quinta-feira, 19 de julho de 2007

Os meus ténis - pela primeira vez

Para meu deleite e contrastando com a grande merda que é a minha vida profissional, existem outras áreas da minha vida em que por vezes acontecem coisas que considero, no mínimo, engraçadas...
Pois... porque não é todos os dias que tenho um gajo "muita giro" e "podre da bom" de volta de mim, alegando que tenho uns ténis espectaculares. Sim... eu sei que o meu último post está carregadinho de "lóves maduros" e já estou para aqui a parvar, mas também é bom parvar de vez em quando. Portanto, cá vai:
O dito, é um dos monitores do Ginásio que frequento desde o ínicio do mês. Durante o meu treino a certa altura dirigiu-se a mim e disse:
- Sabe uma coisa? Estava eu ali a namorar os seus ténis e de repente reparei que vamos ter que regular a máquina porque está muito alta para si - regulou a máquina, disse-me que ia ficar com os pés no ar e continuou:
- Agora a sério... esses ténis são espectaculares!...
Bem... não posso dizer que esteja habituada a ter homens de roda de mim, de maneiras que... fiquei especada a olhar e sem palavras. Por fim, lá consegui dizer qualquer coisa do género:
- Pois são, eu também gosto...
- Sim senhora, tem muito bom gosto!... esse verde dá aí um toque espectacular.
- Obrigada - respondi simplesmente.
Continuei a treinar na boa e na fase final, estando eu a fazer os alongamentos deitada no chão, apercebo-me de alguém parado junto de mim. Era ele.
- Bolas!... É que até a sola dos ténis é gira!... - aqui deixei o espanto e a expectativa da última abordagem de parte e pensei:
- "Ai o caraças... mas o que é que este quer? Será possível que os meus ténis sejam assim tão fora do vulgar para alguém que passa a vida rodeado de gente vestida e calçada com artigos desportivos?!?!?!"
Mas ele, ignorando os meus pensamentos (julgo eu), continuou:
- Vou fazer-lhe um alongamento personalizado, enquanto aproveito para ver melhor a sola dos seus ténis - e começou a puxar-me os pés para trás por forma a alongar-me os músculos das pernas.
Aqui mudei novamente de pensamento:
- "Bem... deixa-me lá aproveitar isto..."
- É que são mesmo espectaculares... se doer demasiado diga. E têm um bom amortecimento e tudo... estou a magoar? Vá... eu não quero que doa muito, quero que sinta apenas um ligeiro desconforto... - enquanto falava ia observando e mexendo na sola dos meus ténis. Posso dizer que, aparentemente, estava maravilhado. E eu também fiquei, porque os alongamentos que ele me fez fizeram com que as minhas pernas ficassem muito levezinhas... eu também fiquei maravilhada.
Contei ao Luís este episódio. E ele:
- Ah... deve ser maricas. Já sei qual é, tem cá um arzinho...
- É maricas o quê? Não é nada!... Tem é aquele ar de metrosexual que agora se vê muito por aí. É arranjadinho...
- Ah... é maricas!...
Enfim!... Homens!...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Hoje faço 18 anos de casada. O dia está cinzento e triste e eu estou tal e qual como o dia porque nem sempre a minha vida corre bem. Mas o facto de eu hoje ter uma nuvem escura a pairar sobre a minha cabeça, nada tem a ver com o meu casamento ou com o meu marido e escrever acerca do meu matrimónio feliz pode servir para testar a capacidade que tenho (ou não) de descrever a minha felicidade quando não me sinto feliz. Então... de cá vai:
Há uns dias, li uma frase engraçada acerca do casamento. Era assim: "Casar é como levar para casa um artigo que se admirou na montra. Na loja era lindo, mas nem sempre condiz com a mobília." ( Jean Kerr, escritora e dramaturga)
Aquela frase deu-me que pensar porque casar é isso mesmo, existem diferenças entre as pessoas e é preciso haver uma adaptação. No entanto, há diferenças que poderão eventualmente fazer com que não haja uma combinação. Mas as diferenças vão sempre existir, eu e o meu marido somos muito diferentes. Em alguns momentos até me parece que nenhuma cumplicidade há entre nós... - ele é extrovertido e eu sou introvertida, ele é relaxado e eu sou contraída, ele é expansivo e eu sou tímida, ele fala muito e eu falo pouco, ele adora Jazz, Blue's, Heavy Metal e eu não suporto ouvir esses géneros musicais, ele acha que tudo aconteceu o ano passado e eu sei exactamente o dia em que aconteceu "isto" ou "aquilo", ele é um "manteiga derretida" e eu... não.
Mesmo com todas estas diferenças, e não estão aqui descritas nem metade das que existem, nós vivemos felizes um com o outro. Porquê? Porque sabemos viver com as nossas diferenças e aceitamo-las. É bem possível que o facto de nos darmos tão bem seja porque nos casámos muito jovens, tornámo-nos adultos juntos e acabámos de crescer os dois juntos. Mas seja lá o que for, a verdade é que somos um casal com diferenças mas muito feliz.
Até que enfim já tenho Internet... mas já é tão tarde que não vou escrever aqui nada hoje. Vou apenas desejar uma boa semana para quem por aqui passar.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A minha mãe

Bem... e no dia do meu aniversário, nada como registar lembranças da minha mãe. Afinal de contas, sem ela eu não estaria aqui e agora. É claro que o meu pai também teve um papel fundamental para a minha existência, mas... no dia em que eu nasci o papel da minha mãe foi mais importante!
A minha mãe preparava todos os dias o meu lanchinho para eu comer na Escola.

A minha mãe dava-me à boca bocadinhos de pão com toucinho à boa maneira alentejana.

A minha mãe vestia-me roupas quentinhas e atava o meu carapuço quando estava frio.

A minha mãe fazia-me roupas giras e modernas.

A minha mãe deixou-me escolher a mala para a Escola ou os sapatos que eu mais gostasse.

A minha mãe não deixava que predominasse o seu gosto pessoal nas minhas escolhas.

A minha mãe não dizia que vinha aí o "homem do saco" quando eu me portava mal.

A minha mãe ia ver as festas da minha Escola.

A minha mãe comprou "kilos" de gelado quando eu fui operada à garganta, porque era o que me fazia bem.

A minha mãe seguiu à risca, quando o dinheiro não abundava, uma dieta especial que o médico prescreveu quando eu tive anemia.

A minha mãe fez a minha bata para eu usar na Escola.

A minha mãe ralhava comigo quando eu arrastava os pés no chão e fazia uma nuvem de pó.

A minha mãe comprou-me um guarda-chuva amarelo.

A minha mãe comprava morangos assim que eles apareciam só porque eu gostava muito.

A minha mãe fazia-me um penteado aos canudinhos.

A minha mãe levava-me a visitar a minha avó ainda que estivesse de relações cortadas com ela.

A minha mãe ralhava quando eu andava empoleirada nos portões e nos muros.

A minha mãe não deixou de me levar à Escola enquanto não lhe pareceu que eu estava preparada para ir sózinha.

A minha mãe não me deixava brincar ao sol.

