segunda-feira, 30 de junho de 2008

As histórias do meu merceeiro - as frutas que se vão embora

Diz que já não há morangos. Perguntei por eles e a resposta que ouvi foi que os morangos não gostam de se encontrar com as cerejas. Assim que estas chegam eles, os morangos, tratam logo de se ir embora.
Mas há mais - também diz que as cerejas não gostam das uvas nem do melão. Ora os melões já andam por aí... certamente já as cerejas ouviram a queixa dos melões reivindicando o espaço que lhes pertence... não tarda nada lá vão elas, as cerejas, embora... e os melões e as uvas vão ficando até... chegarem as pêras e os diospiros, será?

Isto é uma história com a verdade lá no fundo, ou então, é uma verdade superficial, se é que isso existe. Nem sempre as coisas acontecem assim porque depende de muitos factores - condições atmosféricas, fornecedores, clientes, da pessoa que gere o negócio e do próprio negócio.
Não obstante, engracei com o que ouvi e o meu merceeiro teve que repetir esta "história" para, pensou ele, eu entender. Mal sabe ele que só a repetiu porque o que eu queria muito era escrevê-la... pela muita graça que lhe achei...

domingo, 29 de junho de 2008

Era o ideal...

Era algo que eu idealizava como me convinha. Eu é que supunha, eu é que fazia, eu é que acontecia. Só eu é que me interessava. Só a mim é que interessava. Tudo para mim. Tudo meu. Eu e as minhas coisas. Eu e os meus pensamentos.
Pegava nas frases, juntava-lhe uma porção grande de fantasia, e tantas outras coisas que não caberiam aqui, em doses mais pequenas mas nunca iguais para não desequilibrar. Encaixava tudo muito bem. Era perfeito. Tão perfeito mas tão perfeito que só eu poderia saber e saborear. Depois fazia uma história que acontecia como eu queria e não terminava nunca. Era assim.

Estou a escrever no passado porque queria que isto já fizesse parte dele. Só que isto ainda mora no meu presente e na minha cabeça.
Se o meu blog fosse como um serviço telefónico daqueles grátis, depois de haveres chegado a esta página virtualmente verde, responder-te-ia assim:


Bem vindo ou bem vinda, dependendo do sexo. Bom dia ou boa noite, dependendo da hora actual.
O meu nome é Gina e acedeste à página do blog Verde Água.
Se aqui chegaste por recomendação:
Ia gostar que não desses por mal empregue o tempo que (espero eu!) gastarás a ler isto.
Se aqui chegaste porque calhou:
Alegro-me com a sorte que te calhou e gostava que sentisses o mesmo.
Em qualquer dos casos podes dispor do que aqui dou:

tecla 1 -
história
tecla 2 -
animação
tecla 3 -
humor
tecla 4 -
frustração
tecla 5 -
família
tecla 6 -
tristeza
tecla 7 -
indignação
tecla 8 - amizade
tecla 9 -
alegria
tecla 0 -
solidão
tecla * -
surpresa

sábado, 28 de junho de 2008

A Cris passou-me este desafio. Parece que não se sabe bem as regras mas sabe-se que é para nomear 11 blogs, atribuir-lhes um número ao calhas e depois responder ao questionário.
A minha maior dificuldade será "arranjar" 11 blog's uma vez que não leio tantos assim nem tenho uma relação profunda com nenhum dos seus autores.
Escolhi alguns casualmente e aí vão:


1 http://claras-em-castelo.blogspot.com/


2 http://vekikiprojects.blogspot.com/


3 http://dona-redonda.blogspot.com/


4 http://tretaseoutras.blogspot.com/


5 http://minhanuvem.blogspot.com/


6 http://frontofficestories.blogspot.com/


7 http://biclaranja.blogs.sapo.pt/


8 http://verao-azul.blogspot.com/


9 http://oblogquetevequeternome.blogspot.com/


10 http://ardosiaazul.blogspot.com/


11 http://bell-tira-teimas.blogspot.com/



Como encontraste o 4?


- Por acaso, tal como todos.


O que farias sem o 6?


- Ia rir muito menos...


