sábado, 19 de julho de 2008

Entrámos os quatro no elevador. Armados de sacos e malas de viagem sobrava pouco espaço dentro da cabine. O rico filho de lado, eu com a cara encostada ao vidro e uma mala em cima dos pés, a rica filha tinha uma mala em cima da outra e o Luís com a chave, telemovel, carteira... tudo ao monte nas mãos! Carreguei na tecla do rés do chão e o elevador iniciou a descida. Parou no primeiro andar e alguém abriu a porta. Obviamente era alguém que queria descer também.
- Olá, boa tarde! - cumprimentei - Isto hoje está um bocadinho cheio... - disse eu em jeito de desculpa.
- Vai descer?
- Sim.
- Oh, então deixe estar. Está muito cheio!


Hummm... ok.... está bem... eu cá por mim... ainda nem tinha reparado...

A Dona Antónia

O abraço que me deu foi apertadinho e sentido. Eu correspondi, foi tão fácil...! Os dois beijos foram repenicados e dados na face. Voltei a corresponder com gosto.
Depois, falou de si. Contou-me numa voz com um acentuado sotaque espanhol o que fez nos últimos dias - a doença, o que andou, o autocarro que não chegava, o cabelo, a comida, as amigas, os papeis na Embaixada Espanhola, a conta da luz e do telefone, que não deixa uma luz acesa, as novelas da TV, a roupa para lavar à mão, os manos e as manas lá em Espanha, os bolos que sempre deixa para os meus meninos...
A Dona Antónia só fala de si, tem um coração tão puro...! É alguém que possui uma nitidez de sentimentos que eu invejo. E é tão fácil gostar da Dona Antónia...! A Dona Antónia é tão pura, tão simples e tão nítida que é difícil elaborar um texto acerca dela...
Vou ficar-me por aqui. Ou então não. Eu devia era imprimir este texto e dar-lho a ler. Será que ela iria gostar? Será que ficaria feliz com o facto de alguém a observar ao ponto de querer escrever acerca dela? Será que compreenderia o que quis dizer?
Estas são das questões mais difíceis que encontro desde que escrevo. Tenho sempre medo da reacção das pessoas. Apesar da pessoa a quem me refiro neste post ser alguém com uma pureza de coração que admiro consideravelmente...

Enumere dois objectos incompatíveis:


1 - fogão em pleno funcionamento
2 - computador ligado ao site:
http://verdeagua2.blogspot.com/

Enumere e descreva por palavras suas a conclusão da incompatibilidade dos objectos que referiu.

1 - as batatas ficaram para lá de fritas
2 - o esparregado ficou queimado
3 - e a entremeada... safou-se!

Pequenas questões dirigidas aos ricos filhos:

Ó vós, que pertenceis à geração "muito depressa e tudo muito rápido", porque dizeis "ya tásse bem" quando, se dissésseis simplesmente "sim" ou ainda, nos modos americanos "ok", acaso não seria, quiçá, mais "muito depressa e tudo muito rápido"?

Adenda:
Questão propositadamente escrita desta maneira para criar um contraste tão grande que ficará um abismo maior do que aquele que realmente existe entre as gerações. Assim acentuei a distância.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Duvido que tenha mais alguma coisa dentro da cabeça para além de parvoíce e palavras, ora soltas ora amontoadas, que quero separar por grupos para transformar em textos. É isso o que sou - parva e escrevedora. Só isso.
Serei mesmo parva ou quero demonstrar que o não sou escrevendo? Ou por outra, quero demonstrar que sou e venha quem ou o que vier e logo se vê? Parva e aguerrida... assim já sou mais qualquer coisa.
Há sempre uma grande dose de prazer nas certezas da parvoíce. Não se liga aos parvos e assim, esses, os parvos, poderão fazer as parvoíces todas sem que tenham que prestar contas. Sinto que esse prazer me transmite esta certeza - ninguém me vai dar importância. Nem é preciso guerrear.
E eu vou escrevendo parvidades dispensando guerras.

elevadores e assim

declaração solene e peremptória:

mesmo quando o elevador exibe orgulhosamente um nome, esse nome é "Fortis" e o dito elevador pertence ao que de mais avançado existia nestas lides de elevação para aí nos anos trinta, eu, Gina Maria (e mais nomes meus não escrevo) tenho cagufa de ser elevada ou descida naquilo...

desenvolvimento assustado:

aquilo range por todos os lados, vê-se os cabos subir e descer, o que me faz logo pensar "bolas...! e se esta porra parte quando eu for ali dentro...?", tem um espelho inútil pois a luz dentro da cabine é muito fraquinha e quase não dá para ver os botões que indicam os andares nem sequer consigo saber quão formosa sou por não me ver reflectida no dito espelho nem nada, possui duas portas de correr tipo lagarta que se não me ponho a pau ainda me entalo naquilo, e é preciso fazer cá uma força para movê-las...! e pensando bem... duas portas para quê...? era mesmo preciso serem duas...? seriam as normas de segurança da altura que assim o exigiam...? se é, então comigo não funciona pois como já se verificou através deste post, segura dentro daquilo é que não me sinto...!

conclusão e questão:

a que se deve, então, o nome "Fortis" se não aparenta robustez nenhuma...?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

chochinho matrimonial


"ai... ó Luís!... vê lá se alguém vê..."
"ninguém vai ver nada, não está aqui ninguém..."
"mas a tua mãe estava ali!..."
"não está nada!..."
"está bem!... mas e se vier aí alguém?!..."
"não vem ninguém..."
"oh pá..."
"vá lá... deixa-te de cenas!..."
"então está bem!..."


havia de ser hoje que logo viam!... chamava-os a todos para verem o chochinho!... depois apareceriam os bichinhos-de-conta, as joaninhas, as borboletas e as ameixas amarelas que por sua vez chamariam os pinheiros, os eucaliptos e os malmequeres, porque as hortências já ali estavam ao pé de nós... e o ramo de rosas na minha mão... testemunhas oculares do chochinho...

(eu sei que as flores não têm olhos e é claro que alguém estava a ver ou não existiria esta foto mas assim isto fica muito mais giro)

post scriptum:
casei há desanove anos atrás e estou um tanto ou quanto diferente... só não sei é se aquele vestido ainda me serve...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Já há algum tempo que não me saía uma destas:

Entrou um jovem que com o seu sotaque brasileiro me perguntou:
- De chaves, posso falar contigo?
- Pode falar comigo acerca daquilo que quiser. Desembuche que eu logo lhe digo se pode continuar ou não...

Mas porque é que esta porra desta vida é tão chata, pá?!

- Olha lá! Tu também és evangelista, não és?
- Mais ou menos* - respondi.
- Então também não baptizaste os teus filhos, 'tá visto...! - exclamou ele - Claro...! São crianças...! Não sabem e tal...! - rematou com escárnio.
Nem bom dia nem olá nem vontade de ouvir qualquer resposta, apesar das questões apresentadas. Apenas a vontade de despejar a raiva e o desprezo juntamente com disposição à farta para escarnecer das minhas atitudes e das minhas convicções. Respondi-lhe sem calma alguma, confesso, que se não sou católica não baptizei os meus filhos na igreja católica, obviamente.
Afinal aquela conversa toda servira apenas como introdução à divulgação de um livro qualquer que trazia consigo debaixo do braço e que, segundo ele, desmentia a crença que o meio evangélico tem de que as crianças não devem ser baptizadas por estarem na idade da inocência e não saberem decidir por si mesmas.
Este "quê" religioso (este e outros) há-de existir sempre na minha vida. Dei a cara, manifestei-me e é por isso que sou chamada à atenção por quem não segue sequer as regras da boa educação quanto mais os ensinamentos bíblicos. Há quem exija e desdenhe querendo demonstrar uma vida idónea e irrepreensível esquecendo com frequência o amor cristão que tanto apregoam.


*Esta resposta desprovida de convicção e estabilidade deve-se ao facto de eu hoje não frequentar assiduamente nenhuma igreja nem fazer por seguir a doutrina em que fui ensinada. Foi por isso que respondi "mais ou menos" e não "sim" ou "não".
Em tempos frequentei uma igreja assiduamente e, fazendo o melhor que sabia, segui uma doutrina. Hoje não é assim. No entanto, a doutrina está enraizada na minha personalidade e nem faço por removê-la. Está cá e eu quero deixá-la estar.
Aqui pelo meu blog já figuram vários textos onde menciono o que acabei de relatar no parágrafo acima deste. Normalmente não desenvolvo muito este assunto, paro quando acho que vou divulgar nomes ou atitudes de pessoas de quem gosto e a quem muito prezo. Não me sinto com liberdade para escrever contra os meus próprios princípios. Para tal, teria que ser muitíssimo mais louca do que sou...

domingo, 13 de julho de 2008

Pensando

Há dois minutos que estou a pensar - que hei-de escrever mais? Já rebusquei na minha memória acontecimentos que sejam dignos de registo mas não encontro. Acerca do dia de hoje não há nada relevante.
Ah!... Afinal até há, lembrei-me de algo que vale a pena registar - ninguém devia nunca chegar ao fim do dia com este sentimento que tenho hoje, uma certa apatia em relação ao dia que passou. Um dia que não aqueceu nem arrefeceu, um dia morno e banal, sem significado.
É um dia que passou e não volta mais e nem isso importa neste momento.