A minha mãe dava-me os restos de tecidos para eu fazer roupinhas para as minhas bonecas.

terça-feira, 10 de julho de 2007

39 ANOS

Amanhã completo 39 anos de vida. Será o meu último aniversário na casa dos trinta. Não vou mentir dizendo que não me faz diferença nenhuma as rugas e os cabelos brancos que já tenho e que aparecerão cada vez em maior quantidade e também mais amiúde, faz sim senhor!... Gostaria de ter a pele lisinha de outros tempos e a combinar com a minha tez morena voltar a ter o cabelo castanho escuro original e sem cabelos brancos. Mas, é bem verdade que a idade que mais gosto de ter é sempre aquela em que estou. Uma vez mais, não vou mentir e dizer que gostaria de ter 29, ou 19, ou 9... porque não gostaria mesmo!... Gosto e gostei sempre do meu presente, do modo como a minha vida está. O meu presente amanhã será passado e eu não creio que valha a pena viver no e com o passado. Acerca do futuro, quando este fôr presente logo vejo...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

UM OLHAR


Este é um olhar:

Amedrontado?


Surpreendido?


Apaixonado?


Sedutor?


Fascinado?


Revelador?


Perdido?




domingo, 8 de julho de 2007

Dia sete do mês sete do ano dois mil e sete... que data tão engraçada!
E também tenho sete maravilhas para apresentar:

Praia de Cambelas
Ponte Vasco da Gama - Lisboa


Big Ben - Londres

Nascente do Rio Mundo - Espanha


L'Arc du Triumph - Paris


Albernoa - Alentejo, Portugal

Lisboa, vista do Miradouro da Penha de França

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Esta foto ilustra este passeio. Ultimamente ando a criar post's por fases... enfim, acho que me falta criatividade e, sobretudo, tempo para o meu blog. Mas voltemos à foto e mesmo sabendo que não dá para ver as caras muito bem, passo a apresentar os elementos da esquerda para a direita: rica filha em pose altamente fabricada, filho do casal amigo perfeitamente descontraído, casal amigo felicíssimo por ter passado a tarde connosco (sou tão convencida...), o Luís e eu tão felizes como o casal amigo e por último o rico filho agarradinho à bola, como sempre. Ah!... e no meio de nós todos o magnífico pôr-do-Sol na Costa da Caparica.
Não sabia que havia de publicar hoje e ao passar os olhos pelas fotos mais recentes lembrei-me de publicar esta. Foi o que fiz. Já está.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Mudança

Mudei de Ginásio. A equipa de Jiu-Jitsu da qual o Luís faz parte também mudou e agora andamos os dois no mesmo Ginásio. É bom. O Ginásio é bom e andarmos os dois juntos também é bom. Dá para estar a treinar e olhar para o Rio Tejo ao mesmo tempo. Se quiser, a meio do treino posso ir até lá fora ver o rio mais de perto e aspirar o cheiro característico daquela zona de Lisboa.

Na semana passada, quando fui pela última vez buscar o Luís onde ele treinava, enquanto conduzia deu-me uma certa nostalgia, ou uma saudade antecipada por nunca mais fazer aquele caminho àquela hora da noite, sozinha... nem nunca mais vou fazer tempo às voltas no Centro Comercial até chegar a hora de ir buscá-lo.

O caminho é agradável mas não sei se é por isso que gosto de andar sozinha. Eu considero o caminho agradável porque ando sozinha, deve ser isso... É agradável andar sozinha à noite, não sei bem porquê, mas é. Talvez me traga um certo desprendimento ou talvez uma apatia de que necessito, mas não sei porquê. Por vezes tenho que me destacar e distanciar da minha própria vida, esse distanciamento transmite-me uma sensação agradável. Continuo sem saber porque é que sinto isto da maneira que sinto. Pois... é melhor não pensar mais nisto senão daqui a pouco estou a achar-me a pior das pessoas. Vou apenas pensar que estou a publicar um texto daquilo que penso e sinto no meu íntimo e que provavelmente nem toda a gente entenderá ou aceitará...

domingo, 1 de julho de 2007

Dia 1 de Julho...

... e assim me apercebo que mais um ano chega ao meio. É incrível como o tempo passa... 2007 já está em contagem decrescente...

É verdade que o meu fim de semana foi muito movimentado e de grande convívio com a família e os amigos.

Ontem esteve um dia de praia espectacular! A temperatura do ar muito boa, a temperatura da água melhor ainda, as ondinhas mesmo como eu gosto - pois, pois... ondinhas porque eu não tenho queda nenhuma para grandes aventuras marítimas... Só é pena o fim de semana já ter acabado.


Boa semana!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

É mesmo bom passear contigo!!!


Eh pá é mesmo bom passear contigo, pronto! Assim sem estar à espera e tal... escaparmo-nos à hora do almoço... passar de carro pelos sítios do costume mas a uma hora diferente... assim até a paisagem adquire um brilho especial porque pousamos os olhos nela de uma forma diferente... ainda que o passeio seja em trabalho, a malta marimba-se para a porra trabalho... sabemos que temos que voltar aos deveres... mas a malta marimba-se para a porra dos deveres... a malta aproveita para se deleitar de prazer por uns minutinhos que fica longe... da porra do trabalho bem como da porra dos deveres...


Eh pá... é mesmo, mesmo bom passear contigo!!!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

TEXTO R.V.C.C.

O texto que se segue foi o trabalho que apresentei na área de Língua Portuguesa. De uma lista de 12 temas eu escolhi este. Pareceu-me ser o que eu conseguiria desenvolver melhor. Apenas quero salientar que este trabalho foi executado em Novembro de 2006. Agora fala-se e ouve-se muito acerca deste tema mas naquela data nem por isso.


IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

"Eu sei que o título que dá início a este texto é uma utopia.
As oportunidades deveriam ser iguais para todos, mas isso é impossível de praticar.
A minha ideia de que nem todos têm as mesmas oportunidades baseia-se no seguinte: o dinheiro não está distribuído igualmente por todos; uns têm mais outros menos.
À partida, as classes mais desfavorecidas economicamente não terão as mesmas oportunidades que as classes mais favorecidas.
A oferta é muito mais vasta e variada nas grandes cidades porque existem mais pessoas.
É sabido que a população consome todo o tipo de artigos. Para haver consumo tem que haver produção, não existem uma sem a outra e a necessidade de produzir aumenta a empregabilidade.
É necessário haver empresas para empregar cidadãos de modo a produzir o que irá ser consumido.
Para quem vive nas grandes cidades aumentam as possibilidades de vir a ter uma emprego melhor. Quanto a mim, um emprego melhor é um emprego em que se obtenha um rendimento financeiro minimamente aceitável, perto de casa e que contenha tarefas agradáveis para quem as executa.
Mas, a igualdade de oportunidades gera competitividade. Eu defendo que as oportunidades deveriam ser iguais para todos porque acredito que a competição pode ser encarada de maneira saudável.
Nos últimos anos, tem-se promovido a igualdade de oportunidades. O processo Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências é prova desse crescimento de igualdade entre os portugueses.
Agora, qualquer adulto que queira o tal dito emprego melhor e que não tenha habilitações literárias suficientes, pode adquirir um grau de escolaridade mais elevado com o processo R.V.C.C.
Há uns meses atrás, vi num programa de TV uma reportagem que falava de algo que achei interessante. O tema era: a sociedade está cada vez mais homogénea e uniforme porque todas as classes sociais têm acesso a quase tudo.
Hoje em dia , é cada vez mais comum as famílias terem a vida facilitada de modo a poderem melhorar as suas condições. Não causa espanto os lares portugueses possuírem casa e viatura própria, telemóvel, computador, etc.
A Internet oferece grande facilidade e rapidez em informação, contribuindo para promover a igualdade.
É um pouco como o título deste texto: Igualdade de Oportunidades...
O próximo ano, será o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos e pretende dar a conhecer os malefícios da discriminação.
À semelhança das realizações do Ano Europeu contra o Racismo em 1997 e do Ano Europeu das Pessoas com Deficiências em 2003, o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos apela a uma sociedade mais solidária.
A população mundial é diversa na sua essência e é preciso demonstrar que igualdade não significa uniformidade.
O Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, pretende alertar para que, independentemente do grau de cultura, posição social, sexo, profissão, religião, idade ou incapacidade física, se valorize as diferenças e se tire, inclusivé, partido delas.
Este trabalho é o resultado do meu ponto de vista pessoal antes e depois de ter pesquisado acerca deste assunto."

