
domingo, 7 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
Óculos escuros

Virtualmente
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Dezassete anos!!!

Ana Cláudia
Apresentação:
Este ano o aniversário dos ricos filhos é registado relatando a história que gira à volta do nome que escolhi(emos) para eles. A rica filha hoje faz dezassete anos, está na hora de contar a história do nome dela.
História:
Desde miúda que adoro o nome Ana, é um nome vulgar mas muito simples. Se eu pudesse escolher o meu próprio nome chamar-me-ia Ana.
Nos anos oitenta, ainda antes de sequer pensar em casar (casei em 1989 e sim... eu sei que para fazer bebés não é necessário estar-se casado/a mas os meus bebés são ambos posteriores a 1989), foi para o ar uma telenovela, da qual não recordo o nome mas também não interessa para o efeito, em que a personagem principal se chamava Ana Cláudia. Nunca tinha ouvido estes dois nomes juntos e fiquei logo apaixonada... nunca mais esqueci e lembro-me de pensar que se um dia tivesse uma filha ela se chamaria Ana Cláudia.
A cinco de Setembro de mil novecentos e noventa e um à uma hora madrugada sensivelmente, segundo diz o pai que olhou para o relógio que se encontrava na sala de partos eram uma hora e quatro minutos e segundo digo eu, que olhei para o relógio que trazia no pulso, era meia noite e cinquenta e oito minutos (a hora em que publico este post), a menina nasceu. Quieta, lívida e calada devido ao longo trabalho de parto mas lá dentro depois dos primeiros e essenciais cuidados médicos logo a sua vozinha se fez ouvir. Nunca mais se calou, digamos...
Notas:
- Eu chamo sempre Ana Cláudia à Ana Cláudia. Nunca só Ana ou só Cláudia. O pai idem, o André chama mana até hoje, os restantes familiares chamam como eu. Os amigos na maioria chamam-lhe Lala e o amigo especial chama-lhe Ana Cláudia, como eu...
- Gosta do nome que tem e eu fico feliz por ter escolhido bem. Em pequena e quando começou a falar dizia chamar-se Cadaca e mais tarde Ana Cádlia.
- Sendo a primeira da minha prole se tivesse nascido menino chamava-se... André Luís! Possivelmente esta história sairia diferente.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Perguntas
Que coisa estranha...
Cusquices no masculino - também as há, sim sim...! oh...! sim!!!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
FEEDJIT
- sou uma puta
- pila de homem
- deixei a mão por cima da cona da minha sogra e acho que ela gostou
- mamas e vaginas
Qualquer dia ainda aparecem aí os senhores da moderação destas coisas e acabam-me com o blog alegando vocabulário impróprio ao bom desenvolvimento socio-cultural e isso...
Por causa da renovação do Bilhete de Identidade...
Agora sei
terça-feira, 2 de setembro de 2008
nas férias, vi de passagem...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Responsabilidade
Eu, que até sei porquê, expliquei-lhe*:
Por trás de um qualquer balcão de pastelaria, alguém teria pensado assim:
Que alegria!
Férias!!! - e consequentes alterações comportamentais vulgarmente associadas a elas
Eh pá...! Grande título...!
É o dia da moleza, pura e simplesmente... é o dia da - ainda não sentida - habituação a ela, essa malvada - a moleza nos corpos pertinaz e teimosa em sair de onde se instalou... malvada! Ai... ainda bem que se pode deixá-la andar por aqui e até nem faz mal nenhum nem nada porque estamos mesmo... de FÉRIAS!!!