Arrepiada

Ontem, quando me aproximava do parque de estacionamento do principal fornecedor da minha despensa... arrepiei-me toda mal avistei a farda fluorescente do segurança... e de seguida mudei rapidamente de direcção.
E não é que ia fazer a mesma merda de sempre?! Chiça!... Se eu não visse o homem nem sequer me ia lembrar disto!
Acho que não me vou lembrar nunca a não ser nos dias em que calhe o homem andar por ali para eu dar com os olhos naquela farda. Ainda bem que é uma farda dotada de fluorescência, senão...


(acabei de "descobrir" mais duas características que possuo orgulhosamente - despistada e transgressora - e que... poderiam muito bem figurar ali ao lado no meu perfil, já que só escrevi mal de mim mesma)

Viciada

No metropolitano fiquei sentada em frente a um casal de joves que aparentemente seriam dependentes de droga. Eram jovens, bem parecidos e davam a ideia de pertencer a um nível social elevado.
Enquanto os observava dei comigo a pensar que não faço diferença deles. Eu, tal como eles, estou viciada em algo e preciso disso para me sentir viva e desperta...

Uma verdade

A verdade liberta? Não. A verdade oprime. Estou oprimida pela minha verdade e pela minha mentira. Creio que nunca me sentirei liberta.

sábado, 12 de julho de 2008

Continuando com a conversa dos meus 40 anos -

- não sei é fruto da minha imaginação se é mesmo assim, a verdade é que hoje quando me vi ao espelho encontrei mais uma data de cabelos brancos. Será que apareceram aqui enquanto dormia? Esperaram a primeira noite desta minha nova era e decidiram avançar cabeleira fora conquistando espaço?
Até hoje os meus cabelos brancos não me causaram desgosto suficiente para que tenha paciência para andar a encondê-los cobrindo-os com tinta. Não é que goste de os ter mas gosto muito menos do número de vezes que é necessário visitar cabeleireiros. Por isso ando a ver se me deixo andar de cabelos brancos...

Ainda na onda do meu recentíssimo aniversário -

Esta pobre, que se caisse mortinha agora mesmo não cairia pois ficaria a flutuar no ar por tão desafortunada ser, recebeu ontem duas (sim, sim!... duas!...) SMS's do banco onde figuram as dívidas e vagueiam os parcos haveres que possui...
Vivam as novas tecnologias e também as manobras de markting!... Ou então não vivam nada!... Assim até se intensifica um pouco mais a ideia que o banco lembrou (ainda que seja uma manobra de markting) mas alguns familiares esqueceram ou não estiveram para isso...

A festa

A minha festa acabou. Agora é tempo de voltar a outra festa. Foi o que fiz pouco depois de acordar. Liguei o computador, acedi ao site www.novasoportunidades.gov.pt disposta a imprimir o referencial para ir conhecendo e tecendo ideias acerca do trabalho que tenho pela frente...
A minha resposta à proposta que me fizeram de frequentar um curso profissional que referi neste post foi 'não'. Fiz uma lista dos prós e dos contras, o que até nem tem muito a ver com o meu feitio porque sou desconcentrada e desorganizada. Mas fiz. Aconselharam-me e eu estava tão baralhada que aceitei o conselho.
Com a lista verifiquei que os contras são em maior número. Para além do número ser maior nos contras, verifiquei que os prós eram trazidos lá do fundo de um buraco que, de tão negro, não chegavam até mim de livre vontade eu é que os fui buscar lá abaixo e os convenci. Num alto contraste, os contras apareceram rapidamente sem sequer esperarem convite, como se fossem os 'penetras' de uma festa bonita e alegre. Foi por isso também que a resposta foi 'não'.
Mandei um mail à responsável pelo meu caso com a resposta e a lista que fiz. Depois fui falar com ela pessoalmente e fiquei de tentar o processo R.V.C.C.
Vou andar às voltinhas procurando um modo interessante de construir o meu portefólio. Será que existe algum modo interessante de construir o meu portefólio? Não gosto de procurar algo quando duvido que esse algo exista. Não deixa de ser outro buraco fundo e negro em que eu tenho que ir lá abaixo buscar e arrastar coisas ou então ficar lá em baixo a tentar convencer essas mesmas coisas a subirem comigo para a festa.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Do dia 11 de Julho de 1968 ao dia 11 de Julho de 2008 há uma distância de 40 anos. Hoje, é essa a minha idade...


Ainda o meu dia vai para aí a meio e...:



  • - Parabéns!... Velhinha!... hehehehehe!... (disse a rica filha assim que acordou)

  • - Hoje o galão tem que ser fraquinho porque tu és pequenina e podes não aguentar... (disse o marido, divertido)

  • - Parabéns. (disse o rico filho mas teve que ser lembrado)

  • - Olha filha!... Agora já és quarentona!... (esta só podia vir da minha mãe...)

  • - Aos quarenta já se sabe muita coisa... (e esta só poderia sair da boca do meu pai)

  • - Então, já mudaste a fraldinha? (disse a amiga que não se esqueceu)

  • - Quero dar-lhe as boas-vindas à casa que eu já deixei. (disse o amigo que está no "enta" a seguir ao meu e que também não se esqueceu)

Obrigada a todos eles. E a quem comentou o post anterior também. Aqui ficam as respostas.


Vera: A frase que referiste é batida mas muito verdadeira. Nunca fui tão "velha" como agora nem tão "jovem" ao mesmo tempo. Foi por isso que me saiu aquela frase estranha...:)


Nandokas: Obrigada! És muito simpático, mesmo! :)


Redonda: Obrigada pelas palavras. Realmente o que importa é que os dias, muitos ou poucos, sejam bons. :)


Thunderlady: Obrigada! Queres que te conte um segredo? Aí vai: nunca me portei tão mal como agora...


Space Flyer: Acerca dos quarenta: até nem ligo muito. Outros "entas" virão e eu quero ver se tenho sabedoria para os saber aproveitar todos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tempo

Amanhã farei quarenta anos. Há pouco, alguém ficou a saber que eu amanhã faria anos. Depois esse alguém perguntou:
- Quantos faz?
- Quarenta - respondi.
Soou-me estranho. Eu sou eu e continuarei a ser eu. Hoje e amanhã. Hoje com trinta e nove e amanhã com quarenta. Hoje na casa dos trinta e amanhã na casa dos quarenta. A cara é igual, eu sou igual. Mas o sentimento tem uma mistura de nostalgia e prazer, perda e ganho.
Talvez sinta assim porque agora há uma maior consciência de que quanto mais tempo passa menos tempo tenho. Tenho mais tempo e menos tempo ao mesmo tempo.
Vês?... É por isto que me sinto estranha!... Olha só a frase que me veio à cabeça - "mais tempo e menos tempo ao mesmo tempo".
A culpa é do tempo. Se eu não tivesse tanto tempo para pensar...

Desafio top 3

A Thunderlady desafiou-me a escolher e publicar o meu top 3- os três melhores textos que já publiquei no meu blog.
Não quis escolhê-los pelo mérito ou pela qualidade porque nem sequer me atreveria a usar como escolha tais critérios. Então decidi fazer a escolha pelo prazer que tive em escrever alguns dos textos que vagueiam por este espaço virtual. Mais haveriam... mas como quanto mais procurava mais me confundia e mais indecisa ficava, fiquei-me assim... como irás ler de seguida, espero eu.



Tenho o PC, as mãos, os olhos e o tempo à minha disposição mas não sei que hei-de escrever, faltam as palavras. E as palavras são o que não pode faltar para escrever... Se calhar tenho a cabeça "varrida" porque acordei há pouco mais de uma hora... não chega ideia nenhuma porque não tenho todos os sentidos despertos.