Bolo de Banana com Chocolate

Resolvi aqui publicar a receita deste bolo. Quando publiquei a foto do Bolo de Banana há umas semanas atrás achei logo que deveria publicar a receita ao mesmo tempo mas não o fiz por falta de tempo. Infelizmente não tenho o tempo e a disponibilidade que gostaria para o meu blog...
Seja como for, aqui está a receita. BOM APETITE!!!


Bolo de Banana com Chocolate

Ingredientes:

3 ovos
1 1/4 xícara de chá de óleo
4 bananas maduras cortadas
2 xícaras de chá de farinha
2 xícaras de chá rasas de açúcar
3 colheres de sopa de chocolate em pó
1 colher de chá de fermento em pó
Coco ralado para polvilhar
Calda: 1/2 xícara de chá de leite
1 colher de sopa de açúcar

Modo de preparação:

Bata no liquidificador os três primeiros ingredientes. Reserve. Misture num recipiente os restantes ingredientes, adicione o reservado e mexa. Coloque em forma untada e polvilhada de farinha e leve ao forno brando. Calda : Misture os seus ingrediente e molhe o bolo. Por cima, ainda quente, espalhe coco ralado.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Tudo normal... tudo na mesma...


Acerca do dia de hoje... nada a assinalar... Ah!... a não ser que há montes de tempo que não ia passear até ao jardim, sentar-me um pouco a pensar e não pensar em nada... hoje limitei-me a observar os pombos que me pareceram fortemente empenhados em saciar a fome... Isso , sim!... Soube mesmo bem!...
De resto... está tudo normal... tudo na mesma como a lesma...

domingo, 24 de junho de 2007

Às compras


Ele - Gostas deste?
Ela - Não.
Ele - E deste?
Ela - Não.
Ele - Olha aqui este!
Ela - Esse não tem piada nenhuma...
Ele - E este, que tal?
Ela - Achas que eu vou levar isso ao casamento? Achas?!?!
Ele - Então e este?
Ela - Que horror, Luís!!! Isso parece o pijama da minha mãe!!!
Ele - Gostas deste?
Ela - Isso usou-se quando nós casámos... parece que veio directamente dos anos oitenta para aqui...
Pois é... andámos às compras. Temos um casório este Verão e andamos a ver se despachamos as compras o mais depressa possível.
:-)
Ele - E então?
Ela - Não gosto de te ver com isso.
Ele - Não?
Ela - Ná...
Ele - Eu gosto...
Ela - 'Mor... este casaco não tem forro e não tem enchumaços ... Cai-te mal... e tem um corte péssimo. Até parece que não sabes que eu percebo disto!
Ele - Hummm... (desapontado)
Ela - Já sabes que eu me aprecebo desses pormenores todos...
Mas até foi divertido. O melhor do passeio, ou seja, o melhor das compras foi o almoço: comida mexicana... hummm...
:-)

sábado, 23 de junho de 2007

Boneca de porcelana


Sou uma boneca de porcelana. Estática. Sinto-me como se estivesse lá no alto de uma prateleira, de onde posso avistar tudo ao meu redor sem ser vista e sem que notem a minha presença, como se não fizesse falta nenhuma... como se as minhas opiniões e as ideias que tenho sejam infundadas e nulas. Mas se me tirassem da prateleira e me pusessem dentro do armário, toda a gente daria pela minha falta. Irradio algo que não sei o que é, até hoje ainda não descobri. Não sei como consigo estar nos lugares e não darem por mim. Mas sei que se por algum motivo desaparecesse da prateleira, faria falta.
Sou uma boneca de porcelana. Frágil. Seria muito perigoso tirarem-me da prateleira. Dificulto o manuseamento pela minha fragilidade. As pessoas não sabem como lidar comigo porque eu não sei lidar com elas.
Sou estática e frágil. Sou interactiva e robusta. Consigo interagir com o meio e não fazer parte dele. Tudo isto de uma só vez.

TEXTO:


" A expressão mais bela e enriquecedora da vida humana é a sua diversidade. Uma diversidade que nunca pode para servir para justificar a desigualdade. A repressão da diversidade empobrece a raça humana. É nosso dever facilitar e reforçar a diversidade a fim de chegar a um mundo mais equitativo para todos. Para que exista a igualdade devemos evitar as normas que definem o que deve ser uma vida humana normal ou a forma normal de alcançar a felicidade. A única qualidade normal que pode existir entre os seres humanos é a própria vida."

Óscar Arias, Prémio Nobel da Paz

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Escrever, escrever, escrever...


... Estou frente ao computador com tempo e vontade de escrever...
Hoje tive uma conversa interessante. Falámos da minha escrita e do meu blog. Uma coisa é escrever à mão num diário, onde tenho a certeza que ninguém vai ler, outra coisa é escrever numa página na Internet a que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo tem acesso. Os sentimentos intensos são os que mais fazem fluir as palavras. Quando estou aborrecida com algo ou com alguém escrevo textos enormes, as palavras surgem em torrente e escrevo-as à medida que as vou pensando, nem mais depressa nem mais devagar e o assunto, quando é triste, não esgota. Não é à toa que os escritores são todos tão tristes... Se eu escrever acerca da minha vida matrimonial feliz ou dos meus filhos saudáveis esgota-se o assunto num instante e se tentar explanar a minha felicidade e as coisas boas da minha vida sai quase na certa um texto lamechas e sem interesse.
Há vários anos que escrevo regularmente. Neste momento não sei se é por necessidade ou hábito, mas eu tenho que escrever. Escrever a minha vida ajuda-me a compreender-me e aceitar-me. Com a escrita eu disseco as coisas más da minha vida deixando de lhes dar importância. E há a grande vantagem de as coisas boas ficarem registadas.
O papel, a caneta e o PC são meus aliados, nunca me deixarão ficar mal nem nunca me magoarão. Talvez seja nessa certeza que me apoio e descanso. Talvez seja por isso que nunca vou deixar de escrever.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Impossibilidade



Há coisas que têm que ficar dentro da minha cabeça. Hoje não vou conseguir que saia nada em forma de palavras. Desisto.