O que farias se o 2 e 6 estivessem a namorar?


- Eh pá!... Acho que não faria nada. Isso era lá com elas.


O que farias se o 5 confessasse que ele/ela te ama?


- Nem sequer consigo imaginar...


Quem é o melhor amigo/a do 11?


Se calhar são as palavras.


Já te alimentaste perto do 1?


- Não sei...


Sentes saudades do 2?


- Posso dizer que sim. Vou sempre espreitar o blog dela.


Quem o 10 namora?


- Não sei. É enigmática...


O que achas do 3?


Parece-me uma rapariga (acho que é ainda uma rapariga) muito simpática e de fácil lidação. É a ideia que me transmite somente acerca do que leio no seu blog e, principalmente, através das palavras que deixa na caixa de comentários do meu blog.


O que achas do 9?


Uma rapariga de quem pouco sei. As palavras que deixa lá no seu blog parecem-se com pensamentos imediatamente transformados em palavras depois de pensados. Estarei certa?



O que farias se o 4 e o 7 estivessem a namorar?


- Aí seria lá com eles...


Casarias com o 8?


- Não.


Amas o 10?


- Não.


Já dormiste no mesmo quarto com alguns destes números?


- Nop!...



Quem se sentir desafiado/a espero que se sinta à vontade para responder e que me diga qualquer coisinha.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Parvoíces inerentes à tentativa de desviar a minha atenção ao assunto apresentado nos post´s anteriores:

Perguntei a alguém do sexo masculino (ai eu gosto tanto de escrever a palavra sexo!!!):
" Olá!" - primeiro cumprimentei porque sou muito educadinha. E logo a seguir directa e concisamente: - "Lembra-se de mim!?"
Seguidamente (e normalmente assim é) a cara que vi não foi de pessoa inteligente. Ficou boquiaberto e com ar de parvo, demorou quatro ou cinco segundos a pensar (que eu aproveitei para me divertir apesar de expectante) o que diria para não me ferir as susceptibilidades, aquelas que não possuo. Decidiu ficar de bico calado, convenhamos que não fica bem dizer que lembra a minha cara - poderia andar aí o meu dono (sim... nunca fiando...), ouvir "aquilo" e aproveitar para exercitar a musculatura tããããão necessitada de aliviar tensões. Nem fica bem dizer que não lembra os traços da minha fuça (também é giro escrever fuça...) - poderia ofender a minha pessoa que de tããããão frágil não aguentaria tamanha decepção...

Prós, contras e parvoíces inerentes à pesagem dos mesmos

Ora bem, prós:

· Adquirir conhecimentos aprendidos através de outrem
· Relacionar-me com pessoas fora do âmbito familiar e profissional
· Aprender a concentrar-me no que alguém divulga ou ensina
· Minimizar o desconforto da timidez
· Aplicar profissionalmente o que aprender
· Confronto directo com outras ideias e com outros ideais
· Dispor-me a trabalhar e aprender em grupo
· Possibilidade de viver num ambiente novo

Ora mal, contras:

· O tempo ficar ainda mais escasso
. Renúncia a passatempos e convívio com amigos
· Impossibilidade de frequentar o ginásio o mesmo número de vezes
· Grande possibilidade de voltar a ser gorda
· A ideia do ambiente novo ser ilusória
· Despesas extra
· Bloqueio à criatividade por estar ocupada em aprender e reter informação
· O que vou aprender não se coaduna com o que gosto realmente de fazer
· Receio não ter capacidade para levar a cabo o pretendido
· Menos tempo ainda passado com a família
· Tamanho sacrifício não ser recompensado proporcionalmente
· Não implica nem possibilita uma mudança a nível profissional


Conclusões:

· Os contras são em maior número
· Não tenho o mínimo jeito para fazer listas
· Saíram parvoíces da minha cabeça
· Ainda por cima escrevi-as

A indecisão anda por aqui, pairando à minha volta e eu é que estou tonta...