(pausa para café e procura de algo que já anteriormente tenha escrito no caderno dos desabafos)

Encontrei isto:

" Lisboa, 10 de Outubro de 2007

Ora aqui estou eu no Ginásio à espera do Luís.
Tenho que escrever no blog algumas coisas referentes ao
post publicado ontem. Tenho que lá escrever que há coisas na minha profissão de que eu até gosto mas que, de uma maneira geral, não gosto da minha profissão. Também tenho que escrever lá que sei perfeitamente que todas as profissões têm tarefas que não dão prazer. Eu escrevi e publiquei aquele post para tornar mais leve a minha vida profissional, tentei dar uma ideia de como pode ser divertida e se calhar não foi essa a ideia que transmiti...
O "tal" professor anda aqui a arrumar as máquinas e pondo os pesos no sítio uma vez que o Ginásio está quase a fechar. Acho que reparou e se admirou de me ver a escrever. Por acaso este moçoilo tem montes de piada... ainda bem que não sabe que eu já escrevi acerca dele e que ainda por cima publiquei na Internet um
texto onde faço menção à sua pessoa.
Mais pessoas reparam que estou a escrever: o recepcionista, outros professores e alguns utentes do Ginásio. Quase todos eles fazem um esgar de surpresa ao verificar que escrevo. Será que sabem que estou a escrever ao acaso, que escrevo o que me passa pela cabeça num diário? Se calhar pensam que isto é um rascunho porque sou jornalista ou professora. Nesse caso seria muito pobrezinha, sem PC portátil e escrevendo à mão num caderno...
Possivelmente pensarão: 'ui... um diário... contém segredos, recantos escondidos... onde ela escreve intimidades vividas ilicitamente... ui... os seus mais íntimos desejos...'
E eu penso que alguns dos meus desejos são ocultos até para mim... ui... tenho que os explorar melhor... ui..."


Originalmente publicado aqui em 14 de Outubro de 2007.


"Só para não ficares triste..."


Lá fora a noite estava invulgarmente fria para o mês de Março. Mas, dentro de casa estava uma atmosfera agradável e desanuviada. Reinava aquela calma que só sinto em noites de Domingo, sou invadida por aquele sentimento que antecede uma semana de trabalho e parece-me ser absolutamente necessário aproveitar o que resta de tempo livre de obrigações. Era uma daquelas noites em que o tempo pára e nem sequer o relógio existe. O tempo e o relógio não ficam à espera que eu me lembre deles, mesmo eu esquecendo-me deles, eles não param, não...
Sentada na minha cama, vasculhava uma caixa onde guardo cadernos e folhas cheios de frases escritas que contam o que me passa pela cabeça. Algumas dessas frases são demasiado íntimas para publicar, mas nem todas. Por isso, andava em busca de algo que pudesse publicar no meu blog.
Também sentada e de costas para mim, estava a minha filha a teclar no P.C. A certa altura olha para mim e vê-me rodeada de papeis e cadernos. Sabendo muito bem o que é aquilo, diz com um ar maroto e carregadinho de curiosidade:
- Quando morreres vou ler isso tudo...
- Não me fará diferença nenhuma, não vou estar cá para ver - respondo de imediato sorrindo-lhe de volta. Tomei consciência das palavras que eu própria dissera porque de repente o olhar dela assumiu laivos de tristeza. Presumiu que vai haver um dia em que eu já não vou estar presente na vida dela.
- Mãe... não morras, está bem?
- Se eu pudesse não morreria nunca... - disse eu. De seguida pensei: " Só para não ficares triste..."

Originalmente publicado aqui em 2 de Abril de 2007.

G I N A


- Como se chama? - perguntou-me o senhor da transportadora para cumprir as regras habituais. A pergunta foi feita porque tem que ficar o registo de quem recebeu a encomenda. E eu respondi:
- Gina - passou imediatamente algo pelo meu pensamento. Passou tão rápido que nem sei descrever. O senhor sorriu, agradeceu e despediu-se.
Por coincidência, no dia seguinte havia outra encomenda da mesma transportadora. Curiosamente quem a veio entregar foi o mesmo senhor. Novamente ouvi a pergunta:
- Como se chama?
- Gina - disse eu sorrindo e olhando bem para ele, ao mesmo tempo que tentava adivinhar o seu pensamento, ou se calhar adivinhando-o mesmo.... Desta vez, o que me passou pelo pensamento eu sei descrever.
Possivelmente o homem sorriu maliciosamente porque se lembrou da revista "Gina" e eu correspondi ao sorriso com cumplicidade e algum sentimento de resignação porque naquele momento tive a certeza do que ele estava a pensar. Não fiz, nem costumo fazer, nenhum tipo de comentário quando assisto a cenas deste género. Apenas me preparo de armas e bagagens para o que quer que venha a ouvir...
Ao longo da minha vida tenho reparado que algumas vezes o meu nome dá nas vistas particularmente aos elementos do sexo masculino por causa da tal revista. Na adolescência era algo do género: "Chamas-te Gina? Como aquela revista das mulheres nuas?" Naquela altura, esta questão era feita com um misto de surpresa e entusiasmo pelo que o nome "Gina" os fazia lembrar. Confesso que comecei a ouvir estas perguntas antes mesmo de saber da existência da famosa revista, até que um dia a vi exposta num quiosque. Na capa só se via uma mulher da cintura para cima de mamas ao léu. Lembro-me de achar piada ao facto de existir uma revista com o meu nome, mesmo que fosse uma revista pornográfica. Não fazia mal nenhum... até era giro...
O meu nome é também frequentemente ligado à prostituição. Ou seja... (desculpa lá mas vai mesmo a seco) é nome de puta. E para além disso faz lembrar vagina e tal... e isso também não faz mal nenhum... quero lá saber! Até é giro... e sugestivo e tal...
Mas continuando, passaram alguns anos e a pergunta manteve-se mas muito mais esporadicamente. Hoje em dia ainda ouço: "Gina? Não é..." Normalmente não deixo acabar a frase e atiro logo um sério e pausado:"Sim... como a revista..."
Com a vida aprende-se (e eu aprendi muito bem, diga-se) a aceitar as situações que não se podem modificar. Aprendi a aceitar e esperar o impacto que o meu nome causa aos homens por causa da revista "Gina" e não só. Em vez de baixar o olhar pelo constrangimento que me causa ver a malícia nos olhares masculinos, ou ainda, algumas palavras libidinosas, dou a volta à situação e enfrento-os com o meu destemido e aguerrido olhar que quando eu quero, deixa transparecer algo assim:
- Q ' é q ' foi ó borrego?... Dói-te alguma coisinha?...
Enfim... o meu nome é G I N A!!!... OK???... Algum problema?... Não, pois não?... Bem me parecia...
Volta sempre.


Originalmente publicado aqui em 19 de Outubro de 2007
Parece que tenho que desafiar alguém... desafio quem por aqui passar e ler o suficiente deste post para ter chegado cá abaixo. Se alguém aceitar este desafio gostava de ser notificada. Obrigada!
(o agradecimento dirige-se sobretudo à paciência usada para ler)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Burro velho não se assusta


Por causa do susto dei um salto. De seguida brinquei:
- Bem... já é a segunda vez que o senhor me assusta hoje!...
- É bom sinal... diz que os burros velhos não se assustam. Não têm força!... Assim, é sinal que é nova!...
"Prontus... 'tá bem!..." pensei eu.
Depois, como que para se redimir, não fosse eu ofender-me com aquelas palavras, pegou no saco que eu levava e deixara no chão enquanto abria a porta e levou-o por ali abaixo cambaleante. Cambaleava porque aquele era um esforço demasiado para a sua idade.
E eu fiquei a pensar que realmente ele já não tinha força para se assustar. Não sabia que se poderia ser velho demais para pregar um salto por causa de um susto. Mas agora já sei.

Mais um gajo das obras simpático na medida três quartos de polegada e com charme a medir polegada e meia... para aí...


- Andei eu ontem seca e meca à procura de petróleo e você aqui tão caladinha... - disse ele.
- Eu normalmente não falo muito - respondi.
- Eu também não.
- E quando falo, normalmente só digo asneiras ou coisas sem interesse nenhum - acrescentei.
- ...

Tomando como mote a frase "quem cala consente" só posso perceber que pela última "fala" ele concordou em pleno com o que eu dissera.

Que lentidão!

Falava-se de anti-vírus.
- Ah... deixa-te ficar com o AVG... até tem um nome feminino - disse ele.
Arqueei as sobrancelhas (creio). Espantei-me com o que ouvi e perguntei:
- É um nome feminino?...Porquê?... - Vi uma expressão de gozo e malícia, um brilho no olhar... e subentendi.
- Ah claro... A-V-G*!... Poça!... Eu levo um tempo do caraças para lá chegar!
Ele continuou com o sorriso malicioso e eu, já que também tenho um desses, exibi-o.