foto: Cambelas

autoria: Luís

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Ilação


Entrou na loja uma senhora. Enquanto a atendia observei-a atentamente porque havia algo nela que me estava a chamar a atenção, era algo quase familiar. A senhora era simpática, educada, objectiva, simples e segura.
Enquanto o negócio compra-venda se fazia eu não deixei o pensamento de que aquela senhora tinha um traço ou uma característica muito marcante e não descansei enquanto não descobri. Estava claramente em mudança de residência, devido ao tipo de artigos que me estava a pedir, tinha uma lista que ia "picando" conforme esses mesmos artigos iam aparecendo em cima do balcão. Seguia uma ordem de trabalhos préviamente elaborada e aquilo estava a lembrar-me algo ou alguém. Reparei na roupa que ela usava para ver se desfazia o enigma. Era uma fato saia-casaco verde, uma blusa simpes sobre a qual pousava um colar comprido (desses que estão agora muito na moda) também na cor verde e com brincos a condizer. Simples e clássica. Perguntou-me o preço de um artigo que compraria posteriormente e anotou no papel o preço, o nome e a marca. E foi quando ela escreveu quatro ou cinco palavras que se fez luz: aquela senhora só podia ser professora. Não me contive:
- A senhora é professora, não é?
Sorriu de um modo amável e cúmplice e perguntou-me porque é que eu achava isso. Respondi que era pelo facto de ela apontar as coisas num papel e pela rapidez e certeza com que escrevia. Não disse tudo o que pensei. Também podia ter-lhe dito que tinha chegado a essa conclusão pela sua maneira de falar, articulando bem as palavras, pela sua objectividade, por seguir uma ordem de trabalhos, pelos trajes simples e clássicos... toda a sua postura "respirava"ensino e regras. E quem aquela senhora me fazia lembrar era a minha professora primária. Respondeu-me que sim, foi professora mas que apontava tudo num papel para não esquecer nada e não devido à profissão. Não achei de todo verdade mas não ficava bem discordar por isso mantive-me calada.
Eu e a minha mania de tirar ilações e conclusões e afins... :-)

domingo, 17 de junho de 2007

Baile de finalistas

A rapariga cá de casa anda muito entusiasmada com o baile de finalistas que há-de acontecer esta semana. A maternidade e a maturidade dão-me uma visão interessante das coisas, revejo-me na minha filha. Aquela azáfama e a ansiedade dos preparativos, as exclamações explosivas de entusiasmo e alegria, são demonstrações de que se vive ao rubro na adolescência por tudo ser vivido à mistura e tão intensamente. E também tão intensa e abruptamente se altera o humor e o estado de espírito. Eu também era assim, tal e qual como ela. É por isso que me revejo nela e acabo por reviver a minha vida, vejo que diferença faço de quando tinha 15 anos.

É engraçado que o baile de finalistas seja no espaço onde, nos anos 80, eu ia regularmente aos bailes. A vida dá tantas voltas... se alguma vez me passou pela cabeça que um dia a minha filha iria a um baile ali...

sábado, 16 de junho de 2007

Da chuva vou até ao bolo



Tardes de chuva dão nisto... faço bolos...
Este é de banana, nunca tinha exprimentado e foi uma agradável surpresa porque é muito bom!...

Esclarecimento


Ok... acho por bem esclarecer que o post anterior é acerca do meu marido, sim. Mas esqueci-me de divulgar que enquanto o observava ele não estava a ver-me, falava mas não comigo. Habitualmente é extrovertido e tem um discurso muito variado tal como disse a Patinha. E também fala de mim e para mim. Se assim não fosse... ai eu!... :-)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Observei-o. E ele:


Falou do filme que tinha visto na noite anterior.
Falou do amigo que teve muita sorte em ter arranjado emprego.
Falou do contrato publicitário em que iria participar e que foi anulado.
Falou de uma série que deu em tempos na TV.
Falou dos investimentos que não tem feito devido à falta de clientes.
Falou das gajas boas que passavam.
Falou da desburocratização.
Falou das mensagens de correio electrónico.
Falou das gajas boas que passavam.
Falou do pai do amigo que já não consegue estar em Lisboa.
Falou de alguém que foi viver para a terra e se está a dar muito bem.
Falou dos planos que tinha quando montou o seu negócio.
Falou da estatura das gajas boas que passavam.
Falou do arroz de atum.
Falou de um programa de TV acerca dos bichos mais feios do mundo.
Falou de uma iniciativa do Euromilhões.
E finalmente disse: - Bem ... tenho que ir trabalhar.

Tenho


Não tenho jeitinho nenhum para a "coisa". Tenho um feitio de caca. Tenho a mania. Tenho frio. Tenho que escrever para esquecer. Tenho que escrever para não me esquecer. Tenho a certeza. Tenho dúvidas. Tenho palavras sem sentido.

ONTEM...


Levei o meu amor a almoçar num restaurante tipicamente saloio...


E depois fomos a uma praia perto dali molhar os pezinhos...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

PARA O MEU MELHOR AMIGO!!! (ainda que ele quase nunca cá venha "ver-me")


UN AMICO È COSÌ

È FACILE ALLONTANARSI SAI
SE COME TE ANCHE LUI HA I SUDI GUAI
MA QUANDO AVRAI BISOGNO SARÀ QUI
UN AMICO È COSÌ
NON CHEDERÀ NÈ IL COME NÈ IL PERCHÈ
TI ASCOLTERÀ E SI BATTERÀ PER TÈ
E POI TRAQUILLO TI SORRIDERÀ
UN AMICO È COSÌ
E RICORDARTI CHE FINCHÈ TU VIVRAI
SE UN AMICO È CON TE NON TE PERDERAI
IN STRADE SBAGLIATE PERCORSE DA CHI
NON HA NELLA VITA UN AMICO COSÌ
NON HA BISOGNIO DI PAROLE MAI
CON UNO SGUARDO SOLO CAPIRAI
CHE DOPO UN NO LUI TI DIRÀ DI SI
UN AMICO È COSÌ
E RICORDARTI CHE FINCHÈ TU VORRAI
PER SEMPRE AL TUO FIANCO LO TROVERAI
VICINO A TE MAI STANCO PERCHÈ
UN AMICO È LA COSA PIÙ BELLA CUE C' È
È COME UN GRANDE AMORE, SOLO MASCHERATO UN PÒ
MA CHE SI SENTE CHE C' È
NACOSTO TRA LE PIEGHE DI UN CUORE CHE SI DÀ
E NON SI CHIEDE PERCHÈ
MA RICORDATI CHE FINCHÈ TU VIVRAI
SE UN AMICO È CON TE NON TARDIRLO MAI
SOLO COSÌ SCOPRIRAI CHE
UN AMICO È LA COSA PIÙ BELLA CUE C' È
E RECORDATI CHE FINCHÈ TU VIVRAI
UN AMICO È LA COSA PIÙ VERA CHE HAI
È IL COMPAGNO DEL VIAGGIO PIÙ GRANDE CHE FAI
UN AMICO È QUALCOSA CHE NON MUORE MAI

Letra de uma música de Laura Pausini

PARABÉNS MEU AMOR!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Agradecimento e divulgação do sucedido


Em primeiro lugar quero agradecer a todos os votos de boa sorte que aqui deixaram.
E agora segue-se uma descrição resumida da sessão de júri que aconteceu hoje:

Apresentei-me, contei a minha vida a nível profissional, tempos livres e projectos para o futuro. Deu-me uma branca - eu sabia... - mas lá continuei e acabei num instantinho porque sou pouco faladora e fiquei à espera de ouvir o que os técnicos, hoje na qualidade de avaliadores, e a avaliadora externa tinham a dizer. Confesso que nunca pensei ouvir dizer tanto bem de todos os trabalhos executados durante o processo. Hoje a minha auto-estima está lá em cima...
É de relevar o seguinte:

...sou uma pessoa com uma personalidade multifacetada, sou criativa, intuitiva e inteligente, embora não se detectem inicialmente estas qualidades em mim. Seria preciso mais tempo de trabalho para aprofundar mais e melhor essas e todas as outras qualidades que possuo.

... tenho facilidade em escrever ou falar sobre qualquer assunto. O texto que preparei foi elogiado bem como o facto de escrever sem erros ortográficos ou gramaticais. Posteriormente publicarei esse mesmo texto aqui.