terça-feira, 24 de junho de 2008

Decidir

Cada vez que lá vou saio sempre feita num oito. Subi a avenida devagar ao contrário do meu costume. Andei devagar para gastar o tempo que me sobrava e porque queria que as ideias refrescassem. Tenho que tomar uma decisão importante, pesar os prós e os contras e ver para que lado se inclina mais a balança.
Se disser que sim tenho que deitar para o lixo muitas das coisas que já consegui e que valorizo hoje. Se disser que não estou a desperdiçar uma oportunidade que possivelmente não voltarei a ver chegar até mim. Assim também estarei a deitar algo para o lixo.
Enquanto caminhava pensava na mistura estranha e por vezes explosiva que é a minha vida. Tenho a família e o trabalho. E tenho o trabalho e a família. Que estão mescladas, juntinhas e entrelaçadas uma na outra. Por causa da mescla e da laçada sinto que não tenho vida profissional. Até parece que nem trabalho... mas trabalho. Faço parecer que não me dedico mas dedico-me. Faço parecer porque tanta dedicação será, possivelmente, inglória e debalde.
Certamente verei o desfecho daquilo que hoje faço enquanto me dedico. Vai haver um dia em que eu vou subir a calçada como se ontem nunca tivesse existido... e passar numa rua desconhecida com um propósito que hoje desconheço.

domingo, 22 de junho de 2008

Manifestei preocupação devido ao atraso dos meus sogros. Vinham cá jantar e não havia meio de chegarem.
- Mãe... ninguém se preocupa com os sogros... as pessoas dizem sempre mal dos sogros... - disse a rica filha.

Gosto desta anormalidade.
Sou anormal.
Mas já sabia.
E já gostava.

sábado, 21 de junho de 2008

O texto publicado no post imediatamente abaixo deste não é da minha autoria

E pronto!!! "Houve alguém que descreveu a Gina". Esse alguém é este senhor.
Sabe que tenho um blog desde que escrevi qualquer coisita acerca dele - segundo o mail que me enviou após ler o que eu escrevera, apenas referi a ponta do iceberg... mas que estava bem e por acaso era assim como o descrevi que ele gostava que as pessoas o "vissem". Depois nunca mais me visitou mas falava-me disto aqui de vez em quando. Eu ficava com vergonha porque é inexplicavelmente mais difícil ser lida por quem me conhece, fico mais exposta. Desejo que quem me conhece venha aqui ler mas tenho muita vergonha em simultâneo. Não se entende, nem eu entendo...
E assim houve um dia, ele há sempre um dia, em que este cavalheiro começou a ler o meu blog. Parece que se espantou com a estética da escrita e parece-me que, de uma maneira geral, gostou de ler. A mim espantou-me esta última e também a paciência que teve e o tempo usado para ler todo o blog.
Neste meio tempo anunciou-me que depois escreveria um comentário e escreveu mesmo mas verificou-se que não caberia na caixa de comentários e então disse-me que não via inconveniente nenhum em que o publicasse aqui. E eu publiquei.
Diz ele que a estética da minha escrita incide no discurso muito directo por ser escrito na primeira pessoa, que demonstra a procura da afirmação e da negação numa mesma frase e a passagem para a escrita da linguagem falada. Mas diz que não é crítico literário. E eu sei que não é mas gosto de saber, apesar de sentir vergonha, o que as pessoas pensam acerca daquilo que escrevo.

Daqui lhe agradeço uma vez mais. Agora publicamente.


Ah!... Considerei o texto muito fiel à minha realidade e a parte do "pijama imaculadamente dobrado" tem muita graça... e o meu cumprimento "bom dia sou Bento", nunca tinha reparado que falo assim... "trouxe-me as coisas todas?" também é certeira!... e o banco de banheira então!... fez-me rir... já o apaguei da minha memória bem como do livro das faltas... mas acho que na próxima Segunda-feira ainda lhe vou perguntar por ele!

Houve alguém que descreveu a Gina

1. PREÂMBULO

Porque penso já conhecer alguns dos traços psicológicos da Gina, deixo aqui as palavras que ela poderia escrever mas que provavelmente o não faria.
Não faço uma análise ao blog (já disse que o que mais me espanta é a estética da escrita), por isso transcrevo em palavras minhas numa hipotética descrição da Gina, aquilo que penso ser um dia na vida da blogger.
Se o que escrevo de qualquer forma se aproximar da realidade fico satisfeito (a minha observação das pessoas e do meio onde se movimentam consegue ainda descodificar a previsibilidade das suas acções e reacções).
Convenhamos que meio século de vivência, no mínimo dão-nos alguma experiência...



