sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Luzes de Natal desta Lisboa

Passei no Lumiar e cuidei de estar noutra cidade qualquer, está tudo iluminado, há inclusive uma extensão enorme de luzinhas dando as boas-vindas à freguesia. Um primor.
Aqui por estas bandas a luz natalícia anda muito pobrezinha, em comparação com anos anteriores. Na Praça de Londres há apenas uma árvore iluminada com a cor excelsa do Natal: vermelho. Está linda, toda preenchida por pontinhos luminosos, desde tronco a ramos. À hora do almoço já se encontra luzindo tenuemente e à noitinha chega o esplendor vermelho. Na Praça do Chile alguém se lembrou de enfeitar o Fernão de Magalhães com chapéus de chuva abertos. Quero dizer... uns abertos, outros meio abertos e ainda outros totalmente fechados. À noitinha acende-se a luz e a obra de arte, que nada tem a ver com Natal, pisca-pisca formando uma visão sui generis.
É assim o Natal. Tempos de crise, é o que dizem...

O elemento

Elementar forma de escrita, a que reside neste blogue.

Soberania

Dei uma folha contendo a receita dum bolo a alguém para fazer o favor de entregar a outro alguém. O primeiro alguém agarra na folha e põe-se a ler. Deturpou tudo quanto lia. O leitor é indubitavelmente soberano, interpreta e divulga o que lê como quer. E não é por isso que está errado, é a sua conclusão, ponto final.
Fiz esta referência aos presentes. Ninguém me entendeu.
Já me têm dito:
'Olha, ninguém te entende porque não estás no teu meio, as pessoas não têm os mesmos gostos que tu.'

Hum, pois é. Então vou para onde?

Relação numérica

43.68€, foi o valor das minhas compras no supermercado. Aludi imediatamente os dígitos à minha idade e ano de nascença. Esta é a minha relação com os números. A mais estreita que tenho.

Olha para mim

O homem do olhar espantado... 
Tem um olhar muito espantado. 
Olha-me sempre muito espantado. 
Como quem não está habituado à minha presença e em cada olhadela fugaz (mas intensa) que me dirige haja uma surpresa enorme.
É claro que isto tem a sua piada, é porreiro ver reação na outra gente, posso pensar (e escrever!) que ele olha para mim cativado pela espantosa beleza do meu ser. Porventura alguém vem desmentir tal afirmação?!

Ele...

... Diz que mudei – para melhor -, que sim senhor assim é que é, que gostou muito de ver e de me saber assim tão desenvolta.

Hã?! Quê?! A entrevista?! Ah, pois, o video com a entrevista que coloquei no Fuçasbuque... Mas lá não está um convite simpatiquíssimo e bem explícito para que venhas visitar este blogue? Que esperas, então?

Frases

Se uma cliente me explica ao que vem e usa a frase 'tá a ver a cena?', eu posso muito bem responder o 'é bué da fixe!

Só por dizer que foi em 'negócios' diferentes...

500 escudos

Ando em arrumações ligeiras e limpezas com alguma profundidade. Descobri o frasco onde se fazia a brilhantina que seria depois vendida avulso a quinhentos paus cada oitenta gramas. Despejava-se num frasquinho que o cliente trouxesse e media-se a peso, muito embora o produto seja líquido. Era assim.
Ainda me lembro duma cliente regular desta brilhantina. Lá de quando em quando comprava os oitenta gramas que lhe duravam uma série de meses.
Essa senhora morreu há algum tempo. Uma vez escrevi acerca dela, está neste post...

Árvore de Natal

Lisboa, 16 de Dezembro de 2011

«Tem ésses para pendurar as bolas de Natal?»

«Tem figuras de Presépio?»

Não e não, minhas senhoras. O mais chegado a decorações de Natal que há por aqui é a árvore que se vê na imagem acima. Por sinal, bem gira e original.

Cintura fina (?)

Ajudei a dona Genoveva a compor-se. Coloquei-lhe o cinto ao redor da cintura, a seu pedido. Nem sei porque o fiz. Calhando, foi porque sim.
Escreverei de modo a que pareça uma senhora amável e serviçal ou escreverei da falta de vontade em ajudar?
Não sei que faça, não sei que escreva.
Posso exagerar. Posso transformar o episódio. Esta cena pode ser enternecedora, hipócrita, atípica ou simplesmente inclassificável. Não sei definir. Às vezes não sei definir os momentos, isso constrange-me, estou habituada a esmiuçar, esquematizar, encontrar cernes que advêm somente da minha cabeça.
Eu descrevo, sobretudo descrevo. E não sei descrever esta cena, é o que é. Há-de ser alguém a mandar-me calar, a mostrar-me que não mando porra nenhuma, certamente.

Atenção!

Tubo de creme das mãos – amarelo.
Tubo de cola – amarelo.

Tomar atenção sempre que necessário qualquer um destes dois. Confundi-los não será aprazível.

Recadinho

O rico filho escreveu:

Tirei 5 € ao pai pa pitá-las

A rica filha corrigiu, acrescentando o 'ra' ao 'pa'. Em baixo adverte:

A linguagem escrita tem regras!

Nota: pitar = comer

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vinhos de Natal

Detive-me longamente. Olhei atentamente. O objeto era a montra de vinhos duma loja de bairro. A pausa foi tão extensa que deu tempo ao vendedor de se chegar à porta e interpelar-me, que se eu quisesse fosse ver lá dentro, tinha muitos vinhos dentro do 'bom e barato', agora para o Natal.
E ele foi falando. Era um homem de muitas falas, deu para perceber. Blás e mais blás. Os blás foram ter ao facto de o português geralmente deixar tudo para o último momento mas que era bom que assim acontecesse, isto falando dos presentes de Natal.
– Sim, é mais emotivo! - Concordei eu.
– Não! - Exclama ele, cheio de saber. - É que assim a pessoa vibra mais!

Hum, ok.

É mesmo verdade...

… Ninguém entende a minha poesia.

Temor

Temo as pessoas. Presumo que este seja um facto notório. Deveras notório.

Por favor...

… Não usar os vocábulos 'poroso' e 'numerário' caso se comunique com as camadas jovens.

O Amigo

À semelhança do que ouvi por aí, lembrei-me de fazer 'o amigo secreto' com o meu colega, este Natal. É giro, a gente faz o sorteio e tudo. Temos é de deixar o secretismo de lado...

A magra

Noutro dia vi uma apresentadora de TV ao vivo num armazém onde me abasteço. Achei-a tão magra, tão magra, tão magra...
Quando for famosa não vou à TV dar entrevistas. Lá, a gente fica gordas e assim. Um horror.

Solitude

É hoje. O dia francês, é hoje. 15 de Dezembro de 2011.
Vou chamar-lhe assim – o dia francês - , é provável que o leitor não perceba nada mas descodificar este item daria imenso trabalho e não é tão interessante assim. Apenas acrescento que está relacionado com o que escrevi aqui.
A partir de hoje estou sozinha, gerindo o estamine, até um dia desses, algures em Janeiro próximo. Diz que 'patrão fora, dia santo na loja' mas comigo não funciona dessa maneira. Tanto não funciona que este é o meu primeiro texto de hoje. Incrivelmente, hoje ainda não tinha tido tempo para escrever (são 16:22), tenho estado ocupadíssima... Oh, céus! Até já...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Derradeiro

Saí para a rua disposta a dar o meu último passeio.
Vagem de feijão verde na passadeira.
Senhora de cabelo lilás pisando a mesma.
Quatro pombos pousados no fio que liga dois prédios na rua Francisco Sanches (Lisboa).
Estão sempre lá, descansam, talvez, que esta vida é uma correria. Ou uma voadela... voadia... voadice... voadeira... Os pombos voam muito, pronto!