*A VaGina. Não é óbvio? Não, não é. Mas cheguei lá.

domingo, 6 de julho de 2008

Ser uma miúda normal

Ouvi um amigo tecer comentários muito elogiosos a uma rapariga de 15 anos, filha de alguém que ambos conhecemos, dizendo que era de uma grande inteligência, que lia o jornal e estava a par da conjuntura actual e, por isso, sabia debater muito bem as suas ideias e marcar uma posição, ou seja, era uma cabeça de mulher num corpo com apenas 15 anos.
Não quis discordar precisamente por os comentários serem tão prestigiantes - iria dar um ar de mazinha e se calhar até de invejosa, uma vez que tenho uma filha praticamente da mesma idade.
Naquele dia fiquei-me por ali mas agora vou avançar com a minha opinião acerca deste assunto:
Não acho piada nenhuma nem sequer acho normal que alguém de 15 anos tenha uma visão da vida como se tivesse 30. O que eu acho piada e normal numa miuda de 15 anos é que ela vá ao concerto dos Tokio Hotel (ou outros gajos quaisquer) e berrar que nem uma perdida, desmaiar se for preciso tal a intensidade das emoções, que vista roupas estranhíssimas e se lhe ficam mal ou bem não interessa para nada, em vez de se maquilhar... borrar-se, que tenha dúzias de T-shirt's e topezinhos e chateie a mãe para lhe comprar aquele que é tão giro e só custa 5 euros, que goste de ver gajos giros e bons, que ouça música sem qualidade (ou com) em altos berros e que viva na lua... quase sempre alheada daqui... deste mundo tão sério e tão triste, por vezes...

Conversas no Messenger (por sinal, interessantíssimas...)

A malta cá de casa é tão evoluída... até já temos PC portátil... e como estamos sempre muito distantes uns dos outros, separam-nos para aí uns quê?... dois metros e meio mais ou menos... e até somos todos mudos e coxos, conversamos através do Messenger...

Conversando com o rico filho durante aproximadamente três minutos:

(22:28) Gina: olá rico filho
(22:28) André: ola mae
(22:28) Gina: hehehehe
(22:28) Gina: este "heheheh" é mêmo à cota, né?
(22:28) André: n
(22:28) André: mas os acentos sim
(22:29) Gina:ohhhhh
(22:29) Gina: atão tem que se escrever sem acentos, é?
(22:29) André: ya
(22:31) Gina: oquei...
(22:31) André: isso e a liceu
(22:31) Gina: ai É???????????????
(22:31) André: ya


Conversando com a rica filha durante aproximadamente nove minutos:

(18:12) Lala: olha a minha mae xD
(18:12) Gina: nha nha nha nha!!!!
(18:12) Lala: LOL
(18:12) Gina: ia mesmo agora meter-me contigo!
(18:12) Lala: nao queres vir pa este pc?
(18:12) Gina: nop
(18:12) Lala: eq eu quero jogar sims...
(18:12) Gina: ok então....anda lá
(18:13) Lala: eq tipo, vou pra geraçao 3.
(18:13) Lala: LOL
(18:13) Lala: pera ai, vou-me vestir antesq eles cheguem e os tnha de cumprimentar de pijama.

(18:13) Gina: ok
(18:14) Lala: deves.
(18:15) Gina: devo xençar!?
(18:15) Lala: yaaa
(18:15) Gina: ok
(18:15) Lala: ha mil anos q nao dizia isso
(18:15) Gina: esta mioleira não pára...
(18:15) Lala: a tua ou a minha ?
(18:16) Gina: referia-me à minha mas a tua é igualinha
(18:16) Lala: ah pronto
(18:16) Lala: eu eq sou convencida
(18:16) Lala: acho q e td pa mim --.
(18:16) Lala: ps: este smile: --'. eq e o verdadeiro smile moderno. xD
(18:17) Gina: ah.... isso é sorrir?
(18:17) Gina: eu pensava que era assim como que pró triste

(18:17) Lala: naoo. -> -.-' e tipo embaraçado.
(18:17) Lala: mas eu uso isso pra td
(18:17) Gina: pois eu já visso no meu blog
(18:18) Lala: lol, ya.
(18:18) Lala: e um smile mm da moda
(18:18) Gina:eu já não uso aquele à cota
(18:18) Lala: fazes bem
(18:18) Lala: as pessoas nao gostam de narizes. LOL

(18:19) Gina:achei que era melhor até porque assim carrega-se em menos uma tecla
(18:19) Gina: logo... poupa-se tempo
(18:19) Lala: tempo e dinheiro xD
(18:19) Gina: então e sempre queres vir para aqui?
(18:19) Lala: quero, toume a vestir.
(18:19) Gina: ok
(18:21) Gina: vou desligar

Grafologia

Sempre soube que a caligrafia é algo muito pessoal e que não há duas pessoas que a tenham igual.
Há dias li um artigo numa revista que abordava o tema grafologia e o que a letra manuscrita poderá revelar acerca da personalidade de cada pessoa.
Decidi analisar a minha caligrafia (ver imagem em baixo) e resultou nisto:

· Margens -> Irregulares

Falta de atenção e desorganização mas também tolerância e grande versatilidade.

· Inclinação da palavra-> Inclinação ascendente

Entusiasmo e optimismo.

· Tamanho da caligrafia -> Caligrafia pequena

Criatividade e um profundo sentido de detalhe, com uma certa falta de segurança e ambição. Em geral estas pessoas adaptam-se facilmente a qualquer ambiente mas são muito modestas e reservadas.

· Forma da letra -> Letras amplas ou largas

Revelam uma natureza ostensiva, egoísmo, orgulho e um grande desejo de viajar.

· Direcção ou inclinação ->Escrita vertical

Independência, estabilidade e frieza de raciocínio. Embora possam ser emocionalmente intensas estas pessoas contêm facilmente os seus impulsos. Demonstram um bom poder de auto-controlo em situações de crise, podendo facilmente ser merecedoras de confiança. Em geral, são óptimos administradores e ocupam cargos de elevada responsabilidade.

· Aparência -> Escrita redonda

É, normalmente, produzida por pessoas simpáticas e afectuosas.

Bem... olhando abruptamente para isto não me parece que eu seja assim.Mas... olhando demoradamente e analisando sem romantismo e com pragmatismo, encontrei-me naquelas designações todas.
Em baixo a minha letra...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

À partida parece-me mau. Depois de partir começa a parecer-me bom. E depois de embalada já não é mau nem bom. É assim-assim. Este é um sentimento que não gosto de ter. Desagrada-me esta apatia. Mas é de propósito que me desligo da girândola em que me movo. Procurei a apatia para não ver nem sentir. É uma fórmula para bem viver. Procurei e encontrei mas não gosto.
Espanta-me que no meio do que não gosto de sentir esteja a solução para não sentir nada.

Um chão de prata


É uma pena o chão da loja não ser de prata... hoje teria ficado a brilhar - deixei cair lá do alto do escadote um frasco de Pratex que veio por ali abaixo mandado e se partiu deixando liberto o líquido branco que se foi espalhando. E ficou à espera porque depois de espalhado dali não saiu. Tive que ser eu a mandá-lo embora passando e repassando a esfregona...
É por isso que eu digo - se o chão fosse de prata com tanto esfreganço teria ficado reluzente e luzidio...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ando um bocadinho esgotada da cachimónia.
E acabo de verificar que a palavra cachimónia também não existe. Se eu escrever que estou cansada da massa encefálica o corretor ortográfico desta bodega de blog não assume erro... olha!... afinal assume erro por estar no feminino. Devia escrever massa encefálico... este corrector é parcial, ou por outra, é machista e inventa erros.
E eu, se calhar, ando esgotada porque invento palavras...
Ah... "balconista" é uma palavra existente apenas no Brasil... ok... mesmo assim, depois de gastar tempo escrevendo um texto e já que só lê quem quer, ele aí vai:



Balconista...