É caracterizado pela tentativa inglória de vencer a inércia do dia anterior e não nos deixarmos ir atrás da preguiça constante. Afinal férias não deveria ser só - praia de manhã e de seguida, ainda antes do almoço, dirigirmo-nos à piscina e lavar os pés que inevitavelmente trazemos cheios de areia e lavá-los lá na torneira a isso destinada, mergulhar na piscina para refrescar do caminho da praia até lá, e esperar que da parte da tarde a programação da nossa vida - neste caso as FÉRIAS!!! - seja exactamente igual à manhã que tivemos, não... pois há o pensamento que deveríamos mudar um bocadinho, agarrar no carro e ir ver sítios e coisas giras... 'pera aí... carro...? o que é isso...? ai a gente veio de carro até aqui...? ai foi...? já nem me lembrava... aliás, até já nem fazemos qualquer distinção entre passeio e estrada, parece-nos tudo igual e também nos parece que sempre vivemos aqui entre paria e piscina.
Já nem sequer me lembro que estou num supermercado vestindo apenas um bikini e uma saia que não tem mais de trinta e cinco centímetros de comprimento... aliás, qualquer trapinho a mais do que apenas isso em cima do pêlo faz-me cá uns calores... ui...!
Sexto dia:
Devido ao descanso físico e mental, acordo com a sensação que levei a noie inteira a sonhar. Os sonhos são imensos e todos desconexos uns com os outros e com a própria vida não fazendo qualquer sentido. Para compensar o cansaço (afinal ainda me consigo cansar...) que os sonhos produziram na cabeça, verifico que - finalmente!!! até que enfim, pá!!! - misturo na cafeteira a água e o café na dose certa. Até este dia fiz sempre um café tão forte que mais parecia uma bomba... é que eu só sei fazer doces...
Tem um sabor de "última vez", de "até quando?", de despedida e saudade. As saudades que já sinto das férias que ainda não terminaram misturam-se com as saudades de casa, das minhas coisas, de ouvir falar a minha língua, do meu blog... muitas saudades...
O dia do caminho de volta, de passar pelos mesmos sítios, lembrar alguns, reparar noutros que teriam eventulmente passado despercebidos ou então, simplesmente não os tinha olhado e deliciar-me por vê-los desta vez. De Sevilha para cá é um regresso às paisagens típicas dessa zona e que tantos ares dão ao Alentejo. Ele, o Alentejo, dá-nos as boas vindas quando entramos no nosso país que tem os nossos costumes e a nossa gente. O Alentejo das estradas estendidas por aí fora, até perder de vista... Entrei na minha casa e dou-me conta, uma vez mais, que o meu lar é tão doce e não enjoa nada...
domingo, 31 de agosto de 2008
E já cheguei!

Tal como escrevi no post anterior - tive umas saudades do caraças disto aqui.... nos primeiros dias a "novidade" era tanta que até nem me lembrei assim muito de escrever, confesso. Eu precisava mesmo de fazer como que um intervalo na minha vida e, por ter a capacidade de privar-me e talvez até abstrair-me das minhas coisas e da minha vida, aproveitei estas férias para isso mesmo - deixar os pesos e as regras que - quer eu queira quer não - ditam a minha vida, esvaziar a mente de coisas género "tem que ser", ver e ouvir outras gentes e outros costumes, respirar outra atmosfera, em suma... fazer um intervalo.
Os dias foram passando leves e lentos - e sabe tão bem que os dias de férias passem assim...! - e a vontade de escrever logo se fez sentir, até escrevi lá no meu caderno dos desabafos algumas coisitas e também tive umas ideias que posteriormente aqui publicarei...
Hoje de manhã, quando liguei o PC, verifiquei que tinha mais comentários que o costume por haver tantos dias que aqui não me dirigia. Gostei de todos eles e respondi a todos eles, e, conforme ia lendo e respondendo, apercebi-me que ainda gosto muito de aqui escrever. E que, apesar do bem que soube o intervalo que fiz, afinal... ainda sei escrever...
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
E assim me vou. De férias.

Esta última, ainda hoje me surpreende e assombra mas não sei demonstrar nem agradecer dizendo qualquer coisa, solene ou pelo contrário, descontraída. Como tal, julgo ser por isso que estou a escrever, pois não sabendo falar, ao menos sempre fica registado em qualquer parte o prazer que tenho quando sei que há alguém que sentirá saudades de ler o que para aqui escrevo.