A bola

Lisboa, 14 de Dezembro de 2011

Se a memória está certa comecei a fotografar este lugar na Primavera de 2009. Passaram dois anos e meio, para aí.
A bola sempre tem andado dum lado para outro, como se alguma criança a pontapeasse, levando-a a mover-se mais do que queria. Também podem ser as intempéries, a causa de tanto movimento...

Mediocridade

Não és.

Não sabes.

Em calhando, nem fazes.

Acalma-te

(O céu sobre) Lisboa, 14 de Dezembro de 2011

Tenho vida para tomar uns calmantes. Devia ter tomado um ontem à noite depois do jantar para dormir bem. Outro ao almoço para ficar dormente. E mais um ao lanche para nem sequer sentir a cabeça.

Eu não tenho problemas graves, não senhores. O meu problema é poucochinho e um só: eu não posso ter problema nenhum.

A relação...

… Mais estreita que tive com polícias foi atrás do balcão. Pelo menos até hoje. Eis outra relação com um polícia:

Queria um mosquetão. Remexeu e escolheu. Experimentou no cinto, depois de eu muito insistir que podia e tal e tal. Tive de me controlar p'ra caraças para não estar a olhar para aquela zona do corpo do sô polícia, porque ia parecer que estava a medi-lo ou assim. Os homens, mesmo os polícias, esses seres puramente viris, não suportam medições. Desviei o olhar e encalhei na pistola. Preta, enorme, mas a parecer um frágil brinquedo de plástico. Foi a (muito!) custo que reprimi a seguinte intervenção:
– Ena! Que grande pistola! Isso mata a sério?!

Acreditar

Não acredito piamente noutra forma de vida, escrevi eu há bocadinho. (Ver post anterior)
Não acredito que acredite piamente em coisa nenhuma. Eu própria não acredito na maneira como conduzo a minha vida.

Obituário

Lisboa, 14 de Dezembro de 2011

Morreu o sô João. O homem que me dizia lá do táxi:
«Olá, menina! Está melhor?!»
Este 'está melhor?' não é que eu estivesse doente, era só porque sim, era uma das piadas do sô João.
«Olhe que já são horas!»
Esta era outra das frases costumeiras do sô João. Aconteciam quando ele dava a voltinha vespertina em dias claros e amenos. Parava à porta e largava a exclamação, como se estivesse zangado. Só que não estava...
Morreu o sô João, um dos homens que sempre apareceu neste blogue com o verdadeiro nome, pois nunca encontrei motivo para assim não ser.

Não sou o género de pessoa que acredita piamente noutra forma de vida depois da morte. De maneiras que é assim: 'Adeus, sô João.'

Uma série de lâmpadas

O ano passado contei aqui a história do Filipe, o jovem adulto com ares de criança.
Este ano fui novamente abordada:
'Olhe, eu queria saber se ainda tem daquelas lâmpadas de Natal que eu comprei há muito tempo...'
'Tenho. Tenho, pois. Ou devo ter...'
Fui buscar a caixa e vasculhei-a. Havia as tais lâmpadas, sim senhores.
Fazendo jus à questão do rapaz - que este é um artigo em desuso – fui-lhe dizendo:
'Estás a ver esta letra bonita? Ainda é do tempo em que eu fazia a letra redonda...'
Ele, armado em cavalheiro sem paleio, diz que não acredita. Este cavalheiro desacredita que com o rodar dos tempos eu tenha deixado de parte a caligrafia bem apresentada.
Reforcei a ideia:
'Olha que sim, a pressa é o principal motivo...'
'Ah, não acredito.'
Torna a dizer o jovem e simplório cavalheiro. É mesmo jovem, este. Não me concebe fazendo letras desproporcionais, nem nada que seja sequer minimamente negativo... Ai, ai.

Não sei o que mais querem...

Eu sou bem-disposta. Eu trabalho. Eu simplifico os problemas. Eu enxoto a tristeza para as profundezas. Eu afasto as arrelias. Eu rio. Eu falo. Eu não me queixo. Eu ando. Eu converso. Eu tolero. Eu mexo-me. Eu convivo. Eu comprazo-me com o constante pulsar da vida.

O blogue antigo

Devido a dois motivos (que porventura não interessarão ao leitor) tenho andado a rever os meus escritos.

(Eh pá. Bolas. Ca ganda seca. Haja paciência. A mulher é uma chata. Chiça.)

Mas nos entretantos descobri que em Agosto de 2009 já eu sabia que não me acho diferente de ninguém. Estava desconfiada que tinha descoberto isso há poucos meses e afinal...

Recadinho



O primeiro recado que fiz à minha mãe foi para comprar dois peros encarnados e duas carcaças. Tinha seis anos.
– Agora a minha filha vai ao senhor Horácio e diz: quero dois peros encarnados e duas carcaças. Olha, escuta lá... Cuidado com os carros! A minha filha vai sempre rentinho ao passeio, sempre rentinho ao passeio.
E eu fui, toda importante, já sabia fazer recados. Sempre rentinho ao passeio, sempre rentinho ao passeio. O trajeto não carecia de travessias de estrada, calhando foi por isso que a minha mãe me mandou fazer um recado tão jovem ainda.
Chegada à mercearia entrei pela primeira porta (naquele tempo a mercearia tinha duas entradas), a porta que tinha o expositor com os peros encarnados e outras frutas, se bem me lembro. Fiz o meu pedido e fui cordialmente atendida, que o senhor Horácio, a bem da verdade, sempre foi um merceeiro educado.
Da transação monetária é que não tenho qualquer memória, mas o mais certo é ter ficado assente na conta corrente...

A imagem não corresponde ao texto em termos de cores mas é o que se arranja...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A pergunta

Um senhor que nem sempre é a luz dos meus olhos ou as cores da minha vida hoje perguntou-me:
«Então, Gina, que contas?»
Respondi-lhe que conto das árvores ali assim, sempre vão mudando de figura, daqui a um mês ou isso hão-de estar completamente despidas, sei disto porque tenho fotografias de todas as fases destas árvores. Acrescentei ainda que viver é uma coisa fixe.

Saída

Loures, 12 de Dezembro de 2011

Andei por aí. Fui até ao Loureshoping, mais concretamente. Sozinha, como da outra vez, mas desta feita de carro. Demorei muito menos tempo, claro.
O centro comercial estava cheio. Eram três da tarde e o centro comercial cheio de gente. Comprando, convivendo, passeando. É Natal...
A foto é da parte de fora do centro, que eu cá gosto muito do cafezinho dali assim mas ainda gosto mais de apanhar o ar puro que aqui - ainda - se respira.

Unhas

Se tenho as unhas com boa apresentação é porque não faço a ponta dum corno.
Se tenho o verniz velho é porque sou desleixada e tenho a mania que sou rebelde.
Se tiro o verniz fico com os restos agarrados à pele.
Se pinto para disfarçar tem de ser com a mesma cor.
Se pinto com uma cor diferente fica tão feio.
Se deixo andar assim é porque... 

...

Não sei, esgotou-se-me o assunto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

É Natal!