NAS LETRAS DE UM TECLADO AS PALAVRAS QUE NUNCA ESCREVERIA...OU TALVEZ SIM

Mais uma vez é segunda feira.
Mais um dia de trabalho.
Que merda - Oh Luís; merda posso escrever não posso?
(é este anátema pseudo-religioso que me censura o vocabulário)
Como estes dias se tornam repetitivos (os mesmos 1440 minutos dia após dia).

A fila de transito estende-se pela A8. É o túnel do Grilo que lentamente vai engolindo os automóveis.
- Alimenta-se bem este grilo!!!

Será que é hoje que vem o banco de banheira?

Sem café, isto hoje não vai lá:
- Olhe faz favor... é um bolo partido ao meio. - Luís queres café? – E é um café em 2 chávenas...

- Então são as molas de roupa e o pó para as pulgas? - São --- euros (percebi que as molas de roupa foram o pretexto para ganhar coragem na petição do pó).

Será que o banco de banheira está a chegar?

- Oh Gina escreve aí no livro de faltas as tintas para o cabelo!
(Nem sei porque se chama livro de faltas a umas folhas de papel “reciclado”, manualmente formatado num ziguezagueado A5 e presas por um grampo de mola...).

· - Bom dia D. Gina; bom dia Sr. Joaquim.
- Bom dia “sou” Bento. – Ai!!! ... o meu pulso.
(A mania que este sujeito tem de nos cumprimentar apertando vigorosamente a mão enquanto nos fixa nos olhos)
- Trouxe-me as “coisas” todas?
(reparo que veste a camisa de cor igual ao meu verniz e nos pés traz os sapatos da “viúva”)
- Tudo menos o banco de banheira.
- Então a fábrica faliu? (já está pedido há mais de 3 meses).

. Vou ao armazém buscar lixívia (antes passo pelo 13B para dar um beijinho no Luís).

- Então Bento ... hoje comemos cá?!
- Eu como onde quiser...; respondeu-me.
Não decifrei se o sorriso malicioso com que o disse foi genuíno, ou é esta minha fixação de que por defeito genético todos os homens pensam de baixo para cima.

- Ai que fome que eu tenho!!!!
Gritei para o empregado do restaurante onde costumo almoçar, ao mesmo tempo que ocupo o meu lugar na mesa, como habitualmente de frente para a rua.
Não sei se é mesmo fome ou esta minha incessante vontade de rapidamente sair para o meu “passeio diário de desintoxicação mental”.

Já me não recordo se as montras que olhei tinham sido redecoradas.
Mas continuam lá...

O cliente pediu e o patrão endereçou-me a pergunta:
- O banco de banheira já chegou?
- Não. Continua pedido.

Ninguém está na loja. É a minha hora sexual.
Pego na esferográfica e vou rabiscando num papel os tópicos da minha escrita de hoje.
Absorta, volto à realidade quando uma cliente me pede um saco de terra para plantas.
Afinal só “fodi” 5 minutos ao patrão.
Ainda bem que sou mulher, senão seria ejaculação precoce.

Está na hora de fechar a loja e vou até ao ginásio.
Mas onde raio poderei desencantar um banco de banheira?

Não sei o que vai ser o jantar.
Se tivéssemos visitas seria o Luís a fazê-lo.

Prometo a mim mesma que hoje não vou escrever pela enésima vez acerca dos meus ténis ... sapatilhas ... calcantes ... pisantes ...

Misturo a água. De pé na banheira sinto gota por gota o jacto de água tépida que o meu corpo recebe.
Dou por mim a falar com os botões do pijama que imaculadamente dobrado sobre o lavatório aguarda o meu regresso.
- Ainda bem que por hora não necessito de um banco de banheira...

Dou um beijo nos meus ricos filhos e vou deitar-me.