... foi enfatizado o facto de eu ter um blog e de ser uma auto-didacta, porque aprendi a trabalhar num computador praticamente sozinha. Elogiaram-me pelo facto de ser obstinada, porque demonstrei que sempre que é preciso fazer algo, eu arregaço as mangas e aí vou eu. Disseram-me que eu estou a perder-me atrás de um balcão e aconselharam-me a procurar aumentar o grau de escolaridade.

Hoje estou muito feliz e sinto-me uma grande mulher.

domingo, 10 de junho de 2007

Ansiosa e curiosa


Durante o dia de hoje tenho pensado no dia de amanhã. Amanhã é o dia em que vou finalmente ter a sessão de júri e concluir - assim espero - o processo R.V.C.C.
Hoje estou um pouco apreensiva, e se bem me conheço, amanhã estarei muito ansiosa. Vou ter que falar perante uma data de gente que não conheço e por acaso até acho que isso pode ser uma mais-valia. Sendo pessoas que não conheço de lado nenhum é mais fácil gerir os nervos e a ansiedade. Penso que se fizer má figura, se me enganar, se me der uma branca, se gaguejar, se corar... ao menos ninguém me conhece. Este é um dos pensamentos típicos da minha timidez. Mas alternando com a minha - já aqui tão falada - timidez, também penso que aquilo vai ser muito giro e que vou passar momentos inesquecíveis, uma vez que os três técnicos que me acompanharam durante todo o processo vão falar também eles acerca de mim e do meu trabalho. E eu estou muito curiosa de ouvi-los.

sábado, 9 de junho de 2007

Ao que parece não escrevo para tolos


Li algures que quem escreve para tolos tem muitos leitores. Acabei por descobrir porque é que tenho tão poucos leitores - eu escrevo para pessoas inteligentes!... Até fiquei contente...
Mas, fora de brincadeira e para ser sincera, gostava de ter mais leitores. É que nem a minha família quer saber que raio ando para aqui a escrever...

P.S. É imperdoável não mencionar onde li aquilo, mas não consigo mesmo lembrar-me.

Respostas


Bem... hoje é Sábado. De manhã fui ao centro da cidade beber um café. Logo a seguir a mim entrou um senhor que fez o seu pedido. Quando dei realmente por ele, estava muito perto de mim balbuciando uma série de palavras que custei a entender. E então o que era? Eu sou parecida com uma cunhada dele que vive no norte (!!!) e tenho o rosto e... (aqui olhou para baixo) mais ou menos a "prontus... maneira de ser" da dita senhora. (DAH!!!)
Pediu muita desculpa mas que não estava a olhar com intenção e coiso e tal pardais ao ninho blá blá blá...
Considerei as seguintes respostas:

1ª - Não se preocupe com isso, eu estou habituada a que olhem para mim. (resposta muito errada)

2ª - Palavra que nem tinha reparado no senhor... (resposta muito falsa)

3ª - Eh pá!... Deixe-me beber o café, sim? Quero lá saber se você estava a olhar ou não!... (resposta muito sincera)

Mas respondi com um sorriso muito cor-de-rosa, porque estava cheia de muita vontade de rir:
- Ah... não tem importância.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Pretendo que este post seja uma mudança


Às vezes penso que deveria interagir com quem comenta o meu blog. Fazer como vejo nalguns blog's: responder aos comentários que me fazem de uma forma directa. Nunca fiz isso e houve alturas em que até me apeteceu, por discordar do comentário ou por achar que não entenderam o que eu quis dizer ao escrever.
Há muitos dias que não sinto vontade de escrever, aqui ou onde quer que seja. E hoje lembrei-me de modificar o meu tipo de escrita, mudar o formato deste blog. Deixar de escrever acerca dos outros e escrever acerca de mim. Não sei se vou conseguir, porque me sinto demasiado exposta. Mas, para este blog continuar vivo vou ter que fazer algo diferente. O que surgir, surgiu...

Passei quase todo o dia de hoje com a ideia de que era Segunda-feira. Deve ser por isso que tive durante quase todo o dia humor de Segunda-feira: impaciência num grau elevadíssimo e sorrisos para lá de amarelos. Logo de manhã chegou um vendedor (para eu aturar) que achou que eu é que não lhe queria comprar nada. Não gostei do ar sarcástico com que falou comigo e aliás, disse-lhe isso mesmo. Saltou-me a tampa...
Umas horas depois atendi uma senhora que queria comprar naftalina para as traças. E a senhora... queixou-se do preço. Iniciei a minha, já gasta e enfadonha, conversa de vendedora:
- Pois... a senhora tem razão... antigamente vendia-se avulso... agora é tudo embalado o que encarece o produto. Mas podemos ver o lado positivo da questão, assim até se arranja emprego para mais pessoas. Já viu? Tem que haver papel e plástico para as embalagens e isso paga-se... Mas sabes o que eu estava a pensar exactamente no momento em que me saíam aquelas palavras da boca?... Não sabes?... Então vou dizer-te:
- E eu tenho lá a culpa que a merda da naftalina já não se venda como nos anos sessenta?!?! Se não quiser pagar quinhentos paus por três ou quatro bolas de naftalina posso sugerir-lhe que mate as traças à pedrada!... Que tal? É de certeza mais barato!...
Se alguém leu este texto até aqui não vai entrar em nenhuma drogaria em Lisboa nos tempos mais próximos. Eu posso estar atrás do balcão impaciente e amarela... :-) Estava a brincar... eu até sou simpática.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Ando indecisa


Ultimamente não sei que escrever... Ontem escrevi o post mais parvo de sempre... talvez o último de muitos post's parvos que já escrevi até hoje... O que vale é que o salame ficou mesmo bom!
Deveria fazer do meu blog o meu diário mas ainda não consigo. É muito difícil para mim escrever intimamente aqui. Qualquer dia conseguirei.
De manhã fui ao Ginásio. Soube-me bem mexer e trabalhar os músculos. Há dias em que o exercício fisíco faz maravilhas em mim e hoje foi um desses dias. Não sei se é por estar muito calor, provavelmente será por isso. Digamos que me sinto nas nuvens quando está este sol abrasador.
Quando cheguei a casa o almoço estava quase pronto, a roupa e a louça no sítio. Significa que os ricos filhos se portaram muito bem e o marido também... :-)
Poder contar com a ajuda e cooperação deles de modo a poder ir ao Ginásio também me deixa bem disposta.
Estou outra vez perdida, sem saber o que escrever mais... bem... digamos que este post de hoje me está a sair tão ou mais parvo que o de ontem...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

?!?!?!


Não estou boa da cabeça. Eram 10 da noite quando me deu para fazer salame porque me vai apetecer comê-lo amanhã...

terça-feira, 5 de junho de 2007

Genial

Hoje li num consultório a seguinte frase: "Passa tempo com a tua família e os teus amigos, come a tua comida favorita e visita os lugares que mais gostas".