Loures, 11 de Dezembro de 2011

Agora é que já é Natal cá em casa. E na cabeça dos ricos filhos também, não tiram os barretes de Pai Natal da cabeça...

Passeio p' la urbe rural






Loures, 11 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

III ATOS

I ATO

Onda vaivem

Não é nada a minha onda andar a inventar para escrever. Tenho tentado, ao sério que sim, aí para baixo há uns quantos episódios inventados. Mas não é a minha onda, não é o que me motiva, não me desperta, antes pelo contrário, abafa-me a escrita. Básica e primariamente sou pela observação pura da vida e pelo escrever impulsionado por essa observação.
Não sei bem, mas talvez venere este impulso, sinto-lhe uma espécie de arrebatamento, uma intensidade qualquer que não sei classificar.

II ATO

Murro; pontapé; arranhão

Matias é bandido e dorme na rua. Hoje apresentou-se ao serviço de cara arranhada. Andou à pancada, certamente.
Ou então, caíu.
Ná...
Não caíu nada, andou à pancada. Sei-o pelo modo como me olhou de soslaio, com medo das minhas questões, ele que é sempre tão aberto à conversa.
Não questionei. Fico, portanto, com as minhas certezas. Daí não vacilarei.
Agora me lembro: não questionar traz mais certezas...


III ATO

Cargo de chefia

Tomélia tem um chefe ignóbil. Desconfiado e velho, também. Mal sabe o bicho que ela anda a escrever um livro... E que escreve às escondidas lá no computador...
Segunda a Sexta, das nove às cinco – é o horário. Ela lá se amanha para escrever, aproveitando os bocadinhos todos. O chefe aproxima-se, Tomélia fecha o documento. O chefe trabalha, Tomélia abre o documento. O chefe levanta-se, Tomélia acaba rapidamente a frase e grava. O chefe olha para a papelada, Tomélia retorna à escrita. Vai escrevendo e desenvolvendo a trama da sua história. Aos pouquinhos, aos pulinhos, pequenos soluços do seu viver. É no seu viver que se baseia para escrever, ninguém é capaz de escrever daquilo que desconhece.

A imagem

Uma menina estranhou a imagem presente no quadro e disse para a mãe:
– Oh, olha ali tão mal feito, mãe!
A mãe explicou à menina que não era mal feito, era uma arte, há uns senhores que fazem umas coisas que parecem esquisitas mas é mesmo assim.
E eu ali, por baixo do quadro. Queria ver qual a estranheza que havia despoletado a reação na menina. E eu ali, por baixo do quadro, como que prisioneira duma circunstância. Podia olhar para trás mas isso ia dar-me cabo do pescoço, por causa da camada de roupa que trazia vestida.
Passado um tempo vejo aproximar-se uma senhora toda pimpona. Sapatinho alto, casacão cheio de pêlos fofinhos e quentes, beiças escarlate. Uma presença fria, nada atrativa. Olhou com grande interesse para o dito quadro. Séria, no entanto. Seriíssima. Ar de entendida. Ar de desdém.
Afinal parece que o quadro não presta, pensei eu.
E eu ali, por baixo do quadro.
Quando me levantar daqui tenho de não me esquecer de mirar o quadro, pensei eu.
Seria mais um par de olhos. Mais um olhar crítico e prescrutador.
O tempo passou. Por acaso ia-me esquecendo de olhar para trás. É 'alguém' que tem um par de pernas e pés que não tocam no chão, a cabeça no lugar das ancas e depois mais nada de corpo. Na cabeça tem um chapéu-de-chuva em duas perspetivas, o rosto encontra-se de perfil, o nariz está desfasado mas o olho, porém, olha-nos de frente.
É uma imagem muito estranha, a menina tem toda a razão. O melhor do mundo deve mesmo ser as crianças...

A folha

Eu estava à porta aproveitando o sol. Tinha a cabeça baixa e podia dizer que era por causa do sol nos olhos mas não era, tinha a cabeça baixa porque não me apetecia ver ninguém. Chega-se uma senhora e dá-me uma folha com uns dizeres espirituais, dogmas e sábias doutrinas. Diz que era para eu ler enquanto estivesse ali sem fazer nada...
Guardei o papelinho na minha mala até ao dia de escrever este texto. Religiosamente, portanto.

O bolo

Assim que entrei o homem do café anunciou-me que hoje já havia aprendido alguma coisa. Era acerca do bolo mil-folhas, a dita aprendizagem. Uma senhora (querida, querida, querida!) tinha-o ensinado a comer esse bolo sem que o creme se cole nos dentes: basta comê-lo ao contrário, ou seja, com o creme para baixo.
Diz que assim, os comedores desse mítico bolo, não mais terão a árdua e embaraçosa tarefa de descolar o creme pegajoso dos dentes. Se tal acontecer é só usar a língua no sentido ascendente, ninguém notará.

Ainda não experimentei, não sou comedora do mítico bolo.

O empregado

Está aqui um antigo empregado. Foi marçano nesta drogaria há quarenta anos, cargo desusual nos nossos dias. Haver antigos empregados de visita ao espaço não é cena nova para mim, só por dizer que eu nunca tinha feito aparecer nenhum no blogue.
Este é um cromo do caraças... Mas que grande encomenda! Anda só a perguntar se aqui ainda se trabalha da maneira antiga, a que ele se lembra.
Diz que era um ganda sacrasta.
Serviu petróleo ali, na torneira da esquerda, antigamente era assim, avulso.
Quer lâmpadas... Mas não é nada do que há.
Quer limpar o casaco de lã... de chachemé.
Diz que eu 'tou só a olhar para ele...
Esta última afirmação quase me fez desistir da feitura deste post. A sorte dele, a do cromo, é que eu estou a escrever em direto, que é para mim - quiçá? - a maneira mais fixe de escrever.

Como consigo escrever assim?
Isso agora...

Girar

Lisboa, 9 de Dezembro de 2011

Para mim foi fácil ver a natureza trabalhando no seu melhor, as plantas querem luz, sol, calor, vida. Eu vi a cena em direto e ao natural.
Tirei uma foto e esperei que se fizesse justiça ao meu olhar. Verifiquei que afinal a imagem não tem nada de especial.
Entretando modifiquei umas coisitas com a fraca tecnologia que me assiste.
Eu queria captar uma imagem em que saltasse à vista como as plantas se mexem e vivem, como buscam a liberdade ou o prazer.
Lá se consegui ou não... os leitores que digam.

Nomes

Abri o livro – 'Livro das Perguntas', Pablo Neruda – na página adolescente – 15 – e encontrei o seguinte:

IX

(…)
Onde estão aqueles nomes
de outrora, doces como tortas?

O que é feito das Donaldas,
das Clorindas, das Edviges?

Não resisti ao impulso, comprei o dito livro.

(Não desmarque... Por favor.
Não é preciso saco – obrigada! - deixe estar.
Pode dizer-me as horas com facilidade? É que o meu telemóvel está aqui para dentro da mala...)

Considero o livro invulgar, mostra-me outro modo de ver o mundo: perguntando.
Ler os versos que transcrevi (ver acima, por favor) lembrou-me a saga que por vezes enfrento quando tenho de achar nomes diferentes para as minhas histórias. Em tempos baseei-me num site cheio de nomes portugueses que havia descoberto por aí. Entretanto perdi-o... A ver se o encontro de novo.