Esta Gina Nº 40 saiu melhor que a encomenda ... está mais sofisticada.


Space flyer

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Tocou a campaínha. O rico filho foi à porta e perguntou quem era através do auscultador. Quem lhe respondeu - vim a saber à posteriori - foi uma menina da idade dele que lhe contou laconicamente o motivo da visita:
- Quero comer.
O rico filho é, também ele, lacónico nas palavras. Mas abriu uma excepção e disse mais do que duas palavras de uma só vez e a resposta mascarada de sugestão saíu em tom muito indignado:
- Olha!... Vai comer ao lixo!!!

Acontecimentos muito importantes deste dia:

Acontecimento número um:

Uma rapariga entrou na loja e apanhou-me a cantar:

My dream is to fly over the rainbow so high
Rise up don't falling down again
Rise up long time I broke that chains
I try to fly
away so high direction sky
I try to fly away so high direction sky
My dream is to fly over the rainbow so high

(Yves LarocK)

Mostrou-se surpresa mas sorridente e eu disse-lhe que se levasse a vida a cantar "isto" não custava nada...

Acontecimento número dois:

Um senhor entrou na loja só para me dizer que hoje não queria fazer chaves, que já lá tinha estado no outro dia e que não podia gastar os euros todos em chaves.

Acontecimento número três:

Pintei as unhas esperançada de que ninguém aparecesse a querer um Linfer ou meio litro de amoníaco ou assim e eu borrasse a pintura toda... e não borrei.

É giro isto. É, é. E assim concluo que a minha vida profissional é cá uma animação!...

E antes da despedida formal da Primavera:

Começo com os bugalhos. Julgo que não era bem na Primavera que eu apanhava estas "bolas", abria-as ao meio e de dentro saía um bicho semelhante a uma aranha a correr o mais depressa que conseguia, julgo eu. Era divertido, aquilo.
Como andei a ver se via os bugalhos castanhos e só consegui encontrá-los cobertos com aquela capa verde, suponho que me divertia desta forma no final do Verão ou no Outono. Mas não tenho a certeza.
No post anterior desta série eu relato uma visita à Rua do Bêco. Um dos propósitos daquela visita era fotografar a própria árvore de onde eu arrancava os bugalhos. Infelizmente a árvore já não existe...

foto: Alcaínça

Esta planta tem a "sorte" de eu saber o nome dela. Mas só porque me deixaram escrito aqui - é uma das variedades do trevo forrageiro.
Uma vez quis saber se esta planta teria cheiro. E para ter mesmo a certeza enfiei uma no nariz. Deu-me um trabalhão tirá-la de lá!...

foto: Cabeço de Montachique

Estas eram as rosas que na Primavera saiam das grades do quintal de uma professora que morava lá ao pé de mim. Na Primavera, quando ia a caminho da escola eu observava em que estado estavam e quando havia botõezinhos apanháva-os e fazia um raminho. Estas rosas têm um cheirinho muito agradável.

foto: Mafra

Ainda hoje acho esta planta semelhante à salsa. Agora imagina quando tinha sete ou oito anos... Um dia mostrei à minha mãe que me disse que aquilo não era nada salsa! Que desilusão!...

foto: Alcaínça


Pois que aqui também não sei com se chama esta planta mas lembro-me muito bem de imaginar que era trigo e que se calhar daria para brincar às padarias. Para ter a certeza de que aquilo daria para fazer pão dissequei a planta e comi os grãozinhos. Não era mau... era bem capaz de dar para fazer farinha se eu soubesse como lá chegar...

foto: Loures

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Entardecer

Hoje o Luís trabalhou até mais tarde e eu andei por ali a gastar tempo.
A Alameda estava visivelmente agitada com a proximidade do jogo importante que iria decorrer.
Três mulheres passeavam cachecóis, com o escrito Portugal - Alemanha, na ânsia de deles se desfazerem para recuperar o investido.
E eu ali a vaguear, só.
Tanta coisa para fazer - e para escrever - e eu ali, só.
Andei por ruas de que não sei o nome e andei por ruas de que sei o nome mas não quis ir àquele jardim.
Não vou lá quando estou nostálgica.
Mudei o rumo e fiz uma volta diferente.
Parei e sentei-me algures.
Escrevi.
Ouvi vozes esganiçadas cantarem o hino.
Ri-me, só.
A rua deserta, o povo calado, a cidade centrada num acontecimento sem sentido para mim.
Ninguém ali.
O entardecer é tão bonito naquela rua!
Fui tomada por algum receio mas deixei-me ficar mais um pouco.
Quis esquecer o medo e esqueci mais um pouco... mais um pouco.
O céu escureceu.
Levantei-me e segui, só.