Voltando ao assunto - FÉRIAS!!! - elas, as férias, são muito desejadas e apetecidas, tenho a certeza que serão fantásticas e que me divertirei bastante, apesar da impossibilidade de, durante este espaço de tempo, escrever daqui para o mundo.
Voltarei. E agora é que me vou. Até já.
De quando em vez...
Sim, porque os gajos das obras - na qualidade de clientes - não têm que ser todos carecas, barrigudos, peludos, tão estúpidos quanto o é um pneu, pestilentos, trajar indumentária largueirona, rota e suja de pó e de pingos de tinta e, nem todos, têm que trazer os olhos brilhantes pela pinga a mais quando vêm depois d'almoço...
De quando em vez lá recorta a luz que me entra pela porta uma figura daquelas que lava a vista - bonito, simpático, cheiroso e... educado.
O último predicado é, não me resta qualquer dúvida, o mais agradável e útil... que, em se juntando aos outros... são um complemento bastante favorável à minha boa disposição, profissionalmente falando.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Férias 2008
- Mãe!... Ninguém escreve estas coisas!... Ninguém escreve "eh pá!" num papel que põe na montra, mãe!...
Ah pois é!... Vamos estar encerrados para descanso do pessoal menor de 23 de Agosto até 7 de Setembro!
Eh pá...! Tenham paciência e esperem por nós, está bem...?
Certamente não serei a única... e gostava muito de conhecer alguém com umas manias semelhantes às minhas... assim só para descarregar a consciência... para não parecer demasiado maluca...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Está na hora de mudar
A vida chegou-lhe até aqui e hoje ele encontra-se num estado tal de desnorteio e confusão, que tem discernimento para perceber quão imprescindível é mudar de atitude... agora!!! E radicalmente...
Não sei se será da minha sensibilidade ou se outros verão aquilo que eu tão bem vejo. Seja como for, chamou-me a atenção o olhar perdido que ele tem e quase lhe consigo ouvir os pensamentos.
Puxa de um cigarro e fuma-o sem prazer porque lhe faz falta um fumo mais intenso, que lhe lave a alma e o sentir... e participa nas conversas, e ri, e sorri, sempre com aquele olhar esmorecido. Apesar das falas, dos risos e dos sorrisos, dos olhos não lhe abala a tristeza, eu bem vejo.
Está acompanhado pela família e pelos amigos mas sente falta de alguém por existir. Está à espera e ao mesmo tempo sabe que não chegará nunca a pessoa que não existe... é por isso aquele olhar, estão lá as adversidades e as impossibilidades todas da sua vida.
Há coisas que têm que ser ultrapassadas por nós mesmos. E a família e os amigos, esses, têm que acompanhar e ficar à espera que passe. Não há outro modo, tenho pena.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Devaneio
O texto acima tem demasiadas "ências"...
Confusão
- Ah...! Quem me dera o tempo em que eu ouvi isto pela primeira vez...! É a Tonicha. Esta canção foi lá fora à Eurovisão há mais de trinta anos!
Apenas a frase do meio do senhor Rodrigues é verdadeira. Concluo que está ainda mais surdo do que eu supunha... confundir os Within Temptation com a Tonicha a cantar a "Menina do Alto da Serra"... é obra!
Observação
Onde habitualmente bebo o primeiro café do dia por sugestão da dona do estabelecimento, fiquei a dever cinco cêntimos para não pagar com uma nota de cinco euros.
- Mãe, porque é que não pagas tudo? É para teres mais um motivo para sair da loja?