Tatu

Ele disse-me o que escrever:

«Escreve assim a dizer: Olha-me este a querer que eu faça um post acerca da tatuagem dele… Bah, olha p'ra este, armado em importante! Diz que eu... Ai, como é... Diz que eu 'tou com uma crise de meia-idade!
…

Mas se não quiseres escrever não escrevas nada, está bem?

…

E se quiseres escrever diferente do que eu disse também podes...»


Hum, vou pensar. Depois digo-te como fiz. Ou se não fiz.


«Aquilo não dói muito, é como se estivessem a cortar a pele!»

Hum, ok, senhor Luís... Tanto que a ferida punge, esta manhã tinhas o desenho estampado no avesso do pijama...

Mais tarde mostrou à mãe e ao pai, todo orgulhoso.
À mãe saíu-lhe:

- Foste fazer isso?! Ah, malvado!

E ao pai:

- Vai lavar isso com sabão azul e branco, pá!

Boca

Lisboa, 9 de Dezembro de 2011

Colocar um gole de água na boca quando a tenho parcialmente seca.
Ah, que prazer!

(Mesmo com este frio?!)

Sim, mesmo com este frio.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Uma alameda em dia feriado...

Uma alameda linda. Linda, três vezes linda.

Lisboa - Alameda Dom Afonso Henriques, 8 de Dezembro de 2011

Cantoria de Natal


Há um mês ou dois (ou três, sei lá eu!) que não há elevador cá no prédio. Moro num terceiro andar, sou uma mulher cheia de saúde e vigor, logo, não é de transtorno que venho falar agora.
É que deu-me para cantar enquanto subia as escadas. Cantei a plenos pulmões uma canção de Natal.
É Natal. Sobretudo, é Natal.
A minha cantoria ouviu-se até lá em cima, tenho a certeza, as escadas têm uma acústica do caraças. Fico com vozeirão e tudo.
É Natal.
Ainda receei que viesse algum vizinho ver o que se passava com tanto grito mas ninguém me ligou. A não ser a rica filha, assim que entrei em casa vi-lhe a expressão de choque «Que é isto, a minha mãe endoideceu?!»
Sempre provoco reações, afinal.
Afinal é Natal.

Nota:
A imagem é do ano passado mas as luzinhas são do ano corrente. Há que inovar, nada de apresentar pratos requentados aos meua leitores. 
Eu queria ter posto aqui uma imagem da linda árvore de Natal que hei-de fazer. Pois é, é isso mesmo, ainda hei-de fazer a árvore de Natal deste ano.

Boca

Eu podia dizer que hoje vi a Boneca Emília (Sítio do Pica Pau Amarelo) esperando que se iluminasse o sinal de peão verde.
A boca muito bem desenhada com um batom de boa qualidade, num escarlate vistoso, mas mate. Chupa as bochechas e faz um beijinho sério. Sério porque os olhos não se riem. Os pedacinhos carnudos dão-lhe uma expressão algo infantil, ou circense... Parece mesmo a Boneca Emília.
Queria encontrar a poesia da cena... Mas não sou poeta. Podia debruçar-me na poesia que existe na genuinidade do (meu) deslumbramento... Mas não sou poeta.

Indiferença (Será que existe?!)

A indiferença é bera, assim de chofre é o que me parece. A indiferença mesmo, não o fingir que se é indiferente. A indiferença não está presente no fingimento.
Quando li 'indiferença' logo me chegou à memória aquele tipo de pessoa que finge que não me vê, finge que não me ouve, finge que não me quer ver, finge que não me quer ouvir. A mim. Mas a ideia é escrever da indiferença, o não querer saber, o não provocar calafrios nem suores, o não deslumbrar, não afetar de maneira nenhuma.
Vou concentrar em mim, então, à falta de reconhecer a indiferença na outra gente, posso rebuscá-la na minha pessoa. Mas não a encontro por aí além, a bem da verdade não sou uma pessoa indiferente, ou não escreveria as minhas coisinhas.

Se venho tarde encontro-o atrás da montra de óculos.
Se venho menos tarde encontro-o a caminho da loja dos óculos.
Se venho mais cedo encontro-o a sair das galerias.
Se venho muito cedo encontro-o sentado no restaurante de
fast food.
Em qualquer horário o encontrarei redondo e inchado que nem uma pipa de vinho...

«Olha, desculpa lá... Dá-me uma moeda...»
É sempre assim que a rapariga (aparentemente) pobre me pede esmola. Noutro dia vi a miúda na Abelha Maia da avenida, aquele boneco mecânico que parece um mini-carrossel.
Que estranho, não?! Será assim tão pobre que tenha de pedir esmola?! Ou será uma questão intrínseca?!

Não sou indiferente ao quotidiano. Não consigo. Ou não quero, sei lá! A vontade de escrever as minhas coisinhas está-me intrinsecamente imposta.

Nota:
Este texto é a minha participação para o tema deste mês 'Indiferença' no blogue 'Fábrica de letras'.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Comentário

Ele comentou comigo daquele homem que dorme debaixo da ponte. De como faz a cama, de como arruma categoricamente os pertences, de como se prepara com esmero. Tudo nele é aprumo, apesar de não ter uma casa com teto.
Observei-lhe a figura. Achei-o asseado mas sobretudo organizado. A pastinha, a lancheira, o chapéu no lugar certo da cabeça, o casaco comprido sem vincos. Tudo composto. Uma visão sistemática de tudo-no-sítio. Dois extremos numa só visão. Apesar dos pesares. Uma singularidade num quotidiano que nem sempre é só meu.

Ouvir

Sempre queremos ouvir dos outros aquilo que não nos querem contar, já percebi.
«Ah, diz lá, vá lá!» É o que a gente ouve se não nos apetece contar as coisinhas. Se a gente conta tudo, os pormenores, fizermos referências, o que se vê é caras de enfado. É por isso que eu tenho um blogue.

Aquecimento central

As mãos estão geladas. Mas em todos os corpos há sítios quentinhos onde as enfiar. Debaixo dos braços, entre as pernas, na barriga e nos ombros. Nestas duas últimas é de notar que tem de se enfiar as mãos por baixo da roupa.
As mamas grandes também devem fazer um ninho fixe debaixo da chicha... Mas eu encontro-me fora desse grupo afortunado. Afortunado em tempo frio, claro.

Pasta de dentes

Hoje tenho outra coisinha a contar sobre pasta de dentes.
Eu ia lavar os dentes, claro está, a escova preparadíssima, a pasta lá colocada e tal e tal, quando me dá uma súbita e forte comichão no nariz. Cocei-me à pressa, enfiei pasta nas narinas, limpei-me também à pressa, voltei a coçar-me e descobri que a pasta dentro do nariz é fresca que se farta.
É assim a minha vida, cheia de percalços. Ou coisinhas. Se calhar é mais por aí.

Há por aí uns reclames parvos até dizer chega, tendo em conta a estação que atravessamos, ou seja, o Outono e a inerente porra do frio...

Se a gente tiver um dia especial, que é como quem diz um dia de nervos, metamos um Halls na boca, deixemo-lo derreter e a fresquidão nos dará vigor q.b. para enfrentar toda e qualquer crise de ansiedade.

A gente quer esquecer mas todos os dias se ouve que a celulite no Inverno não é para se esquecer, que há o creme tal à venda no mercado para a combater. E que deve ser frio p'ra caraças!