... é uma palavra que designa profissionalmente alguém que está por trás de um balcão atendendo o público e o que se espera é que venda qualquer coisinha quanto mais não seja o mínimo para que se consiga subsistir neste mundo mas também é verdade que não existe outro mundo e é por isso que o melhor é fazer-se o que se pode neste.
Ufa! Até 'tou cansada!... E esquecida do assunto... Ah!... era acerca da palavra balconista. Pois é verdade que o nome que arranjaram a estes profissionais dá para os dois sexos - são só dois, não é? - para que as balconistas e os balconistas não se zanguem. Não se quer tal classe trabalhadora aborrecida seja com aquilo que for porque depois ainda se enganavam nas contas e a clientela ficaria a perder com os erros e os enganos de semelhantes espécimes. Sim, porque não haver enganos, principalmente da parte de quem atura um público chato, mesquinho, destituído de educação e de inteligência, é muito importante!... A clientela não tem nada que andar a encher o cu a gulosos!... Isso é que era bom!... Enganam-se propositadamente, levam o couro, o cabelo, as unhas e as pestanas!... Que avarentos são!... Ladrões!...
Já não me lembro o que é que estava a escrever outra vez... Ah!... Devaneava acerca da palavra balconista.
Ora bem, descobri recentemente que ela - a palavra - embasbaca as pessoas, parece que se fica com um ar estúpido quando alguém pronuncia este vocábulo ali pertinho de quem ouve. E porquê? Eu cá por mim levei horas para lá chegar. Possivelmente esta balconista - eu - será mais parva ainda do que as restantes criaturas existentes neste planeta e que já ouviram alguém dizer "aquilo". Mas cheguei lá, cheguei sim!... É que a palavra balconista deriva da palavra cona!... Evidentemente!!!! Bal-conista... Pois 'tá claro!!! Mas como é que eu não decifrei logo este enigma?!...
Mas ainda assim, não se deixa de ser bal-conista de uma hora para a outra. Eh pá!... É-se bal-conista, pronto!... E entretando uma dúvida me apareceu: poder-se-ia, por ventura, arranjar outra palavra para designar tal profissão? É que, convenhamos... depois de tanto esforço para decifrar qual seria o grave problema de inteligência que surge a quem ouve pronunciar tal palavra... considero imperioso, ao menos, imaginar qualquer coisa diferente da palavra balconista para designar a minha profissão. Ora bem, poderia ser:

balcôia... balcorêsa... balcosa... bálcona...balcónica... balcante... balcóneca... balconesa... balcorante... balcona...

Tratei apenas da parte feminina da questão. Para a parte masculina alguém que por aqui apareça e se "pique"...

Confusõezinhas (esta palavra existe apenas no meu vocabulário, presumo)

Há palavras que me fazem confusãozinha, como por exemplo: ordinário. E a confusãozinha é esta: pois se "ordinário" deriva da palavra "ordem" porque será que uma pessoa ordinária não tem ordem nenhuma?

Mas há mais: despedaçar ou espedaçar. Ora, estas palavras significam tornar em pedaços. Nesse caso, não deveria ser "pedaçar" e não "despedaçar" e "espedaçar"?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eh pá!... Porque é que nunca se pode falar?... (ai que raiva!)

"Atão e como é que 'tá o negócio?..."
Pergunta o bicharoco que, efectivamente, nada tem a ver com isso.
"Vai-se vendendo."
A balconista* não quis dar um ar de "coitadinha que não vende e por isso não tem que vestir nem sequer que comer, pobrezinha e coitadinha dela que é tão infeliz e desgraçada e ainda por cima ninguém gosta dela nem nada..."
"Ai 'tá uma merda!..."
Foi o que a balconista** teve vontade de gritar.
É certo e sabido que a balconista***, por estar como que balconista**** naquele momento, não pôde opinar nem dizer a palavra merda...


*esta palavra é muito gira
**esta palavra qualquer dia dará tema para um post
***apenas espero o dia em que estarei para aí virada
**** é mesmo verdade... esta palavra lembra algo
gosto de ser mulher
mas
é complicado estar numa oficina de automóveis
e
manter um ar descontraído
e
esperar pacientemente pelo chefe da tasca
e
decorar o nome e o sítio da avaria*
para
posteriormente comunicar ao meu cônjuge
mas
não é nada mau
que
consiga manobrar o meu popozinho
num
espaço tão apertado
com
aquela cambada de manuéis toda
a
olhar para mim...


*válvula do pedal do travão avariada
Sinto uma espécie de ultimato. O último aviso. O tempo esgota-se e eu tenho que decidir. Na verdade já decidi mas custa-me tornar visível a minha decisão porque tenho medo de me arrepender. Depois de emitida a decisão não vou poder voltar atrás.
E se afinal aquilo até fosse giro? E se eu até viesse a gostar daquilo? E se até desse jeito para qualquer coisa? Nunca saberei.
Não quero - ou não queria? - nenhum "se" na minha vida mas sinto-me sem outra opção. O que me resta é continuar por aqui e por ali como tenho feito sempre. Umas vezes errante e perdida, outras com certezas que não interessam a ninguém e ainda outras concentrada em evoluir apesar de tal esforço se revelar - sempre, sempre, sempre - debalde. Outras vezes tudo misturado. Hoje é assim.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

As histórias do meu merceeiro - as frutas que se vão embora

Diz que já não há morangos. Perguntei por eles e a resposta que ouvi foi que os morangos não gostam de se encontrar com as cerejas. Assim que estas chegam eles, os morangos, tratam logo de se ir embora.
Mas há mais - também diz que as cerejas não gostam das uvas nem do melão. Ora os melões já andam por aí... certamente já as cerejas ouviram a queixa dos melões reivindicando o espaço que lhes pertence... não tarda nada lá vão elas, as cerejas, embora... e os melões e as uvas vão ficando até... chegarem as pêras e os diospiros, será?

Isto é uma história com a verdade lá no fundo, ou então, é uma verdade superficial, se é que isso existe. Nem sempre as coisas acontecem assim porque depende de muitos factores - condições atmosféricas, fornecedores, clientes, da pessoa que gere o negócio e do próprio negócio.
Não obstante, engracei com o que ouvi e o meu merceeiro teve que repetir esta "história" para, pensou ele, eu entender. Mal sabe ele que só a repetiu porque o que eu queria muito era escrevê-la... pela muita graça que lhe achei...

domingo, 29 de junho de 2008

Era o ideal...

Era algo que eu idealizava como me convinha. Eu é que supunha, eu é que fazia, eu é que acontecia. Só eu é que me interessava. Só a mim é que interessava. Tudo para mim. Tudo meu. Eu e as minhas coisas. Eu e os meus pensamentos.
Pegava nas frases, juntava-lhe uma porção grande de fantasia, e tantas outras coisas que não caberiam aqui, em doses mais pequenas mas nunca iguais para não desequilibrar. Encaixava tudo muito bem. Era perfeito. Tão perfeito mas tão perfeito que só eu poderia saber e saborear. Depois fazia uma história que acontecia como eu queria e não terminava nunca. Era assim.

Estou a escrever no passado porque queria que isto já fizesse parte dele. Só que isto ainda mora no meu presente e na minha cabeça.
Se o meu blog fosse como um serviço telefónico daqueles grátis, depois de haveres chegado a esta página virtualmente verde, responder-te-ia assim:


Bem vindo ou bem vinda, dependendo do sexo. Bom dia ou boa noite, dependendo da hora actual.
O meu nome é Gina e acedeste à página do blog Verde Água.
Se aqui chegaste por recomendação:
Ia gostar que não desses por mal empregue o tempo que (espero eu!) gastarás a ler isto.
Se aqui chegaste porque calhou:
Alegro-me com a sorte que te calhou e gostava que sentisses o mesmo.
Em qualquer dos casos podes dispor do que aqui dou:

tecla 1 -
história
tecla 2 -
animação
tecla 3 -
humor
tecla 4 -
frustração
tecla 5 -
família
tecla 6 -
tristeza
tecla 7 -
indignação
tecla 8 - amizade
tecla 9 -
alegria
tecla 0 -
solidão
tecla * -
surpresa

sábado, 28 de junho de 2008

A Cris passou-me este desafio. Parece que não se sabe bem as regras mas sabe-se que é para nomear 11 blogs, atribuir-lhes um número ao calhas e depois responder ao questionário.
A minha maior dificuldade será "arranjar" 11 blog's uma vez que não leio tantos assim nem tenho uma relação profunda com nenhum dos seus autores.
Escolhi alguns casualmente e aí vão:


1 http://claras-em-castelo.blogspot.com/


2 http://vekikiprojects.blogspot.com/


3 http://dona-redonda.blogspot.com/


4 http://tretaseoutras.blogspot.com/


5 http://minhanuvem.blogspot.com/


6 http://frontofficestories.blogspot.com/


7 http://biclaranja.blogs.sapo.pt/


8 http://verao-azul.blogspot.com/


9 http://oblogquetevequeternome.blogspot.com/


10 http://ardosiaazul.blogspot.com/


11 http://bell-tira-teimas.blogspot.com/



Como encontraste o 4?


- Por acaso, tal como todos.


O que farias sem o 6?


- Ia rir muito menos...