Não escondo que às vezes me dava muito jeitinho ter um "bom" motivo para sair por momentos da loja e que outras vezes aproveito mesmo para me escapar dali para fora, isso é notório nas minhas atitudes e nas minhas palavras... por isso a observação que a rica filha fez em forma de questão tão prontamente...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
no ginásio, vi de passagem...
a bicha... cujo histerismo se encontra quase exclusivamente no modo lânguido e sedutor com que se desloca e no apetite voraz que tem no olhar...
a tia... podendo vir tanto de Cascais como ali do Bairro Alto e que acompanha toda a aula de Pilates com queixas exaustivas, raiando a birra totalmente despropositada e infantil...
a jovem... lisinha e com tudo no sítio... mais palavras p'ra quê...? ai ai...
a cota gorda que nem uma porca... que enquanto anda e não anda consigo ouvir a desgraçada da passadeira aos gritos por ter tanta carne em cima dela...
o gajo podre de bom... e tão grande, e tão musculado, e tão rijinho, e tão tudo de bom... que parece sempre ter o peito cheio de ar e a qualquer momento irá explodir estilhaçando-se em mil e um pedacinhos pequenininhos que eu com prazer apanharia do chão e juntaria de modo a ficar tão bom como era antes...
a gaja vaidosa mas com motivo para tal... é uma gaja três l's - linda, loura e lisa... chama a atenção deles e sabe-o muito bem...
a mulher... que aparenta ter todo o peso do mundo nas suas costas, toda a tristeza nos olhos e investe em exercício na esperança de que a carga diminua e a tristeza também...
a empregada de limpeza... cujo olhar anda sempre carregadinho de inveja daquelas que podem deixar as toalhas molhadas pelo chão, os cabelos no poliban e toda a classe de porcarias por onde muito bem lhes apetecer, "são cá umas porcas estas gajas do ginásio" pensa ela...
a gaja vaidosa mas sem motivo para tal... passa feia e banhuda levando consigo os olhares masculinos para lhe alimentar o ego... é que apesar da fealdade e das banhas... eles olham à mesma...
o professor... que já por várias vezes tive vontade de mandar à merda porque passa a vida a dizer-me que faço todos os exercícios contra vontade...
a recepcionista... que entre uma entrega de cartão de sócio e o preenchimento de uma folha de inscrição dá uma espreitadela no Hi5...
o paneleiro... que entre um aparelho de musculação e outro, conversa pelo telemovel e adverte o namorado acerca dos perigos que este corre se não fizer assim como ele lhe está a dizer, ou combina a próxima saída com os amigos, ou trata de negócios, ou lembra a empregada doméstica do que esta tem que fazer lá em casa...
Importante
- quando ando na rua levanto o olhar do chão, ainda que não haja vantagem alguma porque assim já não vou encontrar dinheiro perdido...
- amando os ombros para trás, o que até é porreiro porque parecerá que com esta idade ainda saio vitoriosa sobre a gravidade que sempre quer puxar algo para baixo...
- empino tanto o narizinho que se ele tivesse olhos veria o céu...
É que:
- moro em Loures, onde há brigas, tiroteio, mortos e feridos e, por isso, há mais animação agora do que houve durante os festejos da cidade...
- vou de férias para (muito perto de) Málaga e há lá bombas daquelas que explodem fazendo grande banzé e alvoraçando os turistas que apenas querem descansar em paz e sossego, curtir a praia, ver coisas giras e comprar umas futilidades e assim...
Então:
- toda a gente me vem perguntar se o tiroteio foi lá ao pé de mim. Respondo que não, o tal bairro ainda é longe da minha casa, dista para aí uns quatro quilómetros...
- e... quem sabe para onde vou de férias já me avisou para ter cuidado com os meus meninos e com as bombas. Respondo que está bem, eu tenho cuidado com os meninos, com as bombas e assim...
sábado, 16 de agosto de 2008
Post sem imaginação
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Lá acontece...
A presença era jovial, o que é expectável uma vez que ele é, de facto, jovem. Apresentou-se descontraidamente, pólo azul marinho e calças de ganga variando bastante do comum vendedor, o estilo era algo semelhante a - " gravata...? querias...! eu lá preciso andar de gravata p'ra vender!?"