Achei que aquela frase é a fórmula da felicidade. Genial de tão simples e fácil de alcançar.

domingo, 3 de junho de 2007

Ossos do ofício e outras coisas




Creio que a minha profissão tem uma vertente que se pode tornar interessante. É comum eu escutar as pessoas nos seus desabafos, o que na grande maioria das vezes nada tem a ver com o que estão a comprar. Mentiria se dissesse que estou sempre interessada em ouvi-las. Às vezes estou apenas ali parada a escutá-las sem vontade porque tenho mil e uma coisas para fazer. Umas vezes não é fácil ou prazeiroso escutar as pessoas, outras vezes sim. É conforme.
Aprende-se muito quando se está atrás de um balcão lidando de uma forma directa com o público. Há pessoas que eu conheço há anos e há pessoas que nunca vi senão naquele momento. É conforme.
Seja como fôr, há algo que não me abandona: o gosto que tenho em observar as pessoas e de as saber levar. Já escrevi algures que sou manipuladora, embora subtil e inopinativa. E já escrevi também algures que não gosto plenamente da minha profissão. Este é mais um dos meus contra-sensos. Manipuladora, subtil e inopinativa são três características fantásticas para balconista. Pois é... o pior é que eu também sou tímida, insegura e retraída, o que são três características péssimas para balconista. É por isso que não gosto plenamente da minha profissão. Não gosto da surpresa, de não saber o que vou 'apanhar' quando não conheço quem entra na loja porque gosto de ter tempo para ir conhecendo as pessoas para as moldar e me moldar a elas.
Quando ando de volta destas minhas questões concluo sempre que não vale a pena ser tão complicada, não me serve para nada... Deveria descomplicar os meus pensamentos e a minha vida mas não consigo porque é esta a minha vida e é este o meu feitio, quando dou por mim já lá estou... Há coisas imutáveis e nesse caso, o melhor que tenho a fazer é aceitar-me como sou.


foto: Ponte Vasco da Gama- Abril de 2007

autoria: eu

sábado, 2 de junho de 2007

Episódio

Há um casalinho muito engraçado que faz anos mais ou menos na mesma altura do ano. Como as datas se aproximam, existiu entre os dois a seguinte (também muito engraçada) conversa:
Ele - Eu ainda não sei o que te hei-de oferecer...
Ela - E eu também ainda não sei o que hei-de fazer contigo...
Ele - Ah... se quiseres posso dar-te umas ideias...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

O plano de Deus para mim

Não há dúvida que ela escolheu um tema complexo - o plano que Deus tem para cada um de nós. Durante todos estes dias tenho estado hesitante em escrever acerca desse assunto, mas já que hoje tenho tempo, resolvi escrever porque na realidade tenho muita vontade de o fazer.
Não sou uma pessoa sem experiência de vida espiritual, durante muitos anos frequentei uma Igreja. Sei o que é frequentar uma Igreja assiduamente, conviver com muita gente, o que significa lidar com todos os tipos de feitios e mais algum, por causa disso tentar não prejudicar ninguém, evitar o que é ilícito, etc. Sei que não é preciso andar numa Igreja para saber estas coisas que acabei de escrever, afinal de contas, também é assim que devemos conduzir o nosso comportamento fora do ambiente espiritual, ou seja, perante a sociedade.
Mas o que eu realmente queria salientar agora é que até hoje não sei qual o plano que Deus tem para mim. Foi uma dúvida que sempre existiu e sempre persistiu na minha cabeça. Eu ia assiduamente à Igreja sem saber para o que estava realmente vocacionada. Participava activamente na Igreja mas nunca me senti realmente realizada com o que fazia. Em termos espirituais, continuo sem saber qual o plano... afinal de contas, que ando eu cá fazer??? Dar continuidade à raça humana? Já está. Portar-me benzinho? Já está. Que mais? Parece que já está tudo feito ao mesmo tempo que tenho a certeza que não fiz nada... Qual é o plano? Não sei...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A VIZINHA GRACINDA

Quando a conheci, a vizinha Gracinda era uma jovem mãe de um bebé chamado João Paulo. O Paulinho, nome carinhoso com que era tratado, era rechonchudo e moreno como a mãe.


Naquela altura passava em Portugal, pela primeira vez, uma telenovel vinda do Brasil, a famosa "Gabriela Cravo e Canela". A minha mãe comentava que a vizinha Gracinda era muito parecida com a "Gabriela" e de facto, era verdade. Era muito bonita, alta, morena, elegante e tinha os cabelos escuros, ondulados e compridos, tal como a "Gabriela".


A memória mais antiga que tenho da vizinha Gracinda é vê-la lavar a roupa do bebé num tanque que ela tinha no quintal. Também me lembro de a ver tirar as peles e os caroços das uvas para o Paulinho comer. Hoje sei que aquela atitude revelava cuidado e que o principal objectivo da vizinha Gracinda era evitar que o bebé se engasgasse. Mas eu, que naquela altura era ainda uma criança, ficava admirada de a ver fazer aquilo. Que estranho alguém descascar uvas... porque raio é que o bebé não comeria as uvas como eu?!


A vizinha Gracinda morava por cima de quem morava por cima de mim. Para se chegar à casa dela, entrava-se por uma porta e subia-se uma escadaria de uns vinte degraus, a casa propriamente dita era lá em cima.


Comecei a gostar verdadeiramente da vizinha Gracinda. Era muito simpática e às vezes convidava-me para ir lá a casa brincar com o Paulinho. E ele tinha tantos brinquedos, tão giros e tão coloridos...


No quarto dela, em cima da cómoda, havia um objecto que me fascinava. Era um frasco de perfume que tinha um tubo com uma bomba na extremidade, tudo forrado com um tecido na côr grenat. Quando pressionada, essa bomba libertava o perfume em borrifos. Não me lembro com exactidão, mas creio que ela me explicou o que era aquilo e como funcionava. Era mesmo próprio dela ter paciência para explicar e compreender o meu fascínio infantil por determinados objectos. Eu, por minha vez, sabia que não a aborrecia, ela achava normais as minhas infantilidades, eu podia sempre contar com a sua compreensão.


Foi ela que me ensinou que os iogurtes naturais saberiam melhor se esperássemos que o açúcar derretesse e só depois comêssemos. Ainda hoje, quando como iogurtes naturais, deixo derreter o açúcar e lembro-me sempre da vizinha Gracinda.


Foi na casa dela que vi, pela primeira vez na minha vida, um gira-discos pelo qual também manifestei fascínio. E ela punha-o a tocar só por minha causa.


Os sogros da vizinha Gracinda tinham uma quinta muito perto das nossas casas. Sou péssima a calcular áreas, mas sei que na quinta havia espaço suficiente para haver hortas e pomares, onde tinham semeados e convenientemente tratados, vários tipos de legumes e várias espécies de árvores de fruto. Havia ainda espaço para animais - vacas, porcos, galinhas e coelhos. Os sogros da vizinha Gracinda viviam do que a quinta produzia e rendia e ela própria era daí que tirava o seu sustento.

Eu cresci e cheguei à adolescência. No tempo em que já não andava na escola e ainda era demasiado nova para trabalhar, a vizinha Gracinda foi muito minha amiga.

Com o crescimento a minha mentalidade mudou, mas a vizinha Gracinda com a sua amabilidade e a sua simpatia naturais adaptou-se a mim e à minha faixa etária. Continuava a ter sempre uma palavra agradável quando conversávamos e adquiriu um jeito especial para entender nas entrelinhas o que eu não dizia.

Sabia como eu me sentia só porque passava o dia inteiro sózinha em casa e convidava-me para ir com ela a vários sítios. Um desses sítios era uma fábrica onde se faziam bolachas Cream Cracker. A vizinha Gracinda ia lá para comprar os restos de massa que sobravam do fabrico das famosas bolachas. Essa massa servia para alimentar os porcos que ela tinha na quinta. E eu, enquanto ela negociava, passava o tempo a observar a fábrica por dentro e achava montes de piada às grandes máquinas nas quais via as bolachas, ainda cruas e pequeninas, a viajar nos tapetes rolantes que as levariam ao forno enorme. Havia farinha e bocadinhos de bolacha espalhados por todo o chão da fábrica. E ainda hoje me lembro que haia lá um rapaz que percorria a fábrica executando as suas tarefas e quando passava por mim fazia-me "olhinhos"... enfim!.. Coisas de adolescente!... É claro que a vizinha Gracinda se apercebeu muito bem. Mas também aí ela actuava com naturalidade, sabendo e aceitando que na idade em que eu estava estas coisas são perfeitamente normais.

