernadas em todas as direcções...
Há tanto tempo que não ia ver o Rio Tejo...
Há tanto tempo que não reparava que ali, ao pé do rio, as pessoas andam mais devagar e têm uma expressão mais descontraída...
Há tanto tempo que não dava um passeio assim...
Há tanto tempo que não andava à deriva e sem rumo certo... não porque tenha que ser mas porque eu quero...
Há tanto tempo que não andava no meio de tanta gente e só comigo...
Há tanto tempo que não sentia um arrepio de frio...
Há tanto tempo que não contemplava um horizonte tão longínquo...
Há tanto tempo que não visitava o meu "suavizante cerebral"...
Ahhh... foi muito bom...
foto: Ponte Vasco da Gama sobre o Rio Tejo
autoria: minha
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
A autora deste blog escreveu o seu último post e despediu-se dos seus leitores. Todos eles manifestaram grande tristeza pela perda mas gentilmente a apoiaram e demonstraram amizade através dos comentários.
A autora deste blog revelou que nesse dia nenhuma vontade sentia de escrever e que sentia sim, um grande desejo de que escrevessem para ela e acerca dela. E logo recebeu muitos comentários, todos eles elogiando a maneira intensa e íntima com que escreve no seu blog.
Estes blog's demonstram perfeitamente como somente através da leitura do que alguém escreve, se podem desencadear amizades. Apenas me pergunto até que ponto este mundo virtual poderá ser realmente verdadeiro...
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Loures, 13 de Fevereiro de 2005
"Hoje vi o filme "Catwoman". Gostei. Gostei principalmente prque foca a dualidade de personalidades que todos nós temos. Eu tenho uma personalidade escondida, últimamente anda muito saída da casca. O outro lado de mim mesma. Existe mesmo. E anda aqui a ver se fica... sinceramente espero que fique porque é bom de sentir. Sinto-me mais liberta, mais sensual, mais curiosa, mais destemida. Umas vezes todos este sentimentos à mistura, outras vezes um deles sobressai por momentos
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
"Vou para a escolinha"
Hoje assisti a algo estranho e enternecedor ao mesmo tempo. Estranho talvez pelo inesperado e enternecedor porque a cena inclui uma criança.
Vi na rua uma senhora com uma criança de uns três anos muito aconchegadinha no seu colo. Passaram pela senhora que vende flores lá na rua e depois de se cumprimentarem ambas e como a menina não respondesse, a mãe, sem abrandar o passo, respondeu:
- Ela vai caladinha porque vai para a escolinha.
Olhei para a menina. De facto, ia com o olhar muito triste e ansioso, encostada no ombro da mãe. Foi a seguir que vi o inesperado que referi em cima - o pai ia atrás andando e filmando as duas para que ficasse registado aquele momento especial. Foi aqui que achei enternecedor. E foi aqui, que tive pena de não ter registado este momento da vida dos meus filhos ao menos com uma foto... Resta-me o consolo de que na minha memória está registado esse dia tão especial de Setembro de 1997 e de Setembro de 2000. Não me lembro como se fosse hoje mas lembro-me muito bem.
domingo, 30 de setembro de 2007
A única coisa que me arrebata é o meu pensamento. Às vezes não estou me mim e isso acontece-me muitas vezes, vezes demais...
Eu sou imaginativa e fantasista, é por isso que o meu penamento me põe fora de mim muitas, muitas vezes...
Poderia sair de mim cantando, dançando, tocando um instrumento ou pintando um quadro, assumindo dessa forma a expressão do meu pensamento. Assim poderia elevar-me a outra esfera ou outro campo. Mas não, desta forma não vou lá. Só vou se me deixar levar pelo pensamento.
Quando escrevo também não existe mais nada, consigo embrenhar-me nas palavras porque estou a usar o pensamento e o que me arrebata mesmo... é o meu pensamento.
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