Os olhos eram enormes, muito vivos e não se desviavam quando dizia qualquer coisa, também aí residia o invulgar.
Falou das férias e assim, riu-se bastante quando lhe disse que me parecia que ele viria do INE e eu deixei-me contagiar pela boa disposição dele, também eu variei bastante do comum atendimento que faço aos vendedores que tenho que aturar.
Talvez eu tenha ficado feliz por não ver má cara pelo baixo valor do material pedido, talvez eu tenha ficado feliz por ver rir, não sei.
Até sei - fico feliz quando vejo, e principalmente quando converso, com alguém que aparenta uma descontracção e uma felicidade que eu não sei onde arranjar e sou contagiada com bons sentimentos por quem assim consegue ser.

feriado
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Atão?!
De vez em quando balbuciava frases imperceptíveis e levantava-se tentando captar a atenção de quem ali se encontrava.
A dada altura, e porque ninguém lhe queria dar atenção, obviamente, numa das vezes em que se levantou, dirigiu-se ao Luís e perguntou com um ar de companheirismo desmesurado:
o-O
- compro sempre tudo aqui mas já há muito tempo que aqui não vinha...
As voltas da vida
O contabilista lá da loja do Luís é a mesma pessoa que há mais de vinte anos tinha uma loja de bugigangas e seus apetrechos onde nós, eu e o Luís, comprámos alianças de prata para usar no dedo anelar da mão esquerda...
Como sei que a vida dá voltas?
Sei, porque a pessoa que me vendeu a aliança de prata que usei quando comecei a namorar com o Luís é a mesma que hoje faz a contabilidade à loja dele...
terça-feira, 12 de agosto de 2008
post comemorativo do regresso da minha vontade de escrever, a qual acolho rejubilante!
a menina recentemente doutorada que, por isso, mudou radicalmente de tipo de indumentária - passou de top de alcinhas e calções, para fato calça-casaco (vermelho na maioria dos dias) com camisa branca, cujos punhos e colarinho a mãe, sim é a mãe que tem que pôr de molho em descorante raposa para que continue tão alva como quando a comprou, não vá a filha doutora fazer má figura lá no escritório...
uma senhora que em sentido figurado se podia dizer que parece um boneco sempre-em-pé ou então um barril daqueles de vinho - toda ela era ganga justinha ao corpo... que maravilha de mulher... hummm... se ela caísse era daquelas pessoas que caía redonda, ou então... não caía...
um jovem de t-shirt de cavas largueirona, boné com a pala para trás, brinco brilhante na orelha, um ar de rufia e andar à "macho que já sabe dar uma queca mas a única que deu foi a uma cota com as carnes descaídas ali para os lados da rua de s. nicolau e ainda teve que pagar"...
um velhinho que arrasta os pés com passos muito rápidos e muito curtos, parecia que ia estender-se ao comprido a qualquer momento, o incrível é que o desiquilíbrio era o que evitava a queda - fato cinzento às riscas brancas e chapéu a fazer lembrar o tempo da sua juventude... deixa ser... sempre protege deste sol tão quente...
um grande cromo aqui da rua - colete de caçador, boné à alentejana que levantaria da cabeça educamente se me tivesse visto, e seus óculos de lentes enormes e armação tão brilhosa que difunde raios de luz quando em contacto com o sol directo...
o senhor doutor ali do lado - cenho franzido, e não é por causa do sol, é mesmo assim... as condições atmosféricas não interferem na sua expressão porque essa, essa é sempre a mesma...
o senhor doutor ali do centro de saúde que, assim de raspão, o que salta à vista é a total ausência de pescoço...
a mulher que quis cobrir os cabelos brancos e os pintou de... cor-de-laranja... sempre disfarça qualquer coisita e assim até continua a conseguir virar cabeças masculinas (e as femininas também) à sua passagem...
o senhor que espirra três vezes seguidas por causa do pólen que anda no ar devido ao corte do gramíneo...
a velhota baixinha e atarracada que mastiga a língua permanentemente e diz à laia de feito revelador de um elevado grau de bravura, que já matou sete...! sete maridos...!!!
a rapariga que daqui parece ter os ombros, a cintura e a anca, tudo da mesma largura, quer dizer... se calhar os ombros são um nadinha mais largos que a anca mas ao passar na rua as cabeças masculinas lá seguem o seus movimentos... o que prova a minha teoria de que os homens olham para toda a porcaria...