E eu a pensar que só eu é que brinco com quem falo mas não conheço:

Hoje fui à baixa lisboeta em trabalho. Um passeio na hora do patrão é diferente… para melhor!
Um número redondinho sito na Rua do Ouro era o destino. Cheguei e entrei directamente numa ourivesaria, o senhor de trás do balcão levantou-se para a eventualidade de eu querer negociar com ele mas… eu perguntei-lhe se a empresa tal e tal no andar assim assim ainda lá estava instalada. O senhor respondeu afirmativamente mas que não tinha elevador e não havia luz a partir do segundo andar porque o prédio estava em obras. Fiz um esgar qualquer, de certezinha, só não sei é de que tipo. Agradeci e disse que supostamente ninguém me faria mal pois sou boa rapariga. Já me estava a preparar para subir alguns lanços de escada feita de madeira tosca (leia-se podre) muito altas e muito estreitas, munida de coragem e da luz do meu telemóvel. Sim, porque actualmente um telemóvel não serve apenas para fazer e receber telefonemas, não é?
A esta altura já sei de que tipo era o esgar - era de medo. Num impulso preparei-me para subir. "ai... que vista desagradável. Enfim…’ bora lá Gina!..."
- Eu estava a brincar, o prédio tem elevador - um sorriso maroto acompanhou as palavras e conduziu-me até lá, carregou no botão do elevador e enquanto o dito não chegou ao rés-do-chão não largou a minha companhia...


Isto é para eu saber que há mais gente espontânea neste mundo. Ali éramos dois.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Oh vida minha!


- 'Cê tem rolo dji pintúrah?
- Sim. Para pintar com que tipo de tinta: água ou esmalte?
- Ah é daqueli ali, oh!.. - apontou para cima - Esse é dji vintxi centxímetros?
- Este é de 180 milímetros.
- Ah e o ouutro?
- É de 150 milímetros.
- Ah mi dá o grandji.
E enquanto eu lhe arranjava o pretendido:
- 'Cê faiz chavi?
- Sim, faço.
- Puxa!... 'Cê faz dji tudo, hein? E djinheiro, 'cê faiz?...
- Não. Mas se me emprestar uma nota posso tirar umas fotocópias.
- ah!ah!ah!ah!ah!ah!ah!
- Se eu soubesse fazer dinheiro não estava aqui a olhar para si...

(nem saberia que existem rolos de 180 ou de 150 milímetros, nem tinta de água ou de esmalte, seguramente)

Os meu óculos XL

Ia eu subindo a Avenida Guerra Junqueiro quando vejo uma senhora circulando no sentido oposto ao que eu seguia. Tinha um ar simpático e sorria levemente para mim. Primeiro pareceu-me apenas um olhar e um sorriso de apreço. Pensei:
"Eh lá!... Estes óculos ficam-me mesmo bem! Esta senhora está perdidamente apaixonada por mim...". Mas a senhora ia expandindo o sorriso à medida que nos aproximávamos uma da outra. O sorriso foi ficando maior e cada vez maior e cada vez maior e aqui já eu pensava:
"Ai o caraças! Mas eu conheço a mulher, é? Será que a conheço e não sei quem é? Porque estará a sorrir tanto?" Investiguei minuciosamente a senhora, tentando descobrir se seria alguém das minhas relações mas não, não conhecia, ou pelo menos não estava a reconhecer. E como não estava a reconhecê-la pensei:
"Xiça!... Sou (ou estou) mesmo gira!!! Olha o raio dos óculos, hein?!?! Só é pena... não ficar a saber se sou eu que fico bem com os óculos ou se são os óculos que ficam bem comigo..."
Pus a modéstia de parte, enxotei-a para longe com um valente pontapé nas fuças...