Limpeza profunda

O senhor doutor pisou merda. Os senhores doutores também pisam merda. O senhor doutor encontrava-se de cu para o ar limpando o sapato. Os senhores doutores também se poem de cu para o ar. E limpam. Limpam a merda que não fazem, afinal. Ó visão gloriosa, daqui te vejo...

Nota final:
Este post não foi inspirado pela presente época natalícia, seguramente.

Saco de água quente

Nos primórdios do meu balcão houve uma cliente exigentíssima, querendo um saco de água quente fabricado na Alemanha. Na altura não soube dizer em que língua falavam os sacos que eu tinha na prateleira, nem havia como auferir na embalagem. Um horror de negócio, este. Uma palermice de todo o tamanho.
Hoje lembrei-me desta querida senhora, recebi a remessa de sacos para combater o frio. São portugueses, estes. Ou por outra, são fabricados na Índia segundo os requisitos da Grã-Bretanha mas têm as instruções no verso totalmente em português e descritas exaustivamente, até ensina como enroscar.
«Enrosque a rolha o suficiente apertada para garantir que não verte.»
Chama a atenção para algo que poderíamos esquecer inadvertidamente.
«Os sacos de água quente podem provocar queimaduras. Evite o contacto direto e prolongado com a pele.»
E... Tcharam! É-nos mostrado de onde vêm.
«Este saco de água quente é feito em borracha natural e fabricado de acordo com as normas britânicas NO. B.S. 1970.2006»

Sendo um produto tão 'majestoso', é certo que agradará às minhas clientes mais exigentes...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Post para um leitor específico

Se te chamas Humberto, frequentaste a antiga e extinta Escola Preparatória Carolina Micaëlis, em Loures, no ano letivo 1980/1981 e moravas nas Salemas nessa altura, então este post é para ti.
Gostava de rever-te. Eras um rapaz simpático e bastante diferente dos demais, não curtias nada jogar futebol, andavas sempre com as meninas. Os parvalhões chamavam-te maricas mas quem andava com as gajas eras tu...
A gente os dois fartávamo-nos de falar, não lembro acerca de quê, mas é a tua atitude o que guardo na memória. Eu para falar já se sabe, é preciso puxar-me a língua, ou assim, mas contigo era fácil. Não me chamavas nomes, não ficavas à espera que eu jogasse bem à bola, porque tu também não jogavas, ou fosse boa aluna, porque tu também não eras. O não se estar expetante perante a minha pessoa é-me profundamente aprazível. Gostava mesmo de rever-te. Se leres este post, já sabes, diz qualquer coisa. Eu agora sou um tudo-nada mais comunicativa mas não é nada que não se aguente.

Mais ou menos

Quanto mais escrevente menos leitora. Não é nada que saia fora dos eixos, costumo ser assim.
Mas há exceções e eu gosto é dessas.

Sujeira

Achei que amanhar a gola da blusa tendo numa das mãos uma escova de dentes carregada de pasta não faria mal algum. Porém, fez. A pasta caíu em cima da blusa. Limpei-me o melhor que pude, fiquei toda húmida no ombro. Depois passou.
E pronto, há dias assim, em que tenho de falar de mim e das minhas coisinhas. Há dias em que não me importo nada de escrever 'coisa' ou 'coisinhas'. E 'pronto'. Também marimbo se escrevo 'pronto'. Escrevo de mim e das minhas coisinhas e pronto!

A fingir

Passo a vida a fingir que sou um ser humano benevolente e tolerante, quando o meu cerne é cruel e depravado. Descarregar nos outros a minhas frustrações é o que mais quero. Para serem eles a fingir-se cheios de benevolência e tolerância.

Uma questão de segundos

Ontem a menina do café pediu-me para esperar dois segundos. Esperei que passassem e anunciei:
– Já passaram.
Riu-se. Acrescentei que gosto de dizer esta piada porque tem mesmo piada, uma vez que as pessoas se riem. Ela concordou.
Hoje a menina pediu-me trinta segundos. Fiquei toda contente por a minha piadinha lhe ter ficado na memória.
Estes pequeninos agrados confortam-me, não é costume darem-me o tipo de atenção da qual necessito.

A boca

Gosto de ver a maneira como a boca dele fica redondinha e cheia de pequenas pregas quando engole o golinho de café.

Respostas

Um cliente disse que vinha pagar a conta e eu suspirei:
– Ah, a frase mágica!

A um outro despedi-me com um tchau como se tivéssemos dezoito anos.

E a outro fiz-lhe saber que considerava o nome da sua empresa todo giro.

Temor, (im)produção e inveja

Milena é temerária. Eu cá acho.

Tem uma relação puta-a-puta com as saloias do lugar. Pinta os lábios num vermelho escaldante, uma cor que anda ali entre o magenta e o laranja, a ver se as provoca. Diz que quando sai assim, vívida, voluptuosa, elas se põem a olhar cá com uns olhos, as invejosas!

Milena é improdutiva. Acho isso, também. Não faz a ponta dum corno, não é assalariada. Toma conta da casa, dos meninos, tem tempo para a internet, anda cá e lá. Ainda assim tem tudo um asseio e os meninos são bem-educados. E as invejosas não a largam, querendo saber partes da sua vida que ela se esforça por não contar.

É por tudo isto invejada. Milena é invejada.

Guerrilheira

Vi a Paulina a passear o cão toda decidida, o pobre bicho nem podia esticar-se que ela logo ralhava, refreando-lhe as meras vontades.
É uma pintura de guerra, aquela mulher, sempre pronta a disparar, a culatra puxada atrás, camuflada para a vida.

(Falta de) Romantismo

A Elsa disse ao marido que precisava de um boião de creme para o rosto daqueles bons. A bisnaga está no fim, e já que tem de se comprar, desta vez a ver se se compra uma coisinha como deve ser.
O marido responde sem rodeios que lhe vai sobrar um pouco do óleo que ainda há-de comprar para o carro, ela que o use na tromba, deve dar resultado.
A Elsa conteve-se, não vale a pena birrar, a bem da verdade sempre faz o que quer, os homens são uns parvos de primeira apanha, esta manhã até havia ouvido na radio que eles só ouvem com um dos lados da cabeça, os pobrezitos...
Mais tarde, ao entrar na auto-estrada, o marido da Elsa distrai-se a olhar para o lado.
– Olha aí o raile, ó parvo! O trator não é tão interessante assim... Dás cabo do carro, pá!
Só dão atenção a uma coisa de cada vez, é mesmo verdade. Este aqui ia-se matando por causa dum trator...

Voltinha por ali assim

Monsieur Dupond (ou será Dupont?!) lendo num dos cantos da casa, sempre absorto e empertigado, uma combinação invulgar de posturas.

'Acredito em tudo, desde que vi um porco a andar de bicicleta...'
Pois eu cá vi-os a voar...
O quadro que agora comigo contende tem uma meia dúzia de porcos cor-de-rosa com asas de morcego, voando em vara (ou em bando?!) pelos céus, lá ao longe a linha do horizonte separando o cinzento celeste e as águas revoltas. Um quadro duma estranheza que detém a atenção de qualquer um. E comigo contende.