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Imprestável
Irrealidade
Passado
sábado, 9 de agosto de 2008
Ser simples
Lembrei-me que devia ser simples como as pombas e prudente como as serpentes - é o que se diz, esta frase consta na Bíblia Sagrada. (livro S. Mateus capítulo 10 versículo 16)
Tento aplicar estas atitudes à minha vida, por achar que seria mais feliz desse modo, mas não consigo manter esta postura muito tempo seguido.
O lema desta vida é a insatisfação e a constante procura por algo mais anulando a simplicidade que eu quero ter. Sou ambiciosa e assim não poderei ser simples, não me contento com o essencial. Eu quero mais. Ser simples é um requisito para se viver harmoniosamente com os outros mas isso obriga-me a ficar mal comigo - será por isso que sou naturalmente insatisfeita e procuro sempre algo melhor do que aquele algo que tenho no momento?
Não será verdadeira a minha ideia de que se me mantiver pobrezinha e simplezinha de mente e de espírito, a vida não terá qualquer sabor?
Será esta questão inquestionável por ser um conselho divino? Não creio nisso pois assim onde pairaria o livre arbítrio com que Deus me dotou? As dúvidas existem devido à minha condição humana. E eu posso tê-las ou não me teria sido dada inteligência para tal...
A minha vontade e o meu livre arbítrio andam sempre aqui a rondar as minhas ideias - as más e as boas...
Em complemento ao post anterior...
- A mãozinha pode deixá-la onde a tem mas as boas tardes é bonito dar-se...!
Isto depois de me queixar de a pessoa em questão ter entrado e cumprimentado quem estava e ignorar propositadamente a minha presença.
Com aquela resposta eu quis dizer que dispensava o "passou-bem" mas agradecia a saudação verbal.
Mas foi uma resposta censurável, não?
Encontro inesperado
"Montra em execução"
Hum... ná... pensando bem, duvido que o cartaz servisse para alguma coisa... mesmo assim as pessoas iriam bater no vidro e perguntar:
- Ai... atão, ' tá a fazer a montra...?
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Agora, o material que chega através da transportadora é entregue por um senhor diferente e muito mais jovem que este. Só precisei de lhe dizer o meu nome uma vez.
Hoje, e já passaram vários dias desde a última encomenda, quando chegou a altura de introduzir o nome da pessoa que a recebe, perguntou-me com um falso ar desinteressado:
- Hum... o seu nome é Gina, não é?
- É - sorri maliciosa mas ele não viu.
Mais um que já não esquece o meu nome. É que Gina, está directamente conectado com vagina e a famosíssima revista Gina, já se sabe... como seria possível que a um elemento do sexo masculino tais conexões lhe passassem ao lado...? Impossível...!
Vagina, imediatamente supõe na cabeça deles sexo e afins. Por sua vez, a revista Gina sugere-lhes, à velocidade da luz... diga-se! - muitas, muitas mulheres nuas, mamas e mais mamas e vaginas... muitas vaginas... de todos os modelos e feitios e até de todas as cores - as mulheres, as mamas e as vaginas.
E agora falando pela minha cabeça, eu própria, desde que escrevo estas parvoíces relacionadas com o meu nome, já não esqueço a relação que o meu nome tem com o assunto sexo. E sabes que mais? Não me importo nem um pouco! Até tem piada.
Já começo, também eu, a pensar com a pila... deles.
Gestos meus do dia-a-dia
· Fechar a lata de chocolate em pó que a rica filha põe diariamente no leite...