O que farias se o 2 e 6 estivessem a namorar?


- Eh pá!... Acho que não faria nada. Isso era lá com elas.


O que farias se o 5 confessasse que ele/ela te ama?


- Nem sequer consigo imaginar...


Quem é o melhor amigo/a do 11?


Se calhar são as palavras.


Já te alimentaste perto do 1?


- Não sei...


Sentes saudades do 2?


- Posso dizer que sim. Vou sempre espreitar o blog dela.


Quem o 10 namora?


- Não sei. É enigmática...


O que achas do 3?


Parece-me uma rapariga (acho que é ainda uma rapariga) muito simpática e de fácil lidação. É a ideia que me transmite somente acerca do que leio no seu blog e, principalmente, através das palavras que deixa na caixa de comentários do meu blog.


O que achas do 9?


Uma rapariga de quem pouco sei. As palavras que deixa lá no seu blog parecem-se com pensamentos imediatamente transformados em palavras depois de pensados. Estarei certa?



O que farias se o 4 e o 7 estivessem a namorar?


- Aí seria lá com eles...


Casarias com o 8?


- Não.


Amas o 10?


- Não.


Já dormiste no mesmo quarto com alguns destes números?


- Nop!...



Quem se sentir desafiado/a espero que se sinta à vontade para responder e que me diga qualquer coisinha.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Parvoíces inerentes à tentativa de desviar a minha atenção ao assunto apresentado nos post´s anteriores:

Perguntei a alguém do sexo masculino (ai eu gosto tanto de escrever a palavra sexo!!!):
" Olá!" - primeiro cumprimentei porque sou muito educadinha. E logo a seguir directa e concisamente: - "Lembra-se de mim!?"
Seguidamente (e normalmente assim é) a cara que vi não foi de pessoa inteligente. Ficou boquiaberto e com ar de parvo, demorou quatro ou cinco segundos a pensar (que eu aproveitei para me divertir apesar de expectante) o que diria para não me ferir as susceptibilidades, aquelas que não possuo. Decidiu ficar de bico calado, convenhamos que não fica bem dizer que lembra a minha cara - poderia andar aí o meu dono (sim... nunca fiando...), ouvir "aquilo" e aproveitar para exercitar a musculatura tããããão necessitada de aliviar tensões. Nem fica bem dizer que não lembra os traços da minha fuça (também é giro escrever fuça...) - poderia ofender a minha pessoa que de tããããão frágil não aguentaria tamanha decepção...

Prós, contras e parvoíces inerentes à pesagem dos mesmos

Ora bem, prós:

· Adquirir conhecimentos aprendidos através de outrem
· Relacionar-me com pessoas fora do âmbito familiar e profissional
· Aprender a concentrar-me no que alguém divulga ou ensina
· Minimizar o desconforto da timidez
· Aplicar profissionalmente o que aprender
· Confronto directo com outras ideias e com outros ideais
· Dispor-me a trabalhar e aprender em grupo
· Possibilidade de viver num ambiente novo

Ora mal, contras:

· O tempo ficar ainda mais escasso
. Renúncia a passatempos e convívio com amigos
· Impossibilidade de frequentar o ginásio o mesmo número de vezes
· Grande possibilidade de voltar a ser gorda
· A ideia do ambiente novo ser ilusória
· Despesas extra
· Bloqueio à criatividade por estar ocupada em aprender e reter informação
· O que vou aprender não se coaduna com o que gosto realmente de fazer
· Receio não ter capacidade para levar a cabo o pretendido
· Menos tempo ainda passado com a família
· Tamanho sacrifício não ser recompensado proporcionalmente
· Não implica nem possibilita uma mudança a nível profissional


Conclusões:

· Os contras são em maior número
· Não tenho o mínimo jeito para fazer listas
· Saíram parvoíces da minha cabeça
· Ainda por cima escrevi-as

A indecisão anda por aqui, pairando à minha volta e eu é que estou tonta...



terça-feira, 24 de junho de 2008

Decidir

Cada vez que lá vou saio sempre feita num oito. Subi a avenida devagar ao contrário do meu costume. Andei devagar para gastar o tempo que me sobrava e porque queria que as ideias refrescassem. Tenho que tomar uma decisão importante, pesar os prós e os contras e ver para que lado se inclina mais a balança.
Se disser que sim tenho que deitar para o lixo muitas das coisas que já consegui e que valorizo hoje. Se disser que não estou a desperdiçar uma oportunidade que possivelmente não voltarei a ver chegar até mim. Assim também estarei a deitar algo para o lixo.
Enquanto caminhava pensava na mistura estranha e por vezes explosiva que é a minha vida. Tenho a família e o trabalho. E tenho o trabalho e a família. Que estão mescladas, juntinhas e entrelaçadas uma na outra. Por causa da mescla e da laçada sinto que não tenho vida profissional. Até parece que nem trabalho... mas trabalho. Faço parecer que não me dedico mas dedico-me. Faço parecer porque tanta dedicação será, possivelmente, inglória e debalde.
Certamente verei o desfecho daquilo que hoje faço enquanto me dedico. Vai haver um dia em que eu vou subir a calçada como se ontem nunca tivesse existido... e passar numa rua desconhecida com um propósito que hoje desconheço.

domingo, 22 de junho de 2008

Manifestei preocupação devido ao atraso dos meus sogros. Vinham cá jantar e não havia meio de chegarem.
- Mãe... ninguém se preocupa com os sogros... as pessoas dizem sempre mal dos sogros... - disse a rica filha.

Gosto desta anormalidade.
Sou anormal.
Mas já sabia.
E já gostava.

sábado, 21 de junho de 2008

O texto publicado no post imediatamente abaixo deste não é da minha autoria

E pronto!!! "Houve alguém que descreveu a Gina". Esse alguém é este senhor.
Sabe que tenho um blog desde que escrevi qualquer coisita acerca dele - segundo o mail que me enviou após ler o que eu escrevera, apenas referi a ponta do iceberg... mas que estava bem e por acaso era assim como o descrevi que ele gostava que as pessoas o "vissem". Depois nunca mais me visitou mas falava-me disto aqui de vez em quando. Eu ficava com vergonha porque é inexplicavelmente mais difícil ser lida por quem me conhece, fico mais exposta. Desejo que quem me conhece venha aqui ler mas tenho muita vergonha em simultâneo. Não se entende, nem eu entendo...
E assim houve um dia, ele há sempre um dia, em que este cavalheiro começou a ler o meu blog. Parece que se espantou com a estética da escrita e parece-me que, de uma maneira geral, gostou de ler. A mim espantou-me esta última e também a paciência que teve e o tempo usado para ler todo o blog.
Neste meio tempo anunciou-me que depois escreveria um comentário e escreveu mesmo mas verificou-se que não caberia na caixa de comentários e então disse-me que não via inconveniente nenhum em que o publicasse aqui. E eu publiquei.
Diz ele que a estética da minha escrita incide no discurso muito directo por ser escrito na primeira pessoa, que demonstra a procura da afirmação e da negação numa mesma frase e a passagem para a escrita da linguagem falada. Mas diz que não é crítico literário. E eu sei que não é mas gosto de saber, apesar de sentir vergonha, o que as pessoas pensam acerca daquilo que escrevo.

Daqui lhe agradeço uma vez mais. Agora publicamente.


Ah!... Considerei o texto muito fiel à minha realidade e a parte do "pijama imaculadamente dobrado" tem muita graça... e o meu cumprimento "bom dia sou Bento", nunca tinha reparado que falo assim... "trouxe-me as coisas todas?" também é certeira!... e o banco de banheira então!... fez-me rir... já o apaguei da minha memória bem como do livro das faltas... mas acho que na próxima Segunda-feira ainda lhe vou perguntar por ele!

Houve alguém que descreveu a Gina

1. PREÂMBULO

Porque penso já conhecer alguns dos traços psicológicos da Gina, deixo aqui as palavras que ela poderia escrever mas que provavelmente o não faria.
Não faço uma análise ao blog (já disse que o que mais me espanta é a estética da escrita), por isso transcrevo em palavras minhas numa hipotética descrição da Gina, aquilo que penso ser um dia na vida da blogger.
Se o que escrevo de qualquer forma se aproximar da realidade fico satisfeito (a minha observação das pessoas e do meio onde se movimentam consegue ainda descodificar a previsibilidade das suas acções e reacções).
Convenhamos que meio século de vivência, no mínimo dão-nos alguma experiência...