As conversas cruzam-se, fazendo um emaranhado de sons indecifráveis.
Percebi que era de fechaduras que falavam. Apurei o ouvido. Nada. Dois deles retiraram as chaves dos bolsos e fizeram comparações. Continuei a apurar o ouvido. Fragmentos daqui e dali. Diziam que as fechaduras e as chaves assim custavam balúrdios mas eram invioláveis. Difusão novamente. Depois alguma nitidez. Dois vizinhos do prédio haviam sido assaltados. Por precaução houve mudança de fechaduras.
Entretanto acabou tudo por falta de comunicação, a dessintonia havia-se instalado definitivamente. Fui-me embora.

O espírito natalício transborda neste coraçãozinho

Nesta altura já eu devia andar um cadito na onda do Natal, deixando-me envolver pela boa vontade largamente apregoada, tão apregoada que a gente se sente na obrigação de assim sentir e assim agir.
Era porreiro eu estender esta hipocrisia aos meus vizinhos de cima, essas criaturas barulhentas e sem asseio...

O cobertorinho

No início a minha mãe vinha-me ajudar a fazer a cama. Primeiro as fronhas, uma para cada uma de nós. Depois lançávamos o lençóis. Estendíamo-los, esticávamo-los e dobrávamo-los por baixo do colchão. Um e outro. A dobra do segundo muito direita para ficar uma cama bem-feita (que a minha cunhada era uma mulher que fazia uma cama muito bem-feita).
Quando chegava a vez do cobertor é que eram elas... O raio do cobertorinho era quase quadrado, difícil encontrar-lhe o preceito. Mas a minha mãe conhecia-lhe a manha, era assim, com as cornucópias apontando para ali, formando determinado desenho.
«Estás a ver que é assim, filha?»
Na hora, quando me apercebia do preceito da minha mãe, via o quanto era fácil.
«Ah, então é assim.»
Pensava eu. Mas não dizia nada. Talvez sorrisse. O sorriso ilude o próprio e os presentes.
Entretanto a minha mãe deixou de me ajudar, agora vejo-me sozinha com o estender na minha casa em geral. Nunca sei para que lado são as cornocópias do cobertorinho... Fixo depois de lhe adivinhar o preceito. Adivinho porque vou às apalpadelas, só há duas hipóteses, e não é costume acertar à primeira. Quando apanho o cobertorinho estendido a preceito, sou capaz de fixar. «Hum, ok, as cornocópias são para ali...» Para dois minutos depois me esquecer completamente e tudo retornar na próxima vez.

Complexidade

O ser humano é complexo o suficiente para virar qualquer coisa do avesso. Sugeri a uma senhora que, em querendo, podia 'pagar depois'. Ela responde muito depressa que não quer cá nada disso, olha eu, a dever aos outros e mais não sei quê. Fingiu-se enxofrada, camuflando o teor da minha intenção, desdenhando da minha boa vontade. Entretanto chegou a minha vez de virar aquela salganhada do avesso, respondi que ainda bem, é dessas que a gente gosta.

Consideração do fim-de-semana

(A que faltava a este post.)

Comprei uma faca roxa, daquelas de cerâmica, toda xis pê tê ó, enorme, afiadíssima. Cortei-me na hora seguinte à aquisição. Sangrei uns trinta a quarenta minutos. Depois parou. Doeu p'ra caraças durante dois dias.

Sempre-bem

Contaram-me de alguém que responde ao vulgar 'Então, está boa?' com a simples frase 'Sempre bem!'.
Ó glória terrestre! Já não preciso ficar toda atrapalhada por dizer que 'Estou muito boa, obrigada!', afinal há um modo de contornar (bem como evitar) a tendência pretensiosa.

Café

«Rais parta a mulher! Que nunca quer tomar café comigo!»

Quem disse foi a dona Luísa, que anda atrás de mim para me oferecer um cafezinho há que tempos. Mas vem sempre tarde, quando já tomei, ou quando não me apetece por aí além bebê-lo.
Hoje fiz-lhe o gosto. E pronto, já está, dona Luísa!

Depois do lançamento «Rais parta a mulher!» ficou um tudo-nada apreensiva com a minha reação. Descansei-a:

«Ó dona Luísa, seja espontânea que eu cá gosto disso!»

A vida sempre desponta...

Lisboa, 6 de Dezembro de 2011

No que concerne...

… Ao post anterior e ao que escrevi acerca da dona Eugénia, devo registar agora que ela sabe ouvir as mensagens deixadas na máquina da PT, sim senhores.
Mais tarde ligou-me e então falámos. Fez 84 anos -> 1927. Ficou agradada com a minha memória e eu com a dela, uma vez que me disse:
– Ai, Gina, eu lembro-me tanto de ti, filha! Tanto, tanto!

Obrigada, aqui também, dona Eugénia. Bem haja.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5/12/2011

Ouvi na Radio Comercial que hoje é o dia do Eugénio e da Eugénia, o dia de tomar um banho de espuma, o dia do abraço - houve, inclusive, uma sessão de abraços nos Restauradores (Lisboa) entre o meio-dia e as duas da tarde.

Tenho registos para fazer acerca de todas estas coisas.

Eugénia é o nome da minha antiga patroa, da qual já tenho escrito uma vez ou outra. Esta dona Eugénia hoje faz anos. Foi a medo que digitei o número no telefone. E se ela não responde? Se calhar já morreu, anda nos oitentas lá por aí afora... Forcei-me a ter coragem e esperei ansiosamente, ouvindo o toque do telefone vezes sem conta. Atendeu a máquina da PT, aquela para a qual não gosto nada de falar. Mas teve de ser. Deixei recado, anunciei-me rapidamente e votei os parabéns. Agora é esperar que ela não seja como a maioria das velhinhas que conheço, que não sabe mexer no atendedor de chamadas...

Sempre gostei de banhos de espuma. Mas deixei-me disso, que são caros p'ra caraças!
Em vez de me banhar imersa, ando à cata de um patinho amarelo para enfeitar a minha casa-de-banho. Eu até sei onde os há, a ver se vou lá hoje comprar um.

Os abraços são mais sentidos que os beijinhos. Se abraçamos é porque o queremos fazer, o beijinho é muitas vezes forçado. Há dias esteve aqui uma senhora (de quem já escrevi também mas não vou pôr linque). Há muitos anos que não nos víamos, e ela, cheia de saudades, ou de um grande prazer em me rever, deu-me um abraço muito apertado e sentido.
Foi bom, há sempre pequenas coisas que demonstram a vida como de uma beleza tamanha.

Considerações do fim-de-semana, ou itens do meu diário

(Só o facto de ter colocado no título a palavra 'meu diário' deve dar direito a leitores atentos.)

Fui a pé até ao Loureshoping, no sábado, por isso estas imagens aqui, oh.
Foi bom, fez-me bem. Habitualmente tenho grande necessidade de me mexer. Hábito, necessidade, parvoíce, não sei. Sei que sou uma mulher muito mexida.
O caminho daqui até lá é longo, há muito desacompanhamento e a ponte pode dar um certo temor. Mas esteve sempre tudo bem. Está tudo bem. Demorei duas horas na viagem.