"Eh pá!... Eu acho que são mas é o raio dos óculos que ficam mesmo bem comigo!!!"

Na foto sou eu e os meus óculos tamanho XL. Para que não restem dúvidas...

Acerca do post anterior:

o meu amor gostou do que leu. Muito. Tinha os olhos brilhantes enquanto lia e quando acabou de ler disse-me:
- É... eu sou assim...
Está tudo dito.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Luís perguntou-me se já alguém tinha comentado o post que eu escrevi no dia do seu aniversário. Disse-lhe que tinham comentado mas apenas para lhe dar os parabéns, ninguém referiu nada acerca das minhas palavras.
Notei que ele até nem gostou tanto assim do que eu escrevi acerca da sua personalidade, aquele texto não coincide com a ideia que tem de si próprio. Quando criei aquele post centrei a minha atenção nas características do Luís mais viris e másculas, aquelas que são mais vulgares num homem e, se calhar, o resultado é um texto que revela grossaria, bruteza e vulgaridade.
Como não concordo nem um pouco com a ideia de eliminar post's, ainda por cima estando já comentados, achei que deveria publicar um texto que tenho no blog em rascunho já há mais de um ano. Vou publicá-lo tal como está, sem tirar ou acrescentar nada. Neste momento, para mim, não teria a menor piada alterá-lo.
Luís, espero que gostes.

Um perfil difícil...

O Luís tem um carisma extraordinário - é todo ele eloquência, emoção, raiva e bondade com tudo o que isso pode significar de negativo ou de positivo. Óptimo comunicador, dono de uma capacidade, quanto a mim invulgar, para falar acerca dos mais variados assuntos, mesmo aqueles que não conhece profundamente. Lança-se na conversa, emite a sua opinião, não importa do que se está a falar, ele está lá e diz abertamente o que pensa. Mesmo que discorde de alguém é com facilidade bem aceite, uma vez que se exprime com convicção.
Acho o Luís dócil porque é capaz de se emocionar com uma música, um filme, um livro, uma paisagem, o voo de um pássaro, um velhinho que passeia ou com uma criança que brinca. Em contrapartida, é capaz de se enervar com um condutor que não o deixa passar, com alguém que mente ou por não encontrar algo de que necessite urgentemente.
É também um "manteiga derretida" particularmente para com aqueles que ama. Não pode ver ninguém chorar ou queixar-se de alguma coisa, trata logo de fazer algo no sentido de melhorar o bem estar geral da família. Ele remove montanhas se for preciso, só para não os ver aflitos com o que quer que seja.
O Luís pratica artes marciais, mais propriamente Jiu Jitsu e... A-DO-RA!!! É doido por aquilo, no caminho para casa conta-me tudo, tudo, tudo. E eu ouço-o pacientemente e quase sempre penso que ele é espectacular a contar o que quer que seja.
Sempre achei que o Luís tem perfil de professor porque adora ensinar e por saber usar tão bem as palavras para se explicar.
No Ginásio, é onde ele dá largas ao gosto que tem pelo ensino. Quem vai de novo, tem ali um apoio espectacular, porque o Luís é um óptimo anfitrião. Em casa também o é e eu que o diga... quando temos visitas ele entretém muito bem os convidados, é espectacular!
Fomos convidados para ir almoçar a casa de um casal de primos do Luís que não vemos com frequência e a quem apenas nos ligamos por laços familiares, ou seja, ninguém cá de casa está minimamente habituado àquelas pessoas.
Enquanto conversávamos acerca da visita que se faria, a rica filha lembra-se de perguntar ao pai se os primos tinham filhos ao que o pai respondeu que não. O rico filho que estava numa outra divisão da casa, escutando esta conversa de longe prontamente questionou:
- Ó pai!... E filhas?...

O rico filho começa a dar os primeiros sinais de macho... já pensa, em primeiro lugar, com a pila. Enfim... enquanto a cabeça de baixo não tirar o juízo à de cima ainda vá que não vá.