Passeei por mais sítios com a vizinha Gracinda. Ela levou-me ao Carnaval de Loures, à praia do Lizandro, ao Centro Comercial Oceano em Odivelas e também ia muitas vezes com o Paulinho para a quinta andar de bicicleta e o Tobi atrás de nós.

A história da vizinha Gracinda não termina bem. O Paulinho morreu de acidente de viação há cerca de uma dezena de anos atrás. Nunca mais falei com ela pelas circunstâncias da vida, elça mudou de casa e eu também, mas imagino que ela não seja mesma. No entanto, eu quis escrever acerca da vizinha Gracinda porque para mim ela foi alguém muito importante. Posso, inclusivé, escrever que foi valiosa sem estar a exagerar nada. A vizinha Gracinda foi e é alguém que eu não quero esquecer nunca. E ao escrever acerca dela, estou de certo a perpetuar a sua lembrança na minha memória. Tanto é


sábado, 19 de maio de 2007

"Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo" Venâncio

Concordo com este pensamento. Parece-me que quanto mais vasto fôr o vocabulário de uma pessoa maior e melhor será o seu raciocínio. Portanto, mais alargado será o seu mundo porque melhor pensará e melhor falará. Onde acaba a linguagem acaba o pensamento. Não podemos pensar sem palavras e se existirem muitas na nossa cabeça saberemos exprimir as nossas opiniões e o que sentimos com fluidez, não ficaremos estagnados. É esta a minha opinião.
Em conversa com o Luís acerca desta frase, ele discordou totalmente, dizendo que um dos maiores poetas portugueses - António Aleixo - era de baixa cultura, um homem do povo e no entanto, era um poeta extraordinário. Ele acha que o nosso mundo só é limitado pela imaginação e saber, o que nada tem a ver com cultura. Segundo ele, se assim fosse os políticos conseguiriam o que queriam, ser donos do Mundo e senhores dos seus habitantes. É esta a opinião do Luís.

E tu? Sim... tu que estás a ler este texto, qual é a tua opinião acerca deste pensamento de Venâncio?

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Markting

Hoje passei um bom bocado a passear na baixa lisboeta. Precisava ir buscar material e para fazer tempo até o estabelecimento abrir, andei por ali a passar o tempo. A certa altura apeteceu-me um café e passando por um que se encontrava vazio, entrei. Pedi um café e um copo de água e fiquei à espera. Enquanto esperava fui observando o local. Era simples, sem luxos, tinha uma área pequena e tinha o balcão em forma de "U". Entretanto houve uma coisa que me chamou a atenção: nos cantos do balcão haviam garrafas expostas, garrafas de vários tipos de bebidas e por isso de diversos tamanhos, feitios e cores, todas em cima umas das outras mas de forma harmoniosa dando um efeito muito engraçado. A minha "veia comercial" despertou... achei aquilo interessante e fora do vulgar. Sei perfeitamente como é importante em qualquer tipo de comércio dar nas vistas. Aquele sistema de dar nas vistas é um tanto ou quanto rudimentar, mas é barato e é bem capaz de dar milhões... Não contive um comentário:
- O senhor tem um balcão muito engraçado. Mas é capaz de ser atractivo para os larápios, não? - a minha "veia comercial" descobriu imediatamente um senão para artigos expostos daquela maneira.
O senhor respondeu-me que não, nem por isso, não costuma dar por nada e tal, só quem é cliente habitual é que pega no que precisa tendo pago previamente... conversa de vendedor que a minha "veia comercial" tão habituada está a ouvir e por isso tão facilmente identifica... Eu própria tenho conversa de vendedora... ora nem mais!
Conclusão: além do café me ter sabido extraordinariamente bem ainda tive oportunidade de ver um estabelecimento decorado de uma forma invulgar, o que me faz pensar que ás vezes não é preciso gastar rios de dinheiro em publicidade para chamar a atenção de presumíveis clientes.
A necessidade é a mãe de todas as invenções e quando não há cão caça-se com gato...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Busca


Isto hoje não está grande coisa... esta busca incessante de algo que eu nem sei o que é põe-me doida! Então não era sensato deixar-me estar descansadinha ao sabor da vida? Mas porque raio é que eu não me deixo destas merdas?!
A vida não é para ser passada desta maneira... em busca de algo. É para ser passada gozando cada bocadinho, cada segundo, porque cada segundo é único.
Será que preciso levar uma pedrada na cabeça para acordar? Deve ser isso...
Isto hoje não está grande coisa... nem hoje nem quase nunca, porque eu nunca estou contente comigo própria, com o que digo ou faço. E isto revela uma auto-estima muito baixinha, eu sei...
foto: Albernoa, 25 de Abril de 2007
autoria: Luís

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Monólogo

"Mãe!... eia!... nem sabes!... hoje baldei-me às aulas!... mas não te preocupes!... tão justificadas porque fui ao torneio de vólei com a minha turma!... houve uma altura q' era a minha vez de volar e eu fiz mêmo assim... com esta parte da mão... olha mãe assim tipo... e a bola foi mêmo assim mãe... mêmo mêmo bem... os meus colegas até ficaram assim tipo... ficou tudo a olhar!... jogámos dois jogos... ganhámos o primeiro e perdemos o segundo... e depois tive a ensaiar a apresentação de amanhã com a Catarina e a Nádia... nunca na minha vida tive tanto tempo a ensaiar... mãe... achas que o pai me pode ir levar à Pontinha para ver o jogo de futebol dos meus colegas?... André!... 'bora ver os meus colegas à Pontinha?... pai!... depois no Sábado podes-nos ir levar à Pontinha que eu queria ir ver os meus colegas?... ahhh!... tive toda a tarde a ensaiar aquilo...Martin Luther King nasceu a 4 de Abril de 1968... bolas!... já tou a trocar as datas!... esse foi o dia em que ele morreu... nem quero ver amanhã... eu até disse à Nádia para pôr o telemovel dela a gravar p'a gente parecer que távamos mêmo a falar..."

Texto confuso este... eu sei... mas muito agradável de ouvir...

E...

... é pá... prontus... tou gira!...

sábado, 12 de maio de 2007

Lembro-me de Deus

Às vezes lembro-me de Deus.
Lembro-me de um modo de estar e ser que deixei para trás há alguns anos por pura casualidade da vida.
Lembro-me de Deus mas não por estar triste, deprimida ou com algum problema ou doença.
Lembro-me de Deus porque sim.
Lembro-me de Deus porque sei que Ele existe.
Lembro-me de Deus porque Ele está em todo o lugar.
Lembro-me de Deus porque Ele está aqui comigo.
Lembro-me de Deus porque Ele é tão grande que não cabe no Mundo inteiro e ao mesmo tempo consegue ser tão pequenino que cabe no meu coração...
Deveria lembrar-me sempre de Deus.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Fui tirar fotografias...