Estive numa pastelaria algures no Pinhal Novo.
A dada altura considerei extraordinária a aventura que é encontrar a ponta do rolo de papel higiénico naqueles tambores enormes...
Quando saía do WC fiz gestos de quem ia lavar as mãos. A bem da verdade cheguei a molhá-las e a pressionar o botão da saboneteira, o que me deixou com um líquido viscoso (mas cheiroso). Vem de lá um ciclista e pede-me muita licença para encher a garrafinha com água. Anuí, que sou uma querida. Levou um ror de tempo, a torneira é temporizadora, não escorre o tempo suficiente para encher meio litro duma só vez, foram precisas três pancadinhas no punho da mesma. O senhor ia-se desfazendo em agradecimentos e desculpas, os 'obrigado' e os 'desculpe lá' eram ditos a cada pancadinha e a cada paragem da dita torneira. E eu... Com as mãos molhadas, aparando o sabão líquido e um pinguinho de água ou outro. E cheiroso, o líquido era cheiroso. E eu... Com as mãos molhadas, ia dizendo 'de nada', 'não faz mal', 'deixe lá isso'.
Depois é que me pus a pensar: ' Olha só este cabrão! Então não podia esperar?!'

Eu dou-me muito bem com o meu colega, dou-me tão bem que a gente sai juntos ao domingo. Passeamos, falamos, convivemos... E trabalhamos. Ao domingo, disse eu e sei o que disse. Fomos receber uma conta antiga e algo avultada. Onde? No Pinhal Novo, isso mesmo, a mesma terra da pastelaria descrita acima.
A dívida era de xis e ele veio de lá com cinco por cento desse valor. Uma fartura... É de facto hilariante, a vida dos comerciantes. Há que saber ver as coisas com outros olhos...

Achei dois cêntimos no chão, o que não constitui grande surpresa aos leitores assíduos e constantes deste blogue.

O encontro com a Paula Santos, por modo a que a sua presença na minha vida deixasse de ser apenas virtual. Hoje é que há tempo para desenvolver o que foi receber o seu livro.
Combinámos o encontro em tal lado e às tantas horas. Minutos antes eu estava um tiquinho ansiosa.
«E se ela percebeu mal as coordenadas? E se eu não a reconheço? Será que traz o livro na mão? Se trouxer reconheço-a na hora, acho eu...»
Vinha mesmo com o livro na mão, parece que me havia lido os pensamentos. No livro já estava o autógrafo personalizado e tudo. Obrigada.
Estivémos um bocado à conversa. Dentre outras coisas, falámos dos blogues e do que é escrever na blogosfera e/ou trabalhar num livro que venha a ser publicado.
Gostei, claro que gostei da Paula. Já tinha dito antes.

Não se pode dizer que no domingo não tenha tirado fotografias. Tirei, sim senhores. Duas ao pôr-do-sol visto da Ponte Vasco da Gama, que ficaram uma autêntica desgraça, e uma outra à minha luva preta.
Quando desci ao parque de estacionamento de um conhecidíssimo hipermercado desta cidade maravilhosa (Loures) vejo a minha luva preta enfiada no espelho retrovisor, uma visão algo semelhante a uma teta de vaca cheia de leite... mas em preto. Eu havia deixado cair a luva do colo quando me levantara para sair do carro, alguém viu, apanhou e enfiou ali.
Fotografei a cena, pois claro, que eu cá adoro cliques e assim. Ficou uma imagem disforme e sem alma, uma visão bem tosca.
Posto isto, aboli as três imagens. Não as há de domingo.

Cumprimento

Olá, como está?

Vigorosa, claro.

Resolvi apelidar-me de vigorosa à senhora que me perguntou como estou, lá de quando em quando digo umas graçolas. Vai daí, ela resolveu contar-me pormenores da sua vida privada, o que geralmente me apraz... Ou então não. Desta feita até nem por isso, doenças e afins não faz parte do grupo de assuntos prazenteiros. Fiquei a saber da remoção da mama, da quimioterapia e da queda de cabelo, da radioterapia e do ardor que provoca. Tudo porque me queria convencer que também é muito vigorosa.

Dulcineia

A Dulcineia é gorda e hoje vinha de saia, contrariamente ao seu costume. Comentei. Eu sou assim, invento o que dizer, só para não estar calada. Ela diz que não se sente nada bem, assim de saias, parece que se lhe foge qualquer coisa, ainda por cima tem de vestir uma cinta para lhe apertar a barriga, calçar meias por causa do frio.
«Ainda se fosse assim magra como a Gina...»
Fiquei de boca aberta...
«Eu, magra?!»
«Então quer comparar, menina Gina?»

Hum, pois é, tem razão Dulcineia, tem razão.

Tirar fotografias

Entraram duas adolescentes sorrindo timidamente. Uma delas pergunta-me:
– Posso tirar uma fotografia?
Hum, que é isto?, pensei eu.
– Então e queres tirar uma fotografia a quê? - Perguntei.
– A si! - Disseram as duas em coro. Depois uma delas acrescentou:
– Nós estamos a fazer um trabalho e temos de apresentar pessoas a trabalhar, pessoas mesmo (ênfase no mesmo) a trabalhar.
– Olha, - Digo eu que me encontrava em cima do escadote. - Esta perspetiva é boa, que achas? Queres tirar assim?
Fiquei toda inchada. Olha eu, gira p'ra caraças, a ser fotografada... Mas ela destronou imediatamente meu o ego:
– Ah, pode ser. Não se preocupe que ninguém vai ver.
– Não?! - Volto-me eu, cheia de espanto.
– Quer dizer, só o professor é que vai ver...
– Ah...
Pronto, menos mal, ao menos uma pessoa ia ver a minha carinha laroca sem me conhecer de lado nenhum. Ainda me foram dirigidos alguns cliques, eu cá em baixo, cheia de sorrisos, agarrada ao escadote fingindo que o colocava no sítio.

Pois é, eu sei, isto é divertido. O balcão é um divertimento...

Calendário

Há

dias

escrevi

este post

e devia

tê-lo

ilustrado

com

esta

fotografia...

Página 210 do 'Mestre Cozinheiro', Laura Santos

Aqui em casa andou-se pelos livros de culinária à procura de ideias novas - e sobretudo diferentes - para o Natal. Na página 210 do livro 'Mestre Cozinheiros (Laura Santos) há um pequeno parágrafo sui generis, se transportado para os nossos dias.

Para se preparar um leitão, há que matar este, em primeiro lugar. Dá-se-lhe para isso um golpe no pescoço, como se faz para matar porcos, seus irmãos crescidos.

Este é um livro feito a pensar em principiantes, bem sei, mas não deixámos de rir a bom rir por ser tão hilariante!

O senhor Tomé


Prelúdio

O meu colega embirra que o homem se há-de chamar Tomé. Não é Tomé. Tomé, não é, não senhores. Mas eu não revelo como é, que é meu costume aldrabar os nomes das pessoas reais que faço aparecer nas minhas histórias. Mas... e já agora, aproveito a dica do meu colega e o senhor Talicoiso aqui será Tomé, o que neste caso me dispensa da trabalhaeira de escolher um nome à minha vontade, ficando, assim, um nome aldrabado à vontade de outrém.

Ora bem, o senhor Tomé foi pasteleiro em tempos, sabe muitas receitas de cor, sabe receitas daquelas que se fazem em quantidades industriais mas também daquelas de quantidades caseiras. Ensinou-me a fazer um bolo, Bolo de Mel. Escrevinhou-o num pedaço de guardanpo. Deixo aqui hoje a receita. Devo dizer, já agora, que optei por substituir o açúcar branco por açúcar amarelo e que vou publicar como confecionei e não como a original receita do senhor Tomé.

Bolo de Mel

250 gramas de açúcar amarelo
150 gramas de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
3 colheres de sopa de mel
4 ovos
7 colheres de sopa de óleo

Juntar todos os ingredientes e bater durante três minutos. Vai ao forno numa forma redonda com buraco, untada de margarina e polvilhada com pão ralado.