NAS LETRAS DE UM TECLADO AS PALAVRAS QUE NUNCA ESCREVERIA...OU TALVEZ SIM

Mais uma vez é segunda feira.
Mais um dia de trabalho.
Que merda - Oh Luís; merda posso escrever não posso?
(é este anátema pseudo-religioso que me censura o vocabulário)
Como estes dias se tornam repetitivos (os mesmos 1440 minutos dia após dia).

A fila de transito estende-se pela A8. É o túnel do Grilo que lentamente vai engolindo os automóveis.
- Alimenta-se bem este grilo!!!

Será que é hoje que vem o banco de banheira?

Sem café, isto hoje não vai lá:
- Olhe faz favor... é um bolo partido ao meio. - Luís queres café? – E é um café em 2 chávenas...

- Então são as molas de roupa e o pó para as pulgas? - São --- euros (percebi que as molas de roupa foram o pretexto para ganhar coragem na petição do pó).

Será que o banco de banheira está a chegar?

- Oh Gina escreve aí no livro de faltas as tintas para o cabelo!
(Nem sei porque se chama livro de faltas a umas folhas de papel “reciclado”, manualmente formatado num ziguezagueado A5 e presas por um grampo de mola...).

· - Bom dia D. Gina; bom dia Sr. Joaquim.
- Bom dia “sou” Bento. – Ai!!! ... o meu pulso.
(A mania que este sujeito tem de nos cumprimentar apertando vigorosamente a mão enquanto nos fixa nos olhos)
- Trouxe-me as “coisas” todas?
(reparo que veste a camisa de cor igual ao meu verniz e nos pés traz os sapatos da “viúva”)
- Tudo menos o banco de banheira.
- Então a fábrica faliu? (já está pedido há mais de 3 meses).

. Vou ao armazém buscar lixívia (antes passo pelo 13B para dar um beijinho no Luís).

- Então Bento ... hoje comemos cá?!
- Eu como onde quiser...; respondeu-me.
Não decifrei se o sorriso malicioso com que o disse foi genuíno, ou é esta minha fixação de que por defeito genético todos os homens pensam de baixo para cima.

- Ai que fome que eu tenho!!!!
Gritei para o empregado do restaurante onde costumo almoçar, ao mesmo tempo que ocupo o meu lugar na mesa, como habitualmente de frente para a rua.
Não sei se é mesmo fome ou esta minha incessante vontade de rapidamente sair para o meu “passeio diário de desintoxicação mental”.

Já me não recordo se as montras que olhei tinham sido redecoradas.
Mas continuam lá...

O cliente pediu e o patrão endereçou-me a pergunta:
- O banco de banheira já chegou?
- Não. Continua pedido.

Ninguém está na loja. É a minha hora sexual.
Pego na esferográfica e vou rabiscando num papel os tópicos da minha escrita de hoje.
Absorta, volto à realidade quando uma cliente me pede um saco de terra para plantas.
Afinal só “fodi” 5 minutos ao patrão.
Ainda bem que sou mulher, senão seria ejaculação precoce.

Está na hora de fechar a loja e vou até ao ginásio.
Mas onde raio poderei desencantar um banco de banheira?

Não sei o que vai ser o jantar.
Se tivéssemos visitas seria o Luís a fazê-lo.

Prometo a mim mesma que hoje não vou escrever pela enésima vez acerca dos meus ténis ... sapatilhas ... calcantes ... pisantes ...

Misturo a água. De pé na banheira sinto gota por gota o jacto de água tépida que o meu corpo recebe.
Dou por mim a falar com os botões do pijama que imaculadamente dobrado sobre o lavatório aguarda o meu regresso.
- Ainda bem que por hora não necessito de um banco de banheira...

Dou um beijo nos meus ricos filhos e vou deitar-me.

Esta Gina Nº 40 saiu melhor que a encomenda ... está mais sofisticada.


Space flyer

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Tocou a campaínha. O rico filho foi à porta e perguntou quem era através do auscultador. Quem lhe respondeu - vim a saber à posteriori - foi uma menina da idade dele que lhe contou laconicamente o motivo da visita:
- Quero comer.
O rico filho é, também ele, lacónico nas palavras. Mas abriu uma excepção e disse mais do que duas palavras de uma só vez e a resposta mascarada de sugestão saíu em tom muito indignado:
- Olha!... Vai comer ao lixo!!!

Acontecimentos muito importantes deste dia:

Acontecimento número um:

Uma rapariga entrou na loja e apanhou-me a cantar:

My dream is to fly over the rainbow so high
Rise up don't falling down again
Rise up long time I broke that chains
I try to fly
away so high direction sky
I try to fly away so high direction sky
My dream is to fly over the rainbow so high

(Yves LarocK)

Mostrou-se surpresa mas sorridente e eu disse-lhe que se levasse a vida a cantar "isto" não custava nada...

Acontecimento número dois:

Um senhor entrou na loja só para me dizer que hoje não queria fazer chaves, que já lá tinha estado no outro dia e que não podia gastar os euros todos em chaves.

Acontecimento número três:

Pintei as unhas esperançada de que ninguém aparecesse a querer um Linfer ou meio litro de amoníaco ou assim e eu borrasse a pintura toda... e não borrei.

É giro isto. É, é. E assim concluo que a minha vida profissional é cá uma animação!...

E antes da despedida formal da Primavera:

Começo com os bugalhos. Julgo que não era bem na Primavera que eu apanhava estas "bolas", abria-as ao meio e de dentro saía um bicho semelhante a uma aranha a correr o mais depressa que conseguia, julgo eu. Era divertido, aquilo.
Como andei a ver se via os bugalhos castanhos e só consegui encontrá-los cobertos com aquela capa verde, suponho que me divertia desta forma no final do Verão ou no Outono. Mas não tenho a certeza.
No post anterior desta série eu relato uma visita à Rua do Bêco. Um dos propósitos daquela visita era fotografar a própria árvore de onde eu arrancava os bugalhos. Infelizmente a árvore já não existe...

foto: Alcaínça

Esta planta tem a "sorte" de eu saber o nome dela. Mas só porque me deixaram escrito aqui - é uma das variedades do trevo forrageiro.
Uma vez quis saber se esta planta teria cheiro. E para ter mesmo a certeza enfiei uma no nariz. Deu-me um trabalhão tirá-la de lá!...

foto: Cabeço de Montachique

Estas eram as rosas que na Primavera saiam das grades do quintal de uma professora que morava lá ao pé de mim. Na Primavera, quando ia a caminho da escola eu observava em que estado estavam e quando havia botõezinhos apanháva-os e fazia um raminho. Estas rosas têm um cheirinho muito agradável.

foto: Mafra

Ainda hoje acho esta planta semelhante à salsa. Agora imagina quando tinha sete ou oito anos... Um dia mostrei à minha mãe que me disse que aquilo não era nada salsa! Que desilusão!...

foto: Alcaínça


Pois que aqui também não sei com se chama esta planta mas lembro-me muito bem de imaginar que era trigo e que se calhar daria para brincar às padarias. Para ter a certeza de que aquilo daria para fazer pão dissequei a planta e comi os grãozinhos. Não era mau... era bem capaz de dar para fazer farinha se eu soubesse como lá chegar...

foto: Loures

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Entardecer

Hoje o Luís trabalhou até mais tarde e eu andei por ali a gastar tempo.
A Alameda estava visivelmente agitada com a proximidade do jogo importante que iria decorrer.
Três mulheres passeavam cachecóis, com o escrito Portugal - Alemanha, na ânsia de deles se desfazerem para recuperar o investido.
E eu ali a vaguear, só.
Tanta coisa para fazer - e para escrever - e eu ali, só.
Andei por ruas de que não sei o nome e andei por ruas de que sei o nome mas não quis ir àquele jardim.
Não vou lá quando estou nostálgica.
Mudei o rumo e fiz uma volta diferente.
Parei e sentei-me algures.
Escrevi.
Ouvi vozes esganiçadas cantarem o hino.
Ri-me, só.
A rua deserta, o povo calado, a cidade centrada num acontecimento sem sentido para mim.
Ninguém ali.
O entardecer é tão bonito naquela rua!
Fui tomada por algum receio mas deixei-me ficar mais um pouco.
Quis esquecer o medo e esqueci mais um pouco... mais um pouco.
O céu escureceu.
Levantei-me e segui, só.