Os ricos filhos ainda não sabem fazer estas coisinhas... coitadinhos... eu a achar que eles já são tão crescidinhos e afinal ainda são umas criancinhas...
Escrever? Já está! Mas o que eu queria era deixar este estado de entorpecimento em que me encontro e sentir-me ordenada logo ao início.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Curiosidade
Tantas questões e eu sem resposta para elas. Teria as respostas se fosse atrás daquilo que me apetece fazer. Também poderia pensar que aquilo é o que devia fazer, talvez desse um ar mais compenetrado e racional à situação. Talvez assim eu ficasse por cima e com o comando na mão. Seria bem mais fácil se admitisse que dirijo a minha vida.
Mas afinal aquilo é só uma vontade e não um dever. O que me apetece fazer confunde-se com o que devia fazer. Salto entre uma e outra e fico cansada.
Insanidade
"Se eu me atirasse daqui abaixo era bem capaz de arranjar dois ou três meses de baixa, não? Que sossego teria!"
"E se eu juntasse no mesmo balde soda cáustica com ácido muriático... até podia pôr um bocadinho de amoníaco... será que esta merda ia toda pelos ares? Com muito prazer trataria dos despojos."
Guardião
Eu cá, se fosse aquela árvore, viveria descansada e sentir-me-ia segura, com um polícia sempre debaixo de mim...
Momento deleitoso
Sorri contendo as gargalhadas que, se saíssem, sairiam maquiavélicas. Respondi-lhe vagamente e senti uma pontinha de glória irradiando da minha pessoa... uma pitada de vaidade que ofuscaria qualquer uma... um grande bocado de prazer que iluminou a minha pele... e uma dose enormíssima de vingança consumada que me transformou numa grande grande grande... malvada!
" O que pensaste naquele momento?" - perguntas tu. Pensei tal e qual isto:
"Pois é, querida... agora a gorda és tu... temos taaaaanta pena..."
Há qualquer coisa de muito atraente e deleitoso na vingança. Faz bem a qualquer coisa. Não vou escrever a quê, isso deitaria por terra todo o deleite que sinto agora... e eu quero continuar com a tez luminosa.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Para diminuir o grau de mediocridade, ou pelo menos a sensação, digo que há entraves (leia-se ordens) que me bloqueiam a criatividade e imaginação que poderia, eventualmente, surgir e fazer-se notar através das montras. Tenho por exemplo: a merda do reclame luminoso que tem mesmo que estar ali naquele sítio, não se pode mover dali, pois senão como é que o freguês ia saber que temos aquele serviço? É perfeitamente impensável! Tenho outro exemplo: a merda do publicitário de cartão rígido que é enorme e pontiagudo, até já levei com aquilo na tromba uma data de vezes e também tem que estar ali bem à vista, não faz mal se tapar o resto dos artigos que eu tento expor, pois senão como é que o freguês ia saber que temos aquele serviço? Deixa lá estar que está aí muito bem! Tenho mais exemplos bloqueadores à minha criatividade: não posso pôr na montra latas de spray limpa móveis ou insecticidas por causa do sol, tintas e produtos químicos por causa do sol e tudo o que seja peças de pequenas dimensões, pois quando não, os ladrões que passam por ali partem o vidro para roubar e nesse caso teríamos dois prejuízos - o vidro e o material roubado e tal não pode acontecer porque a vida está muito difícil e muito complicada e assim e rebéubéu e pardais ao ninho e blá blá blá...!
Assim sendo, fico muito reduzida (leia-se enervada) quando está na hora de modificar as montras e as ideias não fluem. Ando muitas vezes com a cabeça às voltas para descobrir que novidades hei-de eu expor na montra, ou com que disposição as hei-de expor uma vez que há tantas regras (leia-se ordens) a cumprir. Dou tantas voltas que vou quase sempre parar ao mesmo tipo de artigos: material de casa-de-banho e afins - bacios, tampos de sanita, autoclismos, o banco de banheira... ou seja, é sempre a mesma merda... até nem se está nada mal uma vez que merda tem tudo a ver com casa-de-banho, não é verdade?