Excerto

Apelo

Costumava parar no caminho de terra a observar as gentes no café!... Tão diferentes... Comiam bolos, bebiam copos rosados ou escuros, dourados de espuma... E as crianças corriam a apanhar as tampas no chão e riam! E pulavam gelados de cores pelo ar em revoadas frescas de anseios até mãos pequenas e estendidas. Tocava a música bem alto e namoravam além... aqui...
Ele olhava... olhava... e a boca abria-se-lhe a tudo aquilo... tão estranho!
Conta!... E torna a colar o rosto desalentado de encontro o ramo do outro lado do vidro.
Nos olhos brilhantes dançam as lágrimas. Um velho, calado e manso, dá-lhe a mão e chama-o.
- Tóino!...
O miúdo volta-se... olha ainda para trás...
E a florista, hoje bem disposta, não se sabe porquê, pega na rosa mais rubra do ramo e...
- Tóino!...
Nos olhos da criança, de cabeça voltada, brilha um sorriso por entre as lágrimas vidradas.
Ao longe, no caminho que leva à praia vão um velho e um menino rindo totalmente para uma rosa vermelha!...

In
'Tóino...', Ana Maria Teia dos Santos

(Página 65/66)

domingo, 4 de dezembro de 2011

E vão duas!

Hoje foi dia para conhecer mais uma bloguista. É a Paula, do blogue Marshmallow and Lilypad. Então muito prazer, Paula, gostei de conhecer-te. 
O encontro serviu (também) para adquirir o seu primeiro livro, o qual já comecei a ler. É duma escrita descontraída e divertida, muito empolgante. Estou a gostar...

sábado, 3 de dezembro de 2011

A não esquecer

Conheci-te às apalpadelas,
Gerei-te a mando de apetites,
Criei-te a gosto.

Agora me lembro:
Sei-te de cor,
Ainda.

Loures, 3 de Dezembro de 2011


Loures, cidade... Nem tanto cosmopolita, antes civilizada. Ou fazendo por isso. Temos bandeira e tudo.

Tenho os dedos; tenho os anéis

Loures, 3 de Dezembro de 2011
Tirar 
uma foto 
com 
todos os anéis 
que 
me caibam 
nos dedos 
e 
depois 
fazer um post.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Esperança

Há que não desanimar, um dia vou escrever o que realmente interessa.

...

Adormeço as dores, não quero sentir-me sozinha. Vou-me deixando elevar ao sabor de acontecimentos exteriores e confronto-os com o meu interior. É a minha companhia, divirto-me tanto quanto posso. Escrevo.
Há dias menos bons, em que se desmonta a engrenagem.
Estou só, agora. Muito.
Ninguém me quer, estou rodeada de pessoas diferentes, com gostos e saudades diferentes, estamos em pormenores diferentes. E eu às vezes não quero descer daqui, que se está tão bem... Quando desço, nas vezes em que desço, não há plataforma que me aguente, que sou pesada.

Encontro com a realidade

«Cruzei-me com o Jô Soares na Avenida do México (Lisboa).»

Escreveria eu se andasse em época de exaltação. Mas não ando por esses lados agora.

Há tantos lugares por aí onde não tenho poiso...

Vida

Lisboa, 2 de Dezembro de 2011

Nem gosto assim tanto de viver, afinal...

Tangerinas

Lisboa, 2 de Dezembro de 2011


De manhã comi duas tangerinas. À tarde comi mais duas. Farto-me de comer, eu.

Vida

Lisboa, 2 de Dezembro de 2011

Malaguetas.
Vigor.
Esperança.

O Antunes tinha-me dito para que eu as colhesse, em querendo. E eu quis. Antes tirei as fotos. Depois joguei-me ao trabalho. Ia dando cabo daquilo, fartei-me de arrancar pontas que eram para ficar, o que diminuirá de sobremaneira a produção de malaguetas. 
Não tenho grande paciência para minúcias. O fino trato, a delicadeza e o primor não querem nada comigo. É por isso que as plantas morrem cá em casa.

Fernando Pessoa

Fé

Encontro-me incapacitada para ter fé. Para tal teria de descer do meu pedestal. Ter fé significa minorar os sentidos, a bem da verdade. Temos de ser pequeninos para receber a fé, abafar os ímpetos mais básicos que existem. Temos de ser assim, como se diz, temos de acreditar sem ver, é o que dizem. Há que desmantelar; quebrar; abandonar, o que de melhor se tem – a inteligência. Descer do pedestal, lá está. Só os 'simples como as pombas' conseguem, é o que dizem. Simples como uma pomba é que eu não sou, que sou cheia de manias... Digo eu.

Natal

Lisboa, 2 de Dezembro de 2011

Posso tirar uma fotografia à tua árvore de Natal e pôr na internet?
Podes.

Memorando datado de 5 de Janeiro de 2011

(Vou escrever a ver se decoro algo que aplicarei ao próximo Natal.)

Em Dezembro próximo, nos dias vintes, responder a todos os votos de boas festas recebidos via email. Mesmo aqueles da treta, que só enviam uma imagem criada por alguém que não conheço e são mandados em série com uma frase lacónica escrita como se fosse dirigida a uma multidão.

(Publicar este post em 1 de Dezembro, tipo lembrete.)

Este é um post que estava em rascunho há cerca de onze meses. Não lembro os factos com exatidão, o tempo dissipou os pormenores, ao presente desconheço os meandros com que foi criado. Apenas recordo que falei com alguém acerca dos emails próprios do Natal e depois escrevi um memorando que ficou no espaço cibernético, mas interno, do meu blogue. E está publicado, que a mim custa-me horrores deitar textos ao lixo, é raríssimo assim proceder.

Loures, 2 de Dezembro de 2011

Loures, 2 de Dezembro de 2011


E pronto, a fotografia foi tirada hoje, dia 2, às 8:09 da manhã. Não que o dia estivesse igual ao de ontem, não estava. Hoje está um dia lindo, mais quente - ou menos frio - que ontem. Até se pode dizer que está um dia bem agradável em termos meteorológicos.
Acerca do dia de hoje ainda tenho a dizer que esta data é gira...

02-12-2011

… Só porque sim. Mais ou menos como este post, que existe só porque sim.

Faltas a superar

Ora bem, duas faltas: a foto de 'Todos os meses' e o memorando, dois posts de ontem. Vou tratar disto já. Ler acima, fazendo o favor. Obrigada.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tenho a dizer que...

Loures, 1 de Dezembro de 2011

... Hoje é feriado mas levantei-me cedo. O que é semelhante a um domingo, não é meu costume dormir até tarde. E sendo este dia semelhante a um domingo... Não há muito a dizer.

Diz que este feriado vai deixar de existir, o que para mim não constitui uma tristeza por aí além. Não vai mais ser feriado? Paciência. Para o ano até calha a um sábado e tudo... E depois a um domingo, logo, só vamos 'sofrer' a falta em 2014. Faltam 3 anos, malta... Não desesperem, vá lá.

A foto é uma maria-café que encontrei no meu cortinado. Já tenho ouvido dizer que cheiram mal mas a mim nunca me cheirou. Se cheirarem a café, mal não cheiram...

Imperdoável

São dez e meia da noite. Acabei de lembrar que me esqueci completamente de tirar a foto matinal dos dias primeiros do mês...