E eu a pensar que só eu é que brinco com quem falo mas não conheço:

Hoje fui à baixa lisboeta em trabalho. Um passeio na hora do patrão é diferente… para melhor!
Um número redondinho sito na Rua do Ouro era o destino. Cheguei e entrei directamente numa ourivesaria, o senhor de trás do balcão levantou-se para a eventualidade de eu querer negociar com ele mas… eu perguntei-lhe se a empresa tal e tal no andar assim assim ainda lá estava instalada. O senhor respondeu afirmativamente mas que não tinha elevador e não havia luz a partir do segundo andar porque o prédio estava em obras. Fiz um esgar qualquer, de certezinha, só não sei é de que tipo. Agradeci e disse que supostamente ninguém me faria mal pois sou boa rapariga. Já me estava a preparar para subir alguns lanços de escada feita de madeira tosca (leia-se podre) muito altas e muito estreitas, munida de coragem e da luz do meu telemóvel. Sim, porque actualmente um telemóvel não serve apenas para fazer e receber telefonemas, não é?
A esta altura já sei de que tipo era o esgar - era de medo. Num impulso preparei-me para subir. "ai... que vista desagradável. Enfim…’ bora lá Gina!..."
- Eu estava a brincar, o prédio tem elevador - um sorriso maroto acompanhou as palavras e conduziu-me até lá, carregou no botão do elevador e enquanto o dito não chegou ao rés-do-chão não largou a minha companhia...


Isto é para eu saber que há mais gente espontânea neste mundo. Ali éramos dois.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Oh vida minha!


- 'Cê tem rolo dji pintúrah?
- Sim. Para pintar com que tipo de tinta: água ou esmalte?
- Ah é daqueli ali, oh!.. - apontou para cima - Esse é dji vintxi centxímetros?
- Este é de 180 milímetros.
- Ah e o ouutro?
- É de 150 milímetros.
- Ah mi dá o grandji.
E enquanto eu lhe arranjava o pretendido:
- 'Cê faiz chavi?
- Sim, faço.
- Puxa!... 'Cê faz dji tudo, hein? E djinheiro, 'cê faiz?...
- Não. Mas se me emprestar uma nota posso tirar umas fotocópias.
- ah!ah!ah!ah!ah!ah!ah!
- Se eu soubesse fazer dinheiro não estava aqui a olhar para si...

(nem saberia que existem rolos de 180 ou de 150 milímetros, nem tinta de água ou de esmalte, seguramente)

Os meu óculos XL

Ia eu subindo a Avenida Guerra Junqueiro quando vejo uma senhora circulando no sentido oposto ao que eu seguia. Tinha um ar simpático e sorria levemente para mim. Primeiro pareceu-me apenas um olhar e um sorriso de apreço. Pensei:
"Eh lá!... Estes óculos ficam-me mesmo bem! Esta senhora está perdidamente apaixonada por mim...". Mas a senhora ia expandindo o sorriso à medida que nos aproximávamos uma da outra. O sorriso foi ficando maior e cada vez maior e cada vez maior e aqui já eu pensava:
"Ai o caraças! Mas eu conheço a mulher, é? Será que a conheço e não sei quem é? Porque estará a sorrir tanto?" Investiguei minuciosamente a senhora, tentando descobrir se seria alguém das minhas relações mas não, não conhecia, ou pelo menos não estava a reconhecer. E como não estava a reconhecê-la pensei:
"Xiça!... Sou (ou estou) mesmo gira!!! Olha o raio dos óculos, hein?!?! Só é pena... não ficar a saber se sou eu que fico bem com os óculos ou se são os óculos que ficam bem comigo..."
Pus a modéstia de parte, enxotei-a para longe com um valente pontapé nas fuças...

"Eh pá!... Eu acho que são mas é o raio dos óculos que ficam mesmo bem comigo!!!"

Na foto sou eu e os meus óculos tamanho XL. Para que não restem dúvidas...

Acerca do post anterior:

o meu amor gostou do que leu. Muito. Tinha os olhos brilhantes enquanto lia e quando acabou de ler disse-me:
- É... eu sou assim...
Está tudo dito.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Luís perguntou-me se já alguém tinha comentado o post que eu escrevi no dia do seu aniversário. Disse-lhe que tinham comentado mas apenas para lhe dar os parabéns, ninguém referiu nada acerca das minhas palavras.
Notei que ele até nem gostou tanto assim do que eu escrevi acerca da sua personalidade, aquele texto não coincide com a ideia que tem de si próprio. Quando criei aquele post centrei a minha atenção nas características do Luís mais viris e másculas, aquelas que são mais vulgares num homem e, se calhar, o resultado é um texto que revela grossaria, bruteza e vulgaridade.
Como não concordo nem um pouco com a ideia de eliminar post's, ainda por cima estando já comentados, achei que deveria publicar um texto que tenho no blog em rascunho já há mais de um ano. Vou publicá-lo tal como está, sem tirar ou acrescentar nada. Neste momento, para mim, não teria a menor piada alterá-lo.
Luís, espero que gostes.

Um perfil difícil...

O Luís tem um carisma extraordinário - é todo ele eloquência, emoção, raiva e bondade com tudo o que isso pode significar de negativo ou de positivo. Óptimo comunicador, dono de uma capacidade, quanto a mim invulgar, para falar acerca dos mais variados assuntos, mesmo aqueles que não conhece profundamente. Lança-se na conversa, emite a sua opinião, não importa do que se está a falar, ele está lá e diz abertamente o que pensa. Mesmo que discorde de alguém é com facilidade bem aceite, uma vez que se exprime com convicção.
Acho o Luís dócil porque é capaz de se emocionar com uma música, um filme, um livro, uma paisagem, o voo de um pássaro, um velhinho que passeia ou com uma criança que brinca. Em contrapartida, é capaz de se enervar com um condutor que não o deixa passar, com alguém que mente ou por não encontrar algo de que necessite urgentemente.
É também um "manteiga derretida" particularmente para com aqueles que ama. Não pode ver ninguém chorar ou queixar-se de alguma coisa, trata logo de fazer algo no sentido de melhorar o bem estar geral da família. Ele remove montanhas se for preciso, só para não os ver aflitos com o que quer que seja.
O Luís pratica artes marciais, mais propriamente Jiu Jitsu e... A-DO-RA!!! É doido por aquilo, no caminho para casa conta-me tudo, tudo, tudo. E eu ouço-o pacientemente e quase sempre penso que ele é espectacular a contar o que quer que seja.
Sempre achei que o Luís tem perfil de professor porque adora ensinar e por saber usar tão bem as palavras para se explicar.
No Ginásio, é onde ele dá largas ao gosto que tem pelo ensino. Quem vai de novo, tem ali um apoio espectacular, porque o Luís é um óptimo anfitrião. Em casa também o é e eu que o diga... quando temos visitas ele entretém muito bem os convidados, é espectacular!
Fomos convidados para ir almoçar a casa de um casal de primos do Luís que não vemos com frequência e a quem apenas nos ligamos por laços familiares, ou seja, ninguém cá de casa está minimamente habituado àquelas pessoas.
Enquanto conversávamos acerca da visita que se faria, a rica filha lembra-se de perguntar ao pai se os primos tinham filhos ao que o pai respondeu que não. O rico filho que estava numa outra divisão da casa, escutando esta conversa de longe prontamente questionou:
- Ó pai!... E filhas?...

O rico filho começa a dar os primeiros sinais de macho... já pensa, em primeiro lugar, com a pila. Enfim... enquanto a cabeça de baixo não tirar o juízo à de cima ainda vá que não vá.

Eu...

... de qualquer maneira, independentemente da minha vontade e até do que estou a sentir, faça muito, pouco, tudo ou nada, quer inove as minhas ideias quer as deixe ficar como estão - tenho sempre um ar aborrecido e contrariado.
Às vezes deixo andar, outras vezes quero mudar. Mas em todas estas vezes penso que desagrado em demasia.
A questão "para quê continuar?" subsiste, insiste e persiste.

domingo, 15 de junho de 2008

Desinteressante

Quando começo com parvoeiras na cabeça género "p' ra que é que isto me interessa?" é mau sinal. Porque se intensifica a ideia de que sou parva, o desinteresse por toda e qualquer coisa e a certeza de que não há nada que eu faça que valha realmente a pena. Todas esta ideias nascem pequeninas e simples, fáceis de lidar. Mas sem que eu dê por isso ganham tamanho dentro da minha cabeça, ficam assombrosamente gigantescas.
Realmente... p' ra que é que isto interressa?
Interessa-me para "qualquer coisa" ou não estaria a escrever desta forma. Só não consigo é descodificar a "qualquer coisa".
Pelo que conheço dela é má e estranha. Deseja mal a quem está feliz e não se fica por aí, é capaz de engenhosas artimanhas para levar a cabo os seus intentos. Pode levar mais ou menos tempo mas consegue sempre o que quer. A sua maldade contagia e corrói muito lentamente quem se aproximar. Lentidão propositada para causar sofrimento... não queria nada ser como ela... o melhor é afastar-me.