... e lembrei-me do post que escrevi no passado Domingo, onde relato uma ida ao fotógrafo quando tinha 5 anos. Tal como daquela vez, também hoje o fotógrafo endireitou-me as costas, rodou-me o rosto, mandou-me sorrir e inclinou-me até me fazer parecer deslocada de mim mesma. Também hoje foi aliviante voltar à minha posição natural. Ainda assim espero ter ficado com um ar natural. A ver vamos. Eu depois digo qualquer coisa.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Festa de anos

Ontem fui a uma festa de anos um tiquinho estranha. O aniversariante fazia 13 anos e não tinha o pai fisicamente ao pé dele, uma vez que se encontra noutro país, mas ouvia-o através de um telemovel em alta-voz. O pai do miúdo acabou por "assistir" à festa através de um telemovel. Toda a família falava com ele como se ele estivesse ali presente.
Achei aquela situação invulgar, talvez porque nunca tenha assistido a nada parecido. A família em si também era interessante:
- Avós maternos: caladinhos mas felizes por se encontrarem ali.
- Tios: um pouco mais faladores, mas pouco mais. Apenas o necessário e moderadamente.
- Primos: muito faladores, muito entusiastas, muito adultos e muito p'ra frentex.
- Mãe e padrasto: principalmente preocupados em servir e proporcionar o bem-estar dos convidados.
- Aniversariante: com o olhar sombrio, mas na boa...
- A minha própria família: o Luís conversava com todos criando um bom ambiente. A Ana Cláudia conversava com todos e cativava a atenção dos adultos expondo com prontidão a sua opinião adolescente, à qual geralmente toda a gente acha piada, inclusivé eu. O André... na boa... tal como o aniversariante.
- E eu...
:-)

domingo, 6 de maio de 2007

A minha mãe

Decorria o ano de 1973, o meu irmão já andava na escola, o meu pai estava a trabalhar no que seria a barragem Cabora Bassa em Moçambique e a minha mãe tomava conta de nós, da casa e do seu próprio trabalho. Uma das suas actividades era costurar. E fazia-me vestidos, muitos vestidos. Cheguei a ter 22 vestidos todos feitos por ela. Com qualquer bocadinho de tecido ela fazia um vestido para mim, era por isso que eu tinha tantos. Um dos vestidos era cor-de-rosa, tinha um feitio simples e sem mangas, a direito até à cintura de onde saíam pregas vincadas e tinha umas florzinhas brancas aplicadas no peito e no decote.
No dia em que fiz 5 anos, a minha mãe vestiu-me esse vestido, calçou-me meias brancas e sapatos de verniz pretos e foi comigo ao fotógrafo para registar a minha fisionomia com 5 anitos.
O fotógrafo mandou-me subir para uma espécie de mesa, que era tão alta para mim que tiveram que me ajudar a subir. Seguidamente o fotógrafo endireitou-me as costas e rodou-me o rosto para um dos lados. Ajeitou-me o vestido, pôs-me as mãos abertas em cima da mesa e disse-me para trocar as pernas. Recomendou-me que ficasse sossegada até ele tirar a fotografia. A minha mãe observava tudo e mantinha-se calada deixando o fotógrafo executar o seu trabalho. A mim estava a custar-me horrores estar naquela posição que parecia que não era a minha.
- Olha para o meu dedo... (e eu olhava) sorri... (e eu sorria)só mais um bocadinho... (e eu sorria)aguenta só mais um bocadinho... (e eu a aguentar) já está!... (ufa!!! que alívio!!!)
Voltei de novo à minha posição normal, desci da mesa (ou que raio era aquilo) e saímos para a rua, para longe daquele cheiro característico das lojas de fotografia.
- Gostas da mãe?
- Sim - respondi simplesmente.
- Muito ou pouco? - a minha mãe nunca está satisfeita... olhei para o céu, pensei, pensei e lembrei-me que o meu pai estava longe em trabalho.
- Como daqui a Moçambique! - a minha mãe riu-se da minha espontaneidade e durante anos ouvi-a contar este episódio várias vezes.
A minha mãe é uma batalhadora. Alentejana de origem e também de alma e coração, veio com o meu pai e o meu irmão em 1965 para Lisboa tentar uma vida melhor. E, à custa de muito esforço, conseguiram mesmo uma vida melhor. A minha mãe sempre trabalhou, nunca ficou de braços cruzados à espera que as coisas aparecessem.
A minha mãe tem pouca instrução, mas nunca deixou de ir a lado nenhum por isso. Se era preciso tratar de algum assunto ou ir a algum sítio que nunca tivesse ido, mesmo mal sabendo ler, lá ia ela à descoberta e sem medo nenhum do que iria enfrentar.
À minha mãe eu devo muito, talvez quase tudo, do que sei e do que sou hoje. A melhor mãe do mundo é a minha...

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Fragmentos do meu blog (quatro e último)



Imagino que o facto de gostar de escrever não significa que a vontade de o fazer tenha que estar sempre ao mesmo nível.

Para ser sincera, ainda não percebi em que "sítio" mais gosto de escrever, se no PC, se no caderno de capa colorida que está à cabeceira da minha cama...

- Eh pá! Que tal increverem-se e frequentarem assiduamente a porra de um Ginásio e mexerem esse cu?

Talvez um dia eu venha a ser uma velhota...

Há vários dias que não escrevo aqui nada... de momento, tudo o que anda na minha cabeça é impublicável...

Nos últimos dias tem crescido a sensação de que há determinada área da minha vida que é uma grandessíssima... pouca de Chica Maroca*.

Se eu fosse o meu blog acharia que a Gina usa a subtileza até para escrever...

- Mãe... não morras, está bem?
- Se eu pudesse não morreria nunca... - disse eu. De seguida pensei: " Só para não ficares triste..."



Os meus filhos têm qualidades que eu própria gostaria de ter e eu revejo-me e regojizo-me no que observo nas suas vidas.



*merda

foto: Santo António dos Cavaleiros, Fevereiro de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Hoje estou felicíssima...


... e muito aliviada!... Concluí, finalmente, o trabalho de T.I.C. Estava um pouco nervosa e algo apreensiva porque tinha receio de não conseguir fazer o trabalho lá, ao pé do Técnico. Mas consegui!... O tabalho do Word, o trabalho do PowerPoint, o trabalho do Excel e tudo...
É muito bom quando nos propomos fazer algo e conseguimos, dá um enorme ânimo.
Agora só falta o resto, que não é tão pouco como isso. A próxima sessão será para decidir a estratégia para o grande dia em que terei que explicar perante um Juiz porque é que eu acho que mereço ter o 9º ano.
Vamos a isso!
foto: Jardim Fernando Pessa - Lisboa, Abril de 2007

terça-feira, 1 de maio de 2007

EU...

Eu quero: ser feliz
Eu tenho: uma família
Eu acho: que vou conseguir
Eu odeio: a hipocrisia
Eu sinto saudades: de ser criança
Eu escuto: os meus filhos
Eu cheiro: tudo...
Eu imploro: que me escutes
Eu procuro: a paz
Eu me pergunto: que se passa comigo?
Eu me arrependo: do mal que já fiz
Eu amo: a minha família
Eu sinto dor: quando vejo desdém
Eu sinto falta: de amigos
Eu me importo: com tudo
Eu sempre: escuto
Eu não fico: sentada no sofá
Eu acredito: que vai ser melhor
Eu danço: quando estou feliz
Eu canto: pouco
Eu choro: quando estou triste
Eu falho: quando é preciso acertar
Eu luto: por um objectivo
Eu escrevo: o que me ocorre no momento
Eu ganho: com a leitura
Eu perco: tempo
Eu nunca: ...digo nunca...
Eu me confundo: com os meus pensamentos
Eu estou: em casa ou no trabalho
Eu sou: a Gina
Eu fico feliz quando: me escutas
Eu tenho esperança: que o Mundo melhore
Eu preciso: de companhia
Eu deveria: melhorar o meu mundo
Tirei esta ideia daqui. Se alguém quiser fazer um texto semelhante... que esteja à vontade para o fazer.