Hoje deitei mãos à obra e alterei uma das montras. Tentei rebuscar cá dentro a criatividade e a imaginação, lutei contra a minha própria vontade e tentei trabalhar com gosto usando de artimanhas diferentes para dar a volta a mim mesma. Possivelmente será aí que reside o cerne desta questão - tenho que fazer o que me compete com gosto e prazer. Acho que consegui. Estou contente.
sábado, 2 de agosto de 2008
Histórias, histórias e mais histórias...
Que giro
- Ai sim? - perguntou a interlocutora demonstrado algum espanto e curiosidade.
- Oh!... É casado...! - continuou ela encolhendo os ombros.
- Então, mas isso é bom! É da maneira que tem apoio! Assim não precisas de te preocupar, já viste? A mulher que o ature! - atirou a outra, descobrindo logo grandes vantagens na situação - inexistência de obrigações: cama, mesa e roupa lavada. Seria uma relação de prazer, apenas e só as coisas boas.
- Ai... - disse a outra com um fingido ar sonhador e romântico - é hoje que o meu namorado vai de carrinho!...
Reflexões num casamento
São todas umas putas! Pois são.
Entendo por puta, uma mulher que se prostitui, que vende o corpo. Ou então, as promiscuas, hoje "amanha-se" aqui com este (ou esta) e amanhã com aquele (ou aquela) ainda que essas pessoas sejam comprometidas.
A rapariga de quem falei no texto acima que se marimba para o facto de o homem ser casado é uma puta. A outra que lhe dá força e ainda encontra grandes vantagens no estado civil do homem em questão é uma puta. Eu, que fico com inveja de não viver uma história destas, também sou uma puta. Não vejo diferença.
Por causa de um pão alentejano
- Vai vender porque o senhor não quer oferecer-mo - respondi eu, zombeteira.
- Ah, não é preciso tirar o pó. Até fica bem... isto é para fazer uma gravação a fingir que 'tamos em África.
Pus a geleira dentro de uma saco grande e fiz o registo.
- São quatrocentos e noventa e um euros e trinta e nove cêntimos, por favor.*
- É pena é não vender aqui cocos...
*não achas o preço um bocadinho alto para uma geleira de quinze litros? eu cá acho... ladrões de bolsos alheios! oportunistas de baixa estirpe! mangando do público indefeso! são mesmo contrários à prosperidade de uma nação! estes...! os do comércio tradicional!
O portão da rua
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
O meu interlocutor fez um ar vago, não identificável. Tentava ganhar tempo, procurava uma resposta que não o denunciasse como... romântico e feliz, talvez.
- Então, não achas? - reforcei a pergunta, não queria deixar morrer o assunto.
- Eh...! - fez ele - tem dias bons... dias maus... é como tudo. - respondeu sem convicção, como que para não tomar partido algum, não sendo assim achado em falta. É de espantar, pelo menos a mim espanta-me e muito, que alguém tenha vergonha de admitir que se sente bem, seja lá com aquilo que for.
Reflexões num casamento
Os homens, na maioria, cismam bastante nesta questão. Qual será o problema daquelas criaturas? Será mostrar fraqueza? Emoção? Será medo de se embrenharem num sentimento em pleno e depois ter que ficar preso a ele, porque demonstraram algo que efectivamente sentem? Ou será simplesmente o medo de dizer que querem e gostam?
Creio ser uma mistura de tudo isto... a grande maioria dos homens, ressalvo que é a maioria porque as minorias sempre hão-de existir e, portanto, há-de existir quem não aja e pense assim, tem medo ou vergonha de revelar sentimentos nobres ou idílicos.
Já agora, onde andam as minorias? Há por aí alguém disposto a revelar-se decidida e destemidamente?




















